Organização do Ambiente de Trabalho vs Acidentes do Trabalho:
resultado de pesquisa de campo
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Introduction:
The work environment, erroneously said the labour environment exerts a great influence not only in the degre...
3) Grau de adesão das empresas às condições contratuais no tocante à manutenção dos locais de obras
sempre organizados e s...
IV) Quantidade de trabalhadores abordados:
Foram abordados cerca de 4.900 trabalhadores, correspondendo a 92% do efetivo t...
Etapa 1: Definição do Problema
Define-se o problema ou oportunidade da pesquisa, levando em conta a finalidade do estudo, ...
Perguntas
Respostas
Sim Não
1a. A empresa na qual trabalha é organizada
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2a. Como você percebe a Organização da...
VIII) Análise dos resultados obtidos nas entrevistas:
A primeira pergunta objetiva avaliar não só o grau de percepção do t...
Outra questão interessante é a que trata da segurança do próprio trabalhador. Mais uma vez
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Trata-se neste artigo dos resultados de pesquisa elaborada com o objetivo de identificar as associações existentes entre as ocorrências de acidentes do trabalho e as condições de organização, arrumação e limpeza dos ambientes de trabalho.

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Organização do ambiente de trabalho versus acidentes do trabalho

  1. 1. Organização do Ambiente de Trabalho vs Acidentes do Trabalho: resultado de pesquisa de campo Engº Antonio Fernando Navarro 1 Introdução: O Ambiente do Trabalho, erroneamente dito meio ambiente do trabalho, exerce uma influência bem grande não só no grau de desempenho dos trabalhadores assim como nos distintos graus de segurança com que esses são acercados ou passam a se adequar. Antes de tudo temos que conseguir perceber distintos "blocos de raciocínio" nesse contexto. No primeiro bloco há os trabalhadores. No segundo bloco o ambiente em sí onde as atividades laborais são desenvolvidas. No terceiro bloco as condições planejadas e aquelas observadas para a execução dos trabalhos e, por fim, no quarto bloco, para não nos alongarmos, as condições de como esses distintos trabalhos são executados. Ao dividirmos o tema sob a forma de blocos estaremos nomonando as palavras-chave da questão, pois que através desses blocos consegue se perceber a importância das ações tomadas. Dizer-se que a organização do ambiente de trabalho guarda associação com a incidência de acidentes do trabalho não é uma falácia, mas sim uma constatação. De modo ilustrativo, o desempenho dos atores depende das condições do palco e não o contrário. Na apresentação da questão optou-se por divulgar uma pesquisa desenvolvida durante o período de out/2001 a set/2008, na avaliação de diversas empresas, as mais representativas no tocante ao efetivo de trabalhadores e ao grau de risco dos serviços em andamento. Nessa utilizamos o conhecimento de profissionais de segurança do trabalho pertencentes ao quadro da equipe de fiscalização dos serviços, todos com experiência na identificação dos desvios procedimentais, primeiro dos degraus que conduzem a um acidente, conhecedores das boas práticas adotadas na abordagem dos trabalhadores. De forma a não causarmos nenhum tipo de constrangimento ou uma aparente intimidação os empregados das empresas contratadas eram abordados de per si, quando muito em duplas, e durante a realização das atividades de auditorias voltadas para a análise do comportamento humano, uma das ferramentas utilizadas para a verificação dos níveis de segurança nos distintos ambientes de obras. Por fim, informa-se que este não é um trabalho acadêmico e sim a apresentação dos resultados de uma pesquisa, realizada por equipe de profissionais de segurança, meio ambiente e saúde, atuando em um mesmo empreendimento e avaliando distintas frentes de serviços com vistas a torná-las mais seguras e sem a ocorrência de acidentes do trabalho. Palavras-chave: Ambientes de Trabalho, segurança do trabalho, conscientização dos trabalhadores, auditorias voltadas para a análise do comportamento humano. 1 Com a colaboração de profissionais citados, que ajudaram na obtenção das informações.
