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Agora é que são elas - Revista DOC

SMA - Serviços Médicos de Anestesia
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SMA - Serviços Médicos de AnestesiaSMA - Serviços Médicos de Anestesia

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher (celebrado em 8 de março) e ao ano em que o Brasil tem pela primeira vez na sua história uma presidente mulher – Dilma Roussef, a Revista DOC conversou com presidentes de cinco grandes sociedades brasileiras – Cardiologia; Ginecologia e Obstetrícia; Neurologia; Anestesiologia; e Geriatria e Gerontologia, além de duas médicas referências em suas áreas de atuação.

Agora é que são elas - Revista DOC

1 de 12
CAPA




DOC | 40 |
Agora é que
SÃO ELAS           por Gabriela Lopes | Fotos de André Feltes, André Lima, Drika Barbosa,
                              Elaine Balata, Leo Chaves, Pedro Vilela e Divulgação




E
         m um universo ainda                homens representavam 66,43% dos          pela primeira vez na sua história uma
         considerado “masculino”,           profissionais paulistas. Vinte anos       presidente mulher – Dilma Roussef,
         é cada vez maior a presença        depois, em 2000, a presença mascu-       a Revista DOC conversou com pre-
feminina entre as diversas                  lina já havia diminuído, mas ainda       sidentes de cinco grandes sociedades
especialidades médicas. É o que             era predominante, com 55,39%             brasileiras – Cardiologia; Ginecolo-
comprova uma recente pesquisa               dos novos inscritos no Cremesp.          gia e Obstetrícia; Neurologia; Anes-
desenvolvida pelo Conselho Federal          Portanto, o cenário mudou na pri-        tesiologia; e Geriatria e Gerontolo-
de Medicina (CFM). No período de            meira década do século XXI.              gia, além de duas médicas referências
2000 a 2009, a dimensão de médicas             Atualmente, as mulheres desta-        em suas áreas de atuação.
entre os profissionais credenciados no       cam-se em áreas como Cardiolo-              Nesta reportagem especial, Vera
Brasil subiu mais de quatro pontos          gia, Dermatologia, Endocrinologia,       Lúcia Fonseca, Márcia Barbosa, Elza
percentuais – de 35,5% para 39,9%,          Ginecologia e Pediatria, onde são,       Dias da Silva, Nádia Duarte, Ma-
o que aponta para uma tendência à           proporcionalmente, cerca de quatro       rianela de Hekman, Rosa Célia Pi-
“feminilização” da profissão.                vezes mais numerosas do que os ho-       mentel e Meri Baran contam como
   De acordo com o Conselho Re-             mens. Além disso, nota-se a partici-     trilharam o caminho de sucesso na
gional de Medicina do Estado de             pação efetiva das médicas em cargos      profissão – das primeiras experiências
São Paulo (Cremesp), a quantidade           de liderança, o que representa um de-    na universidade e adaptações na vida
de profissionais inscritas já consoli-       safio diário para estas profissionais.     pessoal e familiar até as barreiras que
da uma mudança expressiva: entre               Em homenagem ao Dia Interna-          superaram rumo a uma carreira bem-
os 3.029 formandos de 2009, 54%             cional da Mulher (celebrado em 8 de      sucedida. Afinal, qual é o toque femi-
são mulheres. Nos anos de 1980, os          março) e ao ano em que o Brasil tem      nino que elas trazem à Medicina?




                                                                                                                      | 41 | DOC
“Até os meus 40 anos me
 dediquei integralmente
 à Medicina. É preciso
 muito estudo e trabalho”.
 Márcia de Melo Barbosa




                                                                                             Elas por elas
 Vigor e altruísmo na                                                                        “A médica deve valorizar a
                                                                                             vida pessoal e familiar, além



 Cardiologia
                                                                                             de estudar e alinhar-se às en-
                                                                                             tidades médicas, que lutam
                                                                                             por melhores salários”.
                                                                                                            Marilene Melo



