UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO              INSTITUTO DE LINGUAGENSPROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS DE LINGUAGEM ...
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FICHA CATALOGRÁFICA   B842p     Bresolin, Ana Regina.               O professor de línguas em formação: uma experiência re...
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iv                                  AGRADECIMENTOS                                                          A Deus que dá ...
vAos colegas do IFMT _ Campus Parecis, por terem acreditado em meu sonho e dado espaçopara que ele se confirmasse.Às minha...
vi"A Educação sozinha não transformaa sociedade, sem ela tão pouco asociedade muda”.(Paulo Freire)
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18       Olhando para etimologia da palavra jardim, observo que ela se refere a algo fechado,por ter sua origem no radical...
19          Para introduzir cada capítulo o leitor também perceberá que eu lanço mão de poesias.Elas foram pinçadas da obr...
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26        Embora os números possam nos chamar a atenção, não menos importante é observaras possíveis motivações para o sur...
27um blog, conforme Gomes (2005, p. 312), não parece ser muito consensual, uma vez que eleoferece uma diversidade de forma...
28observando que naquele existe mais liberdade e menos preocupação com a pontuação e/oucom os aspectos morfológicos. Acred...
29“efeitos de sentido (poder) resultantes das relações entre linguagem e novas tecnologias”.(KOMESU, 2010, p. 345).       ...
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32para os professores. Também é pulsante a movimentação social e governamental em prol doletramento digital, da inserção d...
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34dinamização dos processos de pesquisa, enfatizando o processo de filtragem e observação darelevância da informação. Pode...
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37        A autora supracitada também tece crítica a programas de formação digital, como ocaso do ProInfo, mantido pelo Go...
38curso de graduação, carregam muitos conceitos pré-estabelecidos em relação, por exemplo, àescola pública e ao ensino de ...
39próximas. Já na concepção dialética, a realidade é entendida como uma construção teórico-prática, que é captada com base...
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O PROFESSOR DE LÍNGUAS EM FORMAÇÃO: UMA EXPERIÊNCIA REFLEXIVA COM BLOG

DISSERTAÇÃO

UFMT- MESTRADO EM ESTUDOS DE LINGUAGEM- 2011

ORIENTADOR: DÁNIE MARCELO DE JESUS

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  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO INSTITUTO DE LINGUAGENSPROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS DE LINGUAGEM ANA REGINA BRESOLIN O PROFESSOR DE LÍNGUAS EM FORMAÇÃO: UMA EXPERIÊNCIA REFLEXIVA COM BLOG CUIABÁ-MT 2011
  2. 2. i ANA REGINA BRESOLINO PROFESSOR DE LÍNGUAS EM FORMAÇÃO: UMA EXPERIÊNCIA REFLEXIVA COM BLOG Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da Universidade Federal de Mato Grosso como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Estudos de Linguagem. Área de Concentração: Paradigmas do Ensino de Línguas Orientador: Prof. Dr. Dánie Marcelo de Jesus Instituto de Linguagens CUIABÁ-MT 2011
  3. 3. FICHA CATALOGRÁFICA  B842p Bresolin, Ana Regina. O professor de línguas em formação: uma experiência reflexiva com blog / Ana Regina Bresolin. – 2011. 146 f. : il. color. Orientador: Prof. Dr. Dánie Marcelo de Jesus. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Mato Grosso, Instituto de Linguagens, Pós-Graduação em Estudos de Linguagem, Área de Concentração: Paradigmas do Ensino de Línguas, 2011. Bibliografia: f. 135-146. 1. Professores – Línguas – Formação. 2. Educação – Ambiente virtual. 3. Internet. 4. Professor de línguas – Ambiente virtual. 5. Comunicação de massa. 6. Blogs – Formação de professores. I. Título. CDU – 371.13:811:004.738.5 Ficha elaborada por: Rosângela Aparecida Vicente Söhn – CRB-1/931
  4. 4. ii
  5. 5. iiiDEDICATÓRIADedico este trabalho à minha amadafamília pelo carinho e dedicaçãoconstantes. Também ao querido Hugopelo apoio e amor incondicionais.
  6. 6. iv AGRADECIMENTOS A Deus que dá a vida e ensina o caminho. Quando jogamos a semente na terra na esperança que de lá brote vida nova, o fazemosna confiança de que o universo conspirará a favor dessa empreitada. O mesmo ocorre quandonos lançamos na experiência científica: a semente precisa, além de vontade intrínseca, água,luz, terra e substratos. Quem envereda neste campo, conta com a ajuda de muitos amigos para _ _poder desabrochar e, a tempo, fazer sua parte nos jardins espalhados pelo mundo. Sendoassim, gostaria de agradecer a todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram parameu crescimento intelectual e emocional. Em especial agradeço...Ao Dr. Dánie Marcelo de Jesus, que me abraçou do primeiro ao último instante com muitadedicação, firmeza, carinho e paciência. Obrigada por ter sido em muitos momentos o ventoque em meu jardim fazia alvoroço, instigando assim novas possibilidades. Desabrochei graçastambém ao seu esforço.Ao Programa de Mestrado em Estudos de Linguagem da UFMT, incluindo aqui todos osprofessores que diversificam e iluminam aquele jardim, fazendo nele vingar, além da ciência,a fraternidade.Aos alunos participantes do projeto do blog, bem como os seus professores que acreditaram efizeram-no acontecer. Minha imensa gratidão por compartilharmos das mesmas vontades, dasmesmas dúvidas: fomos realmente parceiros.Aos professores Dr. Rodrigo Camargo Aragão e Dra. Simone de Jesus Padilha, quegentilmente contribuíram com uma leitura atenciosa e apurada do texto, deixando a paisagemdeste jardim mais agradável.Aos amigos e pós-graduandos do MeEl, especialmente Ana Raquel Diamante, Perla Haydée,Carmen Zirr Azurro, Sandra Pinotti, Fernando Zolin Vesz, Viviane Carrijo, Anderson Simãoe Verônica Hirata.
  7. 7. vAos colegas do IFMT _ Campus Parecis, por terem acreditado em meu sonho e dado espaçopara que ele se confirmasse.Às minhas amigas e amigos, professores que dividem os momentos diversos de trabalho, devida: Marisol, Ana Lúcia, Cassiana, Rosane, Adriana, Rodolfo, Tiago, Arnaldo, Fábio eRogério.As minhas irmãs, delícias da vida que Deus me deu de presente: Analice, Daniela e AnaMaria.Aos meus pais, Neiva e Arlindo, que nunca pouparam esforços para nos ver estudando,crescendo e conquistando novos espaços. A vocês devoto minha eterna gratidão.Ao meu então noivo e agora esposo, Hugo Ricardo, por sua enorme dedicação, cuidados,apoio, carinho e amizade. Se não fosse por você, meu amor, não teria me tornado flor.Aos meus avôs, Olivo e Regina, exemplos de sabedoria, caridade e paixão. Noninho, queDeus acalente e envolva seu coração no belo jardim que você deve estar passando suas tardes.Sempre amaremos vocês...
  8. 8. vi"A Educação sozinha não transformaa sociedade, sem ela tão pouco asociedade muda”.(Paulo Freire)
  9. 9. vii RESUMOAo considerarmos a égide tecnológica sob a qual temos construído muitas de nossas relaçõesnas últimas décadas, perceberemos que esse tipo de interação tem modificado e ressignificadoas formas como aprendemos e ensinamos, fazendo com que tanto professores quanto alunosvejam este lugar social, a internet, propício também para aprender línguas. Considerando essecenário, este trabalho se insere no contexto de educação em ambiente virtual e tem comoobjetivo investigar indícios de processos reflexivos e de que forma eles se desenvolvem emum blog colaborativo educacional. Os participantes que compunham a comunidade discursivaforam alunos do curso de Letras Português/Inglês de quatro universidades brasileiras duranteum período de seis meses. A partir das interações ocorridas no e por causa do blog, ou seja, aspostagens, comentários e e-mails, analisei de que forma o grupo desenvolveu processosreflexivo-críticos em ambiente colaborativo. O trabalho contou com suporte teórico em Smyth(1992), Zeichner (1994) e Mateus (2010) no que tange a reflexão crítica. Em Gomes (1995),Primo & Smaniotto (2006) e Signorini & Cavalcanti (2010) no que diz respeito ao processode ensino-aprendizagem em ambiente virtual e os blogs. As questões que nortearam apesquisa foram as seguintes: 1) Quais possíveis indícios de processos reflexivos podem serobservados nas interações entre os participantes? e 2) De que forma o grupo procurouconstruir processos reflexivos neste ambiente virtual? O percurso teórico-metodológicoutilizado foi o interpretativismo de base netnográfica com apoio nos autores Erickson(1986/1990) e Kozinets (2010). Os resultados sugerem algumas evidências linguísticas quepodem ser sinalizadores de que no blog ocorreram processos reflexivo-críticos e colaboração,em graus diferentes de complexidade, contribuindo assim na formação inicial do professor delínguas.Palavras-chave: blogs, reflexão crítica, formação de professores.
  10. 10. viii ABSTRACTConsidering the technology support under which we have built many of our relations in recentdecades, we realize that this type of interaction has changed and reframed the ways we learnand teach, so that both teachers and students begin to see this social place, internet, alsosuitable for learning languages. The context of this research is education in virtualenvironment and taking this situation into account, it aims to investigate evidences ofreflective processes and how they develop in a collaborative educational blog. The _participants that took part in the speech community were students of Letras CoursePortuguese/English _ of four brazilian universities over a period of six months. Based on theinteractions which occurred in and because of the blog, like posts, comments and emails, Ianalyzed how the group developed critical-reflective processes in a collaborativeenvironment. The research theoretical foundation is provided by Smyth (1992), Zeichner(1994) and Mateus (2010) with respect to critical reflection. In Gomes (1995), Primo &Smaniotto (2006) and Signorini & Cavalcanti (2010) with regard to teaching and learning in avirtual environment and blogs. The research questions were: 1) What possible evidence ofreflective processes can be observed in the interactions among the participants? And 2) Howthe group sought to build reflective processes in this virtual environment? The theoretical andmethodological paradigm is based on interpretative and netnography approaches(ERICKSON, 1986/1990; KOZINETS, 2010). Results suggest some linguistic evidences thatcan characterize reflective-critical processes and collaboration in the blog, in different degreesof complexity, contributing to these language teachers’ starting constitution.Keywords: blogs, critical reflection, teacher training.
