Tcc magnaldo

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Autor: Magnaldo Toledo

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  1. 1. 11 1. INTRODUÇÃO Devido ao grande número de afastamentos de militares do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul com problemas psicológicos, sem um correto diagnóstico das causas, que, muitas vezes, são confundidos com estresse, esse trabalho visa se aprofundar mais especificamente no estudo de uma determinada doença denominada Síndrome de Burnout. Observa-se nos quartéis uma grande quantidade de militares com problemas psicológicos em razão da natureza do serviço a que são submetidos, muitas vezes levando-os a ficarem muitos dias e até meses afastados do serviço. Muitos desses problemas são diagnosticados simplesmente como estresse pelos médicos. Todavia, os profissionais de saúde, de certa forma, não estão errados. Porém, numa análise mais ampla dos sintomas apresentados pelos pacientes e se forem realizados exames mais aprofundados, através de estudos de caso, verificar-se-á que tais pacientes possuem diagnósticos semelhantes aos das vítimas da Síndrome de Burnout. Os sintomas são parecidos. Este trabalho, portanto, tem por objetivo relacionar, analisar e refletir, a partir de uma revisão bibliográfica e pesquisa de campo, a natureza, as causas e as consequências da Síndrome de Burnout e se há indícios dessa doença nos militares da Corporação. A visão conclusiva encontra amparo em livros, monografias, artigos publicados por militares e civis, entrevistas, internet, a respeito do tema em questão. Por fim, cumpre destacar a composição básica dos capítulos: No primeiro capítulo, tem-se a introdução, que apresentará o Tema e buscará despertar o leitor para a relevância do assunto. Serão apresentados, também, os
  2. 2. 12 objetivos, a formulação do problema, a hipótese e a justificativa que levaram o autor a abordar o presente assunto, juntamente com a metodologia utilizada. O segundo capítulo apresenta uma revisão de literatura, onde é feita primeiramente uma descrição do ambiente de trabalho dos militares, a natureza do serviço, as atividades desenvolvidas por eles, bem como, a pressão que sofrem tanto da sociedade quanto dos comandantes e, ainda, dos próprios companheiros. Em seguida o capítulo transcorre sobre a Síndrome de Burnout propriamente dita, conceitos, características, causas, etc. No terceiro capítulo é relatada uma pesquisa de campo realizada pelo autor, seus resultados e procedimentos adotados. E no quarto capítulo, apresenta-se a conclusão de todo o trabalho. Inclusive da pesquisa de campo, que após uma análise qualitativa e quantitativa das informações colhidas foram confirmadas as hipóteses do autor. Comprovou-se, então, pelo estudo realizado, que há indícios reais da Síndrome de Burnout no CBMMS. 1.1 TEMA Trata-se de um estudo sobre a ocorrência da Síndrome de Burnout em Bombeiros Militares do Estado de Mato Grosso do Sul. 1.2 PROBLEMA No mundo de hoje, capitalista, onde tudo se modifica, transforma e envelhece muito rápido; onde a produção sobrepõe os princípios, necessidades e expectativas humanas, são perceptíveis o surgimento de estados de tensão emocional e estresse
  3. 3. 13 crônicos, provocados por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas extremamente desgastantes, principalmente nas pessoas cuja profissão exige envolvimento interpessoal direto e intenso. Neste contexto, insere-se o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso do Sul, onde se percebe uma crescente manifestação muito parecida com a Síndrome de Burnout, uma psicopatologia decorrente do trabalho em si. Manifestação essa caracterizada por sintomas acentuados de desgaste emocional e perda de prazer e motivação pelo trabalho bombeiro militar, levando a “um processo de despersonalização e isolamento social do indivíduo”, na concepção de Maslach, Jackson, 1996. Diante da possibilidade de ocorrência dessa síndrome na Corporação pergunta-se: Há indícios reais da Síndrome de Burnout no CBMMS? Caso afirmativo, quais suas causas? O que pode ser feito para amenizar o problema? 1.3 HIPÓTESE As considerações descritas na formulação do “problema da pesquisa” direcionam a investigação por meio das seguintes hipóteses: A quantidade de militares do Corpo de Bombeiros é de 1.292 militares, até a data de 29 de Maio de 2013, para uma população estadual de mais de dois milhões, segundo dados do IBGE. Isso já sugere uma sobrecarga nas demandas da Corporação. Por outro lado, as atividades dos bombeiros são diretamente ligadas a problemas que afetam diretamente a população, tais como: acidentes automobilísticos, incêndios residenciais, cardiopatias, quedas, afogamentos, dentre outros, e que causam grande sofrimento nas pessoas atendidas. E ainda há os
  4. 4. 14 problemas que ocorrem no interior dos quartéis, como: problemas estruturais; escalas apertadas; salários em defasagem; problemas de relacionamentos entre superiores, pares e subordinados; dentre outros problemas. Assim, a convivência com as desgraças e sofrimentos das pessoas atendidas, aliada aos problemas internos da caserna, os militares acabam absorvendo esses problemas, o que acaba afetando sua vida profissional e particular, onde muitos acabam sofrendo com problemas psicológicos que só são detectados quando já estão numa fase mais aguda, ou seja, quando o militar precisa ser afastado para tratamento. Necessário se faz, nessa ótica, a realização de diagnósticos precoces e de um trabalho focado diretamente no problema. 1.4 JUSTIFICATIVA O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul apresentou nos últimos anos um crescente aumento de suas demandas, o que exige de seus bombeiros maior qualificação e profissionalismo para atenderem ao lema “Vidas Alheias e Riquezas Salvar”. Necessário se faz, então, para a Corporação o investimento na saúde e no bem estar físico, psicológico e social de cada bombeiro militar, com medidas que visem melhorar a sua qualidade de vida, profissional e particular/familiar. Dentre os diversos problemas de saúde que afeta diretamente os bombeiros militares é, sem dúvida, o estresse, sintoma que pode agravar-se para algo mais grave como uma psicopatologia, como é o caso da Síndrome de Burnout. Esta pode trazer inúmeras consequências físicas ou pessoais, para o indivíduo em si, para o trabalho, para a Corporação e até mesmo para a sociedade. Segundo Maslach e