  2. 2. Introduction: The work environment, erroneously said the labour environment exerts a great influence not only in the degree of employee performance as well as in the different degrees of security with which these are about or pass the fit. First of all we have to be able to realize distinct "blocks of reasoning" in this context. In the first block there are the workers. In the second block the environment itself where labour activities are developed. In the third block planned conditions and those observed for the execution of the work and, finally, in the room block, so we don't get stretched out, the conditions of how these different works are executed. To put the question in the form of blocks will be assigning the keywords of the point, is that through these can further understand the importance of actions taken. To say that the Organization of the workplace Association guard with the incidence of industrial accidents is not a fallacy, but rather a finding. So illustrative, the actors performance depends on the conditions of the stage and not the other way around. In order to present the question we decided to publicize a survey developed during the period Oct/2001 to Sep/2008, in the evaluation of several companies, the most representative as regards effective workers and the degree of risk of ongoing services. In this we use the knowledge of occupational safety professionals belonging to the framework of supervisory services team, all with experience in identification of procedural deviations, first of the steps that lead to an accident, connoisseurs of good practices adopted in workers ' approach. So as not to cause any embarrassment or an apparent intimidation employees of contractors were approached in itself, when much in doubles, and while conducting audit activities geared to the analysis of human behavior, one of the tools used for the verification of security levels in the different work environments. Finally, please note that this is not a scholarly work and the presentation of the results of a survey, conducted by a team of security professionals, environment and health, acting in a same project and evaluating the different fronts of services with a view to make them safer and without the occurrence of industrial accidents. Keywords for this paper: work environments, work safety, employee awareness, audits focused on the analysis of human behavior I) Objetos da Pesquisa: A pesquisa foi desenvolvida com base em um planejamento prévio, que possibilitasse a identificação dos porquês, em obras assemelhadas com trabalhadores sendo orientados também de modo assemelhado, houvesse distintos comportamentos de segurança, de desempenho profissional, de qualidade, de harmonia entre os trabalhadores. Por princípio, as empresas apresentavam características operacionais semelhantes, assim como de experiências profissionais em seus acervos técnicos. A contratação das mesmas seguiu os critérios estabelecidos na licitação de empresas. Assim, partiu-se de um grupo de questões como a seguir, as quais poderiam se mais bem apuradas em decorrência dos resultados obtidos. As questões estabelecidas pelo grupo no início das atividades de pesquisa foram: 1) Grau de percepção dos trabalhadores acerca da necessidade de se manter o ambiente de trabalho organizado e seguro; 2) Relação ou correlação entre os acidentes do trabalho ocorridos e as características das empresas onde esses trabalhadores atuavam;
  3. 3. 3) Grau de adesão das empresas às condições contratuais no tocante à manutenção dos locais de obras sempre organizados e seguros e o desenvolvimento de campanhas promocionais para se atender a esse objetivo; 4) Cenários realistas sobre a preocupação ou não dos trabalhadores quanto as questões de Organização e Limpeza dos ambientes de trabalho; 5) Relação entre os encarregados e os trabalhadores poderia ser elo forte o suficiente para a manutenção da harmonia e satisfação dos trabalhadores; 6) Trabalhadores eram submetidos a algum tipo de constrangimento ou pressão para a realização de suas tarefas; 7) Gerência da empresa estabelecia cronogramas rígidos para a realização das tarefas; 8) Identificar se existiam programas de incentivo e ou estabelecimento de prêmios para as equipes de trabalhadores; 9) Características das distintas equipes de trabalho; 10) Associações entre a rotatividade do quadro de empregados e a ocorrência de acidentes do trabalho. Destaca-se que não se procurou orientar perguntas e respostas para a obtenção de resultados específicos. A Equipe de pesquisadores estava decidida a esperar quaisquer resultados, bons ou ruins, de modo que pudesse revisar, reavaliar e introduzir as alterações necessárias na metodologia de trabalho. Também deve ser esclarecido que a análise não guardava nenhuma relação com os procedimentos existentes no empreendimento, e sim tratava-se de identificação de oportunidades de melhoria do sistema de avaliações. II) Participantes da Pesquisa: Coordenador: Navarro, Antonio Fernando – Engº de Segurança do Trabalho, Mestre em Saúde e Meio Ambiente, coordenador da equipe de Qualidade, Segurança, Meio Ambiente e Saúde. Assistentes: Rodrigues, Clóvis Marcelo Simão – Técnico de Segurança do Trabalho com 30 anos de atividades em áreas industriais Gomes, Nelson – Técnico de Segurança do Trabalho com 32 anos de experiência em atividades de fiscalização em empreendimentos industriais Franquim, Luiz Antonio – Técnico de Segurança do Trabalho que havia atuado por 33 anos em indústria petroquímica, e Pereira, Valmir Lima – Técnico de Segurança do Trabalho com 27 anos de experiência na fiscalização de obras. III) Empresas envolvidas (pesquisadas): Foram avaliados os trabalhos de 48 empresas (74% do total das empresas contratadas), com permanência nos canteiros de obras de nove meses a 24 meses, de um total de 65 empresas atuando sob a fiscalização dos assistentes da pesquisa, Técnicos de Segurança do Trabalho com mais de 25 anos de experiência profissional em atividades industriais de construção e montagem para atividades de Óleo & Gás. Assim, abrangia-se a maioria das empresas no empreendimento, com contratos de duração distinta e atividades inerentes à construção e montagem de empreendimentos industriais.