  11. 11. ix LISTA DE FIGURASFigura 1: Postagem “Brazilian public school system”………………………………………..74
  12. 12. x LISTA DE QUADROSQuadro 1: Fluxo simplificado de um projeto de pesquisa netnográfico...................................63Quadro 2: Quadro de análise dos dados....................................................................................74
  13. 13. xi SUMÁRIO i DEDICATÓRIA ......................................................................................................................iii AGRADECIMENTOS ............................................................................................................ iv RESUMO................................................................................................................................. vii ABSTRACT ...........................................................................................................................viii LISTA DE FIGURAS.............................................................................................................. ix LISTA DE QUADROS............................................................................................................. xO GERMINAR DA SEMENTE ............................................................................................ 131  ADUBO TEÓRICO ........................................................................................................ 23 1.1 Primeiro canteiro: blogs, um jardim cibernético em plena primavera ........................... 24 1.2 Segundo canteiro: cultivando o profissional crítico-reflexivo ....................................... 382 RAÍZES METODOLÓGICAS........................................................................................... 55 2.1 A pesquisa interpretativista de cunho netnográfico: para buscar compreender o jardim é preciso ser jardineiro ............................................................................................................ 56 2.2 Conhecendo o jardim ...................................................................................................... 66 2.3 Apresentando os jardineiros ........................................................................................... 69 2.4 Coletando as sementes .................................................................................................... 71 2.5 Os olhares sobre o jardim ............................................................................................... 773 O DESABROCHAR DE UM JARDIM VIRTUAL: DESCREVENDO EDISCUTINDO OS RESULTADOS ...................................................................................... 82 3.1 Cada flor desabrocha ao seu tempo ................................................................................ 84 3.1.1 Momento de observar a paisagem ........................................................................... 84  3.1.2 Momento de compreender minhas práticas de cultivo ............................................ 93  3.1.3 Momento de espiar por cima dos muros de meu jardim ....................................... 104  3.2 As primaveras de nosso jardim..................................................................................... 111
  14. 14. xii 3.2.1 Tema 1: Tentativas de construção ......................................................................... 112  3.2.2 Tema 2: A procura dos culpados ........................................................................... 116  3.2.3   Tema 3: O que é mesmo refletir? ..................................................................... 120  3.2.4 Tema 4: Quero ser um bom professor ................................................................... 123 4 COLHENDO OS FRUTOS .............................................................................................. 126 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................... 135 
  15. 15. O GERMINAR DA SEMENTE a terra arada de novo com a alma de artista no chão de setembro e no dia de ontem a terra é macia e cobre de flores de todas as cores de todos os nomes a pele do outono. De manhã morna de tarde quente de noite tão fria ela espera a chuva a semente e o homem. ( Carlos Rodrigues Brandão) Estou convencida de que o estilo metafórico com o qual inicio este capítulo, bemcomo os demais que se seguem, possa causar certa curiosidade. Penso igualmente, que aescolha pelo uso da primeira pessoa, somada ao fato de iniciar esse trabalho contando umpouco de minha experiência docente, também pode instigar indagações. Dessa maneira,gostaria de explicar as razões de tais escolhas, bem como outras que serão observadas nodecorrer do texto: advêm da concepção que qualquer conhecimento é historicamente situado,portanto sofre o efeito da situacionalidade do pesquisador. Proponho descrever o blog, objeto de estudo deste trabalho, tal como um jardim, emdecorrência da multiplicidade de gêneros textuais, de sua natureza hipertextual e dapossibilidade de construção de um ambiente mais colaborativo. Sendo assim, recorrer a blogspara o ensino-aprendizagem de línguas é caminhar entre as várias espécies que têm sidocultivadas nesse ambiente, e assim plantar canteiros diferenciados. Nessa perspectiva, eu, naqualidade de pesquisadora-participante, fui encarregada de adubar o terreno, lançar as
  16. 16. 14sementes e animar os jardineiros para que o jardim viesse a florescer. Os participantes doblog, os quais serão apresentados logo mais, foram os jardineiros que trabalharam nessescanteiros. Tanto eu quanto eles cuidamos do jardim, observando o clima e quais práticasseriam mais propícias para seu desenvolvimento. O uso de metáforas é muito comum, por exemplo, na perspectiva teórico-metodológica da Pesquisa Narrativa (CLANDININ & CONNELY, 2000), que as utilizamjustamente como forma de compreensão do contexto estudado. Embora essa não seja aperspectiva que seguirei, necessariamente, acredito seja uma maneira ímpar de dividir com osleitores o que sinto em relação a meu objeto de estudo. Desse modo, a metáfora do jardimcibernético é a minha forma de representar a problematização que proponho nesta dissertação. Os blogs, por sua vez, fazem parte desse lugar, e neles as formas híbridas seconstituem a cada escolha de seus jardineiros. As sementes são as mesmas dos jardins “reais”,e as plantas do jardim cibernético são polinizadas por abelhas, insetos e pássaros que migramdos mais remotos lugares onde a rede tenha alcance. Tal como a terra espera pela sementepara que a vida possa acontecer, o ambiente digital floresce a partir da experiência e davontade humana de interagir por meio da linguagem. Mas por que investigar as experiências que ocorrem nos blogs? Acredito que muitaspessoas do século XXI vivam sob uma nova égide tecnológica. Compram, vendem, estudam edialogam com pessoas dos lugares mais remotos do mundo conectado pelo ciberespaço. Essainteração vem me intrigando nos últimos anos. Bem por isso, penso que poderia acrescentar aesta resposta, algumas inevitáveis perguntas: qual o efeito dessa tecnologia no processo deaprendizagem dos alunos? Como professores lidam com essa tecnologia em sua vidacotidiana escolar? O que o professor pode fazer com vistas a oferecer maiores oportunidadespara o uso crítico da internet na sala de aula? Certamente, para muitos professores, essasperguntas assim se exteriorizam: de que maneira posso aliar minhas aulas ao universo digital?Esses questionamentos nasceram de minha própria vivência como professora e aluna, etambém da observação das atitudes de meus colegas e alunos nos últimos anos. Relembrando um pouco de minha história acadêmica, percebo que sempre que osprofessores de língua estrangeira associavam às suas práticas pedagógicas artefatosmultimidiáticos, tais como músicas, filmes, clipes, ou alargavam o espaço de sala de aula compesquisas extraclasse, bem quando usavam a internet como ferramenta de busca e acesso àinformação, havia certa comoção entre os alunos, causada, a meu ver, pelo fato de estarmosem contato com a língua em uso, viva, “em seu habitat natural”. Ficava entre nós, os
  17. 17. 15aprendizes, certa satisfação, possivelmente provocada pelo fato de estarmos experimentandonosso potencial enquanto usuários da língua à qual estávamos nos dedicando. Atualmente, sou professora de língua inglesa em um dos campi do Instituto Federal deEducação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso. A escola onde trabalho se localiza nointerior do estado e há, em meu contexto educacional, além de uma forte vocaçãonotadamente agrícola, expectativas de desenvolvimento e apropriação de tecnologias quepossam dar suporte às atividades econômicas desenvolvidas na região, formando ouinstrumentalizando os trabalhadores. Porém, uma das questões que não podem deixar de serlevadas em consideração em minha realidade geográfica é a distância de grandes centros, oumesmo a distância das propriedades rurais e das cidades que rodeiam o Instituto. Nesse andar,mediar a educação por meio da internet faz com que nos apropriemos dos mais diversosartefatos e experimentemos novas formas de conhecer o mundo, e de nos conhecermostambém, uma vez que essa prática diferenciada pode ser uma forma de democratizar o acessoa uma formação de qualidade para muitos jovens e adultos. Penso por igual que a escolha da metáfora do jardim tenha sido influenciada por essaexperiência assentada no ambiente rural. Convivendo com as práticas de cultivodesenvolvidas por meus colegas, traço um paralelo entre o que acontece com a dinâmica dasemente se tornando árvore, em plena transformação, com o que temos vivenciado em relaçãoao uso e à pertinência da internet em nossa sociedade. Parece-me que o crescimento da redeem todo o mundo já passou da fase de semente, ou seja, da fase embrionária, e está emconstante desenvolvimento. Seus galhos e suas nuanças já são parte de nosso jardimcibernético e já estamos colhendo os frutos, os mais diversos inclusive, de nossa construção eda relação com esse objeto. Voltando um pouco à minha história como professora, mas também na condição dealuna, recordo que minha experiência com o ensino de idiomas começou quando eu eraadolescente e trabalhava em uma escola de línguas, na função de secretária. Nesta escola,tanto trabalhava quanto aprendia Língua Inglesa e Língua Espanhola, e acabei tendo contatodesde cedo com o que os professores sentiam em relação ao cotidiano escolar, assim comocom o que estavam ensinando. Mesmo que a escola usasse livros didáticos, havia certaabertura para que os professores incrementassem suas aulas, tanto a partir de seus anseiosquanto dos alunos. Dessa forma, os alunos podiam se expressar em relação ao que gostariamde aprender, bem como de que maneira aprendiam mais. Lembro-me de que, dentre ospedidos mais recorrentes da parte dos alunos, sempre estavam as músicas.
