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ANTONIO CARLOS DOS SANTOS RA 410202541 8°B UNIDADE VERGUEIRO




   EDUCAÇÃO EM SAÚDE E O PAPEL DO ENFERMEIRO VISANDO

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EDUCAÇÃO EM SAÚDE E O PAPEL DO ENFERMEIRO VISANDO
                                 ASSISTÊNCIA INTEGRAL
            Health...
ABSTRACT
In primary health care, chronic diseases pose public health problems. Given this finding and
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  1. 1. ANTONIO CARLOS DOS SANTOS RA 410202541 8°B UNIDADE VERGUEIRO EDUCAÇÃO EM SAÚDE E O PAPEL DO ENFERMEIRO VISANDO ASSISTÊNCIA INTEGRAL Área de Concentração: Saúde Pública Orientador: Professor Alessandro Lira da Silva Projeto de Pesquisa apresentado à Universidade Nove de Julho referente ao Trabalho de Conclusão de Curso II para obtenção do título de Enfermeiro. . São Paulo 2011
  2. 2. EDUCAÇÃO EM SAÚDE E O PAPEL DO ENFERMEIRO VISANDO ASSISTÊNCIA INTEGRAL Health education and the role of nurses played by integral assistance ANTONIO CARLOS DOS SANTOS Graduando do Curso de Enfermagem da Universidade Nove de Julho - antonio.lo@globomail.com ALEXANDRE LIRA DA SILVA Especialista em Urgência e Emergência Professor do Departamento de Ciências da Saúde Da Universidade Nove de Julho alelira@uninove.br RESUMO Na atenção primária em saúde, as doenças crônicas representam problemas de saúde pública. Diante desta constatação e reconhecendo a importância da educação para a saúde no cotidiano profissional do enfermeiro, objetivou-se nessa oportunidade apresentar as estratégias adotadas para a adesão do paciente ao tratamento, visando a prevenção de complicações e maior qualidade de vida. Para tanto, foi considerado pertinente o desenvolvimento de uma pesquisa bibliográfica do tipo exploratória-descritiva. Os estudos evidenciam que as atividades realizadas em grupos educativos representam as principais estratégias adotadas na sensibilização dos pacientes em relação ao autocuidado e prevenção de complicações, utilizando como referencial Paulo Freire, Teoria de Orem e a Metodologia do Arco, por possibilitarem ações de interação, incentivando uma participação ativa, troca de experiências a partir de relatos da vivência com a doença, o que favorece a compreensão ampliada da problemática que se traduz em mudanças de comportamentos, com atitudes mais positivas. Palavras-chave: Atenção Básica; Doenças Crônicas; Enfermagem; Educação em Saúde.
  3. 3. ABSTRACT In primary health care, chronic diseases pose public health problems. Given this finding and recognizing the importance of health education in the daily professional nursing at that time aimed to present the strategies adopted for patient adherence to treatment aimed at preventing complications and improved quality of life. Therefore, it was considered appropriate to develop a literature of exploratory-descriptive. Studies show that activities in educational groups represent the main strategies used in patient awareness regarding the care and prevention of complications, using as a reference to Paulo Freire, Orem Theory and Methodology of Arc, by allowing actions to interact, encouraging a active participation, exchange of experiences from accounts of living with the disease, which favors a broadened understanding of the problem which translates into behavioral changes, with more positive attitudes. Key words: Primary Care; Chronic Diseases; Nursing; Health Education.
