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Tcc sistema de produção toyota

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O objetivo do presente estudo observou os acontecimentos ocorridos na Toyota dos Estados Unidos entre 2009 e 2010. Milhares de carros foram requisitados para recall por motivo de acidentes e mortes. Um duro golpe na imagem da Toyota, benchmarking de modelo de produção e qualidade para organizações do mundo inteiro. O trabalho foi desenvolvido através de revisão literária de diversas fontes, como: livros, periódicos e meios eletrônicos. Observou-se que o ocorrido com a Toyota nos Estados Unidos teve como causa principal a negligência da empresa com seu famoso sistema de produção: Sistema Toyota de Produção. Akio Toyoda, presidente da Toyota, assumiu publicamente que o sistema Toyota não acompanhou o crescimento da empresa, que assumiu o posto de maior montadora do mundo em 2008. Os problemas com a qualidade nos veículos da Toyota nos Estados Unidos propõem um olhar sobre a competitividade entre as empresas. Após análise, pode-se perceber que o rápido crescimento da Toyota fez que a empresa negligencia-se seus preceitos com a qualidade, afetando a segurança de seus clientes, o que para qualquer empresa, independentemente do porte ou atividade econômica, pode ser desastroso.

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Tcc sistema de produção toyota

  1. 1. Faculdades Integradas Teresa D´Ávila ESTUDO DE CASO: O SISTEMA DE PRODUÇÃO DA TOYOTA MOTOR COMPANY Prof. Me. André Alves Prado ¹ prado@debiq.eel.usp.br Reinaldo César Costa ² reinaldoc.costa@hotmail.com Rita Jaqueline dos Santos ² rita@euroquadros.com.br Rodrigo Alexandre Marcolino Gaspar ² rodrigogaspar@itelefonica.com.br RESUMO O objetivo do presente estudo observou os acontecimentos ocorridos na Toyota dos Estados Unidos entre 2009 e 2010. Milhares de carros foram requisitados para recall por motivo de acidentes e mortes. Um duro golpe na imagem da Toyota, benchmarking de modelo de produção e qualidade para organizações do mundo inteiro. O trabalho foi desenvolvido através de revisão literária de diversas fontes, como: livros, periódicos e meios eletrônicos. Observou-se que o ocorrido com a Toyota nos Estados Unidos teve como causa principal a negligência da empresa com seu famoso sistema de produção: Sistema Toyota de Produção. Akio Toyoda, presidente da Toyota, assumiu publicamente que o sistema Toyota não acompanhou o crescimento da empresa, que assumiu o posto de maior montadora do mundo em 2008. Os problemas com a qualidade nos veículos da Toyota nos Estados Unidos propõem um olhar sobre a competitividade entre as empresas. Após análise, pode-se perceber que o rápido crescimento da Toyota fez que a empresa negligencia-se seus preceitos com a qualidade, afetando a segurança de seus clientes, o que para qualquer empresa, independentemente do porte ou atividade econômica, pode ser desastroso. Palavras-chaves: Qualidade, Sistema Toyota de produção, Competitividade. ¹ Mestre em Educação com Menção em Gestão Educativa pela Universidad Politécnica Salesiana Ecuador. Docente da FATEA e do Programa da Pró-reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP. 2 Graduados do Curso de Administração de Empresas das Faculdades Integradas Teresa D’Ávila – FATEA – Lorena – SP.