  5. 5. 15 Jackson (1981), as consequências do burnout podem ser muito sérias, implicando no que se refere ao absenteísmo1 , turnover (rotatividade) e desânimo, havendo inclusive ocorrências de relação entre a síndrome em questão e disfunções pessoais, como, por exemplo, exaustão física e o abuso de álcool. Fato é que a profissão de bombeiro militar faz com que este tipo de profissional tenha que lidar com riscos variados, tanto psicossociais quanto biológicos, como, por exemplo, exposição às tragédias e privação de sono para aqueles que trabalham durante a noite ou pelos longos ciclos de trabalho-descanso aos quais estão expostos. Frente a essa realidade o Corpo de Bombeiros, por meio da aquisição de conhecimentos sobre os diversos níveis de estresse e suas manifestações, das estratégias de enfrentamento e da identificação dos níveis para a Síndrome de Burnout, poderá direcionar seus programas de treinamento e instrução também para acompanhar, tratar e prevenir esses males em seus militares. Essas ações podem promover a melhoria do atendimento ao cliente e consequentemente garantir sua imagem diferenciada junto à comunidade usuária de seus serviços e à opinião pública. 1.5 OBJETIVOS 1.5.1 Geral Estudar a Síndrome de Burnout no Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul e se, realmente, os seus bombeiros são afetados por ela. 1 Termo usado para designar as ausências dos trabalhadores no processo de trabalho ou estudantes nas escolas seja por falta seja por atraso, devido a algum motivo interveniente.
  6. 6. 16 1.5.2 Específicos  Comprovar ou evidenciar indícios reais da Síndrome de Burnout no Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul;  Identificar causas e fatores que levam os bombeiros militares a serem afetados por essa Síndrome;  Sugerir meios de prevenção para esse distúrbio psicológico. 1.6 METODOLOGIA A presente pesquisa é de natureza aplicada, com uma abordagem quantitativa, exploratória e descritiva. O trabalho foi desenvolvido com base em pesquisa bibliográfica e de campo, da seguinte maneira:  Realização de um estudo analítico da Síndrome de Burnout: conceitos, características, causas e consequências;  Realização de um estudo exploratório e descritivo da Síndrome de Burnout, por meio de um questionário adaptado do Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL), com 18 (dezoito) questões. Estudo esse realizado num campo amostral composto por bombeiros da capital e do interior do estado totalizando 138 militares. A sequência para a realização do trabalho foi a seguinte:  Levantamento bibliográfico, monografias, livros e artigos;  Revisão de literatura;  Leitura analítica da bibliografia e textos selecionados;
  7. 7. 17  Pesquisa de campo, em que se aplicou o questionário de Lipp;  Tabulação, análise e interpretação crítica das respostas dos entrevistados;  O levantamento bibliográfico foi feito antes, durante e depois da entrega dos questionários;  Consolidação das questões de estudo. A coleta de material foi realizada por meio de consultas às bibliotecas, além da Internet. Foram consultados diversos títulos, dentre eles livros, trabalhos acadêmicos (monografias e dissertação).
  8. 8. 18 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Considerações Gerais As atividades desenvolvidas pelos militares do Corpo de Bombeiros estão diretamente ligadas a tragédias, mortes e traumas violentos. A convivência com essas situações durante anos, quase todos os dias, pode levar o militar à situações e problemas, como: depressão, descontrole emocional, agressividade, estafa, dispersão no trabalho, hipertensão, tristeza, insônia, úlcera, enxaquecas, falta de apetite, fadiga, irritabilidade, cansaço constante, gastrite e estresse elevado que pode levar a Síndrome de Burnout. Aliado à convivência diária com as tragédias e mortes existem ainda os problemas estruturais dos quartéis a convivência com outros militares, salários defasados, falta de valorização profissional, etc. Todos esses fatores vão se acumulando e provocando grandes transtornos psicológicos ou psicopatologias nos militares. Nessas condições, ou seja, pelas características da sua profissão, o militar é um forte candidato ao burnout, um tipo específico de estresse crônico. Assim, se de um lado, a sociedade exige e necessita de bombeiros competentes e honestos, comprometidos com os ideários da organização a que pertencem, do outro esses profissionais necessitam, também, ser acompanhados e melhor avaliados no que tange às suas condições de saúde, principalmente aos aspectos psicossomáticos, onde a variável estresse tem um enorme poder de destruição da capacidade de trabalho dos indivíduo. Nesse caso, a Síndrome de Burnout deve ser considerada na Corporação, deve-se verificar se os seus militares possuem algum sintoma da doença, quais as causas e possíveis prevenções.
