Sociedade da informacão

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Sociedade da informacão

  1. 1. Capítulo 2 A EVOLUÇÃO DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO Neste capítulo, colocaremos a sociedade da informação dentro de um contexto histórico. Dhservaremos os estágios das sociedades agrária, industrial e da informação para entender como as tecnologias e indústrias de mídia a um mesmo tempo dependem de e revolucionam a economia, a: sociedadaa política, a cultura e até mesmo a religião. Em tempos antigos, a escrita, a impressão e a transmissão de rádio levaram a mudanças provavelmente tão profundas quanto as que agora observamos. r7- -vma das maiores questões da história consiste em definir: que fatores levam a quais mudanças? Muitos especialis- tas concluem que, no desenvolvimento dos meios de comunicação, novas tecnologias mudam todo o mais. lleterminismo tecnológico Essa perspectiva pode ser chamada de determinismo tecnológico. éa ¡dém de “e mudimças Há uns 40 anos, Marshall McLuhan argumentou quão importantes, _tecnológicas tendem a . . . _ detemmanodas as (mas até mesmo revolucionárias, foram a impressao (The Gutenberg mudanças econômicas Galaxy, 1962) e a transmissão de sinais pelo ar em broadcasting e 5°°'a'5' (Understanding Media, 1965). Ele sugeriu que essas duas inovações transformaram completamente a sociedade, embora outros estu- diosos tenham proposto que a mídia foi apenas um pedaço do que- bra-cabeça. Alguns teóricos reavivaram o determinismo tecnológi- co de McLuhan para analisar o aparentemente revolucionário impacto da tecnologia atual e da convergência dos meios de massa e a mídia da informação; mas estes, também, ocorrem em um con- texto maior. O que geralmente pensamos como “tecnologia”, tal como “tele- visão", são na verdade complexos arranjos de tecnologia, economia, política e forças sociais. De fato, os contextos da tecnologia geral- mente são mais importantes que o equipamento em si. Neste capí- tulo veremos primariamente como forças econômicas, políticas e sociais moldaram ou até mesmo determinaram o desenvolvimento de atuais e novos meios de comunicação.
  2. 2. 26 Comunicação, Mídia e Tecnologia Examinaremos também as implicações da industrialização dos meios e as mudanças que devem ir além da industrialização de massa. Alguns críticos apontam que esse processo levou também à Allldllslriãlilaçãü da industrialização da cultura, alterando tanto a cultura elevada (clássica) como a popular. Outros críticos sugerem que, devido (clássica) quantoacultura principalmente à contínua mudança das tecnologias de mídia e P091"" 9"' "m3 Cult"" informação, a sociedade está se fragmentando em uma coleção pós- d . . . . . e massa moderna de identidades e perspectivas locais e de grupo. Estágios de Desenvolvimento Econômico, Histórico e Político Os meios de comunicação atravessaram vários estágios de desenvol- vimento. A evolução desses meios vem dependendo em grande parte do desenvolvimento das economias e sociedades à sua volta. Não poderíamos ter meios de massa disponíveis, por exemplo, antes que a Revolução Industrial tivesse tornado possível a produção e disseminação em massa de livros, jornais, rádio e televisão. Alguns pesquisadores, tais como Daniel Bell (1973) e Wilson Dizard (1990), escrevem que as sociedades mais desenvolvidas pas- saram ou estão passando por três estágios: (1) sociedade agrária, (2) sociedade industrial e (3) sociedade da informação. Estágios de desenvolvimento A identificação desses estágios de desenvolvimento consiste em 'eilfllãmdmudanças "a uma maneira deliberada de simpliñcar e agrupar questões complexas Ígãàfnfznãfuâgxãgm em relação a mudanças em tecnologias, economia, sociedade, politi- política, cultura e mídia. ca, cultura e meios de comunicação. Essa perspectiva pode ser útil, mas requer certo ceticismo. Alguns livros populares, tais como Megatrends, de John Naisbitt (1984), e The Third Wave, de Alvin Toffler (1980), descrevem estágios de crescimento e direções das mudanças que são provavelmente claras e perfeitas demais. A História tende a ser complexa demais para ser analisada tão facilmen- te. Por exemplo, estágios de crescimento baseados na história dos Estados Unidos ou da Europa não se aplicam necessariamente bem à Europa Oriental ou a países do Terceiro Mundo. Muitas nações, nes- sas regiões, são pouco industrializadas e estão travadas em uma situa- ção econômica mundial que jamais permitirá seu desenvolvimento industrial e, portanto, sua adequação ao modelo de estágios. Estágios não são exclusivos - eles geralmente coexistem. A maioria das sociedades atuais tem uma mistura de componentes agrários, industriais e de informação nas suas economias. Por exem- plo, a agricultura americana ainda é muito bem-sucedida precisa- mente porque adaptou-se com técnicas industriais e novas idéias e informações. Embora menos de 3% da força de trabalho americana esteja ligada à agricultura, os Estados Unidos são um dos maiores exportadores de comida do mundo.
  3. 3. Capítulo 2 - A Evolução da Sociedade da Informação Frcuni 2.1 Os três estágios básicos do desenvolvimento econômico, de agricultural a industrial e a informacional. 0 modo de produção é criação e ç processamento - ç 5 de informação É q' Serviços de e rntormaçaoi Sociedade de informação “Filiação” da informação? . 0 modo de rgzfizzzz: comunicação l pode massa A O Sociedade industrial Revolução industrial O modo de produção é _ extração de i Indústria recursos Caseira _l ljnnilgsposoa Sociedade agricultural
  4. 4. 28 0 setor-chave da economia é o setor principal a promover o crescimento da economia como um todo. O modo de produção refere-se às maneiras pelas quais o trabalho é realizado, o dinheiro é feito e as pessoas são empregadas. Comunicação, Mídia e Tecnologia Estágios Econômicos A base fundamental dos estágios de crescimento é a economia. Estágios econômicos são medidos por vários indicadores, incluindo o setor-chave da economia envolvido, o modo predominante de produção e os campos nos quais a maioria das pessoas está empre- gada. O setor-chave da economia é o mais importante fator no crescimento de toda a economia. Por milhares de anos, o setor- chave foi a agricultura. Mais recentemente, desde o século XVIII em alguns países, o setor-chave vem sendo a indústria. Mas desde as décadas de 60/70 o setor-chave na economia americana é a infor- mação. A mídia e a informação, por exemplo, estão sobrepassando a tecnologia aeronáutica como principal produto de exportação. O modo de produção se refere aos principais modos pelos quais o trabalho é realizado e o dinheiro é feito. Na maioria das sociedades primitivas e em algumas sociedades menos desenvolvi- das, o modo principal é a extração de comidas e produtos direta- mente da natureza, tal como ocorre com a agricultura e a mineração. Depois de 1850, os Estados Unidos mudaram para um segundo modo de produção: fabricação ou manufatura. Por volta da déca- da de 50, grande parte da economia americana já estava devotada à criação de informação. Onde a maioria das pessoas está empregada e os tipos de habi- lidades requeridas para essas pessoas consistem em um terceiro indicador de estágio econômico. Antes de 1850, a maioria dos ame- ricanos trabalhava na agricultura ou em outras atividades de extra- ção, tais como corte de madeira, caça e mineração. Na metade do século XIX, um número crescente de americanos mudou para tra- balhos mais especializados 'na indústria. E, no ñnal do século XD(, milhares tornaram-se siderúrgicos em locais como Pittsburgh e Gary, Indiana; outros milhares foram trabalhar nas fábricas de automóveis em Detroit e Flint. Por volta de 1970, quase metade (48%) da força de trabalho americana dedicava-se primariamente à criação, manipulação ou venda de informação. Sociedades Pré-Agrárias Nas sociedades pré-agrárias, a maioria das pessoas vive como caçadores ou coletores. Essa mínima divisão de trabalho torna relativamente simples passar à frente ou comunicar os tipos de conhecimento ou habilidades que a maioria dos membros do grupo requer - diretamente de uma pessoa a outra. Esses grupos são geralmente anteriores à escrita. Entretanto, muitos têm elabo- rado mitos, genealogias, leis e regras, que são passados oralmente de geração em geração. Por essa razão, essas sociedades são conhe-
  5. 5. Culturas orais são aquelas que se comunicam primariamente com base na linguagem falada. Estratificação social é a divisão da sociedade em grupos desiguais ou classes de pessoas, baseada em riqueza, educação e ocupação. Capítulo 2 - A Evolução da Sociedade da Informação 29 cidas como culturas orais, com tradições orais. Muitos subgrupos dentro de sociedades industriais ou informacionais continuam a se basear em tradições orais e comunicação oral. Muitas cidades têm habitantes analfabetos que precisam da ajuda de amigos para entender placas de ruas. Economias Agrárias Em economias agrárias, a maioria das pessoas trabalha no cultivo ou extração de recursos de seus ambientes. Conforme esses tipos de sociedades tornam-se mais estáveis, começam também a desenvol- ver papéis mais especializados: artesãos, guerreiros, sacerdotes, juízes e líderes políticos - e eles devotam mais atenção à comuni- cação (na forma de contos, poesias e mitos). Conforme sociedades agrárias tornam-se mais complexas, a estratificação social ocorre: as pessoas ñcam mais diferenciadas e menos igualadas. Mais pessoas pertencem a profissões específicas não ligadas à agricultura, tornando-se sacerdotes, soldados, conse- lheiros e representantes reais, doutores, artesãos e mestres. Poucas pessoas têm o tempo, ou a oportunidade, de aprender a ler ou es- crever. De fato, ler e escrever eram ocupações especializadas nos tempos feudais. Algumas poucas pessoas, geralmente associadas a ordens religiosas, tinham a função especializada de manter arqui- vos, escrevendo e lendo correspondências, copiando e mantendo livros religiosos. Na Europa, a grande maioria dos nobres não sabia ler até pelo menos o século XV, então a comunicação se dava prin- cipalmente de forma oral. Mensageiros especiais memorizavam as mensagens cuidadosamente e a carregavam entre os líderes. Tal comunicação era lenta. A notícia da tomada de Constantinopla pelos turcos, em 1453, levou um mês para chegar a Veneza e dois meses para chegar a Roma. Uma especialização crescente requer que mais e mais pessoas sejam capazes de ler e escrever para funcionar em suas ocupações. Mercadores, banqueiros e líderes de organizações de manufatura - todos precisaram aprender a ler, conforme o comércio entre os paí- ses e as regiões cresceu na Europa do ñnal da Idade Média. Eventualmente, muitas habilidades puderam ser mais bem aprendi- das com leitura e escolaridade. Uma era essencialmente agrária durou até o século XVIII, na maioria das atuais nações industrializadas. Nas nações colonizadas para oferecer materiais brutos, tais como algodão, açúcar, ouro, prata e tabaco, a era agrária dominou por muito mais tempo. A maioria das colônias era considerada fonte de material bruto e mer- cados para os produtos industrializados das nações colonizadoras.
