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Introdução à Orientação
Palestra aos Luzeiros do Sudoeste – 
Palmas/PR
Anderson Prado AndradeAnderson Prado Andrade**
* Bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras e Pós­Graduado em Ciências Militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais
  
Objetivos
Dar,  aos  Desbravadores  noções  básicas  sobre  o 
esporte de Orientação.
Entender  a  Orientação  como  uma  ferramenta  de 
aprendizagem interdisciplinar.
Compreender a importância da tomada de decisão.
Desenvolver  a  capacidade  de  observação, 
memorização,  percepção  e  velocidade  na  tomada  de 
consciência do erro.
Padronizar  procedimentos  relativos  ao  esporte 
Orientação.
  
Sumário
 Introdução
 Desenvolvimento
 Definição de Orientação
 Histórico da Orientação
 Tipos de Orientação
 Percurso de Orientação
 Bússola
 Sinalética
 Mapa de Orientação
 Uniforme
 Conclusão
  
INTRODUÇÃO
A  orientação  que  tem  tanto  para 
oferecer ao atleta que goste de pensar 
e  correr,  é  bastante  exigente  tanto  a 
nível  físico  como  a  nível  cognitivo. 
Através do estudo de Kolb, Sobotka e 
Werner  (1987),  podemos  verificar  a 
contribuição  relativa  das  várias 
componentes  para  a  performance 
global  da  Orientação.  Existe  um 
equilíbrio  entre  a  capacidade 
cognitiva  (orientação/navegação: 
46%)  e  a  capacidade  física  (corrida: 
54%). 
  
INTRODUÇÃO
  
INTRODUÇÃO
  
DEFINIÇÃO
Tomando por base a sua disciplina mais praticada, a 
Orientação  Pedestre,  poderemos  definir  a 
modalidade  como  uma  corrida  individual,  contra­
relógio,  em  terreno  desconhecido  e  variado, 
geralmente de floresta ou montanha, num percurso 
materializado no terreno por pontos de controle que 
o  orientista  deve  descobrir  numa  ordem  imposta. 
Para  o  fazer,  ele  escolhe  os  seus  próprios 
itinerários,  utilizando  um  mapa  e,  eventualmente, 
uma bússola. 
  
HISTÓRICO
Major Killander
  
HISTÓRICO
  
HISTÓRICO
  
HISTÓRICO
José Otavio Franco DornellesJosé Otavio Franco Dornelles
  
TIPOS DE ORIENTAÇÃO
Orientação Pedestre 
A Orientação Pedestre é a
disciplina da Orientação com
maior tradição e número de
praticantes, tanto no Brasil
como a nível internacional.
São utilizados mapas
específicos para Orientação
Pedestre.
  
TIPOS DE ORIENTAÇÃO
Orientação em BTT 
A Orientação em BTT é uma disciplina
semelhante à Orientação Pedestre,
mas onde a deslocação é feita em BTT
e apenas por caminhos.
A Orientação em BTT é a disciplina da
Orientação em fase de maior
desenvolvimento a nível internacional,
sendo reconhecidas as suas enormes
potencialidades de futuro.
São utilizados mapas específicos para
Orientação em BTT.
  
TIPOS DE ORIENTAÇÃO
Corridas Aventura 
Disciplina da Orientação, por equipas,
que consiste numa prova de um ou
vários dias com diversas etapas:
Orientação Pedestre, Orientação em
BTT, em canoa, manobras de cordas e
outros.
Esta disciplina a nível internacional
não é reconhecida pela Federação
Internacional de Orientação.
São utilizadas cartas militares 1:25000
ou, sempre que possível, mapas de
Orientação Pedestre ou de Orientação
em BTT.
  
TIPOS DE ORIENTAÇÃO
Orientação de Precisão (Trail­O) 
Disciplina da Orientação direcionada
para pessoas com deficiência motora,
mas normalmente aberta a todos e
com grandes potencialidades ao nível
da aprendizagem da Orientação.
Na Orientação de Precisão, o único
fator avaliado é a capacidade de
leitura do mapa e interpretação do
terreno.
São utilizados mapas da Orientação
Pedestre mas normalmente com
escalas maiores.
  
