Desenho e pintura

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Desenho e pintura

  1. 1. INSTRUMENTOS OU MEIOS DE REGISTOINSTRUMENTOS OU MEIOS DE REGISTO MEIOS DE REGISTO CANETAS O TRAÇADO COM CANETAS O TRAÇADO DE FORMAS ELEMENTARES LINHAS E PONTOS NA SILHUETA E NA TEXTURA PINCÉIS O GESTO NA PINTURA ASSOCIAÇÃO DE VÁRIOS MEIOS MEIOS IMPROVISADOS LÁPIS LÁPIS DE COR CANETAS DE FELTRO
  2. 2. Os meios de registo são essencialmente instru- mentos com os quais, pintamos, escrevemos, desenhamos, etc. A sua utilização exige materiais, como tintas de água ou de óleo, minas e outros, que podem ser sólidos, pastosos ou líquidos. Por vezes, o material é o próprio meio de registo, basta para isso lembrar o caso dos paus de carvão ou de pastel, os lápis de cera, etc. O número de meios de registo é muito vasto, não sendo possível referi-los todos. Salientamos, dada a sua importância, os lápis de cor ou de grafiti, os pinceis, de uma grande diversidade, as canetas, também muito variadas (nomeadamente as de aparo e as de feltro), os tira-linhas, etc. Cada meio de registo requer um manuseamento próprio que também tem de ser adaptado ao tipo de tinta ou outro material que carrega e transfere, bem como às caracterís- ticas do suporte (tipo de papel ou tela) que terão de ser tidas em conta. MEIOS DE REGISTO
  3. 3. A caneta é um meio de registo bastante antigo e que por isso sofreu muitas transformações ao longo da História. Originalmente, consistia num pequeno rebento de cana, daí o seu nome, cortado obliquamente para se obter uma extremidade pontiaguda que se mergulhava em tinta para com ela escrever. Para lhe dar maior maleabilidade e melhor condução da tinta nela acumulada, essa extremidade tinha, ao meio, um pequeno golpe longitudinal. Mais tarde, a substituir a cana, surgiu, como material, a pena de pato. Hoje, essa extremidade, que para se obter era aparada (por isso chamada aparo) é de metal. Os novos materiais e as novas tecnologias criaram entretanto muitas outras variedades de canetas, como as de feltro e as esferográficas, bastante diferentes das originais CANETAS
  4. 4. O TRAÇADO COM CANETAS Existem canetas de aparo maleável e outras de aparo rijo. As primeiras dão maior ou menor espessura ao traço, consoante a maior ou menor pressão que se exerce quando com elas escrevemos ou desenhamos. Isto constitui uma forma de aumentar a expressividade da escrita ou do desenho. Os aparos rijos, se forem largos, também permitem a obtenção de linhas com diferentes espessuras, mas com menor fluidez e resultantes não da pressão exercida, mas sim da orientação do traço desenhado, como se pode ver nas ilustrações em baixo à esquerda.
