Vampirismo

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Vampirismo

  1. 1. VAMPIRISMO1VAMPIRISMO
  2. 2. J. HERCULANO PIRES2
  3. 3. VAMPIRISMO3J. HERCUALNO PIRESVAMPIRISMO
  4. 4. J. HERCULANO PIRES4Título: VampirismoAutor: J. Herculano Pires10.ª Edição - Julho de 2003 – 3000 exemplaresCoordenação Editorial: Herculano Ferraz PiresCapa: Andrei PolessiDiagramação: Adriana Cury PiresLaser Film: Sérgio A. FrancoRevisão: Flávia Cury PiresISBN -Todos os direitos desta edição reservados àEditora Paidéia LtdaRua Pinto de Ferraz, 70 - V. MarianaCEP: 04117-040 - São PauloTel. (011) 5182-5836www.editorapaideia.com.brApoio:
  5. 5. VAMPIRISMO5SUMÁRIOTeoriasproteladoras.............................................09Parasitasevampiros..............................................17Ohomempelametade..........................................27Comportamentohumano......................................37Os vampirossagrados..........................................53Apporteendopport...............................................67Casosatuaisdeendopport.....................................79Oautovampirismo.................................................93Avesderapina.......................................................103Vampirismotelúrico............................................115Dinâmicadaconsciência......................................127Vampirismocósmico...........................................137
  6. 6. J. HERCULANO PIRES6
  7. 7. VAMPIRISMO7VAMPIRISMO E COMPORTAMENTO
  8. 8. J. HERCULANO PIRES8
  9. 9. VAMPIRISMO9TEORIAS PROTELADORASTodo o campo da Psicoterapêutica atual está inçadode obstáculos que impedem o avanço dos pesquisadoresnastentativasnecessáriasdeesclarecimentopositivodeseusproblemas.Jovensqueentraramesperançosos,emcursosuniversitários, em busca de conhecimentos positivos comque pudessem enfrentar e solucionar os problemas psí-quicos angustiantes da atualidade acabam na frustração eno desespero. Muitos deles acabam aderindo às correntesdeaventureiroseexploradoresdocampominado.Fracas-sam em seus próprios casos e aumentam as legiões dosdesesperados, recorrendo a expedientes escusos para semanterem num equilíbrio aparente. Descobrem apavora-dos a inscrição dantesca nos portais do Inferno: “Deixaitoda esperança, ó vós que entrais”. Os veteranos doprofissionalismo frustrado acomodam-se em algumas es-colas teóricas e tentam subverter a escala de valores da
  10. 10. J. HERCULANO PIRES10CivilizaçãodaAngústia,normalizandotragicamenteaanor-malidade. Capitulam estrategicamente na batalha inglória,à espera de futuras descobertas salvadoras. Entregam opescoço à Esfinge de Édipo.Essa situação dolorosa das ciências do psiquismo,em meios ao esplendor do avanço geral das Ciências emoutros campos, reafirma a falsa idéia gerada no criticismokantiano, de uma dualidade trágica e irremediável do ho-mem condenado: a da existência de um mundo inacessí-vel às Ciências.Asteoriasproteladorasseguemocaminhoinevitáveldos processos naturais a que tudo e todos nós estamossujeitos:crescem,desenvolvem-se,envelhecememorrem.Masdeixam,navidadosorganismosconceptuais,asgera-ções espúrias das descendências de uma espantosafilogênese do sistemático. Dessa maneira, a roda das frus-trações continua a girar, como os moinhos de vento deDom Quixote nas desoladas planícies da Mancha. Os mo-inhos fantasmais, que nada moem, continuam pelo menosdesafiandoateimosiadelirantedosquixotes.Enquantoisso,as teorias que atravancam o caminho das Ciências, comoobservou Richet, continuam a torturar as legiões de infeli-zes,submetidosachoqueselétricosequímicosnoshospi-tais e nas clínicas do sem fim.Nem mesmo as descobertas atuais de uma ciênciauniversitária, a Parapsicologia, em acentuado desenvolvi-mento nos maiores centros universitários do mundo, con-
  11. 11. VAMPIRISMO11seguiram abalar o comodismo dos que se apóiam nas teo-riasproteladoras.Protela-seaangústia,odesespero,ator-tura de milhões de criaturas, em defesa de métodos, prin-cípios e esquemas já rompidos no próprio campo da Físi-ca, por medo de palavras e preconceitos do mundo cientí-fico, gerados em fase de transição já há muito superadas.A era dos vampiros fantasiosos já passou há muito, mas ado Vampirismo, nascida nos fins do século passado, comas descobertas científicas de Crookes, Richet, Schrenk-Notzing, Kardec, Zöllner e tantos outros – todos homensde Ciência, professores – catedráticos de grandes Univer-sidades,apenasseesboçaemnossosdias. Masalevianda-de humana, mesmo a dos homens mais sérios e dedica-dos ao labor científico, sustenta ainda as prevenções dopassado, sem coragem de avançar no campo minado dassuperstições, como se a função primária das Ciências nãofosse precisamente a de romper com elas.O Vampirismo atual não se nutre de lendas assusta-doras,masderealidadespositivasdocampodoPsiquismo,que exigem esclarecimentos. As Ciências do Paranormalnasceramdapesquisacientíficadosfenômenospsicofísicos.Ondeháfenômenostangíveis,susceptíveisderepetiçõese,portanto de pesquisas sob controle estatístico, a Ciênciatem obrigação de penetrar com os seus instrumentos decomprovação. Os homens de formação científica, mor-mente os que se dedicam às profissões terapêuticas, nãopodem furtar-se a esse dever sem cair na violação da éticaprofissional e da traição aos princípios humanistas. Essa
  12. 12. J. HERCULANO PIRES12dupla prevaricação põe hoje o sinal de Caim na fronte detodos os que vivem nas teorias atravancadoras. As multi-dões de suas vítimas, que se contam por gerações inteiras,clamam contra essa perfídia no presente e fazem ecoar oseu clamor desesperado nas distâncias do Futuro. Ospsicoterapeutas atuais, na sua quase unanimidade, passa-rãoàHistóriacomotorturadoreseexploradoresdasgera-çõessacrificadas.Não fazemos uma acusação, registramos um fato.Aprovacientíficadaexistênciadatelepatia,daclari-vidência, da precognição, da sobrevivência da mente apósa morte corporal (Rhine, Carington, Soal, Price, nas Uni-versidades de Duke, Cambridge, Oxford, Londres, Berlim,Kirov e outras) não deixa dúvidas quanto à realidade daaçãodeentidadespsicofísicassobreascriaturashumanas.Rhine provou que a mente não é física, mas de constitui-ção extrafísica. Carington reforçou essa prova e formulouateoriadasentidadespsicônicas,formadasdepsícons(áto-mos mentais). Soal designou com a sigla SHI a personali-dade humana sobrevivente. Vasiliev, na URSS entregou-seaexperiênciasparademonstrarqueopensamentoeamen-te são materiais, mas acabou confessando a sua derrota.Louise Rhine aplicou-se a pesquisas de campo (fora dosmétodos de laboratório) e comprovou o que o maridoprovara em laboratório. John Herenwald pesquisou e pu-blicou seus trabalhos sobre as influências telepáticas nasrelações interpessoais. O caminho foi desbastado por es-ses e outros cientistas atuais, que derrubaram as estacas
  13. 13. VAMPIRISMO13atravancadoras, mas os negadores continuaram a negar, àmargem das exigências científicas.Remy Chauvin, do Instituto de Altos Estudos, de Pa-ris, chamou os renitentes de “alérgicos ao futuro”, mas ospsicoterapeutas não se arredaram de suas teorias e seusmétodos de tortura.No entanto, o psychic-boom, a explosão psíquicano mundo prosseguiu no seu desenvolvimento. E graçasao alheamento dos psicoterapeutas de formação universi-tária, que se alimentaram em seus cursos com o leite dasCiências, surgiram por toda parte os charlatões explora-dores da credulidade pública e do desespero do século,com suas clínicas pseudoparapsicológicas, devastando aeconomia dos ingênuos.Esse panorama desolador exige de todos nós, quenão participamos desse comércio escuso e aviltante, o es-clarecimento do problema, com base nos estudos e naspesquisas desinteressadas de anos a fio, na comprovaçãodiuturna da verdade através dos fatos.Os fenômenos paranormais revelam a naturezaextrafísicadohomem,oquevaledizerasuaessênciaespi-ritual.OspesquisadoresdaUniversidadedeKirovdeslum-braram-se com a visão do que chamaram de corpo-bioplásmico do homem, luminoso e cintilante. Constituí-do por um plasma físico, sua matéria é rutilante. Verifica-ram, na observação pelas câmaras kirlian de fotografiasparanormais,queocorpodomoribundosósecadaverizava
  14. 14. J. HERCULANO PIRES14quando todos os elementos do corpo-bioplásmico se reti-ravam. Nas pessoas vivas constataram que esse corpo deplasma dirige todas as funções do corpo carnal e age nasmanifestações paranormais através de projeções depseudópodes que podem movimentar objetos à distância.Verificaram ainda a possibilidade de prevenção de doen-ças no corpo carnal. Tudo isso demonstra que o chamadocorpo-bioplásmico do homem não é mais do que o corpoespiritualdatradiçãocristã,queoApóstoloPaulochamou,naIEpístolaaosCoríntios,decorpodaressurreição.Essasdescrições coincidem com o que Kardec chamou deperispírito, envoltório do espírito que liga o corpo carnalaoespíritooualma.Ateoriakardecianadohomemtríplice:Espírito, Perispírito e Corpo Carnal, foi confirmada peloscientistas materialistas de Kirov, que não a conheciam enão tinham nenhum interesse por uma conclusão favorá-vel à sobrevivência do homem, que, segundo o Marxismo,deve desaparecer no túmulo para sempre.Percebendo o risco a que se expunham os cientistasapegam-se ao que de matéria lhes restava: o plasma físico.Mas no próprio plasma, considerado o quarto estado damatéria, e formado de partículas atômicas, encontrarampartículasdenaturezaindefinida.Comateoriaespírita,queconsideraoperispíritocomoumorganismosemimaterial,constituído de energias físicas e extrafísicas, Kardec ante-ciparademaisdeumséculoasensacionaldescobertadoscientistas de Kirov. Ressalta de tudo isso a concepção ne-cessária do homem como espírito. A descoberta da
  15. 15. VAMPIRISMO15antimatériaedainterpenetraçãodosmundosfísicosenão-físicos explicou também necessariamente, a convivênciadeespíritosehomenscorpóreosnummesmoespaço,masem diferentes dimensões da realidade.As pesquisas sobre a reencarnação, implantadas naUniversidade de Moscou pelo Prof. Wladimir Raikov pro-pagaram-senasdemaisuniversidadessoviéticas.Sendoosespíritos nada mais que os homens desencarnados, é fácilcompreender-se que as relações possíveis entre homens eespíritos,nocampoafetivoemental,permitemasligaçõesde espíritos viciados com homens de tendências viciosas.Esse o novo tipo de vampirismo que surgiu das pesquisasespíritas em meados do século XIX. Os problemas da per-versãosexual,doalcoolismo,dostóxicosedastendênciascriminosasentramassimnumanovaperspectiva,escapan-do ao círculo fechado da hereditariedade biológica, dosprocessos endógenos para a abertura dos processosexógenos. As pesquisas de Kardec nesse sentido foram de-cisivas. O tratamento desses casos tornou-se mais seguro,confirmando-seateoriapelosfatosdecura,particularmentedoscasosconsideradosincuráveis.Posteriormente,osre-sultados obtidos nos Centros Espíritas, e em muitos hospi-tais espíritas, deram de sobejo a plena confirmação dessadescoberta ao mesmo tempo assustadora e consoladora.Vencidas as barreiras das superstições populares edadogmáticaigrejeira,dasimposiçõesclericaisdafécega,da suposta infalibilidade das Escrituras Sagradas, a verda-de surgia nua e pura do fundo sombrio do poço para a
  16. 16. J. HERCULANO PIRES16claridade meridiana da certeza científica. Não há mais dú-vidaspossíveisnotocanteàexistênciaderelaçõesconstan-tes e naturais, de ordem telepática, entre os dois planosinterpenetrados da vida humana: o dos homens e o dosespíritos. As teorias proteladoras – carregadas de precon-ceitos e precipitações, as duras barreiras do conhecimen-to indicadas por Descartes ao mundo científico – só con-seguem hoje agrupar em seu favor os cientistas hipnotiza-dos pela obsessão materialista ou pelo fanatismo religio-so. O racionalismo frio das Ciências Materiais fundiu-seao calor humano das Ciências do Espírito. A metodologiamecanicista cedeu lugar a novas formas metodológicas depesquisa, baseadas na adequação do método ao objeto,ante a evidência do rompimento dos conceitostridimensionaisdarealidadeobjetiva.Novasdimensõesdoreal surgiram do reconhecimento da multidimensio-nalidade das constituições atômicas e subatômicas darealidade intangível dos elementos e da natureza humanaem sua essência invisível. Remontando do efeito à causa,as Ciências fragmentárias se unificaram nos fundamentosconjugados da causa única de todos os efeitos.