  2. 2. ABSTRACT The objective of this study was to observe what happened to Toyota in the United States between 2009 and 2010. Thousands of cars called for recall, accidents and deaths. A hard blow to the image of the Toyota production model for benchmarking and quality for organizations worldwide. The work was developed through literary review from various sources such as books, periodicals and electronic media. What happened to Toyota in the United States as the main cause was the negligence of the company with his famous production system: the Toyota Production System. Akio Toyoda, Toyota President made a public system that Toyota did not follow the growth of the company who took over the world's largest automaker in 2008. Problems with the quality of Toyota vehicles in the United States offer a look at the competitiveness between companies. Toyota's rapid growth made the company neglects the safety of their customers, which for any company regardless of size or economic activity, can be a disaster. Key words: Quality, Toyota Production System, Competitiveness. INTRODUÇÃO Este trabalho analisa o ocorrido com a Toyota nos Estados Unidos e propõe um olhar sobre a qualidade, que além de um conceito ou um conjunto de métodos e ferramentas de melhoria, precisa ser observado como um valor intangível, que não pode ser colocado em segundo plano por nenhuma organização. Trata-se de um termo amplamente conhecido e que faz parte do dia-a-dia de qualquer organização que deseja manter-se no mercado e ser competitiva. No entanto, a busca por resultados rápidos, por conta da alta demanda, pode comprometer a oferta de produtos e serviços com qualidade. Entre 2009 e 2010, a Toyota teve sua imagem abalada por problemas ocorridos com seus carros nos Estados Unidos, onde desconformidades ocasionaram acidentes, sendo alguns fatais, ofuscando a credibilidade de uma montadora reconhecida mundialmente por seus padrões de qualidade. A Toyota alcançou o primeiro lugar no ranking das montadoras de automóveis em 2008, ultrapassando as montadoras americanas detentoras de longos anos de hegemonia na indústria automobilística. Os problemas ocorridos entre 2009 e 2010 com os automóveis da Toyota trazem à tona a questão da competitividade entre as
  3. 3. empresas e os meios utilizados para manter as vendas e resultados, em detrimento da segurança do cliente. 1.1 Problema de Pesquisa A alta competitividade no atual cenário faz com que as organizações coloquem alguns preceitos e até valores em segundo plano. Um exemplo recente é o da Toyota nos Estados Unidos. Acidentes, milhares de carros chamados para Recall e o início de uma aversão à marca em um território permeado de concorrentes (FORD, GM, CRYSLER). O que teria acontecido com a Toyota nos Estados Unidos, sendo uma empresa conhecida por seu modelo de produção e qualidade, copiada mundo afora pelas organizações em busca de melhoria da qualidade, e que de repente viu sua credibilidade ofuscada pelos problemas em seus veículos? 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.3 Histórico da Qualidade Em tempos de alta competitividade, onde as fronteiras comerciais e culturais inexistem, e com mercados cada vez mais acirrados e interligados, muitas são as variáveis que podem oferecer competitividade e manter a perenidade de uma organização, cabendo à mesma, dentro de suas peculiaridades e potencialidades, equacioná-las da melhor forma possível. Dentre essas variáveis, estão: a marca da empresa, sua reputação frente ao mercado, sua amplitude global, seu aporte financeiro, ou seu modelo de gestão. Seja qual for o segmento atuante da organização, produtos ou serviços, a variável determinante para o sucesso e, também no tocante diferencial ao competitivo, é a qualidade. Para Barros (1992, p.3), o mecanismo da qualidade só se completará “quando houver uma perfeita harmonia entre o desempenho desse produto ou serviço, associada à satisfação de quem vai utilizá-lo ou consumi-lo”. Sabe-se que grandes contribuições na busca da qualidade são de origem japonesa. O povo japonês é o berço de grandes corporações que encontraram na qualidade, impulso para atingir mercados em todas as partes do mundo. Gigantes