TIPOS DE ORIENTAÇÃO
Orientação em Esqui 
Disciplina da Orientação adaptada a
terrenos com neve. Tal como na
Orientação em BTT, a deslocação
apenas se pode realizar nos caminhos
indicados no mapa.
São utilizados mapas específicos para
Orientação em Esqui.
Pelas características próprias do clima,
a sua prática não se verifica no Brasil.
  
PERCURSO
  
PERCURSO
Um percurso de Orientação é constituído por uma partida, uma série de pontos de controle
identificados por círculos no mapa, e por uma meta.
Na partida, cada praticante recebe um mapa onde estão marcados, a cor púrpura (magenta).
  
PERCURSO
PARTIDA
Um triângulo que
corresponde ao ponto
onde se inicia a
orientação propriamente
dita e materializado no
terreno por uma “baliza”
(prisma de cores laranja
e branca), sem código
nem picotador.
  
PERCURSO
Círculos que correspondem a
PONTOS DE CONTROLE,
materializados no terreno pelas
"balizas", com um código
definido para cada uma e que
estão acompanhadas de uma
estação eletrônica e/ou um
picotador. Introduzindo o seu
identificador eletrônico que é
transportado preso num dedo, ou
picotando o seu cartão de
controle, o praticante comprova a
passagem por cada ponto.
  
PERCURSO
Dois círculos concêntricos que
correspondem à CHEGADA,
materializada no terreno por
uma “baliza”, também ela
acompanhada de uma
estação electrônica (e/ou um
picotador). Introduzindo o seu
identificador (ou picotando o
seu cartão de controle) o
praticante comprova o termino
do seu percurso.
  
PERCURSO
●Num percurso tradicional de Orientação terão de ser visitados
todos os pontos de controle pela ordem indicada sob pena de
desclassificação.
●O percurso a seguir entre os pontos de controle não está
definido e é decidido por cada participante. Este elemento de
escolha do percurso e a capacidade de se orientar através da
floresta são a essência da Orientação.
●A maioria das provas de Orientação utiliza o sistema de
contra-relógio com partidas intervaladas para que o orientista
tenha a possibilidade de realizar individualmente as suas próprias
opções. Mas existem muitas outras formas populares, incluindo
estafetas e provas de partida em massa.
  
BÚSSOLA
A  bússola  é  o  único  auxiliar 
permitido  para  ajudar  na 
orientação,  embora  não  seja 
obrigatório.  Por  exemplo,  em 
diversas  fases  da  formação  de 
jovens é importante não utilizar 
bússola. 
Uma  bússola  é  um  aparelho 
com uma agulha magnética que 
é atraída para o pólo magnético 
terrestre. Os atletas  utilizam­na 
para orientar o mapa para norte 
fazendo  coincidir  a  agulha  da 
bússola  com  as  linhas  de  norte 
presentes no mapa. 
  
BÚSSOLA
Existem  bússolas  próprias  de 
competição  que  se  transportam 
presas  ao  dedo  e  directamente 
em cima do mapa. No entanto, 
mesmo  em  competição,  pode 
ser  utilizada  qualquer  tipo  de 
bússola. 
No  hemisfério  sul  as  bússolas 
têm  de  ser  diferentes  das 
utilizadas  no  hemisfério  norte, 
devido à diferente influência do 
campo magnético terrestre entre 
os dois hemisférios. 
  
SINALÉTICA
A sinalética  é a descrição da 
localização  exata  dos  pontos 
de  controle  indicados  pelo 
mapa. 
Para além disso, indica qual a 
colocação  da  baliza 
relativamente  ao  elemento 
característico  onde  está  o 
ponto  de  controle  e  assegura 
ao  orientista,  através  do 
código, que se trata do ponto 
procurado. 
  
SINALÉTICA
  
SINALÉTICA
Não deve ser confundida com 
a  simbologia  do  mapa, 
embora  exista  semelhança 
entre a maioria dos símbolos 
utilizados  no  mapa  e  os 
utilizados na sinalética. 
Para o transporte da sinalética 
é  normalmente  utilizado  um 
porta­sinalética que se adapta 
ao antebraço do atleta. 
  