  17. 17. VAMPIRISMO17PARASITAS E VAMPIROSA economia da Natureza nos revela a unidade funci-onal de todos os processos vitais. A Natureza, em sua infi-nita variedade de coisas e seres, não esbanja energias eformas, conteúdos e continentes, em suas estruturações.Doreinovegetalaoreinoanimaloprocessocriadoréuno,obrigando-nos a uma concepção monista do Universo. AFisiologia da Natureza, segundo a lei da diferenciação naunidade,mostra-seestruturadaefuncionalizada,pelosmes-mos sistemas adaptados a cada reino. Da seiva do vegetalao sangue dos animais e do homem, das estruturas óticasinferiores às superiores, a organização é a mesma. Dossistemas de motilidade e percepção e de alimentação eassimilação das plantas ao homem o sistema de funcio-nalidade só varia no tocante às adaptações específicas. Damesma maneira e pela mesma razão, o parasitismo vege-tal se desenvolve na direção do parasitismo animal e do
  18. 18. J. HERCULANO PIRES18vampirismo hominal-espiritual. E assim como oparasitismoinfluinodesenvolvimentodasplantasenocom-portamento dos animais, o vampirismo influi no compor-tamento humano individual e social. Entre os vários ele-mentos, coisas e seres que agem sobre o comportamentohumano, o mais perturbador e o que mais profundamenteameaça as estruturas físicas e espirituais do ser humano éo vampirismo, porque é a atuação consciente de um sersobre o outro, para deformar-lhe os sentimentos e as idéi-as, conturbar-lhe a mente e levá-lo a práticas e atitudescontrárias ao seu equilíbrio orgânico e psíquico. Noparasitismo, mesmo no espiritual, há uma tendência deacomodação do parasita na vítima. A lei é a mesma doparasitismo vegetal e animal. A entidade espiritual parasi-tária procura ajustar-se ao parasitado, na posição de umasubpersonalidade afim. Ambos vivem em sintonia, mas oparasitaàscustasdasenergiasdoparasitado,cujodesgas-te naturalmente aumenta de maneira progressiva. Ambosganham e perdem nessa conjugação nefasta. O parasitadosofre duplo desgaste de suas energias mentais e vitais e oparasitacainasuadependência,perdendoasuacapacida-de individual de sobrevivência e conservação. A morte doparasitadoafetaoparasita,quemorresugestivamentecomele, pois perdeu a capacidade de viver, sentir e pensar porsi mesmo. Os casos de pessoas dependentes, excessiva-mente tímidas, desanimadas, inaptas para a vida normal,essas de que se diz “passaram pela vida, mas não vive-ram”, são tipicamente casos de parasitismo. As próprias
  19. 19. VAMPIRISMO19condiçõesorgânicasdessaspessoas,quenãoreagemdevi-damente aos socorros medicamentosos, à alimentação eaos estímulos do meio, de práticas espirituais ou físicas,decorrem de deficiências orgânicas, mas também da so-brecarga invisível do parasitismo espiritual. As medica-ções estimulantes e os tratamentos psicológicos raramen-te produzem os efeitos desejados. Mas a conjugação des-ses recursos habituais com o tratamento espiritual para aexpulsãodoparasita,querepresentanoorganismodavíti-ma uma forma de subvida consumidora, geralmente pro-duz efeitos surpreendentes. As causas dessa situação mór-bida decorrem de processos kármicos originados por as-sociações criminosas em vidas anteriores dos comparsas.Os recursos espirituais são os passes espíritas, a freqüên-cia regular a reuniões mediúnicas, o estudo e a leitura doslivrosespíritasbásicos,apráticadapreceindividualdiáriapelo parasitado em favor do parasita ou parasitas.Todas essas providências devem ser orientadas porpessoas conhecedoras do Espiritismo, despretensiosas edotadas de bom-senso, o que permitirá o controle do pro-cesso de cura. Todas as práticas exorcistas, queima de in-gredientes,queimadedefumadores,aplicaçãoginásticadepasses formalizados, uso de plantas supostamente mila-grosas ou objetos de magia só poderá agravar a situação.O espírito parasitário é uma criatura humana com os di-reitoscomunsdaespéciehumanaedevesersempreenca-rado como parceiro dos sofrimentos do parasitado. Nes-sestratamentosnãosedevedesprezaroconcursomédico,
  20. 20. J. HERCULANO PIRES20pois os efeitos negativos do parasitismo espiritual,depauperando o organismo da vítima, propiciam tambéma infiltração dos parasitas do meio físico, que devem sercombatidos com os medicamentos específicos. Embora aaçãoespiritualdasentidadesprotetoraspossatambémaju-dar o reequilíbrio orgânico, a presença de um médico, sepossível espírita, se faz necessária. Enganam-se os que sevoltam contra a Medicina nessas ocasiões, pois as leis e osrecursos do meio físico são mais apropriados nesses ca-sos. Cada plano da Natureza tem suas exigências específi-cas, que precisamos respeitar. Existem também os Espíri-tos da Natureza, que trabalham no plano físico. Essas enti-dades semimateriais, de corpos perispiríticos, estão emascensão evolutiva para o plano hominal. São os chama-doselementaresdaconcepçãoteosófica,derivadadasdou-trinas espiritualistas da Índia. As funções dessas entidadesna Natureza são de grande responsabilidade. O Espiritis-mo põe sua ênfase no estudo e na investigação dos espíri-tos humanos, que são os do nosso plano evolutivo, dotadode consciência e inteligência racional mais desenvolvida.Os parasitas já pertencem ao plano humano. São conside-rados na Teosofia e em outras correntes espiritualistascomo larvas astrais. Na verdade não são larvas nem ele-mentares, são entidades que necessitam da ajuda da dou-trinação. Os teosofistas atribuem também as comunica-çõesespíritasaoschamados cascõesastrais,quesãoparaelesinvólucrosespirituais,perispíritosabandonadospelosmortos e de que se servem os elementares ou espíritos
  21. 21. VAMPIRISMO21brincalhões para se manifestarem nas sessões mediúnicascomo sendo os espíritos desses mortos. A teoria dos cas-cões foi criada por Mme. Blavatski, após uma sessãomediúnica que assistiu em New York. O Sr. Sinet declaraem seu livro Incidentes da Vida da Sra. Blavatski que elacometeu então um engano de observação, ao qual nuncamais se referiu. Sinet, teósofo de projeção e companheirodeBlavatski,discordadosteosofistasquecontinuamaacei-tar essa falsa teoria. André Luiz refere-se a ovóides,espíri-tos que perderam o seu corpo espiritual e se vêem fecha-dos em si mesmos, envoltos numa espécie de membrana.IssolembraateoriadeSartresobreoem-si,formaanteri-ordoserespiritual,quearompeaoseprojetarnaexistên-cia por necessidade de comunicação. A ação vampirescadesses ovóides é aceita por muitos espíritas amantes denovidades. Mas essa novidade não tem condições científi-casnemrespaldometodológicoparaserintegradanadou-trina. Não passa de uma informação isolada de um espíri-to. Nenhuma pesquisa séria, por pesquisadores compe-tentes, provou a realidade dessa teoria. Não basta o con-ceitodomédiumparavalidá-la.Asexigênciasdoutrináriassão muito mais rigorosas no tocante à aceitação de novi-dades. O Espiritismo estaria sujeito á mais completa de-formação, se os espíritas se entregassem ao delírio doscaçadoresdenovidades.AndréLuizmanifesta-secomoumneófitoempolgadopeladoutrina,empregandoàsvezester-mos que destoam da terminologia doutrinária e conceitosquenemsempreseajustamaosprincípiosespíritas.Aam-
  22. 22. J. HERCULANO PIRES22pla liberdade que o Espiritismo faculta aos adeptos tem osseus limites rigorosamente fixados na metodologiakardeciana.No caso do parasitismo e do vampirismo todo rigoré pouco, pois os erros e os enganos de interpretação po-dem levar os trabalhos de cura a descaminhos perigosos.Se não encararmos o parasitismo e o vampirismoem termos rigorosamente doutrinários, no devido respei-toaométodokardeciano,estaremossujeitosaserengana-dos por espíritos mistificadores que passarão a nosvampirizar. Porque o vampirismo é um fenômeno típicodas relações interpessoais.Na vida material como na vidaespiritual o vampirismo é um processo comum e univer-saldorelacionamentoafetivoementaldascriaturas.Évam-piro o sacerdote que fanatiza um crente e o submete àssuas exigências para explorá-lo com a promessa do Céu,como é vampiro o demagogo político que fascina os adep-tos de suas idéias e os leva ao sacrifício inútil e brutal darevolta e do terrorismo. É vampiro o espírita ou o médiumque fascina os ingênuos com a falsificação de poderes quenãopossui,revelando-lhessupostasreencarnaçõesdeslum-brantes e conduzindo-os ao delírio das suas ambições degrandeza. É vampiro o negocista esperto que suga as eco-nomias de seus clientes com falsas promessas para umfuturo improvável. É vampiro o galanteador donjuanescoque se apossa da afeição das mulheres inseguras paraexplorá-las. É vampiro o alcoólatra ou o toxicômano quesemeia desgraça em seu redor. É vampiro o espírito sagaz
  23. 23. VAMPIRISMO23ou vingativo que suga as energias das criaturas humanas esubjuga outros espíritos para agir na conquista e domina-çãodeoutras,eassimpordiante,naimensaevariadapautado vampirismo material e espiritual.Por tudo isso, acura do vampirismo não é mais doque um processo de separação dos implicados, de afasta-mento do vampiro da órbita de sua vítima. Mas não bastaesse primeiro passo. É necessária a persuasão dos impli-cados pela doutrinação espírita. A doutrinação é a trans-missão do conhecimento doutrinário às duas partes. Semessatransmissãooprocessonãosecompletaeacuraseráapenas uma suspensão do vampirismo por algum tempo.Como ensinou Jesus (e vemos nos Evangelhos) podemosafastar os valentões que se apossaram da casa, limpá-la earrumá-la. Mas se ela ficar vazia os valentões convidarãooutros parceiros e a retomarão. Nesse caso, o estado dahabitaçãoserápiordoqueantes.Conformeograudecom-promissos e responsabilidades mútuas entre os vampirose suas vítimas, o tratamento será mais ou menos prolon-gado. Os vampiros são teimosos, insistentes, pois ovampirismo é para eles o meio de se manterem na rotinade seus vícios. A vítima, por sua vez, está sovada novampirismo e acostumada na entrega de si mesma semrelutância. A freqüência regular da vítima aos passes e àssessõesmediúnicaséoúnicomeiopossíveldefortalecê-lapararesistêncianecessária.Nãonosiludamoscomasme-lhoras instantâneas. Os vampiros não largam facilmenteas suas vítimas. Afastam-se estrategicamente e voltam com
  24. 24. J. HERCULANO PIRES24mais fúria na primeira oportunidade favorável. É necessá-rioqueasvítimascuradasestejamconvencidasdissoepre-paradaspararepeli-losemsuasinvestidasmanhosas.Ape-sar dessas dificuldades, em trabalhos bem dirigidos con-seguem-se não raro resultados relativamente rápidos, quepermitemmaiorespossibilidadesnaconsolidaçãodacura.A falência da Psiquiatria, com todos os seus méto-dos modernos, decorre da falta de consideração dessesfatoresespirituaisnosdiversostiposdeperturbaçõesmen-tais e desequilíbrios emocionais. Impotentes ante os casosmais graves, como os de inversões e desvios sexuais, ospsiquiatras mais atualizados adotaram uma tática de per-suasãoprotelatória,considerandonormaisessasanorma-lidades. Consideram perigosa a resistência aos impulsosinferiores da libido, alegando que a repressão resulta emcomplexos irreversíveis. Os psiquiatras espíritas, que hojefelizmente já são numerosos, não podem aceitar essa táti-ca de capitulação, que os transformaria em cúmplices dasentidades vampirescas. Eles estão no dever indeclinável,profissionaleconsciencial,deseorganizarememassocia-çõesdepesquisas,fundamentadasnaCiênciaEspíritaenaPsiquiatria,paraoenfrentamentonecessáriodessesmeiosde abastardamento da espécie.A sexualidade é o fundamento da vida e o sexo é asua forma de manifestação. Os psiquiatras ingênuos ou ig-norantes brincam, hoje com fogo em seus consultórios esuas clínicas e estão incendiando o mundo. Partem para osofisma em defesa própria, alegando a impossibilidade de
  25. 25. VAMPIRISMO25se caracterizar o que é normal e o que é anormal. Comisso pretendem declarar normais as anormalidades maisaviltantes. Mas a normalidade se define por si mesma nomeiosocial.Osexomasculinodefineapersonalidadenor-maldohomemnassuasfunçõescriadoras.Osexofemini-no define a personalidade normal da mulher. Confundiralhos com bugalhos é tática de negociantes fraudulentos einescrupulosos. Dizer a um adolescente que se sente do-minado por impulsos negativos e procura livrar-se deles:“Isso é normal, arranje um parceiro”, é atirar o infeliz narodavivadeumfuturovergonhoso.Nãoéessaafunçãodomédico ante o doente que o procura. Já existem consultó-rios e clínicas dotadas de leitos ocultos, para os quais sãoconvidadasconsulentesdesesperadasparaumaterapêuti-calibertina.Omédico,nocaso,receita-seasimesmocomomedicamento salvador. A chamada terapia de grupo setransformaemgigolismocientífico,emquemulheresdes-norteadassãoapresentadaspelosmédicosahomensinsa-tisfeitosquepodemadornarafrontedosmaridoscombasenoreceituário.Contou-nos um médico espiritualista uma anedotaque afirmou não ser anedota: “O Sr. B. importante figurasocial,tinhaohábitodepegarpontasdecigarronasruaseenchercomelasosbolsos.Opsiquiatraqueconsultousub-meteu-oatratamentomoderníssimo.Encontrando-omaistarde, o médico espiritualista perguntou se havia se cura-do.Sim,respondeuofigurãoempavonado.Continuoapegaras pontas de cigarro, mas agora não tenho nenhum cons-
  26. 26. J. HERCULANO PIRES26trangimento. Faço-o com naturalidade”. As técnicas psi-quiátricas mais modernas, como se vê, procedem da re-mota fase grega dos sofistas, dos quais Sócrates se desli-gou para poder encontra a Verdade.
