Exercício 2

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Exercício 2

  1. 1. EXERCÍCIO 2Reescreva o texto abaixo, publicado inicialmente na mídia revista, utilizando atécnica de formatação para jornal.O lead é a existência de um presídio específico para presos estrangeiros em SãoPaulo.A matéria deve ter um total de 2.000 caracteres + um Box de 1000 caracteres dandoênfase em dois personagens desse presídio.SEGURANÇAOs presos que vêm de foraTorre de Babel carcerária guarda 1.443 detentos de 89 nacionalidades. População nunca foitão grande e não para de aumentarQuem passa pelo portão de ferro pintado de azul que dá acesso à recepção da penitenciáriaCabo PM Marcelo Pires da Silva, localizada às margens da rodovia SP-255, na cidade de Itaí, a295 quilômetros de São Paulo, não nota nos primeiros momentos nada de muito especial noambiente. A princípio, ela se parece com qualquer outra das 152 cadeias estaduais, que,juntas, reúnem quase 169.000 detentos.As diferenças aparecem quando o visitante começa a circular por ali. Logo depois deultrapassar o primeiro corredor, vê-se à esquerda uma curiosa placa talhada em madeira comas palavras biblioteca, bibliothèque, librería e library. O local em questão é administrado peloromeno Mihai Stelian Zdroana, de 26 anos. “Seja bem-vindo”, diz ele, em um bom português,com pouco sotaque. Sua função é organizar o acervo de 11.320 exemplares impressos emlínguas como espanhol, alemão, islandês e hebraico, entre outras. “Consigo ler em seis idiomas: romeno, inglês, português, francês, espanhol e italiano”, gaba-seo fã dos escritores Paulo Coelho e Dan Brown. Ele diz ter no currículo a conclusão dos cursosde letras e ciências sociais. E é nesse apreço pelos estudos que joga a responsabilidade de tersido preso há um ano e nove meses no Aeroporto de Congonhas, quando tentava ir paraBrasília e, de lá, para Portugal. Na bagagem, 1 quilo de cocaína e a promessa de embolsar3.000 euros quando desembarcasse na capital de seu país, Bucareste. “Eu tinha sido aprovadopara um mestrado em recursos humanos”, justifica. “O dinheiro pagaria minha faculdade.”O romeno Zdroana faz parte do batalhão de detentos que habitam a única cadeia brasileirareservada exclusivamente a condenados estrangeiros. Vivem por ali hoje 1.443 presos de 89nacionalidades. É um número recorde na história da penitenciária e mais de 50% acima de suacapacidade. Há outras 325 mulheres estrangeiras cumprindo pena em São Paulo, mas elas nãodesfrutam uma unidade especial.
  2. 2. Durante o banho de sol em Itaí, é possível ver judeus de quipá conversando em hebraico,lituanos e holandeses fazendo abdominais, peruanos jogando dominó cercados por outroslatinos e um muçulmano ajoelhado em direção a Meca para fazer uma de suas cinco rezasdiárias. Os devotos de Maomé, aliás, são os únicos que têm direito a uma dieta especial. Suasvasilhas de refeição são separadas das demais para que não seja colocado carne nelas — elessó poderiam comer se os animais fossem abatidos de acordo com as leis do Corão.Essa torre de Babel carcerária inclui gente de países que vão desde os democráticos e ricoscomo Japão e Dinamarca até os que estão em zonas de conflito e imersos na pobreza, caso doAfeganistão e da Etiópia. As línguas oficiais ali dentro são português e inglês. Muitos chegamsem pronunciar uma palavra de ambas.Ainda que religião, língua e etnia sejam diversas, o que os une naquele mesmo espaço é o tipode crime: 80% cumprem pena por tráfico internacional de drogas. Eles chegam ao país com apromessa de embolsar até 5.000 dólares para transportá-las. “Apreendemos 931 quilos deentorpecentes entre janeiro e julho deste ano”, conta Wagner Castilho, chefe da delegacia daPolícia Federal do Aeroporto de Cumbica.As ações resultaram na prisão de 238 indivíduos — 65 deles nigerianos. “É o dobro de casosregistrados no mesmo período do ano passado”, diz Castilho. Segundo a PF, o problema ocorreporque o Brasil, além de centro consumidor, virou nos últimos anos um corredor deexportação de cocaína, sobretudo para a Europa.Inaugurado em setembro de 2000, o presídio de Itaí teve sua destinação alterada seis anosdepois. Na época, uma investigação da Secretaria da Administração Penitenciária revelou queuma organização criminosa tinha planos de assassinar estrangeiros cumprindo pena emdiversos presídios do estado para conseguir repercussão na imprensa internacional.