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UM TEMA E MUITOS
CAMINHOS
a comunicação transmidiática no jornalismo
Introdução
“A convergência refere-se a um contexto, um cenário de
transformações em diversas esferas que respondem a
uma demanda essencialmente cultural e que dissipa
diversas fronteiras, inclusive relacionadas ao
jornalismo. Como produto de uma demanda coletiva
pela interligação cognitiva de conteúdos, a
convergência transforma a relação do indivíduo com a
informação e o próprio nexo de construção e
assimilação de conteúdo. Um contexto que se
materializa em convergência também de plataformas e
suportes, mas que tem como motor processos
culturais. Nunca fomos meros receptores passivos.
Estamos nos tornando cada vez mais migratórios no
que se refere à escolha da informação e de caminhos
cognitivos de construção de conhecimento. Somos
interagentes”
Introdução
 Surgimento da narrativa transmídia
 “refere–se a uma nova estética que surgiu em resposta
à convergência das mídias – uma estética que faz novas
exigências aos consumidores e depende da participação
ativa de comunidades de conhecimento” (JENKINS,
2009, p. 49)
 Origem hollywoodiana
 O diálogo entre transmídia e a sociedade, e
suas consequências: a extensão político-
cultural na atividade jornalística e no processo
de assimilação de conteúdo noticioso
Cultura da convergência
 Mudanças tecnológicas: fatores técnicos ou
culturais?
 Cenário abrangente e que modifica a relação
dos públicos com a mídia de uma forma geral
(JENKINS, 20122)
 Mídia nova substitui uma mídia velha?
 Surge um leitor imersivo, “conectando-se entre
nós e nexos, num roteiro multilinear,
multiseqüencial e labiríntico que ele próprio
ajudou a construir” (SANTAELLA, 2007, p. 33)
Cultura da convergência
 A audiência deixa de ser apenas espectadora
do processo e se torna parte dele
 Interagente (PRIMO, 2003, p.131): indivíduo
conectado, típico da cultura convergente
 No jornalismo:
 Descrença do público sobre a informação:
 emersão de um cidadão globalizado e crítico
 “A revolução não acontece quando a sociedade
adota novas tecnologias – acontece quando a
sociedade adota novos comportamentos”
(SHIRKY, 2012, p. 37)
Cross-media
 Conceito ligado ao marketing que nasceu no
início dos anos 90 e que se refere a uma
estratégia promocional planejada.
 Profissionais dessa área utilizam o termo para
descrever as campanhas que utilizam mais de
uma plataforma midiática.
 Relação entre múltiplas mídias, que são
usadas para promover um produto ou serviço.
Cross-media
 Nova forma de apresentar idéias, conceitos,
valores e formas, onde elas não se direcionam
apenas para um meio de informação mas para
vários, onde se interligam e relacionam umas
com as outras de forma dinâmica e única.
 Exemplo: propaganda Loreal “O que está
acontecendo com a Grazi?”
Multimídia
 Multiplataforma (assim como transmídia)
 Diferença em relação ao conteúdo:
 Transmídia: conteúdo complementar
 Multimídia: conteúdo análogo, não complementar,
informação extra, reprodução do mesmo
conteúdo em linguagens diferentes
 Dizer a mesma coisa de maneiras diversas,
invocando um ou outro dos sentidos humanos
(NEGROPONTE, 2002)
Multimídia
“A mensagem multimídia deve ser um produto
polifônico no qual se conjuguem conteúdos
expressados em diversos códigos. E mais que
isso, deve ser unitário. A mensagem
multimídia não se alcança mediante mera
justaposição de códigos textuais e
audiovisuais, mas através de uma integração
harmônica desses códigos em uma
mensagem unitária”
(SALAVERRÍA, 2001)
Transmídia
 Surge no contexto da cultura da convergência
 Nova estética, novas exigências, dependência
de participação ativa (Jenkins)
 Desconstrução do modelo de disseminação
de informação que conhecemos (raciocínio
linear; corrida contra o tempo). Privilegia-se o
conteúdo e a experiência. Fuga do padrão.
Transmídia
 Diálogo com a perspectiva de construção
única e individual de conteúdo. Escolha de
caminhos entre múltiplas possibilidades.
 Diferente de “multimídia”
 Termo ligado às relações entre audiência,
tecnologia e informação.
 Narrativa: Todo a partir de suas partes.
