A circulação das idéias do urbanismo Aridson Andrade - 2011

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A circulação das idéias do urbanismo
Aridson Andrade

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A circulação das idéias do urbanismo Aridson Andrade - 2011

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO Evolução Urbana A CIRCULAÇÃO DAS IDÉIAS DO URBANISMO “Desde o século XIX até Brasília, nos anos 60.” PORTO ALEGRE, 20 DE JANEIRO DE 2011
  2. 2. Aridson Renato Monteiro Andrade Prof.ª Célia Ferraz de Souza A CIRCULAÇÃO DAS IDÉIAS DO URBANISMO “Desde o século XIX até Brasília, nos anos 60.”
  3. 3. APRESENTAÇÃO ____________________________________________________________ De uma cidade, não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas. Ítalo Calvino, Cidades invisíveis Trabalho apresentado a Professora Célia Ferraz de Souza da disciplina Evolução Urbana do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
  4. 4. ÍNDICE 1 – INTRODUÇÃO 2 - O QUADRO CONTEXTUAL DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL 2.1 - O PORQUÊ DO SURGIMENTO DOS UTOPISTAS 2.2 - HAUSSMANN E SUAS INFLUÊNCIAS 2.3 - ÀS CRÍTICAS E AS POSIÇÕES DE CAMILO SITTE 2.4 - AS PROPOSTAS NO FINAL DO SÉCULO XIX DE SORIA Y MATA, E. HOWARD E TONY GARNIER 2.5 - AS INFLUÊNCIAS DO MOVIMENTO RACIONALISTA 2.6 - O PAPEL DA CORRENTE RACIONALISTA E DA CORRENTE EMPIRISTA (CULTURALISTA 3 - A CIDADE MODERNISTA – BRASÍLIA 4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS 5 – REFERÊNCIAS
  5. 5. RESUMO Esse trabalho é resultado de uma pesquisa realizada no acervo de documentos da disciplina de Evolução Urbana, Propur UFRGS e livros relativos ao assunto, integrando não só o conjunto das informações, mas também desenhos e mapas das cidades, e também fotografias. Nesse sentido, o que pretendo alcançar com esses estudos, consistem na abordagem de temas relacionados à circulação das idéias do urbanismo, desde o inicio do século XIX até Brasília, nos anos 60. Essa “circulação” será desenvolvida desde o quadro contextual da revolução industrial, abrangendo o porquê do surgimento dos utopistas, as influências do grande mentor Haussmann e, às críticas e as posições de Camillo Sitte. Nos finais do séc. XIX procuro entender as propostas apresentadas por Ebenezer Howard e o Modelo da Cidade-Jardim, Arturo Soria y Mata e o Modelo da Cidade Linear e por fim, Tony Garnier e o Modelo da Cidade industrial, embora por serem apenas modelos, serviram de grande ajuda no urbanismo do século XX. Para além de explicar o surgimento do pensamento urbanista do movimento racionalista, estabelecerei a avaliação do papel da Corrente Racionalista (progressista) e da Corrente Empirista (culturalista) que tratavam de ordens de abordagens, com fundamentos e implicações distintas. No entanto, segundo consta, uma maior maturidade teórica desses temas, só foi alcançado no século XX. Ainda “circulando” nesses conceitos estudados, pensamentos, estudos e realizações, o urbanismo na cidade do presente era e é ainda hoje uma das chaves para uma mudança qualitativa da sociedade e da vida humana. Por fim, pretendo com o resultado acabado de um urbanismo que tem como origem a Carta de Atenas estudar Brasília (Brasil) e o seu plano piloto proposto pelo Lúcio Costa, construída a partir do projeto escolhido por meio do concurso público lançado pelo Presidente Kubitschek, em 1957 e que Sociólogos, historiadores e geógrafos, entre outros, já se ocupavam exaustivamente da controversa questão da transferência da Capital para o interior do país. Do que foi levantado, ficam clara as mudanças que foram surgindo desde o começo da “Revolução Industrial” e são esses conceitos, utopias e ideologias que permearam os variados tipos de intervenção na cidade existente do século XX, apresentados desde o começo deste estudo.
  6. 6. 1 – INTRODUÇÃO O que posso dizer, é que a fundamental mudança das cidades foi gerada por uma complexidade digamos de acontecimentos, complexidade essa que se denominaram de "Revolução Industrial". A revolução industrial nesse parâmetro é quase imediatamente seguida por um rápido crescimento demográfico das cidades, primeiro na Inglaterra (Londres), seguida pela França e Alemanha. Temos que entender o seguinte, quando grandes quantidades populacionais migravam do campo para a cidade em busca de trabalho, se criou grandes aglomerados populacionais, nos quais as pessoas que pertenciam à classe operária viviam em péssimas condições de vida, principalmente de higiene, muitas delas sem ter onde morar, ou habitando em locais insalubres e desconfortáveis ¹. O que aconteceu? Então a partir daí uma grande discussão em diversas áreas do conhecimento na busca por soluções para estes chamados “problemas urbanos”. Os urbanistas utópicos dão origem a uma posição anti-urbana, de inspiração romântica ² e que se opõe à industrialização, surgindo então à proposta de Cidade-Jardim. O inglês Ebenezer Howard estabelece de forma definitiva a teoria da Garden-City, através de duas publicações: Tomorrow (1898) e Garden-cities for Tomorrow (1902) ³. Estes urbanistas europeus progressistas e racionalistas, no geral, procuram conceber cidades ordenadas com uma conjugação de soluções utilitárias e plásticas. Iniciado em julho de 1933, o IV Congresso Internacional de Arquitetura Moderna - C.I.A.M., cujo tema foi a “Cidade Funcional”, foi concluído dias após em Atenas. Segundo consta, analisaram trinta e três cidades, de quatro continentes e as conclusões deste encontro foram reunidas na Carta de Atenas 4 . De acordo com a Carta de Atenas, a cidade possui quatro funções fundamentais, pelas quais o urbanismo deve velar: habitar; trabalhar; cultivar o corpo e o espírito e circular, sendo seus objetivos: a ocupação do solo, a organização da circulação e a legislação; na Cidade Pós-Liberal, as funções privilegiadas são as produtivas, e entre elas as terciárias (o comercio, a circulação) 5 . Brasília, projeto de Lúcio Costa, é o resultado acabado de um urbanismo que tem como origem a Carta de Atenas: zonas urbanas bem definidas e separadas (edifícios públicos, setor residencial,hoteleiro, comercial, bancário), grandes espaços entre as edificações, circulação bem definida e eficiente. Chandighard na Índia, projeto de Le Corbusier, é também outro exemplo deste urbanismo racionalista (progressista). Durante o século XX, muitas teorias surgiram para explicar o fenômeno urbano, mas os problemas da Revolução Industrial ainda estariam presentes na cidade moderna do século XX. Nesse sentido, as administrações públicas, diante dos problemas tentavam reformular leis e criar novas com a intenção de amenizar os problemas. ____________________________________________________________________________________________________________________ ¹ BENEVOLO, Leonardo. História da cidade. São Paulo: Perspectiva, 1996, pg. 552 - 567. 5 Idem, pg. 630 e 631. ² FILHO, Nestor Goulart Reis. Urbanização e teoria. São Paulo, 2000, pg. 39. ³ HOWARD, Ebenezer. Cidades-jardins de amanhã. Hucitec: São Paulo, 1996, pg. 38. 4 Carta de Atenas. C.I.A.M. 1933, Atenas. Disponível em: <http: //www.iphan.gov.br/>.
