A Literatura nas Normativas
Governamentais
Andressa Savoldi
LDB
• No art 1, inciso 2, diz que a educação escolar deve estar vinculada
ao mundo do trabalho e à pratica social. No art ...
• No art 26-A, inciso 2, diz que "os conteúdos referentes à história e
cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasi...
DIRETRIZES CURRICULARES DA
EDUCAÇÃO BÁSICA – Língua Portuguesa
• A literatura está inserida dentro da prática discursiva d...
• LITERATURA – A literatura, como produção humana,
está intrinsecamente ligada à vida social. Ela é vista,
segundo Candido...
• De acordo com Eagleton, é difícil definir literatura,
uma vez que depende da maneira como cada um
atribui significado a ...
• As sete teses da Estética da Recepção de Hans Robert
Jauss:
• 1) O leitor dialoga com a obra atualizando-a no ato da
lei...
• 4) Para o leitor, a obra constitui-se respostas
para os seus questionamentos (relação dialógica
do texto);
• 5) Enfoque ...
• 7) O caráter emancipatório da obra literária
relaciona a experiência estética com a
atuação do homem em sociedade,
permi...
• ENCAMINHAMENTOS METODOLÓGICOS: Os
professores de Língua Portuguesa e Literatura
têm o papel de promover o amadurecimento...
• PRÁTICA DE LEITURA
• Na concepção de linguagem assumida por estas
Diretrizes, a leitura é vista como um ato
dialógico, i...
• Devido ao papel que se atribui ao leitor, nas Diretrizes
é sugerido, como encaminhamento metodológico para
o trabalho co...
• O Método Recepcional divide-se em cinco
etapas:
• 1 – determinação do horizonte de expectativa
do aluno/leitor;
• 2 – at...
• Para a aplicação deste método, o professor precisa
ponderar as diferenças entre o Ensino Fundamental e o
Ensino Médio. N...
• O professor deve trabalhar as estruturas de apelo,
demostrando aos alunos que não é qualquer
interpretação que cabe à li...
• O trabalho com a Literatura potencializa uma prática
diferenciada com o Conteúdo Estruturante da Língua
Portuguesa (o Di...
TABELA DE GÊNEROS DISCURSIVOS CONFORME AS ESFERAS SOCIAIS
DE CIRCULAÇÃO - LITERÁRIA/ARTÍSTICA:
•Autobiografia
•Biografias
...
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS (ENSINO MÉDIO)
PARTE II – LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS
• A linguagem só é cria...
• Competências:
• Analisar, interpretar e aplicar os recursos expressivos das
linguagens, relacionando textos com seus con...
• Utilizar-se das linguagens como meio de expressão,
informação e comunicação em situações
intersubjetivas, que exijam gra...
• O texto só existe na sociedade e é produto de uma história
social e cultural, único em cada contexto, porque marca o
diá...
• Considerar a Língua Portuguesa como fonte de
legitimação de acordos e condutas sociais e como
representação simbólica de...
• COMPETENCIAS E HABILIDADES A SEREM
DESENVOLVIDAS EM LÍNGUA PORTUGUESA
• 1) Representação e comunicação
• 2) Investigação...
ORIENTAÇÕES CURRICULARES PARA O ENSINO MÉDIO
CONHECIMENTOS DE LITERATURA
• Os PNC do ensino médio, ao incorporarem no estu...
• POR QUE A LITERATURA NO ENSINO MÉDIO
• Significado de literatura (AURÉLIO) – Arte de compor ou escrever
trabalhos artíst...
• Na LDB, art 35, inciso III, a escola deverá ter como meta o
desenvolvimento do humanismo, da autonomia
intelectual e do ...
• O que é letramento literário?
• Segundo Soares, Letramento é o estado ou condição
de quem não apenas sabe ler e escrever...
• Só assim será possível experimentar a sensação de
estranhamento que a elaboração peculiar do texto literário,
pelo uso i...
• A postura dos PNC 2002 gerou alguns problemas:
• Ênfase radical no interlocutor, chegando ao
extremo de erigir as opiniõ...
• A fruição de um texto literário diz respeito à apropriação
que dele faz o leitor, concomitante à participação do
mesmo l...