  4. 4. INTRODUÇÃO No contexto dos serviços da atenção primária, a promoção e o controle da saúde e prevenção de doenças são considerados fundamentais na atualidade, uma vez que as pesquisas desenvolvidas nas duas últimas décadas evidenciaram que os processos patológicos crônicos não transmissíveis apresentaram um aumento significativo, representando assim um grave problema de saúde pública, por serem causas principais de complicações incapacitantes e aumento da mortalidade entre os indivíduos acometidos. 1 Atribui-se como causas da ocorrência deste fenômeno o aumento da expectativa de vida da população associado ao processo acelerado e crescente de urbanização e industrialização, que resultaram em significativas modificações no estilo de vida, principalmente nos grandes centros urbanos que envolvem hábitos culturais, tais como os alimentares inadequados (dietas hipercalóricas e ricas em hidratos de carbono de absorção rápida), consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo, sedentarismo, formas de trabalho e de desgaste físico, além do estresse psicológico condicionado à lida cotidiana e, especificamente, entre as mulheres, uso de contraceptivos hormonais e menopausa.2 Dentre as doenças crônicas prevalentes, encontram-se Diabetes mellitus e Hipertensão Arterial Sistêmica, sobressaindo-se às demais pelo fato de atingirem todas as faixas etárias e resultarem, quando não devidamente controladas, em disfunção e falência de vários órgãos, especialmente rins, olhos, nervos, coração e vasos sanguíneos, que se traduzem em complicações graves como cegueira adquirida, doenças coronarianas, amputações de membros inferiores, entre outras.3-6 Por conta desta gravidade, o tratamento de doenças crônicas tem como principal objetivo o controle do agravo. Neste sentido, as diretrizes propõem o uso adequado da medicação, quando prescrita, e, principalmente, modificações no estilo de vida, através de uma dieta com o consumo calórico balanceado, associada à prática atividade física, redução do peso corporal
  5. 5. e cessação do fumo e consumo de bebidas alcoólicas quando presentes, permitindo assim alcançar e/ou manter um estado de saúde. As recomendações objetivam ainda aliviar os sintomas da doença, melhorar a qualidade de vida, prevenir complicações agudas e crônicas, reduzir a mortalidade e tratar as doenças associadas. 7-10 O seguimento dos pacientes a tais recomendações é de grande relevância, uma vez que os resultados obtidos em estudos clínicos e epidemiológicos comprovam crescente prevalência e elevados índices de morbidade e mortalidade relacionados às doenças crônicas, como também acréscimo nos custos envolvidos no controle e no tratamento de suas complicações, que impõem alterações de comportamento ao seu portador em relação à dieta alimentar, ingestão de medicamentos e estilo de vida, representando assim um desafio aos profissionais da área de saúde atuantes na atenção primária.8,11-12 Diante de tal constatação, objetiva-se nessa oportunidade revisar os estudos desenvolvidos na área de Enfermagem que abordam a educação em saúde para os indivíduos portadores de doenças crônicas, como meio de desenvolver ações voltadas à melhoria do autocuidado dos indivíduos na prevenção de complicações. A escolha por esta temática deu-se pelo desejo de conhecer melhor a atuação da Enfermagem nas ações preventivas, enfatizando as ações educativas na atenção primária, em relação à prevenção de doenças crônicas na comunidade, por acreditar que esta se constitui em uma excelente ferramenta para melhorar indicadores que mostram o desconhecimento da comunidade sobre os meios de evitar complicações. OBJETIVO GERAL Revisar estudos que abordam a atuação do enfermeiro como educador na atenção básica de saúde. OBJETIVO ESPECIFICO Elucidar as estratégias adotadas pelos enfermeiros no âmbito da educação em saúde, que os
  6. 6. tornam multiplicadores de conhecimentos, métodos e técnicas de aprendizado para a comunidade com relação à prevenção de agravos e manutenção do estado de saúde. METODOLOGIA A fim de alcançar o objetivo proposto foi considerado pertinente o desenvolvimento de uma pesquisa bibliográfica, através de uma busca informatizada de artigos científicos indexados nas principais bases de dados bibliográficos da área de saúde: LILACS (Literatura Latino- Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online) e SciELO (Scientific Eletronic Library Online), utilizando-se os seguintes descritores: enfermeiro, enfermagem, educação, saúde, educador, atenção, básica. Nesta busca adotou-se um recorte temporal delimitando o período das