  7. 7. Segundo autores os conflitos sócio-urbanos eram muitos: densidade demográfica, ocupação de áreas livres, segregação urbana, crises políticas e econômicas, lutas de grupos sociais reivindicando qualidade de vida (habitação, educação, saúde, lazer etc.). Outras reivindicações eram relativas aos direitos sociais, direito à liberdade de expressão, direito à cidade. O movimento do urbanismo moderno repercutiu em vários países e suas cidades, e as cidades do Brasil não são exceções. Hoje se questiona qual o urbanismo adequado para esta cidade moderna? Principalmente nas cidades dos países em desenvolvimento, bem diferente das mudanças da cidade no principio da industrialização, o urbanismo sempre teve um papel significativo quanto a sua representação e a representação social, na historia da humanidade 6 . 2 - O QUADRO CONTEXTUAL DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL Na Inglaterra, que como muitos autores retratam como berço da revolução industrial (um dos motivos foi por ser líder da Revolução Comercial), a cidade de Londres, por exemplo, passa na virada de 1801 á 1891 a ter, em menos de um século, o quíntuplo da sua população praticamente. O que acontece a partir daí? A revolução industrial transformou radicalmente a distribuição dos habitantes no território e isso levou as carências/dificuldades dos novos locais de fixação, que começam a manifestar-se em larga escala, na ausência de providências adequadas. Só para ter uma idéia da carência habitacional, as famílias que abandonavam o campo, procurando aglomerar nas industriais, ficavam alojadas nos espaços vazios disponíveis dentro dos bairros antigos, ou nas novas construções feitas: na periferia 7 , que rapidamente se multiplicaram formando bairros novos e extensos em redor dos núcleos primitivos por assim dizer. O adensamento e extensão sem precedentes dos bairros operários tornam quase impossível o escoamento dos detritos; para ter consciência, ao longo das ruas corriam águas servidas e esgotos a céu aberto, e qualquer recanto estava cheio de amontoados de lixo e imundices. Para entender o que se passava, diria que esta cidade, segundo autores era construída pela iniciativa privada, buscando o máximo lucro e aproveitamento e pior sem nenhum controle. Surge então a necessidade de uma ação pública, ordenando e propondo soluções. Ao nível das idéias, os primeiros intelectuais a estudar e a propor formas para corrigir os males da cidade industrial polarizaram-se em dois extremos: ou se defendia a necessidade de recomeçar do princípio, contrapondo à cidade existente, novas formas de convivência ditadas exclusivamente pela teoria, ou se procurava resolver os problemas singulares e remediar os inconvenientes isoladamente, sem ter em conta suas conexões e sem ter uma visão global, mas esses assuntos serão desenvolvidos, mais adiante. ______________________________________________________________________________________________________________________ 6 SOUZA, Célia Ferraz de. Construindo o espaço da representação: ou o urbanismo de representação - Imagens Urbanas. Os diversos olhares na formação do imaginário urbano. Organizado por Célia Ferraz de Souza e Sandra Jatahy Pesavento. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1997, pg. 20. 7 BENEVOLO, Leonardo. História da cidade. São Paulo: Perspectiva, 1996, pg. 552 - 567. Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki
  8. 8. 2.1 - O PORQUÊ DO SURGIMENTO DOS UTOPISTAS A antigüidade greco-romana contribui para amenizar os laços de dependência que ligam a religião à organização do espaço constituído. Na Idade Média, embora toda a sociedade esteja imersa num ambiente profundamente religioso, são as autoridades leigas que procuram estabelecer um domínio no espaço urbano. A partir da Renascença, os fundamentos urbanísticos autônomos se encontram colocados, mas a ruptura com o passado não está de fato consumada. Se a razão se impõe cada vez mais, a utopia está presente nas portas das cidades 10 . Para entender o surgimento dos utopistas8 , precisamos entender antes o que se passava com a “Revolução Industrial”, sendo que, as mudanças econômicas provocadas pela Revolução Industrial impulsionaram o surgimento de uma nova classe social, o “proletariado industrial”– composto pelos camponeses encurralados nas cidades e explorados de forma desumana. Enquanto a burguesia comercial e industrial prosperava e enriquecia, a miséria, as doenças e o brutal e desumano regime de trabalho eram o destino do proletariado. A situação dos trabalhadores tornou-se insuportável e despertou os protestos, resistência e ações revolucionárias. Grandes utopistas como Robert Owen, Charles Fourier e Etienne Cabet influenciaram profundamente o pensamento e as ações políticas da época, pelas quais são considerados os precursores “clássicos” que pregaram mudanças na organização social e nas relações entre os homens, mais justas e respeitando a dignidade humana, na busca de uma nova estrutura social, a criação de uma nova sociedade, que induz a formulação de um espaço físico, oportunizasse a construção da sociedade idealizada.exemplo disso, seria New Harmony, de Owen (experiência fracassa, onde perde todo o capital empregado), e Falanstério (um edifício monumental no qual as pessoas viveriam de forma comunitária) de Fourier (Familistério - uma redução do modelo fourierista - de Godin), ou a Icária de Cabet que se transformaram em símbolos desse momento, propondo à alteração da estrutura física, para abrigar a sociedade sã, a sociedade de iguais, que seus autores haviam imaginado 9 . Os três proclamavam para a luta contra as tendências perversas da acumulação de riquezas desenfreada, por um lado, e o empobrecimento, a exploração e degradação dos trabalhadores, propondo uma ordem social na qual todos trabalham e ganham de acordo com suas necessidades sendo que idealizaram suas utopias no antigo estilo intelectual. Acreditaram em mudanças a partir da aceitação de novas relações sociais pelos poderosos da época, movidos por sentimentos humanitários e de compaixão com a miséria da classe trabalhadora. Somente a próxima geração de pensadores críticos, sobretudo Karl Marx e Friedrich Engels perceberam e pregaram que entre a propriedade e a pobreza, o capital e o trabalho, as relações seriam de confrontação e de luta de classes. Um dos temas mais calorosamente debatidos –foi “Reforma ou Revolução”. Socialistas científicos chamam-nos de os “Socialistas Utópicos”, pois suas experiências fracassaram porem a cidade ideal por eles imaginada penetrou na cultura moderna e continuam a servir de incentivo para o progresso das instituições urbanísticas até nossos dias 10 , mesmo que aproveitaram somente a parte boa e realizável. ________________________________________________________________________________________________________________ 8 Utopista é considerado um sujeito que propõe, para eliminar a pobreza e enfrentar os problemas sociais e políticos que afligem a sociedade, soluções imaginadas e consideradas dificilmente realizáveis. 9 SOUZA, Célia Ferraz de. Construindo o espaço da representação: ou o urbanismo de representação In Imagens Urbanas. Os diversos olhares na formação do imaginário urbano. Organizado por Célia Ferraz de Souza e Sandra Jatahy Pesavento. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1997, pg. 8. 10 RATTNER, Henrique. Sobre utopias e dystopias. Disponivel em < http://www.espacoacademico.com.br >. Acesso em: 08 janeiro 2011
