Como conheci sua mãe
 
 
Season Finale ­ 1989 
 
Agora falta pouco para o horário previsto para a chegada do avião.Todos e...
diretoria do Centro Comunitário do Cecap, onde eu morava e uma das coisas que                           
a gente tinha que...
tive consciência de que fazia um trabalho importante, embora muito mal                     
reconhecido e mal remunerado. ...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Como conheci sua mãe season finale

130 visualizações

Publicada em

Season Finale

Publicada em: Diversão e humor
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
130
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
69
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
0
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Como conheci sua mãe season finale

  1. 1. Como conheci sua mãe     Season Finale ­ 1989    Agora falta pouco para o horário previsto para a chegada do avião.Todos estão muito                            cansados, para falar a verdade. Mas ainda há tempo para matar a curiosidade sobre o                              casamento.    ­ Como era a vida de estudante de vocês em Campinas? Tinha muitas baladas?  ­ Na verdade, nós continuamos bem caretas a esse respeito. Quase não                      encontrávamos os nossos amigos da faculdade fora da universidade. Eu ficava na                        Unicamp o dia todo, e ainda tinha o trabalho que eu assumi para ganhar bolsa,                              além de me dedicar ao curso.   ­ Que trabalho?  ­ A bolsa que eu recebia era chamada bolsa trabalho e eu ganhava tipo duzentos                            reais por mês, mais os vales para o bandejão e para o ônibus. Em troca disso, eu                                  tinha que trabalhar doze horas por semana em algum lugar na Unicamp. O lugar                            que eu encontrei foi a biblioteca do Centro de Memória. Até que era legal, lá, eles                                me tratavam bem, mas eu tinha que fazer as 12 horas.  ­ E a mãe?  ­ Sua mãe trabalhava na Unicamp, 40 horas por semana. Ou sja, o dia inteiro, todo                              dia, de segunda a sexta. E à noite, ela ia para a PUC, mal tinha tempo para fazer                                    as leituras necessárias ao curso.  ­ E quando vocês se encontravam?  ­ Bem, na Unicamp mesmo, durante o almoço. Muitas vezes eu ia com ela para a                              cidade e ela me pagava um lanche antes de ir para a aula. Algumas vezes eu ia                                  para a PUC com ela, mas isso era raro.  ­ E nos finais de semana?  ­ Quase sempre a gente ia para Piracicaba. Ela sempre foi muito ligada na família,                            especialmente na mãe dela. Ela procurava sempre agradá­la em tudo que podia                        Aliás, até hoje, né? Quem foi com ela para os EUA?   ­ E vocês ficavam lá, na casa da vó?  ­ Sim. Na maior parte do tempo. A gente ficava na casa da minha mãe também.   ­ Então, nada de baladas nos fins de semana…  ­ É. mas acho que isso é porque nós nunca gostamos muito desse tipo de diversão.                              Se a gente gostasse até tinha oportunidade.  ­ Nenhum dos dois gostava de balada?  ­ Na época a gente chamava de brincadeira ou som. Assim> “vai ter som no centro                              comunitário sábado?” O som significava balada. Aliás, acho que minha aversão                      por baladas vem do tempo em que, antes de conhecer sua mãe, eu era da                             
  2. 2. diretoria do Centro Comunitário do Cecap, onde eu morava e uma das coisas que                            a gente tinha que fazer era esses bailes barulhentos.  ­ Como assim, tinham de fazer?  ­ A gente tinha de realizar esses eventos um pouco para arrecadar dinheiro, um                          pouco porque havia uma população carente de outras opções de diversão e que                          pressionava por esse tipo de coisa.  ­ E por que você fazia parte disso?  ­ Por que a gente acreditava que dirigir o centro comunitário do bairro era um                            caminho para a organização do povo. Isso foi no tempo da dupla militância,                          lembram?  ­ Voltando a Campinas…  ­ Que que tem Campinas.  ­ Bom, a gente ouve dizer que o pessoal da filosofia é bem danado em promover                              umas festas loucas.  ­ Bem, isso é difamação. Na filosofia tem tanta gente maluca quanto em qualquer                          outro curso. A diferença é que pela rópria natureza da filosofia, neste momento, é                            um ambiente mais tolerante. Daí vem a fama. De qualquer modo, eu nunca                          participei de uma festa na Unicamp.  ­ Então vocês não perdiam o contato com Piracicaba…  ­ Pois é, mas também não durou muito tempo. Porque lá pelo fim do ano nós                              decidimos nos casar.  ­ Quando foi isso?  ­ Foi em 1989. Em 1989 o Brasil voltaria, depois de 29 anos, a escolher por meio de                                  voto direto o seu presidente da república. Já na campanha pela eleição do Lula a                              gente não estava tão ativo em Piracicaba, embora participando em Campinas à                        nossa maneira. Foi bem no começo de 1989, em fevereiro. Dia 18, um sábado,                            para ser preciso.  ­ Antes de você se formar no curso de filosofia?  ­ Bem antes. Aliás, a mãe de vocês também. Lembram­se que ela estudava na                          PUC? Pois é, ela continuou lá. Firme e forte e eu posso me orgulhar de tê­la                                ajudado em alguns trabalhos da faculdade. Ela se formou em História em 1991. Só                            pegou uma DP e ainda porque fez questão.  ­ Para ser professora?  ­ Esse era o plano, mas a Unicamp a fez mudar de planos. Eu acho que ela fez                                  bem, pois conseguiu uma bela carreira no serviço público. Sem puxar o saco de                            ninguém e sem se meter em nenhum esquema ilegal, ela chegou ao ponto mais                            alto que uma pessoa da formação dela poderia almejar. E em termos financeiros,                          ela sempre ganhou mais do que eu. Por outro lado, essa carreira exigiu dela                            também muitos sacrifícios. Talvez tivesse sido mais fácil se acomodar em algum                        cantinho e não se envolver com os problemas da administração nem procurar                        novos caminhos, mas a esta altura, isso não seria frustrante?  ­ Mas você foi ser professor!  ­ Sim, eu não tinha muita escolha, pois o caminho da filosofia é este mesmo,                            continuar sempre estudando, e, enquanto isso, dando aulas. Eu comecei a dar                        aulas também em 1989, ainda no segundo ano de Filosofia. Era uma época com                            uma falta crônica de professores (ainda é, mas hoje há menos alunos). Sempre                         
  3. 3. tive consciência de que fazia um trabalho importante, embora muito mal                      reconhecido e mal remunerado.  ­ Mas voltemos ao casamento. Por que vocês decidiram se casar mesmo?  ­ Eu seria cínico se dissesse que o nosso duplo problema de moradia, eu na                            Unicamp e ela com uma colega numa quitinete minúscula, não teve nenhuma                        influência em nossa decisão. Mas a gente estava apaixonado e achava mesmo                        que ia ser pra sempre. A princípio, não pensamos em casamento, complicaria                        muito as coisas e a gente não tinha grana, decidimos apenas ir morar juntos.  ­ Uau! Que radical!  ­ Tão radical que nem nós tivemos coragem de perpetrar o crime. Pensamos mais                          nas nossas mães e, com algum sacrifício, fizemos uma cerimônia (com dois                        padres, eu ainda tinha cartaz na igreja!) e até uma festinha.  ­ Um dia eu vi as fotos…  ­ Foi divertido até. Nós mesmos tivemos que botar a mão na massa e preparar os                              salgadinhos e, na hora da festa, os garçons foram os parentes.  ­ Bom, se vocês se casaram em 1989, isso já vai fazer trinta anos. Pela nossa                              idade, nós demoramos um pouco para nascer, né? Vocês devem ter curtido                        bastante sozinhos.  ­ É claro que si, na medida de possível! Lembrem­se que a gente ainda estava                            estudando, e não tinha casa nem carro. Era complicar demais aumentar tão cedo                          a família e os gastos. Vocês vieram quando a gente estava pronto para recebê­los.    ­ Por falar em receber, acho que está na hora de encontrá­la. Acabaram de anunciar                            que o vôo está aterrissando. Vamos lá?              FIM  

×