O texto literário na era digital

2.434 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação
1 comentário
1 gostou
Estatísticas
Notas
Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
2.434
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
311
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
22
Comentários
1
Gostaram
1
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

O texto literário na era digital

  1. 1. O texto literário na era digital A cultura escrita se impôs de tal modo na cultura ocidental que “o uso ativo ou passivo da escrita se torna cada vez mais uma condição básica para que se possa participar da sociedade (embora tal processo tenha chegado ao termo a partir do final do século XIX)” (Müller: 2004. 21).
  2. 2. Tecnologia e cultura <ul><li>Novas tecnologias geram novos suportes de expressão </li></ul><ul><li>Novos suportes de expressão levam a uma reorganização das práticas da comunicação e, por conseqüência, produzem mudanças culturais </li></ul>
  3. 3. A cultura antes da escrita: Pintura Rupestre em Lascaux, ap. 17 000 a.C
  4. 4. Da imagem à escrita: entre o analógico e o digital <ul><li>Escrita cuneiforme e escrita hieroglífica </li></ul><ul><li>Ap. 4000 ou 3000 a. C. </li></ul><ul><li>Suméria (Mesopotâmia) e Egito </li></ul>
  5. 5. Do analógico ao digital <ul><li>Números romanos: </li></ul><ul><li>I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X – </li></ul><ul><ul><li>V = metade de X </li></ul></ul><ul><li>Numeros arábicos: </li></ul><ul><li>1, 2, 3, 4, 5, 6. 7. 8, 9, 10 </li></ul>
  6. 6. CULTURA ESCRITA <ul><li>As formas orais tornam-se menos repetitivas, mais econômicas: Homero, textos bíblicos, etc ... </li></ul><ul><li>O ato ritualístico cede espaço para uma maior autonomia por parte do escritor e do leitor. </li></ul><ul><li>Surge a possibilidade de imprimir efeitos gráficos sobre o texto: pontuação, ilustração, diferenciação de caracteres, etc ... </li></ul><ul><li>Com a invenção da imprensa (séc. 16 d.C.),a autonomia do leitor é acentuada. </li></ul><ul><li>Desaparece a necessidade de recitação (da poesia e da epopéia); desaparece a necessidade da encenação dramática: a leitura se torna um ato realizado por um leitor auto-suficiente e solitário: surgem personagens mais individualizados e análises psicológicas mais profundas. </li></ul><ul><li>A poesia passa a se destinar mais aos olhos do que aos ouvidos. </li></ul><ul><li>Os efeitos gráficos ganham mais relevo </li></ul>
  7. 7. Memórias Póstumas de Brás Cubas <ul><li>CAPÍTULO 139 </li></ul><ul><li>De Como Não Fui Ministro d'Estado </li></ul><ul><li>........................................................... </li></ul><ul><li>............................................................ </li></ul><ul><li>............................................................ </li></ul><ul><li>  </li></ul>
  8. 8. CULTURA DAS MÍDIAS <ul><li>Com o surgimento dos meios eletrônicos – televisão, telégrafo, fotografia, etc … (séc. XIX e XX), ocorre uma aproximação da cultura escrita com os outros meios: </li></ul><ul><ul><li>CINEMA (sincretismo de linguagens) </li></ul></ul><ul><ul><li>POESIA DE VANGUARDA </li></ul></ul>
  9. 9. Mallarmé: Um golpe de dados
  10. 10. Appolinaire
  11. 11. CONSTELAÇÃO (Gomringer)
  12. 12. IDEOGRAMA (Gomringer)
  13. 13. TIPOGRAMAS (Hansjörg Mayer)
  14. 14. (PALÍNDROMO) Timm Ulrichs
  15. 15. CULTURA DIGITAL: A LINGUAGEM HIPERTEXTUAL <ul><li>Hipermidialidade </li></ul><ul><li>Multimedialidade/intermedialidade </li></ul><ul><li>Descentramento/multicentramento </li></ul><ul><li>Não-seqüencialidade: múltiplas possibilidades de roteiros de leitura. </li></ul><ul><li>Interatividade: o leitor é co-autor. </li></ul>
  16. 16. Multilinearidade hipertextual
  17. 17. Max Bense (1975) usou o conceito &quot;poesia artificial&quot; (poesia feita por meios mecânicos), em oposição ao de &quot;poesia natural&quot; (consciência poética pessoal), para, em seguida, designar &quot;poesia artificial cibernética&quot; aquela que era &quot;feita&quot; por meio de um programa de um computador. A primeira experiência foi denominada de “texto estocástico” e “autopoema”. É o período de experimentações poéticas com os grandes computadores em laboratórios de universidades ou de empresas de grande porte.             Esse tipo de experimentação baseava-se no mito do robô-poeta ou do computador criativo - a máquina-de-fabricar-obras-de-arte, a tradução automática, a compreensão da linguagem natural, o computador inteligente e o homem artificial baseado nas idéias de que o computador era um cérebro eletrônico que substituiria o homem. Fazer poesia num computador era a utopia do momento