  9. 9. 19 O constante contato com ocorrências de morte, acidentes graves, incêndios, mutilamento, esfaqueamento, baleamento, etc, entre os profissionais da segurança pública coloca os bombeiros como uma das profissões de alto risco, porque gera alteração do humor, esgotamento físico, emocional, depressão, falta de realização profissional no trabalho e falta de perspectiva profissional de crescimento. Como consequência, o bombeiro militar em geral mostra-se, muitas vezes, arrependido de ingressar na profissão, planejando aposentar-se o mais rápido possível. 2.2 A Síndrome de Burnout A Síndrome de Burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, é um distúrbio psíquico descrito em 1974 por Freudenberger, um médico americano. O transtorno está registrado no Grupo V da CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde). Caracteriza-se por apresentar sintomas e sinais de exaustão física, psíquica e emocional, que decorrem de uma má adaptação do indivíduo a um trabalho prolongado e com uma grande carga de tensão. A Síndrome de Burnout provoca no indivíduo atitudes negativas, como: ausências no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo, baixa autoestima. É, pois, uma doença consequente de uma relação desajustada do indivíduo com o trabalho, bem definida por Mayer. Burnout é um termo da cultura anglo- saxônica que pode ser traduzida para o português como “apagar-se” ou “queimar- se”, e lembra de certo modo, a imagem de uma vela, ou fogueira apagando-se
  10. 10. 20 lentamente. De forma geral, trata-se de uma síndrome decorrente do estresse laboral crônico que afeta os profissionais e a sua relação com o trabalho. Nela o trabalho pode perder o seu sentido original e os eventos dele provenientes, passam a não importar; esforços podem se constituir inúteis para modificar essa situação (MAYER, 2006, p. 25). Tal caracterização faz remeter ao Sistema Capitalista, onde o homem é privado do fruto do seu trabalho em troca de sua própria sobrevivência, conforme afirma Saviani e Duarte (2010, apud DE OLIVEIRA, ADEMAR GONÇALVES, 2013: 16): “[...] se o trabalho é a atividade vital humana, é a atividade pela qual a essência historicamente formada do gênero humano pode transformar-se em riqueza da individualidade, a venda dessa atividade em troca da sobrevivência produz uma cruel inversão”. Daí a sensação do indivíduo sentir-se queimando ou apagando pouco a pouco, despersonalizando, à medida que vende o seu trabalho para sobreviver, ou seja, o indivíduo passa a ver que o seu trabalho não contribui para a sua riqueza individual, seus princípios e necessidades. Sente-se explorado, daí o desajuste do indivíduo com o trabalho. Maslach e Jackson (1981), a respeito da Síndrome de Burnout, definiram-na como sendo: [...] fenômeno psicossocial constituído de três dimensões: exaustão emocional, caracterizada por falta ou carência de energia, entusiasmo e um sentimento de esgotamento de recursos; despersonalização, caracterizada pelo tratamento de clientes, colegas e organização como objetos e, por último, baixa realização profissional, fenômeno comportamental evidenciado por uma
  11. 11. 21 tendência do trabalhador de se auto- avaliar de forma negativa. (apud BORGES; CARLOTTO, 2004:46). O termo serve ainda para designar um estágio mais acentuado do estresse, que atinge profissionais cujas atividades exigem um alto grau de contato interpessoal, a exemplo dos bombeiros, policiais, enfermeiros e assistentes sociais, entre outros. Esse quadro propicia até mesmo o surgimento de patologias e disfunções, tais como: a hipertensão arterial, úlcera gastroduodenal, obesidade, câncer, psoríase (coceira) e tensão pré-menstrual. Dor de cabeça, enxaqueca, cansaço, sudorese, palpitação, pressão alta, dores musculares, insônia, crises de asma, distúrbios gastrintestinais são manifestações físicas que podem estar também associadas à síndrome. A Síndrome de Burnout é, portanto, um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, definido por Herbert J. Freudenberg (194) como “... um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional, também chamada de síndrome do esgotamento profissional”. Segundo Samuelsson et al. (1997), pessoas com sintomas da Síndrome de Burnout podem ser propensas a terem pensamentos suicidas e até praticarem tentativas de suicídio. Já Juntunen et al. (1988) e Schifferdecker et al. (1996a; 1996b), constataram em seus estudos que as grandes ondas de estresse, sofrimento e pressão, a que se submetem, podem levar os trabalhadores da área da saúde à apresentarem sintomas da Síndrome de Burnout e inclusive à dependência química.
  12. 12. 22 Nessa abordagem, portanto, fica evidente que a profissão bombeiro militar sendo uma profissão de risco está entre as classes de profissionais que têm maior propensão a essa doença (professores, enfermeiros, médicos, policiais/bombeiros e agentes penitenciários). A profissão de policial militar é uma atividade de alto risco, uma vez que esses profissionais lidam, no seu cotidiano, com a violência, a brutalidade e a morte. A literatura aponta que os policiais estão entre os profissionais que mais sofrem de estresse, pois estão constantemente expostos ao perigo e à agressão, devendo frequentemente intervir em situações de problemas humanos de muito conflito e tensão (Costa M, Accioly Jr H, Oliveira J, Maia E, 2007, p. 21). A seguir serão destacados três tópicos muito pertinentes que convém aqui serem abordados, são eles: Os estágios da Síndrome de Burnout, o quadro com as diferenças entre Estresse e Burnout e, ainda, um quadro sobre a Sintomatologia da doença:  A Revista Viver Mente e Cérebro, na sua edição de nº 161, de junho de 2006, publica os doze estágios da Síndrome de Burnout, são eles: I. Necessidade de se afirmar ou provar ser sempre capaz; II. Dedicação intensificada - com predominância da necessidade de fazer tudo sozinho e a qualquer hora do dia (imediatismo); III. Descaso com as necessidades pessoais - comer, dormir, sair com os amigos começam a perder o sentido;