Narrativas complementares.
 Quebra-cabeças: desenho central e
extremidades.
Transmídia
“Transmídia é a realização de um conteúdo a
partir de diferentes manifestações: diferentes,
mas integradas, que atravessam os distintos
entornos, os diferentes meios e que se
costuram por trás de todos eles. (...) Múltiplas
telas que trabalham juntas e que, em vez de
substituírem umas às outras, ou de
sobreporem-se, complementam-se e
potencializam-se entre si.” (DOBERTI, 2013)
Jornalismo transmídia
 Precisa ser pensado do início.
 Dificuldade de implementação no jornalismo
diário.
 Falta de planejamento: cobertura multimídia x
cobertura transmidiática.
 Produção: obedece a um ciclo próprio;
temática mais perene; padrão que vai além do
ciclo diário.
 Possibilidade de trazer informações de modo
diferenciado.
Jornalismo transmídia
 Potencial para alavancar o engajamento do
público nas notícias.
 Viabilidade x finalidade e papel social do
jornalismo; construção da cidadania.
 Pode estar inserido nas redações diárias,
apesar da lógica de produção e distribuição
ser diferente.
 Histórias narradas de modo a tirar vantagem
do que cada meio oferece de melhor.
(Davidson)
Inside Disaster
 Documentário transmídia desenvolvido em 2010
sobre o terremoto que atingiu o Haiti em janeiro
daquele ano.
 O documentário televisivo foi dividido em 3 partes
(cada uma com duração de 45 minutos) e detalha o
cenário haitiano pós-tragédia.
 O projeto também conta com um website, onde é
possível encontrar artigos e gráficos interativos que
trazem dados sobre o terremoto e o trabalho
humanitário no local.
 Além disso, foi desenvolvido um simulador em
primeira pessoa baseado em gravações do
documentário.
 A intersecção cognitiva individual entre os diferentes
segmentos desta história é uma escolha de cada
usuário, mas as três partes se relacionam de maneira
Inside Disaster
Inside Disaster
Inside Disaster
 A narrativa transmídia desconstrói o raciocínio linear e
a lógica produtiva do jornalismo tradicional.
 Notícias padronizadas e uniformes dão lugar ao
conteúdo e experiência.
 Os grandes entraves para a expansão da
comunicação transmidiática são: o tempo, o mercado
e o custo.
 Para Jenkins, uma estrutura de conteúdo transmídia
deve atender a, pelo menos, um destes requisitos:
 Mapear um mundo.
 Oferecer pano de fundo.
 Oferecer a perspectiva de outros personagens.
 Aprofundar o engajamento da audiência.
Inside Disaster
 O Inside Disaster apresenta todos esses requisitos:
 O conjunto formado pelo documentário em vídeo, o
simulador e a base de dados do site mapeia o mundo
do Haiti pós-desastre.
 O pano de fundo desta história depende do caminho
escolhido pelo interagente: para quem privilegia os
artigos do site, o pano de fundo se torna o simulador e
o documentário televisivo, mas o inverso também se
aplica.
 O simulador agrega a perspectiva de diversos
personagens,
 Assim como convoca a audiência a participar através
de tomada de decisões.
Inside Disaster
 O projeto também reforça a função social do
jornalismo de formar cidadãos informados e
críticos, pois fornece um espectro diverso de
informação e fontes que contribuem para a
sustentação do ponto de vista do receptor.
 Mais do que isso, o Inside Disaster leva os
interagentes a tomar decisões ao permitir que
ele se coloque no lugar do personagem que
escolheu.
 Padrão brasileiro (suposta neutralidade) x
Padrão americano (jornalismo crítico e
opinativo).
Exemplo brasileiro
 Newsgame é uma palavra que nós cunhamos para descrever
um gênero que está emergindo atualmente: videogames
baseados em eventos noticiosos. Tradicionalmente,
videogames têm focado em fantasia em vez de realidade,
mas nós acreditamos que eles podem ser uma grande
ferramenta para melhor compreender nosso mundo
(NEWSGAMING.COM, [2003], tradução nossa).
 Exemplo: Missão Bioma, primeiro newsgame da Rede Globo,
que estimula a defesa ambiental, envolvendo conteúdo
jornalístico da Rede Globo.