  27. 27. VAMPIRISMO27O HOMEM PELA METADEA percepção espiritual que o homem tem de si mes-mo, inata e natural, desenvolveu-se nas civilizações da An-tiguidade, a partir do ciclo das civilizações agrárias e pas-toris, num sentido global. O homem sentia e intuía a tota-lidadedesuanatureza.Porisso,nãohouve,empartealgu-ma,nenhumtipodefilosofiamaterialista.Aconcepçãoma-terialista do homem apareceu tardiamente, como decor-rência do seu desenvolvimento mental e do aguçamentoda sua curiosidade.Asfilosofiasantigasatualmentedesignadascomoma-terialistas ou precursoras do materialismo – mesmo nostempos mais recentes do pensamento grego – fundavam-se em princípios espirituais e tendiam para explicaçõesteológicas. A presença de Deus é constante em toda a Anti-guidade, desde as selvas até às civilizações teocráticas.Na Idade Média tivemos o encerramento do último
  28. 28. J. HERCULANO PIRES28ciclo da evolução das civilizações antigas. Nela se resolveuo processo dialético da evolução mundial, na confluênciadasconquistasocidentaiseorientais,paraasíntesedoCal-deirãodeDilthey,emque,segundoaconhecidatesedessefilósofo, as concepções filosóficas e a mundividência degregos, judeus e romanos se fundiam – na lenta elabora-ção do Milênio – para que pudesse surgir o Mundo Mo-derno, através do Renascimento europeu. Renasciam naEuropa as principais conquistas espirituais das antigas ci-vilizações. O Racionalismo grego dirigia as correntes emfusão à busca do real. A nova civilização opunha-se aoEspiritualismo fantasioso da Antiguidade e às idealizaçõesdo platonismo, interessando-se pelo objetivismoaristotélico e suas tentativas de conhecimento material doMundo, das coisas e dos seres. Só então se criava o ambi-ente propício ao desenvolvimento das formas de interpre-tação materialista.Essa guinada, necessária e produtiva, da mente paraos problemas terrenos, libertava e aguçava a curiosidadehumana pelos mistérios da Natureza, até então envoltosnas especulações mentais e nas fabulações da afetividadeanímica. Durante o milênio medieval a razão se desenvol-vera e aprimorara, despontando em René Descartes eFrancisBaconparaosavançosmetodológicosdapesquisacientífica.OteólogodissidenteAbelardoaparecenessecon-texto como o precursor de Descartes. Sua revolta lhe cus-tou caro, mas seu livro Sic et Non e seu famoso caso comHeloisa abalaram para sempre os fundamentos do Mundo
  29. 29. VAMPIRISMO29Antigo. Em vão a Igreja lutaria para manter o seu domínioabsoluto. A síntese que abriria os novos tempos estava im-pulsionadapelasforçasdaevoluçãoedoprocessohistóri-co. Nada poderia deter o seu desenvolvimento.Como em todos os momentos de transição, o mun-do se transformou num pandemônio e os espíritos maisvigorosos, portanto mais rebeldes, voltaram-se contra adogmática eclesiástica, proclamaram o advento da Razãoe negaram o conceito espiritual do homem, cortando-opela metade. Palavras como Espírito e Alma foram consi-deradas como resíduos de um passado de fábulas e igno-rância. Nos embates que se sucederam, com o desenvolvi-mento científico e a revelação progressiva dos antigosarcanos da Natureza, as Ciências herdaram para o seu es-tudo e a sua pesquisa apenas a metade do homem. A outrametade foi posta de lado como artigo de Museu, válidaapenas para o vulgo inculto. Foi com verdadeira euforiaque os homens se viram livres das responsabilidades deuma vida que não se extingue no túmulo. E os cientistas,em geral, se ufanaram de haver descoberto que não pas-sam de cinza e pó.Os métodos de pesquisa científica se desenvolveramno plano sensorial, pois só o que era visível e palpável po-diaserconsideradocomoreal.Fundou-seassimaCiviliza-çãoMundialdotacto,apoiadanatecnologiadasmáquinasque, até então, não captavam fantasias ou fantasmas. Rele-gado ao cesto de papéis velhos, o homem espiritual (nadamenos de metade do homem real) não merecia a tenção
  30. 30. J. HERCULANO PIRES30dos sábios. Augusto Comte rejeitou a Psicologia, Pavlov eWatson descobriram a psicologia sem alma (uma ciênciasem objeto), Marx e Engels fundaram o Materialismo Ci-entífico. E Sartre, até hoje, acompanhado pela decadentefigura de René Sudre, proclama a glória da nadificação dohomem. Os cientistas como Crookes, Richet, Zöllner,Gibier, Osty, Geley, que se atreveram a provar a realidadedoespírito,foramconsideradosingênuosouamalucados.Morselli, para salvar esses colegas criou a atordoante no-vidade do Espiritismo Sem Espíritos. Só faltou criar-se aHumanidade sem homens, o que ficou reservado para osnossos dias, com a descoberta maravilhosa da bomba denêutrons.No plano religioso aconteceu o mais surpreendentedos fenômenos. Os teólogos cristãos proclamaram a Mor-tedeDeus,baseadosnotestemunhodoLoucodeNietzschee fundaram o Cristianismo Ateu.Diante desse panorama de loucuras científicas eranatural que a Psicologia sem alma gerasse uma filha tam-bém desalmada: a Psiquiatria da Libertinagem, que deu amão à Toxicomania e saiu com ela para incentivar os ho-mens no gozo da vida sem compromissos nem responsa-bilidades.No mito grego os andróginos eram duplos, fortes evelozes. Tentaram escalar o Olimpio para se fazerem deu-ses, mas Zeus os cortou pelo meio e devolveu-os mutila-dosaorés-do-chão.EssehomemmutiladopovoouaTerra
  31. 31. VAMPIRISMO31e foi ele que os cientistas mutilaram de novo, reduzindo-oa apenas um quarto do homem original. Não é de admirarque esse homúnculo atual – recalcado, vaidoso e insolen-te como aquele pedacinho de fermento do Lobo do Marde Jack London – esteja agora explodindo na angústia enos delírios da sua impotência. Perdendo a sua metadeespiritual, entraram na crise de histerismo coletivo, fasci-nados unicamente pelas forças magnéticas do sexo e ar-rastadosatodosdesvariosdeumaesquizofreniacatatônica.A cegueira materialista completa esse mórbido. E vampi-ros e parasitas nada mais fazem do que atender aos cha-mados da carne sem alma que estertora na angústia exis-tencial. Só há um remédio para o doente sem esperanças:à volta ao espírito. Enquanto, como ensina Hubert, o ho-mem não compreender que é espírito e tem de viver comoespírito e não como os animais-máquinas de Descartes,não haverá mais tranqüilidade e esperança na Terra, quedeixou de ser a Terra dos Homens de Saint-Exupéry parase transformar no domínio alucinado dos vampiros. O ci-cloinfernalsedefineassim:oshomensvampirizadosmor-rem, se transformam em vampiros para vampirizar os quenascem.A concepção materialista do homem reduz a Huma-nidade a uma espécie animal sem perspectivas. A vida, ossonhos,osanseioshumanossetransformamemmiragensealucinaçõessemsentido.Sehouvesseapenasumajustifi-cativa lógica para essa concepção ainda se poderia aceitaro curso intensivo dessa moeda falsa no mercado mundial
  32. 32. J. HERCULANO PIRES32das ilusões. As miragens do deserto ainda podem serexplicadas pelos fenômenos de refração da luz, mas essamiragem conceptual não se justifica por refração ótica oumental,nemporrefraçãohistórica,nemporpesquisasan-tropológicas ou psicológicas. Toda a História Humana seassenta, em toda parte, na intuição universal da naturezaespiritual do homem. A novidade materialista do SéculoXIIIbrotoudeváriosequívocosnalutacontraosabsurdose os desmandos da Igreja, baseados na idéia de poderesdivinos supostamente concedidos aos clérigos através derituais de origem selvagem. A raiz do materialismo é otacape do cacique, seco e morto, do qual só poderia bro-tar as cobras do bordão de Moisés na sala do Faraó.Historicamente o materialismo nasceu do sofisma,que é uma negaça com a verdade, de que se serviram ossofistasgregosparanegarapossibilidadedoconhecimen-to real. O Materialismo Científico vale historicamente pelasua reivindicação social, mas o erro fatal da inversão daDialética de Hegel o coloca, hoje em posição filosófica re-trógrada.Falta-lhealuzdoespíritoequandoestaaparece,acesapormãospiedosas,eleaapagaàspressas.Nãopodesuportá-la, como aconteceu recentemente na Universida-de de Kirov, com a incômoda descoberta do corpo espiri-tual do homem pelos cientistas soviéticos.Écuriosocomoestamosainda,apesardoaceleradodesenvolvimento científico do nosso tempo, apegados aométodo dedutivo – empirista do longo passado humano.Os métodos da investigação tecnológica servem-nos para
  33. 33. VAMPIRISMO33descobertas surpreendentes nas pesquisas fragmentáriasda realidade exterior, mas no tocante aos problemas daessência e da natureza humana não avançamos um passoalém da imaginação. Nosso barco mental encalhou naságuas turvas das idéias feitas e das deduções precipitadasdo processo teológico. O misticismo dos crentes religio-sos transformou-se, na era científica, numa forma espúriada mitologia de Bacon, fundada na idolatria suposta dassoluçõesmentais.Continuamosapegadosaosídolosdopen-samento baconiano. Imantados a preconceitos de milêni-os, precipitamo-nos em conclusões envelhecidas, sem omenorrespeitopelométodocartesiano.Modelamosanossaimagem na rocha, com o cinzel de Miguel Ângelo e, comoele, queremos forçar essa imagem a falar. Não acredita-mosnaevidênciadaFísica,commedodenosvolatilizarmosna realidade atômica que nos revela a inconsistência dacarne, de suas formas desgastantes e mortais. Considera-mos a Física válida para as coisas mais duras do que nós,mas mantemos intacta a imagem do homem carnal. Te-memos a nossa própria dispersão no espaço e queremosnosescondernasfurnasdeBacon.Descartes,oespadachimatrevido, nos apavora mais do que as explosões atômicas.Voamos para a Lua envoltos em escafandros de segurançaevoltamosdasviagensespaciaisassustadoseagarradosàsidéias esquemáticas dos teólogos medievais, como acon-teceu com os astronautas americanos. O instinto de con-servação animal predomina sobre a razão científica e nostornamos místicos como os frades autoflageladores. As
  34. 34. J. HERCULANO PIRES34usinas americanas de produção de seitas religiosas em sé-rie funcionam no ritmo acelerado do medo, aumentandoassustadoramenteacapacidadedeexportaçãodepastoresamericanos para todo o mundo.Os astronautas soviéticos, materialistas, voltam doespaçosideralalardeandoqueDeusnãoexisteporqueelesnão o encontraram nos subúrbios orbitais do planeta. Re-petiram, em escala cósmica, as bravatas infantis dos cirur-giões do século XVIII que se vangloriavam de jamais have-rem encontrado a alma na ponta de seus bisturis. Os sécu-los passam, o conhecimento avança, mas as orelhas deMidas continuam plantadas na Terra. Até mesmo um filó-sofo como Bertrand Russel, inegavelmente lúcido, escor-rega na lógica declarando que, apesar dos estragos feitosno conceito de matéria, a verdade é que as leis físicas con-tinuam a vigorar. A hipnose materialista entorpece os cé-rebros. Por outro lado, o apego do homem ao corpo ma-terialperecível–alimentodosvermes–nãodeixaosmaisilustrados materialistas, inimigos ferrenhos de Deus, per-ceberem que, com esse apego, prestam homenagem aosuposto inimigo nessa teimosa idolatria da carne. Com-batem o Criador, mas não querem sair do aprisco de suascriações efêmeras.Em seu livro Os Estranhos Fenômenos da PsiqueHumana Vasiliev nos oferece uma nova imagem de Pro-meteuacorrentadoàsrochasdoCáucaso,tendoseufígadodevoradopelosabutres.ÉaimagemtrágicadeumProme-
  35. 35. VAMPIRISMO35teu às avessas, que não roubou o fogo do céu, em que nãoacredita, mas luta desesperadamente para manter aceso ofogo terreno de Vesta, depois que as próprias vestais domaterialismooapagaram.Onotávelcientistasoviéticofaz-se campeão do ilogismo para virar no avesso as mais re-centes e indisfarçáveis conquistas espiritualistas das Ciên-cias. Vigiado pelo Leviatã do Estado, gasta a sua inteligên-cia e o seu saber transitório, debatendo-se inutilmente naluta contra a verdade eterna da natureza espiritual do ho-mem. Como Bertrand Russel, não percebe que as leis físi-cas descobertas pelas pesquisas científicas não são maisdoqueosfundamentosdarealidadematerialgeradaesus-tentada pelo poder do criador do Espírito. Essas leis nãofazem parte da concepção materialista, mas da estruturada Realidade Total em que a matéria se insere no planosensorial ilusório. Bertrand, Vasiliev e René Sudre – essacomadre fofoqueira e centenária da batalha contra o espí-rito–nãoperceberamaindaquesuasunhas,seuscabelose seus olhos não são o que eles vêem e sentem, mas plas-masatômicos,nevoeirosplásmicoscondensadospelocon-dicionamento dos nossos sentidos, nas formas de percep-ção ilusória da realidade-real, que só agora estamos des-cobrindo.Ohomempelametade,essavisãoparcialdohomemque hoje possuímos, é simplesmente um animal dotadode instintos, entre os quais avulta o de reprodução da es-pécie. O psiquismo humano não existe, é fisiológico e nãopsíquico.DaíafalênciadaPsicologiaTerapêuticaeespeci-
  36. 36. J. HERCULANO PIRES36almente da Psiquiatria Libertina. Por isso, os psiquiatrashonestos apegam-se hoje aos recursos do Espiritismo – aCiência do Espírito, fundada por Kardec –, a única ciênciareal, baseada na pesquisa dos fenômenos, capaz de com-pletar a nossa visão do homem de maneira positiva. Só umpsiquiatradotadoderecursosespíritaspodeenfrentarcomeficácia os estranhos fenômenos da Psique humana queaturdem os especialistas mais experientes.