  5. 5. A caneta, como outros meios riscadores, permitem- -nos traçar as formas gráficas mais elementares: pontos e linhas. Com as linhas definem-se silhuetas de figuras humanas, de animais, objectos, etc., mas também pormenores, como olhos, boca, adereços e outros. Com uma sucessão de traços paralelos ou cruzados podemos definir superfícies, mas também, assinalar zonas de sombra e de penumbra. Do mesmo modo, com uma maior ou menor densidade de pontos, podem representar-se zonas de sombra e de penumbra de uma forma até mais minuciosa. O TRAÇADO DE FORMAS ELEMENTARES
  6. 6. Uma forma ou silhueta pode surgir como uma zona reservada ou vazia rodeada pelo traçado e modelação do fundo, como acontece com a figura humana no desenho em baixo, à esquerda. Outra importante característica do traço no desenho é a capa- cidade de com ele se obterem texturas, ou seja, características superficiais, como aquela que a representação da folhagem num jardim pode apresentar. LINHAS E PONTOS NA SILHUETA E NA TEXTURA
  7. 7. O pincel é um meio de registo que no Ocidente só é usado, praticamente, para pintar e, raramente, para desenhar. Pelo contrário, na China e no Japão, além dessas funções, é um instrumento essencial da escrita. A sua maleabilidade associada a uma destreza manual faz dele um meio de expressividade muito rica e variada. Tal como as canetas, os pinceis também apresentam uma grande variedade. PINCÉIS
  8. 8. O pincel é o meio de registo que melhor transmite a nossa gestualidade tanto na escrita como no desenho ou na pintura. Dada a capacidade de absorção dos seus pelos, é possível usar tintas muito variadas, desde as mais fluidas (aguarelas e guaches), até às mais pastosas (tintas de óleo), passando pelas acrílicas. O GESTO NA PINTURA
  9. 9. No desenho, mas sobretudo na pintura, o uso de pincéis pode associar-se a outros meios para, no conjunto, se obter o melhor resultado. Um desses meios é a esponja sob a forma tradicional ou sob a forma de um rolo, utilizadas estas, praticamente, só com tintas de água ASSOCIAÇÃO DE VÁRIOS MEIOS
  10. 10. Podem improvisar-se meios de registo como, por exemplo, uma simples tira de cartolina com uma das suas extremidades embebida em tinta e que fazemos deslocar contínua ou descontinuamente sobre uma folha de papel. Daí podem resultar manchas de grande riqueza plástica, criando-se geralmente, desse modo, formas ritmadas. MEIOS IMPROVISADOS
  11. 11. O lápis é talvez o mais divulgado meio de registo destinado ao desenho. É constituído por um envólucro de madeira de forma cilíndrica ou prismática, alongada, que contém uma mina, a parte que verdadeiramente traça. As minas de carvão ou plumbagina riscam a preto ou cinzento e podem apresentar uma grande variedade de durezas adaptadas a cada tipo de desenho. LÁPIS
  12. 12. A par do lápis de grafite, existem os lápis de cor. Hoje, muitos são lápis de aguarela o que significa que depois de traçarmos com eles sobre o papel, podemos passar com um pincel embe- bido em água sobre os traços e aguarelar a superfície. Isto significa que podemos ter no mesmo desenho os traços dos lápis de cor e ao mesmo tempo zonas de aguada. A caixa destes lápis é identificada pela sua imagem associada ao de um pincel. LÁPIS DE COR
  13. 13. CANETAS DE FELTRO A caneta de feltro caracteriza-se pelo facto do tradicional aparo ser substituído por uma ponta de feltro ou de outro material de grande capilaridade, que, dessa forma, passa a tinta do depósito para o papel ou outro suporte. Os tipos de canetas de feltro são muito variados, especialmente no que diz respeito à forma e dimensão das suas pontas. Tal como os aparos, essas pontas, de acordo com as suas características, ou traçam apenas linhas uniformes ou linhas cuja espessura pode variar, como se mostra nos desenhos em baixo, à direita
  14. 14. PALETAS DE COR QUANDO AS CORES SE CRUZAM A CCOORR É LUZ PROCESSO SUBTRACTIVO DA COR A PINTURAE O PROCESSO SUBTRACTIVO DA COR PROCESSO ADITIVO DA COR A COR E A LUZ REFRACÇÃO DA LUZ RECOMPOSIÇÃO DA LUZ BRANCA
  15. 15. PALETAS DE COR Uma paleta de cor é vulgarmente uma superfície móvel de madeira, cartão ou outro material ligeiro sobre a qual os pintores afinam e comparam as cores das tintas antes de as colocarem sobre a tela ou papel, mas também é paleta um mostruário de papeis de cor ou um conjunto de pastilhas de aguarela, permitindo-nos fazer uma escolha ou estabelecer contrastes de cores. A escolha dos papeis de suporte é igualmente importante, quer pela especificidade do branco que tenham, quer pela sua textura e grau de absorção.