Conclusão
 Grande potencial do jornalismo transmídia:
 Função emancipadora a partir da imersão e
proatividade
 “Reforço de um jornalismo consciente e
conscientizador”
 Estímulo à participação incentivada ou não
 Tomada de decisões;
 Posicionamentos

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Um tema e muitos caminhos

  • 1. UM TEMA E MUITOS CAMINHOS a comunicação transmidiática no jornalismo
  • 2. Introdução “A convergência refere-se a um contexto, um cenário de transformações em diversas esferas que respondem a uma demanda essencialmente cultural e que dissipa diversas fronteiras, inclusive relacionadas ao jornalismo. Como produto de uma demanda coletiva pela interligação cognitiva de conteúdos, a convergência transforma a relação do indivíduo com a informação e o próprio nexo de construção e assimilação de conteúdo. Um contexto que se materializa em convergência também de plataformas e suportes, mas que tem como motor processos culturais. Nunca fomos meros receptores passivos. Estamos nos tornando cada vez mais migratórios no que se refere à escolha da informação e de caminhos cognitivos de construção de conhecimento. Somos interagentes”
  • 3. Introdução  Surgimento da narrativa transmídia  “refere–se a uma nova estética que surgiu em resposta à convergência das mídias – uma estética que faz novas exigências aos consumidores e depende da participação ativa de comunidades de conhecimento” (JENKINS, 2009, p. 49)  Origem hollywoodiana  O diálogo entre transmídia e a sociedade, e suas consequências: a extensão político- cultural na atividade jornalística e no processo de assimilação de conteúdo noticioso
  • 4. Cultura da convergência  Mudanças tecnológicas: fatores técnicos ou culturais?  Cenário abrangente e que modifica a relação dos públicos com a mídia de uma forma geral (JENKINS, 20122)  Mídia nova substitui uma mídia velha?  Surge um leitor imersivo, “conectando-se entre nós e nexos, num roteiro multilinear, multiseqüencial e labiríntico que ele próprio ajudou a construir” (SANTAELLA, 2007, p. 33)
  • 5. Cultura da convergência  A audiência deixa de ser apenas espectadora do processo e se torna parte dele  Interagente (PRIMO, 2003, p.131): indivíduo conectado, típico da cultura convergente  No jornalismo:  Descrença do público sobre a informação:  emersão de um cidadão globalizado e crítico  “A revolução não acontece quando a sociedade adota novas tecnologias – acontece quando a sociedade adota novos comportamentos” (SHIRKY, 2012, p. 37)
  • 6. Cross-media  Conceito ligado ao marketing que nasceu no início dos anos 90 e que se refere a uma estratégia promocional planejada.  Profissionais dessa área utilizam o termo para descrever as campanhas que utilizam mais de uma plataforma midiática.  Relação entre múltiplas mídias, que são usadas para promover um produto ou serviço.
  • 7. Cross-media  Nova forma de apresentar idéias, conceitos, valores e formas, onde elas não se direcionam apenas para um meio de informação mas para vários, onde se interligam e relacionam umas com as outras de forma dinâmica e única.  Exemplo: propaganda Loreal “O que está acontecendo com a Grazi?”
  • 8. Multimídia  Multiplataforma (assim como transmídia)  Diferença em relação ao conteúdo:  Transmídia: conteúdo complementar  Multimídia: conteúdo análogo, não complementar, informação extra, reprodução do mesmo conteúdo em linguagens diferentes  Dizer a mesma coisa de maneiras diversas, invocando um ou outro dos sentidos humanos (NEGROPONTE, 2002)
  • 9. Multimídia “A mensagem multimídia deve ser um produto polifônico no qual se conjuguem conteúdos expressados em diversos códigos. E mais que isso, deve ser unitário. A mensagem multimídia não se alcança mediante mera justaposição de códigos textuais e audiovisuais, mas através de uma integração harmônica desses códigos em uma mensagem unitária” (SALAVERRÍA, 2001)
  • 10. Transmídia  Surge no contexto da cultura da convergência  Nova estética, novas exigências, dependência de participação ativa (Jenkins)  Desconstrução do modelo de disseminação de informação que conhecemos (raciocínio linear; corrida contra o tempo). Privilegia-se o conteúdo e a experiência. Fuga do padrão.
  • 11. Transmídia  Diálogo com a perspectiva de construção única e individual de conteúdo. Escolha de caminhos entre múltiplas possibilidades.  Diferente de “multimídia”  Termo ligado às relações entre audiência, tecnologia e informação.  Narrativa: Todo a partir de suas partes. Narrativas complementares.  Quebra-cabeças: desenho central e extremidades.