  9. 9. 2.2 - HAUSSMANN E SUAS INFLUÊNCIAS Além de Londres, Haussmann influênciou várias outras cidades na França, nas colônias francesas e na Europa tais como Torino, Viena, Bruxelas. Antes de entrar no tema, é importante retratar o texto abaixo de CHEVALLIER, onde ele descreve bem a cidade de Paris no séc. XIX, pouco antes das intervenções de Haussmann: Planta de Paris em 1853, antes dos trabalhos de Haussmann. Fonte: Livro História da Cidade, Leonardo Benévolo, pg. 589. Uma congestão de casas apiloadas em qualquer parte do vasto horizonte. O que você observa? Acima, o céu está sempre encoberto, mesmo nos dias mais belos. (...) Olhando para isto, imaginamos se esta é Paris, e, tomados por um medo súbito, hesitamos em penetrar neste vasto dédalo onde já se acotovelam mais de um milhão de homens, onde o ar viciado de exalações insalubres se eleva, formando uma nuvem infecta que obscurece quase por completo o sol. A maior parte das ruas desta maravilhosa Paris nada mais é senão condutos sujos e sempre úmidos de água pestilenta. Encerradas entre duas fileiras de casas, as ruas nunca são penetradas pelo sol, que apenas roça o topo das chaminés. (...) Nessas ruas moram os trabalhadores mais bem pagos. Também há ruelas, que não permitem a passagem de dois homens juntos, cloacas de imundície e de lama onde uma população enfraquecida inala cotidianamente a morte. São estas as ruas da antiga Paris, ainda intactas. (CHEVALLIER, 1998) O principal objetivo da reforma urbana idealizada por Haussmann para Paris é simplesmente o de liberar o tecido urbano para facilitar manobras militares. A grande transformação da cidade ocorre em um terço do tecido da cidade sobre a idéia da grande expansão daí vem o tema que desde a antiguidade o homem ao imaginar novas formas arquitetônicas ou urbanísticas, ou transformações da cidade ou das edificações, aprendeu a fazê-lo em modelo reduzidos 11 . Um dos principais pontos da reforma de Haussmann é a reforma da "Ìlle de La Cité" em área militar. Para atingir esse objetivo, todas as edificações existentes são demolidas. Para Haussmann, “a arquitetura é um problema administrativo” e só deve visar os interesses de Napoleão, interesses esses, de cunho estritamente militares. A partir daí, é produzido um urbanismo totalmente racionalista visando apenas à técnica e desconsiderando o aspecto histórico. __________________________________________________________________________________________________________________ 11 SOUZA, Célia Ferraz de. Construindo o espaço da representação: ou o urbanismo de representação In Imagens Urbanas. Os diversos olhares na formação do imaginário urbano. Organizado por Célia Ferraz de Souza e Sandra Jatahy Pesavento. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1997, pg. 10.
  10. 10. A estratégia, sendo foco principal, a melhoria da circulação, o acesso rápido a toda a cidade como visão estratégica, estabelece uma imagem geral de modernidade. Esta mudança de imagem envolve também a questão da insalubridade, já retratada na Revolução Industrial através da aeração, do acesso à luz e da arborização. Para isso o que ele faz? Eliminam bairros considerados degradados, as ruas são arborizadas e recebem sistema de iluminação. Londres, a antiga cidade medieval, com traçado orgânico e ruas estreitas, é cortada por grandes eixos e contornada por um anel viário. São criadas praças com monumentos que servem como “cenários”, re-valorizar e re-enquadrar os monumentos, unindo-os através de eixos viários e criando efeitos de perspectiva. São criados vários bulevares, um novo elemento urbano, o Carrefour (rotatória) e são abertos parques e jardins públicos 12 . Esquema de trabalhos de Haussmann em Paris Fonte: Livro História da Cidade, Leonardo Benévolo pg. 592. Planta de Paris em 1873. Fonte: Livro História da Cidade, Leonardo Benévolo, pg. 593. Surge a figura do quarteirão que é determinado pelo sistema viário formado por lotes de formato irregular. São definidas leis de ocupação: cada lote é perpendicular à rua; os edifícios passam a ter leis de padronização para as fachadas; as tipologias urbanas são pré-definidas, as galerias passam a ter função comercial e são definidas áreas especiais para as estações ferroviárias. O pensamento de Haussmann influenciou outras propostas seguintes, exemplo disso foi que bulevares, avenidas e a Grande Avenida, foram usadas por E. Howard. Mas com outros pensamentos/novidades foram surgindo, só as idéias do urbanismo haussmanniano, avenidas, parques e jardins já não eram suficientes. Num aspecto, ao menos, Paris de Haussmann acrescenta uma dimensão nova aos projetos nos anos de 1830. O modelo urbano que ele propõe funciona, realmente, em escalas bem diferente. ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 12 SALGUEIRO, Heliana Angotti (org.). Cidades capitais do sec. XIX. São Paulo: Ed. USP. 13 Idem * Cidades capitais do sec. XIX. São Paulo: Ed. USP
  11. 11. 2.3 - ÀS CRÍTICAS E AS POSIÇÕES DE CAMILLO SITTE Antes de mais, apresento Camillo Sitte (1843-1903) um arquiteto vienense, foi diretor da Escola Imperial e Real de Artes, estudou arqueologia medieval e renascentista e era filho de arquiteto. Foi pioneiro do urbanismo culturalista, ponto de vista da qualidade de vida no desenho da cidade tendo escrito um livro no final do séc. XIX onde criticava a cidade industrial, o urbanismo que estava sendo feito, sendo implantado desde tempo de Haussmann (urbanismo técnico). Sitte foi considerado o primeiro pensador que olha para a cidade do passado sob o ponto de vista estético, porque tinha fascínio pela cidade medieval, por como as pessoas se relacionavam, os bairros (a relação cidade x pessoas). Na sua visão, esta relação foi perdida na cidade industrial, supondo que a dimensão da cidade não comportava os hábitos de convivência, sendo assim fez críticas às intervenções de Haussmann, referindo as idéias de Haussmann como onde não existia preocupação com o antigo e com a preservação (ocorre 40 anos após Haussmann), mas não foram só criticas a Haussmann, ele nunca se opôs a intervenção na higiene. Já no final do séc. XIX preocupações com o “embelezamento” ou com a questão estética das cidades foram abordadas por Camillo Sitte 14 . Camillo Sitte examina a estrutura das cidades medievais salientando a informalidade e irregularidade no desenho dos edifícios e no seu agrupamento, em ruas e praças dimensões restritas, buscando recuperar o sistema de planejamento urbano orgânico, em oposição a elementos da cidade industrial. Também Sitte, como os românticos das gerações anteriores, contrapõe o passado ao presente, porem substitui a contestação global da cidade moderna, deduzida por via teórica, por uma analise motivada dos inconvenientes singulares, e chega a propôr alguns conceitos práticos, a fim de restabelecer na cidade moderna ao menos uma parte dos valores que são admirados na cidade antiga. Desperta o interesse pelos ambientes das cidades antigas – e não mais pelos monumentos isolados e também com suas sugestões formais simplificadas, propôs aos arquitetos uma pesquisa que os teria necessariamente levado aos problemas fundamentais da urbanística moderna15 .  Urbanização da Expansão da Ringstrasse (Viena) Para Sitte, A Ringstrasse de Viena “encarnava os piores traços de um racionalismo utilitário desumano”. Porquê? A idéia é fazer intervenções nos moldes de Haussmann (Paris) daí, Sitte escreveu um livro como protesto, ele procura qualidade de vida, era contra demolição dos antigos núcleos, dos espaços simbólicos se opondo contra espaços diferenciados sendo repulsivo ao industrialismo. Em 1889, Sitte escreve o livro “A construção das cidades segundo seus princípios artísticos”, onde analisam os espaços das cidades medievais e antigas, e um elemento sempre se repete - a praça. Estuda os padrões morfológicos do espaço urbano sendo é contra as cidades modernas, por terem falta de princípios estéticos e desprovidas de espaços. Estudando praças da antiguidade e destacando elementos morfológicos que se repete ele consegue fazer uma análise dos espaços da praça (um cenário urbano), neste estudo descobre que as pessoas deixam de usar o espaço da praça por causa do seu tamanho, sentindo “agorafobia” ou falta de conforto, de aconchego. Ao escrever o seu livro, ele baseou-se no conceito de simetria de Vitrúvios (o mais importante nas cidades é a simetria no sentido de harmonia ou proporções que se repetem). Ele é responsável em grande parte pelo conceito do “ornato citadino”, que pesou por longo tempo sobre estudos urbanísticos, impedindo o aprofundamento dos problemas substancial. __________________________________________________________________________________________________________________ 14 SOUZA, Célia Ferraz de. Construindo o espaço da representação. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1997, pg. 10. 15 BENEVOLO, Leonardo. História da arquitetura moderna. São Paulo: Perspectiva, 1996, pg. 352 – 356.