  16. 16. MAGENTA AMARELO AZUL CIÃO AZUL VERMELHO VERDE PRETO PROCESSO SUBTRACTIVO DA COR Se, sobre um fundo branco, colocarmos 3 filtros com as cores primárias (magenta, azul cião e amarelo), nas áreas onde estes se sobrepõem dois a dois, aparecem as cores: verde, vermelho e azul, enquanto na zona onde a sobreposição for dos três filtros, estes taparão totalmente a passagem da luz e a ausência desta resulta na cor preta. Para dar um exemplo de aplicação do processo subtractivo da cor, podemos referir a pintura a aguarela.
  17. 17. A PINTURA E O PROCESSO SUBTRACTIVO DA COR A pintura com pincéis, canetas de feltro ou lápis de cor, etc., porque as tintas funcionam como filtros, realiza-se através do processo subtractivo da cor.
  18. 18. PROCESSO ADITIVO DA LUZ Se, numa sala totalmente obscurecida, projectarmos, sucessivamente, sobre um ecrã branco, focos de luz com as cores verde, vermelho e azul, veremos naturalmente surgir essas mesmas cores no ecrã. No entanto se a totalidade ou parte desses focos se sobrepuserem, resultam deles novas cores: A luz verde junta com a vermelha dá origem à cor amarela; a luz vermelha ao sobrepor-se com a azul resulta na cor magenta, enquanto o foco azul com o verde fazem surgir o azul cião. Pode acontecer ainda que os três focos coincidam parcial ou totalmente, neste caso a junção do verde, do vermelho e do azul reconstituem a cor branca.
  19. 19. A COR MANIFESTA-SE ATRAVÉS DA LUZ A cor resulta da luz reflectida pelos objectos por ela iluminados. Como a luz branca é a reunião de um conjunto de raios de várias cores (vermelho, azul e verde,) aqueles que o objecto reflecte é que determinam a cor que vemos. Um objecto que reflecte todos os raios aparecerá branco, enquanto aqueles que não reflectem nenhum são vistos como pretos.
  20. 20. ISAAC NEWTON, físico e matemático inglês, demonstrou que a cor é consequência da refracção da luz branca. Para isso, fez passar por um prisma de cristal um feixe de luz que projectou sobre um fundo branco e verificou que ela se dividiu num conjunto de cores iguais às do arco-íris. REFRACÇÃO DA LUZ
  21. 21. Um outro físico, Young, fez uma terceira experiência com prismas: Primeiro repetiu a experiência de Newton provocando a refracção da luz branca através de um prisma. Depois, pegou noutro prisma, mas em posição invertida e fez passar as cores do arco-íris através dele. Para sua grande surpresa viu aparecer novamente a luz branca. Newton realizou ainda uma outra experiência: Depois de dividir a luz branca nas cores do arco-íris, fez passar separadamente cada uma destas cores por um segundo prisma, verificando que estas já não se desdobravam e continuavam da mesma cor. RECOMPOSIÇÃODALUZBRANCA
  22. 22. AGUARELA MODELAÇÃO DA COR NA AGUARELA TÉCNICAS DE PINTURA E COLAGEMTÉCNICAS DE PINTURA E COLAGEM AERÓGRAFO O AERÓGRAFO ATRAVÉS DO TEMPO PASTEL ÓLEO A TINTA ACRÍLICA A MARCA DOS MEIOS NA PINTURA TÉCNICAS MISTAS TRATAMENTO DE UM MOTIVO COM VÁRIAS TÉCNICAS GUACHE TINTAS E PIGMENTOS COLAGEM A TEXTURA NA COLAGEM VALOR PLÁSTICO DA COLAGEM FORMAS ABSTRACTAS E INTERPRETAÇÃO PLÁSTICA
  23. 23. TINTAS E PIGMENTOS As tintas são preparados que se destinam a dar cor a uma superfície ou um objecto através da pintura. Na sua prepa- ração são usados pigmentos, elementos sob a forma de um pó muito fino, que dão a cor à tinta. Compostos de origem mineral, vegetal ou animal são esmagados e moídos na pro- dução dos pigmentos. Estes são depois emulsionados ou dissolvidos num líquido que pode ser água, óleo, goma- -arábica, álcool, etc., a que se dá o nome de veículo e que serve para os ligar entre si. A tinta, depois de preparada, apresenta-se geralmente sob a forma líquida, mas também pode estar sob a forma sólida, como é o caso das pastilhas de aguarela ou dos paus de pastel. Podem ainda apresentar--se na forma pastosa que encontramos nas bisnagas das tintas de óleo, das tintas acrílicas ou dos guaches. CAIXA DE AGUARELAS CAIXA DE ÓLEOS PIGMENTOS PIGMENTOS
  24. 24. AGUARELA A aguarela, técnica de pintura executada com o uso de pinceis, tem a vantagem de, sendo bastante barata, se apresentar muito versátil, permitindo uma grande variedade de resultados e aproveitamentos plásticos. Além disso, como se trata de uma pintura à base de água, como o próprio nome diz, é uma técnica limpa, comparada com a pintura a óleo. A aguarela, em resumo, pode definir-se como uma sobreposição de sucessivas camadas transparentes de tinta muito diluída em água. Quanto aos brancos, nesta pintura são constituídos por zonas do papel não cobertos por tinta alguma. A pintura com aguarela é a aplicação directa do processo subtractivo da luz.