  6. 6. M Comunicação, Mídia e Tecnologia _¡__ ~. = a __ _ _ . u _ m7,; ¡7-2"L, ;-. T v2. ~Í“77B. Uma economia agrária ainda domina a maior parte dos países “descolonizados" do Terceiro Mundo, o que afeta grandemente os tipos de sistemas de comunicação encontrados nessas partes. ~ ' ~. Mídia Pré-Industrial Mesmo antes do advento da impressão, livros eram um meio de massa - embora um tanto limitados. Vários fatores impediram a expansão dos livros e da alfabetização antes do século XV. Primeiro, a reprodução de livros, - antes da invenção do tipo móvel e da imprensa mecânica, era muito_ difícil. Em segundo, pessoas no poder não estavam particularmente interessadas que as massas pudessem ler. Terceiro, a necessidade econômica de uma força de trabalho amplamente alfabetizada ainda não havia se tornado apa- rente. Somente no século XV, mais pessoas no comércio e outras atividades não agrárias passaram a querer freqüentar uma escola e obter informação de livros. Em quarto, já que a leitura até então havia sido limitada à elite especializada, os tipos de livros produzi- dos destinavam-se apenas a esse grupo (Burke, 1991). j P RES SÃO, AL FAC ÀPROTESTANTE" g a m_ dos resultados mudançasçíçreligiosas dos séculos XV e XVI foi o desejo, , de uma população muito mais~ abrangente. de a Bíblia por sí mesma. Este era um ponto básico da Reforma Protestante* iniciada no começo 'do século O que causou o qusêuentretantcnjê mais complicado, já que a possibilida- dede reproduzir a» Bíblia para uma audiência maioria custos mais baixos pode ter sidolem e si uma das causas da Reforma Protestante. E ' e 'Esse exemplo demonstraque ovtempo deve ser correto para uma invenção - os con- textos econômicos e sociais devem estar prontos para suporta-la. Mas também demonstra que a, tecnologia pode ajudar a precipitar mudanças que, de forma contrária, poderiam levar muito mais tempo ou até mesmo* ocorrer deforma contrária. Nesse caso, parece que a nova tecnologia de impressão em série ajudou a promover uma mudança religiosa no século XVI, enquanto outras reformas ou movimentos simila- “ " res na Idade Média não tiveram o mesmo sucesso. Embora alguns desses movimentos te- nham sido “relativamente grandes, eles foram praticamente apagados pela Igreja medieval. ser rlz Á A R E F0 R M A
  7. 7. Opinião pública é a perspectiva mantida por grande número de pessoas a respeito de temas políticos especificos. Alfabetização geralmente se refere ao número de pessoas na sociedade capazes de ler. Capítulo 2 - A Evolução da Sociedade da Informação 31 industrialização e Midia A Bíblia de Gutenberg apareceu em 1455, resultado da invenção do tipo móvel de metal e da impressão mecânica por Johannes Gutenberg, em 1450. Na Europa, uma demanda explosiva levou a milhares de livros sendo impressos até 1500. Os preços caíram dra- maticamente. A tecnologia continuou a permitir a exploração social e econômica do novo meio. Conforme as prensas tornaram-se mais econômicas, os tipos de livros que podiam ser impressos para novas audiências também cresceram. impressão, Meios de Massa e Sociedade Quando mais livros começaram a estar disponíveis no século XVI, o impacto foi profundo. Alfabetização e leitura começaram a mudar a maneira pela qual as pessoas pensavam e agiam. Os antropólogos documentaram grandes diferenças entre as sociedades orais e aquelas alfabetizadas (Goody 8( Watt, 1991). Culturas alfabetizadas depen- dem menos da memória para preservar culturas e técnicas e de- pendem menos de histórias épicas, mitos e imagens para transmitir idéias de uma geração a outra. Essas funções foram tomadas por histórias escritas, livros didáticos, textos religiosos e - hoje em dia - por música gravada, televisão e filmes. Esses meios tendem a se tornar mais comuns a maiores dimensões de espaço e tempo, com bem menos variação local. Com a alfabetização, a idéia de opinião pública começou a tomar forma. As pessoas também começaram a acreditar que a opi- nião pública podia ser moldada pelos meios de massa. Líderes polí- ticos tão antigos quanto Oliver Cromwell, da Inglaterra ao redor de 1640, utilizaram a imprensa tanto quanto partidos políticos e pas- seatas para ganhar apoio público a seus mandatos. Urbanização, Midia e Sociedade As indústrias tenderam a se concentrar ao redor de centros urbanos por conveniência e facilidade de transporte, acesso a trabalhadores, mercados e assim por diante. Assim, através do século XIX e come- ço do século XX, grande número de pessoas migrou de trabalhos agrários no interior para empregos em indústrias nas cidades. A vida urbana trouxe um número cada vez maior de pessoas ao alcan- ce dos meios de massa. Simultaneamente, as pessoas estavam ansio- sas para obter informações que lhes ajudassem a avançar em suas vidas pessoais. A alfabetização crescia nas sociedades industriais. Para realiza- rem seus trabalhos, movimentarem-se nas cidades, entenderem rótulos de produtos e assim por diante, os trabalhadores urbanos
  8. 8. 32 Comunicação, Mídia e Tecnologia precisaram de escolas para aprender a ler. A escolaridade torna-se, assim, algo universal entre a população urbana da maioria dos paí- ses industrializados. Escolas, centros de treinamento e universidades estão concentrados em centros urbanos. Este foi o caso em socieda- des modernas industrializadas e está também ocorrendo em países menos desenvolvidos - embora muitos países venham trabalhando duro para instalar pelo menos escolas primárias também no interior. No outro extremo, os Estados Unidos têm algum tipo de instituição de ensino superior acessível a praticamente toda a população. Conforme os trabalhos industriais trouxeram as pessoas para as cidades, a política tornou-se centralizada em áreas urbanas e, em muitos países, mais democrática. Alguns especialistas, como Daniel Lerner (1958), que escreveu sobre desenvolvimento no Oriente Médio, unem trabalho industrial, urbanização, alfabetismo e uso da mídia em um padrão que leva a uma maior democracia a longo prazo. Alguns países mais pobres tentaram utilizar esse modelo como guia para os desenvolvimentos econômico e político, mas os resultados foram variados. Qual o papel do alfabetismo e da cultura na criação de uma sociedade baseada na indústria? Alguns teóricos, particularmente no século XIX, viam a cultura como um. processo de refinamento. A Escola Inglesa de pensamento, liderada por Matthew Arnold, julga- va que cultura era saber o melhor já pensado no mundo. Essa pers- pectiva implicava uma atenção especial à cultura clássica, elevada, desenvolvida na Europa. Esse enfoque viria a ajudar a educar, culti- var e civilizar as pessoas vindas do interior para as cidades. Implícita nessa perspectiva estava a idéia de que a mídia existe para educar, e não entreter. No século XIX, pensadores americanos como Ralph Waldo Emerson contestaram a idéia de que a função da cultura e dos meios de massa era aprimorar a audiência através do enfoque na alta cul- tura européia. Emerson queria observar mais a cultura que estava se desenvolvendo nos próprios Estados Unidos e enfocar o futuro, não o passado. Walt Whitman também pensou em cultura como a expressão autêntica do "grande estoque comum" (do povo america- no) que faz uso da "riqueza intangível de capacidade e poder laten- tes do povo”. Esses pensadores viram a cultura como popular, refle- tindo o que as pessoas gostavam para entretenimento e prazer. D Nascimento da Mídia industrial Conforme a Revolução Industrial tomou velocidade, meios de massa com base industrial, tais como livros e jornais, apareceram e proliferaram. Conforme a demanda de massa por meios impressos crescia, os meios tendiam a se tornar mais baratos. A maioria dos