  18. 18. EXEMPLO: Nach Franz Kafka – Theo Lutz – 1959 <ul><li>NICHT JEDER BLICK IST NAH. KEIN DORF IST SPAET. (Nem todo olhar está próximo. Nenhuma cidade está atrasada.)  EIN SCHLOSS IM FREI UND JEDER BAUER IST FERN. (idem) (Um castelo em liberdade e todo camponês está distante.) (LUTZ [1959], p.s.n.) </li></ul>
  19. 19. COMPUTER POETRY, POESIA-COMPUTADOR, POESIA DO PC <ul><li>Em meados de 70, com o surgimento dos computadores pessoais, a indústria da informática precisou popularizar esse produto e criou programas de fácil entendimento e manuseio. Houve uma vulgarização de linguagens de programação, como o BASIC, que se tornaram acessíveis aos não especialistas.                Boa parte dessa poesia pode ser feita ou reproduzida nos computadores atuais </li></ul><ul><li>Nanni Balestrini, que publicou “Tape Mark I” em dezembro de 1961 no Almanacco Letterario Bompieni 1962 </li></ul>
  20. 20. EXEMPLO <ul><li>Jorge M. Martins Rosa - Cummings </li></ul>
  21. 21. POESIA INFORMACIONAL, INFOPOESIA, NOVA POESIA VISUAL <ul><li>A partir da década de 80, com o surgimento dos computadores pessoais ou PCs, surge um tipo de interação entre poeta e computador, que representa, de certa forma, uma migração da poesia visual para os meios computacionais, uma vez que começam a ser utilizados os editores de imagem. E. M. de Melo e Castro, um dos experimentadores desse tipo de poesia, denominou-a, em muitos dos seus estudos teóricos, de infopoesia (CASTRO, 1988, p. 58-63).             Ainda há poetas que utilizam editores de images/stories, como o Adobe Photoshop, para a produção de infopoesia. </li></ul>
  22. 23. Roberto Kepler Onde não existe lei
  23. 24. EXEMPLO: poesia visual <ul><li>E. M. de Melo e Castro – Geometrias Variáveis (CASTRO, 1998, p. 69) </li></ul>
  24. 25. POESIA HIPERTEXTUAL, POESIA-REDE, POESIA MULTIMÍDIA E POESIA HIPERMÍDIA <ul><li>O surgimento de programas de hipertexto ofereceu um material para uso na poesia e nas narrativas. O conceito de hipertexto, cunhado e desenvolvido por Theodor Holm Nelson, permitiu leituras não lineares e não seqüenciais e isso vem sendo aproveitado na poesia.             Há uma poesia hipertextual que foi elaborada inicialmente apenas com textos e pareceu-nos adequado separá-la da poesia que utiliza a fusão de outros meios, embora também se utilize dos sistemas hipertextuais, como é o caso da poesia hipermídia.             A união da palavra, do som, da imagem e da animação num único meio ofereceu novos recursos à poesia. É o tipo de produção poética mais utilizado nos sítios eletrônicos. Hoje confunde-se poesia hipertextual com poesia hipermídia na maior parte dos casos. </li></ul>
  25. 26. POESIA HIPERTEXTUAL <ul><li>Audrei Carvalho – O poeta </li></ul><ul><li>http://www.joaobaptista.art.br/ilhas_brasil/ </li></ul><ul><li>REINHARD DÖHL </li></ul><ul><li>http://doehl.netzliteratur.net/gertrud/gertrud.htm </li></ul><ul><li>André Sier </li></ul>
  26. 27. POESIA HIPERMÍDIA <ul><li>http://telepoesis.net/amorclarice/index.html </li></ul><ul><li>NÓS </li></ul><ul><li>Video poesia (Mello e Castro) </li></ul><ul><li>Corpo coisa só (Amarildo Anzolin) </li></ul>
  27. 28. POESIA-INTERNET – escrita colaborativa <ul><li>O desenvolvimento e a propagação da Internet ofereceram um intercâmbio entre poetas dos mais diferentes países. A comunicação foi possível graças ao uso generalizado da língua inglesa.             Muitos poetas e grupos de poetas se organizaram para fazer circular suas poesias eletrônicas via Internet. Esse tipo de atividade ainda continua.             É uma poesia que circula entre os membros de um grupo eletrônico e somente em alguns casos é que ela fica disponível na web. </li></ul>
  28. 29. EXEMPLO http://www.insite.com.br/rodrigo/poet/infinito/
  29. 30. CODE POETRY, POESIA-CÓDIGO <ul><li>Trata-se de uma poesia que usa as mensagens de erro dos e-mails, a própria linguagem de programação, o código fonte do HTML, ou seja, trabalha com os códigos sem relação com o significado deles. </li></ul>
  30. 31. EXEMPLO: Silvestre Pestrana
  31. 33. Giselle beiguellman codemovie
  32. 34. Para além da poesia – arte ditigal <ul><li>CRBL - Clemente Padin </li></ul>
  33. 35. CULTURA DIGITAL <ul><li>Ted Nelson: “o objetivo do computador é a liberdade humana”. </li></ul><ul><li>George P. Landow e David Bolter: </li></ul><ul><ul><li>contra o pensamento hierarquizado e linear, promovido pelo texto impresso (seqüências de parágrafos e linhas): contra o logocentrismo e a favor do pensamento em rede </li></ul></ul><ul><li>Robert Coover: contra a tirania da linha </li></ul>
  34. 36. LINGUAGEM HIPERTEXTUAL NA LITERATURA IMPRESSA Robert Coover “A child again” - 2005
  35. 37. Douglas Coupland - Generation X (1991)
  36. 38. Douglas Coupland – “JPod” – (2006)
  37. 39. Umberto Eco – “A misteriosa chama da rainha Loana” 2005

×