TC tórax: alterações congênitas

795 visualizações

Publicada em

TC tórax: alterações congênitas

Publicada em: Saúde e medicina
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

TC tórax: alterações congênitas

  1. 1. Alterações congênitas Gustavo de Souza Portes Meirelles1 1 – Doutor em Radiologia pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP 1 – Introdução As anomalias do desenvolvimento pulmonar são habitualmente detectadas no período neonatal e na infância. Podem ser divididas em três categorias: broncopulmonares, vasculares e uma combinação de ambas. Serão abordadas neste capítulo as principais alterações congênitas na TC de tórax. 2 – Anomalias broncopulmonares 2.1 – Agenesia Simula pneumectomia, com redução volumétrica do hemitórax, desvio homolateral das estruturas mediastinais e hiperinsuflação do outro pulmão (figura 1). Figura 1. Agenesia do lobo superior direito. TC mostrando ausência do brônquio do lobo superior direito e desvio das estruturas mediastinais para este lado. 2.2 – Atresia brônquica congênita Ocorre mais comumente no lobo superior esquerdo, mas outros lobos podem ser acometidos. Os achados na TC incluem massa hilar, hiperinsuflação do pulmão periférico devido ao aprisionamento do ar que chega por vias colaterais e brônquios dilatados contendo secreções e assumindo aspecto de dedos de luva (figura 2). Curso Pneumo Atual de Tomografia computadorizada do tórax – aula 10 1
  2. 2. Figura 2. Atresia brônquica. TC mostrando formação expansiva paramediastinal na base direita, preenchida por líquido em formato de “dedos de luva”. 2.3 – Enfisema lobar congênito É mais comum no sexo masculino e mais freqüente nos lobos superior esquerdo e médio (figura 3). O aspecto na TC é de hiperinsuflação lobar, com pobreza vascular e desvio contralateral das estruturas mediastinais. Figura 3. Enfisema lobar congênito. TC evidenciando hiperinsuflação do lobo inferior esquerdo com pobreza vascular e discreto desvio contralateral das estruturas mediastinais. Curso Pneumo Atual de Tomografia computadorizada do tórax – aula 10 2
  3. 3. 2.4 – Malformação adenomatóide cística Consiste de uma proliferação adenomatóide de bronquíolos formando cistos em vez de alvéolos. É comumente diagnosticada nos 2 primeiros anos de vida. Quando detectada na vida adulta pode mimetizar neoplasia. Os cistos podem ser únicos ou múltiplos e conter ar e/ou líquido (figura 4). Figura 4. Malformação adenomatóide cística. TC demonstrando múltiplos espaços císticos preenchidos por ar e líquido (setas vermelhas), no segmento posterior do lobo superior direito. 2.5 – Cisto broncogênico Cerca de 90% são mediastinais (figura 5). É usualmente solitário, tem parede fina e conteúdo homogêneo, podendo ser complicado por infecções. Figura 5. Cisto broncogênico mediastinal, caracterizado por volumosa formação cística infracarinal. 2.6 – Brônquio traqueal Ocorre quase exclusivamente à direita, até 2,0 cm cranialmente em relação à carina (figura 6). Curso Pneumo Atual de Tomografia computadorizada do tórax – aula 10 3
  4. 4. Figura 6. TC com reformatação coronal da árvore traqueobrônquica demonstrando brônquio traqueal (seta vermelha) dirigido para o segmento apical do lobo superior direito. 3 – Anomalias vasculares 3.1 – Drenagem venosa pulmonar anômala Resulta num desvio do fluxo sanguíneo esquerdo-direito, com o sangue venoso pulmonar fluindo diretamente para o lado direito do coração ou para veias sistêmicas (figura 7). Pode ser parcial ou total. Figura 7. Drenagem venosa pulmonar anômala. TC em planos axiais seqüenciais evidenciando veia pulmonar superior direita (seta vermelha) drenando para a veia cava superior (seta verde). 3.2 – Malformação arteriovenosa pulmonar Pode ocorrer isoladamente, ser múltipla ou fazer parte de um processo sistêmico como na doença de Rendu-Osler-Weber. Quando solitária, é mais comum no segmento lateral do lobo médio e na língula. Por Curso Pneumo Atual de Tomografia computadorizada do tórax – aula 10 4
