Razão e Sensibilidadee Monstros Marinhos
7                              Legenda                           1. Norland Park                            2. Arquipélago...
razão              e  sensibilidade eMonstros Marinhos           JANE AUSTEN E          BEN H. WINTERS  Tradução de Maria ...
Copyright © 2009 Quirk Productions, Inc.Todos os direitos reservados.Publicado originalmente em inglês por Quirk Books, Fi...
Este livro é dedicado a meus pais —amantes da boa literatura e da bobeira de qualidade.
LISTA DE ILUSTRAÇÕESSob os olhos perplexos e chorosos dos parentes, o moribundo agar-rou um pedaço de madeira com a mão qu...
Naquele momento, sua única preocupação era o horror pungente,semelhante a um caranguejo, que se enfiara em seu capacete e ...
CA P Í T U LO 1A        FAMÍLIA DASHWOOD estava estabelecida em Sussex desde         antes da Alteração, quando as águas d...
O velho cavalheiro morreu; o testamento foi lido e, como quase todotestamento, causou quase tanta decepção quanto prazer. ...
que lhe restava e garatujou uma mensagem na praia lamacenta; com enor-me esforço, fez um aceno de cabeça, instruindo o fil...
SOB OS OLHOS PERPLEXOS E CHOROSOS DOS PARENTES, O MORIBUNDO AGARROU UMPEDAÇO DE MADEIRA COM A MÃO QUE LHE RESTAVA E GARATU...
— É patente que suas parentes têm uma lamentável propensão paraatrair as indesejáveis atenções da Detestável Mãe Oceano — ...
— Na água reside o perigo, Margaret — dizia, sacudindo gravementea cabeça e olhando a irmã traquinas nos olhos. — Na água,...
Razão e Sensibilidade e os Monstros Marinhos
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Razão e Sensibilidade e os Monstros Marinhos

3.355 visualizações

Publicada em

Primeiras páginas da tradução em português brasileiro do livro escrito por Ben H. Winters

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
3.355
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2.500
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
6
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Razão e Sensibilidade e os Monstros Marinhos

  1. 1. Razão e Sensibilidadee Monstros Marinhos
  2. 2. 7 Legenda 1. Norland Park 2. Arquipélago Middleton 3. Ilha Pestilenta 4. Ilha do Vento Morto6 5.Ilha Allenham 6.Estação Submarina Beta 7. Antiga Estação Submarina 8. Cleveland 9. Combe Magna 8 nshire devo 1 de sta 9 co 2 5 2 3 4
  3. 3. razão e sensibilidade eMonstros Marinhos JANE AUSTEN E BEN H. WINTERS Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges
  4. 4. Copyright © 2009 Quirk Productions, Inc.Todos os direitos reservados.Publicado originalmente em inglês por Quirk Books, Filadélfia,Pensilvânia, EUA.Este livro foi negociado mediante acordo com Ute Körner Literary Agent,S.L., Barcelona.www.uklitag.comtítulo originalSense and Sensibility and Sea MonsterscapaDoogie Hornerilustração da capaLars Leetarupesquisa de imagem de capaCortesia de Bridgeman Art Library International Ltd.ilustraçõesEugene SmithpreparaçãoAnna TávorarevisãoTaís MonteiroClarissa Peixotodiagramaçãoô de casacip-brasil. catalogação-na-fontesindicato nacional dos editores de livros, rjW746rWinters, Ben H. Razão e sensibilidade e monstros marinhos / Ben H. Winters,Jane Austen ; tradução de Maria Luiza Borges. - Rio de Janeiro :Intrínseca, 2011. il. Tradução de: Sense and sensibility and sea monsters ISBN 978-85-8057-044-1 1. Romance inglês. I. Austen, Jane, 1775-1817. II. Borges, MariaLuiza. III. Título.11-0622. CDD: 823 CDU: 821.111-3[2011]Todos os direitos desta edição reservados àEditora Intrínseca Ltda.Rua Marquês de São Vicente, 99/30122451-041 – GáveaRio de Janeiro – RJTel./Fax: (21) 3206-7400www.intrinseca.com.br
  5. 5. Este livro é dedicado a meus pais —amantes da boa literatura e da bobeira de qualidade.
