Redes De Desenvolvimento Comunitario

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DLIS (versão 2007): uma estratégia de indução do desenvolvimento local baseada em redes sociais

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Redes De Desenvolvimento Comunitario

  1. 1. Redes de Desenvolvimento Comunitário
  2. 2. OS 8 PASSOS 1 2 3 Equipe de Articulação Visão de Articulação Futuro da Rede 6 5 4 Plano Agenda Diagnóstico 7 8 Pacto Realização da Agenda
  3. 3. Primeiro Passo: Equipe de Articulação (1)  Será a Coordenação do Projeto.  Voluntários que moram ou trabalham na localidade.
  4. 4. Primeiro Passo: Equipe de Articulação (2)  Membros do governo local, da iniciativa privada e das organizações da sociedade.
  5. 5. Primeiro Passo: Equipe de Articulação (3)  Mínimo de 3 pessoas (ideal = 8 a 11). Ampliada = 20 pessoas.  Capacitada na metodologia de indução do desenvolvimento local.
  6. 6. Segundo Passo: Articulação da Rede (1)  A Rede é o sujeito-agente do processo de implantação do DL
  7. 7. Segundo Passo: Articulação da Rede (2)  Rede = Rede do Desenvolvimento Comunitário.
  8. 8. Segundo Passo: Articulação da Rede (3)  Deve buscar conectar todos os participantes de programas de desenvolvimento, governamentais ou não-governamentais, que existam na localidade.
  9. 9. Segundo Passo: Articulação da Rede (4)  Ampliada com todos aqueles que quiserem colaborar com o trabalho.  Importante: Capacitação em netweaving!
  10. 10. Segundo Passo: Articulação da Rede (5)  Atenção: rede de pessoas, não de entidades, instituições ou organizações. Rede P2P (peer-to-peer).  Importante: por que P2P?
  11. 11. Segundo Passo: Articulação da Rede (6)  Conectar um número mínimo de pessoas em cada localidade: 1% da população.  Importante: por que 1%?
  12. 12. Segundo Passo: Articulação da Rede (7)  Não é necessário conectar todas as pessoas para começar a implantar o projeto.
  13. 13. Segundo Passo: Articulação da Rede (8)  Importante: conectar os hubs, os inovadores e os netweavers.  Levantamento prévio de quem são as pessoas que devem ser procuradas.
  14. 14. Terceiro Passo: Seminário Visão de Futuro (1)  A Equipe de Articulação ampliada fará o Seminário Visão de Futuro (mínimo = 20 pessoas).  Sonhar um futuro desejado para a localidade daqui a 10 anos.
  15. 15. Terceiro Passo: Seminário Visão de Futuro (2)  O sonho de futuro será compartilhado com a Rede do Desenvolvimento Comunitário para ser validado.
  16. 16. Quarto Passo: Pesquisa Diagnóstico (1)  O Diagnóstico é feito pelo mesma Equipe de Articulação ampliada que participou do Seminário Visão de Futuro.
  17. 17. Quarto Passo: Pesquisa Diagnóstico (2)  Pesquisa na Rede de Desenvolvimento Comunitário (entrevistando 1% dos habitantes da localidade, conectados à rede).  Importante: por que 1%?
  18. 18. Quarto Passo: Pesquisa Diagnóstico (3)  O Diagnóstico gera => Mapa dos Ativos e Mapa das Necessidades.  Os Mapas serão submetidos à Rede do Desenvolvimento Comunitário para validação.
  19. 19. Quarto Passo: Pesquisa Diagnóstico (4)  Oportunidade para a primeira coleta de dados para os Indicadores de Desenvolvimento Local.
  20. 20. Quinto Passo: Plano (Horizonte 10 anos) (1)  A mesma Equipe de Articulação ampliada elaborará o Plano.  Escolha da vocação (ou das vocações) da localidade.
  21. 21. Quinto Passo: Plano (Horizonte 10 anos) (2)  Metodologia de planejamento participativo.  Definição das Metas.
  22. 22. Quinto Passo: Plano (Horizonte 10 anos) (3)  O Plano será submetido à Rede de Desenvolvimento Comunitário para validação.  O Plano não é um conjunto de projetos.
  23. 23. Sexto Passo: Agenda Local (1 ano) (1)  Elaborada pela mesma Equipe de Articulação ampliada, a partir do Plano.  Trata-se de uma agenda de prioridades para o próximo ano.
  24. 24. Sexto Passo: Agenda Local (1 ano) (2)  Incorpora também outras ações do poder público ou da sociedade local que estejam em curso ou previstas.
  25. 25. Sexto Passo: Agenda Local (1 ano) (3)  A Agenda deve ser validada pela Rede do Desenvolvimento Comunitário na localidade.
  26. 26. Sexto Passo: Agenda Local (1 ano) (4)  A Agenda Local deve definir as ações prioritárias para a negociação com agentes internos e externos.
  27. 27. Sétimo Passo: Pacto (1)  Todos os membros da Rede de Desenvolvimento Comunitário.