  13. 13. 23 IV. Recalque de conflitos - o portador percebe que algo não vai bem, mas não enfrenta o problema. É quando ocorrem as manifestações físicas; V. Reinterpretação dos valores - isolamento, fuga dos conflitos. O que antes tinha valor sofre desvalorização: lazer, casa, amigos, e a única medida da auto- estima é o trabalho; VI. Negação de problemas - nessa fase os outros são completamente desvalorizados, tidos como incapazes ou com desempenho abaixo do seu. Os contatos sociais são repelidos, cinismo e agressão são os sinais mais evidentes; VII. Recolhimento e aversão a reuniões (anti-socialização); VIII. Mudanças evidentes de comportamento (dificuldade de aceitar certas brincadeiras com bom senso e bom humor); IX. Despersonalização (evitar o diálogo e priorizar e-mails, mensagens, recados etc); X. Vazio interior e sensação de que tudo é complicado, difícil e desgastante; XI. Depressão - marcas de indiferença, desesperança, exaustão. A vida perde o sentido; XII. E, finalmente, a síndrome do esgotamento profissional propriamente dita, que corresponde ao colapso físico e mental. Esse estágio é considerado de emergência e a ajuda médica e psicológica uma urgência.  Partindo para as diferenças entre a Síndrome de Burnout e o Estresse, HART (1982, apud DE OLIVEIRA, Ademar Gonçalves, 2013:20) relaciona o seguinte, conforme disposto no quadro 1:
  14. 14. 24 QUADRO 1 - DIFERENÇAS ENTRE BURNOUT E ESTRESS BURNOUT STRESS É uma defesa caracterizada pela desistência; Caracteriza-se pelo super envolvimento; As emoções tornam-se embotadas; As emoções tornam-se hiperativas; O principal dano é emocional; É físico; A exaustão afeta a motivação e a iniciativa; A exaustão afeta a energia física; Produz desmoralização; Produz desintegração; Pode ser mais bem entendido como uma perda de ideais e esperança; Como uma perda de combustível e energia; A depressão é causada pela mágoa engendrada pela perda de ideais e esperança; A depressão é causada pela necessidade do organismo de se proteger e conservar energia; Produz uma sensação de abandono e Desesperança; Produz uma sensação de urgência e hiperatividade; Produz paranoia, despersonalização e Desligamento; Produz desordens associadas ao pânico, fobias e ansiedades; Não mata, mas pode fazer com que uma vida longa pareça não valer a pena ser vivida. Pode matar prematuramente, e o indivíduo não terá tempo para concluir o que começou.  Quanto a Sintomatologia da Síndrome de Burnout, Benevides – Pereira (2002, apud Mayer, 2006, apud DE OLIVEIRA, ADEMAR GONÇALVES, 2013: 21), descreve os sintomas relacionados no quadro 2:
  15. 15. 25 QUADRO 2 - Sintomatologia da Síndrome de Burnout – aspectos físicos, comportamentais, psíquicos e defensivos. ASPECTOS SINTOMATOLOGIA Fiscos Fadiga constante e progressiva; Distúrbios do sono; Dores musculares e osteomusculares; Cefaleias e enxaquecas; Perturbações gastrintestinais; Imunodeficiências; Transtornos cardiovasculares; Distúrbios respiratórios; Disfunções menstruais. Comportamentais Negligência ou excesso de escrúpulo; Irritabilidade; Incremento da agressividade; Incapacidade de relaxar; Dificuldade de aceitação de mudanças; Perda da iniciativa; Aumento do consumo de substâncias; Comportamento de alto risco; Suicídio. Aspectos psíquicos Falta de atenção e concentração; Alterações de memória; Lentidão de pensamento; Sentimento de alienação; Sentimento de solidão; Impaciência; Sentimento de insuficiência; Redução da autoestima; Labilidade emocional; Dificuldade de auto aceitação; Astenia, desânimo, disforia, depressão; Desconfiança, paranoia. Aspectos defensivos Tendência de isolamento; Sentimento de onipotência; Perda do interesse pelo trabalho ou Lazer; Absenteísmo; Ironia, cinismo.
  16. 16. 26 Acrescenta-se, ainda, que, como a Síndrome de Burnout é consequência de um processo crônico de estresse, cabe destacar também que, na Europa, o estresse aparece como um dos fatores mais importantes em relação à diminuição da qualidade da saúde na década de 1990 (European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions, 1995/6). Assim, HERO (Health Enhancement Research Organization), ao avaliar 46 mil funcionários nos setores público e privado, relatou resultados de uma análise retrospectiva sobre queixas médicas, riscos para a saúde e os custos adicionais em razão desses fatores (Goetzel et al., 1998). A tabela 1, mostra a relação entre os fatores de risco para aumento dos custos médicos e os valores desses custos. TABELA 1. Relação entre fatores de risco para aumento dos custos médicos e valores desses custos (adaptada de Goetzel et Al. (1998): Fator de risco responsável pelo aumento dos custos médicos e valores desses custos Aumento dos custos médicos (%) Primeiro lugar entre todos: depressão .... Estresse elevado associado à incapaci- dade por parte do funcionário em lidar com esse estado ..................................... Associação de a+b .................................. 70% 46% 147% http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832007000500004 Agora, para a enumeração dos fatores de risco para o desenvolvimento do burnout, são levadas em consideração quatro dimensões: a organização, o indivíduo, o trabalho e a sociedade (World Health Organization, 1998): I. Organização Em relação aos fatores relacionados à organização que influenciam o desenvolvimento do burnout, alguns itens são mencionados na tabela 2.