  37. 37. VAMPIRISMO37COMPORTAMENTO HUMANOO comportamento humano depende de muitos fa-tores que tentaremos alinhar no quadro abaixo:1 - O grau de evolução do ser em sentido geral.2 - As diferenciações de graus evolutivos, em cadaser, nas diferentes áreas das faculdades humanas. Exem-plo:inteligência,moralidade,afetividade,acuidade,respon-sabilidade, sensibilidade, idealidade, praticidade,integralidade (no sentido de integração na realidade),materialidade e espiritualidade.3 - Hereditariedade genética.4 - Heranças de encarnações anteriores.5 - Condições da encarnação atual (meio em quenasceu e cresceu, educação, profissão, etc).6 - Enfermidades atuais, situações financeiras difí-
  38. 38. J. HERCULANO PIRES38ceis ou boas, vícios adquiridos e assim por diante.Nessequadro,apenasesboçado,podemosvercomoé variado o quadro determinante do comportamento hu-mano, tornando-se difícil à elaboração de um esquema,universalmente aplicável. Desse fato se valem os corifeusda Psicologia e da Psiquiatria Libertinas para contestaremos padrões de normalidade do comportamento humano eincluírem nas faixas de normalidade os processos anor-mais verificados na História das Civilizações e considera-dos,emépocaspregressas,comonormais.Alegandoaim-possibilidadedeumaclassificaçãoprecisadonormaledoanormal, conseguem impressionar as criaturas ingênuasou desprevenidas, que acabam se conformando com assuas anormalidades, entregando-se às garras insaciáveisdoparasitismooudovampirismo.Vidasquepoderiamsernobres,dignas,proveitosas,tornam-severgonhosaseinú-teis, e o que é pior, servindo apenas de exemplos negati-vos, estimulantes de capitulações desastrosas. Famílias in-teiras são às vezes afetadas por esses desastres morais deprofundarepercussão.O homossexualismo, nos dois sexos, por sua inten-sidade nas civilizações antigas e sua revivescência brutalemnossotempo,éamaisgravedessasanormalidadesquehoje se pretende declarar normais. E é precisamente nes-se campo, o mais visado pelo vampirismo – desde osíncubus e súcubus da Idade Média até os nossos dias –,que incidem hoje os destemperos criminosos dos liberti-
  39. 39. VAMPIRISMO39nos diplomados.Aprópriapalavranormal,tendováriossentidos,ofe-rece margem a interpretações ambíguas. Mas no planoculturalnãosejustificaaextensãodaambigüidadecomumdo linguajar popular aos conceitos filosóficos e científicosclaramente definidos. Examinando o termo em seus vári-ossignificados,apartirdasorigenslatinas,osfilósofosde-finiram a palavra normal como designativa de ocorrênci-as naturais e habituais numa determinada espécie ao lon-go das civilizações. Vindo de norma, o adjetivo normalsignifica regra, modelo, e é assim aplicado em todas aslínguas.Durkheimlhedeumaiorprecisãoaolembrarquesó se torna normal o que é bom e justo.Há dois critérios seguros para se definir a normali-dadedosfatos:oquantitativo,quesefundaestatisticamen-te na maioria, e o qualitativo, que se baseia na qualidadeou valor dos fatos dentro de um contexto determinado.Através desse conceito chegamos à equivalência do nor-mal com o natural, ao que corresponde às exigências na-turais e, portanto necessárias das coisas e dos fatos no to-canteaumaespécieouaoconjuntodasváriasespéciesemdeterminado plano.Em todas as espécies: minerais, vegetais, animais,com plena consciência, na espécie humana o critérioteleológico, referente à finalidade, o normal é o que seenquadra na definição de Durkheim; ou seja, o que é bomejusto.Obomeojustocorrespondemafinalidadesclaras
  40. 40. J. HERCULANO PIRES40e evidentes. A finalidade genética do sexo define de manei-ra irrevogável a sua normalidade. Toda prática sexual quenão corresponda à sua finalidade ao mesmo tempoequilibradora,produtoraereprodutoradoorganismohu-manoéanormal,acusandodisfunçõesedesviosmórbidosno indivíduo e no grupo social. Qualquer justificativa des-sas anormalidades não passa de sofisma atentatório daprópriaexistênciadaespécie.Ocrimecometidopelosquese utilizam desses sofismas para disfarçar a sua incapaci-dade profissional é o de traição à verdade, à ética profissi-onal e individual, à moral social, à dignidade humana, àsexigências da consciência, culminando, por sua extensãoà humanidade, no crime de genocídio.Não estamos exagerando, os desvarios recentes deum psiquiatra levou-o a considerar a prática homossexualcomo possível meio de controle da natalidade. A Naçãoque aceitasse essa tese estaria cometendo o crime de avil-tamento de si mesma, de condenação sumária de seus ci-dadãos a desvirilização e à indignidade mais abjeta. Todosos valores humanos seriam reduzidos à lama dos chiquei-ros, ante os homens transformados em porcos pela Circemoderna da Psiquiatria dementada. A varinha mágica daCirce de Ulisses, no poema homérico, seria transformadana bomba de nêutrons do genocídio covarde dos físicosinconscientes desta hora amarga do mundo.O comportamento humano foi profundamente aba-lado e em grande parte subvertido pelas rápidas transfor-
  41. 41. VAMPIRISMO41mações deste século em todos os setores vitais, mas osfundamentos conscienciais desse comportamento não seabalaram nem se subverteram. A consciência humana de-fine o humano, é ela que caracteriza o homem como po-der e como ser. Ela, portanto, e só ela, sustenta e garante auniformidadedocomportamentohumanobásicoemtodoo planeta. As variações decorrentes de condições raciais,detradições,deestruturaspolíticas,sociais,eeconômicassão apenas de superestruturas, praticamente superficiais.O gangster, a prostituta, o ladrão, o assassino profissional,o homem de bem e o santo, possuem todos o mesmo tipode consciência e por isso são sempre reconhecidos, emtoda parte, como seres humanos.Um homem cruel e umhomem santo são ambos homens, com os mesmos direi-tos e os mesmos deveres. O comportamento de ambos éprofundamente diverso, mas a sua essência é a mesma.No santo existe a tendência ao bem e no cruel a tendênciaaomal.Eambosestãosujeitosasetransformaremnocon-trário, às vezes por motivos insignificantes, que não justifi-cam a mudança. Mal e bem são potências do espírito quepodem passar a ato, desenvolver-se, atualizar-se. O segre-do da conversão e da reversão dorme nos recessos do in-consciente, nesse arquivo submerso das experiências an-teriores em que as emoções mais intensas e os impulsosmais vigorosos esperam apenas um toque, um pequenomotivo para subirem em tumulto à tona da consciência.Essa permeabilidade assustadora, entretanto, é a garantiada liberdade, o livre-arbítrio é o tribunal da consciência,
  42. 42. J. HERCULANO PIRES42que como todos os tribunais dispõe de recursos para con-ter as invasões perigosas e repeli-las, mas também de fra-quezasuficienteparacapitularnoprimeiroassaltodasfor-ças deletérias. A Corte Suprema é a Consciência em si, in-flexívelnassuasexigênciasesempreprontaacastigarrija-mente os trânsfugas e os covardes. O homem honesto co-mete uma infração e sente imediatamente a reprovação daConsciência.Seaacataeprocurareequilibrar-se,recebeaajudadospoderesconscienciaisesefirmanalinharetadocomportamento bom e justo. Se logo se entrega e goza nogozo ilusório do mal, cai na lama dos instintos e sofrerámuito antes de recuperar-se. Pode perder-se por séculos emilênios, mas nunca se perderá em definitivo. Por issoPapini, em “O Diabo” sustentou, para escândalo do meiocatólico e do Vaticano, a possibilidade da Conversão doDiabo, e Teilhard de Chardin, o teólogo, afirmou que ocondenado não é jamais expulso do Pleroma (O CorpoMístico de Deus), mas será expulso apenas para a fímbriado Pleroma, de onde um dia poderá voltar para o seu lu-garvazio.AConsciêncianãodesfalecenemmorre,perma-nece sempre vigilante e atuante. Por isso a vida do conde-nadosetransformaeminferno,tangendo-osemcessarparaos caminhos do retorno. Os que acreditam em condena-ções eternas não conhecem essa mecânica divina quePitágoras adotou na simbologia da Metempsicose. E foitambém por isso que o Cristo declarou que nenhuma dassuasovelhasseperderia,nemJudaspelatraição,nemPedropela fraqueza da negação, nem Madalena pela entrega aos
  43. 43. VAMPIRISMO43delíriossensoriais.Mas se não existe a perdição eterna, existem as for-mas variáveis da perdição temporal, sempre carregada desofrimento, desespero e angústia.Os que se perdem nos caminhos da evolução, toma-dosderevoltainsensataeangústiasprofundas,desajustadosna sua irredutível condição humana, tentam sempre cons-truiroseupróprioimpérioelevarparaeleosseusafetosedesafetos. A figura simbólica do Diabo, existente em todasas religiões simbologistas, representa o Vampiro insaciá-vel,sempreinsatisfeito,caçandoas almasdeDeusparaosredutos das trevas.Mas, na verdade, o vampirismo é apenas um fenô-meno de simbiose, que tanto ocorre entre os encarnados,quantoentreosdesencarnados.Anteosprotestosameaça-dores e escandalizantes da Igreja, que considerava a co-municação mediúnica como uma profanação dos mistéri-os da morte, Kardec respondia explicando que os homenssãoespíritosaprisionadosnumcorpocarnaleosespíritoscomunicantes são espíritos livres. Da mesma maneira –acrescentava – como um homem em liberdade pode con-versar com um prisioneiro através das grades, os espíritoslivres podem conversar com os espíritos detidos num cor-po carnal através das grades dos sentidos. A mediunidadenão é mais do que isso. Os espíritos se comunicam, demaneira natural e até mesmo habitual, servindo-se das fa-culdades da mente e das possibilidades de extravasão do
  44. 44. J. HERCULANO PIRES44sensório humano.Desdequeomundoémundoissoaconteceenãoháquem não conheça esse fenômeno natural. Nessas rela-ções interespirituais estabelecem-se relações naturais en-tre criaturas encarnadas e criaturas desencarnadas. Asimbiose assim estabelecida se prolonga e se desenvolveno plano das afinidades. O vampirismo propriamente ditoé uma relação negativa, baseada em interesses inferioresde parte a parte.Ao morrer, o homem sai da prisão corpórea, masnãoselivradeseusmaushábitos,desuasviciações,desuamaldade e assim por diante. Esses espíritos inferiores(como os homens inferiores entre nós) gostam de com-panhias que se afinem com as suas tendências. Um espíri-to de alcoólatra relaciona-se com uma pessoa do mesmovício ou com tendências para o vício. Os espíritos de cria-turas sensuais ligam-se a criaturas do mesmo tipo. Ovampirismo se processa em termos de reciprocidade. Ohomem bebe e o espírito suga as suas emanações etílicas.A perigosa sociedade se prolonga às vezes por toda umavida, pois nenhum dos dois quer perder o parceiro. Daí anecessidade da intervenção das práticas espíritas, para aseparação da dupla, livrando-se a criatura humana do as-sédio negativo do espírito viciado. O comportamento hu-mano é assim afetado e modificado pelas influênciasvampirescas geralmente imperceptíveis para a vítima.Os processos vampirescos abrangem as mais varia-