MAPA
Sendo o Mapa de Orientação um mapa topográfico 
detalhado, deverá conter as características do terreno 
que  sejam  óbvias  para  um  orientista  em  corrida. 
Nele se insere tudo o que possa influenciar a leitura 
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progressão através da vegetação, áreas de cultivo, progressão através da vegetação, áreas de cultivo, 
hidrografia,  zonas  privadas  e  casas  individuais, hidrografia,  zonas  privadas  e  casas  individuais, 
rede de caminhos, outras linhas de comunicação e rede de caminhos, outras linhas de comunicação e 
todas as demais características úteis à orientaçãotodas as demais características úteis à orientação. 
  
MAPA
  
MAPA
A forma do terreno é uma das 
características  mais 
importantes  num  Mapa  de 
Orientação.  A  utilização  de 
curvas  de  nível  é  essencial 
para  a  representação  de  uma 
imagem  tridimensional  do 
terreno  (a  sua  forma  e 
variação em altitude). 
  
MAPA
O  mapa  deverá  conter  linhas  de 
norte  magnético  e  poderá  conter 
nomes  de  locais  e  outro  texto 
periférico que possam ajudar o seu 
utilizador  a  orientá­lo  para  Norte. 
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oeste  para  este.  Texto  dentro  da 
área  do  mapa  deverá  ser  colocado 
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letra deverá ser simples. 
As  linhas  de  Norte  Magnético 
devem ser paralelas aos limites da 
folha  do  mapa,  podendo  conter 
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MAPA
  
MAPA
Relevo (castanho) Relevo (castanho) 
A  forma  do  terreno  é 
representada  a  castanho  por 
curvas  de  nível  detalhadas  e  por 
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representar cotas, depressões, etc. 
O  relevo  é  complementado  a 
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MAPA
Terreno  rochoso  e  pedras Terreno  rochoso  e  pedras 
(preto + cinzento) (preto + cinzento) 
A  inclusão  das  rochas  é  útil  para 
avaliar  perigos  e  velocidades  de 
progressão.  Fornece  também 
elementos para uma melhor leitura 
do mapa e para pontos de controlo. 
As rochas são representadas a preto 
para  se  distinguirem  de  outros 
elementos de relevo. 
  
MAPA
Água e pântanos (azul) Água e pântanos (azul) 
Este grupo inclui zonas aquáticas e 
tipos  especiais  de  terreno  criados 
pela  presença  de  água  (pântanos). 
A  classificação  é  importante  visto 
que  indica  o  grau  de  dificuldade 
que  se  apresenta  perante  o 
orientista  e  fornece  elementos 
(poços,  nascentes  e  outros)  para  a 
leitura  do  mapa  e  para  pontos  de 
controlo. 
  
MAPA
Vegetação  (verdeVegetação  (verde   + + 
amarelo)amarelo)  
A  representação  da  vegetação  é 
importante para o orientista porque 
indica a velocidade de progressão e 
a  visibilidade,  fornecendo  também 
elementos  (árvores,  troncos,  etc) 
para a leitura do mapa. 
  
MAPA
Elementos  construídos Elementos  construídos 
(preto) (preto) 
A  rede  de  caminhos  fornece 
informação importante ao orientista 
e  a  sua  classificação  deve  ser 
facilmente  reconhecível  no  mapa. 
É  particularmente  importante  a 
classificação  de  trilhas  menores. 
Deve ser considerada não apenas a 
largura mas também a visibilidade 
do caminho para o orientista. 
Outros  elementos  construídos 
(casas, vedações, etc), são também 
importantes tanto para a leitura do 
mapa  como  para  a  colocação  de 
pontos de controle. 
  
Uniforme
  
CONCLUSÃO
Apesar  da  importância  que  a 
componente física desempenha na 
performance  em  orientação,  a 
verdade  é  que  as  técnicas  na 
Orientação  são  quase  puramente 
cognitivas,  o  que  confirma  a 
importância  dos  processos 
psicológicos  na  modalidade 
(Seiler, 1991). 
Passamos agora a conhecer alguns 
dos processos psicológicos. 
  
