Einstein

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Einstein

  1. 1. O homem que reinventou o tempoI actoDecorre o ano de 1900. Sentado na esplanada de um café de uma movimentada praçade Zurique, o jovem Einstein rabisca uns papeis. Um empregado, de ar emproado, jácansado de o ver sentado sem fazer consumo, pergunta-lhe com azedume: [empregado] - O senhor vai desejar mais alguma coisa? Einstein, imerso nos seus cálculos, não lhe presta a mínima atenção. Oempregado, aborrecido, dá um berro que faz saltar Einstein da cadeira. [Einstein] - O que foi? [empregado] - Uma barata. Mas já se foi embora... – diz o empregado com artorcista. Einstein olha para ele de cima a baixo. [Einstein] - Cá para mim ela ainda aqui está. E é daquelas bem grandes enojentas. [empregado] - Por acaso o senhor não quer mais alguma coisa? [Einstein] – por acaso até quero. Uns cinco minutinhos de silêncio. E para já,se faz favor. O empregado dirige-se para o café a resmungar: [empregado]- Este passa-me as tardes aqui enfiado sem fazer despesa! Quempensa que é? Não passa de um zé ninguém… Entretanto chegam dois colegas de faculdade. [Colega 1] - Albert, sempre no café. Deves ter um contracto com o gerente. [Colega 2] - É pá, tu nunca vais às aulas! [Einstein] - Vou às importantes. [Colega 1] - Ou seja, quase nenhuma. Olha que o barbas deu pela tua falta. [Einstein] - O Weber? Engraçado que não dei pela falta dele. [Colega 2]- ele regista as tuas faltas. [Einstein] - O tempo que gasta a contar os alunos e preencher sumários se oaplicasse a fazer ciência, ganhava mais. [Colega 1] - Olha que os exames são difíceis.
  2. 2. [Einstein]- O que é que isso interessa? O verdadeiro exame é compreender amensagem do “velho das barbas”. [colega 2] – o Pai-Natal! Essa é simples: Ou Ou Ou… Riem-se. Um colega pega num jornal e começa a ler. [colega 1] - Olhem só as notícias. [colega 2] - Novo aumento do IVA? [Einstein] – O único imposto que devia aumentar era o ICA. [colega 1] - O ICA? [Einstein] - Imposto sobre a Cretinice Acrescentada. [colega 1] – Diz aqui que os físicos americanos Michelson e Morleyverificaram um facto intrigante: a velocidade da luz é sempre constante, qualquer queseja o referencial. Embora a experiência tenha sido realizada à alguns anos, aindaninguém a soube explicar. A física está em polvoroso. [colega 2] - Não percebo o que isso tem de especial. Einstein levanta-se e pega numa maça que está na bandeja do empregado quelhe faz uma careta. [empregado] - É um Franco! Einstein não lhe liga. Pega na maça e pede ao colega para se por à sua frente. [Einstein] – Repara bem. Se eu estiver parado e mandar a maça a umavelocidade de 5 m/s, a que velocidade mais recebê-la? [colega 2] - 5 m/s, claro! - Diz ele enquanto agarra a maçã no ar. [Einstein] - E se eu estive a mover-me também a 5 m/s. Einstein atira a maça a correr violentamente esmagando-a contra a cara docolega. [Einstein] - O que acontece agora? [colega 1] - compota de maçã! [empregado] - E menos 1 franco. [Einstein] - A velocidade com que a maça te atingiu é a soma da minhavelocidade com a velocidade com que eu atiro a maça
  3. 3. [colega 2] – ou seja 5 + 5 = 10 m/s. [Einstein] – exacto. Agora, se em vez da maçã eu estivesse a enviar luz. [colega 2] – seria a mesma coisa. [Einstein] – errado! Ias receber a luz sempre à mesma velocidade, quer euestivesse em movimento quer não. [colega 2] - O que não deixa de ser estranho. [Einstein] - Sem dúvida muito estranho. Ou a luz tem propriedades mágicas ouentão há algo de errado com a noção de espaço e de tempo de Newton. [colega 1] - Einstein dixit! – riso. [colega 2] - Mas ouve lá, quem é que pensas que és? Deus? Olha que desantos está o inferno cheio. Vá, anda logo à noite a uma festa na minha casa. Olha queestão lá miúdas giras. [Einstein] - A vida é demasiado curta para a desperdiçarmos em futilidades,como aulas e festas. Não tenho tempo. [colega 2] - Raios parta o tempo. Nunca tens tempo. Devias é de arranjar umamaneira de inventar tempo – disse com uma gargalhada. Eles e partem e Einstein fica a pensar murmurando para si mesmo. [Einstein] - É precisamente isso que eu ando à procura.