  17. 17. 27 TABELA 2. Fatores organizacionais associados a índices superiores da Síndrome de Burnout e suas possíveis consequências: Fator Possíveis Consequências Burocracia (excesso de normas). Falta de autonomia (impossibilidade de tomas decisões sem ter de consultar ou obter autorização de outrem). Normas institucionais rígidas. Mudanças organizacionais frequentes (alterações frequentes de regras e normas). Falta de confiança, respeito e consideração entre os membros de uma equipe. Comunicação ineficiente. Impossibilidade de ascender na carreira, de melhorar sua remuneração, de reconhecimento de seu trabalho, entre outros. O ambiente físico e seus riscos, incluindo calor, frio e ruídos excessivos ou iluminação insuficiente, pouca higiene, alto risco tóxico e até de vida. Outros fatores: acúmulo de tarefas por um mesmo indivíduo; convívio com colegas afetados pela síndrome. Impede a autonomia, a participação criativa e, portanto, a tomada de decisões. As atividades são realizadas lentamente, demandando muito tempo e muita energia por parte da equipe e/ou indivíduo na sua manutenção. Exemplo: tempo gasto no preenchimento de formulários, relatórios, participação em reuniões administrativas. Impossibilita a liberdade de ação e independência profissionais. Impedem que o trabalhador atinja a autonomia e o sentir-se no controle de suas tarefas. Provocam insegurança, predispondo o funcionário a erros. Provoca um clima social prejudicial. Provoca distorções na disseminação da informação e/ou torna-a lenta. Pode provocar grande desestímulo no trabalhador. Geram sentimentos de ansiedade, medo e impotência. FONTE: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832007000500004
  18. 18. 28 II. Indivíduo Acredita-se que características próprias do indivíduo podem estar associadas a maiores ou menores índices de burnout (Tabelas 3 e 4). TABELA 3. Fatores individuais (características de personalidade) associados a índices inferiores da Síndrome de Burnout: Fator Características Tipo de personalidade com características resistentes ao estresse. Lócus de controle interno. Autoestima, autoconfiança, auto-eficácia. Envolvem-se em tudo o que fazem; acreditam possuir domínio da situação; encaram as situações adversas com otimismo e como oportunidade de aprendizagem. Responsabilizam-se pelo sucesso de sua própria vida, sendo estes encarados como consequências às suas habilidades e seus esforços. FONTE: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832007000500004
  19. 19. 29 TABELA 4. Fatores individuais (características de personalidade) associados a índices superiores da Síndrome de Burnout: Fator Características Padrão de personalidade Lócus de controle externo Superenvolvimento Indivíduos pessimistas Indivíduos perfeccionistas Indivíduos com grande expectativa e idealismo em relação à profissão; Indivíduos controladores; Indivíduos passivos. Gênero Nível educacional Estado civil Indivíduos competitivos, esforçados, impacien- tes, com excessiva necessidade de controle das situações, dificuldade em tolerar frustação. Consideram que suas possibilidades e acontecimentos de vida são consequentes à capacidade de outros, à sorte ou ao destino. Sujeitos empáticos, sensíveis, humanos, com dedicação profissional, altruístas, obsessivos, entusiastas, suscetíveis a se identificarem com os demais. Costumam destacar os aspectos negativos, preveem insucesso, sofrendo por antecipação. São bastante exigentes consigo mesmos e com os outros, não tolerando erros e dificilmente se satisfazendo com os resultados das tarefas realizadas. Podem deixar de ser realistas, tendo grandes chances de se decepcionarem. Se associado ao otimismo, pode levar a baixos índices de burnout. São inseguros, preocupam-se excessivamente, têm dificuldade em delegar tarefas e em trabalhar em grupo. Mantem-se na defensiva e tendem à evitação diante das dificuldades. As mulheres apresentam maior pontuação em exaustão emocional; e os homens em despersonalização. Indivíduos com nível mais elevado. Maior risco em solteiros, viúvos ou divorciados. FONTE: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832007000500004
  20. 20. 30 III. Trabalho Em relação aos fatores relacionados ao trabalho, alguns associados à Síndrome de Burnout são citados na tabela 5. TABELA 5. Fatores laborais (características do trabalho) associados a índices superiores da Síndrome de Burnout: Fator Características Sobrecarga Baixo nível de controle das atividades ou acontecimentos no próprio trabalho; baixa participação nas decisões sobre mudanças organizacionais. Expectativas profissionais. Sentimentos de injustiça e de iniquidade nas relações laborais. Trabalho por turnos ou noturno. Precário suporte organizacional e rela- cionamento conflituoso entre colegas. Quantidade ou qualidade excessiva de demandas que ultrapassam a capaci- dade de desempenho, por insuficiência técnica, de tempo ou de infraestrutura organizacional. Pressão no trabalho propicia, principalmente, a aparecimento de exaustão emocional. Provocam pouca ou nenhuma satisfação do trabalhador pelo seu trabalho. Indivíduos com discrepâncias entre suas expectativas de desenvolvimento profis- sional e aspectos reais de seu trabalho. Podem ser consequentes a carga de trablho. Salários desiguais para o mesmo cargo. Ascensão de colega sem merecimento. Chega a afetar cerca de 20% dos trabalhadores, acarretando transtornos físicos e psicológicos. Mais propensos: os que precisam efetuar mudanças em períodos de tempo a cada 2 ou 3 dias, passando alternadamente do período diurno para o noturno e vice-versa. Provocam pensamentos de não poder contar com ninguém; sentem-se desam- parados, carentes de orientação, desrespeitados. Quadro piora na pre- sença de indivíduos competitivos, dis- tantes, excessivamente críticos ou preguiçosos.