 H
            á quatro anos, a cardiologista      plantão. Aos 56 anos, ela também par-        “A mulher tem perfil relacio-
            Márcia de Melo Barbosa,             ticipa do projeto Cidadão Sabará, des-
            vice-presidente da Sociedade        tinado a crianças carentes, e é uma das      nado ao imaginário maternal
 Brasileira de Cardiologia (SBC), deu           fundadoras da Associação Sabarense de        e compreende o paciente
 uma reviravolta em sua vida profissional.       Proteção aos Animais.
                                                                                             pelo fato de ser sensível e
 A médica diminuiu o ritmo intenso de              Antes de assumir a vice-presidência de
 trabalho no Hospital Socor, em Belo            uma das maiores sociedades médicas do        delicada. Mas, acima dessas
 Horizonte (MG), onde é chefe do serviço        país, Márcia foi presidente da seccional     qualidades, deve ser compe-
 de Ecocardiografia desde 1983, para se          de Minas Gerais e diretora de departa-
 dedicar mais aos projetos da sociedade         mentos da SBC. Segundo ela, o fato de
                                                                                             tente no que faz”.
 e às pesquisas na área acadêmica. Hoje,        ter acumulado diversas funções em mais                       Nádia Duarte
 ela é também colaboradora do curso de          de 20 anos de carreira lhe proporcionou a
 pós-graduação da Universidade Federal          experiência para o atual cargo de lideran-
 de Minas Gerais (UFMG).                        ça. “Esta oportunidade é a mola que pode
                                                                                             “As mulheres têm mais capa-
    Márcia confessa que no início da carreira   impulsionar cada vez mais o desenvolvi-      cidade de administrar múl-
 sacrificou algumas etapas de sua vida           mento da minha carreira”, vislumbra.         tiplos trabalhos. Nunca fui
 pessoal em detrimento da profissão.                Sobre suas conquistas profissionais,
 “Voltei a trabalhar quando meu primei-         ela afirma com propriedade que todos          privilegiada ou menospreza-
 ro filho ainda era recém-nascido. Lembro        os seus esforços não foram em vão. “Até      da por ser médica e mulher.
 que durante os plantões no CTI o levava        os meus 40 anos me dediquei integral-
                                                                                             Sempre me impus e tive o
 para o estacionamento do hospital só para      mente à Medicina. Para atingir esse ama-
 amamentá-lo. Até hoje guardo um retrato        durecimento, é preciso muito estudo e        respeito como retorno des-
 com o filho no braço e um livro de Medi-        trabalho. Em vista de tudo o que recebi,     ta atitude”.
 cina no outro”, recorda ela, aos risos.        o mínimo que posso fazer é contribuir
                                                                                                       Vera Lúcia Fonseca
    Dona de personalidade forte, Márcia         com as causas sociais, a exemplo dos tra-
 Barbosa encontra nos esportes a fonte          balhos nas ONGs. No final, há sempre
 de energia para enfrentar 60 horas de          uma recompensa”, acredita.


DOC | 42 |
Disciplina espartana na
Neurologia
                          “Jamais permiti que
                           problemas pessoais
                        influenciassem a vida
              profissional. Agradeço aos
              colegas por reconhecerem
                                o valor da minha
                                             dedicação”.
                                      Elza Dias da Silva



A
         neurologista carioca Elza Dias       The National Hospital for Neurology Disease,
         da Silva chegou a Brasília           referência em Sistema Nervoso.
         (DF) em uma temporada                   A médica conta que acompanhou de



                                                                                               39,9%
chuvosa de 1972 com a promessa                perto o surgimento da tomografia com-
de atuar no Hospital Público dos              putadorizada e atribui à experiência que
Servidores da União – um então novo           obteve em um hospital de ponta como o
modelo de hospital desenvolvido               fator que abriu seus horizontes. O que a
pela Universidade de Brasília (UnB).
“Olhava através da janela e me
                                              diferenciou dos demais neurologistas foi
                                              a postura disciplinada. “Jamais permiti
                                                                                                dos médicos
perguntava ‘o que estou fazendo aqui’?
Não foi nem o clima com o qual
                                              que problemas pessoais influenciassem a
                                              vida profissional. Estar à frente da chefia
                                                                                             brasileiros hoje
não me adaptei. A dificuldade era a
distância entre os pontos da cidade”,
                                              de Neurologia tem sido uma oportuni-
                                              dade grandiosa. Agradeço aos colegas             são mulheres
recorda a atual presidente da Academia        por reconhecerem o valor da minha de-
Brasileira de Neurologia (ABN).               dicação”, diz ela, que concilia o cargo de
   No entanto, a capital federal foi o lu-
gar ideal para a médica fincar as raízes
necessárias para o desenvolvimento de
                                              delegada na Associação Médica de Brasí-
                                              lia (AMBr) com a presidência da ABN,
                                              mandato que assumiu em 2008.                         54%
sua profissão. Lá, Elza conheceu reno-
mados neurologistas, que estimularam
                                                 Nos próximos dois anos de gestão,
                                              suas propostas são aumentar o número           dos formandos
o seu interesse pelo estudo no exterior.      de associados da academia, promover a
Em 1979, a estudante decidiu cursar           Neurologia nos cenários nacional e in-         paulistas são do
Medicina na Universidade de Londres           ternacional, além do desenvolvimento
e logo teve a oportunidade de atuar em        de trabalho em parceria com o Ministé-          sexo feminino
um dos melhores hospitais da cidade, o        rio da Saúde sobre defesa profissional.


                                                                                                         | 43 | DOC
Fé e entusiasmo à frente da
 Ginecologia
     “Interpreto toda a
     gratidão que tenho
     pelas pessoas e
     pelas instituições
     por onde passei
     como concessões
     divinas. O mínimo
     que posso fazer é
     retribuir”.
     Vera Lúcia Fonseca