  28. 28. Sétimo Passo: Pacto (2)  Todos os parceiros (governamentais, empresariais e da sociedade civil e das demais instituições de apoio e fomento) que estiverem comprometidos com a realização da Agenda Local.
  29. 29. Sétimo Passo: Pacto (3)  Formalização dos compromissos assumidos por todos na consecução das ações contidas na Agenda de prioridades.
  30. 30. Sétimo Passo: Pacto (4)  Não se trata apenas de uma reunião e sim de um processo de negociação com os vários atores-parceiros do projeto.
  31. 31. Sétimo Passo: Pacto (5)  Nomes dos responsáveis pela realização de cada ação elencada.
  32. 32. Sétimo Passo: Pacto (6)  Nomes dos participantes voluntários que compõem cada equipe de trabalho constituída para executar uma prioridade da Agenda Local.
  33. 33. Sétimo Passo: Pacto (7)  Antes da cerimônia de assinatura, deverá haver um entendimento sobre o documento que será ratificado.
  34. 34. Sétimo Passo: Pacto (8)  Durante a cerimônia todos os participantes receberão uma cópia da Agenda Local.
  35. 35. Sétimo Passo: Pacto (9)  O Pacto Local encerra o processo de implantação do projeto.
  36. 36. Oitavo Passo: Realização da Agenda (1)  Para começar: um Projeto Demonstrativo.  O Projeto Demonstrativo será a primeira prioridade – ou a ‘Prioridade 0’ – da Agenda Local.
  37. 37. Oitavo Passo: Realização da Agenda (2)  É possível tomar como Projeto Demonstrativo uma das prioridades da Agenda Local.
  38. 38. Oitavo Passo: Realização da Agenda (3)  Para cada prioridade da Agenda haverá um responsável e uma equipe de participantes voluntários.
  39. 39. Para tudo isso é necessário... Netweaving!
  40. 40. Netweaving Netweaving é: articulação e animação de redes sociais!  Mas o que são redes?  E o que são redes sociais?  Como as redes sociais se estruturam e funcionam?  E como articulá-las e animá-las?
  41. 41. O que são redes? Redes são sistemas de nodos e conexões Existem muitos tipos de redes:  Redes biológicas (a teia da vida nos ecossistemas, as redes neurais)  Redes de máquinas  Redes sociais
  42. 42. Rede Neural
  43. 43. Rede Urbana
  44. 44. Rede de uma turma de escola
  45. 45. Rede Social
  46. 46. O que são redes sociais? Seres humanos vivendo em coletividades estabelecem relações entre si. Tais relações podem ser vistas como conexões, caminhos ou dutos pelos quais trafegam mensagens. Os nodos são pessoas e as conexões são relações entre as pessoas.
  47. 47. Qualquer coletivo de três ou mais seres humanos pode conformar uma rede social, que nada mais é do que um conjunto de relações, conexões ou caminhos. Há rede quando são múltiplos os caminhos entre dois nodos.
  48. 48. Mundo de 3 elementos
  49. 49. Mundo de 5 elementos
  50. 50. Redes distribuídas Redes propriamente ditas são apenas as redes distribuídas Em geral (> 90% dos casos) denominamos indevidamente de rede estruturas descentralizadas que tentam conectar horizontalmente organizações verticais (hierárquicas)
  51. 51. Topologias de Rede Diagramas de Paul Baran
  52. 52. Colocando os “óculos de ver rede” As conexões existem em outro espaço- tempo: no espaço-tempo dos fluxos (que não é visível para os olhos). É necessário colocar “os óculos de ver rede”...
  53. 53. Fluxos luminosos
  54. 54. Os grafos são meras representações
  55. 55. Fenomenologia da rede A partir de certo número de conexões em relação ao número de nodos começam a ocorrer na rede fenômenos surpreendentes. Tais fenômenos não dependem do conteúdo das mensagens que trafegam por essas conexões.
  56. 56. Quanto mais distribuída (ou menos centralizada) for a topologia da rede, maiores são as chances de tais fenômenos ocorrerem:  Clustering (aglomeramento)  Swarming (enxameamento)  Crunch = Redução do tamanho (social) do mundo (amassamento)  Autoregulação sistêmica  Produção de ordem emergente bottom up (a partir da cooperação)
  57. 57. Clustering A tendência que têm dois conhecidos comuns a um terceiro de conhecer-se entre si. Tudo “clusteriza”: idéias (que “dão em cachos, como as uvas”), grupos criativos, doenças...
  58. 58. Aglomeramento
  59. 59. Clusters centralizados e descentralizados
  60. 60. Swarming Distintos grupos e tendências, não coordenados explicitamente entre si, vão aumentando o alcance e a virulências de suas ações... Exemplo: 11 a 13 de março de 2004 na Espanha (papel do SMS = celular).