  21. 21. 31 Tipo de ocupação. Relação muito próxima e intensa do trabalhador com as pessoas a que deve atender; responsabilidade sobre a vida de outrem. Conflitos de papel. Ambiguidade de papel. É maior em relação aos cuidadores em geral. Exemplos: cuidadores de deficien- tes mentais, Aids, Alzheimer. Papel: conjunto de funções, expectativas e condutas que uma pessoa deve desem- penhar em seu trabalho. Conflito de papel: embate entre informações e expectativas do traba- lhador sobre seu desempenho em um determinado cargo ou função na insti- tuição. Ambiguidade de papel: normas, direitos, métodos e objetivos pouco delimitados ou claros por parte da organização. FONTE: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832007000500004 IV. Sociedade Os fatores sociais associados à Síndrome de Burnout são apresentados na tabela 6. TABELA 6. Fatores sociais associados a índices superiores da Síndrome de Burnout: Fator Características Falta de suportes social e familiar. Manutenção do prestígio social em opo- sição à baixa salarial que envolve de- terminada profissão. Valores e normas culturais. Impede o indivíduo de contar com cole- gas, amigos de confiança e familiares. O indivíduo busca vários empregos, surgindo sobrecarga de trabalho e, consequentemente, pouco tempo para descanso e lazer, para atualização pro- fissional, levando-o à insatisfação e à insegurança nas atividades desempe- nhadas. Podem incrementar ou não o impacto dos agentes estressores no desencade- amento do burnout. FONTE: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832007000500004
  22. 22. 32 3. PROCEDIMENTOS E RESULTADOS A pesquisa de campo foi realizada por meio de um questionário adaptado do Questionário de Lipp para identificar Estresse. Como o tema é a Síndrome de Burnout foram feitas algumas adaptações e elaboradas dezoito perguntas para serem respondidas pelos militares selecionados. Estes tiveram seus nomes preservados para ficarem mais à vontade e livres para as respostas. Do total dos 1.292 militares do Corpo de Bombeiros foram entrevistados 138, ou seja, uma amostra de aproximadamente 11% do efetivo total da Corporação. Desse total foram aferidas as porcentagens abaixo:  18% são do sexo feminino e 82% do sexo masculino, com idades entre 25 a 45 anos;  53% do interior do estado e 47% da capital;  25% trabalham na área administrativa e 75% na área operacional, em viaturas de resgate, salvamento e incêndio. Convém observar que nos Quartéis do interior onde existe um efetivo mais reduzido os militares não tem uma função especifica e trabalham nas três áreas (resgate, salvamento e incêndio), conforme a ocorrência atendida e a necessidade do serviço. Após a aplicação do questionário aos militares foi realizado o trabalho de tabulação e interpretação dos dados fornecidos por eles. Dentre os questionamentos foram feitas perguntas sobre: estruturas dos quartéis, convivência, sintomas da Síndrome de Burnout, salários, reclamações e sugestões, conforme segue:
  23. 23. 33 O que mais desagrada na corporação?  20% responderam falta de estrutura física, efetivo e fardamento;  11% escala de serviço;  14% salário;  28% falta de viaturas e equipamentos;  13% demora nas promoções;  14% falta de companheirismo entre os militares. Já ouviu falar ou conhece a Síndrome de Burnout?  44% dos militares disseram que não conheciam ou não ouviram falar;  56% tinham conhecimento sobre a doença. Perguntado se algum militar possui ou apresenta sintomas da doença:  88% disseram que sim possui ou apresenta os sintomas; e  12% não apresentam ou não sabem se possuem. Você se considera portador da Síndrome de Burnout?  31% disseram que sim; e  69% disseram que não. Foi observado que entre os 69% dos militares que diziam não ser portador da doença muitos apresentavam algum sintoma da mesma.
  24. 24. 34 O ambiente de trabalho pode contribuir para o aparecimento da Síndrome de Burnout?  87% disseram que sim, podem contribuir; e  13% disseram que não ou não sabiam. Procura ajuda médica ao sentir sua saúde prejudicada?  50% disseram que sim; e  50% disseram que não. Sentiu desejo ou fantasiou abandonar a profissão?  52% disseram que já pensaram em abandonar a profissão de Bombeiro; e  48% disseram que não pensaram nessa hipótese. Você considera a vida fora do trabalho estressante?  12% disseram que sim; e  88% disseram que não, que a vida é muito tranquila fora do ambiente de trabalho. Para encerrar os questionamentos aos militares entrevistados foi solicitado para que os mesmos fizessem sugestões do que eles fariam para tornar o ambiente de trabalho mais agradável.  33% sugeriram que os quartéis deveriam investir mais na convivência entre militares, harmonia, humanização e divisão de tarefas;
  25. 25. 35  22% sugeriram investimentos na estrutura física dos quartéis, viaturas, equipamentos, fardamentos;  16% melhorar as escalas de serviços;  10% acabar com o militarismo;  7% investir em atividades de lazer e entretenimento, TV, vídeos, esportes, academias;  4% educação continuada, cursos, treinamentos;  4% sugeriram investir em assistência psicológica para a tropa, palestra motivacional; e  4% sugeriram melhores salários. Após análise dos resultados verificou-se que a falta de viaturas, a estrutura física dos quarteis, a falta de efetivo e a falta de fardamento e equipamentos são os fatores que mais desagradam na Corporação. Seguidos da falta de companheirismo, defasagem salarial e escala de serviço. Verificou-se, ainda, que mais da metade dos entrevistados conhecem ou ouviram falar da doença, e que quase a totalidade (88%) reconhecem serem portadores dos sintomas, em maior ou menor grau. Porém, aproximadamente 70% dos militares não aceitam o fato de estar com a doença, o que justifica o fato da metade não procurar ajuda médica. Tal atitude conflita o fato de 87% dos entrevistados reconhecerem que o ambiente de trabalho pode levar a doença e de que a vida é muito tranquila fora do quartel, considerando, ainda, que 52% já pensarem em abandonar a profissão.
  26. 26. 36 Mediante a análise acima, ficou evidente e comprovado que o grupo pesquisado não pode ser identificado como possuidor de sintomas de estresse apenas, nesse caso, entendendo o estresse como algo necessário à vida humana até o momento em que ele esteja cumprindo a sua função de alerta e predispondo o organismo para o enfrentamento das situações de risco. O estresse, nesse caso, considerando as evidências levantadas, está sendo patológico, o que comprova indícios reais da Síndrome de Burnout no CBMMS.