  4. 4. IV) Quantidade de trabalhadores abordados: Foram abordados cerca de 4.900 trabalhadores, correspondendo a 92% do efetivo total de todas as empresas contratadas. Como já relatado, as abordagens eram discretas, não interrompiam a realização das atividades dos trabalhadores, eram pessoais, admitindo-se no máximo a presença dos trabalhadores, foram previamente "negociadas" com os encarregados dos serviços, porém esses não participavam das pesquisas, e, por fim, foi assegurado o anonimato dos trabalhadores. O resultado final, todavia, foi apresentado aos gerentes e encarregados das equipes, de modo sintético, como aqui apresentado. Observou-se que os trabalhadores minimamente se encontravam realizando atividades no empreendimento há pelo menos seis meses. Do percentual de 92%, cerca de 40% desses trabalhadores já se encontravam realizando atividades no empreendimento, somente mudando de empresas contratadas. 35% do grupo continuava realizando as mesmas atividades. V) Característica das abordagens: As abordagens foram individuais, com os profissionais envolvidos esclarecendo aos trabalhadores o objetivo da pesquisa, e assegurando o anonimato, apresentando as perguntas de forma clara. Havendo dúvidas do trabalhador – entrevistado – o especialista explicava o propósito da questão e realizava a pergunta, sem contudo, direcionar as respostas ou o pensamento do trabalhador. Se o pesquisador percebesse que o entrevistado estava buscando responder incorretamente, ou se tinha conhecimento de problemas envolvendo o trabalhador, como por exemplo: em demissão ou recém admitido na função, a pesquisa era cancelada. VI) Elemento validador da pesquisa: Segundo Naresh K. Malhotra, em seu livro PESQUISA DE MARKETING: UMA ORIENTAÇÃO APLICADA 2 , as entrevistas do tipo quantitativaspodem ser validadas desde que os pesquisadores após desenvolverem os temas a serem pesquisados apresente o domínio do conhecimento específico e não apresentam nenhum vínculo ou interesse direto com o objeto pesquisado. Malhotra oferece um plano de trabalho, como a seguir (aplicada à área em apreço): As Seis Etapas do Processo de Pesquisa de Marketing 1. Definição do Problema 2. Desenvolvimento de uma abordagem 3. Formulação da concepção da pesquisa 4. Trabalho de campo ou Coleta de dados 5. Preparação e Análise dos dados 6. Preparação e Apresentação dos relatórios 2 Malhotra, Naresh K. Pesquisa de marketing: foco na decisão / Naresh K. Malhotra ; tradução Opportunity Translations; revisão técnica Maria Cecilia Laudisio e Guilherme de Farias Shiraishi – 3ª. ed. - São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.