• A FORMAÇÃO DO LEITOR
• Os livros passam pelo crivo mais apurado de
bibliotecários e professores, para só depois de
avali...
• Há três tendências predominantes nas práticas
escolares de leitura da Literatura que se confirmam
como deslocamentos ou ...
• A LEITURA LITERÁRIA
• Por meio da leitura dá-se a concretização de sentidos
múltiplos, originados em diferentes lugares ...
• Formar para o gosto literário, conhecer a tradição literária
local e oferecer instrumentos para uma penetração mais
agud...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

A literatura nas normativas governamentais: LDB, Parâmetros, Orientações e Diretrizes Curriculares

1.405 visualizações

Publicada em

*A LDB fala sobre o ideal de educação, daí todas as outras normativas (inclusive as Diretrizes) vão tentar fazer com que o currículo escolar atenda esse ideal.
*Nas Diretrizes o foco é a Língua Portuguesa, a Literatura entra como subitem do item Práticas Discursiva de Leitura.
*Nos Parâmetros, introduz-se a linguagem, depois parte para as competências das quais nenhum fala explicitamente sobre a Literatura, mas está implícito e vai citar a Literatura como integrada à área de leitura (semelhante às Diretrizes).
*As Orientações são mais detalhadas, vão falar mais especificamente sobre a Literatura, principalmente a razão de ela existir no EM, e critica a falta de autonomia e especificidade que lhe são devida.

Publicada em: Educação
0 comentários
2 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.405
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
12
Comentários
0
Gostaram
2
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide
  • Autobiografia – Biografias – Contos – Contos de Fadas – Contos de Fadas Contemporâneos – Crônicas de Ficção – Escultura – Fábulas – Fábulas Contemporâneas – Haicai – Hstórias em Quadrinhos – Lendas –












































    Literatura de Cordel – Memórias – Letras de Músicas – Narrativas de Aventura – Narrativas de Enigma – Narrativas de Ficção Científica – Narrativas de Humor – Narrativas de Terror – Narrativas Fantásticas – Narrativas Míticas – Paródias – Pinturas – Poemas – Romances – Tankas – Textos Dramáticos.

  • A literatura nas normativas governamentais: LDB, Parâmetros, Orientações e Diretrizes Curriculares

    1. 1. A Literatura nas Normativas Governamentais Andressa Savoldi
    2. 2. LDB • No art 1, inciso 2, diz que a educação escolar deve estar vinculada ao mundo do trabalho e à pratica social. No art 2, de forma semelhante, dirá que a finalidade da educação é o pleno desenvolvimento do educando, sua preparação para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. • O trabalho é sempre lembrado porque vivemos em sociedade e devemos trabalhar para viver. • No art 22, a educação básica tem por finalidades “desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores." • No art 26, inciso 1, citará a obrigatoriedade da língua portuguesa nos currículos e, no inciso 2, o ensino da arte como componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.”
    3. 3. • No art 26-A, inciso 2, diz que "os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados” especialmente na área de literatura, junto com educação artística e história brasileira. • No art 36, que fala sobre as diretrizes que o currículo do ensino médio deve observar, no inciso 1, é diretriz destacar "a educação tecnológica, a compreensão do significado de ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania.” • Cita ainda, apud 1, inciso 2, que o educando deve demonstrar conhecimento das formas contemporâneas de linguagem – os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação dever ser organizados de tal forma que ao final do ensino médio esse ocorra. • Lembrando que, o ensino fundamental, como fala no art 32, inciso 1, tem por objetivo a formação básica do cidadão mediante “o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo.”
    4. 4. DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO BÁSICA – Língua Portuguesa • A literatura está inserida dentro da prática discursiva de Leitura; no capítulo 2 vai falar sobre os fundamentos teórico-metodológicos e, depois, no capítulo 4, sobre os encaminhamentos metodológicos da prática de leitura (item 4.3) cuja literatura entra no subitem 4.3.1. • Tendo em vista a concepção linguagem como discurso que se efetiva nas diferentes práticas sociais, o processo de ensino-aprendizagem na disciplina de língua, busca entre outras: aprofundar, por meio da leitura de textos literários, a capacidade de pensamento crítico e a sensibilidade estética, permitindo a expansão lúdica da oralidade, da leitura e da escrita.
