Modelo TEACCH

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Modelo TEACCH

  1. 1. MODELO TEACCH Treatment and Education of Autistic and Related Comunications Handicaped ChildrenO Modelo TEACCH insere-se na categorização das intervenções de basecomportamentalista.Foi implementado no início de 1970, na Universidade da Carolina do Norte,Estados Unidos da América, constituindo o único programa reconhecido peloGoverno Estadual, estando incluído na legislação sobre educação.Teve como fundador Eric Schopler, que assegurou a sua direcção durantevários anos, tendo sido seu principal colaborador Gary Mesibov.Tudo começou quando Eric Schopler chega à Universidade da Carolina doNorte em 1964 e se depara com crianças autistas e as suas famílias em terapiade grupo psicanalítico.O autismo era então considerado uma reacção de retrato social face a paispatogénicos. É neste contexto não estruturado que Eric Schopler observa nascrianças comportamentos desviantes. As sessões realizadas não pareciamajudar as crianças, levando-o a pensar que, contrariamente ao que eraadmissível na época, as dificuldades sociais das crianças autistas estavamligadas a défices orgânicos.Em 1966 Schopler, em colaboração com o Dr. Reichler, elabora um projectode investigação supervisionado pelo N.I.M.H. (National Institute for MentalHealth). Constava de uma investigação ambiciosa que investigava osproblemas do diagnóstico, da avaliação e do tratamento, tendo lançado asbases do programa actual. No decorrer deste trabalho foram então elaboradosos primeiros instrumentos de diagnóstico e avaliação colocados em prática deuma forma estruturada em programas individualizados em colaboração com asfamílias.A conclusão desta investigação e a pressão dos pais para manter o programaem prática, levou ao reconhecimento oficial do Modelo T.E.A.C.C.H. -Treatment and Education of Autistic and Related ComunicationsHandicaped Children – Tratamento e Educação de Crianças com Autismo eProblemas de Comunicação Relacionados (Schopler 1997) e Mesibov 1995).Ausenda Nunes 1
  2. 2. Numa primeira etapa o modelo TEACCH tinha como objectivo implementarserviços de apoio às crianças com autismo, envolvendo os pais e englobando aidades desde o pré-escolar à adulta, e a pesquisa e o treino multidisciplinarde técnicas de modo a poderem ajudar em domínios como: - Resolução de problemas familiares; - Educação; - Apoio e inserção comunitários.Assim, no que toca ao apoio às famílias, este modelo de intervençãoeducativa tem como objectivo ajudá-las a lidar com as necessidades especiaisapresentadas pelos serviços adequados às suas necessidades.Relativamente ao domínio da Educação, o modelo TEACCH prevê que ascrianças devem ser retiradas de meios restritivos (seio da família, lares,residências e instituições) de modo a serem incluídas nas escolas públicas, emespaços estruturados e organizados, estando estas em contacto com as outrascrianças. Este contacto não se faz pela sua inclusão em salas de ensinoregular, mas pela deslocação dessas crianças às suas salas, dado as criançasautistas serem resistentes à mudança. Por outro lado, a criação de salasrespeita o nível etário, pois crianças em idade pré-escolar não devempermanecer em salas de Jardim de Infância. Este pressuposto assenta noprincípio da socialização entre pares.As salas são apetrechadas para desenvolver as actividades específicas paracada criança e o treino de competências sociais, tendo por objectivo melhoraro seu comportamento adaptativo em grupos de seis a oito crianças.A intervenção educacional assenta no princípio da organização estruturadadas actividades e dos contextos: a) Organização dos espaços; b) Organização dos estímulos visuais; c) Rotinas; d) Organização dos horários, planos e actividades; e) Organização de sistemas individuais de trabalho.a) A organização dos espaços: É determinada pelas áreas curriculares básicase pelas necessidades individuais de cada criança, com a delimitação deAusenda Nunes 2
  3. 3. espaços específicos, que sejam visualmente identificáveis para as diferentesactividades como forma de ajudar à compreensão do envolvimento e aestabelecer relações entre os diferentes acontecimentos.Deste modo uma sala claramente organizada pressupõe:  Actividades específicas diferenciando os momentos de trabalho e os momentos de lazer;  Restrições da colocação de materiais, sobretudo nas áreas de trabalho, dado estas crianças se distraírem facilmente com os estímulos do meio e por terem dificuldade em identificar os aspectos relevantes da aprendizagem;  Espaços em torno da sala delimitados por estantes, biombos, quebra- luzes, etc.;  Identificação dos espaços das actividades com símbolos ou palavras, não devendo ser colocados perto das janelas ou de espelhos. Os espaços de lazer não devem situar-se perto das portas devido à tendência das crianças para a fuga;  Espaços destinados a trabalho individual e de grupo.b) Organização dos estímulos visuais: Dadas as dificuldades de comunicaçãoque estas crianças apresentam, torna-se importante utilizar o domínio davisão – característica forte nas populações com autismo, pois o nível deconcretização das tarefas é mais consistente quando apresentadasvisualmente implicando clareza, organização e instruções visuais.  A Clareza dos estímulos visuais promove a aprendizagem e o funcionamento independente de modo que as áreas ou tarefas devem estar assinaladas com símbolos ou cor de que a criança goste particularmente, com etiquetas ou ainda objectos concretos.  A Organização dos estímulos visuais consiste na colocação dos materiais em recipientes específicos facilmente identificáveis e na delimitação dos espaços de modo a ajudar as crianças com autismo a simplificar e a estruturar a quantidade de informação sensorial que recebem e do trabalho que têm que realizar.Ausenda Nunes 3