  • 12. Transmídia “Transmídia é a realização de um conteúdo a partir de diferentes manifestações: diferentes, mas integradas, que atravessam os distintos entornos, os diferentes meios e que se costuram por trás de todos eles. (...) Múltiplas telas que trabalham juntas e que, em vez de substituírem umas às outras, ou de sobreporem-se, complementam-se e potencializam-se entre si.” (DOBERTI, 2013)
  • 13. Jornalismo transmídia  Precisa ser pensado do início.  Dificuldade de implementação no jornalismo diário.  Falta de planejamento: cobertura multimídia x cobertura transmidiática.  Produção: obedece a um ciclo próprio; temática mais perene; padrão que vai além do ciclo diário.  Possibilidade de trazer informações de modo diferenciado.
  • 14. Jornalismo transmídia  Potencial para alavancar o engajamento do público nas notícias.  Viabilidade x finalidade e papel social do jornalismo; construção da cidadania.  Pode estar inserido nas redações diárias, apesar da lógica de produção e distribuição ser diferente.  Histórias narradas de modo a tirar vantagem do que cada meio oferece de melhor. (Davidson)
  • 15. Inside Disaster  Documentário transmídia desenvolvido em 2010 sobre o terremoto que atingiu o Haiti em janeiro daquele ano.  O documentário televisivo foi dividido em 3 partes (cada uma com duração de 45 minutos) e detalha o cenário haitiano pós-tragédia.  O projeto também conta com um website, onde é possível encontrar artigos e gráficos interativos que trazem dados sobre o terremoto e o trabalho humanitário no local.  Além disso, foi desenvolvido um simulador em primeira pessoa baseado em gravações do documentário.  A intersecção cognitiva individual entre os diferentes segmentos desta história é uma escolha de cada usuário, mas as três partes se relacionam de maneira
  • 18. Inside Disaster  A narrativa transmídia desconstrói o raciocínio linear e a lógica produtiva do jornalismo tradicional.  Notícias padronizadas e uniformes dão lugar ao conteúdo e experiência.  Os grandes entraves para a expansão da comunicação transmidiática são: o tempo, o mercado e o custo.  Para Jenkins, uma estrutura de conteúdo transmídia deve atender a, pelo menos, um destes requisitos:  Mapear um mundo.  Oferecer pano de fundo.  Oferecer a perspectiva de outros personagens.  Aprofundar o engajamento da audiência.
  • 19. Inside Disaster  O Inside Disaster apresenta todos esses requisitos:  O conjunto formado pelo documentário em vídeo, o simulador e a base de dados do site mapeia o mundo do Haiti pós-desastre.  O pano de fundo desta história depende do caminho escolhido pelo interagente: para quem privilegia os artigos do site, o pano de fundo se torna o simulador e o documentário televisivo, mas o inverso também se aplica.  O simulador agrega a perspectiva de diversos personagens,  Assim como convoca a audiência a participar através de tomada de decisões.
  • 20. Inside Disaster  O projeto também reforça a função social do jornalismo de formar cidadãos informados e críticos, pois fornece um espectro diverso de informação e fontes que contribuem para a sustentação do ponto de vista do receptor.  Mais do que isso, o Inside Disaster leva os interagentes a tomar decisões ao permitir que ele se coloque no lugar do personagem que escolheu.  Padrão brasileiro (suposta neutralidade) x Padrão americano (jornalismo crítico e opinativo).
  • 21. Exemplo brasileiro  Newsgame é uma palavra que nós cunhamos para descrever um gênero que está emergindo atualmente: videogames baseados em eventos noticiosos. Tradicionalmente, videogames têm focado em fantasia em vez de realidade, mas nós acreditamos que eles podem ser uma grande ferramenta para melhor compreender nosso mundo (NEWSGAMING.COM, [2003], tradução nossa).  Exemplo: Missão Bioma, primeiro newsgame da Rede Globo, que estimula a defesa ambiental, envolvendo conteúdo jornalístico da Rede Globo.
  • 22. Conclusão  Grande potencial do jornalismo transmídia:  Função emancipadora a partir da imersão e proatividade  “Reforço de um jornalismo consciente e conscientizador”  Estímulo à participação incentivada ou não  Tomada de decisões;  Posicionamentos