  12. 12. 2.4 – AS PROPOSTAS NO FINAL DO SÉCULO XIX DE SORIA Y MATA, E. HOWARD E TONY GARNIER  Arturo Soria Y Mata e o modelo da Cidade Linear Fonte: Google Dentre suas propostas teóricas, destaca-se a da “Ciudad Linear”, Soria propunha uma alternativa radical, ou seja, uma faixa de largura limitada, percorrida, contudo por um ou mais ferrovias ao longo de seu eixo, e de comprimento indefinido. Ao contrário dos outros utopistas, abandonava a configuração “circular” e adotava o formato linear como mecanismo para a resolução de problemas como especulação imobiliária, congestionamentos e marginalização da população. Ele percebeu que a realização de sua cidade depende da posse de novos instrumentos jurídicos para o controle das áreas, sob este aspecto, o modelo de Soria assemelha-se ao de Howard, isto é, representava uma tentativa de eliminar, na economia capitalista, os inconvenientes devidos a organização capitalista da propriedade imóvel 16 . A idéia de Soria é importante e frutífera, embora sua especificação material seja por demais simplificadas. Ele intui, pela primeira vez, a relação intima entre os novos meios de transporte e a nova cidade; aqueles não podem servir somente como expedientes para facilitar a circulação em um tecido tradicional, mas devem conduzir a um tecido diferente, desenvolvido no território. Contudo, ele pensa unicamente nas funções tradicionais, ou seja, na residência e em seus serviços, e não faz com que as atividades produtivas intervenham no raciocínio, enquanto somente o relacionamento residencial – local de trabalho é que poderá dar um conteúdo concreto a um modelo linear. Sua cidade ideal eliminava a distinção entre centro e periferia já que se caracterizava em um único e contínuo cinturão urbano, paralelo às linhas de transporte, para ligar os centros históricos mais antigos (“cidades-ponto”), ou seja, uma “cidade-rua” – que deveria possuir uma largura média de 500 m – e que podia ser prolongada indefinidamente. Publicado em 1882 pelo jornal madrileno “El progresso” e implementado a partir de 1890, o modelo previa a mecanização dos transportes e a melhoria das condições higiênicas, propondo a realização de um distrito alongado em 5,2 km nos arredores orientais de Madri, tomando como elemento estruturante a linha de bonde elétrico (ferrocarril). A superfície interna às “triangulações” seria destinada às atividades agrícola e industrial. A idéia de Soria seria desenvolvida efetivamente pela geração seguinte partindo exatamente da relação residência-trabalho, repetindo dá lugar a forma linear da cidade; assim ocorre nos estudos teóricos dos alemães dos anos 20, desenvolvidos e parcialmente aplicados na década seguinte na Rússia e na cité linéaire industrielle de Le Corbusier 17 . __________________________________________________________________________________________________________________ 16 BENEVOLO, Leonardo. História da arquitetura moderna. São Paulo: Perspectiva, 1996, pg. 362 – 364. 17 Idem, pg. 364
  13. 13.  Ebenezer Howard e o modelo da Cidade-Jardim No utopismo sócio-político, a proposta mais causou a integração entre a cidade e a natureza foi o modelo, de bases culturalistas, representado pela proposta das Garden-Cities ou cidades-jardim, idealizadas pelo britânico Ebenezer Howard (1850-1928). Howard acreditava que todas as vantagens da vida mais ativa no meio urbano e toda a beleza e delícias do meio rural poderiam estar combinadas de modo satisfatório, através de uma nova forma de planejamento. Em 1899, fundou a Garden City Association, procurando aplicar na prática seus conceitos, os quais não passavam de esquemas teóricos. Desde as décadas finais do século XIX e a vantajosa experiência das “cidades- jardim”, liderada pelas idéias de Howard, a tradição urbana culturalista enfatizava uma reflexão sobre a cidade de forma mais humana e mais integrada ao verde, mas não vendo a natureza somente pelo aspecto sanitarista como também em termos de harmonia e equilíbrio espiritual. Surge-lhe a idéia de aplicar esses princípios em escala reduzida a uma cidade experimental 18 .  Letchworth O plano de implantação urbana de Letchworth foi executado pelos arquitetos Raymond Unwin (1863-1940) e Barry Parker (1867-1947). A atenção de Parker estava voltada para a arquitetura das habitações operárias, atribuindo grande importância aos deveres do arquiteto para com a comunidade. O traçado da cidade é simples, claro e informal, distanciando-se de configurações geométricas rigorosas de tradição clássico-renascentista. Unwin e Parker dão continuidade á idéia de Howard de criar unidades de vizinhança com 5.000 habitantes, dotados de infra- estrutura de atendimento diário e programam quatro delas para Letchworth. Em Letchworth os arquitetos têm como objetivo o desenho informal das ruas; as casas formando blocos isolados entre si, recuadas do alinhamento do terreno, com jardins fronteiriços; os passeios com grama, arbustos e arvores; A melhoria das condições na moradia e no ambiente de vida do operário sempre foi uma das preocupações básicas nas propostas de Howard continuando a ser um objeto principal para a companhia da primeira Cidade-Jardim. As indústrias construíram elas mesmas, as suas instalações e eram responsáveis pela fixação de novos moradores da cidade, justificando a concretização da idéia básica da Cidade-Jardim – a de possibilitar a atividade industrial e melhores moradias aos seus operários 19 .  Raymond Unwin (1863-1940) e Barry Parker (1867-1947) > Arquitetos ingleses cuja empresa durou de 1896 a 1914 e foi responsável pela criação de várias “cidades-jardim”, como a primeira delas, Letchworth, implantada em 1903, a cerca de 50 km de Londres, para uma população de 33.000 habitantes, além do subúrbio londrino de Hampstead Garden Suburb. A publicação de suas idéias e trabalhos a partir de 1908 influenciou todo o urbanismo do século XX. LECHWORTH - 50 km de Londres – 1903 (primeira cidade Jardim). Fonte: www.letchworthgc.com