  6. 6. LISTA DE ILUSTRAÇÕESSob os olhos perplexos e chorosos dos parentes, o moribundo agar-rou um pedaço de madeira com a mão que lhe restava e garatujouuma mensagem na praia lamacenta. página 12Apossando-se de um remo sobressalente entre os apetrechos da em-barcação, a Sra. Dashwood o quebrou em dois sobre o joelho e mer-gulhou um pedaço pontiagudo no olho fundo e lampejante do animal. página 30O coronel Brandon, o amigo de Sir John, sofria de uma terrívelenfermidade, que as irmãs nunca tinham visto, embora já tivessemouvido falar de coisa parecida. página 38Enquanto o grupo olhava, aturdido de horror, a Srta. Bellwetherfoi envolvida pela tremulante forma de manta do animal e consumida. página 60Edward tentou se atracar com a cauda do enorme peixe, mas elaescorregou de suas mãos no momento em que o animal escancaravaa goela úmida em torno da cabeça da Sra. Dashwood. página 100Aquele pavoroso animal de duas cabeças viera medrando naqueletempo úmido, avolumando-se cada vez mais, aguardando a opor-tunidade de dar o bote. página 120A própria Cúpula, o maior triunfo da engenharia da história hu-mana desde os aquedutos romanos, fora construída ao longo de umadécada e meia. página 140Aos berros, os convidados iniciaram uma debandada rumo à saída,tentando passar uns na frente dos outros aos socos e empurrões parasair do caminho das lagostas mortíferas. página 160Marianne passeava com Willoughby pela praia, Monsieur Pierresaltitando alegremente a seu lado. página 1887
  7. 7. Naquele momento, sua única preocupação era o horror pungente,semelhante a um caranguejo, que se enfiara em seu capacete e lhecravara no pescoço uma de suas temíveis quelíceras. página 219A Cúpula desabou rapidamente, com lâminas de vidro caindo e seespatifando no chão, seguidas por ondas de água que afluíam detodas as direções. página 239O herói foi o coronel Brandon. página 279O Leviatã olhou para um lado e para o outro, os olhos imensosrevirando enfurecidos. página 304A cerimônia foi celebrada numa praia da ilha do Vento Morto noinício do outono. página 3148
  8. 8. CA P Í T U LO 1A FAMÍLIA DASHWOOD estava estabelecida em Sussex desde antes da Alteração, quando as águas do mundo se tornaram friase abomináveis para os filhos do homem, e as trevas se moveram sobre asuperfície dos oceanos. A propriedade dos Dashwood era vasta, e a residência se erguia emNorland Park, exatamente em seu centro, a várias centenas de metros dalinha da costa e rodeada por tochas. O dono anterior dessas terras era um homem solteiro, que vivera atéidade muito avançada e que por muitos anos de sua vida teve na irmã umafiel companheira e governanta. A morte dela veio de surpresa, dez anosantes da sua; ela batia roupa numa pedra que revelou ser o exosqueletocamuflado de um imenso crustáceo, um caranguejo-ermitão estriado dotamanho de um pastor-alemão. O animal enfurecido afixou-se ao rostoda mulher com um efeito previsivelmente lamentável. Enquanto ela emvão rolava na lama e na areia, o caranguejo a feria mais e mais, sufocando--lhe a boca e as vias nasais com sua estrutura cutâneo-mucosa. Sua morteocasionou grande alteração no lar do idoso Sr. Dashwood. Para compensaressa perda, o velho homem convidou e recebeu em sua casa a família dosobrinho, o Sr. Henry Dashwood, herdeiro legal da propriedade de Norlande a pessoa a quem pretendia deixá-la. Henry tinha um filho de um casamento anterior, John, e três fi-lhas da atual esposa. O filho, um jovem equilibrado e respeitável, foraamplamente aquinhoado pela fortuna da mãe. A herança da propriedadede Norland, portanto, não era tão importante para ele quanto para suasmeias-irmãs; como a mãe delas nada tinha, sua fortuna dependia deque seu pai herdasse a propriedade do velho cavaleiro que um dia lhesseria transferida.9
