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QUANDO ME TORNEI INVISÍVEL
Já não sei em que data estamos.Lá em casa não há calendários e naminha memória as datas estão todasmisturadas.Recordo-me d...
Primeiro trocaram-me dequarto, pois a famíliacresceu.Depois passaram-me paraoutro mais pequeno masainda com a companhia de...
Ocupo agora umas águas-furtadas, queestão no pátio das traseiras.A janela tem um vidro partido.Prometeram-me mudar o vidro...
Desde há muito tempo que tinha aintenção de escrever, porém passeisemanas à procura de um lápis.Quando o encontrei, voltei...
Numa outra tarde dei-me conta que aminha voz também tinha desaparecido.Quando eu falo com os meus netos oucom os meus filh...
Às vezes intervenho na conversa, segurade que o que vou lhes dizer não ocorreraa nenhum deles, e de que lhes vai ser degra...
E faço-o, de propósito, para quecompreendam que estou aborrecida,para que se dêem conta que meentristecem e venham buscar-...
Quando meu genro ficou doente, penseiter a oportunidade de ser-lhe útil, levei-lhe um chá especial que eu preparei.Coloque...
Então noutro dia disse-lhes que quandoeu morresse todos se iriam arrepender.O meu neto mais novo disse-me: “Aindaestás viv...
Foi então que me convenci de que souinvisível...Parei no meio da sala para ver, se metornando um estorvo me olhavam.Porém ...
Viram, viram....COMO SOU INVISÍVEL!
Um dia agitaram-se os meninos, evieram-me dizer que no dia seguintenós iríamos todos passar um dia nocampo.Fiquei muito co...
Quis arrumar as coisas com calma.Nós, os velhos, tardamos muito emfazer qualquer coisa, assim adianteimeu tempo para não a...
Quando me dei conta eles já tinhampartido e o carro tinha desaparecidoenvolto em algazarra, compreendientão que eu não est...
Senti claro como meu coração seencolheu e a minha face ficoutremendo como quando a gente temque engolir a vontade de chora...
Antes beijava os pequeninos, era umprazer enorme tê-los nos meus braços,como se fossem meus.Sentia a sua pele tenrinha e a...
Porém um dia minha neta, que acabavade ter um bebé disse que não era bomque os velhos beijassem os bebés, porquestões de s...
Desde então já não me aproximodeles, não quero passar-lhes algo mau por causa das minhas imprudências. Tenho tanto medo de...
QUE CULPA TENHO DE TER ME TORNADO     INVISÍVEL?
Rescrito para portuguêsDa autoria de: HAMILTON SLIDE        MÚSICA DE:      Ernesto Cortazar      Corazon Solitario
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Invisivel

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  1. 1. QUANDO ME TORNEI INVISÍVEL
  2. 2. Já não sei em que data estamos.Lá em casa não há calendários e naminha memória as datas estão todasmisturadas.Recordo-me daquelas folhinhasgrandes, umas maravilhas, ilustradascom imagens dos santos quecolocávamos no lado do toilette.Agora já não há nada disso.Todas as coisas antigas foramdesaparecendo. euE, sem que ninguém desse conta,fui-me apagando também....
  3. 3. Primeiro trocaram-me dequarto, pois a famíliacresceu.Depois passaram-me paraoutro mais pequeno masainda com a companhia deminhas bisnetas.
  4. 4. Ocupo agora umas águas-furtadas, queestão no pátio das traseiras.A janela tem um vidro partido.Prometeram-me mudar o vidro, porémesqueceram-se.Todas as noites por ali circula umarzinho gelado que aumenta as minhasdores reumáticas.Mas tudo bem…
  5. 5. Desde há muito tempo que tinha aintenção de escrever, porém passeisemanas à procura de um lápis.Quando o encontrei, voltei a esquecer-me onde o tinha posto.Na minha idade as coisas perdem-sefacilmente, claro que não é uma doençadelas, das coisas, porque estou certa queas tenho, porém elas sempredesaparecem.