  4. 4. mundiais como a Sony Corp, Panasonic, Nissan, Honda e Toyota, são algumas das marcas japonesas reconhecidas pela excelência de seus processos e qualidade do produto. Segundo Maximiano (2000, p.186) consideram-se há mais de 25 séculos as afirmações para qualidade: - Qualidade significa a aplicação dos melhores talentos e esforços para produzir os resultados mais elevados, - Você faz as coisas bem feitas ou faz pela metade? - Qualidade é alcançar ou procurar alcançar o padrão mais alto, em lugar de contentar-se com o que é frágil ou fraudulento. - A qualidade não admite compromisso com segunda classe Convergindo para o contexto mercantil, onde a demanda é crescente e diversificada, a qualidade tem um enfoque mais abrangente. Barros (1992, p.3), pondera que “no processo de entendimento do conceito de qualidade, é importante perceber que sempre estarão envolvidos dois personagens: O produtor da qualidade e o consumidor da qualidade”. Concomitantemente, as mudanças na sociedade provocadas pela revolução industrial no fim do século XVII, foram seguidas pela transformação nos meios de produção. A produção passou de manufaturada para mecanização de processos. A produção em massa, onde eram produzidas grandes quantidades de determinadas peças, fez com que a qualidade se posicionasse em primeiro plano como parâmetro para resolver o problema de uniformidade. Silva (2000, p.444), coloca que a “inspeção formal só passou a ser necessária justamente quando se iniciou a produção em massa e da necessidade de peças que servissem a vários conjuntos (peças intercambiáveis)”. Para Maximiano (2000, p. 185), os principais participantes do movimento da Qualidade e suas contribuições foram:  WALTER A. SHEWHART – cartas de controle - controle estatístico da qualidade - controle estatístico do processo - técnicas de amostragem - Ciclo PDCA  ARMAND FEIGENBAUM – departamento de controle de qualidade
  5. 5. - sistema de qualidade - qualidade total  WILLIAN EDWARDS DEMING – 14 pontos - ênfase na cota certa da primeira vez - qualidade desde os fornecedores até o cliente final  JOSEPH JURAN – trilogia da qualidade (planejamento, controle e aprimoramento)  KAORU ISHIKAWA – qualidade total - círculos de qualidade A partir da revolução industrial no século XVII, com o aumento da produtividade, a qualidade caracterizou-se como uma variável de valor. A produção em larga escala, colocou a qualidade como um diferenciador de um produto de luxo dos demais. Maximiano (2000) enfatiza sobre a relatividade de atrelar a qualidade à noção de valor. “Qualidade não tem sentido popular de “melhor”. Qualidade significa melhor para determinadas condições de clientes. Estas condições são: a) utilização, b) preço de venda do produto (a qualidade não pode ser vista independentemente do custo)”. Já o especialista Norte americano em controle de qualidade J. Juran, afirma que qualidade é adequação ao uso- fitness for use. (MAXIMIANO, 2000). Para Maximiano (2000 p.192), a qualidade na moderna administração divide- se em três períodos principais: período de inspeção, período de controle estatístico e período de qualidade total. Com a produção em larga escala, tornou-se necessário acompanhar e desenvolver parâmetros que possibilitassem otimizar os processos. De acordo com Cordeiro (2004), com o início da produção em larga escala e com a cambialidade das peças na linha de montagem, passou a ser considerado fundamental o “desenvolvimento de gabaritos e acessórios baseados em um modelo padrão de peças, que eram utilizadas no alinhamento das ferramentas das máquinas de corte e na inspeção final”. Não havia no período da inspeção um controle sobre a produção de forma mais abrangente. Uma vez detectada uma peça com defeito, a mesma era enviada para o retrabalho. (CORDEIRO, 2004).
  6. 6. Conseguinte, com a já constante e crescente evolução dos processos e aumento nas demandas de produção, as empresas passaram a utilizar ferramentas estatísticas, visando aprimorar o controle dos processos em busca da qualidade. Segundo Cordeiro (2004), a grande inovação foi “reconhecer a variabilidade como um normal dos processos produtivos, onde o desafio era reconhecer o momento em que a variação do resultado do processo pudesse ser identificada como natural ou não”. A aplicação da estatística ao controle de qualidade teve como precursor Walter A. Shewhart em 1924, concomitantemente, Dogge e Rosung, desenvolveram técnicas baseadas em extrair amostras do universo pesquisado. (MAXIMIANO, 2000). Para Maranhão (1993), a qualidade apresenta as seguintes definições e explicações:  Conformidade com especificações: Quando os produtos possuem comprovadamente as características que estão descritas nos projetos, catálogos ou listas de especificações.  Valor por dinheiro: Quando você recebe um benefício compensador (tecnicamente denominado valor) em troca do dinheiro que gastou para comprar alguma coisa (você não reclama do preço pago).  Adequação para uso: Quando aquilo que você compra é capaz de fazer pelo menos o que dele se espera. (Você não reclama de mau funcionamento).  Atratividade de mercado: Quando você livremente usa o direito de escolher um determinado produto dentre os vários outros concorrentes. É o que acontece quando você decide por um produto em uma prateleira de supermercado. (Por alguma razão, você escolhe o mais atrativo do mercado, seja por preço, pela aparência, pelo conteúdo, pela marca ou outra qualquer razão.) 2.4 Controle da Qualidade Total Segundo Maximiano (2000), os conceitos do Controle da Qualidade Total - Total Quality Control - são um conjunto de preposições dos conceitos da qualidade já existentes.