  18. 18. 16 Quando estava no 1º ano do curso de Letras, comecei a trabalhar em outra escola deidiomas. Lá as coisas eram bem diferentes do lugar onde eu havia aprendido inglês eespanhol. O método utilizado era o audiolingual, e todas as lições recheadas de muitarepetição. Nem o professor nem os alunos podiam fugir das regras do jogo. Recordo comclareza, enquanto preparava minha primeira aula, não conseguia compreender como eles iriamaprender daquela forma. Mesmo utilizando televisores, fones de ouvido, CDs, Cd roms,DVDs, ou seja, muita tecnologia, eu acabava por perceber pouquíssima interação entre osalunos. Também trabalhei durante o curso de Letras em escolas particulares de ensinofundamental e médio. Nessas escolas, equipadas com laboratórios de informática, projetoresde dados e internet, eu mesma, pouquíssimas vezes, dava conta de usar essas ferramentas deforma realmente interessante. Fazíamos pesquisas, leituras, mas nada que pudesse nos levarpara um contexto de ensino mais reflexivo, quanto mais crítico e colaborativo. Quando terminei a graduação, resolvi fazer um intercâmbio e estudar inglês em outropaís. Passei desta forma seis meses estudando em Londres. Essa experiência foi marcante emminha vida, pois eu acredito que passei por mudanças profundas a respeito de minhaconcepção acerca da postura do professor de línguas, do aluno e da importância de um grupomulticultural, sabedora de que a miscigenação enriquece muito as aulas. Por conviver comcolegas do mundo todo, passei a observar como eles buscavam aprender, como os professorestentavam fazer para que asiáticos, africanos e latinos, por exemplo, conseguissemcompreender as matizes da língua e da cultura na qual estavam inseridos. Essa vivência ímparme fez expandir minhas concepções, meu fazer em sala de aula, e percebi isso quando voltei ecomecei a lecionar novamente aqui no Brasil. Hoje, acredito que a internet seja a ferramenta que pode mediar essa ampliação deconceitos, essa vivência multicultural, pois ela possibilita, cada vez mais, a um número maiorde pessoas saber o que se pensa sobre os mais diversos assuntos nos recantos mais longínquosdo globo terrestre. Porém, acredito que a grande maioria ainda não tenha acesso à rede, ou atémesmo não tenha criado a cultura de uso e acesso à ela. Diante dessas observações, acredito que a internet se tornou ambiente propício paraaprendizagem de língua inglesa, independentemente de perceber que muitos colegasprofessores não compreendem ainda a dinâmica do processo de ensino-aprendizagem delínguas em contexto online. À luz desse quadro, a comunidade escolar, de modo geral, parecemostrar-se ansiosa em usar as ferramentas da Web em seu dia a dia. De outra parte, há muitosprofissionais com um olhar ainda muito romântico em relação a esse ambiente, assim como há
  19. 19. 17os que desconfiam totalmente de sua eficácia no processo educativo. Observo, no entanto, queambas as posturas fazem parte do processo de acomodação de toda e qualquer novatecnologia, tal como aponta Paiva (2010). Se bem assim, existem também aqueles cuja preocupação não subjaz necessariamenteàs já citadas, mas sim recaem justamente em como fazer/ter um uso crítico e contextualizadodo ambiente digital na aprendizagem de línguas. Ou seja, observar esse jardim cibernéticocomo algo propício para o uso efetivo da linguagem, e não só como uma repetição sem fim defrases feitas. Aprender uma língua e usá-la a fim de compreender as relações sociaisestabelecidas na e por ela nos mais diversos contextos, inclusive no seu imediato. Em adendo,por meio da linguagem, construir novos sentidos, novas maneiras de olhar e sentir o mundo, epor que não, modificar-se a si próprio e o mundo que nos rodeia. Essas percepções acerca de um ensino crítico de línguas me fizeram constatar umvácuo existente entre a dinâmica social da sociedade da informação e a formação deprofissionais que deem conta da aprendizagem crítica mediada pelo computador. O fato determos certa familiaridade com o uso da internet no meio pessoal e/ou profissional nãogarante que nós, professores, sejamos bem-sucedidos nesse contexto específico. Embora oambiente virtual possa ser altamente produtivo, crítico, hipertextual, diverso, dinâmico, ealém, em minha opinião, muito propício à aprendizagem, ainda há uma demanda gritante naescola por conhecer e ressignificar as práticas dentro desse novo contexto. Em decorrência dessa preocupação, decidi direcionar meu olhar para o uso dos blogscomo um terreno fértil para a aprendizagem reflexiva. A escolha do blog se deu emconsequência de ele constituir uma ferramenta relativamente popular para os usuários dainternet, por ser de fácil utilização, além de ter potencial para se revelar um espaço educativo,no qual alunos e professores podem construir sentidos colaborativamente. Minhas sensações acerca do ambiente digital é que não estamos criando um mundoparalelo, virtual, mas sim um novo espaço de (com) vivências permeado pela linguagem, queé tão “real” como outro qualquer. Por isso, proponho neste trabalho a metáfora do jardim. Emminha concepção, o ambiente digital vem se tornando o chão das experiências de vida daspessoas, terreno nos quais pequenas ideias têm se transformado de meras sementes em árvoresfrondosas, cujos galhos, flores, frutos, raízes e por que não as sombras alcançam as maisdiversas vizinhanças. Sendo assim, ao comparar a experiência educacional em ambientedigital com um jardim, busco fazer com que os leitores deste trabalho não vejam esse terrenocomo um lugar desordenado e infértil intelectualmente. Pelo contrário, a experiência humananesse ambiente é plena de anseios, objetivos e práticas muito interessantes.
  20. 20. 18 Olhando para etimologia da palavra jardim, observo que ela se refere a algo fechado,por ter sua origem no radical garth, o qual provém das línguas nórdicas e saxãs, a significar“cintura ou cerca”. Em latim temos hortus gardinus, “local cercado para plantar flores eervas”, que deriva justamente do frâncisco gardo, que de sua vez dimana do germânicogardaz. Dessa forma, o jardim é sempre algo construído, fechado, mas, ao mesmo tempoheterogêneo. Lugar de encontros que conduzem à paz de espírito, à meditação, àsensibilização, à experimentação de cheiros, gostos, ao conhecimento das artes, da cultura.Em suma, é um lugar de deleite e experimentação. Tanto na tradição ocidental quanto oriental, os jardins são tidos como lugares deharmonização e segurança, como uma amostra do trabalho do homem sob a natureza, dandocerteza que ele poderia usufruir do selvagem, mas de maneira despreocupada, pois estariacercado. E isso, de certa forma acontece no jardim cibernético. Quando criamos categorias,espaços, estilos, maneiras para que as interações ocorram, estamos a cercear os sujeitos,possibilitando o que e como eles podem fazer as coisas. A representação dos jardins, portanto, é algo inerente ao trabalho humano, ou atémesmo divino, já que, conforme a cultura das religiões abraâmicas, tenha sido um jardim, oJardim do Éden ou o Paraíso, o lugar construído por Deus para que o homem e a mulherprimeiro habitassem e do qual posteriormente foram expulsos por transgredir regras,provando a famigerada maçã por influência da uma serpente. Em hebraico temos, portanto, oGan Eden. Na mitologia grega também temos o Jardim das Hespérides, famoso por suas lindas edesejadas maças de ouro (pomos). Conta o mito que as Hespérides eram as deusas primaverisguardiãs desse jardim e das fronteiras celestes entre o céu, a terra e o mundo subterrâneo. AHércules lhe foi pedido que buscasse uma dessas maças durante um de seus onze trabalhos. Afesta de casamento de Zeus e de Hera também se realizou no Jardim das Hespérides, tidocomo símbolo de fecundidade sempre renascente. É, portanto, por meio desses e de outros mitos e histórias que permeiam o nossoimaginário que criamos a ideia do que seja um jardim. Percebo-o como um lugar delimitado,dentro de um ambiente maior, o qual é planejado e organizado conforme os anseios do que alise pretende viver. O ambiente virtual se parece com um jardim dado que é um lugarestruturado. Embora as coisas pareçam estar ao acaso, na verdade são construídas a partir dasexperiências e conhecimentos de seus idealizadores. As espécies que habitam o jardimcibernético vêm de outros lugares, e nada impede que elas se entrecruzem nesse novoambiente e que, dessa hibridização, aflorem as mais novas e diversas possibilidades.
  21. 21. 19 Para introduzir cada capítulo o leitor também perceberá que eu lanço mão de poesias.Elas foram pinçadas da obra O jardim de todos, de Carlos Rodrigues Brandão. Conheci esteautor em uma de minhas andanças por congressos Brasil fora. Encantou-me a maneira ímparcomo esse ilustre professor-pesquisador cantava a experiência humana a partir da metáfora dojardim. Quando optei por fazer o mesmo neste trabalho, não tive dúvidas de que sua poesiame ajudaria na tentativa de desfilar meus sentimentos em relação a alguns aspectos de minhacaminhada. Passeando por esse jardim, então, comecei a ler vários blogs relacionados com o temado ensino de língua inglesa e com o ensino em ambiente virtual. Passei a perceber que oambiente específico dos blogs pode ser propício à criação de comunidades de aprendizagemque cultivem uma postura reflexiva, pois dá chance aos usuários desse serviço de criarem umarede de colaboração com leitores e escritores voltada a um assunto que lhes seja interessante.Um espaço onde podemos apreciar pontos de vista e experiências muito diversas, as quaispodem, inclusive, ser muito distintas de nossas representações. Os blogs também se diferenciam de outras ferramentas disponíveis na web por contade algumas características especiais, tal como a facilidade de formatação, o modo deorganizar as ideias, a gratuidade e a dinamicidade. Dessa forma, eles podem ser utilizados emfavor de uma formação, que ao mesmo tempo em que é reflexiva e colaborativa, proporcionaaos professores em formação inicial uma experiência efetiva com a língua inglesa emambiente virtual. Passei, então, a refletir sobre esse contexto específico, com o intento de compreenderde que maneira os blogs poderiam contribuir para a formação mais reflexiva de professores delíngua estrangeira, bem como para o desenvolvimento de comunidades de aprendizagemonline. Partindo dessas concepções iniciais em relação ao papel do ambiente digital na e paraa aprendizagem de línguas, construí um blog com a finalidade proporcionar uma experiênciade postura reflexiva e colaborativa em ambiente digital para alunos do curso de Letras de _quatro universidades brasileiras, a saber: UFMT Universidade Federal de Mato Grosso, _ _UESC Universidade Estadual de Santa Cruz, UFV Universidade Federal de Viçosa eFECILCAM _ Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Campo Mourão. Vários estudos (SILVA, 2001; BAKER, GUIGNARD, LUND & SEJOURNÉ, 2008;ARAÚJO JR, 2008; SALOMÃO, SILVA & DANIEL, 2009) indicam que o ambiente digitalpode propiciar a criação de redes de aprendizagem colaborativa e, se trabalhado para isso,promover um processo de ensino-aprendizagem na esteira da reflexão. Para que o processo de