  25. 25. MODELAÇÃO DA COR NA AGUARELA A aguarela baseia-se num processo de pintura que se chama aguada e que consiste na colocação de tinta em camadas bastante diluidas que se vão sucessivamente sobrepondo. As zonas do papel, onde se cruzam ou sobrepõem mais camadas, ficarão com cores mais carregadas. Isto acontece porque cada passagem de tinta funciona como um filtro que retira luz à folha branca. Podemos dizer que se trata de um exemplo do processo subtractivo da cor. Com o pincel colo- ca-se uma mancha inicial… …Quando ela tiver secado, lava-se o pincel e mantendo-o molhado, estendemos a mancha até mais abaixo… …e voltando a lavá-lo, estende-se a mancha ainda mais, modelando- -a desde um tom escuro até um tom muito leve da mesma cor ESBATIDOOUDÉGRADÉ Para se obter uma mancha uniforme, pinta-se uma faixa sobre o papel seco. Logo de… seguida faz-se outra passagem imediatamente por baixo. Com o pincel, estende-se a tinta da de cima para a de baixo, … …distribuindo-a uniforme- mente por toda a superfície e absorvendo, ainda com o pincel, a que ficar em excesso
  26. 26. GUACHE À semelhança da aguarela, o guache é uma tinta de água, mas, ao contrário desta, é de consistência pastosa o que faz com que se apresente geralmente em bisnagas ou, mais raramente, em boiões. O guache, quando bastante diluído, permite pintar aguadas, embora menos luminosas que as da aguarela. Numa solução suficientemente densa, dá-nos superfícies de cor homogénea e, quando mais pastosa e misturada com outras cores, permite texturas deixadas pelo pincel, parecendo-se aí com a pintura a óleo. Estes três aspectos que o guache pode apresentar são bem visíveis na imagem. Os suportes do guache são geralmente papel ou cartão.
  27. 27. A E R Ó G R A F O BOCAL PARA SOPRAR O aerógrafo é qualquer aparelho que através da pressão de um fluxo de ar produz a projecção de tinta sob a forma de partículas minúsculas e que por isso permite os suaves esbatidos de cor que são característicos desta técnica. Existem vários tipos de aerógrafo, como o tradicional aerógrafo de sopro, que se vê na imagem, o aerógrafo de compressor, a pistola de pintura, as próprias bombas de spray, tão usadas nos grafiti, etc. A técnica de pintura com aerógrafo exige a utilização de várias máscaras onde se encontram recortadas as silhuetas e os pormenores das figuras a pintar. A sequência das máscaras a usar começa pela do plano mais afastado ou mais fundo, seguindo até ao da mancha mais próxima que será a última a ser pintada. Assim, cada uma das cores vai-se sobre- pondo às anteriores, definindo o recorte de cada elemento do desenho. Por vezes, com a mesma máscara, usa-se mais de uma cor que, fundidas, permitem uma suave e bela modelação da superfície. A parte recortada da máscara, isto é, a contra-máscara também se utiliza, como se vê na silhueta da cabeça cuja contra- máscara foi usada para se pintar o fundo, protegendo a área reservada ao perfil.