    5. 5. • LITERATURA – A literatura, como produção humana, está intrinsecamente ligada à vida social. Ela é vista, segundo Candido, como arte que transforma/humaniza o homem e a sociedade. O autor atribui à literatura três funções: • 1) a psicológica (que permite ao homem a fuga da realidade, mergulhando num mundo de fantasias, o que lhe possibilita momentos de reflexão, identificação e catarse); • 2) a formadora (pois a literatura por si só faz parte da formação do sujeito, atuando como instrumento de educação, ao retratar realidades não reveladas pela ideologia dominante); • 3) a social (que é a forma como a literatura retrata os diversos segmentos da sociedade, é a representação social e humana).
    6. 6. • De acordo com Eagleton, é difícil definir literatura, uma vez que depende da maneira como cada um atribui significado a uma obra literária, visto que esta se concretiza na recepção; pois sem a participação ativa do leitor não haveria obra literária. • Sob esse enfoque, sugere-se nestas Diretrizes, que o ensino da literatura seja pensado a partir dos pressupostos teóricos da Estética da Recepção e da Teoria do Efeito. A escola deve trabalhar a literatura em sua dimensão estética. Trata-se da relação entre o leitor e a obra, e nela a representação de mundo do autor que se confronta com a representação de mundo do leitor, no ato ao mesmo tempo solitário e dialógico da leitura.
    7. 7. • As sete teses da Estética da Recepção de Hans Robert Jauss: • 1) O leitor dialoga com a obra atualizando-a no ato da leitura; • 2) O leitor reage de forma individual diante da leitura devido seu saber prévio influenciado por um contexto social; • 3) O horizonte das expectativas – é possível medir o caráter artístico de uma obra literária tendo como referência o modo e o grau como foi recebida pelo público nas diferentes épocas em que foi lida (distância estética: é o afastamento ou não-coincidência entre o horizonte de expectativas pré-existentes do público e o horizonte de expectativa suscitado por uma nova obra);
    8. 8. • 4) Para o leitor, a obra constitui-se respostas para os seus questionamentos (relação dialógica do texto); • 5) Enfoque diacrônico – o contexto em que a obra foi produzida e a maneira como ela foi recebida e (re)produzida em diferentes momentos históricos (processo histórico de recepção e produção estética); • 6) Corte sincrônico – o caráter histórico da obra literária é visto no viés atual, pois a historicidade literária é melhor compreendida quando há um trabalho conjunto do enfoque diacrônico com o corte sincrônico;
    9. 9. • 7) O caráter emancipatório da obra literária relaciona a experiência estética com a atuação do homem em sociedade, permitindo a este, por meio de sua emancipação, desempenhar um papel atuante no contexto social. • A Teoria do Efeito de Wolfgang Iser reflete sobre o resultado estético da obra literária no leitor durante a recepção. • Por fim, o texto literário permite múltiplas interpretações, uma vez que é na recepção que ele significa.
    10. 10. • ENCAMINHAMENTOS METODOLÓGICOS: Os professores de Língua Portuguesa e Literatura têm o papel de promover o amadurecimento do domínio discursivo da oralidade, da leitura e da escrita, para que os estudantes compreendam e possam interferir nas relações de poder com seus próprios pontos de vista, fazendo deslizar o signo- verdade-poder em direção a outras significações que permitam, aos mesmos estudantes, a sua emancipação e a autonomia em relação ao pensamento e às práticas de linguagem imprescindíveis ao convívio social.
    11. 11. • PRÁTICA DE LEITURA • Na concepção de linguagem assumida por estas Diretrizes, a leitura é vista como um ato dialógico, interlocutivo. Ler é familiarizar-se com diferentes textos produzidos em diferentes esferas. Somente uma leitura aprofundada, em que o aluno é capaz de enxergar os implícitos, permite que ele depreenda as reais intenções que cada texto traz. Deve-se considerar o contexto de produção sócio-histórico, a finalidade do texto, o interlocutor, o gênero. Ou seja, deve- se levar em consideração não só o texto em si, mas o contexto (em que está sendo falado). Para o encaminhamento da prática de leitura, é preciso considerar o texto que se quer trabalhar e, então, planejar as atividades.