  7. 7. Cabe salientar a contribuição das ações militares como precursoras da implantação das primeiras ferramentas e conceitos da qualidade. Maximiano (2000), afirma que a necessidades de grande quantidade de itens, com altos padrões de qualidade, “fez com que os militares norte-americanos adotassem técnicas de amostragem e também, instituíssem treinamentos para os funcionários da indústria bélica e seus respectivos clientes”. Maximiano (2000, p.196), alerta que a “quantidade da produção ficou mais importante que a qualidade”. Diante do exposto, a mentalidade da alta administração convergia para a acomodação provocada pelo volume produzido, em detrimento de conhecer as causas e origens das falhas, que resultavam em produtos defeituosos. Para alguns dirigentes era mais vantajoso permitir o custo com o desperdício do que investir no aprimoramento no controle e qualidade. Maximiano (2000) pondera que, apesar das grandes contribuições dos pesquisadores americanos no tocante a qualidade, alguns de seus preceitos foram renegados ou inadequados para algumas empresas americanas. Para Campos (1992, p. 15) “o TQC é o controle exercido por todas as pessoas para a satisfação das necessidades de todas as pessoas”. Em meados de 1960, o pesquisador Feigenbaum iniciou uma nova era da qualidade, a TQC – Total Control Quality (Controle da Qualidade Total). Maximiano (2000, p.197) pondera que Quem estabelece a qualidade é o cliente e não os engenheiros, nem o pessoal de marketing ou da alta administração. A qualidade de um produto ou serviço pode ser definida como um conjunto total das características de marketing, engenharia, fabricação e manutenção do produto ou serviço que satisfazem as expectativas do cliente. Maximiano (2000), enumera em oito estágios as colocações da qualidade diante desse novo prisma:  Marketing: Avalia o nível de qualidade desejado pelo cliente e o custo que ele está disposto a pagar.  Engenharia: Transforma as expectativas e desejos do cliente em especificações.  Suprimentos: escolhe a compra e retém fornecedores de peças e materiais.
  8. 8.  Engenharia de processos: Escolhe as máquinas, ferramentas e métodos de produção,  Produção: A supervisão e os operadores têm uma responsabilidade importante pela qualidade durante a fabricação.  Inspeção e testes: Verificam a conformidade do produto com as especificações.  Expedição: Responsável pelas funções de embalagem e transporte.  Instalação e assistência técnica (serviço). A instalação e assistência técnicas corretas ajudam a garantir o funcionamento correto do produto. 2.5 JUSE- Union of japonese scientists and engineers- União dos cientistas e engenheiros do Japão Quem realmente absorveu as contribuições de Feigenbaum e de outros pensadores a respeito da qualidade, foi o povo japonês. Após o fim da guerra e com o desafio de se reconstruir e fortalecer seu parque industrial, base de sua economia voltada para a exportação, o Japão empreendeu esforços para aprimorar seus processos e desenvolver programas que viabilizassem seu crescimento. Maximiano (2000, p. 199), afirma que um “marco nesse processo foi a criação da Juse- Union of japonese scientists and engineers- Sindicato dos cientistas e engenheiros do Japão”, que se tratava de uma entidade não governamental e sem fins lucrativos. Através de convite da JUSE em 1950, o Dr. Edward Willian DEMING, especialista em técnicas de amostragem e aplicativos estatísticos. Deming já havia estado no Japão em 1947 durante a ocupação norte-americana após o fim da guerra (MAXIMIANO, 2000). Maximiano (2000), aponta que com o apoio da JUSE, Deming ressaltou a importância do envolvimento da alta administração no aprimoramento da qualidade. Deming alertava para que não se repetisse no Japão o corrido anteriormente nos Estados Unidos, quando mesmo com as novas contribuições de Feigenbaum sobre a TQC, as empresas arcaicamente tinham a qualidade apenas como um parâmetro para separar produtos bons dos ruins, sem atentar para detectar a falha que originou o produto defeituoso.