CONCLUSÃO
Tomada de decisão 
Estádios do processo de decisão 
- Reconhecer a necessidade de tomar uma decisão;
- Formular o tipo de decisão;
- Gerar alternativas;
- Procurar informação relativa a alternativas possíveis;
- Julgamento em função da comparação das alternativas;
- Ação (a decisão só é válida se for realizada);
- Feedback que permitirá a aprendizagem.
  
CONCLUSÃO
"Os  orientistas  são  homens  e  mulheres  da  solidão.  No 
momento  da  partida,  ultrapassaram  já  a  barreira  da 
civilização.  Seguem  pelo  instinto  e  pela  inteligência  um 
caminho imaginário e têm por únicos companheiros os seus 
violentos  batimentos  do  coração,  a  sua  feroz  vontade  de 
correr  e  o  tic­tac  de  relógios  invisíveis.  Respiram  o  ar 
balsâmico  das  florestas  através  das  estações.  À  chegada, 
regressam  ao  seio  dos  seus  semelhantes,  e  precisam  de 
algum  tempo  para  sair  do  seu  isolamento.  É  então  nesse 
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  • 2.    Objetivos Dar,  aos  Desbravadores  noções  básicas  sobre  o  esporte de Orientação. Entender  a  Orientação  como  uma  ferramenta  de  aprendizagem interdisciplinar. Compreender a importância da tomada de decisão. Desenvolver  a  capacidade  de  observação,  memorização,  percepção  e  velocidade  na  tomada  de  consciência do erro. Padronizar  procedimentos  relativos  ao  esporte  Orientação.
  • 3.    Sumário  Introdução  Desenvolvimento  Definição de Orientação  Histórico da Orientação  Tipos de Orientação  Percurso de Orientação  Bússola  Sinalética  Mapa de Orientação  Uniforme  Conclusão
  • 4.    INTRODUÇÃO A  orientação  que  tem  tanto  para  oferecer ao atleta que goste de pensar  e  correr,  é  bastante  exigente  tanto  a  nível  físico  como  a  nível  cognitivo.  Através do estudo de Kolb, Sobotka e  Werner  (1987),  podemos  verificar  a  contribuição  relativa  das  várias  componentes  para  a  performance  global  da  Orientação.  Existe  um  equilíbrio  entre  a  capacidade  cognitiva  (orientação/navegação:  46%)  e  a  capacidade  física  (corrida:  54%). 
  • 7.    DEFINIÇÃO Tomando por base a sua disciplina mais praticada, a  Orientação  Pedestre,  poderemos  definir  a  modalidade  como  uma  corrida  individual,  contra­ relógio,  em  terreno  desconhecido  e  variado,  geralmente de floresta ou montanha, num percurso  materializado no terreno por pontos de controle que  o  orientista  deve  descobrir  numa  ordem  imposta.  Para  o  fazer,  ele  escolhe  os  seus  próprios  itinerários,  utilizando  um  mapa  e,  eventualmente,  uma bússola. 
  • 11.    HISTÓRICO José Otavio Franco DornellesJosé Otavio Franco Dornelles
  • 12.    TIPOS DE ORIENTAÇÃO Orientação Pedestre  A Orientação Pedestre é a disciplina da Orientação com maior tradição e número de praticantes, tanto no Brasil como a nível internacional. São utilizados mapas específicos para Orientação Pedestre.
  • 13.    TIPOS DE ORIENTAÇÃO Orientação em BTT  A Orientação em BTT é uma disciplina semelhante à Orientação Pedestre, mas onde a deslocação é feita em BTT e apenas por caminhos. A Orientação em BTT é a disciplina da Orientação em fase de maior desenvolvimento a nível internacional, sendo reconhecidas as suas enormes potencialidades de futuro. São utilizados mapas específicos para Orientação em BTT.
  • 14.    TIPOS DE ORIENTAÇÃO Corridas Aventura  Disciplina da Orientação, por equipas, que consiste numa prova de um ou vários dias com diversas etapas: Orientação Pedestre, Orientação em BTT, em canoa, manobras de cordas e outros. Esta disciplina a nível internacional não é reconhecida pela Federação Internacional de Orientação. São utilizadas cartas militares 1:25000 ou, sempre que possível, mapas de Orientação Pedestre ou de Orientação em BTT.
  • 15.    TIPOS DE ORIENTAÇÃO Orientação de Precisão (Trail­O)  Disciplina da Orientação direcionada para pessoas com deficiência motora, mas normalmente aberta a todos e com grandes potencialidades ao nível da aprendizagem da Orientação. Na Orientação de Precisão, o único fator avaliado é a capacidade de leitura do mapa e interpretação do terreno. São utilizados mapas da Orientação Pedestre mas normalmente com escalas maiores.