    12. 12. • Devido ao papel que se atribui ao leitor, nas Diretrizes é sugerido, como encaminhamento metodológico para o trabalho com a Literatura, o Método Recepcional (de Bordini e Aguiar), que parte dos pressupostos teóricos apresentados na Estética da Recepção e na Teoria do Efeito. • O leitor é um sujeito ativo no processo de leitura, tendo voz em seu contexto. • Os objetivos dessa proposta de trabalho são: efetuar leituras compreensivas e críticas; ser receptivo a novos textos e a leitura de outrem; questionar as leituras efetuadas em relação ao seu próprio horizonte cultural; transformar os próprios horizontes de expectativas, bem como os do professor, da escola, da comunidade familiar e social. Alcançar esses objetivos é essencial para o sucesso das atividades.
    13. 13. • O Método Recepcional divide-se em cinco etapas: • 1 – determinação do horizonte de expectativa do aluno/leitor; • 2 – atendimento ao horizonte de expectativas; • 3 – ruptura do horizonte de expectativas; • 4 – questionamento do horizonte de expectativas; • 5 – ampliação do horizonte de expectativas.
    14. 14. • Para a aplicação deste método, o professor precisa ponderar as diferenças entre o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. No Ensino médio, além do gosto pela leitura, há a preocupação, por parte do professor, em garantir o estudo das Escolas Literárias. Contudo, ambos os níveis devem partir do mesmo ponto: o aluno é leitor, e como leitor é ele quem atribui significados ao que lê, é ele quem traz vida ao que lê, de acordo com seus conhecimentos prévios, linguísticos, de mundo. Assim, o docente deve partir da recepção dos alunos para, depois de ouvi-los, aprofundar a leitura e ampliar os horizontes de expectativas dos alunos. • O primeiro olhar para o texto literário deve ser de sensibilidade, de identificação.
    15. 15. • O professor deve trabalhar as estruturas de apelo, demostrando aos alunos que não é qualquer interpretação que cabe à literatura, mas aquelas que o texto permite. As marcas linguísticas devem ser consideradas na leitura literária; elas também asseguram que as estruturas de apelo sejam respeitadas. • Para Garcia (2006), a Literatura resulta o que precisa ser redefinido na escola: a Literatura no ensino pode ser somente um corpo expansivo, não-orgânico, aberto aos acontecimentos a que os processos de leitura não cessam de forçá-la. Se não for assim, o que há é o fechamento do campo da leitura pela via do enquadramento do texto lido a meros esquemas classificatórios, de natureza estrutural (gramática dos gêneros) ou temporal (estilos de época).
    16. 16. • O trabalho com a Literatura potencializa uma prática diferenciada com o Conteúdo Estruturante da Língua Portuguesa (o Discurso como prática social) e constitui forte influxo capaz de fazer aprimorar o pensamento trazendo sabor ao saber. • Para que as propostas das Diretrizes de Língua Portuguesa se efetivem na sala de aula, é imprescindível a participação pró-ativa do professor. • Na disciplina de Língua Portuguesa/Literatura, o Conteúdo Estruturante é o Discurso como prática social, a partir dele, advém os conteúdos básicos: os gêneros discursivos a serem trabalhados nas práticas discursivas.