     “S
                 ou muito otimista, extre-   Carmela Dutra, conheci pessoas          vertente. Acredito que posso con-
                 mamente ‘Pollyana’, que     que contribuem até hoje para mi-        tribuir para a melhoria do ensino
                 sempre pensa que tudo       nha vida”, resume a médica.             médico. Na Universidade Federal do
     dará certo no final”. É com alusão à        Recentemente, Vera Fonseca foi       Rio de Janeiro (UFRJ), coordeno os
     personagem de um dos clássicos da       reeleita para a gestão de 2010 a        residentes de Ginecologia e, na Uni-
     literatura infanto-juvenil que Vera     2013 da Sgorj. Além disso, há dois      versidade Gama Filho, estou à frente
     Lúcia Fonseca, atual presidente da      mandatos ela atua como secretá-         do curso de Medicina”, diz ela.
     Associação de Ginecologia e Obste-      ria-executiva adjunta da Federação         Casada há 23 anos, mãe de Letí-
     trícia do Rio de Janeiro (Sgorj), se    Brasileira das Associações de Gine-     cia, de 14, e católica praticante, a gi-
     define diante dos desafios de gerir as    cologia e Obstetrícia (Febrasgo).       necologista coordena aos domingos
     variadas atividades da Medicina.        Ela também é segunda vice-presi-        a Pastoral Familiar da Paróquia de
        Expressiva e de fala rápida, Vera    dente do Conselho Federal de Me-        Nossa Senhora de Fátima, no Méier,
     não lembra nem um pouco a meni-         dicina do Rio de Janeiro (Cremerj)      zona Norte do Rio. “Toda a grati-
     na tímida, fruto da criação rígida de   e participante do grupo Causa Mé-       dão pelas pessoas e pelas instituições
     uma família tradicionalmente por-       dica, que rege o conselho.              por onde passei, as interpreto como
     tuguesa. Logo nos primeiros anos           Vera tornou-se ainda a responsável   concessões divinas. O mínimo que
     da vida universitária, ela percebeu a   pelos projetos de educação conti-       posso fazer é retribuir de alguma
     importância de buscar as oportuni-      nuada do Cremerj. “A profissão que       forma, apesar do pouco tempo e da
     dades. “Durante os quatro anos de       se compara à Medicina talvez seja       consciência de que minha real voca-
     estágio no Hospital Maternidade         o magistério, por isso sigo essa        ção é ser médica”, enfatiza Vera.




DOC | 44 |
“O fato de uma
                                                                                             estrangeira assumir
                                                                                                  a presidência de
                                                                                             uma sociedade por
                                                                                                 dois anos não foi
                                                                                         bem visto, mas tive o
                                                                                            apoio dos colegas”.
                                                                                               Marianela de Hekman


Sabedoria que vem de
antigas gerações
C
         onversar com os mais velhos é      Durante o curso, ela percebeu a impor-      e Gerontologia do Hospital Moinhos
         uma das formas de aprendizado      tância da reciclagem de conhecimentos       de Vento. Questionada sobre a diferença
         entre as sociedades andinas. Por   ao se corresponder com colegas de ou-       entre o atendimento clínico de uma médi-
seguir esta tradição, Marianela de Hekman   tros países. Por meio de intercâmbio, fez   ca comparada ao de um médico, Mariane-
optou pela Geriatria. Nascida em Lima,      pós-graduação no Japão para aprender        la se mostra neutra. “Podemos até ser mais
capital do Peru, a médica conta que desde   novas técnicas em sua área.                 atentas aos pacientes do que os homens,
muito jovem já tinha facilidade em lidar      Ao voltar para o Brasil, engravidou de    pois temos instinto maternal. Porém, a
com pessoas maduras. “Fui influenciada       seu primogênito e dividiu as tarefas do-    afinidade do paciente é o que determina a
pelos meus avós, que apoiaram a escolha     mésticas, inclusive nos finais de sema-      escolha por um profissional. Não sou femi-
pela Medicina, quando meu pai queria        na, com o ex-marido, também médico.         nista, sou feminina”, esclarece.
que eu tivesse sido professora”, conta      “Se o paciente ligava para minha casa,         Marianela de Hekman já conhece a
a presidente da Sociedade Brasileira de     tinha de atendê-lo. Uma situação inusi-     realidade da Geriatria e Gerontologia no
Geriatria e Gerontologia do Rio Grande      tada foi quando eu estava em trabalho       país. Ela foi presidente da SBGG (nacio-
do Sul (SBGG-RS).                           de parto e a filha de um paciente conse-     nal) entre 2006 e 2008. “A princípio, não
   Sua caminhada profissional começou        guiu o número do meu leito para falar       foi bem visto o fato de uma estrangeira,
no início dos anos de 1980, quando se       comigo 12 horas após ter tido o meu         naturalizada brasileira, assumir a presi-
mudou de Lima para estudar na Univer-       filho”, conta.                               dência da SBGG por dois anos, mas tive
sidade Federal de Santa Maria (UFSM),         Há três anos, a geriatra é colaborado-    o apoio dos colegas da categoria e honrei
a 300 quilômetros de Porto Alegre.          ra do Centro Moriguchi de Geriatria         minha gestão”, orgulha-se a médica.