“Os bandidos queriam criar problemas diplomáticos para o Brasil e, por isso, resolvemos agir,concentrando os condenados de fora num só local”, explica Lourival Gomes, secretário deAdministração Penitenciária. A escolha do local se deu em razão da relativa proximidade deSão Paulo e do acesso por boas estradas.A ideia inicial era agrupar nas mesmas celas presos oriundos do mesmo continente. Não deucerto. Europeus de países desenvolvidos como Alemanha, Finlândia e Noruega não fazemquestão de se enturmar com búlgaros, ucranianos e romenos. Argentinos evitam amizade comperuanos e bolivianos. Uma das razões, além das rivalidades regionais, é que os andinos estãoentre os poucos casos de presos por furto e assalto. Nigerianos, que ocupam o posto denacionalidade com a maior presença na penitenciária, com 188 presos, não se dão comeuropeus em geral. São, inclusive, provocados com o apelido racista de “baratas”.“Apesar dessas rivalidades, essa é uma cadeia calma e nunca tivemos nenhuma rebelião”,afirma o diretor Mauro Henrique Branco. “É uma unidade tranquila porque não há presença defacções criminosas.” No entanto, já ocorreram fugas daqueles que cumprem regimesemiaberto. Foram dezenove só em 2010, entre elas a do chileno Marco Rodolfo Rodrigues
  3. 3. Ortega e do colombiano William Ganoa Becerra, que participaram do sequestro do publicitárioWashington Olivetto no fim de 2001.A vida na penitenciária do TremembéOs consulados aprovaram a medida de agrupar os presos em um espaço só. “Facilita nossocontato e dá a eles a possibilidade de conviver com pessoas do mesmo país, o que ajuda noprocesso de ressocialização”, acredita Jacek Such, cônsul-geral da Polônia. Os trabalhos dessasrepresentações incluem arcar com as despesas de um tradutor para ajudar nas conversas comum advogado do estado, além de fornecer material de higiene, livros, revistas e roupas.No entanto, a queixa de boa parte dos presos é de abandono por parte do corpo consular deseus países — inclusive da própria Polônia. “Recebi apenas dois Sedex com manta de dormir,duas camisas e produtos de higiene desde que estou aqui”, afirma Slawomir Snopkiewicz,preso em São Paulo há oito meses portando 1,5 quilo de cocaína. Polonês de 23 anos dacidade de Lubsko, na fronteira com a Alemanha, ele se queixa de mandar frequentementecartas ao consulado em São Paulo sem receber resposta. “Parece que fui esquecido”, reclama.Há exceções. O consulado da Espanha faz visita a cada três meses para saber se osconterrâneos estão sendo bem tratados e oferecer ajuda para envio e recebimento de cartas.“Isso sem falar no dinheiro”, lembra Francisco Pascual Villarrubia, natural de Valência e presopor tentar furtar a arma de um policial na Avenida Paulista. O consulado fornece ajudaeconômica trimestral no valor de 300 reais.Os presos têm a possibilidade de trabalhar em confecção de roupas, costura de bolas defutebol, produção de estojos de bijuterias, marcenaria e afixação de arames em prendedor devaral (para cada três dias trabalhados, reduz-se a pena em um dia). Entre eles, o índice deemprego é de 44%. Quem trabalha recebe até 400 reais líquidos por mês. O valor é depositadoem uma conta que só a família do detento consegue movimentar. “Sustento minha mulher equatro filhos