  45. 45. VAMPIRISMO45das modalidades, de acordo com as tendências humanas.O vampirismo mais perigoso é o que se passa no planodas idéias. A ligação mental se estabelece de maneira im-perceptível. Pessoas demasiado sensíveis, predispostas aofanatismoemqualquercampo,tornam-sepresasfáceisdeentidades do mesmo tipo, que acabam por levá-las à lou-cura. Manias, tiques, ojerizas, escrúpulos exagerados e ri-dículos, às vezes apenas levemente perceptíveis em criatu-rashumanas,sãolentamentelevadasaomáximopelaaçãovampiresca. Psicólogos e psiquiatras conhecem bem odesenvolvimento desses processos, em que manias prati-camente insignificantes, que não chegam a prejudicar aspessoas, transformam-se em manifestações exageradas emuitas vezes perigosas. Desconhecendo a causa, ou confi-nando-a numa hipótese da sistemática científica-materia-lista,ospsicoterapeutassubmetemosdoentesaprocessosviolentos de cura, sem resultados ou com os tristes resul-tadosdasdeformaçõesdocomportamentododoente,queperde geralmente a sua espontaneidade e caem em esta-dos não menos perigosos de apatia.Dr. Karl Wickland relata em seu livro 30 Anos Entreos Mortos os resultados de seus trabalhos em sua clínicapsiquiátrica de Chicago, servindo-se da mediunidade desua esposa. Os relatos são minuciosos e bastanteesclarecedores. NacoleçãodaRevistaEspírita,deKardec,hoje traduzida em seus doze volumes e lançada no Brasilpela Editora Edicel, de São Paulo, Kardec antecipou essafaçanha de Wickland, descrevendo vários casos. O Dr.
  46. 46. J. HERCULANO PIRES46Inácio Ferreira, diretor do Hospital Espírita de Uberaba(Minas Gerais) relatou também em seu livro Novos Ru-mos à Medicina, os casos tratados e fichados naquelehospital. O Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, do Rio, publi-couvaliosostrabalhosarespeito.Emqualquerdos32Hos-pitais Espíritas do Estado de São Paulo os interessados po-dem obter comprovações científicas a respeito desses ca-sos.AspesquisasatuaisdaParapsicologia,nosprincipaiscentroshospitalareseuniversitáriosdomundo,acabaramporvenceraresistênciateimosaepreconceituosadosmeioscientíficos. O Dr. John Herenwald, em seu livro Telepatiaou Relações Interpessoais relata fatos altamente signifi-cativosdetratamentosemsuaclínicalondrina.Herenwaldse refere especialmente aos casos de influenciações entrepessoas vivas, nos quais se torna mais natural e mais obje-tivo (ao gosto do século) o processo psicodinâmico des-sas influenciações mentais.O desenvolvimento das pesquisas parapsicológicasna URSS levou o Dr. Wladimir Raikov, da Universidade deMoscou,ainstalarnamesmaaspesquisasparapsicológicassobre a reencarnação, sob a legenda preventiva de “reen-carnações sugestivas”, que serviu de título, mais tarde, aofamoso livro do Dr. Ian Stivenson, do Departamento dePsiquiatriadaUniversidadedaCalifórnia.NaRomênia,paraesquivar-seaosatritoscomoEstadoefranquearabarreirados preconceitos materialistas, os cientistas interessadosno assunto mudaram o nome da Parapsicologia para
  47. 47. VAMPIRISMO47Psicotrônica. Define-se, assim, o Psychic-boom atual, aexplosão psíquica no mundo, como definiu o fenômeno aEnciclopédia Britânica em seu suplemento de Ciências,como uma realidade evidente do nosso século. Os psicó-logosepsiquiatrasquedãodeombrosaessefatoinegavel-mente científico no campo de suas especialidades, come-temsimplesmenteumaomissãoperigosa,tantoparasimes-mosquantoeprincipalmenteparaosseusclientes.Kardecprovou, em suas pesquisas, com inegável critério científi-co, numa linha de lógica impecável, que o comportamen-to humano depende não só do nosso equilíbrio, mas tam-bém das influências diversas que nos afetam, e particular-mente da ação, sobre nós, das entidades invisíveis, masperfeitamente detectáveis com as quais convivemos. Oscientistasdaépoca,mobilizadosparacombatê-loefazê-localar-se – como no caso histórico da Sociedade Dialéticade Londres e no caso pessoal de William Crookes – expo-entes da Ciência no século XIX, só conseguiram confirmaras suas descobertas. A Igreja mobilizou os seus recursospoderosos para ridicularizar o investigador honesto, mar-ginalizaraCiênciaEspírita,torná-laodiadaerepudiadanomeio cultural, mas Kardec não recuou. Diante da sua fir-meza e das provas crescentes que se acumulavam atravésde incessantes pesquisas, outros e numerosos cientistas osocorreram na sustentação da verdade espírita. Crivaram-no de calúnias vis, até hoje ainda usadas contra a sua me-mória impoluta, e a todos ele respondeu com a clarezalógica de um sábio. Ele mesmo denunciou corajosamente
  48. 48. J. HERCULANO PIRES48que a Inquisição ainda acendia suas fogueiras. Foi quei-mado em efígie na fogueira de suas obras em Barcelona eescreveu:“AInquisiçãonãopassou,arrastaaindasuacau-da na Espanha”.De toda a tremenda mobilização contra ele nadamaissobroudoqueargumentaçõesvazias,mentiras,calú-nias – sem uma única contraprova arrancada, por umúnico cientista que fosse, de pesquisas sérias e honestas.As Ciências posteriores, como assistimos agora, em nos-sos dias, confirmaram de maneira plena o acerto e a ver-dade do trabalho doloroso e irredutível do mestre, abrin-do novas perspectivas a respeito e, o que mais o honra –seguindo rigorosamente, sem intenção nem conhecimen-to,oesquemaeosmétodosporeleestabelecidos.Nenhumdos princípios da Ciência Espírita, por ele fundada e de-senvolvida – nem um só desses princípios e dessas leis foisequer abalado pelo espantoso avanço das Ciências nesteséculo de profundas renovações. Qual o Gênio da Ciênciaque poderíamos comparar com ele nesse sentido?Qual a razão objetiva, cientificamente provada, emque se esteiam ainda hoje os seus adversários, no geralcompletamente ignorantes a respeito da Ciência Espírita?Qual a razão racional, fundada em fatos, em provasirrefutáveis, em que se apóiam hoje os contraditores gra-tuitosefúteisdeKardecparaorejeitaremnomeioculturale científico? E como, diante disso podem os psicólogos epsiquiatras, os terapeutas psíquicos de hoje, rejeitar levia-namente a verdade provada para submeter seus clientes a
  49. 49. VAMPIRISMO49experiências torturantes e perigosas e sem resultados?O vampirismo aí está, aviltante, dizimando geraçõesnofogodeMoloc,esacerdotescristãos,malformadosemTeologia, essa pretensiosa Ciência de Deus, cuja falênciahumana chegou ao seu fim inevitável, substituem nos ser-viçosaodeusfaminto,emsubstituiçãovoluntária,aosseussacerdotes que o tempo e a História fizeram desaparecer.Como podem falar em comportamento humano osque assim se comportam nesta hora decisiva do mundo?Em 1935 morria Richet, entregando aos seus discí-pulos da Escola de Medicina de Paris o seu testamento ci-entífico: O Tratado de Metapsíquica, em cujas páginasiniciais presta reverente homenagem a Kardec. A impren-sa trombeteou em todo o mundo que a última pá de terrasobre o corpo inerte do grande fisiologista enterrava tam-bém, para sempre, as falácias metapsíquicas e espíritas.Foi um desafogo mundial. Dali por diante, ninguém maisfalaria em espíritos e fantasmas. O assunto estava morto eenterrado. Não sabiam, porém, esses festejadores da mor-te, que cinco anos antes, precisamente em 1930, na Uni-versidadedeDuke,nosEstadosUnidos,RhineeMcDougalljá haviam fundado a Parapsicologia, baseada no mesmoesquema e seguindo a mesma linha metodológica deKardec, com os seus mesmos objetivos. Os fantasmas ha-viamvoltadoaomeiocientíficoantesdoenterrodeRichet,eagoraservindo-sedosrecursosnovosdaTecnologia.Em1940 os maníacos de Fuke proclamavam os primeiros re-
  50. 50. J. HERCULANO PIRES50sultados positivos de suas novas pesquisas na linhakardeciana. Hoje a Ciência Espírita desafia os cientistas naprópria URSS, nas entranhas ideológicas da maior e maispoderosa fortaleza do Materialismo agonizante, que mor-reuasfixiadonasmãosdosfísicos,comoacentuouEinstein.Tudo isso não pesa em nossa cultura sensorial e sem sen-so? Nada significa? Os terapeutas do psiquismo não perce-bem que a vergonha do caso Pasteur ameaça esmagá-losnas prensas da História, no alvorecer da Era Cósmica?Depois das pesquisas de Bethrev e Pavlov na Rússia,puramentefisiológicas,seguidasdaspesquisascomoratonolabirinto,deWatson,nosEstadosUnidos,tivemosoapa-recimentodaPsicologiaSem-Alma,queresultounaPsico-logia-Ecologia-Sociológica dos nossos dias, denunciada ecriticada por Rhine. O Behaviorismo ouComportamentismo(PsicologiadoComportamento),des-viava-sedaalmaenegavaopensamento.Foiumdeus-nos-acudaeWatson,pelomenos,conseguiuenriquecer-secomas exibições das espertezas do rato. O homem se integravana concepção cartesiana do animal-máquina aqueDes-cartesseapegavaemsuaslutascontraosteólogos.Afelici-dade ingênua, infantil, que essa psicologia proporcionavaao homem moderno, liberto dos temores do após-morte,provocou uma euforia mundial. Os fantasmas eram purafantasia. A Física Transcendental de Friedrich Zöllner umabrincadeira de ilusionista na imanência. A Terra era o me-lhordosmundos,naconcepçãoconsoladoradePangloss.Vivia-se neste mundinho passageiro como Adão e Eva no
  51. 51. VAMPIRISMO51Éden.Comia-se,bebia-se,divertia-seemorria-separaumaeternidadeprazerosamentevazia.Amorteeraanadificaçãototal, absoluta, que Sartre iria proclamar. Nada de preocu-paçõestranscendentais.Viveríamoscomolibélulasdeasastranslúcidas e o corpinho leve de inseto. Viver, eis tudo oque se tinha a fazer. O comportamento humano não tinhasegredos nem opções. Mas, para quebrar essa euforia decamundongos(sempreaparecemosdesmancha-prazeres),surgiu em Viena um judeu nebuloso que fabricava umaalmaartificialparaohomem,comtrêspeçasdistintasnumasó alma verdadeira; o consciente, o subconsciente e o in-consciente.SigmundFreudtraziaaindanasuaratoeiraumbando de fantasmas complexos, com nomes gregos. Essejudeuacaboucomaalegriainfantildoscomportamentistas.Frio analítico atribuía todas as perturbações humanas àlibidoefaziaconcorrênciadeslavadaaospadresconfesso-res, tirando a clientela dos confessionários para as poltro-nas e os sofás das clínicas psicanalíticas. Os ratos começa-ram a sumir do mercado e foram substituídos porintrojeções e recalques. Descobriu-se que o homem nadamais era do que um judeu recalcado pelo moralismodesesperante dos rabinos do Templo de Jerusalém. Não sepodia mais negar a alma, mas provava-se que a sua tran-qüilidade, bom-senso e bom comportamento dependiamexclusivamente da liberdade sexual. Estavam abertas paraa Humanidade as comportas salvadoras da liberdade se-xual e a população mundial começou a crescer com talrapidez que o próprio Freud ficou assustado. A salvação,
  52. 52. J. HERCULANO PIRES52agora, estava nos anticoncepcionais. A talidamida come-çouagerarmonstros,alibertinagemdominouasnaçõeseoDr.Freudpassoudeheróiavilão,sendoacusadodesub-versivo e destruidor da paz mundial.ParareajustaromundoconturbadoHitlerdescobriuque havia raças inferiores e superiores na Terra, que cãopode cruzar com rato, por isso o melhor era exterminarpela guerra total as raças inferiores, entre as quais, só deraiva,incluiuajudaica.Oqueaconteceudepoistodomundosabe.Tudo isso deu muitos sáris vampiros, que haviamficado esquecidos e podiam agir sem freios e sem serempercebidos sobre toda a massa humana.Não se pode querer maior demonstração das incon-gruências do comportamento humano do que numa visãopanorâmica da História Contemporânea. Pensa-se agoraem construir cidades em funis de duralumínio no espaçosideral, enquanto a Astronáutica descobre caminhos parauma fuga em massa da Humanidade para Marte ou outroplanetadisponível.Qual será o nosso futuro comportamental? Há mui-tas hipóteses a respeito, mas ninguém pensa na possibili-dade de nos comportarmos como espíritos, aqui mesmona Terra, ajudando os vampiros a reconhecerem que tam-bém são espíritos.