  14. 14.  welwyn Na impossibilidade de se desenvolver uma política urbana abrangente e de âmbito nacional, Howard convenceu-se de que era mais do que oportuno o inicio da construção de uma segunda Cidade-Jardim. Ruas lineares junto á ferrovia, em terreno mais plano e encurvadas junto ao terreno mis inclinado, ajustando desenho viário ao sitio urbano com subtil sensibilidade. As residências, com seus jardins fronteiriços, sem muros entre si e a rua, passeios com gramas, arbustos e intenso arvoredo, dispostos junto às vias com pouco transito de passagem ou em “Cul de Sac” tendo no centro da quadra jardins coletivos, se entrosam admiravelmente natureza. A experiência de Letchworth possibilitou o estabelecimento de regras claras e eficientes. Em geral, os demais arquitetos que atuaram na cidade mantiveram um bom padrão de arquitetura. Welwyn atingiu alta qualidade ambiental, mantendo uma excelente continuidade entre espaço urbano e rural, um dos pontos importantes no ideário da Cidade-Jardim 20 .  Louis de Soissons (1904-97) > Fundador da célebre “cidade-jardim” de Welwyn, criada em 1919 e localizada a 15 km de Letchworth, Inglaterra, projetada para 40.000 habitantes, com previsão de expansão para no máximo de 50.000 pessoas. Com estes dois “Estados”, Ebenezer Howard acreditava ter provado: Que era viável a construção de cidades novas com indústrias conservando o incremento do valor terra para a comunidade, em vez de subúrbios-jardins; Que cada família poderia possuir uma casa em meio verde, com fácil acesso ao trabalho, ao centro da cidade e ao campo; Que poderia obter muito boa qualidade ambiental, não só nas partes centrais das cidades, mas por todo seu conjunto, mediante cuidados paisagísticos, atravessando toda a cidade e comunicando-se com um cinturão verde definido, evitando-se colocar a área agrícola circundante como uma terra ainda não construída, mas sim como um cinturão verde permanente e integrado a cidade; Que era possível a construção, a baixo custo, de casas com boa qualidade, externa e internamente, e que o rigor na escolha dos materiais e no respeito às normas estabelecidas evitara diferenciação frente e fundos em sua arquitetura, formando um todo homogêneo e continuo para a cidade. (Howard, 1996, pg. 66) De qualquer modo, o modelo da Cidade-Jardim propagou-se pelo mundo: na avaliação de Benévolo (1976, p. 360). No início do século XX, os princípios deste modelo foram aplicados em protótipos urbanos tanto na Europa como nos EUA, assim como no Brasil, sendo suas características básicas: a malha de anéis concêntricos, recortados por vias radiais; as demarcações precisas de setores e limites por meio de cinturões verdes; a eliminação da especulação através do arrendamento dos terrenos; o controle de sua expansão, já que, ao se atingir uma população de 32.000 pessoas, seria fundada uma nova comunidade, ligada como satélite a um centro maior. __________________________________________________________________________________________________________________ 18 BENEVOLO, Leonardo. História da arquitetura moderna. São Paulo: Perspectiva, 1996, pg. 356. 19 HOWARD, Ebenezer. Cidades-jardins de amanhã. Hucitec: São Paulo, 1996, pg. 45 - 56. 20 Idem, pg. 56 – 66. WELWYN (adquire mais sucesso que a primeira) - 1919 Fonte: www.letchworthgc.com
  15. 15.  Tony Garnier e o modelo da Cidade Industrial Em 1904, logo no inicio da construção de Letchworth, surge de outro lado do mapa um contraponto as idéias de Howard, o racionalismo de Tony Garnier com a cidade industrial exposta em Paris22. A cidade-industrial, de Tony Garnier, apresentava estrutura baseada em traçados, eixos e quadrículas, tendo organizações físicas e funcionais diferenciadas, como o zoneamento funcional, que fragmentava a cidade em áreas distintas. Alem do zoneamento funcional e o emprego dos materiais modernos, o modelo tinha preocupações sanitárias e paisagísticas. A proposta exibia características lineares em planta, em que se distinguia pelo espaço verde, que separava a zona residencial da comercial pela distribuição ordenada de atividades, o que setorizava a cidade em áreas distintas e ainda por seu sistema de transportes, que caracterizava os eixos de ligação por meio de avenidas. Alguns edifícios públicos – por exemplo, a estação ferroviária e a hospedaria contígua – surpreendem por sua simplicidade audaciosa e, como diz Pevsner, “tem um aspecto absolutamente pós-bélico”. Os bairros residenciais são formados por pequenas casas isoladas, de aspecto modesto, linhadas numa malha uniforme de ruas. Garnier nunca pensa no edifício como num objeto isolado, mas tem sempre em mente que o objetivo de toda intervenção é a cidade e que o edifício só tem sentido como contribuição a vida da cidade. Na realidade, ele diferenciou do outros utopistas franceses porque teve a oportunidade de aplicar seus conceitos arquitetônicos a grande cidade de Lyon, e entre 1904 e 1914 construiu uma serie de edifícios públicos exemplares e de bairros residenciais, enquadrados num plano unitário. Esta experiência permitiu a Garnier verificar suas idéias em contato com as exigências concretas de uma cidade moderna. A obra construída confirma os preceitos teóricos e é neste resultado, nesta ponte lançada entre a teoria e a pratica, que consiste sua contribuição ao movimento moderno 22 . ____________________________________________________________________________________________________________________________ 21 HOWARD, Ebenezer. Cidades-jardins de amanhã. Hucitec: São Paulo, 1996. 22 BENEVOLO, Leonardo. História da arquitetura moderna. São Paulo: Perspectiva, 1996. WELWYN (adquire mais sucesso que a primeira) - 1919 Fonte: www.letchworthgc.com
  16. 16. 2.5 - AS INFLUÊNCIAS DO MOVIMENTO RACIONALISTA O Movimento Racionalista foi responsável pelas influências modernas, que introduziram propostas inovadoras que revolucionaram o ambiente construído do século XX, apresentavam uma arquitetura geométrica que lutava pela inovação, utilizando a tecnologia disponível e uma vasta gama de materiais, edificando novas formas e volumes inusitados, com ênfase na beleza simples e funcional. Os espaços urbanos eram marcados pela presença de grandes eixos monumentais, como ocorre em Brasília, sendo responsáveis, inclusive, pela configuração do seu entorno próximo, tendo como principais precursores o espanhol Arturo Soria y Mata (1844-1920) e o francês Tony Garnier (1869-48), assim como os pré-urbanistas progressistas, o urbanismo racionalista encontrou entre seus maiores expoentes, além de Le Corbusier (1887- 1965), os alemães Walter Gropius (1883-1969) e Ludwig Hilberseimer (1885-1979). Os modelos das cidades racionalistas eram altamente segregacionistas, sendo posteriormente criticados por sua atitude pouco democrática. Consideravam as áreas verdes sob a ótica higienista e enfatizavam o zoneamento. Baseavam-se em quatro posturas fundamentais: a) Descongestionar o centro das cidades para fazer face às exigências da circulação e da produtividade; b) Aumentar a densidade do centro das cidades para realizar o contato exigido pelos negócios; c) Aumentar os meios de circulação, ou seja, modificar completamente a concepção atual da rua que se encontra sem efeito diante do novo fenômeno dos meios modernos de transporte (metrôs ou automóveis, trens, aviões, etc.); d) Aumentar as superfícies verdes, a única maneira de assegurar a higiene suficiente e a calma útil ao trabalho atento exigido pelo novo sistema de negócios. LE CORBUSIER (1887-1965) Arquiteto franco-suíço responsável por alguns planos fundamentais do urbanismo racionalista, insuperáveis tanto em termos ideológicos como formais (traçados geométricos e princípios funcionalistas). Em 1922, apresentou o modelo utópico para “Une Ville Contemporaine”; um centro urbano para 3.000.000 habitantes dividido em três setores distintos, que seriam delimitados por cinturões verdes e interligado por uma eficiente rede de transportes. A proposta é caracterizada pela simetria do conjunto, a ortogonalidade das vias e a sistematização viária, além da criação de “prédios-villas”. Com o Plan Voisin (1925), para Paris; e os planos para Montevidéu, Buenos Aires, São Paulo e Rio de Janeiro, propostos entre 1929 e 1931, formulou a hipótese teórica mais elevada da urbanística moderna, culminando com as experiências do Plan Obus (1931), para Argel; e da proposta para La Ville Radieuse (1930). Extremamente ambicioso, o Plan Voisin (1925) substituía a tradicional rede viária parisiense por um gigantesco sistema de auto-estradas retilíneas, além da demolição do centro antigo e a criação de um sistema simétrico de arranha-céus em forma de cruz. Os edifícios eram imersos em amplas áreas verdes e as vias de circulação categorizadas por fluxo e tipo de tráfego. Em 1950, Le Corbusier projetou Chandigarh, a nova capital do Punjab (Índia), em substituição a Lahore, que ficou em território paquistanês. Constituída de grandes edifícios públicos, a nova cidade reuniria 150.000 habitantes, com a previsão de se ampliar até 500.000 e constituindo- se em um exemplo do urbanismo moderno. __________________________________________________________________________________________________________________ 23 REPERTÓRIO DIGITAL - LUME. Universidade Federal Do Rio Grande Do Sul, Porto Alegre.<http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/7219>.
  17. 17. 2.6 - O PAPEL DA CORRENTE RACIONALISTA (PROGRESSISTA) E DA CORRENTE EMPIRISTA (CULTURALISTA)  Corrente Racionalista (Progressista) Baseia-se numa concepção abstrata do homem, indivíduo mutável no tempo e no espaço. Consideram-se como integradas na corrente racionalista as soluções arquitetônicas e urbanísticas cujos autores pretendem haver orientado suas opções de forma não aleatória, e por critérios objetivos e racionais, estabelecidos teoricamente, sobretudo com base no método dedutivo. Desde 1901 o arquiteto Tony Garnier elabora um plano da cidade industrial, onde se encontra quase tudo o que está na base do urbanismo atual. Passavam a existir, portanto, estímulos para a progressiva racionalização tecnológica, estrutural e funcional dos planos urbanos. O que havia sido, nos anos anteriores, apenas um estudo de cidade-industrial, transformava-se na preocupação de todos os arquitetos e urbanistas situados na vanguarda do movimento europeu. Em 1933 os arquitetos racionalistas do CIAM elaboram um manifesto doutrinal: “A Carta de Atenas“. Verdadeiro catecismo do urbanismo progressista, este documento teve muitas idéias de Le Corbusier. O urbanismo progressista é obcecado pela modernidade. A cidade do séc. XX devia ser de seu tempo, afirmar à contemporaneidade de tudo aquilo que se traduz como o avanço da técnica: a indústria, o automóvel, o avião. Há uma preocupação desvairada pela higiene, que se concretiza nas exigências de sol e verde. O plano da “Cidade Contemporânea”, de Le Corbusier, era uma estrutura urbana constituída de um sistema de zoneamento, onde cada edifício fosse residência ou escritório e cada peça do sistema viário tinha um lugar e proporções determinados e o seu desaparecimento ou transformação viriam a constituir uma descontinuidade no tecido urbano previsto. Essa mesma orientação estaria presente em planos posteriores, como o “Plan Voisin” de 1925 e suas sucessivas reformulações 24 . Para Le Corbusier “as artes e o pensamento moderno procuram alem do fato acidental e a geometria os conduz a uma ordem matemática, seu ideal a orienta para os gozos da geometria”. O objetivo dos racionalistas era como afirma Gropius, “introduzir um método de enfoque, que nos permita encarar um problema de acordo com suas condições peculiares”. A Carta de Atenas exige construções altas, afastadas umas das outras, isoladas no verde e na luz. Outro teorema do urbanismo progressista é a abolição da rua-corredor, denunciada como anacrônica, barulhenta, perigosa, contrária aos imperativos de luminosidade e higiene (é o caso de Brasília). Haveria, assim, unidades de habitação 25 , agrícolas e industriais dotados das características indispensáveis para o atendimento de suas funções e previamente dimensionadas para esse fim. Exigia também que os imóveis sejam implantados longe dos fluxos de circulação. O modelo racionalista fundamenta-se na análise das funções urbanas acompanhadas de zoneamento: habitação, trabalho, lazer e circulação. A circulação é concebida como uma função distinta, independente em relação às edificações, com diferenciação de vias segundo velocidades. O esquema urbano é concebido para o homem-padrão. Em qualquer lugar do mundo. Tanto para as grandes como para as pequenas cidades. Qualquer que seja o regime político ou o nível de desenvolvimento econômico. Deste volume de realizações surgem Chandigarh, a partir dos planos de Le Corbusier e Brasília, com planos de Niemeyer. _________________________________________________________________________________________________________________ 24 FILHO, Nestor Goulart Reis. Urbanização e teoria. São Paulo, 2000. 25 Unidades de Habitação (Unités d'Habitation) são grandes edifícios modulares projetados pelo arquiteto franco-suíço Le Corbusier após a II Guerra Mundial, originados de um programa de reconstrução do governo francês. A primeira unidade implantada, e a mais famosa delas, foi a da cidade de Marselha, elaborado entre 1947 e 1953.