  4. 4. II actoSentado numa secretária no centro de patentes de Berna, Einstein escreve a seguintecarta ao amigo Habicht:Então o que andas tu a tramar minha baleia congelada, meu pedaço de almadefumada, seca e enlatada, ou outra coisa qualquer que me apetece atirar-te àcabeça e estoirar com os meus 70% de raiva e 30% de pena. Podes agradecer aosúltimos 30% por não te ter enviado uma lata cheia de cebolas e alhos podres depoisde teres tido a cobardia de não aparecer na nossa reunião do clube de ciência. Masporque é que não me enviaste a tua tese? Ainda não percebeste que sou uma das 1,5pessoas que teria prazer e interesse em lê-la, ó criatura desprezível? Prometo-tequatro artigos em troca. Um deles é um artigo revolucionário sobre a radiação e aspropriedades energéticas da luz, como poderás ver se me enviares o teu trabalhoprimeiro. O 2º é sobre a determinação do tamanho exacto dos átomos a partir dadifusão e viscosidade de soluções diluídas em substâncias neutras. O terceiro provaque os corpos da ordem de um milésimo de milímetro devem realizar um movimentoaleatório observável produzido por uma agitação térmica. O quarto artigo é só umrascunho e trata da electrodinâmica de corpos em movimento que emprega umamodificação da teoria do espaço e do tempo. Na parede um relógio de pêndulo marca um tic-tac cadênciado. Einsteinlevanta-se e olha atentamente para o relógio. [Einstein] - Afinal o que é o tempo? Para Galileu a bitola que marca acadência de todos os pontos do universo. Um tempo absoluto, independente da nossavontade ou situação. Não gosto deste tempo assim. Um ditador que estou prestes adestronar. A orquestra do universo não afina toda pelo mesmo compasso. Sou eu queescolho o meu próprio ritmo. Einstein pega no violino e toca um pouco. Entretanto entra a sua mulher, Mileva que se aproxima-se dele com umcarinho nos ombros: [Mileva] - Então meu ursinho, ainda a trabalhar? [Einstein] - Trabalhar?! Não sabes que agora sou um funcionário público! Mileva ri-se. [Mileva] - Sim, mas a tua cabeça não pára. Vejo nos teus olhos que andas atramar alguma. [Einstein] - Não o consigo evitar. Estava precisamente a reflectir sobre osignificado do tempo. Questiono-me se o tempo não será elástico, capaz de se dilatarou contrair. Um tempo relativo para cada observador. [Mileva]- Claro que é. Não vês que quando estou contigo o tempo parece quevoa.