  5. 5. Etapa 1: Definição do Problema Define-se o problema ou oportunidade da pesquisa, levando em conta a finalidade do estudo, informações relevantes sobre o histórico do problema, informações necessárias e como elas serão usadas para tomar decisões. Etapa 2: Desenvolvimento da abordagem. Determinação e estruturação das informações necessárias para investigação. Etapa 3: Formulação da concepção da pesquisa. Identificar as fontes relevantes de informação e os métodos de coleta de dados de sofisticação e complexidade variadas em função de sua utilidade. Uma concepção de pesquisa envolve os seguintes passos: 1. Definição da informação necessária 2. Análise dos dados secundários 3. Pesquisa Qualitativa 4. Métodos de coleta de dados quantitativos 5. Procedimentos de mensuração e escalas 6. Elaboração do questionário 7. Processo de amostragem e tamanho da amostra 8. Plano de análise de dados Etapa 4: Trabalho de campo ou coleta de dados. Os dados são coletados pelo método mais adequado; Exige uma equipe que opere no campo, como no caso de entrevistas pessoais, por telefone, pelo correio ou eletronicamente. A seleção, o treinamento e a supervisão e avaliação adequadas da equipe de campo ajudam a minimizar os erros da coleta de dados. Etapa 5: Preparação e análise dos dados. São analisados e interpretados para proporcionar as devidas inferências. Inclui a editoração, codificação, transcrição e verificação dos dados. Os dados são analisados para se obter informações relacionadas aos componentes do problema. Etapa 6: Preparação e apresentação do relatório. Finalmente, as constatações, implicações e recomendações são fornecidas de forma a permitir a utilização das informações para a tomada de decisão. O projeto inteiro deve ser documentado em um relatório escrito que cubra as perguntas específicas identificadas, que descreva a abordagem, a concepção de pesquisa, a coleta de dados e os procedimentos de análise de dados adotados e apresente os resultados e as principais constatações. VII) Resultados obtidos nas entrevistas: Após se estabelecer o propósito da pesquisa elaborou-se questionário com questões fechadas para reduzir o tempo de preenchimento dos mesmos, e melhor aplicar as análises. Os resultados a que se chegou encontram-se listados, com o percentual de respostas oferecidas por cada depoente.
  6. 6. Perguntas Respostas Sim Não 1a. A empresa na qual trabalha é organizada 3 ? 55% 45% 2a. Como você percebe a Organização da empresa? 4 nota nota 3a. A empresa permite que ao final da jornada de trabalho haja tempo para a organização do ambiente e a guarda das ferramentas e equipamentos? 65% 35% 4a. É perceptível a preocupação da empresa na manutenção das áreas de trabalho organizadas? 70% 30% 5a. Há regras específicas ou campanhas sobre a organização do trabalho? 40% 60% 6a. Houve informações sobre as regras de Organização e Limpeza da empresa? 35% 65% 7a. A empresa prioriza o atingimento às metas de produção? 75% 25% 8a. A empresa prioriza o "Trabalho Seguro"? 50% 50% 9a. Na sua opinião a empresa perde muito tempo organizando as frentes de serviços? 25% 75% 10a. O local onde você trabalha é organizado? 60% 40% 11a. Você se sente bem no seu ambiente de trabalho? 70% 30% 12a. Você se sente seguro no seu ambiente de trabalho 5 ? 50% 50% 13a. Sua segurança depende exclusivamente das adequadas condições do ambiente e do trabalho? 70% 30% 14a. Sua segurança pode depender de ações provocadas não intencionalmente por seus colegas de trabalho? 40% 60% 15a. Você se preocupa com sua segurança quando se encontra no seu ambiente de trabalho? 80% 20% 16a. Você acha importante que exista preocupação por parte da empresa quanto à arrumação, ordem e limpeza do ambiente de trabalho? 90% 10% 17a. Em sua opinião a desorganização do ambiente do trabalho pode contribuir para a ocorrência de acidentes do trabalho? 95% 5% 18a. Você percebe que sua preocupação com a limpeza e organização do ambiente é uma responsabilidade somente sua? 80% 20% 19a. Você percebe que a preocupação com a limpeza e organização do ambiente é uma responsabilidade somente de sua empresa? 30% 70% 20a. Você percebe que a preocupação com a limpeza e organização dos ambientes deva ser uma responsabilidade de todos? 90% 10% 21a. Existe obrigação de você manter seu local de trabalho organizado? 30% 70% 22a. Você já sofreu algum tipo de acidente devido a desorganização do ambiente de trabalho? 15% 85% 23a. Você tem conhecimento de colegas seus que se acidentaram devido às condições do ambiente de trabalho ser inadequadas? 35% 65% 24a. Você percebeu alguma mudança nas condições de arrumação, ordem e limpeza do ambiente de trabalho após a ocorrência dos acidentes? 15% 85% 25a. O Encarregado demonstra preocupação para com a organização do trabalho? 