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  • 2. Agora é que SÃO ELAS por Gabriela Lopes | Fotos de André Feltes, André Lima, Drika Barbosa, Elaine Balata, Leo Chaves, Pedro Vilela e Divulgação E m um universo ainda homens representavam 66,43% dos pela primeira vez na sua história uma considerado “masculino”, profissionais paulistas. Vinte anos presidente mulher – Dilma Roussef, é cada vez maior a presença depois, em 2000, a presença mascu- a Revista DOC conversou com pre- feminina entre as diversas lina já havia diminuído, mas ainda sidentes de cinco grandes sociedades especialidades médicas. É o que era predominante, com 55,39% brasileiras – Cardiologia; Ginecolo- comprova uma recente pesquisa dos novos inscritos no Cremesp. gia e Obstetrícia; Neurologia; Anes- desenvolvida pelo Conselho Federal Portanto, o cenário mudou na pri- tesiologia; e Geriatria e Gerontolo- de Medicina (CFM). No período de meira década do século XXI. gia, além de duas médicas referências 2000 a 2009, a dimensão de médicas Atualmente, as mulheres desta- em suas áreas de atuação. entre os profissionais credenciados no cam-se em áreas como Cardiolo- Nesta reportagem especial, Vera Brasil subiu mais de quatro pontos gia, Dermatologia, Endocrinologia, Lúcia Fonseca, Márcia Barbosa, Elza percentuais – de 35,5% para 39,9%, Ginecologia e Pediatria, onde são, Dias da Silva, Nádia Duarte, Ma- o que aponta para uma tendência à proporcionalmente, cerca de quatro rianela de Hekman, Rosa Célia Pi- “feminilização” da profissão. vezes mais numerosas do que os ho- mentel e Meri Baran contam como De acordo com o Conselho Re- mens. Além disso, nota-se a partici- trilharam o caminho de sucesso na gional de Medicina do Estado de pação efetiva das médicas em cargos profissão – das primeiras experiências São Paulo (Cremesp), a quantidade de liderança, o que representa um de- na universidade e adaptações na vida de profissionais inscritas já consoli- safio diário para estas profissionais. pessoal e familiar até as barreiras que da uma mudança expressiva: entre Em homenagem ao Dia Interna- superaram rumo a uma carreira bem- os 3.029 formandos de 2009, 54% cional da Mulher (celebrado em 8 de sucedida. Afinal, qual é o toque femi- são mulheres. Nos anos de 1980, os março) e ao ano em que o Brasil tem nino que elas trazem à Medicina? | 41 | DOC
  • 3. “Até os meus 40 anos me dediquei integralmente à Medicina. É preciso muito estudo e trabalho”. Márcia de Melo Barbosa Elas por elas Vigor e altruísmo na “A médica deve valorizar a vida pessoal e familiar, além Cardiologia de estudar e alinhar-se às en- tidades médicas, que lutam por melhores salários”. Marilene Melo H á quatro anos, a cardiologista plantão. Aos 56 anos, ela também par- “A mulher tem perfil relacio- Márcia de Melo Barbosa, ticipa do projeto Cidadão Sabará, des- vice-presidente da Sociedade tinado a crianças carentes, e é uma das nado ao imaginário maternal Brasileira de Cardiologia (SBC), deu fundadoras da Associação Sabarense de e compreende o paciente uma reviravolta em sua vida profissional. Proteção aos Animais. pelo fato de ser sensível e A médica diminuiu o ritmo intenso de Antes de assumir a vice-presidência de trabalho no Hospital Socor, em Belo uma das maiores sociedades médicas do delicada. Mas, acima dessas Horizonte (MG), onde é chefe do serviço país, Márcia foi presidente da seccional qualidades, deve ser compe- de Ecocardiografia desde 1983, para se de Minas Gerais e diretora de departa- dedicar mais aos projetos da sociedade mentos da SBC. Segundo ela, o fato de tente no que faz”. e às pesquisas na área acadêmica. Hoje, ter acumulado diversas funções em mais Nádia Duarte ela é também colaboradora do curso de de 20 anos de carreira lhe proporcionou a pós-graduação da Universidade Federal experiência para o atual cargo de lideran- de Minas Gerais (UFMG). ça. “Esta oportunidade é a mola que pode “As mulheres têm mais capa- Márcia confessa que no início da carreira impulsionar cada vez mais o desenvolvi- cidade de administrar múl- sacrificou algumas etapas de sua vida mento da minha carreira”, vislumbra. tiplos trabalhos. Nunca fui pessoal em detrimento da profissão. Sobre suas conquistas profissionais, “Voltei a trabalhar quando meu primei- ela afirma com propriedade que todos privilegiada ou menospreza- ro filho ainda era recém-nascido. Lembro os seus esforços não foram em vão. “Até da por ser médica e mulher. que durante os plantões no CTI o levava os meus 40 anos me dediquei integral- Sempre me impus e tive o para o estacionamento do hospital só para mente à Medicina. Para atingir esse ama- amamentá-lo. Até hoje guardo um retrato durecimento, é preciso muito estudo e respeito como retorno des- com o filho no braço e um livro de Medi- trabalho. Em vista de tudo o que recebi, ta atitude”. cina no outro”, recorda ela, aos risos. o mínimo que posso fazer é contribuir Vera Lúcia Fonseca Dona de personalidade forte, Márcia com as causas sociais, a exemplo dos tra- Barbosa encontra nos esportes a fonte balhos nas ONGs. No final, há sempre de energia para enfrentar 60 horas de uma recompensa”, acredita. DOC | 42 |