  6. 6. Numa outra tarde dei-me conta que aminha voz também tinha desaparecido.Quando eu falo com os meus netos oucom os meus filhos, eles não merespondem.Todos falam sem me olhar, como se eunão estivesse com eles, mesmo que euescute atenta o que dizem.
  7. 7. Às vezes intervenho na conversa, segurade que o que vou lhes dizer não ocorreraa nenhum deles, e de que lhes vai ser degrande utilidade.Porém não me ouvem, não me olham, nãome respondem.Então, cheia de tristeza, retiro-me para omeu quarto e vou beber a minha chávenade café.
  8. 8. E faço-o, de propósito, para quecompreendam que estou aborrecida,para que se dêem conta que meentristecem e venham buscar-me epeçam perdão …Porém ninguém vem....
  9. 9. Quando meu genro ficou doente, penseiter a oportunidade de ser-lhe útil, levei-lhe um chá especial que eu preparei.Coloquei-o na mesinha e sentei-me aesperar que o tomasse, só que elecontinuou a ver televisão e nem um sómovimento me indicou que se deraconta da minha presença.O chá pouco a pouco foi ficando frio……ejunto com ele, o meu coração...
  10. 10. Então noutro dia disse-lhes que quandoeu morresse todos se iriam arrepender.O meu neto mais novo disse-me: “Aindaestás viva vovó? “.Eles acharam tanta graça, que nãopararam de rir.Estive três dias a chorar no meu quarto,até que pela manhã entrou um dosrapazes para tirar umas rodas velhas quepor lá guardavam e nem o bom dia medeu.
  11. 11. Foi então que me convenci de que souinvisível...Parei no meio da sala para ver, se metornando um estorvo me olhavam.Porém a minha filha continuou a varrersem me tocar, os meninos correram àminha volta, de um lado para o outro, semtropeçarem em mim.
  12. 12. Viram, viram....COMO SOU INVISÍVEL!
  13. 13. Um dia agitaram-se os meninos, evieram-me dizer que no dia seguintenós iríamos todos passar um dia nocampo.Fiquei muito contente.Fazia tanto tempo que não saía e maisainda que ia ao campo!No sábado fui a primeira a levantar-me.
  14. 14. Quis arrumar as coisas com calma.Nós, os velhos, tardamos muito emfazer qualquer coisa, assim adianteimeu tempo para não atrasá-los.Rápido entravam e saíam da casacorrendo e levavando as bolsas e osbrinquedos para o carro.Eu já estava pronta e muito alegre,permaneci no halla esperá-los.
  15. 15. Quando me dei conta eles já tinhampartido e o carro tinha desaparecidoenvolto em algazarra, compreendientão que eu não estava convidada,talvez porque não coubesse no carro,ou porque meus passos tão lentosimpediriam que todos os demaiscaminhassem a seu gosto pelobosque.
  16. 16. Senti claro como meu coração seencolheu e a minha face ficoutremendo como quando a gente temque engolir a vontade de chorar.Eu entendo-os, eles vivem o mundodeles.Riem, gritam, sonham, choram,abraçam-se, beijam-se.E eu, já nem sinto mais o gosto de umbeijo.
  17. 17. Antes beijava os pequeninos, era umprazer enorme tê-los nos meus braços,como se fossem meus.Sentia a sua pele tenrinha e a suarespiração doce bem perto de mim.A vida nova produzia-me um alento eaté dava vontade de cantar cançõesque já nem me lembrava.
  18. 18. Porém um dia minha neta, que acabavade ter um bebé disse que não era bomque os velhos beijassem os bebés, porquestões de saúde...
  19. 19. Desde então já não me aproximodeles, não quero passar-lhes algo mau por causa das minhas imprudências. Tenho tanto medo de contagiá-los ! Eu os bendigo a todos e perdoo, porque...
  20. 20. QUE CULPA TENHO DE TER ME TORNADO INVISÍVEL?
  21. 21. Rescrito para portuguêsDa autoria de: HAMILTON SLIDE MÚSICA DE: Ernesto Cortazar Corazon Solitario

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