  • 16.    TIPOS DE ORIENTAÇÃO Orientação em Esqui  Disciplina da Orientação adaptada a terrenos com neve. Tal como na Orientação em BTT, a deslocação apenas se pode realizar nos caminhos indicados no mapa. São utilizados mapas específicos para Orientação em Esqui. Pelas características próprias do clima, a sua prática não se verifica no Brasil.
  • 18.    PERCURSO Um percurso de Orientação é constituído por uma partida, uma série de pontos de controle identificados por círculos no mapa, e por uma meta. Na partida, cada praticante recebe um mapa onde estão marcados, a cor púrpura (magenta).
  • 19.    PERCURSO PARTIDA Um triângulo que corresponde ao ponto onde se inicia a orientação propriamente dita e materializado no terreno por uma “baliza” (prisma de cores laranja e branca), sem código nem picotador.
  • 20.    PERCURSO Círculos que correspondem a PONTOS DE CONTROLE, materializados no terreno pelas "balizas", com um código definido para cada uma e que estão acompanhadas de uma estação eletrônica e/ou um picotador. Introduzindo o seu identificador eletrônico que é transportado preso num dedo, ou picotando o seu cartão de controle, o praticante comprova a passagem por cada ponto.
  • 21.    PERCURSO Dois círculos concêntricos que correspondem à CHEGADA, materializada no terreno por uma “baliza”, também ela acompanhada de uma estação electrônica (e/ou um picotador). Introduzindo o seu identificador (ou picotando o seu cartão de controle) o praticante comprova o termino do seu percurso.
  • 22.    PERCURSO ●Num percurso tradicional de Orientação terão de ser visitados todos os pontos de controle pela ordem indicada sob pena de desclassificação. ●O percurso a seguir entre os pontos de controle não está definido e é decidido por cada participante. Este elemento de escolha do percurso e a capacidade de se orientar através da floresta são a essência da Orientação. ●A maioria das provas de Orientação utiliza o sistema de contra-relógio com partidas intervaladas para que o orientista tenha a possibilidade de realizar individualmente as suas próprias opções. Mas existem muitas outras formas populares, incluindo estafetas e provas de partida em massa.
  • 23.    BÚSSOLA A  bússola  é  o  único  auxiliar  permitido  para  ajudar  na  orientação,  embora  não  seja  obrigatório.  Por  exemplo,  em  diversas  fases  da  formação  de  jovens é importante não utilizar  bússola.  Uma  bússola  é  um  aparelho  com uma agulha magnética que  é atraída para o pólo magnético  terrestre. Os atletas  utilizam­na  para orientar o mapa para norte  fazendo  coincidir  a  agulha  da  bússola  com  as  linhas  de  norte  presentes no mapa. 
  • 24.    BÚSSOLA Existem  bússolas  próprias  de  competição  que  se  transportam  presas  ao  dedo  e  directamente  em cima do mapa. No entanto,  mesmo  em  competição,  pode  ser  utilizada  qualquer  tipo  de  bússola.  No  hemisfério  sul  as  bússolas  têm  de  ser  diferentes  das  utilizadas  no  hemisfério  norte,  devido à diferente influência do  campo magnético terrestre entre  os dois hemisférios. 
  • 25.    SINALÉTICA A sinalética  é a descrição da  localização  exata  dos  pontos  de  controle  indicados  pelo  mapa.  Para além disso, indica qual a  colocação  da  baliza  relativamente  ao  elemento  característico  onde  está  o  ponto  de  controle  e  assegura  ao  orientista,  através  do  código, que se trata do ponto  procurado. 
  • 27.    SINALÉTICA Não deve ser confundida com  a  simbologia  do  mapa,  embora  exista  semelhança  entre a maioria dos símbolos  utilizados  no  mapa  e  os  utilizados na sinalética.  Para o transporte da sinalética  é  normalmente  utilizado  um  porta­sinalética que se adapta  ao antebraço do atleta. 
  • 28.    MAPA Sendo o Mapa de Orientação um mapa topográfico  detalhado, deverá conter as características do terreno  que  sejam  óbvias  para  um  orientista  em  corrida.  Nele se insere tudo o que possa influenciar a leitura  do mapa ou a escolha de trajetos: relevo, formações relevo, formações  rochosas,  tipo  de  superfície,  velocidade  de rochosas,  tipo  de  superfície,  velocidade  de  progressão através da vegetação, áreas de cultivo, progressão através da vegetação, áreas de cultivo,  hidrografia,  zonas  privadas  e  casas  individuais, hidrografia,  zonas  privadas  e  casas  individuais,  rede de caminhos, outras linhas de comunicação e rede de caminhos, outras linhas de comunicação e  todas as demais características úteis à orientaçãotodas as demais características úteis à orientação. 