    17. 17. TABELA DE GÊNEROS DISCURSIVOS CONFORME AS ESFERAS SOCIAIS DE CIRCULAÇÃO - LITERÁRIA/ARTÍSTICA: •Autobiografia •Biografias •Contos •Contos de Fadas •Contos de Fadas Contemporâneos •Crônicas de Ficção •Escultura • Fábulas •Fábulas Contemporâneas •Haicai •Histórias em Quadrinhos •Lendas •Literatura de Cordel •Memórias •Letras de Músicas • Narrativas de Aventura • Narrativas de Enigma • Narrativas de Ficção Científica • Narrativas de Humor •Narrativas de Terror •Narrativas Fantásticas •Narrativas Míticas •Paródias •Pinturas •Poemas •Romances •Tankas •Textos Dramáticos
    18. 18. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS (ENSINO MÉDIO) PARTE II – LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS • A linguagem só é criada a partir da interação humana. (BAKTIN) O ser humano se constrói por meio da interação. A linguagem constrói o sujeito, é considerada como a capacidade humana de articular significados coletivos e compartilhá-los, em sistemas arbitrários de representação, que variam de acordo com as necessidades e experiências em sociedade. A principal razão de qualquer ato de linguagem é a produção de sentido. É uma herança social, uma realidade primeira, que, uma vez assimilada, envolve os indivíduos e faz com que as estruturas mentais, emocionais e perceptivas sejam reguladas pelo seu simbolismo. • Nas práticas sociais, o espaço de produção de sentidos é simultâneo. Nesse, as linguagens se estruturam, normas (códigos) são partilhadas e negociadas.
    19. 19. • Competências: • Analisar, interpretar e aplicar os recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção. (LEITURA LITERÁRIA) • As diversas realizações – em tempos diferentes -, a função e o uso das linguagens permitem verificar suas especificidades e selecionar focos de análise. • O gostar ou não de determinada obra de arte ou de um autor exige antes um preparo para o aprender a gostar. Conhecer e analisar as perspectivas autorizadas seria um começo para a construção das escolhas individuais. Assim, é preciso ensinar o aluno a ler o texto literário com as ferramentas adequadas.
    20. 20. • Utilizar-se das linguagens como meio de expressão, informação e comunicação em situações intersubjetivas, que exijam graus de distanciamento e reflexão sobre os contextos e estatutos de interlocutores; e saber colocar-se como protagonista (como autor) no processo de produção/recepção. (autor/leitor) • Atua na recepção – entender a fala do outro e se posicionar, dialogar com o texto. • Ao procurar compreender as linguagens e suas manifestações como sinônimos da própria humanidade, em busca de uma troca constante para a vida social, o aluno aprende a elaborá-las para fins determinados. Os recursos expressivos, com finalidade comunicativa, presentes nas linguagens, permitem a relação entre sujeitos de diferentes grupos e esferas sociais.
    21. 21. • O texto só existe na sociedade e é produto de uma história social e cultural, único em cada contexto, porque marca o diálogo entre os interlocutores que o produzem e entre os outros textos que o compõem. O homem visto como um texto que constrói textos. • O estudo da gramática passa a ser uma estratégia para compreensão/interpretação/produção de textos e a literatura integra-se à área de leitura. (Como visto nas Diretrizes) A interação é o que faz com que a linguagem seja comunicativa. • O texto é único como enunciado, mas múltiplo enquanto possibilidade aberta de atribuição de significados, devendo, portanto, ser objeto também único de análise/síntese. • Deve-se compreender o texto que nem sempre se mostra, mascarado pelas estratégias discursivas e recursos utilizados para se dizer uma coisa que procura enganar o interlocutor ou subjugá-lo. Com, pela e na linguagem as sociedades se constroem e se destroem.
    22. 22. • Considerar a Língua Portuguesa como fonte de legitimação de acordos e condutas sociais e como representação simbólica de experiências humanas manifestas nas formas de sentir, pensar e agir na vida social. • A literatura é um bom exemplo do simbólico verbalizado. • Analisar os recursos expressivos da linguagem verbal, relacionando textos/contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura, de acordo com as condições de produção/recepção (intenção, época, local, interlocutores participantes da criação e propagação de ideias e escolhas). • A língua dispõe dos recursos, mas a organização deles encontra no social sua matéria-prima.