publicações entre os anos de 2006 e 2011, em razão de fornecer informações atualizadas. Os critérios de inclusão dos artigos utilizados foram: publicações redigidas em português e inglês; presença dos termos escolhidos no título ou presença dos descritores anteriormente citados; artigos indexados na íntegra, disponíveis somente nas bases de dados selecionadas. DESENVOLVIMENTO Compreendendo a Educação em Saúde na Atenção Primária Na sua trajetória histórica, o objeto do trabalho de Enfermagem sempre foi o “cuidado”, porém, no atual momento, é dispensado ao ser enfermo e não à doença. Agora, o olhar volta- se para o paciente de forma holística, reconhecendo-o como um ser capaz de pensar, agir e sentir; alguém que tem anseios, temores, incertezas, que precisa de um pouco mais de atenção e carinho. Por conta de todas as transformações ocorridas, descreve-se a Enfermagem hoje como a arte e a ciência do cuidar. E para que isso seja viável é necessário um processo de interação entre quem cuida e quem é cuidado, favorecendo uma troca de informações e de sentimentos entre essas pessoas.13
  7. 7. Este cuidado, a princípio realizado somente no contexto hospitalar, expandiu-se para os serviços extra-hospitalares, destacando-se entre estes a atenção básica de saúde cuja proposta é fornecer assistência integral (promoção e proteção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde) e contínua aos indivíduos que, apesar de estar na atenção primária, encontra-se ligada a uma rede de serviços de forma a garantir a resolução de problemas de saúde da família, apontada como o objeto principal de atenção, sendo considerado também os seus ambientes físico e social, ultrapassando o cuidado individualizado focado na doença.14-15 Tem-se então uma mudança na atenção da assistência ao processo saúde-doença, colocando em primeiro lugar as ações de proteção e promoção à saúde dos indivíduos e da família, tanto dos adultos quanto das crianças, sadios ou doentes, de forma integral e contínua, abandonando de vez a oferta de serviços de saúde voltados para a doença. Na atenção básica de saúde, os profissionais e a população assistida criam vínculos de co- responsabilidade, o que facilita a identificação e o atendimento aos problemas de saúde da comunidade, o que se traduz num novo conceito de relacionamento humano no âmbito da saúde pública.16 Isso significa voltar à atenção ao ser humano, e para as suas características físicas e mentais, assim como para a alteração das mesmas. 17 Para tanto, é necessário resgatar uma assistência e um cuidado que não considera somente as questões biopsíquicas, mas que reconheça valores de vida, condições sociais e busque formas de enfrentar os problemas, indo além dos sinais e sintomas, mas também a sua maneira de caminhar na vida. Por conta desta mudança de foco, há um consenso sobre ser a educação em saúde, enquanto área de atuação da Enfermagem, de grande relevância, devendo ser considerada como indispensável na prática profissional. Acredita-se constituir papel do enfermeiro abordar as questões educacionais em saúde envolvendo as suas diversas áreas de trabalho. Desse modo, espera-se que o enfermeiro funcione como “educador” para os outros membros da equipe, assim como para os pacientes. 18-19
  8. 8. Na trajetória acadêmica ficou nítido que o enfermeiro na sua prática profissional está sempre envolvido com situações referentes ao processo de ensino, seja assistindo pacientes e promovendo educação em saúde, ou ainda, exercendo atividades administrativas junto à equipe de Enfermagem e participando de programas de educação continuada e, também, atuando diretamente no ensino contribuindo para a formação de futuros profissionais. Dentre estas situações, sobressai-se a educação em saúde por ser um conjunto de saberes e práticas, orientados para prevenção de doença e promoção de saúde. Trata-se de uma estratégia por meio da qual o conhecimento cientificamente produzido no campo da saúde, intermediado pelos profissionais, atinge diretamente a vida cotidiana das pessoas, em razão da compreensão dos condicionantes do processo saúde-doença contribuindo assim para a adoção de novos hábitos saudáveis.20 Assim, deve-se entender a educação em saúde como ação baseada no diálogo e na troca de saberes. Se traduz em um intercâmbio entre o saber científico, a prática de profissionais e a realidade dos indivíduos, em que cada um deles tem muito a ensinar e a aprender. A ação educativa em saúde constitui um processo que leva os indivíduos ou grupos assumirem ou ajudarem na melhoria das condições de saúde. Os profissionais e a