  18. 18.  Corrente Empirista (Culturalista) Entendem-se como empiristas as propostas urbanísticas nas quais se toma por base apenas o conhecimento adquirido por intermédio da verificação empírica, uma vez que se considera como aleatórios os desenvolvimentos de base teórica e os procedimentos dedutivos. A distinção entre essa e as outras correntes é porem necessária, pois se trata de outra ordem de abordagem, com fundamentos e implicações distintos das demais. Os precedentes mais remotos das propostas empíricas encontram-se boa parte, na reformulação de Paris, feita por Haussmann 26 . As experiências mais ambiciosas, já no inicio do século XX, são realizadas com o plano de Amsterdam, iniciado por Berlage. A experiência resultante dos novos bairros residenciais e a forma de seu enquadramento na velha estrutura urbana – caracterizada mais pela clareza e coerência de suas soluções do que por grandes rasgos inovadores – propagou-se rapidamente por todo o norte europeu. O plano de “Abercrombie e Forshaw” para Londres, em 1943, marca uma etapa na evolução do urbanismo inglês, utilizando a Unidades de Vizinhança como esquema para organização de uma grande metrópole. As correntes empíricas admitem a possibilidade de conhecimento objetivo – racional e cientifico – dos fatos arquitetônicos e urbanísticos, mas apenas com base em verificações empiristas, sendo sua limitação mais grave é a ausência de uma visão de conjunto. O objetivo é sempre a solução pratica dos problemas mais graves, propostos pela sociedade em que operam e não se colocam questões teóricas que não sejam decorrência direta da verificação empírica. Os empiristas partem sempre e necessariamente de uma situação concreta, definida no tempo e no espaço e, mesmo nos planos das cidades novas, mostram-se preocupados em não romper a continuidade das linhas de evolução cultural. A base do planejamento físico e social é porem o esquema de Radburn, ao qual se associa o conceito de Unidade de Vizinhança 27 . Trata-se de um esquema com o qual se pretende fazer um esforço para fixar em termos quantitativos as proporções e as características que devem ter conjuntos residenciais ou bairros, para que desenvolvam as condições de uma comunidade. O esquema implica em considerações sobre:  Disposição de residências em superquadras, com fundos para áreas de serviço e frente para parques comuns e vias de pedestre;  Hierarquia de trafego, de forma a oferecer alguma proteção ao pedestre;  Valorização das áreas livres;  Disposição desses conjuntos em torno de serviços comuns, que correspondem á escola primaria, onde uma criança poderia atingir sua escola a pé, num raio de cerca de 400 metros, sem cruzar vias destinadas a veículos motorizados, assim como toda a família atingir os locais de recreação e de pequeno comércio, e aos centros de cultura e esportivos, nos setores mais longes;  Valorização dos elementos de definição da área estudada, de forma a estimular suas tendências de segregação, auto-suficiência e autoconsciência, em relação às unidades mais amplas. __________________________________________________________________________________________________________________ 26 FILHO, Nestor Goulart Reis. Urbanização e teoria. São Paulo, 2000. 27 Unidade de Vizinhança, conceito aplicado em Radburn, por Clarence Stein e Henry Wright, é uma área residencial, dimensionada em função de n° de habitantes, cujo seu centro esta situada a escola, que não deve ultrapassar o raio de 400m – capacidade máxima para uma criança se dirigir a escola sem passar por vis de transito.
  19. 19. 3 - A CIDADE MODERNISTA – BRASÍLIA Brasília - Plano Piloto. Fonte: Google Earth. “Nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz”. “É assim que, sendo monumental, é também cômoda, eficiente e íntima. É ao mesmo tempo derramada e concisa, bucólica e urbana, lírica e funcional... Brasília, capital aérea e rodoviária; cidade-parque. Sonho arqui-secular do Patriarca.” Lucio Costa, Memorial do Plano Piloto de Brasília, 1957. Brasília foi planejada com o objetivo de transformar arquitetônica e socialmente, um modo de vida urbano que se cristalizou nas cidades pré- industriais 28 . O plano de Brasília não é apenas um desenho, é uma concepção de cidade, traduzida, nas palavras de seu criador, por quadro escalas distintas: a monumental, a residencial, a gregária e a bucólica. A escala monumental, segundo o plano de Lúcio, está configurada pelo Eixo Monumental, desde a Praça dos Três Poderes até a Praça do Buriti. A escala residencial, que simboliza a nova maneira de viver, própria de Brasília, está representada pelas superquadras das Asas Sul e Norte. A gregária (ou de convívio) situa-se na Plataforma Rodoviária e nos setores de diversões, comerciais, bancários, hoteleiros, médico- hospitalares, de autarquias e de rádio e televisão Norte e Sul. A bucólica, por sua vez, confere a Brasília o caráter de cidade-parque é constituído por todas as áreas livres destinadas à preservação paisagística e ao lazer. No Eixo Monumental ficam os edifícios que abrigam o setor político-administrativo do país e do governo local. Lá se encontra a expressão arquitetônica moderna brasileira, projetos de Oscar Niemeyer, que obedece a um conceito ideal de pureza plástica, onde a intenção de elegância – firme e despojada – está sempre presente. É o „”cartão de visitas” da Cidade e configurando, por isso, a escala monumental. As superquadras, tradução da escala residencial e talvez uma das mais inovadoras e acertadas contribuições atuais para a habitação multifamiliar, representa novo conceito de morar. Estruturalmente, no dizer do próprio Lucio Costa “é um conjunto de edifícios residenciais sobre pilotis ligados entre si pelo fato de terem acesso comum e de ocuparem uma área delimitada. O chão é público – os moradores
  20. 20. pertencem à quadra, mas a quadra não lhes pertence – e é esta a grande diferença entre superquadra e condomínio. Não há cercas nem guardas e, no entanto, a liberdade de ir e vir não constrange nem inibe o morador de usufruir de seu território, e a visibilidade contínua assegurada pelos pilotis contribui para a segurança. Na inovadora proposta residencial estão incluídos os comércios locais (Na verdade, a proposta inicial de Lucio Costa sistematicamente evita qualquer referencia ao velho lugar do mercado: as entradas e vitrines das lojas dão para o interior das superquadras e não para as vias de acesso. Assim, o sistema liga o comercio e a residência através do bucólico parque de cada superquadra e não pela “rua suja e caótica” 29 e entre quadras, ficam as atividades de ensino, esporte, recreação e cultura de vizinhança. Brasília - Eixo Monumental e Esplanada dos Ministérios. Fonte: Google Brasília – Superquadra - Eixo Residencial. Fonte: Google Earth Cruzamento do Eixo Monumental com o Eixo Rodoviário/Residencial. Fonte: Google Earth A escala gregária, como já tinha dito, está representada por todos os setores de convergência da população (setores comercial, bancário, de diversões e de cultura, hoteleiro, médico-hospitalar, de rádio e TV, etc.) e tem como foco central a Plataforma Rodoviária, traço de união da metrópole com as demais cidades do Distrito Federal e do entorno. A escala bucólica permeia as outras três, pois é representada pelos gramados, pelas praças, pelas extensas áreas arborizadas, pelos jardins, pelos espaços de lazer, pela orla do Lago Paranoá, por todos os espaços, enfim, destinados ao deleite, ao descanso e ao devaneio, que dão o caráter de cidade-parque a Brasília e são responsáveis pelos altos índices de qualidade de vida da Capital. Por tal motivo, sua preservação é tão importante quanto à dos monumentos e das demais edificações. _________________________________________________________________________________________________________________ 28 HOLSTON, James. A cidade modernista: Uma crítica de Brasília e sua utopia. São Paulo: Cia das letras, 1993, pg. 111. 29 Idem, pg. 143.