  5. 5. Mileva dá-lhe um beijinho [Mileva] - Gosto de te ver assim compenetrado num problema. [Einstein]- Lembras-te do artigo sobre a electrodinâmica dos corpos emmovimento? [Mileva] - E a estática dos corpos em repouso? Estás aqui metido à horas.Precisas de descansar. [Einstein] - Não te preocupes, minha sapinha. Este trabalho vale bem oesforço. Acho que estou à beira de uma grande descoberta. [Mileva] - Só espero que não tenhas morrido à fome no dia em que o mundosouber disso. [Einstein] - Isso não interessa. Sabes, a nossa discussão de ontem à noite foimuito interessante. [Mileva]- Sobre os invariantes de Lorentz onde espaço e tempo se interligam? [Einstein] - Exactamente. A única forma de explicar a experiência deMichelson é enterrar de vez com o tempo absoluto e aceitar a ideia de um tempoelástico. [Mileva] - Isso faz sentido. Se a velocidade da luz é constante e se velocidadeé o espaço percorrido num certo tempo, então o espaço e o tempo têm de se ajustar àvelocidade. [Einstein] – Para mim está claro. Só me faltam algumas equações quegeneralizam os resultados. Queres ajudar-me? [Mileva] - Claro. Mas, como sabes, isso deita por terra o éter. [Einstein] - Ora, o éter é fruto da imaginação delirante de algumas mentes quedevem ter inalado éter a mais. Verifica as equações que escrevi – ordena Einstein comum beijo rápido. Mileva relê o manuscrito enquanto Einstein toca violino. No final volta-se paraele e diz: [Mileva] - És uma pessoa muito especial. Inteligência sem sensibilidade écomo combustível sem motor. Tu, meu querido, tens as duas. [Einstein] - Achas mesmo? Às vezes tenho a sensação que ninguém mepercebe além de ti. [Mileva] - Não, tudo faz sentido. Tempo e espaço intimamente ligados numsó.
  6. 6. [Einstein] - Como nós dois!Einstein abraça Mileva beijando-a.
  7. 7. III actoAno 1919, pós primeira guerra mundial. Na Europa vivem-se dias difíceis. A guerratinha dizimado milhões de pessoas e destruido o tecido produtivo. O desemprego, ainflação e a fome trazem a miséria ao que antes eram prósperas cidades. Neste cenário degradante de pobreza e miséria, Einstein passeia com umamigo numa rua movimentada de Berlim. [Einstein] - Não percebo porque a minha teoria da relatividade não é aceite. [amigo] - A tua concepção do mundo é demasiado revolucionária. Espaço-tempo curvilenio, tensores covariantes e contra-variantes, métrica Rimeniana… [Einstein] – E depois? [amigo] – Depois? Vê bem o que estás a dizer: a velocidade atrasa o tempo, agravidade deforma o espaço, a energia pode criar matéria e até a massa, afinal nãopassa de mera energia condensada. Não achas tudo isto difícil de entender? [Einstein] - A única coisa que acho difícil são os malditos formulários dosimpostos. [amigo] - Mas tu próprio dizes que o Universo deve ser simples. [Einstein] - Simples mas não simplista. Na verdade espaço e tempo nãoconstituem o palco da encenação da nossa existência, são antes os actores maisimportantes. [amigo] - Dizer que não existe um tempo igual para mim, para ti e paraqualquer outro ponto no universo é inacreditável. É como se roubasses uma dasúltimas certezas absolutas que ainda restam ao homem… [Einstein] - Muito gostam as pessoas de certezas. A única coisa que me pareceabsoluta, e para a qual não há limites, são a imaginação e a estupidez. Depois faz uma pausa olha para o céu e remata: [Einstein] - O senhor é subtil mas não malicioso. Na verdade, o meu modelo ébastante simples. [amigo] - Para quem saiba matemática. [Einstein] - Se queremos falar com Deus temos de aprender a sua linguagem.Os padres usam as ladaínhas, os burocratas os impressos, os cientistas a matemática. [amigo] - O mundo não está preparado para ouvir certas verdades. Einstein olha em redor com um ar de desalento e desabafa:
  8. 8. [Einstein] - Mas pelos vistos está mais preparado para ouvir várias mentiras. Faz uma pausa para dar uma esmola a um pedinte na rua. [Einstein] – Vê bem esta miséria. O que ganhámos com esta guerra estúpida?! Nisto passa um ardina apregoando em grandes berros. [ardina] - Comprem o Diário de Berlin, o jornal que lhe dá as notícias até ofim. Cientista demonstra Teoria da Rotatividade. Comprem, comprem! Einstein dirige-se ao jovem vendedor para comprar um jornal. [Einstein] - O que estás para aí a dizer rapaz? [ardina] - Diz aqui que foi demonstrada a teoria da rotatividade que comprovaque a terra é redonda. [Einstein]- Redonda é a tua cabeça. Mostra lá isso. “Revolução na Ciência. Teoria da Relatividade está correcta. O cientista inglêsEddington realizou uma experiência durante o eclipse solar, ao largo do arquipélagode S. Tomé e Príncipe, que demonstra o encurvamento da trajectória da luz ao passarjunto ao Sol, comprovando assim uma teoria proposta à alguns anos pelo cientistaalemão Albert Einstein de que o espaço-tempo é curvilineo…” Einstein pousa o jornal e abraça o amigo. Depois dá um grande pulo dealegria. [Einstein] - Eu tinha razão. Eu tinha razão! De seguida Einstein abraça o ardina e as pessoas da rua. [Einstein] - A minha teoria está certa. Certa! [transeunde 1] - O que está ele a dizer? – pergunta um transeunde ao ardina. [transeunde 2] - Acho que é a por causa da teoria da rotatividade. [transeunde 1] - Deve fazer ficar com a cabeça à roda. Deus queira que nãoseja contagioso. Na euforia, Einstein volta-se para uma vendedora mostra-lhe o jornal epergunta: [Einstein] - A senhora sabe o que significa isto? [vendedora] - Sei lá! Não sei ler… [Einstein] - Eu explico-lhe. A teoria da relatividade generalizada está correcta.Quer dizer, a massa deforma o espaço-tempo, criando uma curvatura que é capaz deatrair outra massa ou mesmo os fotões da luz.
  9. 9. [vendedora] - Ah! [Einstein] - Foi exactamente o mesmo que disse quando a descobri. Ah! “Ah”,um grande Ahhhhhhh! Eu sabia que tinha conseguido falar com Deus. [vendedora] - E o que é que Ele lhe disse? – pergunta a vendedora. [Einstein] - Minha senhora, Ele é como os políticos, fala por códigos que épreciso saber decifrar. Desta vez tive sorte. [vendedora] - Então Ele deve gostar muito de si. [Einstein] - Isso eu não sei, mas de si gosto eu muito. E de si também e de si ede si – diz Einstein abraçando toda a gente na rua. - O mundo é local fantástico. [Ouve-se música festiva e toda a gente dança] Eis que surge a verdade Que o Senhor tão bem escondia Revelou-se a relatividade Que há muito eu perseguia. O mundo parece igual Mas não podia ser mais diferente Onde antes os planetas se moviam em planos Deslizamos agora em espaços Reiminianos Espaço, tempo, matéria e radiação Tudo fica agora unido pela força da imaginação
  10. 10. IV actoAno 1925. O cenário decorre numa conferência internacional onde estão presentesalguns dos melhores cientistas do mundo. Depois do pequeno almoço, o jovem físicodinamarquês Niels Bohr vem ter com Einstein. [bohr] - Professor Einstein, é um prazer conhecê-lo. Sou o… [Einstein] – Niels Bohr. O prazer é meu, caro Niels. Ainda bem que o encontronesta conferência. Gostei muito da sua comunicação e gostava de falar consigo. [bohr] – será uma honra. Einstein puxa de um bloco de notas de um bolso do casaco enxovalhado. [Einstein] – Começo por lhe dizer que apreciei a forma elegante como propôsa quantificação das orbitais atómicas resolvendo o problema da estabilidade do átomo. [bohr] - Professor Einstein, baseei-me no seu conceito dos quanta de energiaque atribui um carácter corpuscular à luz e apliquei essa ideia aos electrões. [Einstein] – Sim, os fotões. A luz como um exército de pequenos soldadosinvisíveis. Desculpe a metáfora militar, mas nos dias que correm ela é quaseinevitável. [bohr] – Daí a sua explicação para o efeito fotoeléctrico. Você e o professorPlank abriram caminho para o nascimento da Física Quântica. [Einstein] - Não me fale da Física Quântica! Acho que ganhei aversão a essaexpressão. [bohr] - Mas o professor é um dos progenitores … [Einstein] - Uma filha ilegítima. [bohr] - Porque insiste em negá-la? [Einstein] - Preocupam-me as consequências. [bohr] - Refere-se ao princípio da complementaridade? [Einstein] - Entre outros. Não acha inquietante saber que é impossíveldeterminar o estado exacto de um sistema? Bohr olha para Einstein com uma expressão triste. [bohr] - É sem dúvida estranho? Tento descrever a realidade tal como ela nos édada a conhecer e não como ela deveria ser. [Einstein] – Diz muito bem, nos é dada a conhecer, não como ela é.