população devem compreender que a saúde da comunidade depende de ações oferecidas pelo serviço de saúde, como também de esforço da própria população através de conhecimento, compreensão, reflexão e adição de práticas de saúde. Por esta razão, muitos profissionais vêm implantando experiências de atenção à saúde, onde passam a conviver com seus movimentos e sua dinâmica interna, introduzindo o pioneirismo de educação popular, que tem proporcionado aos profissionais inovações de forma extremamente criativa na relação educativa com a população e seus movimentos organizados.21 Essa relação mais profunda do profissional de saúde com a população possibilita, inclusive, condições para redefinição crítica da prática técnica em vários serviços de saúde, apontando para um modelo mais integrado aos interesses populares. Assim, vai se configurando no
  9. 9. Brasil, uma postura de relação entre os profissionais de saúde e a população, voltada para a geração de novos conhecimentos e novas maneiras de organização social. As ações educativas devem buscar a participação e reflexão conjunta dos profissionais de saúde com a população sobre os diferentes aspectos relacionados às doenças e as ações de controle das mesmas na tentativa de sensibiliza-la para adoção de atitudes e comportamentos compatíveis ou condizentes com uma vida mais saudável.22 Dentre os profissionais de saúde comprometidos com essa nova postura, encontra-se o enfermeiro, sendo que a sua atuação eficaz na prevenção primária de saúde tem sido comprovada, revelando a sua importância nos programas de prevenção junto à população, não só como técnico, mas também como educador e orientador. 23-25 Experiências dos Enfermeiros na Prevenção de Doenças Crônica na Atenção Primária Foi possível constatar que diversas publicações têm reportado a relevância de programas educativos para promover maior adesão ao tratamento de doenças crônicas, em virtude das evidências demonstrarem que um melhor controle se traduz, a longo prazo, na redução do risco de complicações.3-4,7,9,12,26-33 Essas doenças, de evolução lenta e progressiva, que acometem milhares de pessoas em todo mundo, demanda aos profissionais da área de saúde o oferecimento de um acompanhamento e seguimento contínuo aos seus portadores, bem como orientações adequadas sobre a doença, tratamento e prevenção das complicações agudas e crônicas. Para tanto, é necessário um envolvimento harmonioso e contínuo entre pacientes, família e profissionais de saúde, na busca de se atingir o equilíbrio biológico, psíquico e social do indivíduo. 34.41 Os estudos selecionados3,4,7,9,12,25,28,32,35-41 apresentam Programas de Educação por reconhecerem esta estratégia como parte essencial no controle de doenças crônicas, que, por sua vez, exigem um processo contínuo de alteração de hábitos de vida que demanda tempo, espaço, planejamento, material didático e profissionais capacitados. As evidências
  10. 10. comprovaram que somente seguir a medicação prescrita não é o suficiente para a melhoria da qualidade de vida desses indivíduos. Os relatos de experiências analisados revelam que entre as estratégias educacionais, os grupos de convivência, participativos, operativos e interativos são os mais desenvolvidos, por haver um consenso que a educação em saúde deve estar voltada para a construção de conhecimentos que favoreçam o autocuidado e a autonomia das pessoas, na perspectiva de que possam ter um viver mais saudável, enfrentando os desafios impostos pela doença. 25 Portanto, constata-se que a educação em saúde abordada nos estudos consultados representa um alicerce para a construção do autocuidado consciente, prevenção do surgimento de complicações e, principalmente, para a melhoria da qualidade de vida dos portadores de doenças crônicas. Significa, portanto, a aquisição de conhecimento, não como mero recebimento de informações, mas em concretas mudanças de comportamentos para a adesão ao tratamento proposto.25,36 Nesta perspectiva, as ações educativas, junto ao paciente, família e comunidade, têm um caráter de controle da doença, focando o cuidado pessoal diário adequado e adoção de um estilo de vida saudável. Para tanto, o paciente necessita ser estimulado pelo enfermeiro, no papel de educador, a manter uma vida independente, adaptando-se da melhor maneira possível às modificações exigidas para o controle da doença. Desse modo, as ações educativas terão muito a contribuir para uma melhor qualidade de vida. Os autores consultados demonstram que a educação em saúde pode ser desenvolvida de várias maneiras, como através de educação individual e em grupo, utilizando dinâmicas interativas e lúdicas, dramatizações, role playing (treinamento de papéis), troca de experiências, além de material didático contendo ilustrações e conteúdos interessantes que despertam a atenção do paciente, ou ainda, objetos como manequim do corpo humano. 28,35-36,39 As informações fornecidas pelas estratégias de educação individual e em grupo beneficiam o sujeito com uma mudança de comportamento e a conscientização de que suas ações são