30% 70% 26a. Você acha que o tempo dispendido na organização das frentes de serviços poderia ser melhor aplicado na execução das tarefas diárias do projeto? 40% 60% 27a. O Técnico de Segurança do Trabalho incentiva a arrumação, ordem e limpeza do ambiente de trabalho? 75% 25% 28a. Há campanhas para incentivo aos trabalhadores? 80% 20% 29a. As campanhas de incentivo abrangem questões de arrumação, ordem e limpeza do ambiente de trabalho? 30% 70% 3 Aqui se busca avaliar o grau de percepção do trabalhador no tocante às ações da empresa onde trabalha, voltadas para a prevenção dos acidentes. 4 Como a questão não possibilita a simplificação entre sim e não, e em sendo uma pergunta qualitativa será apresentada a principal resposta dada pelos trabalhadores, desprezando-se perguntas que representem menos do que 5% daquelas já representadas. 5 Os trabalhadores não se sentiram confortáveis em dar a resposta, mesmo sendo assegurado aos mesmos o anonimato. Também muitos entenderam que a segurança de um dos trabalhadores depende sempre do grau de preocupação dos demais colegas de trabalho atuando no mesmo ambiente.
  7. 7. VIII) Análise dos resultados obtidos nas entrevistas: A primeira pergunta objetiva avaliar não só o grau de percepção do trabalhador, assim como a sua relação para com a empresa. Nesse caso, causou surpresa o fato de 45% dos depoentes declararem que a empresa não seja organizada. A equipe de fiscalização de SMS mensalmente avaliava o cumprimento contratual e não havia ressalvas nos relatórios. Diante desse percentual pôde se perceber que quase 50% do percentual de 45% de respostas negativas realmente eram procedentes porque as empresas, tendo o conhecimento prévio da realização das auditorias mensais providenciava a organização, arrumação e limpeza dos ambientes do trabalho. Quanto à diferença, essa também foi verificada como certa, pois que o processo de organização e limpeza, por consumir um tempo maior e requerer a permanência de funcionários no local era realizada ao final do expediente. Assim, existia uma organização, mas essa não fazia parte da cultura das empresas. Quando o depoente foi questionado à respeito de como ele percebe os processos de organização e limpeza na empresa onde trabalha foi identificado pelos pesquisadores que a avaliação chega a ser subjetiva. No geral, a existência de faixas de propaganda e de orientações gerais já demonstrava organização e limpeza. O resposta vai de encontro ao resultado obtido na primeira pergunta, onde foi informado que 55% dos depoentes afirmavam ser a empresa organizada. Para muitos dos trabalhadores organização não necessariamente significa que as "coisas" estejam cada qual em seus lugares. A limpeza pode ser avaliada pelos mesmos como paredes pintadas e piso varrido. Arrumação pode também ser entendida como a distribuição das edificações ou dos locais de trabalho nos canteiros de obras. Quando instruídos sobre as diferenças apontaram para outra questão, a de que os ambientes de trabalho realmente precisariam ser mais bem arrumados e organizados, isso dito por 75% dos depoentes. Na terceira pergunta foi relatado por 65% dos depoentes que a empresa permitia que os empregados, antes de findo o expediente, pudessem organizar o ambiente de trabalho. As respostas se conflitam com a questão 10, quando então é perguntado se o ambiente de trabalho era organizado e 60% dos depoentes disseram sim. Na questão 18, 80% dos depoentes disse que a responsabilidade para com a limpeza e organização nos locais de trabalho era dos próprios trabalhadores. Outro ponto conflitante é quando se associa a obrigatoriedade da manutenção do local organizado, como a questão 21. Nessa, 30% dos trabalhadores disse que existia uma obrigação desses de manter o local de trabalho organizado. Na análise global das respostas pode se entender que uma pequena parte do grupo de depoentes (30%) entende que tem a obrigação de manter o local de trabalho organizado. A empresa possibilita que ao final do expediente de trabalho os empregados realizem a limpeza. 40% dos depoentes (pergunta 5) disseram que há regras específicas e ou campanhas sobre a organização e limpeza. Na pergunta 18 os depoentes chamaram a sí a responsabilidade pela organização e limpeza, enquanto que apenas 30% (questão 19) disse que essa organização e limpeza era responsabilidade somente da empresa. Para os entrevistadores passou a ser lógico que os trabalhadores tinham a consciência de suas responsabilidades. Porém, não queriam agregar mais um trabalho ao que já faziam independentemente de essa atividade ser importante para a segurança dos mesmos e ser realizada durante o expediente de trabalho. Sob determinadas circunstâncias os soldadores e os lixadores relatavam, fora dos questionamentos, que a empresa deveria ter pessoal exclusivo só para cuidar dessa questão.