  11. 11. [bohr] - Mas isso ninguém pode saber. Temos de avançar por aproximações … [Einstein] - Por aproximações, não por aberrações. Cabe ao homem impor umavisão coerente, uma lógica estrita. Só assim o mundo faz sentido. Einstein olha para a Lua e fica a contempla-la por instantes. Depois volta-separa Bohr e pergunta: [Einstein] – Caro Niels, acha que é preciso olhar para a Lua para saber se elalá está? [bohr] – De forma alguma… [Einstein] – mas na sua abordagem parece que sim. Na verdade, o mundo ficaa parecer uma casa assombrada. Senão veja: os objectos são descritos por funções deonda, entidades imaginárias que jamais alguém viu ou verá; os habitantes são umaespécie de fantasmas com habilidades sobrenaturais, como atravessar paredes e estarem locais proibidos. Ainda por cima, quando o dono não está a mobília esfuma-senum éter que se dilui por toda a casa. Um verdadeiro filme de terror! [bohr] - Professor Einstein, sempre bem humorado. Infelizmente acho que nãoestá a ser justo. [Einstein] – Devo estar é realmente louco; depois de me terem chamado issotanta vez… Passa uma menina a oferecer bebidas. [empregada] - Senhores vão desejar alguma bebida? Einstein volta-se para ela e pergunta: [Einstein] - A menina acha que este copo está cheio ou vazio? [empregada] - Cheio claro – responde a jovem perturbada com a pergunta. [Einstein] - E se agora fechasse os olhos e soubesse que eu podia ter bebido olíquido desse copo. O que responderia sobre a mesma pergunta. [empregada] - Podia estar cheio ou não. [Einstein] - E só podia saber quando abrisse os seus lindos olhos, não é? [empregada] - Sim, claro – diz espantada com a pergunta. [Einstein] – E se eu lhe dissesse que antes de abrir os olhos o copo está cheioe vazio e que quando os abre ele fica instantaneamente ou cheio ou vazio. [empregada] – Isso só se bebesse copos a mais…
  12. 12. Gargalhada dos três. Einstein afasta-se e ao regressar ao quarto o amigo PaulEhrenfest diz-lhe: [paul] - Albert, sei da conversa que tiveste com o Niels. Tu envergonhas-me. Einstein olha para a roupa que traz vestida. [Einstein] - Não me esqueci de por umas roupas por cima da pele pois não? [paul]- Não. Mas fico espantado por te ver a tentar derrubar a nova teoriaquântica comportando-te da mesma forma que os teus opositores argumentaramcontra a tua teoria da relatividade. [Einstein] - Infelizmente não posso calar a minha consciência. Esta teoria nãome deixa dormir descansado. [paul]- Mesmo sabendo que foste tu mesmo que a ajudas-te a nascer. Grandeironia queres destruir a criança que ajudas-te a nascer. [Einstein] - Não é uma criança, é um monstro, um Frankestein. Paul ri-se. [Einstein] - Deus não joga aos dados. O universo pode ser complexo mas éobjectivo e único. [paul] – Pois eu não tenho tanta certeza. Do jeito que o mundo está já não sei oque é realidade ou fantasia. Ou muito me engano ou o mundo vai entrar outra vez emguerra.