  9. 9. 2.6 Normas ISO 9000 Segundo Reis (1994, p.55), as normas internacionais ISO 9000 “são normas contratuais, isto é, aplicáveis em situações contratuais que exijam demonstração de que a empresa fornecedora é administrada com qualidade”. Barros (1993, p.50) pondera Que as normas da série ISO, por si sós, não produzirão qualidade nas empresas. Elas, como toda e qualquer norma, são apenas uma referência do “o que fazer”. O “Como fazer” é um problema nada simples que a própria empresa deverá estudar planejar e executar com seus próprios recursos e adaptados à sua realidade. Maximiano (2000, p. 207) advoga que “a família ISO 9000 de normas representa uma espécie de consenso internacional a respeito das boas práticas de administração da qualidade, mas não é garantia da qualidade de produtos”. Para Silva (2004, p. 462), A família de normas da ISO 9000 define os padrões de um sistema de qualidade que orientam o desempenho de uma empresa em requisitos específicos nas áreas de projeto/desenvolvimento, produção, instalação e serviço. São baseadas na premissa de que certas características genéricas de práticas administrativas podem ser padronizadas, e que um sistema de qualidade bem desenhado, bem implementado e cuidadosamente administrado fornece a confiança de que a produção satisfará as expectativas e os requisitos dos clientes. Segundo Maranhão (1993, p.13), o objetivo da ISO é “fixar normas técnicas essenciais de âmbito internacional, para evitar abusos econômicos ou tecnológicos dos países mais desenvolvidos”. A figura 1 apresenta a evolução das normas em nível mundial:
  10. 10. Figura 1 – Evolução das Normas em Nível Mundial Fonte: REIS; MANÃS (1994). Segundo Morejón (2005) quando da criação das normas ISO, em 1987, determinou-se que elas seriam periodicamente revisadas, seja para o aprimoramento contínuo do próprio conteúdo, seja para que refletissem as inovações inerentes aos processos organizacionais. Na primeira revisão, realizada em 1994, manteve-se a série de normas ISO9000 a ISO 9004 –, cada qual com características, abrangências e objetivos específicos, mas sem o significado de uma progressão de melhoria. Essas normas podem ser divididas em dois tipos – diretrizes e normas contratuais –, sendo que as empresas só podem ser certificadas em relação a estas. As diretrizes orientam a seleção e uso das normas (ISO 9000) e a implementação de um sistema de gestão de qualidade (ISO 9004); esta última emprega frases como “O sistema de qualidade deve...”. As normas contratuais (ISO 9001, ISO 9002 e ISO 9003) tratam de modelos para contratos entre fornecedor (que é a empresa em questão) e cliente; emprega frases como “O fornecedor deve...”. 2.7 Integração das Ferramentas e Métodos da Qualidade Mesmo com todo o desenvolvimento e aperfeiçoamento de ferramentas e métodos para qualidade, ainda são grandes as não conformidades encontradas na
  11. 11. produção das empresas. Uma nova vertente na gestão da qualidade é o conceito de integração dos métodos e ferramentas da qualidade (REBELATO, 2010). Nessa seara, ocorre a ação conjunta de todos os elementos envolvidos nos processo: ferramenta da qualidade, colaboradores e planejamento estratégico. Rebelato (2010, p. 130), comenta que apesar de a integração ser uma idéia presente no vocabulário dos especialistas, a falta de continuidade e dinamismo interativo na aplicação dos métodos e ferramentas da qualidade pelas empresas é uma realidade. Barros (1992, p.48) comenta: A falta de ÉTICA no campo da Qualidade também tem afetado, sobremaneira, a competitividade entre empresas. Produtos mascarados ou promessas de desempenho não cumpridas são alguns dos problemas enfrentados pelos consumidores e pelas empresas sérias e bem- intencionadas. 