  9. 9. O velho cavalheiro morreu; o testamento foi lido e, como quase todotestamento, causou quase tanta decepção quanto prazer. Ele não foi nem tãoinjusto nem tão ingrato a ponto de não deixar a propriedade para o sobrinho— mas Henry Dashwood a desejara mais no interesse da esposa e das filhasque para si mesmo ou para o filho —, e para John, somente ele, ela foi des-tinada! As três meninas foram beneficiadas com apenas mil libras cada uma. A princípio a decepção de Henry Dashwood foi intensa; mas ele eraum homem de índole alegre e confiante, e voltou seus pensamentos para umsonho longamente acalentado de nobre aventura. A fonte da Alteração eradesconhecida e incognoscível, mas o Sr. Dashwood sustentava uma excên-trica teoria: de que seria possível descobrir, em algum rincão remoto do glo-bo, as cabeceiras de uma torrente pestilenta cujos fluxos virulentos alimen-tavam cada mar, cada lago e estuário, envenenando o próprio manancial domundo. Fora essa torrente insalubre (segundo a hipótese do Sr. Dashwood)que afetara a Alteração; que voltara as criaturas do oceano contra as pessoasda terra; que transformara até o menor dos peixinhos e o mais dócil dosgolfinhos em predadores agressivos, sedentos de sangue, insensíveis e odien-tos para com a nossa raça bípede; que havia gerado novas raças execradorasdos homens, seres marinhos de formas cambiantes, sirenas e bruxas do mar,sereias e tritões; que reduziram os oceanos do mundo a grandes caldeirõesborbulhantes de morte. O Sr. Dashwood estava decidido a ingressar nas filei-ras daquelas bravas almas que haviam combatido e navegado além das águascosteiras da Inglaterra à procura dessas cabeceiras e dessa fonte pavorosa, paradescobrir um método de obstruir esse fluxo fétido. Ai! A quatrocentos metros da costa de Sussex, o Sr. Dashwood foicomido por um tubarão-martelo. Isso ficou claro pelo formato característicoda mordida e pela gravidade dos ferimentos quando ele foi carregado pelasondas até a areia. O cruel animal lhe arrancara a mão direita na altura dopunho, consumira-lhe a maior parte da perna esquerda e a direita em sua to-talidade, além de lhe arrancar do torso um pedaço irregular, em forma de V . O filho, a atual esposa e as três filhas do Sr. Dashwood contemplaramem assombrada desolação os restos do seu corpo; arroxeado e machucadopelos rochedos, jazia sobre a areia, sangrando copiosamente por numerososcortes — mas, inexplicavelmente, ainda vivo. Sob os olhos perplexos e cho-rosos dos parentes, o moribundo agarrou um pedaço de madeira com a mão10
  10. 10. que lhe restava e garatujou uma mensagem na praia lamacenta; com enor-me esforço, fez um aceno de cabeça, instruindo o filho, John, a se agacharpara lê-la. Nessa trágica epístola final, o Sr. Dashwood confiava ao rapaz,com todo o vigor e toda a urgência que seus ferimentos podiam inspirar,o bem-estar financeiro de sua viúva e de suas filhas, tão deploravelmentetratadas no testamento do velho cavalheiro. O Sr. John Dashwood não tinhaa mesma viva sensibilidade do restante da família; mas foi afetado por umarecomendação de tal natureza, em um momento como aquele, que prome-teu fazer tudo o que estivesse em seu poder para proporcionar uma situaçãoconfortável à madrasta e às meias-irmãs. E então a maré subiu e levou aspalavras escritas na areia, assim como o último alento de Henry Dashwood. O Sr. John Dashwood teve então tempo para considerar quanto, semabandonar a prudência, estaria ao seu alcance fazer pelas meias-irmãs. Elenão era um homem mau, a menos que ser um tanto frio e um tanto egoístaseja ser mau: mas, em geral, era respeitado. Se tivesse se casado com umamulher mais amável, poderia ter se tornado ainda mais respeitável. Masa Sra. John Dashwood era uma enfática caricatura dele mesmo — maistacanha e egoísta. Ao fazer sua promessa ao pai, ele pensou consigo mesmo que aumen-taria a fortuna das meias-irmãs dando mil libras de presente a cada uma. Aperspectiva de