  27. 27. 37 4. CONCLUSÃO E SUGESTÕES O pressente trabalho teve como objetivo o estudo da Síndrome de Burnout, suas causas, características e consequências, assim como, a busca de indícios dessa síndrome nos bombeiros militares do CBMMS, através de uma pesquisa de campo. Conclui-se, portanto, que realmente há indícios da doença nos militares da corporação diante do resultado obtido com a pesquisa aplicada que apresentou sintomas como: Hipertensão, Tristeza, Insônia, Úlcera, Dores de Cabeça, Alcoolismo, Medicamentos, Gastrite, Dores Musculares, Enxaquecas, Depressão, Fadiga, Cansaço constante, Irritabilidade, Alteração de Humor, Perda de Iniciativa, Falta de apetite, Alteração de humor, Dificuldade de concentração. Verificou-se, ainda, um descontentamento generalizado em relação a falta de viaturas, estrutura física dos quarteis, falta de efetivo e a falta de fardamento e equipamentos. Seguidos de reclamações relacionadas a falta de companheirismo, defasagem salarial e escala de serviço. Comprovou-se que mais da metade dos entrevistados conhecem ou ouviram falar da doença, e que quase a totalidade (88%) reconhecem serem portadores dos sintomas, em maior ou menor grau. Porém, aproximadamente 70% dos militares não aceitam o fato de estar com a doença, o que justifica o fato da metade não procurar ajuda médica, conflitando o fato de 87% dos entrevistados reconhecerem que o ambiente de trabalho pode levar a doença e de que a vida é muito tranquila fora do quartel, considerando, ainda, que 52% já pensarem em abandonar a profissão.
  28. 28. 38 Mediante a análise feita, ficou evidente e comprovado que o grupo pesquisado não pode ser identificado como possuidor de sintomas de estresse apenas, nesse caso, entendendo o estresse como algo necessário à vida humana até o momento em que ele esteja cumprindo a sua função de alerta e predispondo o organismo para o enfrentamento das situações de risco. O estresse, nesse caso, considerando as evidências levantadas, está sendo patológico, o que comprova níveis de risco ou indícios reais da Síndrome de Burnout no CBMMS. Finalizando, com a realização do presente trabalho certifica-se que se faz necessário a adoção de medidas urgentes para o enfrentamento do problema na Corporação, apostando em maior cuidado com a qualidade de vida e a redução dos processos de adoecimentos dos bombeiros militares na caserna. Seguem-se sugestões de medidas a serem adotadas para o enfrentamento do problema na Corporação: a) Investir em programas que visem a aprendizagem de estratégias para lidar com os fatores associados ao burnout no contexto bombeiro militar e familiar de cada profissional. b) Implantação de um processo permanente de avaliação anual do estado de saúde, principalmente psicológico, de cada militar, adotando critérios que alcancem a todos os militares e favorecendo o tratamento antes mesmo do agravamento do problema. c) Inserir na grade curricular de todos os cursos de formação e aperfeiçoamento das Corporações, uma disciplina que oriente sobre saúde psíquica qualidade de vida, ensinando o profissional militar a criar mecanismos de
  29. 29. 39 autopreservação do seu equilíbrio emocional e físico. Disciplinas estas ministradas por uma equipe multidisciplinar de profissionais da saúde. d) Atendendo a Portaria Ministerial nº 3.214, de 08 de junho de 1978, criar a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), e esta se encarregaria de realizar anualmente nas Organizações Bombeiro Militar (OBM) regionais da capital e interior do Estado de Mato Grosso do Sul, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho (SIPAT), e a realização bianual de um Fórum com temática voltada para a saúde do profissional militar e sua qualidade de vida. Sendo elaboradas a partir destes Fóruns, novas ações voltadas para a saúde mental e física dos policiais e bombeiros militares. A adoção de tais medidas favorece, por conseguinte, uma intervenção mais ampla por parte da Corporação, com o apoio de médicos e psicólogos. O grande desafio da Medicina e da Psicologia, nestes casos, é diagnosticar e combater adequadamente o burnout. Exames clínicos e testes psicológicos ajudam no diagnóstico. O tratamento, geralmente, é multidisciplinar e tem dupla abordagem, com o uso de fármacos e acompanhamento psicoterapêutico para melhorar a autoestima. Necessário ser faz, ainda, uma mudança na relação do militar com a atividade bombeiro militar. Ele deve ter o apoio e o incentivo suficientes para reavaliar o espaço que essa atividade ocupa na sua vida e adotar hábitos mais saudáveis, como: dedicar mais tempo à família, ao lazer, ao esporte, a práticas religiosas e técnicas de relaxamento.