  • 30.    MAPA A forma do terreno é uma das  características  mais  importantes  num  Mapa  de  Orientação.  A  utilização  de  curvas  de  nível  é  essencial  para  a  representação  de  uma  imagem  tridimensional  do  terreno  (a  sua  forma  e  variação em altitude). 
  • 31.    MAPA O  mapa  deverá  conter  linhas  de  norte  magnético  e  poderá  conter  nomes  de  locais  e  outro  texto  periférico que possam ajudar o seu  utilizador  a  orientá­lo  para  Norte.  Este  texto  deverá  ser  escrito  de  oeste  para  este.  Texto  dentro  da  área  do  mapa  deverá  ser  colocado  de  modo  a  que  não  obscureça  outras informações e o seu estilo de  letra deverá ser simples.  As  linhas  de  Norte  Magnético  devem ser paralelas aos limites da  folha  do  mapa,  podendo  conter  setas na sua extremidade superior.  
  • 33.    MAPA Relevo (castanho) Relevo (castanho)  A  forma  do  terreno  é  representada  a  castanho  por  curvas  de  nível  detalhadas  e  por  alguns  símbolos  especiais  para  representar cotas, depressões, etc.  O  relevo  é  complementado  a  preto  com  os  símbolos  para  rochas e falésias. 
  • 34.    MAPA Terreno  rochoso  e  pedras Terreno  rochoso  e  pedras  (preto + cinzento) (preto + cinzento)  A  inclusão  das  rochas  é  útil  para  avaliar  perigos  e  velocidades  de  progressão.  Fornece  também  elementos para uma melhor leitura  do mapa e para pontos de controlo.  As rochas são representadas a preto  para  se  distinguirem  de  outros  elementos de relevo. 
  • 35.    MAPA Água e pântanos (azul) Água e pântanos (azul)  Este grupo inclui zonas aquáticas e  tipos  especiais  de  terreno  criados  pela  presença  de  água  (pântanos).  A  classificação  é  importante  visto  que  indica  o  grau  de  dificuldade  que  se  apresenta  perante  o  orientista  e  fornece  elementos  (poços,  nascentes  e  outros)  para  a  leitura  do  mapa  e  para  pontos  de  controlo. 
  • 36.    MAPA Vegetação  (verdeVegetação  (verde   + +  amarelo)amarelo)   A  representação  da  vegetação  é  importante para o orientista porque  indica a velocidade de progressão e  a  visibilidade,  fornecendo  também  elementos  (árvores,  troncos,  etc)  para a leitura do mapa. 
  • 37.    MAPA Elementos  construídos Elementos  construídos  (preto) (preto)  A  rede  de  caminhos  fornece  informação importante ao orientista  e  a  sua  classificação  deve  ser  facilmente  reconhecível  no  mapa.  É  particularmente  importante  a  classificação  de  trilhas  menores.  Deve ser considerada não apenas a  largura mas também a visibilidade  do caminho para o orientista.  Outros  elementos  construídos  (casas, vedações, etc), são também  importantes tanto para a leitura do  mapa  como  para  a  colocação  de  pontos de controle. 
  • 39.    CONCLUSÃO Apesar  da  importância  que  a  componente física desempenha na  performance  em  orientação,  a  verdade  é  que  as  técnicas  na  Orientação  são  quase  puramente  cognitivas,  o  que  confirma  a  importância  dos  processos  psicológicos  na  modalidade  (Seiler, 1991).  Passamos agora a conhecer alguns  dos processos psicológicos. 
  • 40.    CONCLUSÃO Tomada de decisão  Estádios do processo de decisão  - Reconhecer a necessidade de tomar uma decisão; - Formular o tipo de decisão; - Gerar alternativas; - Procurar informação relativa a alternativas possíveis; - Julgamento em função da comparação das alternativas; - Ação (a decisão só é válida se for realizada); - Feedback que permitirá a aprendizagem.
  • 41.    CONCLUSÃO "Os  orientistas  são  homens  e  mulheres  da  solidão.  No  momento  da  partida,  ultrapassaram  já  a  barreira  da  civilização.  Seguem  pelo  instinto  e  pela  inteligência  um  caminho imaginário e têm por únicos companheiros os seus  violentos  batimentos  do  coração,  a  sua  feroz  vontade  de  correr  e  o  tic­tac  de  relógios  invisíveis.  Respiram  o  ar  balsâmico  das  florestas  através  das  estações.  À  chegada,  regressam  ao  seio  dos  seus  semelhantes,  e  precisam  de  algum  tempo  para  sair  do  seu  isolamento.  É  então  nesse  momento que os podemos abordar de novo".  Kaspar Wolf 