  11. 11. imprescindíveis no sucesso do tratamento proposto. O enfermeiro, como profissional fundamental da equipe, assume a educação em saúde como atividade inerente a sua atuação, cujas intervenções tem como foco principal o indivíduo com doença crônica incluindo cuidados específicos e as ações educativas, focando temas como fisiopatologia, prevenção das complicações agudas e crônicas, importância da dieta saudável e da prática de atividades físicas, entre outros cuidados.28,35 O atendimento individual, realizado através da consulta de Enfermagem, permite ao enfermeiro conhecer melhor o paciente em seus hábitos de vida, suas práticas de autocuidado, sendo considerado a melhor maneira de estabelecer o processo educativo, além de favorecer um vínculo entre o profissional e o paciente, considerados como importantes facilitadores deste processo. Nesse momento, propõem-se a transmissão de orientações específicas de acordo com as necessidades de cada indivíduo, fortalecendo a prática educativa. Nas atividades em grupos, a partir de dinâmicas lúdicas e interativas, os participantes são motivados a trocarem experiências em relação à vivência com a doença e, ao mesmo tempo, adquirirem informações dos profissionais acerca da doença e do tratamento, a fim de se conscientizarem sobre a importância do autocuidado no controle do processo patológico. Portanto, nas duas estratégias, os participantes têm a oportunidade de relatarem suas experiências, receberem informações adequadas além de apoio, num clima de descontração e lazer.28 Também são relatadas estratégias nas quais os participantes são os próprios autores do material didático, com o auxílio do enfermeiro e demais profissionais da equipe multiprofissional, como no caso da elaboração de cartilhas que ensinam a conviver com o Diabetes, contendo ilustrações e textos obtidos das reuniões em grupos, abordando temas como fisiopatologia, atividade física e alimentação, atendendo assim necessidades específicas dos pacientes. As experiências evidenciam que esta estratégia de confecção de material escrito a partir das vivências dos portadores de Diabetes se apresenta como uma contribuição valiosa
  12. 12. para se desenvolver habilidades e favorecer a autonomia do indivíduo. Do ponto de vista profissional, contribui com a prática assistencial e educacional, oferecendo assim uma assistência integral, por reconhecer que a participação do indivíduo possibilita a aquisição de conhecimentos e a troca de experiências.35 Programas voltadas para a avaliação do conhecimento dos portadores de Diabetes antes e depois da sua implementação também se mostram valiosos, devido o fato de proporem atividades educativas em sala de aula, através de palestras e dramatizações, bem como caminhadas no parque, festas comemorativas e relatos de experiências, contando com recursos didáticos como cartazes, figuras, transparências, retroprojetor, projetor de slides, folhetos e materiais para demonstração (seringas, agulhas, monitor de glicemia, lancetas, algodão, álcool, balança, entre outros). Os resultados obtidos com tais programas revelam um aumento significativo no conhecimento dos participantes, traduzido na prática em mudanças de comportamento relacionadas ao tratamento, como maior adesão no controle de glicemia, dieta adequada, prática de atividade física, maior atenção aos cuidados com os pés, monitorização dos sinais e sintomas de complicações e um apoio maior dos familiares. 38 Já nos grupos de convivência, outra estratégia educativa em que são adotadas as Teoria de Orem e a Educação Libertadora de Paulo Freire, os participantes têm oportunidades enriquecedores tanto para a troca de experiências como repensarem as atitudes em relação à doença. A partir da proposta de Trentini e Dias denominada “4 Erres”(4R), cada reunião passa a adotar quatro fases na formação de um grupo de convivência, que seriam: fase do reconhecimento, fase da revelação, fase do repartir e do repensar. Na fase do reconhecimento, as pessoas se apresentam individualmente e iniciam o processo de identidade enquanto grupo, contemplando não somente o reconhecer o grupo, mas também a si mesmas enquanto integrantes do grupo. O revelar inicia-se à medida que se estabelece uma relação de confiança. As pessoas revelam o que pensam, sentem e suas expectativas em relação ao grupo. Ao revelarem situações pessoais, já passam para a fase do repartir, em que surgem as