  13. 13. V acto[Imagens do exército nazi a marchar numa parada militar e de Hitler. Inicio da II-guerra mundial. Imagens dos horrores da guerra e do holocausto] Numa secretária, Einstein escreve uma carta à máquina.Para Franklin Roosevelt,Presidente dos Estados Unidos,Casa BrancaWashington, D. C. Sir:Alguns trabalhos recentes de Enrico Fermi e Szilard, que me foram apresentadosnum manuscrito, levam-me a pensar que o elemento urânio possa ser a fonte de umanova e importante fonte de energia num futuro imediato. Alguns aspectos destainvestigação devem ser acompanhados com atenção e, se necessario, acção rápidapor parte da sua administração. Creio portanto, que é meu dever alertá-lo para asseguintes recomendações:Nos últimos quarto meses foi tornado provável – através do trabalho de Joliot naFrança bem como Fermi e Szilard na América – que pode ser possível desencadearuma reacção nuclear em cadeia usando uma quantidade de uranio relativamenteelevada, através da qual uma vasta potência, bem como grandes quantitidade denovos elementos radioactivos, podem ser gerados.…[Termina aqui e depois continua com o presidente a ler o final da carta peranteEinstein e um conselheiro militar]…Este novo fenómeno poderá levar à construção de bombas, e é possível – embora sejamenos seguro – que estas bombas extremamente poderosas e de um tipo inteiramentenovo, possam ser construidas. Um única bomba destas, transportada por um navio edetonada num porto, podia perfeitamente destruir todo o porto bem como estruturascircundantes.Com os melhor cumprimentos,Albert Einstein Sentado, o presidente pousa a carta na secretária e olha para Einstein com umsemblante carregado: [roosevelt] - O senhor tem a certeza que este tipo de bombas possa ser feito? [Einstein] - Certezas tenho cada vez menos, senhor presidente. Porém, asdescobertas mencionadas e a informação que tenho de que os nazis estão a explorarminas de urânio, são motivo para preocupação. [roosevelt] - E que bombas são essas assim tão potentes?
  14. 14. [Einstein] - bombas nucleares. Num artigo escrito há algum tempo mostrei quea matéria é equivalente a energia. A massa não é mais que energia concentrada numponto do espaço. A equação que estabelece essa igualdade E = mc2 mostra que bastauma diminuta massa para libertar quantidades colossais de energia. [roosevelt] - E como se pode obter essa energia? [Einstein] - De várias maneiras. A mais eficaz consiste na cisão do núcleo doátomo de urânio 235. Os núcleos desse elemento possuem uma energia de ligaçãomuito alta. Ao absorverem um neutrão os núcleos quebram em vários fragmentos euma certa quantidade da massa é transformada em energia. [roosevelt] - Que antes não existia… [Einstein] - Existia, só que não estava disponível. É preciso juntar uma grandequantidade de urânio para ter uma reacção em cadeia. Como juntar lenha para acenderuma fogueira. [conselheiro] - Diga-me uma coisa, professor Einstein, quantas pessoaspodemos matar com um bomba destas? Einstein olha-o assustado. [Einstein] – Matar!? Não faço ideia. Mas para que quer você matar? [conselheiro] - Ora professor, afinal para que servem as bombas? [roosevelt] - Não sei se sabe mas estamos numa guerra diferente. Uma guerratotal. Ou se mata ou se é morto. E nós queremos ser os que ficam para contar ahistória. [Einstein] – Mas não leu a minha carta? Uma bomba destas pode ser muitopotente. Acho que devia ser usada apenas para dissuasão. Uma bomba destas é capazde destruir uma cidade inteira. Já pensou nos inocentes que podem morrer? [conselheiro] - Uma cidade inteira! Que interessante. [roosevelt] - Senhor Einstein, numa guerra não há inocentes. Deixe-nos ser nósa decidir o que fazer com um engenho destes. [Einstein] - O senhor tem uma grande responsabilidade senhor Presidente. [roosevelt] - Exactamente, livrar o mundo dos nazis antes que eles ponhammão numa bomba destas. [Einstein] – pois… [roosevelt] – Ouça professor, ninguém gosta de guerras mas há guerras quejustificam a paz .