  22. 22. 20aprendizagem colaborativa possa ocorrer são necessárias, por igual, alterações profundas nasrelações entre professores e alunos. Há que observar que, inevitavelmente ou felizmente, essasmudanças já vêm se dando em diversas escalas e proporções, e suas consequências principiama fazer parte do cotidiano escolar. Alguns professores, por exemplo, começam acompreendem que seu papel centralizador está mudando, e também os alunos, de certa forma,parecem se tornar um pouco mais independentes em relação a seu próprio processo deaprendizagem. Obviamente, tudo isso comporta inúmeras distinções de contexto. A pertinência desse tema é clara, tendo em vista que cada vez mais estudos sãorealizados buscando compreender as relações humanas permeadas pelo uso das tecnologias(LÉVY, 1998 e 1999; MORIN, 2000; CRYSTAL, 2001 e SIGNORINI & CAVALCANTI,2010), relacionados também com o fazer e com a formação docente para o uso dasTecnologias de Informação e Comunicação, doravante TIC (LEFFA, 2002; COLLINS, 2004;JESUS, 2007; MACHADO, 2008 e PAIVA, 2010). Em muitos casos, com o uso específicodos blogs educativos (GOMES, 2005; RECUERO, 2010). Este trabalho sinaliza um momento de discussão e reflexão sobre os blogs e seupotencial educativo nos cursos de formação de professores de línguas a partir de umaexperiência prática relativa a alunos em formação e a professores do curso de Letras daUFMT, UESC, UFV e FECILCAM. Os envolvidos participaram, de junho a dezembro de2010, de um blog educacional intitulado Reflection in Action1, o qual foi idealizado naexpectativa de ensejar aos acadêmicos em formação uma experiência em ambiente virtual,com vista a potencializar uma comunidade de aprendizagem colaborativa, e instigar a reflexãoacerca de alguns temas discutidos por pesquisadores da área da linguística aplicada e/ou daeducação, especialmente alguns que dizem respeito ao ensino de inglês na escola públicabrasileira. Sendo assim, compreendo também ser papel da universidade, dos cursos de formaçãocontinuada e demais cursos de formação de professores promover ou fomentar espaçosreflexivos, tal como um blog, que pode constituir espaço muito interessante para trocarmosexperiências. Partindo dos conceitos e questões revitalizadas até aqui, intento voltar meu olhar paraa questão do uso de ferramentas da internet, em especial dos blogs educacionais durante aformação de professores de línguas, até mesmo para observar de que forma os professores de1 http://reflectionaction.blogspot.com
  23. 23. 21línguas em formação inicial constroem sentidos em relação à sua área de atuação e se o blogapresenta potencial na formação de um profissional mais reflexivo, crítico e colaborativo. Assim, o estudo empírico tem sido construído assentado nestas perguntas de pesquisa: 1- Quais possíveis indícios de processos reflexivos podem ser observados nas interações entre os participantes? 2- De que forma o grupo procurou construir processos reflexivos neste ambiente virtual? Nesta pesquisa, assumo a metodologia interpretativista, de base netnográfica2, poisacredito que a netnografia possibilita ao pesquisador compreender a atuação online dossujeitos, bem como os processos sociais que os geram, e acaba por desenvolver uma melhorinterpretação das relações que se estabelecem neste ambiente, ao passo que, por suacaracterística que vai além da observação, faculta ao pesquisador também participar desselugar social que é a internet. No primeiro capítulo, metaforicamente intitulado “o adubo teórico”, descortino asteorias que irão embasar a minha análise. Digo que se trata de adubo, porque foramjustamente esses estudos relativos ao ensino em ambiente digital, e em especial a partir do usodos blogs educacionais, a importância do trabalho reflexivo-crítico durante a formaçãodocente, que alimentaram e fizeram crescer em mim um olhar diferenciado acerca dessesassuntos. Baseio-me nesta empreitada no trabalho de Collins (2004), Gimenez (1999), Gomes(2005), Magalhães & Celani (2005), Paiva (2010), Primo & Smaniotto (2006), Signorini eCavalcanti (2010), Sacristán (2010), Smyth (1992) e Zeichner (2008). No segundo capítulo, evidencio as “raízes” metodológicas, trazendo o contextopesquisado, a metodologia que fundamentou o trabalho, bem como detalhamento sobre acoleta de dados, perguntas de pesquisa, os procedimentos e os participantes. Acredito que essecapítulo pode ser assim intitulado, porque são justamente as raízes que dão sustentação earticulação a um projeto de pesquisa. Nesse capítulo, procuro montar um painel do jardim deonde colhi meus textos de campo, os participantes, o contexto de pesquisa e o olhar que lançosobre eles. No terceiro capítulo, busco mostrar o desabrochar cibernético do blog, através dainterpretação dos textos colhidos no blog e nas demais interações entre o grupo. Procuro dar2 Baseada em Erickson (1986/1990), no que tange à pesquisa interpretativista, e em Kozinets (2010), no que dizrespeito à pesquisa netnográfica.
  24. 24. 22ênfase à natureza das relações estabelecidas entre os participantes do blog, evidenciando osindícios de processos reflexivos que surgiram neste ambiente e a forma como o grupointentou construir esses processos. Finalmente, colhendo os frutos, apresento as limitações deste trabalho, bem comoalgumas possíveis contribuições para o ensino e para as pesquisas preocupadas emcompreender o ambiente digital e suas possibilidades educativas.
  25. 25. 231 ADUBO TEÓRICO tudo, todos e o todo Somos feitos de barro e do fogo e por isso somos o desejo e o amor. Fomos feitos de terra e de água e assim somos eternos como a vida e somos passageiros como a flor. Somos a luz a sombra, o claro, a escuridão a memória de deus, a história e a poesia. Somos o espaço e o tempo, a casa e a janela e a noite e o dia, e o sol e o céu e o chão. Somos o silêncio e o som da vida. O estudo, a lembrança e o esquecimento. Somos o medo e o abandono. A espera somos nós e somos a esperança. Pois não somos mais e nem menos do que o todo e nem somos menos e nem mais que tudo. Somos o perene e o momento, a pedra e o vento a energia e a paz, a vida criada e o criador. Somos o mundo que sente, e irmãos da vida somos a aventura de ser vida e sentimento. E assim em cada ave que voa há nossa alma, e em cada ave que morre, a nossa dor. (Carlos Rodrigues Brandão) Um jardim é feito de várias espécies, e sua beleza se revela justamente na diversidade,no colorido que se contrapõe, e, misturando-se, revela nuanças nunca antes observadas. Partodessa linguagem metafórica para trazer à baila os insumos teóricos que fertilizaram minhasanálises, problematizações e discussões e que, de certa forma, no decorrer da caminhada,balizaram o conteúdo veiculado no próprio blog Reflection in Action. Assim, as sementes em
  26. 26. 24meu jardim foram dispostas em dois canteiros: o primeiro sobre os blogs e o ambiente digital,e o segundo sobre processos reflexivos na esteira crítica. No primeiro canteiro semeio sobre os blogs, especialmente, seu potencial pedagógicocomo uma ferramenta/artefato digital para o processo de ensino-aprendizagem de línguas etambém para a formação dos professores de língua estrangeira segundo Buzato (2006),Gomes (2005), Gomes & Lopes (2007), Komesu (2005), Marcuschi (2005), Paiva (2010),Primo & Smanioto (2006) e Signorini & Cavalcanti (2010). No segundo canteiro, proponho um panorama das correntes teóricas sobre reflexãodocente e discorro sobre algumas perspectivas atuais sobre a formação do professor crítico-reflexivo e o uso de tecnologias, discorrendo sobre as concepções que historicamente foramconstruídas ao redor da expressão reflexão docente, segundo Dewey (1933), Libâneo (2010),Perrenoud (2002), Pimenta (2010), Sacristán (2010), Schön (1992; 2000). Também alinhodefinições e considerações sobre o processo reflexivo, enfatizando como isso poderia formarum professor mais crítico, seguindo os conceitos de Gimenez (1999), Mateus (2010),Magalhães & Celani (2005) e Zeichner (1994). Apresento, posteriormente, as contribuiçõesque uma prática reflexiva traria ao processo de ensino-aprendizagem em ambiente digital,especialmente nos blogs. Gostaria de observar que este estudo se insere nos estudos da Linguística Aplicada eque, tal como defendem Bastos & Mattos (1993), o enfoque dos trabalhos nesta área não é ode resolver problemas, mas sim o de explicar fenômenos, problematizar o que já estáinstituído. Sendo assim, este trabalho buscará discutir, com a ajuda de um aporte teórico,como o jardim cibernético constitui novas formas de aprender e ensinar.1.1 Primeiro canteiro: blogs, um jardim cibernético em plena primavera Os blogs nascem da necessidade humana de interação, ou seja, são essencialmentesociais. Fumero (2005) assevera que esta tecnologia, como todas, voltar-se-á para seu criador,o homem, tendente a mudá-lo, gerando novas formas de relação social e novas convençõesque surgirão de sua utilização. Atualmente o número de blogs cresce vertiginosamente entre
  27. 27. 25os internautas do mundo todo3, e a escola, por sua vez, passa a enxergar, nessa ferramenta,certa potencialidade educativa. Eles tiveram sua origem mais especificamente na década de 90, nos Estados Unidos,onde jornalistas e pessoas ligadas à informática começaram a elencar o que mais gostavam nomundo virtual por meio de listas de links. Blood (2000) propõe um histórico relatando que elaera uma das pessoas que começaram a usar seu site pessoal, no final da década de 90, parapostar pequenos pensamentos, comentários, textos. Conforme a Wikipédia4, John Bargerinaugurou, em 1997, o termo weblog (diário de bordo da rede), começou a postar pequenasnotas de cunho pessoal em seu site sobre o conflito israelense-palestino. Contudo, foi 1998,em sua página pessoal, que Peter Merholz, propôs a frase “we blog”, inaugurando a utilizaçãodo verbo blogar. Embora, no final da década de 90, já houvesse alguns aplicativos na rede,cujas ferramentas davam ao usuário certa facilidade de criação, editoração e manutenção deseus blogs, ainda era necessário saber, em muitos casos, como fazer programação em HTML5para criar seu blog. Foi somente no ano de 1999, com a criação do software Blogger, pelaempresa Pyra Lab, que os blogs se espalharam-se na rede. O software dispensava, no caso, oconhecimento de linguagem de programação, oferecendo aos usuários facilidade de criação,editoração, publicação e gratuidade. Era o que faltava para que um número cada vez maior deusuários se sentisse à vontade para ter e manter seus blogs. Passados mais de 10 anos desde o surgimento do blogger.com, pesquisas em sitesespecializados, embora não tenham valor acadêmico, medem a blogosfera mundial e acabamtraçando um perfil deste espaço online. Geograficamente falando, conforme o site Technorati,em 2010, dos 70 milhões de blogs no mundo, somente 8% pertenceriam aos latino-americanos. O perfil dos usuários seria composto por uma maioria de jovens e adultos, sendoque 65% teriam entre 18 a 44 anos e, dos quais dois terços seriam homens. O nível deescolarização também chama atenção: 43% teriam dito possuir nível superior6.3 No início eram somente especialistas em informática que o utilizavam, até que, em 1999, a mais famosaferramenta de produção e hospedagens de blogs até hoje foi lançada, o Blogger.com. O ano de 2002 também foimarcante, pois, com a criação da Web 2.0, outras ferramentas como Facebook, Myspace e o Twitter, (atualmentesão as mais populares), têm sido disseminadas no contexto brasileiro, evidenciando o caráter social da internet.4 Fonte: Wikipedia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Blog>. Acessado em 27 set. 2011.5 HTML (acrônimo para a expressão inglesa Hyper Text Markup Language, que significa Linguagem deMarcação de Hipertexto) é uma linguagem de marcação utilizada para produzir páginas na Web. Fonte:Wikipedia. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/HTML>. Acessado em 27 set. 2011.6 Sobre os demais blogueiros, 33% deste total estariam nos Estados Unidos da América, 38% no restante daAmérica do Norte, 19% seriam europeus e o restante, 2%, em outros países. Fonte: Site Technorati. Disponívelem: <http://technorati.com/blogging/article/who-bloggers-brands-and-consumers-day/>. Acessado em 27 set.2011.