  • 4. Disciplina espartana na Neurologia “Jamais permiti que problemas pessoais influenciassem a vida profissional. Agradeço aos colegas por reconhecerem o valor da minha dedicação”. Elza Dias da Silva A neurologista carioca Elza Dias The National Hospital for Neurology Disease, da Silva chegou a Brasília referência em Sistema Nervoso. (DF) em uma temporada A médica conta que acompanhou de 39,9% chuvosa de 1972 com a promessa perto o surgimento da tomografia com- de atuar no Hospital Público dos putadorizada e atribui à experiência que Servidores da União – um então novo obteve em um hospital de ponta como o modelo de hospital desenvolvido fator que abriu seus horizontes. O que a pela Universidade de Brasília (UnB). “Olhava através da janela e me diferenciou dos demais neurologistas foi a postura disciplinada. “Jamais permiti dos médicos perguntava ‘o que estou fazendo aqui’? Não foi nem o clima com o qual que problemas pessoais influenciassem a vida profissional. Estar à frente da chefia brasileiros hoje não me adaptei. A dificuldade era a distância entre os pontos da cidade”, de Neurologia tem sido uma oportuni- dade grandiosa. Agradeço aos colegas são mulheres recorda a atual presidente da Academia por reconhecerem o valor da minha de- Brasileira de Neurologia (ABN). dicação”, diz ela, que concilia o cargo de No entanto, a capital federal foi o lu- gar ideal para a médica fincar as raízes necessárias para o desenvolvimento de delegada na Associação Médica de Brasí- lia (AMBr) com a presidência da ABN, mandato que assumiu em 2008. 54% sua profissão. Lá, Elza conheceu reno- mados neurologistas, que estimularam Nos próximos dois anos de gestão, suas propostas são aumentar o número dos formandos o seu interesse pelo estudo no exterior. de associados da academia, promover a Em 1979, a estudante decidiu cursar Neurologia nos cenários nacional e in- paulistas são do Medicina na Universidade de Londres ternacional, além do desenvolvimento e logo teve a oportunidade de atuar em de trabalho em parceria com o Ministé- sexo feminino um dos melhores hospitais da cidade, o rio da Saúde sobre defesa profissional. | 43 | DOC
  • 5. Fé e entusiasmo à frente da Ginecologia “Interpreto toda a gratidão que tenho pelas pessoas e pelas instituições por onde passei como concessões divinas. O mínimo que posso fazer é retribuir”. Vera Lúcia Fonseca “S ou muito otimista, extre- Carmela Dutra, conheci pessoas vertente. Acredito que posso con- mamente ‘Pollyana’, que que contribuem até hoje para mi- tribuir para a melhoria do ensino sempre pensa que tudo nha vida”, resume a médica. médico. Na Universidade Federal do dará certo no final”. É com alusão à Recentemente, Vera Fonseca foi Rio de Janeiro (UFRJ), coordeno os personagem de um dos clássicos da reeleita para a gestão de 2010 a residentes de Ginecologia e, na Uni- literatura infanto-juvenil que Vera 2013 da Sgorj. Além disso, há dois versidade Gama Filho, estou à frente Lúcia Fonseca, atual presidente da mandatos ela atua como secretá- do curso de Medicina”, diz ela. Associação de Ginecologia e Obste- ria-executiva adjunta da Federação Casada há 23 anos, mãe de Letí- trícia do Rio de Janeiro (Sgorj), se Brasileira das Associações de Gine- cia, de 14, e católica praticante, a gi- define diante dos desafios de gerir as cologia e Obstetrícia (Febrasgo). necologista coordena aos domingos variadas atividades da Medicina. Ela também é segunda vice-presi- a Pastoral Familiar da Paróquia de Expressiva e de fala rápida, Vera dente do Conselho Federal de Me- Nossa Senhora de Fátima, no Méier, não lembra nem um pouco a meni- dicina do Rio de Janeiro (Cremerj) zona Norte do Rio. “Toda a grati- na tímida, fruto da criação rígida de e participante do grupo Causa Mé- dão pelas pessoas e pelas instituições uma família tradicionalmente por- dica, que rege o conselho. por onde passei, as interpreto como tuguesa. Logo nos primeiros anos Vera tornou-se ainda a responsável concessões divinas. O mínimo que da vida universitária, ela percebeu a pelos projetos de educação conti- posso fazer é retribuir de alguma importância de buscar as oportuni- nuada do Cremerj. “A profissão que forma, apesar do pouco tempo e da dades. “Durante os quatro anos de se compara à Medicina talvez seja consciência de que minha real voca- estágio no Hospital Maternidade o magistério, por isso sigo essa ção é ser médica”, enfatiza Vera. DOC | 44 |