Notas do Editor

  1. Embora o registo mais antigo remonte a 1897, apenas em 1912 a Orientação começou a dar os primeiros passos de uma forma mais estruturada. Tendo como base o desdobramento da distância da Maratona por três provas, o Major Killander, de nacionalidade sueca e líder escuteiro, adicionou-lhe a componente de leitura de mapa. A extraordinária adesão dos jovens motivou o primeiro Campeonato Nacional na Suécia em 1922.
  2. Em 1970 alguns militares foram a Europa observar as competições de Orientação do CISM (International Military Sports Council). Em 1971, o Coronel Tolentino Paz, pioneiro na Orientação, organizou as primeiras competições militares no Brasil. Em 1974, o desporto Orientação foi incluído no currículo da Escola de Educação Física do Exército, EsEFEx, sendo uma disciplina obrigatória. Sua inclusão ocorreu através do Ministério de Educação e Cultura, MEC. Nesta Escola, neste mesmo ano, é editada a primeira publicação técnica brasileira sobre o esporte orientação.
  3. Em 1984 foi realizado em Curitiba, PR, o XVII Campeonato Mundial Militar de Orientação que contribuiu para o desenvolvimento do desporto entre os militares e civis brasileiros, tendo em vista que foi realizado um estágio para professores, como parte do programa do evento. Em 06 de julho de 1986 foi realizado o I CAMPEONATO METROPOLITANO DE CORRIDA DE ORIENTAÇÃO DE CURITIBA, realizado no Parque Barigüi, com a participação de 115 atletas. A competição repetiu-se nos anos de 1987 e 1988, organizada pelo Departamento de Esporte e Recreação da Prefeitura Municipal de Curitiba com apoio das Unidades Militares (quartéis) do Exército. Em 1986 e 1987 o Professor de Educação Física Leduc Fauth, acompanhado dos suecos Ulf Levin e Göran Öhlund, realizou uma campanha de divulgação do esporte em todo o Brasil realizando atividades de Porto Alegre a Manaus.
  4. Em 11 de janeiro de 1999 na cidade de Guarapuava, PR, com a presença de Higino Esteves, membro do conselho da IOF, foi fundada a Confederação Brasileira de Orientação – CBO em assembléia Geral presidida pelo SR César Valmor Cordeiro, então presidente da FGO, sendo eleito como primeiro presidente o Sr José Otavio Franco Dornelles, a qual passou a administrar o desporto Orientação no Brasil. Em 24 de Abril de l999 o COLB de Guarapuava, PR, organizou a primeira prova Oficial da CBO ( I Etapa do Campeonato Brasileiro de Orientação)