  15. 15. Impaciente, o conselheiro levanta-se e diz a Einstein com uma palmadinha nascostas: [conselheiro] - Se me permitem, em tempo de guerra não se fala de paz. Nãoprecisamos de conversas mas de acção. Vamos transformar essa materia em energia, erápido! Matéria é coisa que não falta por aqui. [Einstein] - Senhor presidente, pode não ser possível e … [roosevelt] - Ande lá, temos os melhores cérebros do mundo e dinheiro comfartura. Impossível é uma palavra que ainda estou para conhecer o significado.Levantei este país da maior crise da sua história. Hei-de livrar o mundo da maiorameaça à liberdade. Depois volta-se para o conselheiro e diz: [roosevelt] - Vamos criar um projecto para desenvolver essa bomba. Frank,ofereça um cheque ao professor e trate de me fazer uma estimativa de custos doprojecto. Quero tudo ultra-secreto. Para já ninguém, além de nós três, pode saber doque se trata. [conselheiro] - É para já senhor presidente. [roosevelt] - Professor, foi um prazer conhece-lo. A América e o mundo umdia ainda lhe hão-de retribuir o serviço prestado com a sua carta. Einstein sai do gabinete preocupado. [Einstein] - Eu não tenho tanta certeza.
  16. 16. VI acto[Vê-se a bomba atómica em Hiroshima com música apocalíptica de fundo.] Sentado a uma secretária, Einstein apresenta-se triste e cansado. Toca umamúsica de violino triste. [Einstein] - Dediquei 50 anos a compreender o universo. Nem 50 milchegariam para compreender o homem. Afinal de que vale conhecer melhor o espaçoo tempo, a energia, a matéria se a nossa tecnologia ultrapassou, finalmente, o nossohumanismo? Tudo quanto penso, Tudo quanto sou É um deserto imenso Onde nem eu estou. Surge uma criança a brincar com um pião. Einstein olha-o com carinho. Acriança senta-se a olhar para o pião que pára junto de Einstein. Este pega nele eentrega-o à criança. [Einstein] – é um belo pião. [criança] – obrigado. [Einstein] - Sabes porque roda? [criança] – por causa da energia. A minha professora explicou-me que tudo éenergia. E que até a massa é energia. Foi um senhor muito importante chamado AlbertEinstein que explicou isso. Gostava tanto de conhecê-lo. [Einstein] – talvez te possa apresentá-lo. O que querias perguntar-lhe? [criança] – queria saber o que são buracos negros, como funciona o átomo,como começou o universo, e como é que acaba. Será que ainda dura muito tempo? [Einstein] – isso são muitas coisas, não achas? [criança] – sim, mas há tanta coisa interessante para aprender. Tanta coisa… [Einstein] – muito bem. Tens tempo? [criança] – tenho sim! [Einstein] – então eu vou explicar-te. Sabes, há muito tempo o homem pensavaque o universo era um disco gigante e que nós estávamos no centro, depois…[No final passa um trail que mostra que as ideias de Albert Einstein querevolucionaram quase todos os campos da Física.
  17. 17. Einstein abriu as portas ao conhecimento sobre o infinitamente pequeno e oinfinitamente grande: lasers, novos estados da matéria, fisica estatística, buracosnegros. Foi um acérrimo pacifista, manifestando-se profundamente indignado com aproliferação das armas atómicas.Ninguém exerceu uma influência tão grande na ciência e despertou maior fascínio eadmiração no público em geral. Einstein é, e será sempre, uma lenda não só pelo seuintelecto mas também pela seu humanismo.][No final pode seguir-se um debate sobre vida e obra dele.]

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