  • 6. “O fato de uma estrangeira assumir a presidência de uma sociedade por dois anos não foi bem visto, mas tive o apoio dos colegas”. Marianela de Hekman Sabedoria que vem de antigas gerações C onversar com os mais velhos é Durante o curso, ela percebeu a impor- e Gerontologia do Hospital Moinhos uma das formas de aprendizado tância da reciclagem de conhecimentos de Vento. Questionada sobre a diferença entre as sociedades andinas. Por ao se corresponder com colegas de ou- entre o atendimento clínico de uma médi- seguir esta tradição, Marianela de Hekman tros países. Por meio de intercâmbio, fez ca comparada ao de um médico, Mariane- optou pela Geriatria. Nascida em Lima, pós-graduação no Japão para aprender la se mostra neutra. “Podemos até ser mais capital do Peru, a médica conta que desde novas técnicas em sua área. atentas aos pacientes do que os homens, muito jovem já tinha facilidade em lidar Ao voltar para o Brasil, engravidou de pois temos instinto maternal. Porém, a com pessoas maduras. “Fui influenciada seu primogênito e dividiu as tarefas do- afinidade do paciente é o que determina a pelos meus avós, que apoiaram a escolha mésticas, inclusive nos finais de sema- escolha por um profissional. Não sou femi- pela Medicina, quando meu pai queria na, com o ex-marido, também médico. nista, sou feminina”, esclarece. que eu tivesse sido professora”, conta “Se o paciente ligava para minha casa, Marianela de Hekman já conhece a a presidente da Sociedade Brasileira de tinha de atendê-lo. Uma situação inusi- realidade da Geriatria e Gerontologia no Geriatria e Gerontologia do Rio Grande tada foi quando eu estava em trabalho país. Ela foi presidente da SBGG (nacio- do Sul (SBGG-RS). de parto e a filha de um paciente conse- nal) entre 2006 e 2008. “A princípio, não Sua caminhada profissional começou guiu o número do meu leito para falar foi bem visto o fato de uma estrangeira, no início dos anos de 1980, quando se comigo 12 horas após ter tido o meu naturalizada brasileira, assumir a presi- mudou de Lima para estudar na Univer- filho”, conta. dência da SBGG por dois anos, mas tive sidade Federal de Santa Maria (UFSM), Há três anos, a geriatra é colaborado- o apoio dos colegas da categoria e honrei a 300 quilômetros de Porto Alegre. ra do Centro Moriguchi de Geriatria minha gestão”, orgulha-se a médica. | 45 | DOC
  • 7. Mérito por dedicação à causa da SBA P “Pretendo honrar a ela primeira vez em 62 anos de sua os momentos de descontração em sua fundação, a Sociedade Brasileira de casa, próxima a Boa Viagem, a praia mais Anestesiologia (SBA) nomeou uma famosa de Recife. Nos finais de tarde, ela mulher como presidente em janeiro deste tem o hábito de caminhar na orla. Quan- função deixando mais ano. A pernambucana Nádia da Conceição do possível, costuma receber os amigos Duarte, filiada à sociedade há 22 anos, acumula funções na diretoria da SBA desde para um churrasco ou para degustar um prato servido com um bom vinho. “Sem- do que um simples 2006. “Meu trajeto na SBA sempre foi pre na companhia do casal de gatos Pené- marcado por muito empenho”, afirma. lope e Tom – ou William Thomas Green retrato na galeria dos Desde que assumiu a presidência da Morton, realizador da primeira anestesia sociedade, Nádia Duarte precisou fazer alguns ajustes em sua agenda. Ela reside cirúrgica no mundo”, explica. Em sua cerimônia de posse, a presiden- presidentes”. e trabalha, de segunda a quarta-feira, em te da SBA recebeu uma homenagem inu- Recife (PE), onde é instrutora correspon- sitada: uma reprodução dela mesma em Nádia Duarte sável pelo Centro de Ensino e Treinamen- forma de boneca de Olinda, além de uma to em Anestesiologia do Hospital Univer- apresentação de frevo. No discurso, Nádia sitário Oswaldo Cruz, da Universidade de Duarte confirmou seu empenho e dedi- Pernambuco (UPE). Foco e organização cação. “Pretendo honrar a minha função são essenciais para que a médica adminis- de presidente deixando mais do que um tre a rotina de viagens ao Rio de Janeiro, simples retrato na galeria de presidentes. onde é situada a sede da SBA. A presidência da SBA simboliza o coroa- Apesar da intensidade das atividades mento de uma vida dedicada a uma insti- profissionais, a médica jamais desprezou tuição”, conclui a anestesiologista. DOC | 46 |
  • 8. Estrella, a pioneira No Brasil, bate à Congregação da Escola, do caso de Maria Augusta foi até a meta- no qual estiveram presentes tão grande que o imperador de do século professores, alunos, diretores Pedro II decretou autorização XIX, as mulheres eram proibi- e famílias para ouvir o questio- da matrícula das mulheres nas das de ingressar nas universida- namento da adolescente: “Que escolas superiores por meio da des. Isso não intimidou a estu- importa a idade se me acho reforma Leôncio de Carvalho, dante Maria Augusta Generoso apta para os exames de sufici- em 19 de abril de 1879. Estrella. Aos 15 anos, ela insis- ência que os senhores exigem? Ao voltar para o Brasil em 1882, tiu para que o pai autorizasse Por que a recusa para que eu já formada, Maria Augusta foi sua viagem aos Estados Unidos seja examinada?”, contestou. recebida em audiência por Pe- para que tentasse uma oportu- A indagação surtiu efeito. O dro II e pela imperatriz Teresa nidade no Medical College for exame foi marcado para o dia Cristina. A médica clinicou por Women. Ela embarcou para o seguinte e Maria Augusta res- muitos anos no Rio de Janeiro exterior, mas teve seu pedido pondeu o questionário com e deu ênfase ao atendimento de negado por não ter maioridade Inglês impecável. Logo obte- mulheres e crianças, além de para estudar. Inconformada, ve aprovação e matriculou-se ter prestado atenção especial Maria Augusta propôs um de- em seguida. A repercussão aos desfavorecidos. | 47 | DOC