  13. 13. dificuldades, os problemas e a busca de soluções. Nessa fase, os portadores repartem as alterações que percebem nos pés, os cuidados que realizam, os significados, os sentimentos e a esperança do viver melhor. No repensar, tem-se o pensar novamente após ter sido experienciado o processo. Com a troca de experiências os participantes repensam sobre o que faziam, avaliando e construindo um novo pensar em grupo. Os resultados obtidos com os grupos de convivência revelaram as potencialidades das pessoas com doenças crônicas e o poder que estas detêm sobre suas ações na transformação consciente de sua situação saúde- doença e de seu ambiente. A educação em saúde participativa apresentou-se como fundamental estratégia para reflexão e discussão das situações de saúde, levando à tomada de consciência, o que conduziu a um melhor enfrentamento das situações vivenciadas. 25 As atividades realizadas em grupos educativos representam as principais estratégias adotadas pelos enfermeiros na sensibilização dos pacientes portadores de doenças crônicas em relação ao autocuidado e prevenção de complicações, modificando somente a teoria adotada e os recursos didáticos adotados como, por exemplo o referencial teórico de Paulo Freire, Orem, e metodológicos de Manguerez (Metodologia do Arco adaptada por Bordenave). No geral, são propostas ações de interação entre os membros do grupo, a fim de motivar uma participação ativa, possibilitando a troca de experiências a partir de relatos da vivência com a doença, o que favorece a compreensão ampliada da problemática que se traduz em mudanças de comportamentos, com atitudes mais positivas.25,37 CONSIDERAÇÕES FINAIS As evidências demonstram que a doença crônica não controlada representa uma perda importante na qualidade de vida e, portanto, um problema de saúde pública, responsável por índices elevados de morbimortalidade na população, como também pelos custos envolvidos no seu controle e no tratamento de suas complicações causadoras de graves incapacidades. Por essa razão, o trabalho não pode ser realizado de forma rotineira e/ou protocolar, haja vista a demanda de um cuidado integral, numa perspectiva preventiva e não mais curativa.
  14. 14. Neste contexto, o enfermeiro atuante na atenção primária que assiste o portador de doença crônica, tem a incumbência de manter, promover e recuperar a sua saúde. Para tanto, necessita desenvolver estratégias a fim de facilitar o processo educativo sobre seu agravo e tratamento, facilitando assim sua adesão à terapêutica proposta e, ao mesmo tempo, auxiliando no enfrentamento de situações impostas para o controle do distúrbio apresentado. Ações educativas direcionadas aos pacientes portadores de doenças crônicas são de grande relevância, uma vez que tais agravos exigem continuamente comportamentos especiais e autocuidado. Os estudos evidenciam que os enfermeiros encontram-se cientes desta importância. Estes profissionais, por meio dos grupos operativos, vêm desenvolvendo programas com resultados positivos no que diz respeito à maior adesão dos pacientes ao tratamento e adoção de um estilo de vida mais saudável. As estratégias propostas pelos enfermeiros visam criar ambientes de troca mútua de experiências entre os indivíduos que vivenciam problemas comuns, obtendo resultados positivos para a melhoria da qualidade de vida e saúde. REFERÊNCIAS 1 Peixoto MRG et al. Monitoramento por entrevistas telefônicas de fatores de risco para doenças crônicas: experiência de Goiânia, Goiás, Brasil. Cad. Saúde Pública, 2008 Jun;24(6):1323-1333. 2 Campos MO, Rodrigues Neto JF. Doenças crônicas não transmissíveis: fatores de risco e repercussão na qualidade de vida. Rev. Baiana Saúde Pública 2009;33(4):561-581. 3 Silva TR et al. Controle de diabetes Mellitus e hipertensão arterial com grupos de intervenção educacional e terapêutica em seguimento ambulatorial de uma Unidade Básica de Saúde. Saúde Sociedade 2006;15(3):180-189. 4 Toledo MM, Rodrigues SC, Chiesa AM. Educação em saúde no enfrentamento da hipertensão arterial: uma nova ótica para um velho problema. Texto Contexto-Enferm. 2007;16(2):233-238. 5 Thaines GHLS et al. A busca por cuidado empreendida por usuário com diabetes mellitus: um convite à reflexão sobre a integralidade em saúde. Texto Contexto Enfermagem 2009 Mar;18(1):57-66.