com essa grana”, afirma o boliviano Miguel Angel, preso ao tentar transportarpelo estômago 100 cápsulas de pasta-base de cocaína.Trancafiados e distantes de parentes — apenas 120 pessoas visitam a unidade por fim desemana —, os condenados fazem contato com o mundo através de cartas. Por semana chegam1.250 delas, a maioria decorada com fitas de cetim e adesivos de coração. “Corto a lateral doenvelope com uma tesoura, tiro tudo o que tem dentro e avalio o que pode seguir para ascelas”, diz a agente de segurança Cléia Queiroz, uma das responsáveis por vistoriá-las. Palavrasde saudade e juras de amor entram, já fotos em poses bem à vontade ficam de fora.“Retiramos materiais eróticos, como calcinhas”, revela. As remetentes são desde mulhereslivres que nutrem fascinação por presos até outras detentas. “Para os estrangeiros, é umaforma de treinar o português.”Uma vez cumprida a pena, os presos terão acesso aos seus pertences. No caso da maioria, issosignifica uma ou duas malas de viagem grandes e abarrotadas de roupas. Mais de 700 delasocupam uma sala, com prateleiras de madeira de 4 metros de altura. Os presos que estavam
  4. 4. ilegais no país são automaticamente deportados. Mesmo aqueles que têm permissão paraficar podem sofrer processo de expulsão.“Esse procedimento é aberto e depende do tipo de crime cometido e do comportamentoapresentado na reclusão”, explica o advogado e ex-secretário da Reforma do JudiciárioPierpaolo Cruz Bottini. Alguns detentos sonham com a possibilidade de continuar por aqui. É ocaso do polonês Snopkiewicz, que espera ser solto dentro de um ano. “O país tem boasoportunidades”, afirma. “Quero montar um estúdio de tatuagem e me casar com umabrasileira”, diz.SUBHistórias dos detentos da Penitenciária que reúne estrangeirosLocalizada em Itaí, a prisão abriga condenados de 89 nacionalidadesFEZ A CASA DE CATIVEIRO (Portugal)O português Antonio José Martins de Sá, 58 anos, integra os 20% dos presos de Itaí que nãocumprem pena por tráfico internacional de drogas. Foi enquadrado no artigo 159: extorsãomediante sequestro. Há nove anos, fez sua casa no bairro de Santo Amaro de cativeiro paraum crime que também teria ajudado a executar. “É tudo mentira”, afirma. “Meucomportamento é excelente e pago por algo que não fiz.” Sá migrou para o Brasil ainda bebê etem dois filhos brasileiros. Sua pena termina em 2016.PRESO EM CONGONHAS (Romênia)Até ser pego pela polícia no Aeroporto de Congonhas, quando tentava embarcar com 12 quilosde cocaína em um voo para Brasília, de onde seguiria para Portugal, o romeno PetricaZibileanu, de 41 anos, chegou a ficar um mês zanzando pela cidade de São Paulo. Hospedadoem um flat da Avenida Brigadeiro Luís Antônio (“lado dos Jardins”), almoçava todos os dias noShopping Paulista (“adorei os self-services”). Na cadeia, o traficante gosta de ler revistas paramatar o tempo e diz que nunca havia cometido esse tipo de crime. “Tenho duas casas no meupaís que, juntas, valem 1 milhão de euros.” Ele receberia 5.000 euros pelo transporte da droga.A INTERPOL ESTÁ ATRÁS DELE (Espanha)Falante e bastante ansioso, o espanhol Francisco Pascual Villarrubia, de 30 anos, está possesso.Há três meses arrumou uma confusão no pátio da prisão e sofreu um corte no braço esquerdo— provavelmente causado por um golpe com estilhaço de espelho. Por esse motivo, foi para acela do “castigo”, que divide com outros colegas de comportamento ruim. “Estamos semtelevisão, isso me deixa maluco.” Villarrubia tem mesmo o pavio curto. Foi parar no presídiopor conta de outra briga, ocorrida na Avenida Paulista em janeiro de 2009. Na ocasião, chegoua agredir um policial e tentar furtar a arma dele. Agora, pode ser transferido. Há duassemanas, chegou uma carta da Interpol requerendo sua extradição para ser julgado naEspanha em um processo de tráfico de drogas.