  9. 9. Classe social se refere a grupos sociais divididos por ocupação, status econômico, educação e status familiar. Capital econômico é a riqueza pessoal. Capital cultural é baseado na educação, família e outros elementos educacionais da pessoa. Capitulo 2 - A Evolução da Sociedade da Informação 33 países presenciou o crescimento de grandes jornais urbanos e um aumento da publicação de livros. Entretanto, tanto o analfabetismo quanto a falta de dinheiro continuaram a limitar a leitura. Muitas pessoas não podiam dispor do dinheiro para um jornal, nem liam tão bem para apreciá-lo. Assim, vemos que a classe social está geralmente conectada ao uso da mídia. A industrialização por vezes aumenta a estratificação social. Embora muitas pessoas mais pobres avancem ao obter traba- lhos industriais, as lacunas relativas entre ricos e pobres aumenta- ram em muitos países em desenvolvimento. Nos Estados Unidos, a maioria das pessoas vive em um nível bem superior à pobreza, mas uma porção significativa ainda é pobre. Na maioria dos países do Terceiro Mundo, a classe média é muito menor e as lacunas entre ricos e pobres são muito maiores. A classe social inclui vários fatores, incluindo renda, educação, status familiar e profissão ou tipo de emprego. Em termos de mídia, podemos falar de classe social em geral, mas é interessante separá- la em dois componentes que Pierre Bourdieu (1984) chamou de capital econômico e capital cultural. Capital econômico é essencialmente a riqueza pessoal. O capi- tal econômico tende a determinar a quais tipos de mídia uma pessoa tem acesso. Por exemplo, em 1850, apenas algumas pessoas podiam dispor de um jornal, enquanto hoje em dia somente algumas pessoas podem dispor de computadores para correio eletrônico. Capital cultural é baseado na educação, família e outros ele- mentos educacionais da pessoa. Essas fontes provêm um tipo de capital intelectual que as pessoas utilizam para entender as coisas. O capital cultural tende a determinar o tipo de coisas que as pessoas gostam, podem utilizar e podem entender. Por exemplo, em 1900, muitos novos imigrantes nos Estados Unidos não podiam ler ou entender a imprensa de língua inglesa porque ainda não tinham sido educados em inglês. Nos tempos atuais, muitas pessoas não podem utilizar bem os computadores porque não têm as habilida- des necessárias, mesmo tendo completado a escola primária. Filme, Rádio e Mídia Popular No começo do século XX, muitas pessoas nos Estados Unidos não tinham capital econômico nem cultural para ganhar acesso ou uti- lizar a mídia impressa. Outros meios vieram a preencher esse vazio. Em particular, o filme foi um meio de massa americano muito importante, especialmente para os imigrantes recém-chegados con- centrados nas áreas urbanas onde o filme primeiro se desenvolveu, ao lado de outros entretenimentos comerciais, tais como o penny arcade (precursor do fliperama) e os salões de dança.
  10. 10. Distribuição em massa utiliza tecnologia industrial como estradas de ferro para distribuir mídia para uma ampla audiência de massa. Mercado de massa é um grande grupo de consumidores unidos pela mídia, urbanização e industrialização. Comunicação, Mídia e Tecnologia Nos 'anos 20, o rádio também estava se tornando um meio popular. E o rádio foi particularmente importante por alcançar com muito mais facilidade as áreas rurais. Embora os Estados Unidos estivessem deixando de ser uma sociedade eminentemente rural nos anos 20, a população rural ainda era significativa. Enquanto os jornais, livros e ñlmes permaneceram primariamente! urbanos, o rádio dirigiu-se às áreas rurais. Assim, o rádio começou a apresen- tar culturas rurais, tocando músicas dos Apalaches, religiosas ( gos- pel) e Caipiras (country), além de transmitir programas como Grand Ole Opry a partir de Nashville. Por volta dos anos 30, esse programa era comercializado em grande escala, distribuindo nacionalmente o que até então era uma forma de música tradicionalmente rural. Essa forma de entretenimento falava tanto com residentes rurais quanto com aqueles que acabavam de se mudar para as cidades. Mídia Industrial, Propaganda e Mercados de Massa A história da propaganda se ajusta perfeitamente ao crescimento dos meios de massa nos Estados Unidos. A propaganda é uma parte intrínseca da economia industrial americana - a economia indus- trial funciona vendendo produtos gerados em massa para uma massa de compradores ou consumidores. A propaganda demons- trou-se eñciente em informar os consumidores sobre novos produ- tos e criar demanda para tais produtos. Economistas como Iohn Kenneth Galbraith (1976) vêem a propaganda como crucial para a criação e gerência da demanda dos consumidores na economia americana. Tão logo a tecnologia industrial permitiu a produção em massa, as empresas começaram a pensar sobre vendas e distribui- ção em massa, utilizando outras tecnologias, tais como estradas de ferro e serviços postais. A venda em massa de produtos representou um ponto de saída para a enorme capacidade produtiva que as indústrias modernas estavam criando na Europa e nos Estados Unidos, em torno da virada do século. Líderes das indústrias come- çaram a se dar conta de que precisavam de um esforço de vendas intenso para mover os produtos da linha de produção para as resi- dências das pessoas. Industrialização, urbanização e comunicação estavam se unindo para criar um potencial mercado de massa de consumido- res. Essa idéia de consumo de massa veio requerer uma mudança de pensamento. Em boa parte dos Estados Unidos, tradições popu- lares, emergindo da experiência dos pioneiros e ensinamentos reli- giosos de frugalidade, levaram as pessoas a guardar dinheiro e não gastar em produtos de consumo. Líderes religiosos e filosóficos tendiam a pregar que as pessoas, particularmente aquelas pobres,
  11. 11. Capítulo 2 - A Evolução da Sociedade da Informação 35 deviam restringir seus desejos deste mundo. Na prática, a maioria das pessoas antes de 1900 tinha relativamente pouco dinheiro sobrando para gastar, então essa filosofia adequava-se a seus hábi- tos e tradições. consumo se refere a uma Mas uma nova ética de consumo começou a emergir. Quando 33:1” magia: Éâmxfdaufos a indústria se deu conta de que necessitava de propaganda e marke- , m3, de ? mtos ouiims ting para vender seus produtos, marketing tornou-se uma parte 'Elim compelidoles- legítima dos negócios, um grande departamento em todas as corpo- rações. A propaganda cresceu como uma indústria e começou a empurrar dinheiro dentro da mídia existente, tanto que, em 1920, dois terços das rendas de jornais e revistas 'já vinham de anúncios (Leiss, Kline 8( Ihally, 1990). Tanto nos Estados Unidos quantona América' Latina, o efeito foialémç da venda de sabão ara donas de casáÍ A Soup opera _tras séries de ñcçãoçno rádio _e televisãoçajudaram E ç war aidéialde, lotada pmdat dem-gestação. : Kem iojasgigm g97ki; pararem- * 'crítico de televisão brasileiro not g , , que _o morrien, decisivo de uma , grande teleno- vela, transmitida no horário nobrelpara_ uma grande audiência, ocorreu quandoo protago- nista perguntou a sua mulher se ela gostariade uma nova 'geladeira e ela caiu em lágrimas de felicidade. O _crítico vip V' socomoi um exemplo ! da criaçãcidei 'ideal de consumo da classe média-em paíislo ii E' ' E E ' ' “ E i e Bxíáãíliiáicícomàlnoê Estados . _ . ~ ' e , . , : _ aqu _ _ "que acham queelevaritais as , x es de consumo é; bom, levando ao progresso material, e aqueles que acham que é mim-devendo mais freqüentemente à frustração e acei- tação de mudanças inaceitáveis na sociedade industrialmA primeira noção é conhecida i i A ' ” ' ” ~ “ ' _ ? evolução das frustrações caído : Terceiro Mundo, onde a