  28. 28. O AERÓGRAFO ATRAVÉS DO TEMPO Já na pré-história o Homem usava o princípio do aeró- grafo quando colocava tinta na boca e com um sopro a aspergia sobre a mão assente na parede da caverna. Neste exemplo, a mão serviu de máscara, aparecendo- -nos a respectiva silhueta em negativo. No séc. xx o aerógrafo foi particularmente utilizado na realização de cartazes. Nos últimos vinte anos, a tinta em spray, permitiu que esta técnica saísse do atelier para o espaço exterior. Hoje, o aerógrafo é uma ferramenta presente em muitos programas informáticos. À esquerda, cartaz do designer gráfico francês, Cassandre À direita, cartaz do designer gráfico japonês, Tanaka
  29. 29. PASTEL O pastel existe em duas versões principais: o pastel seco e o pastel de óleo. O pastel seco, logicamente é mais solto enquanto o pastel de óleo é mais aderente. O pastel seco, para se conseguirem esfumados entre várias cores, é essencialmente trabalhado com o dedo ou com paus de esfuminho. O pastel de óleo também pode ser trabalhado diluído em óleo ou em essência de terbentina. O pastel é um meio que tanto permite uma fusão muito suave entre diferentes cores, como pode dar-nos contrastes marcados, sendo no entanto mais conhecido pela primeira destas qualidades. ESFUMINHOSESFUMINHOS
  30. 30. ÓLEO As tintas de óleo são solúveis em óleo ou em essência de terebentina. Quando usada com esta última, a pintura a óleo perde o seu brilho. Embora os pinceis sejam os principais instrumentos de pintura, os pintores a óleo recorrem frequentemente ao uso da espátula. Na imagem, em baixo, vê-se uma pintura a óleo do japonês Hiroo Yamamura que recorreu tanto ao uso do pincel como da espátula. Espátula espalhando a tinta Paleta com tintas de óleo
  31. 31. A MARCA DOS MEIOS NA PINTURAA MARCA DOS MEIOS NA PINTURA Geralmente, os pintores da Idade Média e do Renascimento modelavam as formas de modo a não se reconhecerem os instrumentos de pintura por eles utilizados, constituindo estes muitas vezes um segredo pessoal. A partir do século XVII, quando surge a arte Barroca, o movimento e a agitação das figuras dos quadros desta época passaram a ser sublinhados pelo próprio gesto do artista, fixado nas pincelada das suas obras. Estas marcas tornaram-se sinais de um valor plástico que enriquecia o trabalho dos pintores. Desde então a afirmação, no próprio quadro, do gesto e dos instrumentos de pintura (pinceis, espátulas, etc.) tornou- -se frequente e, para alguns artistas, o principal motivo da sua obra.