  4. 4.  As Instruções Visuais consistem em estímulos adicionais úteis no decorrer das tarefas – tais como guiões de tarefa ou de colocação de materiais, destinando-se a fornecer dados sobre as exigências, sequência e outras instruções relevantes à sua concretização. As instruções são importantes na medida em que ao aprenderem a segui- las, as pessoas com autismo, tornam-se mais aptas a lidarem com imprevistos que ocorram no treino da comunidade. Estes contextos devem ser feitos de forma a poderem ser usados em sala de aula ou em cenários comunitários.c) As rotinas: Devem ser sistemáticas e suficientemente consistentes paraajudar a ultrapassar as dificuldades de resolução de problemas e flexíveis deforma a serem usadas em diferentes situações e contextos.As rotinas consideradas mais úteis neste modelo de ensino são:  “Primeiro trabalho, depois brinco” – Enfatiza a ideia de que as suas acções modificam os seus ambientes e têm consequências na sua vida;  “Da esquerda para a direita e de cima para baixo” – Prevê a abordagem de novas tarefas de modo sistemático e aplicável a inúmeras situações tais como: colar, lavar a loiça, impar o chão, classificar, ler, escrever, etc. Como as crianças com autismo desenvolvem facilmente estereotipias na abordagem das tarefas nem sempre úteis, é necessário redireccionar essas “rotinas” de modo a que a distracção se transforme em comportamentos úteis.d) Organização de horários, planos e actividades: Estes aspectos sãotambém importantes porque ajudam na compreensão de acontecimentos e norelacionamento entre si. Os planos podem ser escritos ou pictóricos, devemser afixados na sala afim de promoverem a organização da memóriasequencial e a organização temporal, diminuindo os níveis de ansiendade eaumentando a motivação.Neste modelo de intervenção são usados dois tipos de programa:Ausenda Nunes 4
  5. 5. Um Geral: relativamente estável ao longo das semanas, que sublinha o diapara toda a sala (momentos de trabalho e actividades livres, refeições eintervalos).O outro individual: deve ter em conta a especificidade da criança a que sedestina, deve prever o tipo de reforço e quando utilizá-lo. Ainda deve serequilibrado alternando as actividades que a criança gosta mais de fazer, comas que gosta menos. e) Organização de sistemas individuais de trabalho: A sua organização é de extrema importância para o estabelecimento e desenvolvimento dos níveis de trabalho independente. Consiste em subdividir as tarefas em parcelas (no máximo de quatro), identificadas com círculos de cores diferentes e colocados no placard das tarefas no sentido de “cima para baixo”. Cada círculo corresponde a uma caixa contendo os materiais necessários às diferentes etapas. À medida que as diferentes etapas da tarefa vão sendo concluídas, as crianças vão retirando os círculos do placard colocando-os na caixa correspondente. Na última caixa deve encontrar-se um símbolo da actividade que a criança deve fazer quando concluída a tarefa: deverá ser uma actividade de que a criança goste muito (prémio). Estes sistemas tornam o conceito de fim de tarefa concreto e significativo, o que pode fazer a diferença entre um comportamento caótico por falta de objectivos e o empenho em determinada tarefa.Relativamente ao apoio e inserção comunitários, o objectivo é promover arelação entre pessoas com autismo, as famílias e a comunidade em que seinserem. Todo o modelo assenta na estreita colaboração e envolvimento dospais.Ausenda Nunes 5
  6. 6. A eficácia do modelo TEACCH assenta em sete princípios básicos, que visam asua viabilidade, flexibilidade e manutenção dos resultados da intervenção a avários níveis: Procurar melhorar o comportamento adaptativo; Os pais são vistos como co-educadores; Baseia a sua intervenção e programas numa cuidada avaliação diagnostica – a este nível o Modelo TEACCH criou dois instrumentos: o C.A.R.S. (Escala de Diagnóstico de Autismo), que se destina ao diagnóstico e o P.E.P. (Perfil Psicoeducacional), que tem por objectivo o estabelecimento de perfis intra-individuais; Baseia a sua intervenção educativa nos princípios da organização estruturada das actividades e contextos e na criação de ambientes o menos restritivo possível; Baseia-se no princípio do aumento da competência das crianças/jovens e adultos e dos pais, partindo das suas áreas fortes e não das áreas mais deficitárias, aceitando e reconhecendo os mais pequenos avanços; Utiliza métodos de terapia comportamental e cognitiva, tanto a nível da educação como da investigação; Utiliza um modelo generalista de formação, em que cada elemento da equipa adquire competência em oito áreas diferentes, evitando o desgaste das famílias terem de recorrer a inúmeros especialistas para receberem diferentes tipos de ajuda e os técnicos terem de esperar por essa informação para desenvolverem o seu trabalho. Posto isto, cada elemento da equipa está apto para ajudar tanto a criança como os pais ou professores e a colaborar estreitamente com eles.__________________________ Resumido e adaptado da documentação distribuída pela Equipa de Autismo da Região Centro, nas consultas deAutismo do Hospital Pediátrico de Coimbra.Ausenda Nunes 6

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