  12. 12. ç _n_ Comunicação, Mídia e Tecno/ agia Profissionais de marketing disseram às pessoas que seus dese- jos individuais de possuir mais coisas materiais, de consumir mais produtos, eram não apenas aceitáveis, mas sim desejáveis. O novo objetivo passou a ser uma maior satisfação individual com coisas materiais e fazer tal consumo disponível para todos. Essa era uma nova visão de uma sociedade abundante, na qual todos que traba- lham duro podem participar. Essa visão espalhou-se primeiro nos Estados Unidos, geralmente apontados até os anos 50 como a prin- cipal sociedade de consumo do mundo. Entretanto, essa visão espa- lhou-se rapidamente pela Europa e pelo Leste Asiático, chegando aos países em desenvolvimento nos anos 50 e 60. O marketing de massa tornou-se mais aparente com o adven- to de lojas de departamentos que permitiram às pessoas visitarem, tocarem os produtos e sonharem com eles sem necessariamente compra-los. Até certo ponto, a apresentação visual e a promoção de produtos substituíram a interação com os vendedores. Essas lojas também começaram a utilizar vitrines que tentavam apresentar _seus produtos de forma dramática para transeuntes, a fim de atraí- los para dentro do estabelecimento. A primeira dessas grandes lojas de departamento foi a Bon Marché de Paris, em 1852. A Exibição de Paris de 1900 e outras feiras e exibições internacionais bem-sucedi- das foram também apresentações visuais para novas tecnologias industriais e os novos produtos de consumo de massa que estas estavam criando. Outro avanço do marketing de massa nos Estados Unidos veio com os primeiros grandes catálogos de consumo, tal como o criado pela Sears 8( Roebuck, o qual apareceu ao ñnal do século XIX. Essas empresas de vendas pelo correio foram capazes de tomar vantagem de novos serviços postais, bem como de avanços industriais. Exemplos de propaganda podem ser encontrados centenas de anos atrás, especialmente em cartazes de rua (outdoors), mas a pro- paganda tornou-se muito mais comum e crucial como forma de apoio à mídia nos últimos 100 anos. No século XIX e começo do século XX, anunciantes pintaram imagens promocionais de produ- tos, como tabaco, nas paredes de estábulos. Aos poucos, os anúncios começaram a ser predominantes em jornais, revistas e, já em 1923; também no rádio. Ao longo do tempo, a propaganda tornou-se particularmen- te importante para os jornais. Em *WSGçpOI exemplo, csi-jornais devotavam apenas 25% de seu espaço para anúncios; em 1990, entre 60% e 70% do espaço iam paaraanúncios, Por volta de 1920, dois terços das rendas de jornais e revistas vinham de propagan- da. De forma similar, por volta da metade da década de 20, o
  13. 13. A produção em massa de cultura utiliza as técnicas da indústria para criar produtos de mídia baratos o suficiente para que a maioria das pessoas possa adquiri-los. cultura popularé uma cultura com livros, músicas, filmes etc. acessíveis e familares à população geral. Audiências de massa são aquelas que incluem uma grande proporção do público. Capítulo 2 - A Evolução da Sociedade da Informação 37 rádio nos Estados Unidos havia se tornado em grande parte um meio comercial, suportado por anúncios e primariamente devo- tado ao entretenimento para atrair o máximo de audiência para os anunciantes. No rádio, entretanto, a porção de tempo devota- da à publicidade caiu na década de 50, conforme as redes de rádio declinaram, depois recuperou-se nos anos 80 com o crescimento da audiência do rádio e o correspondente interesse dos anuncian- tes nessa audiência. Alguns anúncios de rádio eram dirigidos a uma audiência geral, enquanto outros eram dirigidos a audiên- cias específicas, conforme os formatos de rádio - particular- mente nas estações FM - começaram a buscar segmentos cada vez mais específicos e menores da audiência. A televisão vem dominando a colocação de anúncios desde a década de 50. À medida que o mercado de massa para produtos nos Estados Unidos e outros países cresceu, a importância da televisão para os anunciantes cresceu também. Produção em Massa e Indústrias culturais A combinação industrial de tecnologia e economia introduziu a produção em massa de cultura para uma audiência mais ampla. “Cultura” havia sido reservada a uma elite de dinheiro e educação; apenas essa elite podia pagar por ela e interpretá-la. A produção em massa de produtos culturais, tais como livros, jornais, revistas, dis- cos, CDs, ñlmes, programas de rádio, e assim por diante, mudou tudo isso, reduzindo os custos e aumentando a acessibilidade des- ses itens. Desde Ralph Waldo Emerson, no século XIX, até hoje, muitos especialistas vêm celebrando essa emergência de uma cultura mais popular - uma cultura com livros, músicas, ñlmes etc. acessíveis e familiares à população em geral. Entretanto, outros especialistas lamentam a massificação da cultura e pensam que esta foi compro- metida, comercializada, trivializada e “aguada" (Adorno, 1991). Grande parte desse debate é resultado do debate anterior, no século XIX, se a cultura - mais especificamente, coisas como livros e músicas - deveria tentar elevar e educar, trazendo novas idéias da alta cultura para as massas, ou se a cultura e as mídias de massa deveriam refletir os valores da audiência geral e tentar entretê-la. Esse debate sobre a cultura e seu papel em nossas vidas tornou- se mais intenso conforme os meios de massa se industrializaram e penetraram ainda mais na sociedade, criando verdadeiras audiên- cias de massa. Desde o começo da sociedade industrial na Europa, muitos observadores receavam que a sociedade industrial transfor- masse as pessoas em massas descontentes, alienadas e facilmente
  14. 14. 38 Comunicação, Mídia e Tecnología Fisuiui 2.2 A transição de cultura popular para sociedade de massa foi marcada pela expansão contínua de mercados e da produção de bens, enquanto a mídia evoluiu para popularizar produtos de massa. Produção Produtos em . , níveis nacional/ Mid” internacional _ p _ . e Via plflpagaflda : vga 'doi raiaudiênciasl' emyma vanedade m: e a: ç mais ampla de ~ «a i tipos de mídia Sociedade de massa 1 ércado Produção r endido para Produtos mercados nacionais padronizados ~ e regionais É ” í 'Í Sociedade industrial . Produção 9'93"” pmdutos _ Vendido para personalizados 9955035 dO 'Wa' feitos a mão em / r indústrias caseiras Sociedade agricultural
  15. 15. Capítulo 2 - A Evolução da Sociedade da Informação 39 manipuladas. Nos anos 30, o ñlme Tempos Modernos, de Charlie Chaplin, apresenta um operário de fábrica literalmente preso nas engrenagens da moderna fábrica na qual ele trabalha, um símbolo de como as pessoas foram pegas pela industrialização da sociedade moderna. Tal como a indústria estava uniformizando e produzindo produtos em massa, os críticos temiam que a sociedade industrial ou moderna uniformizasse e massificasse a cultura e as idéias pelas quais as pessoas viviam. Alguns temiam um enfraquecimento da alta cultura, a cultura européia expressa na arte da pintura, música clássica, ópera, balé, escultura e arquitetura, que foram consideradas "clássicas" na Euro- pa e Estados Unidos. Críticos como Theodore Adorno (1991) temi- am que essa cultura fosse substituída por produtos culturais produ- zidos em massa e de menor qualidade ou valor. Se as pessoas eram CULTURA DE MASSA, HOMEM DE MASSA? lguns críticos da cultura de massa temiam que a sociedade industrial e a mídia industrial houvessem criado um homem de massa, capaz de ser manipulado por propaganda. O pioneiro jornalista e pensador Walter Lippmann (1961) adotadas e a construir estereótipos, na audiência, quanto ao mundo e outros povos. Um grupo de académicos alemães, conhecido como Escola sociológica de Frankfurt, refugiou-se nos Estados Unidos para escapar da Alemanha nazista dos anos 30. Eles esta- vam chocados com a maneira como o povo alemão podiaser levado a cometer a agressão da Segunda Guerra Mundial e, pior ainda, as' atrocidades do Holocausto. Mais de seis mi- lhões de judeus e outros milhões de ciganos, prisioneiros políticos, homossexuais, deficien- tes! mentais, prisioneiros de guerra russos e poloneses foram assassinados por geralmente ordinários soldados e¡ policiais alemães. À procurade explicações _de como o povo alemão _pôde fazer tais coisas, eles _observaram a , manipulação do público alemão como uma audiência de massa sujeita à propaganda tanto do governo quanto da mídia privada alemã. Seguindo tal linha de pensamento, os interesses desse grupo expandiram-se para examinar como as culturas e audiências de massa de outras sociedades são manipuladas, não apenas por governos tal como o regime nazista, mas também pelas indústrias culturais voltadas para a produção de dinheiro a partir da cultura de massa, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos (Adorno, 1991). bservou que amídia estava ajudando a criar opiniões públicas largamente V