  28. 28. 26 Embora os números possam nos chamar a atenção, não menos importante é observaras possíveis motivações para o surgimento e a manutenção das redes sociais nacontemporaneidade. Sibilia (2008), por exemplo, defende que os textos (auto) biográficos e osdiários íntimos seriam os primos românticos dos blogs. Assim, os blogs seriam uma espéciede ressurgimento deste ato impulsivo de as pessoas revelarem sua intimidade. Entretanto, penso ser interessante relativizar esse desejo de mostrar a intimidade e, atémesmo, em que ponto isso ocorre na rede. Não que essa não possa ser uma das motivações,mas me preocupa o olhar leigo, no que tange à crença7 de que, por ter esse tom intimista, ostextos que circulam nos blogs encartam a realidade ipsis litteris da vida de seus escritores oude qualquer um que seja. Baseio-me em Lejeune (1994) e Foucault (1996, apud KOMESU,2010, p. 349)8 para asseverar que esse tom intimista e revelador funciona, na verdade, comoum dos ingredientes entre o escritor do blog e seu público-leitor no processo de produção eleitura do texto, vincando que, não necessariamente, estes textos produzidos nos blogs trariam“a verdade”, até mesmo, como afirma Maciel (2004), “os gêneros confessionais são, comoqualquer discurso, uma produção humana entrecortada de ficção”. Por isso, observo que tanto as redes sociais, quanto os programas de TV (realityshows), ou a expressiva vendagem de livros dos gêneros confessionais, podem até serinterpretados como um culto ao individualismo, a subjetividade, e especialmente ao “serdiferente”. No entanto, mais do que isso, acredito que essas “novas-antigas técnicas daconfissão” são, tal como defende Foucault (1976, apud SIBILIA, 2003, p. 144-147),modalidades de construção da “verdade”. Diante da sucinta contextualização, surgem dúvidas do que seriam os blogs, ou comopoderíamos enquadrá-los dentro do escopo comum aos estudos relacionados com alinguagem. Seriam os blogs gêneros textuais? Como poderíamos delimitar o objeto de estudosblog? Será que, em sua maioria, são jardins em que se cultiva grande diversidade de espéciesde maneira organizada ou será que tudo se dá quase ao acaso? Creio que, primeiramente, em virtude das ressignificações possibilitadas pelo adventodo uso da linguagem em ambiente digital, inúmeros gêneros textuais têm aflorado e/ou sidorenovados nesse novo contexto discursivo, e também ganharam, observando pela ópticabakhtiniana (2000), novas características estilísticas e composicionais. Conceituar o que seja7 Aqui a palavra crença é utilizada no sentido do senso comum.8 Lejeune (1994), por sua vez, explica que há entre o leitor e o escritor um “acordo” de legitimidade ou, nostermos dele, um “pacto autobiográfico”, a qual se entende como uma atitude na hora da leitura onde quemescreve se compromete em ser sincero e quem lê passa a buscar fatos externos para comprovar essa supostaverdade. Foucault (1996) contribui neste aspecto pontuando que um dos mecanismos de exclusão que atravessao discurso é a vontade da verdade, que faz com que o sujeito se constitua, assim como seu enunciado.
  29. 29. 27um blog, conforme Gomes (2005, p. 312), não parece ser muito consensual, uma vez que eleoferece uma diversidade de formas e objetivo, conectados aos mais diversos contextos, deseus também diferentes criadores. Acrescento também que diversas são as lentes teóricas quepodemos usar para observar esse mesmo objeto, as quais contribuem no sentido de ampliar agama de possibilidades. O que se observa nos blogs é que praticamente todos os gêneros que circulam noambiente digital podem estar presentes lá, como o chat, a enquete, a poesia, o conto, apropaganda, a crítica, entre outros. Assim, há quem compreenda o blog como um suporte paraesses diversos gêneros distintos (PEREIRA, 2007), como um gênero híbrido (KOMESU,2005) ou, nos termos cunhados por Bakhtin (2000), como um gênero secundário, queabsorveria por sua vez gêneros primários (LIMA, 2008b), sem perder sua característicaprincipal, funcionando tal como num romance que contenha, por exemplo, uma carta,registrando que a carta, exemplarmente, tem seu propósito subordinado ao gênero secundárioromance. É como se concebêssemos que a crônica veiculada por meio do blog fossesubordinada ao gênero secundário blog. Os blogs, assim, têm se mostrado um espaço ou suporte, ou um gênero, que tanto têmservido para os gêneros já consagrados dentro das diversas esferas de produção, quanto paraos que estão se reinventando neste novo contexto de produção. Penso que, no caso destapesquisa, mais importante que discutir se os blogs são ou não gêneros, buscando categorizá-los e enquadrá-los, está a necessidade de observar de que forma as pessoas se servem destedispositivo de linguagem para se relacionar neste contexto. Acrescentaria que eles sãotambém, na qualidade de software, uma ferramenta para a editoração dos mais variadosgêneros. Assim, as postagens são, no meu conceito, o espaço onde se veiculam diversosgêneros, que vão desde uma poesia até tutoriais ensinando as pessoas a costurar, por exemplo.Já os comentários são, a meu ver, também gêneros distintos, que se assemelham muito aosgêneros orais, tal como o debate. A grande diferença entre o leitor de jornais impressos e odos blogs é que estes são mais impelidos a dar sua opinião, uma vez que dispõem, inclusive,de espaço para isso. Os comentários do leitor do jornal impresso, de sua vez, poderiam se darna presença de outra pessoa, nos monólogos silenciosos, ou nas cartas de leitores, porexemplo. Em contrapartida, para Marcuschi (2005, p. 29), os blogs são entendidos como umgênero, mais especificadamente “como diários pessoais na rede; uma escrita autobiográficacom observações diárias ou não, agendas, anotações, em geral muito praticados pelosadolescentes na forma de diários participativos”. Ele ainda compara o blog ao e-mail,
  30. 30. 28observando que naquele existe mais liberdade e menos preocupação com a pontuação e/oucom os aspectos morfológicos. Acredito que Marcuschi tenha dado sua contribuição, masacaba não levando em consideração a amplitude que os blogs têm assumido na rede,desconsiderando, por exemplo, outros tipos/funções que atualmente são possíveis e muitousados tal como os blogs políticos, jornalísticos, para vendas, em meio a outras inúmeraspossibilidades. O blog é observado como um gênero discursivo ou como um gênero híbrido tambémpor Komesu (2005), baseando-se nos construtos teóricos da Análise do Discurso de linhafrancesa. Ela propõe um trabalho que busca compreender os efeitos de poder provenientes deenunciados que são criados numa condição histórica que privilegia a exposição exacerbada daintimidade no domínio público. Seus estudos são feitos a partir da aproximação de enunciadosintergenéricos para levar-nos às semelhanças, bem como os possíveis traços estilísticos dogênero em apreço. A pesquisadora estabelece, portanto, que existe uma aproximação entre osblogs e os diários íntimos. Porém, ressalta diferenças endossadas pelo contexto diverso deprodução (dos diários íntimos no século XIX e dos blogs, contemporaneamente), a saber:enquanto os escritores de diários íntimos escreviam para a historização de si mesmos, osblogueiros são impelidos a falar de si para os outros, com o intuito de se mostrar, de “fazer-sever e ser visto”, numa relação permeada pela instantaneidade mediada pelo computador. Porisso, dentre algumas de suas constatações, Komesu afirma: Acreditamos que as atuais condições de produção dos discursos fazem com que o modo de enunciação dos escreventes dos blogs esteja muito mais próximo ao do das páginas eletrônicas (home pages ou websites) pessoais da internet do que ao do modo de enunciação dos escreventes dos diários íntimos. (KOMESU, 2005, p.155) Em pesquisas posteriores, Komesu acrescenta que, embora muitos blogueiros sejammovidos ainda pelo desejo narrativo do “eu”, com conteúdo temático ligado ao cotidiano, àsrelações familiares e afetivas, o foco dos blogs atualmente está se voltando para as atividadesprofissionais, para o marketing pessoal nas redes sociais e na monetização da informaçãopropagada na rede. Assim, também os microblogs, tais como o Twitter (que só permitepostagens de, no máximo, 140 caracteres), têm sido usados para divulgar, por exemplo, ainsatisfação de determinado grupo social ou nacional diante de aspectos políticos. Osmicroblogs, assim como os blogs, constituem espaços discursivos em que se apresentam
  31. 31. 29“efeitos de sentido (poder) resultantes das relações entre linguagem e novas tecnologias”.(KOMESU, 2010, p. 345). Quando observamos nosso objeto de estudo e suas várias facetas, no meu modo de ver,podemos refletir mais atentamente para as limitações desenvolvidas no decorrer dacaminhada. Dessa forma, trago para o seio da discussão as pesquisas desenvolvidas na áreada Comunicação (PRIMO & SMANIOTTO, 2006; PRIMO, 2008), que tendem a observar osblogs com outro olhar, que apontam que eles não são, necessariamente, ou tão somente, umgênero discursivo, nem mesmo enunciados intergenéricos. Penso ser interessantecompreender, mesmo que sucintamente, como outras áreas, tal como a Comunicação ouJornalismo compreendem e ressignificam essas novas práticas de uso da linguagem, pelomotivo de alargar um pouco nosso campo de visão acerca do mesmo tema. Primo & Smaniotto (2006) são pesquisadores que elucidam claramente que o termoblog pode fazer referência a um texto, a um espaço, mas também a um programa da internet.Ele esclarece que, embora os programas como o Blogguer ou o Wordpress, exemplificando osmais usados atualmente no Brasil, possam ajudar na produção e manutenção de um blog, elespodem ser substituídos por qualquer programa, até mesmo os mais convencionais, para fazersites pessoais (os quais usam outras linguagens de programação como HTML, PHP, MySQL,FTP, etc.). O pesquisador explicita, nesse diapasão, que: Mesmo reconhecendo os condicionamentos da materialidade do meio, é preciso enfatizar que o blog/texto não é estritamente determinado pelo blog/programa. As ferramentas de blog normalmente não determinam um limite máximo de caracteres por post. Como o blog/programa não pode compreender o que é publicado (se trata- se de uma poesia, uma foto, ou um conjunto aleatório de caracteres), já que a semântica lhe é estranha, não pode impor que os posts sejam necessariamente curtos nem que sigam um certo gênero discursivo. Logo, as definições de blogs como publicação de microconteúdo ou como diário íntimo na Internet revelam suas limitações, pois relacionam um tipo específico de blog/texto ao uso do blog/programa. (PRIMO & SMANIOTTO, 2006, p. 2) Portanto, como bem descrevem os autores, essa possibilidade de agregação de todo equalquer gênero textual em um blog não o faz parecer necessariamente com os diários, antesfaz com que eles tenham mais características em comum com os sites pessoais, onde o usuário“os recheia” com os mais variados gêneros, muitas vezes multimodais e multimidiáticos eestabelece links com publicação que não são necessariamente de sua autoria. Isso sem contaro papel fundamental dos comentários, que fazem parte do processo enunciativo, e que podemser considerados outro gênero, mas que estão dentro do blog, sendo característica marcante