  32. 32. A TINTA ACRÍLICA C S Rocha Ao contrário do óleo e da aguarela, o acrílico é um género de tinta bas- tante recente, criado na Alemanha. Tem a vantagem de secar rapida- mente, permitindo uma boa modela- ção das cores, sem estalar nem ama- relecer com o tempo, como acontece com a pintura a óleo. A tinta acrílica, uma vez seca, não volta a dissolver-se, podendo traba- lhar-se, com segurança, a camada seguinte. Pode pintar-se com acrílico qualquer superfície absorvente (papel, cartão, tela, tabopan). Além disso, revela-se excelente para a pintura mural, não sendo possível, ao contrário do óleo, aplicá-la sobre suportes, como vidro, metal, etc.,
  33. 33. 11 22 33 1 -Guache + Pastel + Aerógrafo1 -Guache + Pastel + Aerógrafo 2 -Guache + Aerógrafo2 -Guache + Aerógrafo 3 -Ecolines + Pastel3 -Ecolines + Pastel TÉCNICAS MISTAS As diversas técnicas de pintura são, em, geral usadas isoladamente, mas bastantes artistas, a título experi mental ou mesmo continuadamente, fazem uso das técnicas mistas. Para o fazerem têm de ter em linha de conta a com- patibilidade entre os materiais a empregar. Sabendo nós que a água e o óleo não se misturam, certamente que evitaremos usar tintas de óleo junta- mente com tintas de água. Existe no entanto possibi- lidade de o fazer. Para isso, terá de se pintar com tinta de água primeiro e, só quando esta estiver bem seca, completar o trabalho com tinta de óleo. Nas imagens, as técnicas usadas foram canetas de fel- tro, pastel seco e pastel de óleo. Uma vez pintada uma zona com pastel de óleo, se se passar por cima com canetas de feltro, a tinta destas não adere nessa zona, por isso, aí, se quisermos alterar ou misturar-lhe outra cor, teremos de o fazer de novo com pastel de óleo. Nestes dois exemplos de técnicas mistas foram asso- ciados desenho à pena (a preto) com guache a cores. No trabalho ao cimo desta coluna, a primeira opera- ção foi a execução do fundo salmão claro, obtido por meio de uma aguada . Esta foi feita depois do desenho a preto com tinta da China que uma vez seca já não se dilui. Depois da aguada secar, com guache mais denso pintou-se a mancha de azul claro, sucedendo- se-lhe as de amarelo, verde, vermelho e magenta. Cada uma das manchas foi colocada quando a ante- rior já se encontrava seca. A cor azul escura foi inter- calada em vários momentos desta ordem, dando a ideia de uma fita que ora aparece por cima ora aparece por baixo das outras cores. No trabalho em cima, depois de executado o desenho a preto, com tinta da China, realizou-se uma série de aguadas uniformes de várias cores.
  34. 34. TRATAMENTO DE UM MOTIVO COM VÁRIAS TÉCNICAS 1 2 3 4 1 -Esboço 2 -Lápis de cor 3 -Pastel 4 -Guache O tratamento de um mesmo motivo, usando sucessiva- mente diferentes técnicas, permite uma exploração plástica variada e de muito interesse. Esta natureza morta, para além do esboço inicial, apre- senta-se em três técnicas diferentes, podendo ainda ser explorada sob a forma de colagem.
  35. 35. COLAGEM A colagem é o processo de organização de elementos soltos, regra geral bidimensionais, escolhidos pelos seus valores plásticos (cor, forma, textura, matéria, etc.), resultando numa composição. Cada um desses elementos isolado, depois de associado aos restantes, interage com eles, ganhando geralmente novo valor. FOLHA VERDE COM SILHUETA DE CÃO NELA RECORTADA, SERVINDO DE MÁSCARA SOBRE AS CORES DO ARCO-ÍRIS
  36. 36. A TEXTURA NA COLAGEM A procura de imagens com largas zonas de textura é de grande importância na colagem
  37. 37. A COLAGEM, ALÉM DO SEU VALOR PLÁSTICO, PODE SER DIVERTIDA
  38. 38. A pintura, do mesmo modo que o desenho, é uma representação e portanto tem sempre um maior ou menor grau de interpretação. Por muito fiel que um desenho ou uma pintura sejam em relação ao motivo representado, sofrem obrigatóriamente alterações. A esse desvio chama- -se abstracção. Um pintor que elimina na sua tela aspectos desne- cessários do tema por ele tratado, está a fazer uma filtragem, podendo acrescentar outros valores plás- ticos que, no seu entender, tornam visíveis quali- dades aparentemente ocultas. O artista permite- -nos assim ver a realidade com outros olhos. FORMAS ABSTRACTAS E INTERPRETAÇÃO PLÁSTICA Partindo desta imagem, pode surgir umaPartindo desta imagem, pode surgir uma infinidade de alterações com maior ou menorinfinidade de alterações com maior ou menor grau de abstracção. Com base nela, apresenta-grau de abstracção. Com base nela, apresenta- -se uma sequência de exemplos.-se uma sequência de exemplos.

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