  16. 16. 40 Comunicação, Mídia e Tecnologia A sociedade de massa reflete produção industrial em massa, na qual as pessoas consomem os mesmos produtos e culturas industrializados. facilmente atraídas pelas soap operas, como motiva-las para assistir a uma apresentação típica de uma ópera clássica? Um temor para- lelo era que as culturas, músicas, danças e artes do folclore local fos- sem afastadas pelo produtos culturais feitos em massa. Será que as pessoas ainda tocariam suas músicas tradicionais por si mesmas se elas pudessem ouvir jazz ou rock tocados por músicos profissionais e bem produzidos? A preocupação com a audiência de massa e a sociedade de massa definiu o pensamento sobre o auge dos meios de massa na era industrial. Em uma época em que nos Estados Unidos e muitos outros países a maioria das pessoas assistia a algumas poucas redes de televisão, ouvia uma parada de sucessos de 40 músicas relativa- mente homogêneas e lia Reader's Digest e Condensed Books, parecia mesmo haver uma massificação real da cultura. Se quase todo mundo assistia, lia e ouvia a produção de algumas indústrias cultu- rais-chave, talvez as pessoas fossem homens e mulheres de massa vivendo em uma sociedade de massa. Esse pensamento caracterizou particularmente os anos 50 nos Estados Unidos, a era do homem das empresas, dos subúrbios e das famílias tal como se via nos seria- dos populares de TV Leave It to Beat/ er, Ozzie and Harriet e Father Knows Best. Essa perspectiva contrastava fortemente, entretanto, com o que os pesquisadores estavam aprendendo sobre como as pessoas real- mente se comportavam, particularmente no que se referia à mídia. A partir dos anos 40, os pesquisadores começaram a se dar conta de que as pessoas eram ativas e seletivas em seu uso da mídia e geral- mente varíavam muito. Seu uso da mídia dependia de muitos fato- res, tais como idade, sexo, renda e educação. A mídia também começou a refletir esses variados gostos e características da audiência, buscando subgrupos, ou segmentos, da audiência de massa, e reconhecendo que esses grupos preferem con- teúdo mais especializado em mídias segmentadas. Em retrospecto, parece que a idéia de cultura de massa cegou muitos observadores para as diferenças reais que existiam e continuam a emergir entre as pessoas e o efeito da mídia nessas pessoas. Como um editorial da revista britânica Intermedia comentou, “nunca houve uma audiên- cia de massa, apenas maneiras de ver as pessoas como massas”. Tecnologia da informação na Era industrial Embora nosso enfoque aqui sejam os meios de massa, que emergi- ram na era industrial, os meios interativos de telegrafia e telefonia foram também elementos essenciais dessa era. Antes desses meios eletrônicos se desenvolverem, as comunicações escritas tinham que
  17. 17. 1 'otra-estrutura se refere aos serviços e estabelecimentos que z-: ñitem às pessoas "xalharem ou realizarem : _ : quer outra atividade. : arregadores comuns são e' : 'esas de transporte : . telecomunicação que : i2 -gam produtos ou °§'sagens alheias. Capítulo 2 - A Evolução da Sociedade da Informação 41 ser fisicamente transportadas de um lugar a outro, da melhor maneira disponível. O "Velho Oeste” americano contava com o cha- mado Pony Express, no qual os carregadores transportavam o cor- reio a cavalo de uma estação para outra, onde novos carregadores seguiam para a estação seguinte, como em uma corrida de reveza- mento. Mas apesar de heróico e dramático, o Pony Express não era tão rápido quanto a transmissão de mensagens eletrônicas e foi facilmente substituído pelo telégrafo. Com essas tecnologias, passamos de uma infra-estrutura de comunicação unicamente física, que dependia da velocidade de cavalos, barcos, corredores e ferrovias, para uma outra baseada em transmissão eletrônica - primeiro por fios, daí, muitos anos depois, também por ondas de rádio. Na verdade, a estrada de ferro e o telégrafo se integraram e se complementaram, como geralmen- te acontece com tecnologias de transporte e comunicação. O telé- grafo permitiu às ferrovias coordenarem suas atividades de forma muito melhor. , Como parte da infra-estrutura, a telegrafia e a telefonia foram conhecidas como carregadores comuns (common Carriers) - ou seja, elas carregavam qualquer mensagem que outros quisessem enviar (e pelas quais podiam pagar). Esse termo baseou-se na antiga idéia de carregadores comuns no transporte, tais como fer- rovias que carregavam qualquer produto legal. Telegrafia e telefo- nia deviam carregar a mensagem alheia de forma neutra, não criando conteúdo, mas apenas transmitindo o que outras pessoas haviam criado. O telégrafo, que começou a funcionar em 1836, teve um efeito dramático no comércio, na política, e até mesmo na mídia impres- sa. O historiador Daniel Czitrom (1982) nomeou o telégrafo de "linhas relâmpago" (lightning lines), em função da velocidade com que se move e pelo seu efeito transformador, como um relâmpago. O papel da infra-estrutura básica de comunicação - elementos como telégrafo, telefone, telex e agora computadores - é permitir que a mídia e outros tipos de instituições e negócios funcionem mais efetivamente. Com o advento dessas tecnologias, tanto mensa- gens de negócios quanto noticiários puderam ser enviados a distân- cias muito maiores com muito mais rapidez, alterando a maneira pela qual tanto os meios de massa quanto os negócios em geral se estruturavam e operavam. O telégrafo ofereceu uma nova infra-estrutura de informação principalmente para os negócios. Empresas locais passaram a con- siderar a expansão para novas partes do país, já que agora podiam manter controle de subsidiárias em locais remotos. Muitas empre-
  18. 18. 42 O serviço universal é a oferta de telefonia ou outros serviços para todos ou quase todos os lares. Comunicação, Mídia e Tecno/ ogia sas descobriram que a redução das barreiras de espaço e tempo per- mitiu que elas operassem de maneira muito mais ampla que ante- rionnente. O tamanho das empresas cresceu de forma geral, e elas eram capazes de coordenar e controlar operações muito maiores. Mercados regionais diversificados tornaram-se mais uniformes ao redor dos Estados Unidos. Onde havia preços regionais que costu- mavam variar, eles agora tornavam-se muito mais uniformes. Tal como o telégrafo, a telefonia desenvolveu-se primeiro nas sociedades mais industrializadas. Os telefones espalharam-se rapi- damente nos Estados Unidos ao final do século XIX, muito à frente da maioria dos países. Sob o comando de Theodore Vail, a Bell Telephone procurou controlar a maior parte do negócio nos Estados Unidos, incluindo todas as conexões de longa distância. Por outro lado, procurou também garantir serviço universal para vir- tualmente todos os lares americanos. A iniciativa de serviço univer- sal foi mais lenta no Oeste Europeu e no Japão, onde os telefones não proliferaram até a época da Segunda Guerra Mundial. A Sociedade da Informação Daniel Bell (1973), Alvin Toffler (1980) e outros acreditam que os Estados Unidos e alguns outros países deixaram de ser economias e sociedades industriais para tornarem-se economias e sociedades da informação. Jorge Schement ( 1987) e outros pensam que os Estados Unidos ainda são essencialmente uma sociedade industrial, mas uma sociedade que cada vez mais utiliza técnicas industriais para “construif” informação e oferecer serviços de grande conteúdo informativo de forma industrializada. Uma perspectiva alternativa é que os americanos estão agora utilizando tecnologias da informa- ção e “produtos” informativos em uma maior proporção daquilo que fazem. Nessa visão, embora a economia americana ainda tenha fortes componentes de agricultura, indústria e serviços, todos esses setores estão agora sendo alterados pelo uso das tecnologias da informação. Fazendeiros, industriais e provedores de serviços, todos trabalham de novas maneiras devido ao uso da informação como um componente majoritário de seu trabalho. Sociedade Pós-Industrial No livro de Daniel Bell intitulado O Advento da Sociedade Pós- Industrial (The Coming of Post-Industrial Society - 1973), o foco é a maneira pela qual os Estados Unidos, o Japão e outras economias avançadas estão mudando da geração de produtos para serviços e processamento de informação. Depois de Bell, outros analistas con-