  32. 32. 30dele, e até muito mais interessantes para nossa pesquisa, ao passo que acreditamos residemnos comentários boa parte dos processos reflexivos. Também é interessante pontuar que, não raro, o conteúdo dos blogs acaba sedesvinculando de sua plataforma inicial e finda por fazer parte de outros espaços por meio dosrecursos de feed9, que podem ser compreendidos como pontos de agregação de informaçãoque circula na rede. O usuário, portanto, não precisa visitar o blog para ler seu conteúdo, poisele estará disponível, por meio desses recursos como os feeds (RSS10, por exemplo) em outroslugares da rede. Recuero (2003, apud PRIMO & SMANIOTTO, 2006), por sua vez, incorpora umatipologia um pouco diferenciada, que, a meu ver, apresenta uma caracterização um poucomais abrangente do universo da linguagem dos blogs, podendo ser: a) diários, tratam basicamente da vida pessoal do autor; b) publicações, comentários sobre diversas informações; c) literários, os posts trazem contos, crônicas ou poesias; d) clippings, agregam links ou recortes de outras publicações; e) mistos, misturam posts pessoais e informativos, comentados pelo autor.” (RECUERO, 2003 apud PRIMO & SMANIOTTO, 2006, p. 3) Já a definição abaixo, talvez, se revele mais esclarecedora. Acrescento entretanto que,embora as postagens obedeçam a uma ordem cronológica, hoje, a maioria dos programas quehospedam os blogs possibilita aos usuários mostrar o arquivo daquilo que já foi postado tantoem ordem ascendente como descendente. De modo geral, o “blog” ou blogue (em uma versão mais próxima à grafia portuguesa), é uma página comparada a um diário virtual, uma vez que apresenta registros freqüentes de informações, atualizados por meio de inserção de mensagens, mais conhecidas como posts, e cuja apresentação obedece à ordem cronológica ascendente (inicia-se a página pelo post mais atual). Os posts podem pertencer ou não ao mesmo gênero de escrita, fazer referência ao mesmo assunto ou ter sido escrito pela mesma pessoa ou por pessoas diferentes, isso vai depender de divulgação, interesse e aceitação do usuário proprietário do blog para publicação do comentário. O blog é caracterizado pelo tom informal e pela diversidade de temas que pode abordar. Como pode ser escrito por uma ou mais pessoas, costuma expressar uma gama ampla de idéias e opiniões. (RODRIGUES, 2008, p. 43)9 Feed (vindo do verbo em inglês "alimentar") é um formato de dados usados para distribuir informação na redeno momento em que o conteúdo é atualizado. É frequentemente usado em sites de notícias ou blogs. Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Feed. Acessado em 27 set. 2011.10 RSS é um subconjunto de "dialetos" XML que servem para agregar conteúdo ou "Web syndication", podendoser acessado mediante programas ou sites agregadores. É usado principalmente em sites de notícias e blogs.A abreviatura do RSS é usada para se referir aos seguintes padrões: Rich Site Summary (RSS 0.91), RDF SiteSummary (RSS 0.9 e 1.0), Really Simple Syndication (RSS 2.0). Fonte: http://pt.wikipedia.org. Acessado em 27set. 2011.
  33. 33. 31 Os blogs são, em meu entendimento, páginas na internet que se assemelham às homepages comuns, porém o que os diferencia são aspectos como a facilidade de diagramação, agratuidade, o aspecto dinâmico, plástico, hipertextual e hipermidiático, uma vez que abrigamalém de texto, imagens, links, vídeos e músicas, por exemplo. Os blogs também dão o ensejoao visitante, ou aos seguidores, de poderem acessar todas as postagens e comentários queforam feitos desde a sua criação, a partir do histórico das postagens, além de discutir oassunto que esteja sendo veiculado (se assim permitido pelo autor do blog) com comentários.O histórico das postagens se auto-organiza normalmente em ordem cronológica ascendente,ainda que os sites que hospedam os blogs, atualmente, possibilitam aos blogueiros, como sãodenominados os usuários dos blogs, inúmeras maneiras de dispor a informação. Os blogspodem ser tanto individuais quanto coletivos, e os assuntos são tão variados quanto o desejode seus usuários. Embora, a princípio, o estilo e os gêneros dos textos produzidos tenhamcerta proximidade com o diário íntimo, hoje, a pluralidade de funções, estilos e gêneros é algolatente no universo dos blogs. De posse dessas tentativas de definição, interessantes que são, pois ajudam ospesquisadores a olhar com mais perspicácia seu objeto de estudo, ficam estas perguntas: comousar os blogs no processo de ensino-aprendizagem de línguas? Como fazer isso na escola?Como fazê-lo sobretudo na escola pública? A escola tende a incorporar em suas práticas cotidianas as TIC11. Assim como outrasascensões, (re)produções e disseminação de informação que tiveram como berço a internet, osblogs estão sendo incluídos no processo de ensino-aprendizagem como ferramentas quedinamizam o processo e possibilitam novas formas de interação e de trabalho. Isso se dá tantopela pressão social quanto pela necessidade de incluir nas aulas, práticas que satisfaçam osanseios dos próprios estudantes, deixando-as em sintonia com as expectativas da classeestudantil. Podemos denotar certo incentivo governamental para que isso ocorra, especialmentecom as tentativas de massificação de laboratórios de informática ligados à internet nas escolaspúblicas, como o proposto pelo Programa ProInfo do Governo Federal, ou com as políticas deinserção desses laboratórios levadas a cabo pelos governos estaduais e municipais. Emportais oficiais como Portal do Professor12, desenvolvido e monitorado pelo Ministério daEducação e Cultura, observa-se uma tentativa de organização do material disponível na rede11 Tecnologias de Informação e Comunicação.12 http://portaldoprofessor.mec.gov.br
  34. 34. 32para os professores. Também é pulsante a movimentação social e governamental em prol doletramento digital, da inserção de grupos sociais na dinâmica virtual. Segundo Paiva, (2010, p. 3), há uma tendência internacional para que as políticasgovernamentais persigam a criação de redes digitais e a informatização. “Os governos nomundo inteiro estão preocupados em possibilitar o acesso às tecnologias digitais a todas ascamadas das populações, especialmente no setor educacional.” Entretanto, comoposteriormente afirma essa pesquisadora, parece que os esforços governamentaisaparentemente não estão convergindo na apropriação de tecnologia por parte dos professores,ao menos de maneira não tão rápida, tal como a sociedade e o governo parecem esperar. Vale a pena ressaltar que esse descompasso entre os anseios da sociedade capitalista ea apropriação da escola e dos professores de novas tecnologias e/ou novas formas de ensinar épassível de ser relativizado. Baseada em Bax (2003), Paiva (2010) frisa que a apropriação dasnovas tecnologias pelos professores se sucede processualmente, e oferece-nos até umesquema dos estágios de normalização das tecnologias. Por isso, o uso dos computadores e desuas ferramentas ocorrerá de maneira processual, mas não necessariamente com todos osprofissionais, muito menos ao mesmo tempo, uma vez que são vários os fatores queconcorrem para que essa normalização do uso ocorra. [...] será inevitável a convivência com as tensões e ciclos concomitantes de adeptos iniciais, resistências, tentativas, medo ou veneração, normalização ou morte de uma tecnologia. Enquanto alguns professores já se apropriaram do Orkurt, Second Life, e Twitter para fins educacionais, a maioria ainda não tem blog nem página pessoal e mal usa o e-mail. Muitos demandam programas de capacitação e outros preferem se manter à margem das inovações. (PAIVA, 2010, p. 8) Falando em exemplos práticos, se mergulharmos na rede, facilmente encontraremosblogs de alunos e professores, tanto individuais quanto coletivos. Seja nas escolas seja nasaulas dos professores que buscam aportar para o ambiente escolar, ferramentas como os blogs,isso vem se caracterizando como uma prática corriqueira. Hoje, observamos, por exemplo,blogs de professores que buscam expor na rede seu perfil, suas aulas, suas opiniões, suassugestões, enfim, um recorte de seu trabalho docente. Temos alunos criando blogs individuaise coletivos, por “incentivo” do professor, para a apresentação e desenvolvimento de trabalhosde pesquisa, para manter um portfólio de seu desenvolvimento intelectual, entre outras coisas.Os blogs podem ser de uma disciplina específica ou transdisciplinares e acabam sendo umarepresentação na rede de escolas, grupos sociais, grupos de alunos, grupos profissionais, emmeio a outros.