3 METODOLOGIA O trabalho foi elaborado através de pesquisas bibliográficas que, segundo Carvalho (1988), consiste em procurar uma informação que não se sabe e que se precisa saber. Além disso, foi realizado um estudo de caso sobre a Toyota e seus problemas com a qualidade nos Estados Unidos. Ainda conforme autor supracitado, a metodologia do estudo de caso procura desenvolver a capacidade de análise de uma situação concreta e de síntese de conhecimentos aprendidos. O estudo de caso da Toyota, com enfoque nos problemas ocorridos com seus veículos nos Estados Unidos, propõe um olhar da qualidade à luz da grande competitividade entre as organizações. A pesquisa pretende demonstrar que nenhum sistema é tão eficiente que não possa falhar, quando alguns valores são negligenciados. Principalmente quando não há Ética nos processos. 4 ESTUDO DE CASO 4.1 Toyota Motor Company A trajetória da Toyota iniciou-se no final do século 19, quando seu idealizador Sackichi Toyoda inventou a 1ª máquina de fiar elétrica do Japão. O desenvolvimento na indústria têxtil naquele momento fomentou o ideal de aperfeiçoamento da manufatura, fez nascer a Spinning and Weaving Company. Com o apoio de seu filho
  12. 12. Kichiro Toyoda, Sacckichi criou a primeira máquina de fiar automática em 1924, conforme ilustrada na figura 3. Figura 2 - 1ª Máquina de fiar automática Fonte: Toyota (2011) Após algumas viagens aos Estados Unidos e Europa, Kichiro Toyoda vislumbrou-se com o início da indústria auotmotiva que já dava seus primeiros passos. Em 1937, nasce a Toyota Motor Company, passando da produção de indústria têxtil à produção de automóveis. Atualmente, a empresa possui 51 unidades fabris, 522 subsidiárias, presença global em 170 países, cerca de 320.500 colaboradores. Sediada em Aichi, no Japão, cidade conhecida também como Toyota City, ilustrada na figura 4:
  13. 13. Figura 3 - Planta Industrial da Toyota no Japão Fonte: Prado (2010) 4.1 Sistema Toyota de Produção Figura 4 - Linha de montagem da Toyota Fonte: Prado (2010) O sistema Toyota de produção foi criado pelo engenheiro Taichi Ono e por Eiji Toyoda, da família fundadora da empresa (MAXIMIANO, 2006). O sistema Toyota de produção tornou-se referência mundial para as organizações, devido aos ganhos na produção e flexibilidade. Uma característica é a autonomia dada aos colaboradores, que podem interromper a linha de produção quando há um problema. Laruccia (2000) apresenta algumas metodologias do sistema Toyota de produção: KANBAN: A palavra KANBAN significa cartão ou anotação visível. Na verdade, KANBAN é uma técnica de controle de produção, através de sinais visíveis. JUST IN TIME: Adquirir materiais apena no tempo de fabricar e serem vendidos. Eliminar desperdícios no processo total de fabricação. KAIZEN: Significa melhoria contínua. Uma das ferramentas para o Controle de Qualidade, através da interação constante de todos os setores e pessoas da empresa, visando à geração de alternativas para aperfeiçoamento. 4.2 Problemas nos veículos da Toyota nos Estados Unidos Em 2008 a Toyota se tornou a maior montadora do mundo, ostentando a fama de produzir veículos de qualidade e em um sistema de produção copiado por diversas organizações ao redor do planeta. No entanto, em meados de 2009, a
  14. 14. montadora viu-se em uma situação onde até então, ninguém, até mesmo a empresa, imaginou viver: Surgiram reclamações de que seus veículos apresentavam problemas, em específico, aceleração involuntária. Problema verificado em diversos modelos da montadora nos Estados Unidos em outros países. 4.3 Toyota assume falha na Qualidade Diante das constantes reclamações e incidentes observados em seus veículos, o N.H.T.S.A – National Highway Traffic Safety Administration, agência responsável pela segurança do tráfego nos Estados Unidos, pressionou a alta administração da Toyota, que admitiu saber do problema de aceleração indevida de seus veículos e iniciou um gigantesco recall em quase 9 milhões de unidades. A montadora japonesa admitiu que seu alardeado processo de manufatura com qualidade havia falhado e a filosofia de melhoria contínua, Kaizen, seria colocado à prova de uma maneira extrema. Segundo informações do site CARPLACE(2011), o problema de aceleração involuntária de seus veículos ocorreu devido à má fixação dos tapetes, que provocavam o travamento do pedal do acelerador, levando a aceleração indevida do veículo, conforme ilustra a figura 7: Figura 5- Problema na fixação do tapete travando o pedal do acelerador. Fonte: Carplace (2009)