  21. 21. _________________________________________________________________________________________________________________ 4 – CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho que aqui apresento esta longe de ser um extenso e profundo estudo da circulação de idéias do urbanismo nas épocas a que me refiro, porém digo que, é conciso, muito objetivo e de fácil compreensão, cabe ao leitor entender que a questão, já antes discutida que nos possibilita entender que até a Revolução Industrial, apesar de uma evolução da imagem urbana (até o barroco), as cidades eram edifícios dispostos em ruas e cercados por muros para a proteção. Com a chegada do progresso técnico e da civilização industrial, como já comentei, essa dita visão tradicional é superada, multiplicando-se os problemas com os quais uma cidade se depara: crescimento demográfico, condições de habitação da população operária e, sobretudo, enriquecimento global da sociedade. Desses novos problemas nasce o urbanismo moderno, que se pretende uma ciência, mas que é na realidade alimentado de utopias. Em particular o urbanismo progressista (racionalista), cuja influência é predominante, decorre em grande medida de modelos utópicos como os de Charles Fourier, veiculando uma ideologia anti-urbana, que confunde a distinção tradicional entre espaço urbano e espaço rural. Surgem propostas teóricas como as Cidades Utópicas (Owen, Fourier); Cidade Jardim (Ebenezer Howard); Cidade Industrial (Tony Garnier); Cidade Linear (Arturo Soria y Mata); Cidade e seus princípios artísticos (Camillo Sitte), Souza comenta que : As questões da ordenação dos espaços e adequação das funções urbanas e, acima de tudo, o sério problema da especulação imobiliária, que crescia a cada dia, também conduziram os estudos de Howard com sua “cidade-jardim”, Soria y Mata com sua “cidade linear” e Tony Garnier com sua “cidade industrial”. Embora, tratando-se praticamente de modelos, eles nortearão os rumos do urbanismo do século XX, desembocando em duas vertentes fundamentais: a primeira, chamada genericamente de modernista e também conhecida como corrente progressista ou racionalista; e a segunda, corrente culturalista ou corrente empirista (Souza, 1997, p.10) 3 ¹. Nesse âmbito dos acontecimentos Brasília concretizou o pensamento urbanístico internacional dos anos 50 e traduziu os princípios da Carta de Atenas, lançada pelos arquitetos modernos no IV CIAM de Atenas em 1933. O Plano Piloto de Brasília tem seu traçado dispostos em dois eixos, abraçados pelo Lago Paranoá e por uma extensa mancha verde. É a primeira cidade moderna considerada Patrimônio Mundial. Mas esse movimento do urbanismo moderno não somente repercutiu na nova capital, mas sim por todas as cidades brasileiras. Nos primeiros anos do século XX o Brasil estava na “belle époque”, e o estilo de vida parisiense, mais do que uma influência, era uma meta a ser atingida. Na ânsia de entrar na modernidade neste período, o caminho mais natural utilizado era o de copiar os modelos de desenvolvimento aplicados nas grandes capitais européias. Da pesquisa que realizei nos documentos referidos, segundo autores, a história das cidades e a construção dos espaços urbanos com base em conceitos, a salvação do que resta ainda das paisagens e dos sítios constitui uma das tarefas prioritárias do urbanismo atual e futuro. __________________________________________________________________________________________________________________ 3 ¹ SOUZA, Célia Ferraz de. Construindo o espaço da representação: ou o urbanismo de representação In Imagens Urbanas. Os diversos olhares na formação do imaginário urbano. Organizado por Célia Ferraz de Souza e Sandra Jatahy Pesavento. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1997, pg. 10.
  22. 22. 5 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  BENEVOLO, Leonardo. Historia da Cidade. São Paulo: Perspectiva, 2007, 4° edição.  ___________________. História da arquitetura moderna. São Paulo: Perspectiva, 1996.  Carta de Atenas. CONGRESSO INTERNACIONAL DE ARQUITETURA MODERNA. 1933, Atenas. Disponível em: <http: //www.iphan.gov.br/>. Acesso em: 05 de janeiro 2011.  CHOAY, Françoise. O Urbanismo, utopias e realidade, uma antologia. Perspectiva: São Paulo, 1965.  FILHO, Nestor Goulart Reis. Urbanização e teoria. São Paulo, 2000.  FRANCO, Sergio da Costa. Guia histórico de Porto Alegre. Ed. UFRGS, 2006, 4° edição.  GUNN, Philip. O paradigma de cidade-jardim na via fabiana de reforma urbana. Publicado em Espaços e Debates, 1989.  HOLSTON, James. A cidade modernista: Uma crítica de Brasília e sua utopia. São Paulo: Cia das letras, 1993.  HOWARD, Ebenezer. Cidades-jardins de amanhã. Hucitec: São Paulo, 1996.  Memorial visual de porto alegre 1880 – 1960. Porto Alegre: Pallatti, 2007.  LE CORBUSIER. A carta de Atenas. São Paulo: Edusp/Hucited, 1993.  MILLER, Mervyn. La evolución de la ciudad-jardín em Inglaterra.  SALGUEIRO, Heliana Angotti (org.). Cidades capitais do sec. XIX. São Paulo: Ed. USP.  SOUZA, Célia Ferraz de; Pesavento, Sandra Jatany. Imagens urbanas: Os diversos olhares na formação do imaginário urbano. Porto Alegre: Ed. da UFRGS, 1997.  SOUZA, Célia Ferraz de. A teoria da cidade jardim e a pratica dos bairros jardim, transferências e adaptações. PROPUR UFRGS  STIGGER, M.; MELATI, F.; MAZO, J. Parque Farroupilha: memórias da constituição de um espaço de lazer em Porto Alegre, Rio Grande do Sul – Brasil - doi: 10.4025/reveducfis. v21i1.7886. Revista da Educação Física/UEM, Brasil, 21 mar. 2010. Disponível em: <http://www.periodicos.uem.br/ojs/index. php/RevEducFis/article/view/7886/5714>. Acesso em: 12 jan. 2011.  RATTNER, Henrique. Sobre utopias e dystopias. Disponivel em < http://www.espacoacademico.com.br >. Acesso em: 08 janeiro 2011  REPERTORIO DIGITAL - LUME. Universidade Federal Do Rio Grande Do Sul, Porto Alegre. Disponivel em <http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/7219>. Acesso em: 15 janeiro 2011. A CIRCULAÇÃO DAS IDÉIAS DO URBANISMO “Desde o século XIX até Brasília, nos anos 60.” Aridson Renato monteiro Andrade UFRGS … essa pesquisa foi trabalho de recuperação da disciplina de Evolução Urbana pelo autor, Aridson Andrade, texto simples mas muito objetivo do assunto …

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