  35. 35. 33 Em decorrência dessa ânsia pelo uso das TIC em sala de aula, alguns estudos têmcontribuído para entendermos como e em que proporção essas novas ferramentas têm sido oupoderiam estar sendo utilizadas em prol da melhoria do processo de ensino-aprendizagem, nocontexto brasileiro atualmente. Embora não sejam abundantes as pesquisas relacionadas como uso pedagógico dos blogs, já temos, no meio acadêmico, trabalhos que levam em linha deconta as possibilidades do uso deles na ressignificação desse processo, tanto de línguamaterna quanto de língua estrangeira. Rodrigues (2008) é um bom exemplo disso. Partindo do pressuposto que os recursostecnológicos dos quais algumas escolas já dispõem não têm sido explorados a contento,propôs duas tarefas de produção de texto, as quais utilizavam os blogs como lugar depublicação. Assim, tal como Gomes & Lopes (2007), suas observações levaram-na acompreender que, quando o professor formata o blog, centralizando seu uso, pedindo ao alunoque simplesmente entre no blog e escreva o que o próprio professor propôs e delimitou, aoinvés de uma prática ressignificada, há um engessamento do cotidiano escolar. Lanza (2007), por sua vez, utilizou o blog como material didático no ensino de línguaespanhola em sua pesquisa. Ela organizou uma tarefa que utilizava blogs pré-selecionados,como fonte de informação. A autora criou um banco de blogs que possuíam textos ligados àrealidade social brasileira, aos temas transversais e que são, por natureza, autênticos. Elaconclui que o blog é um ótimo material didático (se assim concebido), mas que, ao mesmotempo em que tem essa qualidade de ser atualizado, também é volátil, pois seus usuáriospodem simplesmente deixar de atualizá-los, tornando-os inativos, ou até mesmo excluir suaconta. Na pesquisa de Kosikoski (2007), a qual envolve a ato de escrever em línguaestrangeira, o blog é tido, na representação dos alunos de língua inglesa do ensino médio e dapesquisadora, como uma interface diferenciada e mais produtiva no quesito “interação”durante o processo de escrita. A pesquisadora contrasta o ato de escrever em diferentes“interfaces” propondo atividades de produção textual que tinham, como objetivo, preparar oaluno para o mercado de trabalho. Quando essas atividades eram feitas na interface papel, asdificuldades de escrita, conforme a pesquisadora, pareciam aflorar, enquanto que, usando oblog como interface, os alunos experimentaram não só nova forma de interação entre eles,mas entre os alunos e a ferramenta blog, e entre eles e a internet. O trabalho de Gomes (2005) defende a ideia que blogs educacionais podem ser usadostanto como ferramenta quanto como recurso e/ou também como suporte para a publicação detextos. O blog educacional em seu caráter de ferramenta, é visto como aquele que abre uma
  36. 36. 34dinamização dos processos de pesquisa, enfatizando o processo de filtragem e observação darelevância da informação. Pode também, conforme a autora, ser apreendido na condição derecurso, porque faculta a prática colaborativa, a criação de comunidades de aprendizagem ecerta descentralização da figura do professor no processo de ensino-aprendizagem. Pode,ainda, ser simplesmente o suporte para a publicação de textos escritos na escola em práticasde produção textual que não necessariamente se utilizam das outras possibilidades que o blogproporciona aos seus usuários, podendo neste caso ser comparado a um mural virtual. Observando toda essa movimentação das/nas redes sociais é que Fumero (2005)sinaliza que os blogs são, entre outras ferramentas, marca fortíssima da tendência desocialização da rede, o que, para ele, seria o primeiro passo para nos tornarmos a verdadeira“Sociedade da Informação”, onde o ciberespaço não é considerado como algo para viver alémda vida cotidiana, mas como mais um espaço de desenvolvimento da experiência humanasocial em sua totalidade. Justapondo-se a este ponto de vista temos também Signorini & Cavalcanti (2010, p.423) que apresentam algumas das perspectivas a serem observadas quando lidamos comartefatos tecnológicos. As autoras apontam que é relevante, na pesquisa sobre os artefatostecnológicos, compreender este fato: 1- Eles são desenhados e construídos por pessoas13, portanto não são naturais, neutros, dados e, que eles são carregados, tal qual como qualquer uso linguístico, de interesses, valores, (pré) conceitos; 2- Sua materialidade é forjada e determinada dentro de um dado contexto histórico e social, fazendo-os desta forma, integradores de uma certa comunidade, de um certo discurso, marcado no tempo e no espaço; 3- São feitos a partir de uma multiplicidade de componentes, o que não os fazem uniformes, mas pelo contrário, frágeis e fragmentários. É necessário integrar e articular as suas diversas “peças”, para que eles funcionem14; 4- Reconfiguram-se o tempo todo, desde o seu “nascimento” até a sua alteração drástica, quando se transforma em outro artefato ou “desaparecem”. Essa característica mutável é dada pelo fato de que as tecnologias coexistem e coevoluem e, também porque inúmeras adequações e adaptações são criadas pelos usuários. Portanto, quando observo o espaço dos blogs, vejo que eles são, por excelência,criadores de e criados por comunidades discursivas15 na rede. Um espaço onde justamente as13 Grifo meu.14 Grifo meu.15 Embora este não seja o enfoque do trabalho, penso ser importante balizar teoricamente dentro de quais termostrago a expressão Comunidade Discursiva (doravante CD). Um dos autores que é deveras citado em se tratandoda locução CD é John Swales (1992), o qual inclusive propõe critérios para delimitar o que seria e o que nãoseria uma CD. Após inúmeras reformulações conceituais, Swales (1998, apud Lima, 2008a) estabeleceu quetrabalharia com a expressão CD local, que compreenderia “um grupo de pessoas que trabalhariam juntas(embora nem sempre), possuindo geralmente um nome, consciência dos papéis designados a cada membro, um
  37. 37. 35práticas sociais ocorrem. Sendo assim, eles não podem ser observados tão somente como um“ponto de encontro” na rede, visto que, como bem pontuam as autoras supracitadas, amaterialidade linguística dos blogs só ocorre (e só poderia se dar) dentro daquele contextohistórico e social, sendo forjada para tal. Os blogs, também se exibem com chances de gerar resultados significativos no quetange à qualidade dos textos produzidos, da quantidade de leituras feitas, do serviço depesquisa e seleção de fontes, enfim, de contribuir para o letramento digital dos alunos, desdeque haja um real e coletivo envolvimento dos sujeitos em sua produção. Rodrigues (2008), emsua pesquisa, enfatiza que, além do trabalho com novas práticas de ensino, o que mais semodifica nessa nova relação professor-aluno-escola-tecnologia ao usar blogs, por exemplo, éque nós, professores, deixamos de ser o centro do processo, ou aquele para quem(unicamente) se escreve e o qual avalia. Um novo perfil, o de professor orientador, o de leitorcríticos dos textos parece estar sendo requisitado pela nova prática social. Acrescento que os blogs, de igual maneira, podem ser justificados nas aulas de línguaestrangeira, por atenderem a um dos grandes desafios enfrentados durante o processo deformação docente dos professores de língua, que é a questão do uso da língua escritasignificativamente. Não bastasse, os blogueiros podem visitar e ser visitados por usuários dainternet que não pertençam necessariamente ao ambiente escolar, ampliando, assim, asfronteiras do ambiente escolarizado, fazendo com que ele se aproxime do uso real da línguana/pela sociedade em geral. Embora ainda haja muita resistência da comunidade escolar e da sociedade em geralquando o assunto é educação a distância e/ou em ambiente virtual, de certa forma elas têmcrescido, em decorrência do já exposto panorama histórico vivenciado por todos nós. Dadosde 2010 da Associação Brasileira de Educação a Distância relatam que já são mais de 200 asinstituições que oferecem cursos e, mais de dois milhões de alunos matriculados16. Aeducação a distância cresce significativamente em nosso país. Em adendo, a busca por umaconjunto de gêneros, ritmo de trabalho e vocabulário próprios e uma consciência de sua história”. Finalmente,Lima (2008b), em estudos sobre blogs e CD, propôs um realinhamento da teoria swalesiana, defendendo osseguintes termos: CD global seriam “redes sóciorretóricas amplas formadas a partir de múltiplos subgruposorganizados hierarquicamente e interelacionados entre si por um ou mais objetivos, gêneros, valores e léxicocomuns”. Já uma CD local seria “um grupo menor pertencente a uma comunidade com quem compartilhaobjetivos, valores, léxico e gêneros, mas que no entanto apresenta em sua constituição traços próprios relativos aessas categorias, o que identifica como um grupo menor formado a partir de objetivos, valores, léxico e gênerosespecíficos, podendo também ter uma hierarquia própria, sempre situando-se no todo hierárquico maior dacomunidade global a que pertence”. Desta forma, alio-me ao conceito reformulado por Lima e me baseio nele aocompreender o blog Reflection in Action como uma CD local e também global.16 Fonte: Censo ead.br / organização Associação Brasileira de Educação a Distância Disponível em<http://www.abed.org.br/censoead/CensoEaDbr0809_portugues.pdf>. Acessado em 25 nov. de 2011.
  38. 38. 36formação docente alicerçada na colaboração em rede tem sido algo almejado, tanto por quemtrabalha com esse segmento educacional quanto por quem trabalha com o ensino presencial.Zulian (2003) já considerava que as TIC tinham um potencial afirmativo na formaçãodocente, ao passo que possibilitam ressignificações das metodologias utilizadas no processode aprendizagem, das relações interpessoais, bem como do papel da universidade nestecontexto. Entretanto, ainda são inúmeras as dúvidas que pairam no ar quando o assunto é aformação de professores diante dos desafios da dita pós-modernidade. Eu adiciono a estasperguntas: como os blogs poderiam ajudar nessa empreitada? Reichmann (2009) descortina um interessante estudo relativo a narrativas de formaçãoem blogs reflexivos, relatos e diários na formação de professores de língua estrangeira.Conforme a autora, o espaço do blog foi capaz de proporcionar aos professores em formaçãouma ressignificação de objeto de estudo e de si mesmos, pois permitiu-lhes reposicionar-seem sua própria história narrada. Nesta pesquisa, a autora também observou que as postagens(as quais foram escritas em língua materna) favoreceram o processo de ensino-aprendizagemde língua estrangeira, revitalizando o ensino presencial e a sala de aula, pois construíramsignificados e ampliaram o lugar do aluno neste contexto específico. Já Machado (2008), em sua pesquisa sobre a formação de educadores e o uso de blogs,compreendeu que é importante, quando trabalhamos e/ou produzimos blogs de cunhoeducacional, redigir as postagens e/ou os comentários com “bases de argumentação, troca deideias, experimentação, ousadia [sem temer os riscos], interpretação, análise, crítica, síntese eproposição de hipóteses que sejam perenes” (idem, p.103). Conforme o autor, o conteúdodiscutido no blog fará parte de uma grande base de dados e se tornará referência na internet,podendo ser acessado por mecanismos de busca como o Google, por exemplo. Por essemotivo, o pesquisador advoga que os educadores ainda carecem de esclarecimentos,informações e de um uso mais corrente das tecnologias, evidenciando que a própria internetpode ser um canal de formação continuada, de busca e de trocas de experiências relevantes. A pesquisa desenvolvida por Fonseca (2009) investigou a relação dos professorescom os blogs, enfatizando as dificuldades mostradas por eles, além de observar orelacionamento dos ainda alunos com a ferramenta. Dentre suas averiguações, Fonseca apontaa falta de estrutura física tecnológica da escola pública brasileira que, mesmo tendolaboratórios de informática, em virtude da falta de manutenção e de técnicos de suporte,acabam por se tornar sucata e inviabilizar o trabalho de professores e alunos interessados emse inserir no ambiente digital.