  53. 53. VAMPIRISMO53OS VAMPIROS SAGRADOSQuem fala em vampiro lembra-se logo de sangue. Ecom razão, pois é a ligação entre vampiro-morcego, san-gue-sexoemorte,estruturadanumacadeiaídeo-afetivadeassociação de mitos da mais remota antiguidade. As rela-ções,tãoconhecidas,estudadasepesquisadasentremisti-cismo e sexo revelaram claramente a dinâmica genésicadesse processo alucinante. É fácil imaginarmos o aturdi-mento dos homens primitivos, em suas lutas na selva, anteos mistérios e as ameaças da Natureza e a explosão deseus instintos em seu próprio corpo, desencadeando nasua mente e no seu psiquismo, temporais de imagens con-traditórias, fascinações, desejos e repulsas.Nesse caos genésico ele percebia, como elementospregnantes, o fluxo do sangue em seus ferimentos e nosferimentos da caça, os animais sugadores de sangue, o es-
  54. 54. J. HERCULANO PIRES54vair da mulher em sangue para o nascimento dos filhos eda morte produzida nos animais e nos homens pelo bor-bulhar do sangue ao impacto das flechas, dos tacapes oudas lanças na carne animal e humana. Na variedade caóti-ca das coisas e seres que o envolviam ele se fechava natoca psicológica das sensações e dos dados mais próxi-mos,queotocavamnapele,paraformarinstintivamenteasuavisãodomundo.Aintuiçãodaordemnatural,conjugadacom o desenvolvimento do animismo antropomórfico queoprojetavanarealidadeconfusa,permitindo-lheestruturarocaossegundoasuaprópriaestruturahumana,desperta-va em sua mente a idéia de poderes superiores eordenadores do mundo.As civilizações fálicas da mais remota Antigüidade,como a da Suméria, atestam a validade desses processosgenésicos da espécie humana. O sexo representava o po-der criador, o sangue consubstanciava o poder vital, osanimais vorazes mostravam que dependiam do sangue eda carne para sobreviver, a morte do animal e do homemextinguia o sangue e o reduzia a coágulos inertes. Desseconjuntodeimpressõespoderosasnasceramasprimeirasformas das civilizações mágicas, foi sempre o vampiro,afungentado por fogo e fumaça ou evocado e louvado porfumaça e fogo. Por isso, o raio que incendiava as florestasconfirmavaaexistênciadeumSerSupremo,agindoosten-sivamente sobre a vida de todos os seres e de todas as coi-sas. Esse Mago complexo e assustador é o Arquétipodeterminante de todo o comportamento humano, em to-
  55. 55. VAMPIRISMO55das as Civilizações, até aos nossos dias. Dele emanam asforças que nos movimentam no palco do Mundo, dadialética da vida e da morte.Tentemos ver como ela se processa. A vida flui dosangue e a alma está no sangue, segundo a Bíblia e as maisantigas concepções do homem. O sangue é o poder quenos conserva vivos e ligados a toda a realidade vital. Vivos,pertencemos a Terra, participamos dela e nela sofremos egozamos de todos os seus bens. Todos os males desapare-cem enquanto a vida predomina em nós. Mas basta umabreve perturbação, um desequilíbrio orgânico, uma gran-de contrariedade, para que bens terrenos percam o valorhabitualquelhesdamos.Nessesmomentosacriaturamaisfeliz, mais apegada a Terra sente o anseio de uma vida su-perior e não raro percebe que vivemos como hóspedes deum mundo estranho. Bastaria isso para nos mostrar queprecisamos de um condicionamento especial para a vidaterrena. Ahipnosedosprazeresedassatisfaçõesefêmerasse enfraquece e voltamos os olhos para o Alto. Os freiosduros da vida nos revelam a sua dureza e ansiamos pelatranscendência,substituindooapegoàvidapelabuscaexis-tencial. É na sucessão desses momentos que nos prepara-mos para libertação das ilusões condicionantes. Se nãoouvirmos o chamado das hipóstases superiores, em quevoam as almas viajoras de Plotino, aceitaremos facilmenteaproposiçãodesoladoradeSartre:“Ohomeméumafrus-tração”.Um pouco de reflexão bastaria então para vermos,
  56. 56. J. HERCULANO PIRES56demaneiraclaraeinsofismável,osentidodialéticodavidaterrena, em que o mal nos acossa para nos levar ao Bem,para nos libertar das garras da angústia, impropriamentechamada existencial. Mas estamos viciados na futilidade,na satisfação dos prazeres fáceis, sentimos a saudade agu-da dos chamados momentos felizes, da euforia dos senti-dos enganadores, e, atraídos pelo passado recente, tenta-mos voltar às condições perdidas, ao falso Éden de quefomos expulsos pela ignorância de que a Serpente se valepara impedir-nos de chegar, depois, à Árvore da Sabedo-ria. Os vampiros caem então sobre nós e nos colhem denovo em suas garras e bocas vorazes. Não obstante, nãoforam eles que nos conquistaram, fomos nós mesmos quenos entregamos, e a força e o poder com que eles nosdominam não são deles, mas nossos.Vivendo no plano extrafísico, os vampiros agem so-bre nós por indução mental e afetiva. Induzem-nos a fazero que desejam e que não podem fazer por si mesmos. Po-demosresistiraessasinduçõesefazê-losafastar-sedenossoambiente,comasimplesrecusadeatendê-los.Masseacei-tamos viciosamente suas ordens, acabam por nos domi-nar. Assim nos tornamos em seus servidores e seus com-parsas, estabelecemos com eles fortes vínculos afetivos esensoriais ou mentais. Quanto mais os obedecemos, maissubmissos nos tornamos. Os vampirizados que se quei-xam de falta de força para resisti-los mentem a si mesmos.A resistência ao vampiro é um momento decisivo da nossavida. Nesse momento é que se revela na prática o nosso
  57. 57. VAMPIRISMO57livre-arbítrio,anossaliberdadeindividual,anossacapaci-dade de querer e fazer. Os psiquiatras que “resolvem” umcaso de homossexualidade convencendo a vítima de queesse é o seu destino tornam-se cúmplices das conseqüên-cias desse ato de ignorância e arrogância. Os que sobre-carregamasvítimasdepesadasdosagensdepsicotrópicosviolentos, neutralizando-lhes a capacidade de reação, sãoauxiliares inconscientes do vampirismo. Desarmam o do-ente diante do algoz, quebram-lhe as últimas barreiras davontade e com isso as suas últimas esperanças de liberta-ção. Nossa vontade é sempre mais forte do que a supo-mos, mas nunca saberemos quanto pode e vale, se não apusermos em ação.Além dos psicoterapeutas, os vampirizados contamainda com uma nova ordem de ajudantes dos vampiros:falsosparapsicólogosesacerdotespsicologisantes,queemsuasclínicasbastardasdepapa-notasesgotamasenergias,asesperançaseaseconomiasdosconsulentesesuasfamí-lias. É curiosa a preferência dos clérigos por essa formaespecíficadeclínicadahisteria,distúrbiosdaafetividadeetodo o cortejo de perturbações provenientes das absten-çõesforçadaspelosmesmosimpostas,hápelomenosdoismilênios, às gerações mumificadas na moral dos burgosmedievais.Aldous Huxley, em Os Demônios de Laudan e emO Gênio e a Deusa estuda respectivamente o famoso casode Madre Joana dos Anjos na França, com o vampirismo asolta no convento, e Vitória na Inglaterra, pondo a nu a
  58. 58. J. HERCULANO PIRES58hipocrisia das virtudes enjauladas e do moralismo formalgerador de conflitos insanáveis. Não há melhor prato paraos vampiros do que os preparados pelos cozinheiros deluvas de Suas Majestades e das cozinheiras recatadas deSuasSantidades.Talvez por causa dessas preferências, ambaspalacianas, encontramos com freqüência na História doVampirismo, a curiosa classe dos Vampiros Sagrados. Nadescendência sacerdotal dos cultos mitológicos da Anti-güidade, o caso mais evidente é o de Iavé, Deus dos Ju-deus, que deu ao seu povo o direito de abater e devoraranimais, mas com a condição divina de não lhes beber osangue, que o Deus reservara exclusivamente para os seusbanquetes particulares, e a condição humana de povoartodaaTerraemproliferaçãoincessante,abarrotando-adecarne e sangue. As condições foram cumpridas. Os judeusaté hoje só comem a carne provinda de matadores rituais,em que o sangue das vítimas é reservado para o vampirosagrado. A proliferação foi incessante e hoje temos a Terrasuperpovoada, com mais de cinco bilhões de criaturas in-gênuas à espera do corte, que é tão incessante como o dasrezes e similares, em todas as nações. Por maior que sejaa voracidade de Iavé, ele não conseguiu consumir, comodesejava, todo o sangue derramado na Terra.Os vampiros sagrados esmeraram-se em práticas desugar o sangue humano e dos animais. Na Idade Média osprópriossacerdotesinventaramtécnicasespeciaisparadarconsumo aos rios de sangue, que então substituíram os
  59. 59. VAMPIRISMO59rios líricos de leite e mel de Canaã. O sangue excedentedas virgens foi muito útil nas práticas da Goécia ou MagiaNegra, com que os clérigos, nos tabuleiros de xadrez dapolíticaeclesiástica,bebiamdasvirgenssacrificadas,ede-voravam sem piedade rainhas e reis, príncipes e bisposnos entreveros com piões das cavalarias reinós. Em suainvestigação, nos próprios arquivos do Vaticano, revendoantigos processos de bruxaria, Albert De Rochas consta-tou a extensão e a profundidade dessas práticas nas lutasdos clérigos contra reis e príncipes. Essa obra em que DeRochas,diretordoInstitutoPolitécnicodeParis,relembrafatos assombrosos, está publicada entre nós com o títulode A Feitiçaria, em boa tradução de Júlio Abreu Filho.No mundo mitológico o vampirismo, como desen-volvimentodostemposprimitivos,sempreapoiadonosmi-tos de sangue, apresenta no Egito, na Mesopotâmia, emtodo o Fértil Crescente Oriental, até as civilizações pré-ra-cionaisdegregoseromanos,umvastopaineldevampirossagrados, sugadores de sangue e energias vitais. No cultode Vesta, em Roma em que se adorava o Fogo Sagrado, asvestais se iniciavam nos ritos da virgindade, ao que parecevindo da Pérsia zoroastrina. As vestais permaneciam vir-gens até os 30 anos, segundo Benét Sanglé. Depois dessaidade elas podiam retirar-se do serviço divino e casar-se.Se fossem violadas antes dessa idade, seriam enterradasvivas, para o desagravo da Deusa a que se haviam dedica-do. Todos os ritos do sangue implicavam sanções cruéispara os trangressores, logicamente determinadas pela na-