  5. 5. vezes simula nódulo ou massa na radiografia simples e a tomografia computadorizada esclarece sua natureza vascular (figura 8). Figura 8. Malformação arteriovenosa. TC após injeção venosa do meio de contraste evidenciando formação nodular serpiginosa no lobo inferior esquerdo. 4 – Anomalias broncopulmonares e vasculares combinaads 4.1 – Síndrome da cimitarra ou síndrome venolobar congênita O pulmão é pequeno e associado com uma artéria pulmonar pequena ou ausente, com suprimento arterial sistêmico. O retorno venoso anômalo geralmente ocorre para a veia cava inferior, mais comumente abaixo da cúpula frênica direita. Na maior parte das vezes a drenagem venosa anômala forma a familiar opacidade curvilínea tubular (cimitarra) dirigida para a veia cava inferior (figura 9). O pulmão afetado é pequeno e hipertransparente, seu arranjo vascular não tem o aspecto habitual e o outro pulmão é hiperinsuflado compensatoriamente, com desvio mediastinal para o lado afetado. Figura 9. Síndrome da cimitarra. A radiografia simples e a TC evidenciam discreta redução volumétrica do pulmão direito e veia calibrosa anômala (seta vermelha) drenando para a veia cava inferior. Curso Pneumo Atual de Tomografia computadorizada do tórax – aula 10 5
  6. 6. 4.2 – Seqüestro broncopulmonar Representa uma anomalia da ramificação traqueobrônquica com retenção do suprimento arterial sistêmico embrionário. Esta é a teoria mais aceita, embora alguns autores postulem a origem adquirida. No seqüestro intralobar (figura 10), o suprimento sistêmico costuma vir de um ramo da aorta, de vasos do abdome superior e mesmo de artérias coronárias, sem colaboração da artéria pulmonar. A drenagem é feita por veias pulmonares. Os sítios mais comuns são os lobos inferiores (60% à esquerda; 40% à direita). O pulmão adjacente apresenta hiperinsuflação localizada (mais provavelmente representando aprisionamento aéreo). Figura 10. Seqüestro pulmonar intralobar. TC após injeção venosa de meio de contraste evidenciando consolidação no lobo inferior esquerdo (seta vermelha) suprida por duas artérias sistêmicas (seta verde) originadas da aorta descendente. 4.3 – Seqüestro extralobar É muito menos freqüente (1:6), mais comum no sexo masculino (80%) e tem seu próprio revestimento pleural, sendo mais comum à esquerda junto ao diafragma. O suprimento arterial é a partir de pequenas artérias originadas da aorta, mas pode haver suprimento pela artéria pulmonar; a drenagem venosa se faz para veias sistêmicas (ázigos e hemiázigos). Seus brônquios podem se conectar com o trato digestivo. Curso Pneumo Atual de Tomografia computadorizada do tórax – aula 10 6
  7. 7. 5 – Leitura recomendada Zylak CJ, Eyler WR, Spizarny, DL, Stone CH. Developmental lung anomalies in the adult: Radiologic-pathologic correlation. Radigraphics 2002;22:S25-S43. Cunningam ML, Mann N. Pulmonary agenesis: a predictor of ipsilateral malformations. Am J Med Genet 1997;70:391-398. Mori M, Kidogawa H, Moritaka T et al. Bronchial atresia: report of a case and review of the literature. Surg Today 1993:23;449-454. Murray GF. Congenital lobar emphysema. Surg Gynecol Obstet 1967;124:611-625. Plit ML, Blott JA, Lakis N, Murray J, Plit M. Clinical, radiographic and lung function features of diffuse congenital cystic adenomatoid malformation of the lung in adult. Eur Respir J 1997;10:1680-1682. McGuinness G, Naidich DP, Garay SM et al. Accessory cardiac bronchus: CT features and clinical significance. Radiology 1993;189:563-566. Ellis K. Developmental abnormalities in the systemic blood supply to the lungs. AJR Am J Roentgnol 1991;156:669-679. Hatten HP Jr, Lormann g, Rosenbaun HD. Pulmonary sling in the adult. AJR Am J Roentgnol 128:919-921. Stocker JT. Sequestrations of the lung. Semin Diagn Pathol 1986;3:106-121. Curso Pneumo Atual de Tomografia computadorizada do tórax – aula 10 7

×