  • 9. Vencendo desconfianças A primeira médica formada no Brasil e a segunda da América La- tina foi a gaúcha Rita Lobato Velho Lopes, que entrou para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1884, aos 17 anos. No segundo ano acadêmico, a então estudante deci- diu ser transferida para a Faculdade Meri Baran com de Medicina da Bahia, onde colou os netos Daniela e Fábio: orgulho e grau em 1887, com um recorde sur- qualidade de vida preendente: cursou a graduação em apenas quatro anos, quando a dura- ção do curso é de seis. Um dos destaques da carreira da Cidadã a serviço médica foi a tese de doutorado de título Paralelo entre os métodos da Saúde preconizados na cesariana, sendo criticada por muitos pelo fato de ser a primeira mulher que tratou, de forma pública, um tema que era mantido em sigilo pelos colegas de profissão. Assim, a médica de- N o verão de 2008, o Rio de da coordenação da Epidemiologia da dicou-se integralmente ao estudo Janeiro se deparou com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da Ginecologia, Obstetrícia e Pe- maior epidemia de dengue do Rio e da superintendência de Vi- diatria, além de lutar diariamente dos últimos anos. A situação exigia gilância em Saúde, experiência que contra a desconfiança dos médicos mais do que uma estrutura integrada ela relembra com nostalgia: “Sinto de Saúde Pública para controle da falta da rotina do órgão público, mas e dos familiares dos pacientes. doença, mas também uma represen- principalmente da minha equipe. Aos poucos, conquistou a con- tante que prestaria esclarecimentos à Prestei suporte a toda a rede de Saúde fiança de todos por meio de traba- população através da mídia: a médica do município, o que proporcionou lho intenso que prestou à comu- Meri Baran. “Tudo o que acontecia ampla dimensão do funcionamento nidade. Rita Lobato foi também a na cidade gerava repercussão. Cada da cidade”, diz a médica. primeira mulher eleita vereadora entrevista era uma situação imprevi- Ao despedir-se da Prefeitura há em Rio Pardo (PR), em 1934, sível”, conta a ex-superintendente de três anos, Meri se tornou uma refe- anos depois de as mulheres con- Vigilância em Saúde da Prefeitura do rência em Saúde Pública. Tanto que, quistarem o direito ao voto. Rio de Janeiro. no ano seguinte, criou um blog sobre Pediatra por formação e especiali- este tema e sobre Medicina de Via- zada em Saúde Pública pela Funda- gem, uma área em expansão. “Acho ção Oswaldo Cruz (Fiocruz) durante interessante o trabalho de divulgação 18 anos, Meri Baran esteve à frente em blogs e nas redes sociais, desde DOC | 48 |
  • 10. “Sinto-me feliz que feito com responsabilidade. As pessoas mantêm a crença de que basta Hoje, a médica de 73 anos, com muito orgulho, valoriza a qualidade de quando contribuo imunizar-se contra a febre amarela que vida e procura, sempre que possível, estão aptas a fazer uma viagem inter- fazer exercícios físicos. Ela reside bem com informações de nacional. A Medicina de Viagem ainda próximo às filhas, no Leblon, zona é pouco divulgada, mas por meio da Sul do Rio, o que permite uma pausa utilidade pública pela publicidade as pessoas começam a se em sua agenda para o que lhe dá mais informar mais a respeito do assunto. prazer: visitar os quatro netos com fre- minha vivência de Sinto-me feliz quando contribuo com quência. “Acompanhar o crescimento informações de utilidade pública pela dos meninos é fascinante. Sempre par- mais de 40 anos na minha vivência de mais de 40 anos na ticipei da criação deles, que têm muito Medicina”. Medicina”, destaca Meri, que atual- mente é consultora técnica da rede orgulho de mim”, conta a especialista em meio a risos que remetem à matu- Meri Baran Prophylaxis de vacinação. ridade bem-vivida. As médicas no Brasil Ceará Apresenta crescimento de 65% no número de formandas em cinco anos. Alagoas É o estado do Nordeste que tem maior presença das mulheres em relação aos homens na Medicina. Rondônia Bahia O número de médicas neste O estado apresenta crescimento de estado triplicou entre 2009 e mais de 100% nos últimos cinco 2010, de 25 para 77 profissionais. anos no número de médicas. Minas Gerais Em 2010, houve um aumento de 55% na força de trabalho feminina. Rio Grande do Sul Crescimento de cerca de 30% São Paulo no número de médicas entre As mulheres representam 38% do total de 2006 e 2010 no estado. profissionais registrados no Cremesp. Por quatro anos consecutivos há um aumento considerável no número de mulheres médicas no estado. Fontes: Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) | 49 | DOC