  30. 30. 40 5. REFERÊNCIAS BENEVIDES-PEREIRA, Ana Maria. A síndrome de burnout. Disponível em: http://www.prt18.mpt.gov.br/eventos/2004/saude_mental/anais/artigos. Acessado em 19 de jun. de 2013. Costa M, Accioly Jr H, Oliveira J, Maia E. Estresse: diagnóstico dos policiais militares em uma cidade brasileira. Rev Panam Salud Publica. 2007;21(4):217– 22. DE OLIVEIRA, Ademar Gonçalves. A Síndrome de Burnout como Reflexo do Desiguilíbrio da Saúde Mental na Atividade Bombeiro Militar. Trabalho de Conclusão de Curso não publicada - CAO BM. Curso de Pós-Graduação Lato Sensu de Gestão em Segurança Publica, Centro Universitário Toledo. Campo Grande-MS, 2013. European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions. - Working Conditions in the European Union. In: Second European Survey on Working Conditions Luxembourg Office for Official Publications of the European Communities, 2985, 1995/6. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101- 60832007000500004#tab01. Acesso: 20 de jun. 2013. FREUDENBERGER, H. J. Staff burn-out. Journal of Social Issues, 30, 159-165. 1974. Disponível em: http://coletanea2008.no.comunidades.net/index.php?pagina=1225285076. Acesso: 19 de jun. 2013. Goetzel, R.Z.; Anderson, D.R.; Whitmer, R.W.; Ozminkowski, R.J.; Dunn, R.L.; Wasserman, J. - The relationship between modifiable health risks and health care expenditures. An analysis of the multi-employer HERO health risk and cost database. J Occup Environ Med 40: 843-854, 1998. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101- 60832007000500004#tab01. Acesso: 20 de jun. 2013. Juntunen, J.; Asp, S.; Olkinuora, M.; Aarimaa, M.; Strid, L.; Kauttu, K. - Doctors’ drinking habits and consumption of alcohol. BMJ 297: 951-954, 1988. LIPP MEN. Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp - ISSL. São Paulo, SP: Casa do Psicólogo, 2000. LIPP, M. Pesquisas sobre stress no Brasil: saúde, ocupações e grupos de risco. Campinas: Papirus, 1996. MAYER, Vânia Maria. Síndrome de Burnout e Qualidade de Vida em Policiais Militares de Campo Grande-MS. 2006. 157p. – Dissertação de Mestrado –
  31. 31. 41 Programa de Mestrado em Psicologia. Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Campo Grande, 2006. MASLACH, C. & JACKSON, S. Maslach Burnout Inventory Manual. Palo Alto, CA: Consulting Psichologist Press, 1986. MASLACH, C. & JACKSON, S. E. The measurement of experienced burnout. Journal of Occupational Behavior, 2, 99-113, 1981. Disponível em: http://coletanea2008.no.comunidades.net/index.php?pagina=1225285076. Acesso: 19 de jun. 2013. Revista de Psiquiatria Clínica. Vol. 34 nº 5, São Paulo/SP, 2007. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832007000500004. Samuelsson, M.; Gustavsson, J. P.; Petterson, I.L.; Arnetz, B.; Asberg, M. - Suicidal feelings and work environment in psychiatric nursing personnel. Soc Psychiatry Psychiatr Epidemiol 32: 391-397, 1997. SAVIANI, Dermeval; DUARTE, Newton. A formação humana na perspectiva histórico-ontológica. Revista Brasileira de Educação, v. 15 n. 45, pp. 422-33, set./dez. 2010. Schifferdecker, M.; Schmidt, R.; Loevenich, A.; Krahl, A. - Drug dependence among physicians. Z Arztl Fortbild (Jena) 90: 295-300, 1996a. Schifferdecker, M.; Schmidt, R.; Loevenich, A.; Krahl, A. - Is drug dependence an occupational risk for physicians?. Fortschr Med 114: 372-373, 376, 1996b. World Health Organization. - Guidelines for the primary prevention of mental, neurological and psychosocial disorders: Staff Burnout. In: Geneva Division of Mental Health World Health Organization, pp. 91-110, 1998. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101- 60832007000500004#tab01. Acesso: 20 de jun. 2013. Revistas: REVISTA VIVER MENTE E CÉREBRO. Edição de nº 161, de junho de 2006. Editora Duetto. São Paulo/SP. REVISTA DE PSIQUIATRIA CLÍNICA. Vol. 34 nº 5, São Paulo/SP, 2007. Sites: http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_burnout http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832007000500004
  32. 32. 42 6. APÊNDICE QUESTIONÁRIO ESTE TRABALHO VISA BUSCAR SUBSIDIOS PARA O TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DO AL CAS BM MAGNALDO RIBEIRO TOLEDO. (1) Idade: _______ . (2) Sexo: M(_____) F(_____). (3) Tempo de atuação na Corporação: ___________________________________ . (4) Trabalha em qual OBM? ___________________________________________ . (5) Qual setor vc trabalha? (___) Administrativo (___) Operacional (___) Ciops. (6) Caso seja operacional, qual VTR vc trabalha? __________________________ . (7) O que mais desagrada na corporação? (___) Estrutura física dos quartéis? (___) Escala de Serviço? (___) Baixos salários? (___) Falta de equipamentos e viaturas? (___) Demora nas promoções? (___) Falta de companheirismo? (___) Outros. Citar: _______________________________________________ . (8) Relacionar se é portador (a) de um ou mais sintomas associados à Síndrome de Burnout, como: (___) Hipertensão; (___) Tristeza; (___) Insônia; (___) Úlcera;
  33. 33. 43 (___) Dores de Cabeça; (___) Alcoolismo; (___) Medicamentos; (___) Gastrite; (___) Dores Musculares; (___) Enxaquecas; (___) Depressão; (___) Fadiga; (___) Cansaço constante; (___) Irritabilidade; (___) Alteração de Humor; (___) Perda de Iniciativa; (___) Falta de apetite; (___) Alteração de humor; (___) Dificuldade de concentração. (9) Procurou ajuda médica ao sentir-se com a saúde prejudicada? (___) Sim (___) Não. (10) Já se sentiu ansioso (a) para findar o quanto antes um dia de trabalho? (___) Sim (___) Não. (11) Em decorrência da divisão do trabalho operacional/administrativo, você já foi questionado se “trabalha ou se apenas cumpre expediente”? (___)Sim (___) Não. (12) Sentiu desejo, ou fantasiou abandonar a profissão? (___) Sim (___) Não. (13) O que vc faria para tornar o seu ambiente de trabalho agradável? __________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ (14) Você considera a sua vida fora da atividade BM estressante? (___) Sim (___) Não. (15) Você já ouviu falar sobre a Síndrome de Burnout? (___) Sim (___) Não.
  34. 34. 44 (16) O estresse crônico e a carga horária excessiva em sua opinião pode deflagrar a Síndrome de Burnout? (___) Sim (___) Não. (17) O ambiente de trabalho pode contribuir para a Síndrome de Burnout? (___) Sim (___)Não. (18) Você acha que pode ser portador(a) da Síndrome de Burnout? (___) Sim (___) Não.  Teste criado pela Doutora especialista Ph.d em Psicologia Marilda Emmanuel Novaes Lipp, do Laboratório de Estudos Psicofisiológicos do Stress, de Campinas.

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