  15. 15. Após assumir o erro, o presidente mundial da Toyota Akio Toyoda, pediu desculpas públicas a todos os prejudicados com os problemas dos veículos da empresa. Shinichi Sasaki, diretor de qualidade da Toyota, afirmou que o 1º lugar como maior montadora do mundo, conquistado em 2008, pode ter ocasionado uma negligência da montadora em seus princípios da qualidade. O presidente da Toyota afirmou ainda, que seria criado um comitê da qualidade e novos centros de treinamentos nas unidades da montadora. A figura 8 apresenta os veículos que apresentaram problemas: 4.4 Recuperação da Toyota O Toyota Corolla é o sucesso de vendas no mundo. No Brasil lidera as vendas do segmento de sedãs, a frente de concorrentes como a Honda, Kia, Ford e GM, conforme ilustra a figura 9:
  16. 16. Figura 6 - Gráfico de sedãs médios no Brasil de maio de 2010 a fev. 2011 Fonte: Noticias automotivas (2011). Após anos de predomínio das montadoras americanas a frente das maiores do mundo, em 2008 a Toyota assumiu o primeiro lugar. Pouco tempo depois começou os problemas com seus veículos, nos Estados Unidos, principal mercado da empresa. Recalls, acidentes e um transtorno causado pela negligência da Toyota em seus princípios da qualidade. Depois de todos os problemas, a empresa mantém as vendas, logo atrás das empresas norte-americanas. A Toyota está entre os dez mais vendidos nos Estados Unidos, ocupando a terceira posição, conforme ilustra a Tabela 2: Pos Modelo Agosto /10 Julho 2011 /10 Pos 2010 1 Ford F-Series 48,795 2% 1 361,978 7% 1 1 2 Silverado 36,832 8% 2 252,738 7% 2 2 3 Toyota Camry 30,185 -2% 3 204,67 -7% 3 3 4 Nissan Altima 23,016 24% 6 176,198 18% 4 7 5 Chevrolet Cruze 21,807 new 4 169,427 new 6 116
  17. 17. 6 Dodge Ram P/U 21,243 12% 8 153,452 24% 13 10 7 Hyundai Sonata 20,682 -3% 7 156,58 22% 11 12 8 Ford Escape 20,607 39% 5 167,625 30% 8 13 9 Honda Accord 18,439 -18% 13 162,375 -16% 9 4 10 Ford Fusion 17,925 11% 10 168,929 16% 7 8 [Digite uma citação do Pode-se observar, que mesmo depois de todos os problemas ocorridos recentemente, a marca mantém posição de destaque no segmento de vendas de seus veículos, até mesmo nos Estados Unidos. A força da empresa e sua credibilidade conseguiram superar o problema com a qualidade. Prova de que a filosofia do Kaizen, melhoria contínua, foi o suporte necessário para a Toyota iniciar sua recuperação. No entanto, concorrentes asiáticos em especial a Hyundai, aproveitaram o momento de fragilidade da montadora japonesa para ganhar força no mercado. 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO Após a análise literária e observando as informações sobre os problemas com os veículos da Toyota, nos Estados Unidos, pode-se verificar que o rápido crescimento da empresa não foi acompanhado pelo seu sistema de produção. A qualidade, principal premissa da empresa, ficou renegada ao volume de produção. Akio Toyoda, presidente da Toyota, pediu desculpas publicamente por todos os problemas mecânicos nos carros da mont adora. Admitiu que o rápido crescimento da empresa teve como consequência a negligência da empresa quanto ao treinamento adequado dos funcionários, o que ocasionou as falhas na qualidade e os defeitos de seus veículos. Conforme exposto na revisão literária do estudo de caso da Toyota, verificou- se que a qualidade ficou renegada ao volume de produção. E que também ocorreu a inobservância à ÉTICA, uma vez que, mesmo ciente das falhas, a montadora não procurou sanar o problema e permitiu que veículos defeituosos fossem colocados à venda. Pode-se afirmar que o sistema Toyota não foi o responsável pela falha dos veículos. Conforme verificado na elaboração do trabalho, a empresa sabia do problema e omitiu-se. Na linha de produção certamente foi observado que algo Tabela 1: Ranking de vendas de automóveis nos Estados Unidos. Fonte: Ultra Motors (2011).