  19. 19. ív-: regos de informação 'z _er todos aqueles : r -znamente envolvidos na : f: . ;ão. processamento ou : TT' : nção de informação. " ; L Capítulo 2 - A Evolução da Sociedade da Informação 43 centraram-se mais especificamente no papel central da informação em comparação com outros serviços - onde riqueza e atividade econômica são criadas, o que cresce mais e onde a maioria das pes- soas está empregada. Quase metade da força de trabalho americana está envolvida na criação, manipulação ou uso da informação. Em 1980, apenas 3% dos trabalhadores americanos estavam na agricultura, pouco mais que 20% na indústria e cerca de 30% em serviços, enquanto o restante (47%) trabalhava diretamente com informação. Essa cons- tatação foi resultado dos estudos de Marc Porat (1977) sobre a eco- nomia americana dos anos 70. Seus estudos classificaram vários empregos em categorias e constituíram a primeira estimativa deta- lhada de como as pessoas trabalhavam primariamente com infor- mação, embora estivessem empregadas em bancos ou fábricas de carros. Empregos de informação incluem todos aqueles primaria- mente envolvidos na produção, processamento ou distribuição de informação: secretárias, a maioria dos gerentes, pesquisadores, edu- cadores, seguradores, contadores, banqueiros/ ñnanciadores, bem como jornalistas, produtores de mídia, trabalhadores em computa- ção, engenheiros em áreas de informação, designers e assim por diante. Esses empregos estão crescendo, enquanto outros declinam. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem mais pessoas trabalhan- do hoje em educação que em agricultura. A distinção entre empregos de serviços e de informação é importante. Empregos de serviços são freqüentemente menos remunerados que aqueles nas indústrias. O estereótipo de empre- ii , :: ';: -s "ia força de trabalho norte-americana, 1900-1990, demonstrando o movimento dos Estados Unidos no sentido de se r z" _ra economia da informação, dominada pelos trabalhadores da informação (adaptado de Dizard, 1989). 50 ê , , '~ Informação 5 40 i , ê ç Serviços 3o l i , , xy k 20 . í d( V. , f' r Indústria l'0ll, I'lllil| 'l^lll Agricultura 1910 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990
  20. 20. 44 Comunicação, Mídia e Tecnologia Infra-estrutura da informação é a rede de computadores, telecomunicações e mídia que as pessoas utilizam. Setor de informação primária tem como foco a produção, processamento e venda de produtos e serviços de informação. Setor de informação secundária produz, processa e distribui informação para uso interno por companhias fora do setor de informação, tais como fábricas de automóveis. gos de serviços, como garçonetes ou faxineiros, não é totalmente incorreto, embora existam também muitos empregos de alto nível na área de serviços. Empregos de serviço, por outro lado tendem a ser mais bem pagos, até mesmo quando parte de empresas de manufatura ou serviços. No livro O Trabalho das Nações (The Work of Nations - 1991), Robert Reich, secretário do Comércio no governo Clinton, observou as tendências de empregos nos anos 80. A renda transferiu-se para empregos que envolvem criação ou manipulação de informação em alto nível. os quais Reich denominou analistas simbólicos: eles incluem pro- gramadores de computação, engenheiros, analistas financeiros alta gerência, educadores e advogados. Empregos mais tradicio- nais na área da indústria ou serviços tendem a pagar menos. Entretanto, Reich nota que o setor da informação contém muitos empregos de baixa remuneração em "produção rotineira", tais como datilógrafos/ digitadores. A tendência é similar no Canadá, no Japão e em outras avan- çadas nações industrializadas que estão também tornando-se sociedades da informação, embora a força de trabalho americana seja a que mais fortemente se concentra no setor da informação. Muitas indústrias de manufatura tradicional mudaram-se para outros países. Nações como a Coréia do Sul tornaram-se potên- cias industriais, enquanto alguns produtos baratos anteriormente feitos ali mudaram-se para outros países. Algumas manufatura: feitas na Coréia com baixos salários, .por exemplo, mudaram-se para outras nações asiáticas. Países como Cingapura estão agora altamente envolvidos em atividades da informação (Dordick é: Wang, 1993). A Economia da informação A economia da informação tem dois aspectos. O primeiro é 2 própria importância do crescimento do setor da informação como fonte de empregos e gerador de crescimento econômico. O segundo é a importância da infra-estrutura da informação para o resto da economia como foco de empregos em outras indústrias e contribuidora de produtividade nas áreas bancária, manufatu- reira etc. O setor da informação pode ser dividido em duas partes: un: setor de informação primária, que produz, processa e vende produtos e serviços de informação, e um setor de informação secundária, no qual muitas empresas que não vendem informa- ção produzem, processam e distribuem informação para seu pró- prio uso interno.
  21. 21. Capítulo 2 - A Evolução da Sociedade da Informação o QUE OCORREU A ECONOMIA INDUSTRIAL AMERICANA? _ , e indústria americana está se transformando com a _economia mundial em geral. Tanto instituições individuais quanto nações estão se tornando cada vez mais › especializadas. A divisão mundial deltrabalho também está se: transformando. Os Estados Unidos estão ganhando força em indústrias ligadas à informação, como mídia, softwares e equipamentos de computadores, telecomunicações, pesquisa e desenvolvimento, além de educação universitária. Eor outro lado, vêm declinando em alguns tipos de manufatura, como siderurgia e automóveis. Robert Reich (1991) argumen- “ ta que não existe mais uma real economia americana, pois trabalhadores e. empresas ame- ricanas competem em mercados globais por mão-de-obra, informação e produtos. Nesse tipo de economia global, ele argumenta, as pessoas prosperam quando podem somar maior valor a um produto ou serviçoíque- outras-, pessoasem outros países; Conhecimento é o recurso-chave, e não mais as fontes naturais] ç ç ç _ As nações e as empresas são cada vez mais interdependentes. Muitas empresas ameri- canas, como Coca-Cola, Paramount Studios, Citibank e General Motors, atuam globalmen- f te há décadas. Agora, mais e mais empresas americanas estão, atuando globalmente. e com- petindo com corporações multinacionais de um número! maior de países. O que permite _ que tantas empresas atuem globalmente é armudança na infra-estrutural da informação, baseada em telecomunicações ecomputadores. Alémdçisso, muitosdos empregos que essas » companhias mantêm nos Estados Unidos são, orientados à informação: gerenciamento, r design, pesquisa, coordenação de informaçãoe telecomunicação( Muitos americanos preparam-se para «trabalharpríncipalmefnte na criação, Inanipu- o la ão, análise e comunica ão de informa ão. Até mesmofazendeiros e o etários a ora ç V ç ç V Ç _ . e A P g precisam saber operar computadores e outras ferramentas de informação. Companhias como a Hewlett-Packard preferem contratar 'universitários com boas habilidades “de A comunicação para montar computadores eimpressoras, pois* eles precisam saber utilizar computadores nesse processo e trabalhar em íçequipe, emçuma variedade de tarefas. LL Conforme mais indústrias e serviços requerem uso de informação e tecnologia, a neces- sidadede educação no mercado detrabalho continua a crescer. Virtualmente todos os empregos de informação requerem pelomenos educação secundária, e muitos requerem pelo menos educação universitária. 45 Porat (1977) dividiu o setor de informação primária em cinco categorias: 1. Mercados para informação: produção de conhecimento e infor- mação, tais como meios de massa e algumas instituições edu- cacionais. 2. Informação sobre mercados: gerenciamento de informação, pro- paganda e risco (seguradoras, financeiras, agenciadoras).