  61. 61. Insetos enxameando
  62. 62. Nuvem de insetos
  63. 63. Cupins enxameando
  64. 64. Crunch Redução do tamanho (social) do mundo Small-World Networks Experimento de Milgram-Travers (1967): 5,5 graus de separação. Experimento de Duncan Watts et all. (2002): seis graus de separação.
  65. 65. Milgram: 160 pessoas que moravam em Omaha tentaram enviar cartas para um corretor de valores que trabalhava em Boston utilizando apenas intermediários que se conhecessem pelo nome de batismo. Watts: 60 mil usuários de e-mail tentaram se comunicar com uma de dezoito pessoas-alvo em 13 países, encaminhando mensagens a alguém conhecido.
  66. 66. Rede “amassando”
  67. 67. Autoregulação sistêmica Capacidade de mudar o próprio programa de adaptação conservando seu padrão de organização. Exemplos: organismos, partes de organismos, ecossistemas, redes sociais com alto grau de distribuição.
  68. 68. Emergência Produção de ordem emergente bottom up (a partir da cooperação) Capital Social Jane Jacobs (1961)
  69. 69. A “rede-mãe” Diferença entre a rede que existe e as redes que articulamos voluntariamente As redes que articulamos são interfaces para “conversar” com a “rede-mãe” A “rede-mãe” é o ‘social’: uma rede distribuída nisi quatenos não está rodando programas verticalizadores...
  70. 70. As redes sociais sempre existiram Não é agora que a sociedade está se constituindo como uma sociedade-rede Toda vez que sociedades humanas não são invadidas por padrões de organização hierárquicos ou piramidais e por modos de regulação autocráticos, elas se estruturam como redes (distribuídas)
  71. 71. A Sociedade-Rede A convergência de fatores sociais, econômicos, culturais, políticos e tecnológicos está possibilitando a conexão em tempo-real (= sem-distância) entre o local e o global E está acelerando e potencializando os seus efeitos e tornando visível sua fenomenologia!
  72. 72. Redes sociais não são redes digitais Não são Bebo, hi5 e Orkut Não é Internet (interconected network) Não estão no mundo digital Como o nome está dizendo: estão na sociedade...
  73. 73. Redes sociais não são “clubes de anjos” Não são associações de pessoas cooperativas As pessoas não tem que ficar “menos competitivas” para se conectar às redes É a dinâmica da rede (distribuída) que converte competição em cooperação
  74. 74. Para fazer netweaving Condição 1 - Conectar pessoas (ou redes distribuídas de pessoas) e não instituições hierárquicas. Condição 2 - Conectar pessoas entre si e não apenas com um centro articulador.
  75. 75. As 4 tentações... 1 – Fazer redes de instituições (em vez de pessoas) 2 – Fazer reunião para discutir e decidir o que os outros devem fazer (em vez de fazer) 3 – Tratar os outros como “massa” a ser mobilizada (em vez de amigos a serem conquistados) 4 – Monopolizar a liderança (em vez de estimular a multiliderança)
  76. 76. As redes não duram para sempre Redes voluntariamente articuladas são eventos limitados no espaço e no tempo Cada rede tem um tempo de vida Elas são móveis: se fazem e se refazem Somem e reaparecem, muitas vezes como outras redes
  77. 77. As redes não crescem indefinidamente As redes são móveis: crescem até certo ponto e depois param de crescer Depois de certo tempo, tendem a diminuir ou até a desaparecer Por que elas deveriam crescer indefinidamente?
  78. 78. A rede não é um instrumento A rede não é um instrumento para fazer qualquer coisa Nem mesmo para fazer a mudança social A rede já é a mudança Essa mudança não é uma transformação do que existe em uma coisa que não existe e sim a liberdade para o que o que já existe possa regular a si mesmo!
  79. 79. Uma rede só funciona quando existe Quando se configura segundo a morfologia de rede (distribuída) e manifesta a dinâmica de rede Nenhuma tecnologia pode construir uma rede (celular, Internet, blogs etc.) se as pessoas não constituírem uma comunidade
  80. 80. Uma rede começa sempre com uma rede Uma hierarquia não pode construir uma rede Se uma organização hierárquica quiser articular uma rede, deve dar autonomia a um grupo inicial estruturado segundo um padrão de rede
  81. 81. Animando a rede A rede é o ambiente. Seu papel é amplificar e processar em paralelo miríades de estímulos provenientes de seus nodos, transformá-los e recombiná-los em inúmeras variações, reverberando, pulsando, para estabelecer uma regulação emergente...
  82. 82. Animando a rede A – Ter sempre campanhas e metas B – Ter sempre devolução ou retorno C – Disponibilizar amplamente todas as informações D – Estimular sempre a conexão P2P
  83. 83. A rede “acontecendo” A animação é um esforço permanente mas sempre inicial E como empurrar um carro sem partida A rede só vai “acontecer” se o carro “pegar no tranco” Só se as pessoas gerarem uma nova identidade no mundo... Ou só se a rede conseguir “conversar” com a “rede-mãe”
  84. 84. Augusto de Franco www.augustodefranco.com.br Escola-de-Redes www.redes.org.br

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