sua própria herança animou-lhe o coração e o fez sentir-secapaz de generosidade. Sim! Ele daria a elas três mil libras: seria um gesto li-beral e generoso! Seria o suficiente para deixá-las completamente tranquilase ofereceria a cada uma a perspectiva de um lar numa altitude apropriada. Assim que os restos de Henry Dashwood foram arrumados de formaa parecer algo humano, e enterrados, e que o funeral foi concluído, a Sra.John Dashwood chegou a Norland Park sem aviso, com o filho e os criados.Ninguém podia contestar seu direito de vir; a casa, com sua esmerada gradede ferro batido e seu séquito de arpoadores com olhos de águia, era de seumarido desde o instante em que o pai dele falecera. Mas a indelicadeza dessaconduta, para uma mulher recém-enviuvada como a Sra. Dashwood, eraextremamente desagradável. A Sra. John Dashwood nunca fora muito que-rida por nenhum membro da família do marido; mas nunca antes ela haviatido a oportunidade de lhes mostrar com quão pouco cuidado em relação aobem-estar dos outros era capaz de agir quando a ocasião exigia.11
  11. 11. SOB OS OLHOS PERPLEXOS E CHOROSOS DOS PARENTES, O MORIBUNDO AGARROU UMPEDAÇO DE MADEIRA COM A MÃO QUE LHE RESTAVA E GARATUJOU UMA MENSAGEM NAPRAIA LAMACENTA.
  12. 12. — É patente que suas parentes têm uma lamentável propensão paraatrair as indesejáveis atenções da Detestável Mãe Oceano — segredou elaao marido pouco depois de chegar. — Caso Ela pretenda apossar-se delas,que o faça longe de onde meu filho estiver brincando. A recém-enviuvada Sra. Dashwood sentiu tão agudamente esse compor-tamento descortês que, à chegada da nora, teria deixado a casa para sempre —se as súplicas da filha mais velha não a tivessem persuadido, primeiro, a refletirsobre a adequação de partir e, depois, sobre a sandice de fazê-lo antes que umnavio armado pudesse ser montado para escoltá-las e protegê-las na viagem. Elinor, essa filha mais velha, possuía uma capacidade de discernimen-to que a qualificava, embora tivesse apenas 19 anos, para ser a conselheirada mãe. Tinha um excelente coração, costas largas e vigorosas panturri-lhas — e era admirada pelas irmãs e por todos que a conheciam por seruma magistral entalhadora de madeira de naufrágio lançada à praia. Elinorera estudiosa, tendo intuído desde cedo que a sobrevivência dependia doentendimento; passava noites em claro debruçada sobre vastos volumes,memorizando as espécies e os gêneros de cada peixe e mamífero marinho,decorando suas velocidades e seus pontos fracos, bem como quais possuíamexosqueletos espinhosos, quais possuíam caninos e quais possuíam presas. Os sentimentos de Elinor eram fortes, mas ela sabia como administrá--los. Esse era um conhecimento que sua mãe ainda estava por adquirir eque uma de suas irmãs decidira jamais assimilar. As habilidades de Marianneeram, sob muitos aspectos, equiparáveis às da irmã. Era uma nadadora qua-se igualmente vigorosa, dona de notável capacidade pulmonar; era sensatae inteligente, mas ansiosa em todos os assuntos. Suas dores, suas alegriasnão conheciam nenhuma moderação. Era generosa, amável, interessante;era tudo, menos prudente. Falava suspirando das cruéis criaturas da água,até mesmo daquela que tão recentemente investira contra seu pai, empres-tando-lhes nomes arrebicados como “Nossos Pérfidos Atormentadores” ou“Os Insondáveis” e refletindo sobre seus terríveis e impenetráveis segredos. , Margaret, a irmã caçula, era uma menina bem-humorada e bondosa,mas com uma propensão — mais condizente com sua tenra idade do quecom a delicada natureza de sua situação numa região litorânea — a sairpara dançar sob temporais e chapinhar na água suja. Vezes sem conta Elinortentava demovê-la desses entusiasmos pueris.13
  13. 13. — Na água reside o perigo, Margaret — dizia, sacudindo gravementea cabeça e olhando a irmã traquinas nos olhos. — Na água, só há perdição.14

×