    23. 23. • COMPETENCIAS E HABILIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS EM LÍNGUA PORTUGUESA • 1) Representação e comunicação • 2) Investigação e compreensão • Recuperar, pelo estudo do texto literário, as formas instituídas de construção do imaginário coletivo, o patrimônio representativo da cultura e as classificações preservadas e divulgadas, no eixo temporal e espacial. • 3) Contextualização sócio-cultural
    24. 24. ORIENTAÇÕES CURRICULARES PARA O ENSINO MÉDIO CONHECIMENTOS DE LITERATURA • Os PNC do ensino médio, ao incorporarem no estudo da linguagem os conteúdos de Literatura negaram sua autonomia e especificidade que lhe são devidas. • A Literatura é um modo discursivo entre vários, no entanto o discurso literário decorre de um modo de construção que vai além das elaborações linguísticas usuais, é menos pragmático (que menos visa a aplicações práticas). • Qual a FUNÇÃO no Ensino Médio? • A literatura pode ser um grande agenciador do amadurecimento sensível do aluno, proporcionando-lhe um convívio cuja principal característica é o exercício da liberdade. Daí, favorecer-lhe o desenvolvimento de um comportamento mais crítico e menos preconceituoso diante do mundo. (OSAKABE)
    25. 25. • POR QUE A LITERATURA NO ENSINO MÉDIO • Significado de literatura (AURÉLIO) – Arte de compor ou escrever trabalhos artísticos em prosa ou verso. • Para discutir o currículo do ensino médio, a Literatura foi tomada em seu stricto sensu: como arte que se constrói em palavras. • Se a literatura é arte, a arte serve para quê? Nesse meio dominado pela mercadoria, colocam-se as artes inventando “alegriazinha”, isto é, como meio de educação da sensibilidade; como meio de atingir um conhecimento tão importante quanto o científico (a literatura já foi tão valorizada que chegou a ser tomada como sinal distintivo de cultura); como meio de pôr em questão o que parece ser ocorrência/decorrência natural; como meio de transcender o simplesmente dado, mediante o gozo da liberdade que só a fruição estética permite; como meio de acesso a um conhecimento que objetivamente não se pode mensurar; como meio, sobretudo, de humanização do homem coisificado: esses são alguns dos papeis reservados às artes, de cuja apropriação todos tem direito.
    26. 26. • Na LDB, art 35, inciso III, a escola deverá ter como meta o desenvolvimento do humanismo, da autonomia intelectual e do pensamento crítico, não importando se o educando continuará os estudos ou ingressará no mundo do trabalho. O ensino de Literatura visa ao cumprimento deste inciso: aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. Assim, a Literatura surge como fator indispensável de humanização. • Para alcançar tais objetivos, não se deve sobrecarregar o aluno com informações sobre época, estilos, características de escolas literárias, etc., apesar de os PNC alertarem sobre o papel secundário de tais conteúdos. Trata-se prioritariamente de formar o leitor literário, melhor ainda, de “letrar” literariamente o aluno, fazendo-o apropriar-se daquilo a que tem direito.
    27. 27. • O que é letramento literário? • Segundo Soares, Letramento é o estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever, mas cultiva e exerce as práticas sociais que usam a escrita. Ou seja, podemos pensar letramento literário como estado ou condição de quem não apenas é capaz de ler poesia ou drama, mas dele se apropria efetivamente por meio da experiência estética, fruindo-o. • Devido a leitura de literatura estar se tornando cada vez mais rarefeita no âmbito escolar, faz-se necessário o letramento literário: empreender esforços no sentido de dotar o educando da capacidade de se apropriar da literatura, tendo dela a experiência literária (contato efetivo com o texto).
    28. 28. • Só assim será possível experimentar a sensação de estranhamento que a elaboração peculiar do texto literário, pelo uso incomum da linguagem, consegue produzir no leitor, o qual, por sua vez, estimulado contribui com sua própria visão de mundo para fruição estética. A experiência construída a partir dessa troca de significados possibilita, pois, a ampliação de horizontes (um tipo de conhecimento que não pode ser medido). Prazer estético – conhecimento, participação, fruição. • Se literatura é arte em palavras, nem tudo que é escrito pode ser considerado literatura. É preciso ter marcas de literariedade no texto. Recentemente, deslocou-se o foco do texto para o leitor (visto esse como co-produtor do texto) e para a intertextualidade, colocando-se em questão a autonomia e a especificidade da literatura. Uma obra precisa ter qualidade estética.
    29. 29. • A postura dos PNC 2002 gerou alguns problemas: • Ênfase radical no interlocutor, chegando ao extremo de erigir as opiniões do aluno como critério de juízo de uma obra literária, deixando, assim, a questão do “ser ou não ser literário” a cargo do leitor; • Foco exclusivo na história da literatura. Esta costuma ser o foco da compreensão do texto; • Fruição estética. Um dos conceitos que fundamentam a experiência estética é o de fruição da obra de arte pelo receptor.