  18. 18. estava em desconformidade. O sistema Toyota, em uma de suas premissas, permite ao colaborador da linha parar o processo quando encontra algum problema. O que leva ao entendimento que a alta administração da Toyota, por algum motivo: ÉTICO, CULTURAL ou ECONÔMICO, não agiu prontamente quando era necessário. A omissão somente foi deixada de lado quando a situação se agravou, com o grande número de reclamações, acidentes e intervenção das autoridades americanas. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Apesar de ter a imagem e credibilidade abalada, a Toyota tem a oportunidade de aprimorar a sua já eficiente metodologia de manufatura, uma vez que a proposta de melhoria contínua, “Kaizen”, é uma de suas premissas mais relevantes. Mais que uma exigência do mercado, o fator qualidade pode envolver questões bem mais complexas do que lucro e competitividade, pode ocasionar prejuízos imensuráveis, como as mortes ocasionadas com proprietários de veículos da marca Toyota. O ocorrido com a Toyota nos Estados Unidos demonstra que todo processo, por mais eficiente que seja, necessita sempre de aprimoramento e, principalmente, deve estar alinhado aos valores. A recuperação da Toyota já é visível, as vendas crescem significativamente, demonstrando a força da empresa. É pertinente salientar o crescimento das montadoras asiáticas, com destaque para a Hyundai, que começa a fortalecer suas vendas, com produtos de qualidade, alta tecnologia e preços competitivos. O descaso da Toyota com a qualidade fez com que diversas montadoras ganhassem impulso no mercado. A qualidade, independentemente do produto ou serviço oferecido, não pode ser colocada em segundo plano por nenhuma organização. Mais que agregar valores tangíveis, ela representa os reais valores e compromissos da empresa, onde o limite entre a ética e ambição, é muito tênue, e pode ser rompido facilmente. A questão da falta de valores é uma constante em nossa sociedade, passando pela família, sociedade e, não diferente, acaba atingindo às organizações. O caso da Toyota não é o primeiro. Ford e GM também já sofreram com o descaso com a qualidade de seus produtos, no entanto o que ocorreu com as americanas não serviu de lição para a montadora japonesa, pioneira da qualidade.
  19. 19. REFERÊNCIAS BARROS, C. D. C. Sensibilizando para a qualidade. Rio de Janeiro-RJ: Qualitymark, 1992. CAMPOS, V. F. TQC: Controle da Qualidade Total ( no estilo Japônês). Belo Horizonte-MG: Fundação Christiano Ottoni, Escola de Engenharia da UFMG: Bloch Editores S.A., 1992. CARVALHO, M. C. de. Construindo o saber: Técnicas de metodologia científica. São Paulo: Papirus, 1988. CHIAVENATO, I.Teoria geral da administração.São Paulo-SP: McGraw-Hill, 1987. CORDEIRO, José Vicente B. de Mello. Reflexões sobre a gestão da qualidade total: fim de mais um modismo ou incorporação do conceito por novas ferramentas de gestão? Disponível: < http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/revista_da_fae/pdf->- Acesso em: 30 set. 2011. GUTIERRES, Nathalie: Lean Seis Sigma. Banas Qualidade, São Paulo, n. 192, p.34-39, maio 2008. Histórico da Toyota. Disponível : < WWW.toyota.com.br>- Acesso em 20 mai. 2011. LARUCCIA, Mauro M. Histórico da Qualidade. As origens históricas do controle de qualidade. Disponível : <http://www.maurolaruccia.adm.br/trabalhos/qualidade.htm>- Acesso em: 29 set. 2011. Manual para a elaboração de trabalhos de conclusão de curso. Disponível: http://fatea.br/fatea/files/2009/11/ManualParaElaboracaoDeTrabalhosDeConclusaoD eCurso_3Ed_2010.pdf>- Acesso em 15 abr. 2011. MARANHÃO, M. ISO Série 9000: Manual de implementação. Rio de Janeiro-RJ: Qualitymark, 1993. MAXIMIANO, A. C. A. Teoria geral da administração: da revolução urbana à revolução digital. São Paulo-SP: Atlas, 2006. _____________. Teoria geral da Administração: da escola científica à competitividade na economia globalizada. São Paulo-SP: Atlas, 2000. MOREJÓN M. A. G. A IMPLANTAÇÃO DO PROCESSO DE QUALIDADE
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