Aula 1 - tomografia de tórax de alta resolução

8.608 visualizações

Publicada em

Aula 1 - tomografia de tórax de alta resolução

Publicada em: Saúde
0 comentários
4 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
8.608
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
4
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
81
Comentários
0
Gostaram
4
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Aula 1 - tomografia de tórax de alta resolução

  1. 1. Tomografia computadorizada de alta resolução do tórax: aspectos técnicos e anatomia Gustavo de Souza Portes Meirelles1 1 – Doutor em Radiologia pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP 1 – Aspectos técnicos A tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) é uma técnica de exame que permite obter maiores detalhes anatômicos no estudo do pulmão. Ela está indicada principalmente na avaliação de doenças intersticiais. O que caracteriza um estudo de TCAR é a utilização de cortes tomográficos finos, com técnica de alta resolução espacial. A espessura de corte em exames de TCAR varia de 1 a 2 mm, sendo 1 mm a espessura ideal para aquisição de imagens com maior resolução espacial. O algoritmo utilizado para reconstrução das imagens deve ser de alta resolução e o tempo de corte ideal é de 1 segundo ou inferior a isto. A matriz de aquisição da imagem deve ser de 512 x 512. Devem também ser ajustados os parâmetros de janela do exame, os quais têm impacto significativo para demonstração da anatomia normal e de eventuais doenças. Estes parâmetros, a grosso modo, funcionam como o brilho e o contraste da imagem. Usualmente o centro da imagem é definido em -800 unidades Hounsfield (UH) e a abertura da janela, em 1200 UH. A documentação do exame também influencia na qualidade da imagem. Usualmente varia de 6 a 12 imagens por filme tomográfico para boa visualização da anatomia parenquimatosa. O exame é habitualmente realizado com o paciente em decúbito dorsal, em inspiração máxima (figura 1). Em casos especiais devem ser realizadas imagens em decúbito ventral, quando ocorrem atelectasias passivas na porção posterior dos pulmões, devido à estase proporcionada pelo decúbito (figura 2). Podem também ser realizadas imagens em expiração máxima nas suspeitas clinicas de aprisionamento aéreo expiratório (figura 3). Curso Pneumo Atual de Tomografia Computadorizada de Alta Resolução de Tórax – aula 01 1
  2. 2. Figura 1. Imagem axial de TCAR normal em inspiração máxima e decúbito dorsal. Figura 2. Opacidades na região posterior dos lobos inferiores na TCAR em decúbito dorsal. A mudança para o decúbito ventral demonstrou que as mesmas eram por estase pelo decúbito. Curso Pneumo Atual de Tomografia Computadorizada de Alta Resolução de Tórax – aula 01 2
  3. 3. Figura 3. TCAR em expiração máxima demonstrando padrão em mosaico do parênquima pulmonar. As áreas escuras correspondem a focos de aprisionamento aéreo. 2 – Anatomia O suporte do pulmão é dado pelo interstício, que consiste numa rede de fibras de tecido conjuntivo. O interstício normal não é visualizado na TCAR, mas alterações intersticiais são demonstráveis e o conhecimento da distribuição normal do interstício é fundamental para o reconhecimento das principais doenças. Para fins práticos podemos dividir o interstício em 3 componentes: 1. peribroncovascular ou axial (ao longo das artérias e veias pulmonares); 2. subpleural ou periférico (perto das fissuras e ao longo da pleura visceral); 3. intralobular (no lóbulo pulmonar secundário). Um dos conceitos essenciais na TCAR é o de lóbulo pulmonar secundário (figura 4), que consiste na menor unidade estrutural pulmonar margeada por septos conectivos. Contém, no seu centro, um ramo bronquiolar e um ramo arterial. Envolvendo estas estruturas está o interstício intralobular. Os limites do lóbulo pulmonar secundário são dados pelos septos interlobulares, onde estão as veias e os linfáticos pulmonares. Cada lóbulo pulmonar secundário tem de 3 a 12 ácinos (figura 4), que consistem na porção de parênquima pulmonar distal a um bronquíolo terminal suprida por um bronquíolo respiratório de primeira ordem. Curso Pneumo Atual de Tomografia Computadorizada de Alta Resolução de Tórax – aula 01 3
  4. 4. Figura 4. Esquema demonstrando um lóbulo pulmonar secundário, com a arteríola e o bronquíolo na região central, veias e linfáticos ao longo dos septos interlobulares e interstício intralobular envolvendo as estruturas centrais. O conhecimento da anatomia brônquica e da sua distribuição na TCAR também é importante. Os brônquios se distribuem do centro para a periferia, têm paredes finas, bifurcando-se e afilando-se progressivamente (figura 5). Usualmente não são visualizados nas proximidades da pleura visceral. Figura 5. Bifurcação de brônquios segmentares na TCAR. Curso Pneumo Atual de Tomografia Computadorizada de Alta Resolução de Tórax – aula 01 4
  5. 5. As artérias pulmonares bifurcam-se progressivamente. Seu tamanho vai reduzindo à medida que se aproximam da periferia. Usualmente acompanham os brônquios (figura 6). A relação artéria / brônquio é usualmente igual a um, visto que ambos têm calibres semelhantes. Figura 6. Demonstração da bifurcação arterial em ângulo agudo e da relação entre a artéria e o brônquio, usualmente igual a um. As veias pulmonares, ao contrário das artérias, não acompanham os brônquios e recebem tributárias em ângulo agudo, direcionando-se para o átrio esquerdo (figura 7). Figura 7. Veia pulmonar na TCAR, direcionando-se para o átrio esquerdo e recebendo tributárias em ângulo agudo. Curso Pneumo Atual de Tomografia Computadorizada de Alta Resolução de Tórax – aula 01 5
  6. 6. Por fim, a TCAR demonstra também a anatomia pleural. A pleura é vista apenas como uma linha tênue, de cerca de 1 mm, que consiste na junção da fáscia endotorácica, pleura parietal, espaço pleural e pleura visceral, com a gordura extrapleural externamente (figura 8). Figura 8. Anatomia pleural na TCAR. A linha visualizada (seta contínua) corresponde à junção da pleura parietal, pleura visceral, espaço pleural e fáscia endotorácica, com a gordura extrapleural externamente (seta tracejada). 3 – Leitura recomendada Webb WR, Muller NL, Naidich DP. High-resolution CT of the lung. 3rd edition, 2001, pp. 1-69. Curso Pneumo Atual de Tomografia Computadorizada de Alta Resolução de Tórax – aula 01 6

×