  22. 22. 46 Comunicação, Mídia e Tecnologia 3. Infra-estrutura de informação: processamento da informação, incluindo impressão, processamento de dados, telecomunica- ções e indústrias de manufatura da informação, como papel, tinta, aparelhos de TV e computadores. 4. Comércio de produtos informativos no atacado e varejo: livrarias, lojas de computadores e teatros. 5. Estabelecimentos de suporte a atividades de informação: edifícios utilizados por indústrias da informação, mobiliário de escritó- rios e assim por diante. O setor de informação secundária consiste em serviços de informação consumidos dentro das empresas para aumentar sua produtividade em negócios não informacionais. Por exemplo, a General Motors adquiriu uma empresa inteira de informação, a EDS (Electronic Data Services), primariamente para melhorar seus serviços de informação internos (secundários). Esses tipos de ativi- dade de informação incluem gerenciamento, pesquisa, contabilida- de, marketing, controle de inventário e comunicações internas. Em 1974, o setor de informação primária representava 29% do produto nacional bruto (PIB) americano (ou da atividade econômi- ca global), enquanto o setor de informação secundária representava 25%. De modo geral, o setor de informação em 1974 representa- va 54% do PIB americano. Essa proporção cresceu rapidamente nos anos 70 e 80 para alcançar 75% em 1988. Atividades primariamente ligadas à informação começaram a surgir durante a era industrial e de meios de massa, incluindo a maioria dos serviços de informação para empresas, a maioria da mídia e das Vendas de conhecimento. Entretanto, essas atividades de informação tornaram-se cada vez mais dominantes na economia americana e de outras nações "pós-industrializadas”. Informação sobre Mercados. Há tempos que vários negócios têm a informação como seu principal produto. Bancos, seguradoras, con? tadores, designers e outros serviços são essencialmente informação: transferências financeiras, relatórios, avaliações e assim por diante. Essas empresas emergiram com a economia industrial, mas podem estar ultrapassando-a em importância para os Estados Unidos e outros países industrializados. Bancos, seguradoras e contadores americanos são relativamente mais competitivos no mercado inter- nacional do que produtoras americanas de aço, tecidos e produtos eletrônicos. Negócios tradicionais de informação primária, como os ban- cos, são também grandes usuários das empresas de informação secundária ou de infra-estruturas de telecomunicações e computa-
  23. 23. Capítulo 2 - A Evolução da Sociedade da Informação 47 Finuiu 2.4 A economia da informação criou um setor primário que cria e vende informação, e um setor secundário, que processa a informação enquanto gera produtos não-informacionais. Setor primário Produtos não-informacionais e para consumidores
  24. 24. 48 Comunicaçãa, Mídia e Tecnologia ção. Novos negócios de informação primária também estão sendo criados para se valer de tecnologias de informação. É o caso, por exemplo, de empresas de bancos de dados, que oferecem desde informações detalhadas sobre mercados de ações estrangeiros até acesso instantâneo a casos jurídicos de várias cortes, mantidos em arquivo eletrônico. Mercados para Informação. Os meios de massa - livros, revistas, jornais, filmes, música e televisão - cresceram tremendamente na era industrial, mas também estão mudando e crescendo na era da informação. De fato, para muitas pessoas, a crescente importância da mídia ajuda a definir uma sociedade e economia da informação. O número de empresas de mídia, bem como sua contribuição para a economia, continua a crescer. Em 1993, produtos de mídia ocupa- vam o segundo lugar em exportações americanas para outros paí- ses, depois de produtos aeronáuticos (aviões, satélites, helicópteros e foguetes). Certas indústrias de conhecimento, incluindo educação, paten- tes e publicações especializadas, desenvolveram-se com a sociedade industrial, mas foram radicalmente expandidas e alteradas com a sociedade da informação. Além disso, várias indústrias de conheci- mento são novidades da sociedade da informação, tais como acesso a bancos de dados e serviços de computação on-line. A Infra-Estrutura da Informação. A infra-estrutura da informação é crucial para tudo o mais que ocorre na economia e na sociedade. Economicamente, a infra-estrutura da informação pode ser consi- derada um custo básico (overhead) que deve somar valor a outras atividades produtivas em serviços, indústria ou agricultura. A General Motors, por exemplo, está apenas indiretamente no negó- cio de informação, mas tecnologias de informação ajudam a empre- sa a fabricar e vender carros mais eficientemente. A infra-estrutura da informação também é um grande negó- cio, representando 21% do PIB americano em 1967 e crescendo rapidamente nos anos 70 e 80. De forma crescente, todos os aspec- tos da economia dependem da tecnologia da informação. Boa parte das atividades de gerenciamento de negócios sempre se concentrou. em reunir, criar, manipular e interpretar informação sobre pesqui- sa e desenvolvimento de produtos, produtividade de manufa- tura, recursos humanos, propaganda, marketing e vendas. Computadores e telecomunicações podem ajudar a indústria ao melhorar a produtividade através de automação, o chamado com- puter-assisted design (CAD), manufatura por computadores ( com- puter-integrated manufacturing) e troca de dados eletrônicos (elec-
  25. 25. Capítulo 2 - A Evolução da Sociedade da Infonnação 49 tronic data interchange). A tecnologia da informação também pode ajudar os negócios a aprimorar a comunicação interna, o acesso à informação por empregados e clientes ou até mesmo a estender a rede empresarial para os consumidores. Essa tecnologia torna-se, assim, um fator competitivo-chave para todos os setores de negó- cios em mercados domésticos e estrangeiros. A infra-estrutura da informação é, portanto, importante não apenas como uma ferramenta de negócios, mas também como um crescente setor distinto da economia. Ela consiste em vários tipos de empresas. Há companhias telefônicas locais e regionais, tais como Ameritech e Pacific Bell, além de companhias nacionais ou intema- cionais, tal como a AT&T, que oferecem a transmissão básica de uma variedade de serviços, incluindo telefonia, correio eletrônico, fluxo de dados entre computadores e vídeo. Empresas de cabo já começaram a competir nessa área. Existem também companhias de serviço avançado, que utilizam computadores e outras ferramentas para oferecer serviços mais especializados a companhias, como um sistema de correio eletrônico sofisticado. Finalmente, existem os fabricantes dos próprios computadores, que oferecem os equipa- mentos, mas gostariam de oferecer também serviços completos. Essa infra-estrutura expandiu-se bastante. Existem computa- dores em mais de 30% dos lares e dois terços das escolas america- nas. Nos escritórios, eles são quase universais. O sistema telefônico foi a rede básica para muitos serviços, embora novas empresas de telecomunicações de dados, TV por cabo e outras mais estejam agora competindo nessa área. A rede de telecomunicações para grandes negócios foi atualizada nos anos 80 nos Estados Unidos, conforme os computadores foram interligados através de várias redes e serviços de comunicação de dados. Embora tenha havido investimentos contínuos na expansão da infra-estrutura da infor- mação para negócios, o debate e os experimentos continuam, na busca de atualização da base residencial de um serviço simples de telefonia (o chamado plain old telephone, ou POT) para uma com- binação de telefone, dados e serviços de televisão. Visões críticas da Sociedade da informação Várias pessoas criticam a idéia de uma sociedade da informação e o que essa idéia representa. Elas questionam se existe algo realmente diferente quanto à sociedade da informação e se as diferenças que existem são mudanças positivas ou negativas. Enquanto alguns vêem a sociedade da informação como um meio social aprimorado, no qual a renda é mais bem distribuída e mais pessoas têm acesso a mais informação, outros, como Herbert