    30. 30. • A fruição de um texto literário diz respeito à apropriação que dele faz o leitor, concomitante à participação do mesmo leitor na construção dos significados desse mesmo texto. Quanto mais propriamente o receptor se apropriar do texto e a ele se entregar, mais rica será a experiência estética, isto é, quanto mais letrado literariamente o leitor, mais crítico, autônomo e humanizado será. O passo inicial de uma leitura literário é a leitura individual, silenciosa, concentrada e reflexiva. • Aristóteles, analisando a sensação de deleite ante a visão de um objeto belo (que advém da imitação da natureza), reconhece no prazer estético a dupla origem: uma proveniente dos sentidos (prazer diante da técnica perfeita de imitação) e outra intelectual (prazer pelo reconhecimento da imagem original no imitado). Agrega ainda, na sua Poética, o conceito de catarse ao prazer estético.
    31. 31. • A FORMAÇÃO DO LEITOR • Os livros passam pelo crivo mais apurado de bibliotecários e professores, para só depois de avaliados, serem repassados aos alunos. • No ensino fundamental, os alunos iniciam sua formação pela literatura infanto-juvenil, em propostas ficcionais nas quais prevalecem modelos de ação e de aventuras. No ensino médio ocorre um declínio da experiência de leitura de textos ficcionais cedendo lugar à história da Literatura e seus estilos. Percebe-se que a Literatura assim focalizada prescinde da experiência plena de leitura do texto literário pelo leitor. No lugar dessa experiência estética, ocorre a fragmentação de trechos de obras ou poemas isolados considerados exemplares de determinados estilos, prática que se revela um dos mais graves problemas ainda hoje recorrentes.
    32. 32. • Há três tendências predominantes nas práticas escolares de leitura da Literatura que se confirmam como deslocamentos ou fuga do contato direto do leitor com o texto literário: • 1) Substituição da Literatura difícil por uma Literatura considerada mais digerível; • 2) Simplificação da aprendizagem literária a um conjunto de informações externas às obras e aos textos; • 3) Substituição dos textos originais por simulacros, tais como paráfrases ou resumos. (OSAKABE; FREDERICO) • Há necessidade de uma leitura integral da obra, pois esta – obra que se constrói como superação do caos – passaria, então, a atingir o caráter humanizador que antes os deslocamentos que a evitavam não permitiam atingir.
    33. 33. • A LEITURA LITERÁRIA • Por meio da leitura dá-se a concretização de sentidos múltiplos, originados em diferentes lugares e tempos. • ECO: A leitura das obras literárias nos obriga a um exercício de fidelidade e de respeito na liberdade de interpretação. [...] As obras literárias nos convidam à liberdade da interpretação, pois propõem um discurso com muitos planos de leitura e nos colocam diante das ambiguidades e da linguagem da vida. • Na teoria literária, passou-se a ênfase na obra à ênfase no leitor. • A leitura do texto literário é, pois, um acontecimento que provoca reações, estímulos, experiências múltiplas e variadas, dependendo da história de cada indivíduo. • Como leitores críticos, adquirimos a enorme liberdade de percorrer um arco maior de leituras.
    34. 34. • Formar para o gosto literário, conhecer a tradição literária local e oferecer instrumentos para uma penetração mais aguda nas obras – tradicionalmente objetivos da escola em relação à literatura – decerto supõem percorrer o arco que vai do leitor vítima ao leitor crítico. Tais objetivos são, portanto, inteiramente pertinentes e inquestionáveis, mas questionados devem ser os métodos que têm sido utilizados para esses fins. • Se o objetivo é, pois, motivar para leitura literária e criar um saber sobre a literatura, é preciso considerar a natureza dos textos e propor atividades que não sejam arbitrárias a essa mesma natureza. • O professor tem papel de mediador no contexto das práticas escolares de leitura literária, cujas escolhas ligam- se não só às preferências pessoais, mas a exigências curriculares dos projetos pedagógicos da escola.

    ×