  60. 60. J. HERCULANO PIRES60tureza sagrada do sangue e pelo sentido trágico de sualonguíssimatradição.EmCanaã,antesdabárbaraconquistajudaica, só comparável em atrocidades à loucura nazistana Europa, os vampiros sagrados, geralmente sacerdotes,haviam amenizado essa brutalidade com o uso simbólicodo vinho e do pão, em lugar do sangue e da carne. Essa é asimbologia agrária e pastoril usada nas celebrações dasceifas e das colheitas. Canaã, em sua estrutura pré-feudal,dominada pelas lides do campo, atingiria um grau de civi-lização piedosa, quando a conquista judaica a mergulhouviolentamente no sangue de seus filhos. A ceia cananitareflete-se nos relatos evangélicos, com a ceia judaica emque Jesus transforma a sua própria carne em pão e o san-gue em vinho. A ceia memorial dos cristãos, ainda hoje,lembra essa transição feliz do sangue para o vinho que re-gou as Bodas de Caná. Mas, no Cristianismo Medieval oque imperou foi o rito do sangue, apavorando os crentescomomistériodatransubstanciaçãodocorposacrificadoe o sangue do Cristo nas espécies sagradas.O episódio evangélico da matança dos inocentes emBelém de Judá, por ordem de Herodes, O Grande, marcasimbolicamente a Era Cristã no seu início histórico (me-lhor diremos: pré-histórico) com as mãos sangrentas dovampirismo sagrado de judeus e cristãos. Depois da fixa-ção desse mito sangrento e brutal nos Evangelhos, desen-rola-se toda a tragédia cristã em ritmo de vampirismo gre-go,mitológicoehistórico,noqualAtenaseEspartasecon-jugam sugando o sangue dos povos vizinhos para se en-
  61. 61. VAMPIRISMO61grandecer, levando a Roma dos Césares a sangria sistemá-tica dos povos dominados para o seu enriquecimento e oaumento constante do seu poder. São vampiros sagradosos Imperadores Ungidos, e a sua herança vampírica con-tagiará o Império Cristão dos Papas, que fará do sanguedas seitas cristãs sacrificadas, o alimento de suas pompase grandezas futuras.“Tudo se encadeia no Universo”, postulou Kardec, eo encadeamento do vampirismo ficou marcado na face doplanetaemsangueefogo.Tagoreobservou,em AReligiãodo Homem, o sentido antropofágico do Mundo Moderno,lembrandoquevivemosdeprocessosvampirescosdesuc-ção do sangue e das energias vitais dos outros. A explora-ção do homem pelo homem é um processo vampiresco eéesseprocessoquetraçaemgravaçõesdefogoesangueoperfil do nosso tempo para as civilizações futuras. Todasas nossas justificativas dessa situação mundial vampirescaservirão apenas para acentuar, perante o futuro, os traçosferozes da face refletida no século da violência, da sagaci-dadecúpida,doegoísmoedosociocentrismovirulento.Opróprio amor, esse toque de Deus no coração do homemnão aparecerá nesse contexto horrendo como na formaclássica dos amores alados, do ingênuo Cupido flechandocorações com setas invisíveis, mas como a figura trágicadas Górgones, e mais particularmente de Medusa com suacabeleira de serpentes. É essa a figura real do nosso sécu-lo, que cada conquista na senda do progresso faz um re-trocesso aos infernos.
  62. 62. J. HERCULANO PIRES62Pode um psicólogo, um psiquiatra, umpsicoterapeuta de qualquer escola ignorar tudo isso, dan-doascostasàsmonstruosasorigensdosmalesqueprocu-ra enfrentar nos seus consultórios e nas suas clínicas? Asraízes do homem, como percebeu Jung, estão nas raízesdo mundo, nas entranhas do planeta. Os vampiros lendá-rios dos filmes de terror são apenas caricaturas dos vam-piros reais que enxameiam em nosso tempo à semelhançadas abelhas africanas, que produzem mais do que as ou-tras, mas semeiam o terror e a morte ao seu redor. Que asUniversidades inscrevam o Vampirismo em seus currícu-los enquanto é tempo, curando-se da alergia ao futuro de-nunciada por Remy Chauvin. Aceitemos o desafio da His-tória.Kardec admirava-se, em meados do século passado,daleviandadedossábiosquesearremetiamcontraassuaspesquisas e procuravam ridicularizá-lo com argumentospueris. Richet foi coberto de ironias por haver tido a cora-gem de provar a existência do ectoplasma e Crawford acu-sado de imbecil – ele que era catedrático de mecânica emBelfast – pelo crime de revelar, através de experiênciasrigorosas,amecânicadasalavancasdeectoplasma.WilliamCrookes, por admirar a beleza do espírito materializadode Kate King, foi considerado como um velhote senil quese apaixonara pela médium Florence Cook. ChamaramOudine, o mágico profissional, para desmascarar os mai-ores cientistas da época e preferiram o dogma católico datransubstanciação à realidade evidente das formações
  63. 63. VAMPIRISMO63ectoplásmicas.ACiênciapreferiadeclarar-sefalidaanteosfenômenos paranormais, que hoje estão definitivamenteprovados em todo o mundo, servindo nas mãos dosincientes para trapaças e chantagens de toda espécie.Não bastou esse fracasso científico, essa bancarrotados métodos experimentais, com suas conseqüênciasaviltantes,paradespertardamodorraoscientistaseospro-fissionais de formação científica, de sua estranha alergiaao futuro.Os morcegos gostam da penumbra e da solidão dastorres, nas igrejas e nas catedrais. Nas metrópoles domundo atual eles escapam à noite de seus esconderijossagrados e às vezes invadem os apartamentos de luxo dosarranha-céus mais próximos. Mas os vampiros, que saemdos esconderijos psíquicos das torres da ignorância ilus-tradaeinvademosapartamentosdeluxodosquadrosuni-versitários e descem aos tugúrios da ignorância pobretã,estimulam o mercado espúrio das clínicas elegantes, e atémesmo dos antros da charlatanice mais deslavada. Ante adesvalorização dos dogmas igrejeiros, os clérigos mais es-pertos bandeiam-se para o campo científico, alvoroçadoscom as perspectivas novas do mercado rendoso das curasparanormais. É uma récua de aventureiros leigos queacompanha a falange vampiresca. Onde estão, em quefurnasseesconderamosbravosdefensoresdopatrimôniocientífico da Humanidade, arduamente conquistado nosúltimos séculos, ao peso de sacrifícios e riscos de toda aespécie?Acobertadospelasimunidadesreligiosasoupelos
  64. 64. J. HERCULANO PIRES64portadoresdeimunidadesuniversitárias,vampirosquelhessugamoslucrosilícitos(eatémesmooprestígiopopular)charlatães atrevidos se apresentam em programas de tele-visão ou em jornais e revistas que estupidamente os lan-çam e popularizam. Essa situação tipicamente vampirescaimpede o desenvolvimento científico das pesquisas sérias,desinteressadasentrenósenospaísesdecondiçõescultu-rais ainda inseguras.O vampirismo religioso se funda em pressupostosdo passado místico, fundados em revelações proféticas.John Murphy, em seu livro Origines et Historie DesReligions, estuda o desenvolvimento da Era Profética noMundo Antigo, como uma fase de transição da fase mito-lógica para a racional. O conhecimento mitológico é umafabulação simbólica adaptada a um mundo de experiênci-asnãosuficientementeassimiladas.Paradaralgumasegu-rança e garantia de validade às estruturas do saber místi-co,fundam-seasreligiõesreveladaspeloautoritarismoab-sorvente dos profetas, numa rede de suposições na maio-ria inconsistentes. Esse é o paraíso do vampirismo sagra-doehumano,emquearealidadeseamoldaàsconveniên-cias e à autoridade sagrada das religiões. O exemplo maispresente desse processo em nosso tempo é o da deforma-ção completa do Cristianismo, que abandonou o Reino deDeus pelos Reinos da Terra, a ponto de encartar na estru-turapolíticadomundocomoumEstado,imitaçãocaricatado Império dos Césares abatido pelos Bárbaros.
  65. 65. VAMPIRISMO65Ernest Cassirer, em A Tragédia da Cultura, compa-raasistemáticareligiosaefilosóficacomoleitodeProcusto,bandido lendário da Ática, que ajustava as suas vítimas aum leito de ferro, esticando-as à força quando não cobri-amocomprimentodoleitoecortando-lhesaspernasquan-do excediam da medida. A Era Científica devia ter banidoProcusto, mas na verdade ainda usa o seu leito, mutilandoos fatos empíricos da realidade para integrá-los nos siste-mas teóricos. Isso revela claramente a tendênciaacomodatíciadoshomensemdefesadeseuspressupostosalienantes.Mastemoshoje,nocampodapsicoterapêutica,métodos mais aperfeiçoados do banditismo ático, que nospermitem deformar o corpo e a alma das vítimas, atravésdos sofismas sobre o conceito de normalidade e anorma-lidade.Osromanos,menosexigentes,preferemmetralharas pernas dos adversários para retê-los em seus própriosleitos ou camas de ferro. Os psicoterapeutas são mais ge-nerosos:concedemaosseusconsulentesanormaisoalvaráde ingresso na libertinagem do século, em nome da Ciên-cia. No fundo, porém, o processo é o mesmo de Procusto.Não encontrando a cura para os anormais, conseguemamoldá-los, à anormalidade, entregando-os livremente avampirização. É uma capitulação covarde.Centralizando toda a sua atenção na realidade obje-tiva, os sábios modernos entregaram à hipnose da maté-ria,esseaspectoespecíficodasenergiasgravitacionaisqueage sobre o psiquismo. Assim hipnotizados, de olhos fixosno torvelinho das estruturas materiais, atômicas e
  66. 66. J. HERCULANO PIRES66subatômicas, deixaram-se empolgar e absorver pela atra-ção plotiniana que imanta o homem ao solo. Kardec jáafirmara: “A matéria é o visgo que prende o espírito”. Ovampirismo sagradorevelou,naAntigüidade,opoderdessaimantação no apego dos deuses mitológicos à condiçãohumana carnal. Na Idade Média, dominada pelo poderabsoluto da Igreja, o misticismo favoreceu as manifesta-ções vampirescas nos conventos e mosteiros, com oepisódio dos íncubus e súcubus, demônios sensuais queatormentavam frades e freiras, na suposta santidade dosmosteiros e conventos, não raro levando-os à loucura, aosuplíciodasflagelaçõesedaspráticasdoexorcismo.Eaindahoje, no mundo inteiro, o flagelo do vampirismo ronda edevasta os campos minados do misticismo religioso, onderesíduos da formação igrejeira superam o racionalismodoutrinário.Tentandosufocarasforçasbiológicas,muitascriaturas,aomesmotempoingênuasepretensiosas,caemvencidas e desesperadas nas garras das entidadesvampirescas, pagando caro a sua pretensão de elevar-seantes do tempo às condições superiores de angelitude.