  15. 15. 6 Pace AE, Ochoa_vigo K, Caliri MHL, Fernandes APM. O conhecimento sobre diabetes mellitus no processo de autocuidado. Rev. Latino-Am. Enfermagem 2006;14(5):728-734. 7 Oliveira NF et al. Fatores terapêuticos em grupo de diabéticos. Rev. Escola Enfermagem USP 2009 Set;43(3):558-565. 8 Chaves ES et al.Eficácia de programas de educação para adultos portadores de hipertensão arterial. Rev. Brasileira Enfermagem 2006;59(4):543-547. 9 Smeltzer SC, Bare BG. Histórico e tratamento de pacientes com distúrbios endócrinos. In: Smeltzer SC, Bare BG. Brunner & Suddarth: tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 10 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2008. p. 1274-1319. 10 Oliveira JEP. Diabetes mellitus tipo 2 e insulina-resistência. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006. 11 Xavier ATF, Bittar DB, Ataíde MBC. Crenças no autocuidado em diabetes: implicações para a prática. Texto Contexto-Enfermagem 2009;18(1):124-130. 12 Miranzi SSC et al. Qualidade de vida de indivíduos com diabetes mellitus e hipertensão acompanhados por uma equipe de saúde da família. Texto Contexto-Enfermagem 2008 Dez;17(4):672-679. 13 Balduino AFA, Mantovani MF, Lacerda MR. O processo de cuidar de enfermagem ao portador de doença crônica cardíaca. Escola Anna Nery Rev. Enfermagem 2009 Jjun;13(2): 342-351. 14 Albuquerque ABB, Bosi MLM. Visita domiciliar no âmbito da Estratégia Saúde da Família: percepções de usuários no Município de Fortaleza, Ceará, Brasil Cad. Saúde Pública 2009;25(5):1103-1112. 15 Ferraz LNS, Santos AS. O programa de saúde da família e o enfermeiro: atribuições previstas e a realidade vivencial. Saúde Coletiva 2007;4(15):89-93. 16 Monteiro MM, Figueiredo VP, Machado MFAS. Formação do vínculo na implantação do Programa Saúde da Família numa Unidade Básica de Saúde. Rev. Escola Enfermagem USP 2009;43(2):358-364. 17 Pereira APCM. A enfermeira e a educação em saúde: estudo de uma realidade local. Rev. Baiana Saúde Pública 2006 Jun;30(1):7-18. 18 Rosa RB et al. A educação em saúde no currículo de um curso de enfermagem: o aprender para educar. Rev. Gaúcha Enfermagem 2006 Jun;27(2):185-192. 19 Melo JM et al. Conhecendo a captação de informações de mães sobre os cuidados com o bebê na estratégia saúde da família. Texto-Contexto Enfermagem 2007 Jun;16(2):280-286. 20 Pereira AL. Educação em saúde. In: Figueiredo NMA. Ensinando a cuidar em Saúde
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  17. 17. 35 Torres HC, Candido NA, Alexandre LR, Pereira FL. O processo de elaboração de cartilhas para orientação do autocuidado no programa educativo em Diabetes. Rev. Brasileira Enfermagem 2009;62(2):312-316. 36 Rodrigues FFL, Zanetti ML, Santos MA, Martins TA, Sousa VD, Teixeira CRS. Knowledge and attitude: important components in diabetes education. Rev. Latino-Am. Enfermagem 2009 Ago;17(4):468-473. 37 Rêgo MAB. Educação para saúde como estratégia de intervenção de enfermagem junto às pessoas portadoras de diabetes. Rev. Eletrônica Enfermagem 2008;10(1):263-265. 38 Otero LM, Zanetti ML, Ogrizio MD. Conhecimento do paciente diabético acerca de sua doença, antes e depois da implementação de um programa de educação em diabetes. Rev. Latino-Am. Enfermagem 2008;16(2):231-237. 39 Pereira FRL, Torres HC, Cândido NA, Alexandre LR. Promovendo o autocuidado em diabetes na educação individual e em grupo. Ciência Cuidado Saúde 2009;8(4):594-599. 40 Moriyama M, Nakano M, Kuroe Y, Nin K, Niitani M, Nakaya T. Efficacy of a self- management education program for people with type 2 diabetes: results of a 12 month trial. Jpn Journal Nursing 2009;6(1):51-63. 41 Gerard SO, Griffin MQ, Fitzpatrick J. Advancing quality diabetes education through evidence and innovation. Journal Nursing Care Quality 2010;25(2):160-167.

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