  39. 39. 37 A autora supracitada também tece crítica a programas de formação digital, como ocaso do ProInfo, mantido pelo Governo Federal. Ela o considera um projeto insipiente, umavez que, mesmo tendo como objetivo equipar 100% das escolas básicas com laboratórios deinformática, não capacita os professores (acentuando que ela observa que muitos também nãobuscam sua capacitação), nem dá suporte técnico especializado para a manutenção desseslaboratórios. O Brasil parece ter longo caminho a percorrer no que tange à informatização dasescolas e à inserção da comunidade no ambiente digital. Outra observação de Fonseca, que cabe inclusive à nossa proposta de blogcolaborativo, é que as práticas de inserções de Processos Imperativos17 num blog que buscaser colaborativo “destoam da proposta e acabam por afastar os alunos” (idem, p.117). Oprofessor tem que ter uma postura pró-ativa. De nada adianta, na opinião de Fonseca, termosblogs educativos que não proporcionem a interação, as buscas, as descobertas. Caso contrário,teremos blogs/livros didáticos no velho estilo “donos da verdade”, que de nada se parecerãocom a proposta criada pelos grupos sociais que a princípio os desenvolveram e os utilizamcontemporaneamente. Atentando para as pesquisas e para a produção teórica que vem sendo desenvolvidasobre o assunto blogs em diversas universidades, fica clara a preocupação em perceber comoessa ferramenta pode ser incorporada em sala de aula de língua materna e língua estrangeira,pontuando que o objetivo mais recorrente parece ser este: envolver o uso de blogs com aprática de escrita para alunos de ensino médio. Porém, são ainda raras as pesquisas que dãoconta dos blogs como promotores de um ensino mais reflexivo e colaborativo. Esta pesquisase torna válida, uma vez que buscará averiguar como os blogs podem ser uma ferramentautilizável na formação de professores de línguas, trabalhando tanto o uso/aprendizagem daprópria língua estrangeira quanto proporcionando um ambiente em que através dacolaboração, os envolvidos poderiam estar ressignificando o conhecimento e pondo emprática posturas mais reflexivas e críticas. Para ter um pouco mais de clareza acerca dessas representações e da influência dosblogs educacionais como catalisadores de processos reflexivos e do desenvolvimento de umapostura crítica, é necessário também observar que as práticas em sala de aula fazem parte daformação do sujeito-professor, mas não são as únicas responsáveis pelo processo. Por isso,devemos levar em consideração que, quando os professores em pré-serviço chegam a seu17 De acordo com a Gramática Sistêmico-Funcional, baseada em Halliday (2004), as ações são trocas linguísticasque podem ser mapeadas, e elas nos permitem investigar a maneira como os envolvidos com a interaçãoexpressam suas atitudes, ou seja, como processos imperativos, declarativos e interrogativos, por exemplo.
  40. 40. 38curso de graduação, carregam muitos conceitos pré-estabelecidos em relação, por exemplo, àescola pública e ao ensino de línguas. Isso se dá pela própria vivência que eles provavelmentetiveram neste contexto e é reforçada pelas vozes sociais, a exemplo da mídia, e pelas crençasou representações18 de seu ambiente cultural. Por sua vez, os blogs educacionais podem seconstituir um ambiente que pode favorecer aos alunos contato com diversas opiniões acercade um assunto em pauta.1.2 Segundo canteiro: cultivando o profissional crítico-reflexivo Crer na prática reflexiva no fazer docente é acreditar que essa postura traz melhoriapara o processo de formação do professor e também para o processo de ensino-aprendizagemem geral, e que ambos não se dão pelo simples acúmulo de teorias, mas sim a partir de umprocesso de reflexão sobre a prática e os construtos teóricos em uma constante reformulaçãodeles (SCHÖN, 1995; NÓVOA, 1995). Libâneo (2010, p. 62), por sua vez, assevera que essa preocupação com a reflexão emsala de aula não é um fenômeno tão contemporâneo, uma vez que em diversos outros autores,como Dewey, Schön, Vigotsky e Piaget, há uma clara preocupação de que é (ou deveria ser) opapel da escola desenvolver o pensar, já que essa capacidade pode ser aperfeiçoada eestimulada para o empoderamento dos sujeitos. Mas, ao mesmo tempo, o autor observa que areflexão docente, tal como tem sido apreendida na época moderna, foi concebida em berçoiluminista, tendo crença na supremacia da razão e no potencial reflexivo como um atointrínseco, ou seja, nato ao ser humano. Acrescento ainda que, em muitos casos, as correntesteóricas que discutem a reflexão docente acabam por desconsiderar as forças sócio-histórico-ideológicas nas e pelas quais a sociedade se constrói. Libâneo (2010) aponta para o fato de que entre as versões para o termo reflexão,distinguem-se a visão idealista, a prática e a dialética. Na idealista, o sujeito é autorreflexivo ese orienta a uma nova prática que muda sua realidade. Na visão prática, ou pragmática, osujeito está centrado em pensar a experiência prática e, assentado nisso, definir como serão as18 Embora esta não seja a discussão desenvolvida neste trabalho, acredito ser importante expor em que termosutilizo as palavras crença e representação, pois são dois conceitos amplamente discutidos pela LinguísticaAplicada. Sigo a partir deste momento em meu texto o que conceitua Barcelos (2006, p.18) sobre o termocrença: “como uma forma de pensamento, como construções da realidade, maneiras de ver e perceber o mundo eseus fenômenos, co-construída em nossas experiências e resultante de um processo interativo de interpretação eressignificação. Como tal, crenças são sociais (mas também individuais). Dinâmicas, contextuais e paradoxais”.Enfatizo que utilizo ambos os termos, crença e representação, como sinônimos.
  41. 41. 39próximas. Já na concepção dialética, a realidade é entendida como uma construção teórico-prática, que é captada com base em nossa experiência, a qual é notadamente subjetiva. Porisso, antes mesmo da reflexão exercida pelo sujeito, há uma realidade dada, que independe deminha reflexão, e outra, essa, construída pelo sujeito, tendo como alicerce a reflexão. Pelocaminho dialético de compreender reflexão, o autor ainda pontua que essa concepção podedesencadear em uma postura crítica emancipatória ou num viés que, além de ser crítico, levaem consideração que também a reflexão agasalha as suas próprias limitações, inerentes a estetrabalho intelectual. “[...] a chamada teoria crítica acentua o caráter político da teoria em relação à prática, pois o conhecimento teórico tem a função de operar o desvendamento das condições que produzem a alienação, as injustiças, as relações de dominação. Mas esse conhecimento precisa ser crítico, implicando uma auto-reflexão sobre si próprio, seus compromissos e seus limites.” (LIBÂNEO, 2010, p. 57) Sacristán (2010) corrobora essa explicitação das tendências investigativas na formaçãode professores ao incitar a discussão sobre as grandes correntes teórico-pedagógicas queinfluenciaram e influenciam o que se entende por reflexão docente. Para o autor, há umavertente pós-positivista e uma pós-weberiana. Retomando o que fora em outro passo exposto,convém lembrar que, num dado momento histórico, político e social, há uma tendência queprevalece. Contudo, conforme o autor, ambas as tendências têm caminhado desde seusurgimento na modernidade, até contemporaneamente, com o objetivo de intelectualização ereestruturação do processo produtivo para o empoderamento dos sujeitos, ou seja, o que era eainda é necessário, afina com flexibilidade profissional. Assim, Sacristán compreende que, entre as teorias pós-positivistas, ou neoliberalistas,estariam as de cunho behaviorista, que posteriormente vieram a ser chamadas de cognitiva ecognitivista. Dentro dessa linha, conforme o autor, estão Dewey e Scho n. Já a pós-weberiana, baseia-se na teoria marxista/neomarxista, a qual, conformeSacristán, busca o conhecimento usando lentes políticas. Essa visão leva em conta que aciência social é construída baseada na subjetividade do pesquisador, de seus interesses. Ele, opesquisador, seleciona, conforme sua realidade complexa e caótica, elementos para montarseu “tipo ideal” e então poder trabalhar com ele. Dessa forma, podemos observar que a preocupação em formar profissionais queatuassem de maneira reflexiva não é algo tão recente nas discussões acadêmicas, nem
  42. 42. 40tampouco consensual, uma vez que na década de 30, nos Estados Unidos, igualmente noBrasil e na Europa, já a partir da década de 70, esse assunto esteve em pauta de discussão. Pimenta (2010) argumenta que houve uma preocupação exacerbada sobre esse temano meio acadêmico brasileiro após a década de 90. Ela constata que isso acorreu após apublicação do livro Os professores e sua formação, coordenado pelo professor portuguêsAntônio Nóva, (1992), obra cujos textos se devem a autores europeus e norte-americanos. Apesquisadora aponta para o fato de que, por questões contextuais, o tema obteve na época umterreno fértil em nosso país, por inúmeros motivos, entre eles as preocupações do governocom a formação docente (o que já estava, inclusive, nas leis e propostas para a educação), ocrescimento dos cursos de pós-graduação no país e com eles a pesquisa e as (re)organizaçõese (re)valoração tanto do papel da escola quanto do professor nas transformaçõessocioeconômicas e políticas da sociedade. Após um tempo de efervescentes discussões, nãosomente no Brasil mas principalmente no ocidente, as discussões acadêmicas acabaram porguiar-se por caminhos tão diversos, que tal como avalia Rodgers (2002, apud ZEICHNER,2008), tornaram-se tudo para todos e acabaram perdendo sua visibilidade. Se bem assim, muitos trabalhos de pesquisa relacionados com a prática e com aformação docentes com ênfase reflexiva têm sido desenvolvidos nos últimos anos em nossopaís, entre os quais cito Assis-Peterson & Silva (2010), Freire (2009), Geraldini (2003),Liberali (1994; 1999), Magalhães & Celani (2005), Melão (2001), Moita-Lopes (1996),Oliveira (2008) e Pimenta (2010). Penso que, de antemão, é interessante ressaltar que, emborasigam diversas tendências, percebo que, em sua maioria, os pesquisadores dessa área fazemesforços em no mínimo dois sentidos que se entrecruzam na caminhada. Primeiramente,dialogam em busca de compreender o que é a reflexão e como ela funciona. Posteriormente,discutem como as pesquisas e a universidade em si (dentro da formação inicial e também dacontinuada) podem contribuir de forma mais eficaz na valorização de uma cultura reflexiva nomeio educacional, asseverando quanto essa prática pode(ria) ser útil neste contexto. Ao propor uma retomada histórica, penso ser John Dewey, provavelmente, um dosautores mais citados quando o assunto é reflexão. Ele foi um dos educadores que, já no iníciodo século passado, começou a se preocupar com aquilo que denominou de extremos daeducação de seu país, Estados Unidos. Mas, afinal, quais foram as angústias que fizeram estetema aflorar em seus estudos? Para ele, alguns dos extremos que ocorriam em seu contextoeram ou centralizar a educação nos programas, o que era tido naquele momento comopedagogia tradicional, ou, focar na criança, que era concebido como algo “romântico”. Sua

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