  8. 8. Outra questão interessante é a que trata da segurança do próprio trabalhador. Mais uma vez observam-se inconsistências nas respostas devido a interpretações equivocadas dadas para criar ambientes favoráveis a mudanças, pois que todos sabiam que os entrevistadores faziam parte da equipe de fiscalização. Assim aproveitavam para fazer solicitações, mesmo que indiretas. Na questão 8 fala-se sobre o "trabalho seguro": 50% dos depoentes relatou que essa questão era uma prioridade da empresa. Na pergunta 12, o mesmo percentual de pessoas declarou que se sente seguro no ambiente do trabalho. Na pergunta 15, 80% dos trabalhadores disse se preocupar com sua própria segurança quando se encontra em seu local de trabalho. De certa maneira o percentual mais elevado não chega a prejudicar a resposta à questão 12. Na pergunta 22, 15% dos trabalhadores relatou que já sofreu algum tipo de acidente devido às condições do ambiente de trabalho não ser adequada, enquanto que na pergunta 23 há o relato de 35% dos trabalhadores dizendo ter conhecimento de acidentes envolvendo seus colegas de trabalho. IX) Resultados das análises: Concluindo a análise com relação à segurança do trabalho nos leva a conduzir que há uma efetiva preocupação do trabalhador, que esse entende que corre riscos devido a ações de terceiros, mesmo não intencionalmente (questão 14), que 70% dos depoentes declaram que a segurança dos mesmos depende exclusivamente das adequadas condições do ambiente de trabalho (questão 13) e, mais preocupante, quando 80% dos trabalhadores se sentem inseguros quando se encontram no ambiente do trabalho (questão 15). Pelas respostas obtidas, aplicando-se a Lei dos grandes Números, 90% dos trabalhadores entrevistados (pergunta 16) entende ser importante que a empresa tenha preocupação com o ambiente do trabalho. 95% dos trabalhadores (pergunta 17) são de opinião que a desorganização do ambiente do trabalho pode contribuir para a ocorrência de acidentes do trabalho. No contraponto, na pergunta 24, 15% dos depoentes perceberam mudanças promovidas pela empresa após as ocorrências de acidentes do trabalho. A conclusão da pesquisa chega a conduzir ao raciocínio mais lógico, que um ambiente desorganizado contribui efetivamente para a ocorrência de acidentes do trabalho. O que foi surpresa foi a de que muitos dos trabalhadores, com maior especialização profissional não costumam aderir a programas onde os próprios trabalhadores sejam os responsáveis pela organização e limpeza de seus ambientes, procurando atribuir a responsabilidade dessas à própria empresa. Também foi surpresa saber pelos depoentes que em apenas 15% dos casos de ocorrência de acidentes as empresas realizaram as alterações necessárias, como também que as empresas procuram aparentar para a fiscalização uma imagem que não retrata o que ocorre no dia-a-dia. Assim, há a confirmação de uma correlação entre ambiente desorganizado e ocorrência de acidentes.

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