  67. 67. VAMPIRISMO67APPORT E ENDOPPORTNa variedade das manifestações do vampirismo fi-guramosfenômenosdeapportedeendopportambosclas-sificados, respectivamente, como de psi-kapa naParapsicologia, e como de efeitos físicos, no Espiritismo.O Apport é o fenômeno de introdução de objetos em lo-cais fechados ou em móveis fechados. Uma flor, uma ca-deira, uma pedra podem ser transportadas para uma salatotalmente fechada e sem nenhum desvão pelo qual o ob-jeto pudesse passar. William Crookes, que não acreditavanessa possibilidade, desafiou os espíritos a fazerem coisamuito mais simples: baixar o prato de uma balança lacra-da de laboratório. Mas, no prosseguimento de suas pes-quisas,viueconstatouaveracidadedofenômenocomob-jetos maiores e muitas vezes bastante pesados, como rela-ta em seu livro Fatos Espíritas. Nas pesquisas atuais daParapsicologia esses fenômenos, considerados como de
  68. 68. J. HERCULANO PIRES68ação direta da mente sobre a matéria, foram e continuama ser produzidos, como nas experiências de Soal eCarington, na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.Corposhumanospodemtambémsertransportadosdeumlocal para outro, sem que se perceba por onde passaram.Os espíritos vampirescos se servem desse fenômeno paraassustar ou amedrontar as suas vítimas. O prof. Zöllnerrelata suas experiências com esses fenômenos na Univer-sidade de Leipzig, em seu livro famoso FísicaTranscendental. Os pesquisadores da Universidade deKirov, na URSS, constataram e explicaram a mecânica des-ses fenômenos como produzidos por emissões de corren-tes energéticas do corpo-bioplásmico (perispírito) domédium. Está assim perfeitamente confirmada no mundoa existência do fenômeno de apport não obstante as obje-ções levantadas por parapsicólogos materialistas e católi-cos, inclusive os clérigos não-cientistas que se projetaramentre nós como pseudocientistas.O fenômeno do endopport é mais complexo, pois serefere à introdução de objetos nos corpos humanos. Essefenômeno ainda não teve uma explicação científica sufici-entemente comprovada por experiências de laboratório.Encarado com desconfiança no próprio meio espírita, sóultimamentevemdespertando,pelamultiplicaçãoatualdesuas ocorrências, a atenção dos estudiosos e pesquisado-resespíritas.Concorreumuitoparaessedesinteresseofatodo endopport ser considerado na medicina psiquiátricacomo um simples ato de autoflagelação. Não obstante, os
  69. 69. VAMPIRISMO69fatosultimamenteobservadoscontrariamasinterpretaçõessuperficiais e apressados (ou mesmo de má vontade) dascorrentes psicoterapeutas. Está intimamente ligado aoscasos de vampirismo e os observadores espíritas o consi-deram como um fenômeno bifronte, que pode ser deautoflagelação em alguns casos e de efeitos físicos em ou-tros. E mesmo nos casos de possível autoflagelação éadmissível a interferência do vampirismo em suas mani-festações. Por outro lado, há evidente e íntima correlaçãodos casos de endopport com os fenômenos de curaparanormaiseoperaçõesmediúnicasdotipodemagiasim-pática ou simpatética.Os casos de autoflagelação decorrentes de distúrbi-os psíquicos da vítima, implicariam a ação consciente ouinconscientedesta,introduzindoelamesmaosobjetosemseucorpo.Favoreceessainterpretaçãoofatodeseremge-ralmente de fácil introdução no corpo, objetos como agu-lhas, pequenos fios de arame, pequenos estiletes de ma-deira ou metal, sempre numa disposição que favorece aoperação pela própria vítima ou quase sempre em partesdo corpo que não oferecem possibilidades de prejuízoscomo aleijões, deformações ou morte do paciente. Entre-tanto,oscuidadospodemtambémsertomadospelosvam-pirosflageladores,quenãopretendemmataravítima,massimplesmente torturá-la.Noscasosdeoperaçõesdecurassimpatéticas,comoos ocorridos com a médium Bernarda Torrúbio, em Gar-ça, na Alta Paulista, observados por médicos de Marília,
  70. 70. J. HERCULANO PIRES70ou ocorridos com José Arigó, em Congonhas do Campo,observados por numerosos cirurgiões do Rio, de São Pau-lo e do Exterior (como a equipe de cientistas norte-ameri-canos que realizou pesquisas sobre as faculdades do mé-dium, comprovando-as), verificaram-se transposições dooperado para o médium, que vomitava (ele, médium, enãoopacienteoperado)osresíduosdaintervençãocirúr-gica invisível, constatando-se posteriormente a eficácia daoperação. (Veja-se estudo de nossa autoria, “Arigó, Vida,Mediunidade e Martírio”, em que o Caso Arigó foi exa-minado em todos os seus aspectos, desde o psicológico, osocial, o mesológico, o psicopatológico, o mediúnico, atéas implicações antropológicas e espirituais).Parece evidente que, tendo-se provado, em pesqui-sas diversas e experiências no local, a que se submeteraminclusive um cientista americano operado pelo médium,um cientista suíço e um famoso herói de guerra japonês(caso registrado por video-teipe da televisão de Tóquio enela exibido no Japão) fica evidenciada a possibilidade dofenômeno de endopport na ação vampiresca. São tambémde grande valor probante as entrevistas de médicos-cirur-giões de São Paulo e do Rio, entre os quais professoresuniversitários de Medicina, publicadas nos “Diários Asso-ciados” em todo o Brasil, reproduzidas no livro citado, denossa autoria e reproduzido no Exterior.Emnossaspesquisas,realizadasemCongonhasenasobservações de convivência com o médium em períodosque variaram de uma semana a quinze dias de cada vez –
  71. 71. VAMPIRISMO71na maioria das vezes hospedando-nos na própria residên-cia do médium – pudemos observar intensamente as ativi-dades de sua vida diária, interpela-los muitas vezes e ob-servarassuasatividadescirúrgicascommaisdecempaci-entes.A cirurgia simpatética de Arigó, como a da médiumBernardaTorrúbioseprocessavademaneirasimples,pormeiodeincorporaçõesmediúnicaseimposiçãodasmãos,sem toque no paciente. Este sentia engulhos, dores leves,e, quando supunha que ia vomitar, era o médium quemvomitava os resíduos da operação. Nesse estranho pro-cesso, é evidente que havia transposição dos resíduos doorganismo do paciente operado para o estômago do mé-dium, que os vomitava. A realidade desse fato, em que te-mos observado em cada operação a evidência de uma du-pla ação de endopport, no paciente e no médium, revela-nos a possibilidade da introdução de objetos no corpo deuma pessoa por entidades vampirescas.O endopport, como já vimos, é um tipo de fenôme-no mediúnico que abre largas perspectivas no campo dacirurgia paranormal. Como todos os fenômenosmediúnicos,nãoserveapenasàaçãovampiresca,mastam-bém e, sobretudo à cirurgia mediúnica. O desenvolvimen-to das pesquisas espíritas nesse campo poderá confirmaro que declarou o Dr. Sérgio Valle, de São Paulo, em suaentrevistapublicadanos“DiáriosAssociados”ereproduzidacom sua autorização em nosso livro sobre Arigó: “Arigóemprega nos seus trabalhos mediúnicos uma
  72. 72. J. HERCULANO PIRES72supermedicina”. Cirurgião ocular de renome, com tesescientíficas publicadas no Brasil e no Exterior, especialistaem Hipnotismo e suas aplicações clínicas, o saudoso Dr.SérgioValle,queestudouomédiumemCongonhas,MinasGerais,repeliuasacusaçõesdequeArigóempregavaahip-noseparaanestesiarospacientes,provandotecnicamentea impossibilidade dessa prática por um homem rústico eabsolutamente leigo no assunto. A anestesia e a assepsiausadas pelo médium eram de origem puramente espiritu-al. Os cientistas norte-americanos que investigaram o mé-dium chegaram também a essa conclusão, sem terem co-nhecido a opinião do médico paulista.As ocorrências do fenômeno endopport eram anti-gamente tão raras que em geral não aparecem nos livrosde estudos mediúnicos. Recentemente elas começaram acrescer de maneira a causar espanto no próprio meio es-pírita. A persistência desses fenômenos e sua aparente re-sistência às práticas espíritas de combate ao vampirismochegaram a amedrontar muitas pessoas. Há casos trata-dos durante 10, 15 e mais anos, sem que se tenha obtidosolução.Asvítimassãoconsideradascomoautoflagelantese o caso interessa pouco aos clínicos que se cansam detratá-los sem resultados. Os pesquisadores espíritas des-cobriram, porém, que se trata de vampirismo altamenteagressivo. Desenvolvem assim uma técnica mediúnica dedoutrinação, coadjuvada com passes e estímulo às vítimaspara reagirem com compreensão contra as agressões e osagressores. A evangelização é parte fundamental da tera-
  73. 73. VAMPIRISMO73pêutica, pois todos os indícios são de que a agressão de-corre de consequências do passado, de vidas anterioresem que as pessoas hoje atingidas praticaram atrocidadescontraosespíritosquedesejamvingar-senopresente.Comoensinou Kardec: “O provérbio popular segundo o qual,mortoocãoestámortaàraiva,nãoseadaptaaoshomens”.As vítimas de violências e assassinatos não morrem; poissobrevivemàdestruiçãodocorpocarnaleguardamgeral-mente os seus ressentimentos, procurando vingar-se logoque possível. As dificuldades de solução do problema de-correm de casos de consciência. Os verdugos do passadodesejamsubmeter-seaoflageloparaaliviarsuasconsciên-cias. Reencarnam-se com essa intenção e por isso se re-signam a passar pelos sofrimentos do resgate de suas fal-tas. Mostram-se em geral conformados e sofrem paciente-menteorevidequevemdelonge,deoutrasvidas.Porisso,é necessário estimulá-los.Os problemas de consciência são muito mais agu-dos no mundo espiritual e para se livrarem deles estãodispostos a todos os sacrifícios na atual encarnação. Essatendência masoquista, semeada na Terra por milênios deinterpretações religiosas convencionais domina a maioriadas criaturas do plano espiritual ligado ao nosso. É neces-sário lembrar sempre, nas doutrinações, que não estamosna Terra para gozar nem para sofrer, mas para enfrentaras necessidades da nossa evolução. Essa evolução não nosleva para o servilismo degradante, mas para a consciênciado nosso destino superior, como criaturas espirituais que
  74. 74. J. HERCULANO PIRES74somos. Os que se entregam como párias ao chicote dosverdugos entrega-se a sacrifícios aviltantes, tanto para simesmos como para os verdugos. Conseguindo dar a essascriaturas acovardadas uma visão mais racional da evolu-ção espiritual, conseguiremos despertar nelas a fé nos ob-jetivos supremos de Deus, que gera a esperança e virilizaos espíritos. Ante essa reação, os próprios verdugos atuaisacordamparaacompreensãodessaposiçãonegativaeco-meçamavislumbrarosplanossuperioresquesóatingirãoabandonandoessasatividades.Esseéosegredodaeficáciaem todos os processos de doutrinação. Lembremo-nossempre da atitude de Jesus, dando atenção e respeito aospecadores que os sacerdotes desprezavam como indignose impuros. Recorramos à expressão bíblica atribuída aDeus: “Misericórdia quero e não sacrifício”. Jesus não seentregou a cruz para nos dar o exemplo de covardia, masde coragem ante situações desesperantes. Lutou empre-gando duras expressões, contra a hipocrisia aviltante dosfariseus.Aceitouacrucificaçãocomoexigênciadeummeiohumanobrutalemqueseencarnaraparamodificá-locomo exemplo final da ressurreição. E não ressuscitou paraeternizar na Terra a prepotência dos verdugos, mas paramostrar-lhes que a vitória do sofrimento e da morte, en-frentada com dignidade e não com submissão aviltante, éo resgate do espírito na transcendência. Porque o destinodetodasascriaturaséaelevaçãoaosplanossuperioresdaconsciência, o que vale dizer à conquista da responsabili-dade em todos os seus atos e perante todas as circunstân-
  75. 75. VAMPIRISMO75cias.Até agora as religiões nos ensinam que temos de so-frer para pagar as dívidas morais. Mas o Espiritismo – queé uma síntese de todo o Conhecimento – reúne em seusprincípios a Ciência, a Filosofia e a Religião, dando-nosuma visão nova da realidade. Não somos condenados, so-mos criaturas livres e temos de aprimorar-nos para assu-mir toda a liberdade de seres conscientes de seu destinosuperior. Se estamos enleados em processos dolorosos,provenientes de erros cometidos em vidas anteriores, dis-pomos também da vida presente e das vidas futuras paracorrigirmos os nossos erros. A Consciência Suprema, queé Deus, não quer o nosso sofrimento, mas a nossa liberta-ção de todo sofrimento.A utilização dos fenômenos de endopport novampirismo não é decretada por Deus, provém da nossaarrogância, que nos conduziu a uma situação humilhante.Se soubermos nos servir da humilhação para desenvolvera humildade, veremos que as entidades vampirescas co-meçarãoaaprendercomonossoexemplocorajosoaven-cer as dificuldades a que também estão presos. A nossacura não pode ser obtida pela negação das nossaspotencialidades divinas, mas pelo desenvolvimento delasem nós. Temos de analisar a nossa condição atual, pesaros prós e os contras do nosso comportamento, procuran-do modificá-lo e reajustá-lo aos nossos verdadeiros inte-resses. Na própria pedagogia terrena aprendemos que sóconseguimos aprender, fazendo. Das coisas mais simples

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