  5. 5. FLAGRANTE NO METRÔ VILA MATILDE (França)Com um português compreensível, o francês Latoundé Janis Brice teve o mesmo destino devários de seus colegas de prisão: foi preso por tráfico internacional de drogas. Nascido emParis, aos 13 anos ele se mudou para Benin, país africano de onde vieram seus pais. Nuncapisou em uma escola e ganhava a vida como mecânico de carros. “Recebia uns 100 dólares pormês.” O PIB do país é de 6,6 bilhões de dólares, cerca de um quinto da fortuna do empresárioEike Batista. Com a promessa de embolsar 3.000 dólares, veio a São Paulo para comprar 500gramas de cocaína. Foi pego em flagrante dentro do Metrô Vila Matilde quando já estava coma droga. “Devo ser solto em novembro, com 38 anos”, diz ele, que trabalha como cozinheirodo presídio. “Aqui, aprendi a fazer feijão, arroz e todo tipo de carne.”O FÃ DE SABRINA SATO (Polônia)Natural de Lubsko, quase fronteira com a Alemanha, o polonês Slawomir Snopkiewicz integra ogrupo de 22 alunos que fazem curso de alfabetização em português. Está determinado aaprender a língua para arrumar uma namorada. Preso oito meses atrás quando foi pegodentro de um táxi portando 1,5 quilo de cocaína, ele quer ficar no Brasil mesmo depois desolto — o que deve acontecer em um ano. “O país oferece muitas oportunidades”, diz. Eledeixou na Europa uma ex-namorada e dois filhos, de 4 e 3 anos. Mantém a forma fazendoexercícios diariamente. Ao lado de presos tão loiros e musculosos como ele, Snopkiewicz puxabarras com até oito garrafas de 2 litros cheias de água em suas extremidades. Outro hobby éassistir ao programa “Pânico na TV”. “Durmo pensando na Sabrina Sato.”“O BAGULHO É LOUCO” (Burundi)Fugindo ao lado de um amigo em um navio mercante vindo da África, Thomasi Nsabimana, 27,chegou há oito anos ao Porto de Santos. Veio direto para São Paulo, onde morou em umarepública no centro da cidade até obter status de refugiado. “Possuo CPF e carteira detrabalho”, orgulha-se. Seu país, o Burundi, tem o 166º IDH do mundo, com 0,282. Só está àfrente de Níger (0,261), República Democrática do Congo (0,239) e Zimbábue (0,140). Emboratenha a tatuagem de uma pistola no braço esquerdo, Nsabimana está na cadeia por tráficointernacional de drogas — foi preso há três anos e quatro meses. “O bagulho é louco”, diz.“Não é fácil conseguir emprego bom, entende?” Muçulmano sunita, carrega o tapete onde fazsuas cinco orações diárias, mesmo durante a jornada de trabalho como faxineiro. “Os presosdaqui nunca desrespeitaram minha religião.” Seu principal passatempo nos fins de semana éver jogos do Corinthians, time pelo qual passou a torcer.COCAÍNA NO ESTÔMAGO (Bolívia)Com a roupa do corpo, identidade boliviana na carteira e 100 cápsulas de pasta-base decocaína no estômago, o boliviano Miguel Angel pegou um ônibus na cidade de Puerto Suárez,ao lado de Mato Grosso do Sul, rumo a São Paulo. Motorista desempregado, ele topou fazer oserviço de “mula” por 500 reais. Era junho de 2009. Na revista feita pela Polícia Rodoviária em
  6. 6. Presidente Prudente (SP), Angel começou a chorar de desespero. Foi preso. Pegou cinco anosde detenção. Até então analfabeto, aprendeu a ler e a escrever na prisão aos 32 anos de idade.Trabalha na oficina de costura, especializada em confeccionar uniformes para seguranças daSecretaria de Administração Penitenciária, e ganha cerca de 400 reais por mês.TRAFICANTE, EU? (Nigéria)U.M. de 38 anos, representa a legião de nigerianos que faz o país africano constar no topo doranking da população carcerária estrangeira de Itaí: são 188 deles. Nascido na cidade de Lagos,está no Brasil há dezoito anos. Conhecido por falar pelos cotovelos, o presidiário fica bastantegago quando perguntado sobre sua história. Sustenta que teve sua liberdade tirada porperseguição policial. “Colocaram 900 gramas de cocaína dentro do meu Gol”, diz. “Fuichantageado. Pediram 1 milhão de reais.” Ele afirma que trabalhava como corretor de imóveis.Hoje, faz serviços de ajudante geral — uma de suas funções é tomar conta da horta da cadeia.J

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