  • 11. Colorindo sonhos com os pés no chão “Lembro-me de D eterminação e foco são palavras Intensivista pioneira do Hospital que nortearam o destino da Municipal Miguel Couto, Rosa Célia ter ouvido que era cardiologista pediátrica Rosa Célia Pimentel. Hoje reconhecida se recorda de situações nas quais per- cebeu preconceito por parte da classe diferente das outras como referência, a médica já superou diversos obstáculos na vida. Nascida em médica. “Preconceito sempre existiu e vai existir. Lembro-me de ter ouvido mulheres, mas pouco Palmeira dos Índios (AL), mudou-se para o Rio de Janeiro ainda pequena que era diferente das outras mulheres, mas pouco me importava. As médicas me importava. As e morou em um orfanato porque os pais não tinham condições de cuidar devem encarar a profissão com respon- sabilidade, postura e dignidade” orien- médicas devem dos 11 filhos, permanecendo lá até os 18 anos. Por falar em idade, a típica ta. Após a experiência em hospitais, a médica mudou-se para Londres, mes- encarar a profissão nordestina prefere não revelar a sua. “Não falo e ninguém sabe porque não mo sem conhecer o idioma, para espe- cializar-se em Cardiologia Pediátrica. com responsabilidade”. conto. Como diz um ditado do Norte, quem muito quer saber, mexerico quer “Viajei para a Inglaterra apenas com a bolsa de estudos, sem dinheiro e com Rosa Célia Pimentel fazer”, diverte-se. poucas roupas. Mas tinha muito foco DOC | 50 |
  • 12. ABMM: uma associação em defesa das médicas A década de 1960 foi marcada por acontecimentos transformadores no Brasil e no mundo, que culmi- naram com a busca pela liberdade de expressão e a entrada da mulher no mercado de trabalho. Em meio a um cenário de mudanças, foi cria- da a Associação Brasileira de Mu- lheres Médicas (ABMM), em 16 de e determinação. Sempre sonhei com séria, honesta, trabalhando muito e con- coisas maiores e coloridas, então não quistando credibilidade”, enfatiza. novembro de 1960, no Rio de Janei- nivelei por baixo. Não dei ouvidos às Em virtude da falta de leitos car- ro. Filiada à Associação Internacio- pessoas”, recorda Rosa. diológicos na rede pública, Rosa Cé- nal de Médicas Mulheres (Medical Em 1989, Rosa Célia passou seis lia percebeu a necessidade de ampliar Women’s International Association meses no Children’s Hospital Medical o trabalho desenvolvido no projeto: a – MWIA), a ABMM é resultado da Center, nos Estados Unidos, para se construção do Hospital Pró-Criança, união de um grupo de médicas. aprofundar em novas técnicas. “Não destinado ao atendimento de patolo- A proposta da ABMM, que reúne havia recursos no Brasil além da con- gias de alta complexidade, que destina- 300 associadas, é oferecer o encon- sulta, o estetoscópio e o eletrocardio- rá 40% de sua capacidade para trata- tro entre as médicas, o intercâmbio grama para examinar os pacientes. mento de crianças carentes. A previsão científico, o estudo sobre problemas Tive coragem de passar um período é que o hospital seja inaugurado em no exterior e foi um privilégio estu- outubro deste ano. de saúde da comunidade em geral, dar com os melhores cardiologistas do Até lá, a médica também encontra- além do auxílio mútuo para resolu- mundo”, conta. rá tempo para se dedicar aos atendi- ção de questões sobre a vida pessoal Ao voltar para o Brasil, Rosa Célia mentos clínicos e para suas atividades e profissional das médicas. “Incenti- criou, em 1996, uma clínica voltada ao favoritas: a prática de atividades físi- vamos a busca pela qualificação das atendimento gratuito de menores caren- cas e a leitura, que vão de temas bio- médicas que hoje se preocupam tes – o Pró-Criança Cardíaca. O projeto gráficos a livros sobre administração com a carreira. O slogan da ABMM social contempla cerca de 50 crianças (a preferência é pelo Inglês, idioma é Cuidar de si para melhor acolher o por semana e oferece consultas clínicas e hoje por ela dominado). No livro Os outro. Nosso propósito é incentivar odontológicas, procedimentos cirúrgicos quatro compromissos, de Don Miguel a qualidade de vida destas profissio- e exames específicos. “Minha vida toda Ruiz – também médico e cirurgião, foi dedicada às crianças. É um projeto Rosa se baseia em quatro conselhos nais para que cuidem delas mesmas ousado, o resultado de um trabalho feito para praticar na vida: “seja verdadei- e valorizem a vida pessoal”, explica com perseverança e determinação. Con- ro; não se faça de vítima; só culpe o Marilene Rezende Melo, presidente segui captar tanta gente para ajudar na outro se tiver certeza e faça o melhor da ABMM e ex-diretora da Associa- construção desse sonho sendo correta, sempre”, ensina. ção Paulista de Medicina (APM). | 51 | DOC