  26. 26. 50 A informação como commodity se refere à idéia de comprar e vender informação, em vez de vê-Ia como um recurso gratuito. A pay-per sociefyé aquela na qual as pessoas pagam para utilizar recursos de informação atualmente disponíveis gratuitamente em bibliotecas ou outras fontes. A sociedade da informação como ideologia se refere ao uso da idéia como um slogan para conseguir que as pessoas aceitem mudanças econômicas. Comunicação, Mídia e Tecnologia Schiller (1986), ponderam se essa sociedade é apenas capitalismo orientado para a informação - com todos os atuais problemas do capitalismo e talvez mais alguns novos. Será que as relações de clas- ses sociais serão diferentes? Quais serão os papéis de trabalhadores, gerentes e profissionais e com que tipo de pagamento? Que tipo de força de trabalho existirá? Embora alguns futuristas tenham visto a tecnologia da informação como libertadora, será que essa promes- sa de libertação é apenas propaganda? Talvez o que esteja realmente se desenvolvendo seja apenas uma forma de industrialização orientada para a informação, sendo esta tratada como objeto (commodity), em vez de recurso público. Schiller nota que a informação que costumava ser relativamente acessível de graça, em bibliotecas públicas ou documentos do gover- no, passou a ser mais cara depois de ser colocada em sistemas de computador, que são geralmente privados e comercializados com fins lucrativos. Isso limita e estratifica quem tem acesso a que tipo de informação? Vincent Mosco (1989) afirma que estamos nos movendo em direção a uma sociedade que “paga por” (como ocor- re no chamado pay-per-view, em que se paga por filmes assistidos em sistemas de cabo e satélite). Nessa sociedade, muitas coisas esta- rão disponíveis on-line (em redes de computadores), mas estarão disponíveis apenas àqueles que puderem pagar. Schiller também pondera se as tecnologias da informação serão utilizadas para controle. Quem utilizará as eficiências da tec- nologia da informação e para benefício de quem? Devido ao uso de fundos militares para o desenvolvimento dessas tecnologias, críticos temem controle pelo complexo industrial militar. Quem vai definir os eventuais usos dessas tecnologias? Serão os financiadores e pla- nejadores militares? Alguns críticos, incluindo Schiller, temem ainda o controle por corporações. Iá que as corporações têm hoje o melhor acesso e uso da tecnologia da informação, elas podem utili- zá-la para estender seus controles sobre a economia da sociedade da informação e, particularmente, seu controle sobre os trabalhadores. Por exemplo, tecnologias de computador permitem a supervisores monitorar quantas teclas um digitador aperta a cada minuto ou quantas chamadas telefônicas um operador ou vendedor faz por hora. Ao mesmo tempo queessa monitoração auxilia a gerência, parece intrusiva aos trabalhadores. Uma das maneiras pela qual a informação funciona como um meio de controle é através do conceito de sociedade da informação como ideologia (ou slogan). A maioria dos críticos vê essa idéia como positiva, pois as tecnologias da informação resolvem proble- mas e melhoram a vida e a sociedade. A “sociedade da informação”
  27. 27. - -rodernidade é uma ' reira de ver o mundo : :-: racional e controlável s ta' a mudança como e g: positivo. Capítulo 2 - A Evolução da Sociedade da Informação 51 serve, assim, como slogan para ganhar aceitação para mudanças econômicas e outras mudanças. Sociedade Pós-Moderna? Se pensamos na sociedade industrial como moderna, será que a sociedade da informação é pós-moderna? Primeiro, o que quere- mos dizer com "moderna"? Muitos teóricos pensam que a socieda- de moderna começou com a abertura das artes, arquitetura e medi- cina durante a Renascença, depois do final do século XVII. A modernidade era uma maneira de ver o mundo. Aspectos-chave do pensamento moderno incluem ver a razão como fonte de progres- so e a ciência como algo que oferece explicações universais para as coisas. A modernidade, tanto em pensamento como em economia, foi caracterizada por inovação, dinamismo e a visão de mudança como algo positivo. Também pode ser definida em termos de insti- tuições cada vez mais modernas, tais como governos democráticos ou burocráticos, grandes empresas e bancos. Algumas dessas coisas foram criadas antes da Revolução Industrial. Mesmo assim, quando a maioria de nós pensa na sociedade moderna, está pensando na vida após a era industrial que começou a se espalhar no século XIX. Geralmente pensamos em modernidade em termos de industriali- zação, o crescimento da ciência e tecnologia, urbanização e a evolu- ção dos meios de massa e cultura. Alguns especialistas vêem mudanças recentes apenas como uma intensificação de nossa atual sociedade industrial, o que Schiller poderia chamar de industrialização ou capitalismo orienta- do para informação. Uma visão de pós-modernismo é como um estágio mais elevado de capitalismo, no qual a informação torna-se a principal commodity, e o capitalismo obtém uma maior penetra- ção do mundo, alcançando lugares menores, mais pobres e distan- tes. Nessa visão, a informação e a mídia trabalham com outras empresas para forçar crescente integração global dentro de uma economia capitalista mundial. Por exemplo, conforme a mídia comercial alcança mais sociedades, trazendo propaganda tanto local quanto global, potencialmente todos no mundo familiarizam-se com Coca-Cola, Nike e Kodak. Isso pode afetar tanto seus desejos de consumo quanto sua cultura. De fato, para pesquisadores como Mike Featherstone (1991), o crescimento da cultura de consumo é um aspecto-chave do pós-modernismo. Outros autores, incluindo o francês Jean Baudrillard (1988), argumentam que o que ocorre é uma quebra com a modernidade, tanto em modos de pensar quanto a instituições econômicas e polí- ticas. Em arte, cultura e sociedade existe uma nova era de pós- modernidade, definida em parte por mudanças do modernismo
  28. 28. 52 Comunicação, Midia e Tecnologia para o pós-modernismo. Por exemplo, Baudrillard pensa que nos Determinísmo cultural econômicos determinando outros) para um tempo de determinis- implica que mensagens de mana podem ¡mpor novos mo cultural, de modo que mensagens carregadas por tecnologias significados e podem se¡ de comunicaçao podem impor novos significados, diferentes ou até "das Pelas ? Udlêllfilas de mesmo opostos à intenção original. Da mesma forma, alguns espe- novas maneiras, diferentes . . . . do quel-ntemsses cialistas dizem que nos movemos de uma era de leis e verdades econômicos prefeririam. supostamente universais, baseadas em ciência racional, para uma em que entendimentos locais, particulares e subjetivos são mais importantes ou subjetivamente mais válidos. A visão pós-moderna é que não ha' uma verdade absoluta e o depende dos grupos aos quais voce pertence, da mídia à qual você presta atenção, do que sua família lhe ensinou, e assim por diante. Essa visão combina com a idéia de que desenvolvimentos na socie- A fragmentação cultural dade da informação encorajam a fragmentação cultural, na qual 9'39"? “WW Wim” muitos ru os diferentes ou até mesmo indivíduos ersonalizam individuos diferentes g P p pemonauzam sua pmpna sua própria informação e sua experiência cultural, de modo que as experiência de informação e pessoas compartilham menos e as culturas se fragmentam. De acor- cultura, de modo que as pessoas compartilham _ ç _ _ ~ _ menos de uma cultura nologias de midia e informaçao permitem novas formas de °°l"”'"- expressão, criando novas formas de conhecimento e novas forma- Baudrillard, J. (l 988). America. Nova York: Verso. Bell, D. (1973). The coming of post-industrial society. Nova York: Basic Books. Bourdieu, P. (1984). Distinction: A social critique of the judgment of taste. Cambridge, MA: Harvard University Press. Burke, I. ( 1991 ). Communication in the Middle Ages. In Crowley 8¡ Heyers (Eds. ), Communication in history. Nova York: Longman. Dordick, H. 8( Wang, G. (1993). The information society-A retrospec- tive view. Newbury Park, CA: Sage.
  29. 29. Capítulo 2 - A Evolução da Sociedade da Informação 53 Featherstone, M. (1991). Consumer culture and postmodernism. Newbury Park, CA: Sage. Galbraith, I. K. (1976). The affluent society (3. ed. ). Boston: Houghton Mifflin. Goody, I. 8( Watt, I. The consequences of literacy. In Crowley 8( Heyers (Eds. ), Communication in history. Nova York: Longman. Leiss, W. , Kline, S. 8( Ihally, S. (1990). Social communication and advertising. Nova York: Routledge. Lerner, D. (1958). The passing of traditional society. Glencoe, IL: Free Press. Lippmann, W. (1961). Public opinion. Nova York: Harcourt. Lyotard, I. F. (1984). The postmodern condition: A report on knowledge. Minneapolis: University of Minnesota Press. McLuhan, M. (1962). The Gutenberg galaxy: The making of typogra- phic man. Nova York: New American Library. McLuhan, M. (1965). Understanding media. Nova York: New American Library. Mosco, V. (1989). The pay-per society. Norwood, NI: Ablex. Naisbitt, I. (1984). Megatrends. Nova York: Warner Books. Porat, M. (1977). The information economy: Development and mea- surement. Washington, DC: U. S. Government Printing Office. Reich, R. (1991). The work of nations. Nova York: Knopf. Schement, I. (1987). Competing visions, complex realities: Social aspects of the information society. Norwood, NI: Ablex. Schiller, H. (1986). Information and the crisis economy. Nova York: Oxford University Press. Solomon, W. S. 8( McChesney, R. W. (1993). Ruthless criticism: New perspectives in U. S. communication history. Minneapolis: University of Minnesota Press. Toffler, A. (1980). The third wave. Nova York: Morrow.

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