Recomendações Éticas para a Produção e Divulgação Científica                    Mariangela Amendola                       ...
Mariângela Amendola       Profa. Dra. Matemática Aplicada e Computação Científica                Faculdade de Engenharia A...
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Agradecimentos       Agradeço aos professores Amarildo, Conceição, Cristiane, Geraldo,Graça, Herton, Lea e Simone, pela in...
As Coisas (Arnaldo Antunes)As coisas têm pesoMassa, volume, tamanhoTempo, forma, corPosição, textura, duraçãoDensidade, ch...
ResumoEste trabalho mostra os resultados da análise da compilação de artigosreferentes a conduta ética na produção e divul...
Sumário 1. Introdução                         08 2. Objetivo                           11 3. Material e métodos           ...
1. Introdução      A produção do conhecimento em áreas científicas denominadas“ciências duras”, como a matemática de nosso...
Sobre esses fatores, anotamos o que comentou o professor MarcioBarreto, da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade...
oriundas da Internet, mas mostra-se necessária a formação              contínua em jornalismo científico”.       Essa info...
2. Objetivo       O objetivo geral é mostrar os resultados da análise da compilação deartigos referentes à conduta ética n...
O método de análise é a identificação de artigos referentes ao tema queressaltam os conceitos de ética, ciência e divulgaç...
O ICMJE recomenda que o crédito deva ser dado com baseno preenchimento de três condições:1. Contribuição substancial na co...
• Pessoas que colaboraram com o estudo, mas cuja contribuição             não justifica autoria ou co-autoria, podem ser l...
Notamos que não é objetivo deste trabalho apresentar a evolução dasdiscussões do conceito de ciência ao longo do tempo e s...
Jornalismo Científico: divulgação de ciência e tecnologia              pelos meios de comunicação segundo o modo de produç...
O que almejamos com esta metáfora, portanto, é ressaltar aresponsabilidade da educação de modo geral, e em particular a ca...
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4. Resultados e discussões       Uma das raras vezes que o Jornal da Unicamp (JU) publicou sobre otema, ocorreu em sua edi...
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Folha de S.Paulo, domingo, 15 de março                     de 2009      +Marcelo Leite     Fraudes e fraudesHá incentivos ...
como Peili Gu, do Baylor College of Medicine, do Texas, outrocaso de PhotoShop. Ou como Mai Nguyen, que falsificou dadosde...
ciência? Porque, dentre as idéias ou ações geradas pelosdiversos grupos sociais, só algumas, “merecem” estaclassificação? ...
Como fruto da desejável interação entre os atoresdos distintos grupos, e também por sorte, interesse,afinidade, aptidão, o...
autor, felizmente (?) também é cientista e divulgadorcientífico.        Tal sugestão segue com a inclusão da palavrafelizm...
A escolha pela apresentação integral desse artigo, que evidencia nossointeresse particular pelo tema e daí a escolha para ...
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As imposturas envolvendo cientistas brasileiros que divulgam seusresultados em revistas internacionais consagradas, também...
da Cell e reclamou publicamente em reportagens e artigos que              saíram em meios de comunicação daqui e do exteri...
um mesmo programa jornalístico, enfatizou-se a questão dascompras de monografias.A monografia tem sido o "calcanhar de Aqu...
O que dá caráter científico a um trabalho é exatamente suafundamentação, que faz uso de uma metodologia própria depesquisa...
ou seja, não cumprem o papel educacional. Isso está claro, é sóvermos as condições em que alguns alunos saem "formados" de...
como o que se serve dela. Existem regras? Sim. Uma porção             delas, expressas nas portarias no MEC. Existe fiscal...
Segue ainda um artigo recentemente publicado, que trata da imposturade um cientista, mas de um egípcio.                   ...
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ou ii) cujos autores não são populares ou referidos nos meios por nósselecionados, de onde copiamos o que segue por servir...
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da Monarquia. Educador, esteve ligado à Poli por 25 anos. Seu              desejo era introduzir no Brasil um ensino técni...
5. Considerações Finais       Ainda que sem autoridade para concluir sobre “estado da arte” dosfatores que motivam a produ...
7. Bibliografia complementar citadaBueno, W. C. Jornalismo Científico no Brasil: aspectos teóricos e práticos.São Paulo, C...
Olson, J. C. Newton and Copernicus. In: The Comic Strip as a Medium forPromoting Science Literacy. California State Univer...
8. AnexosANEXO 1  No final do ano de 2009, o Presidente da Society Industrial AppliedMathematics - SIAM, em carta à essa c...
ANEXO 1.1       SIAM NEWS       Integrity Under Attack: The State of Scholarly Publishing       December 4, 2009       Tal...
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  1. 1. Recomendações Éticas para a Produção e Divulgação Científica Mariangela Amendola 1
  2. 2. Mariângela Amendola Profa. Dra. Matemática Aplicada e Computação Científica Faculdade de Engenharia Agrícola - FEAGRI Universidade Estadual de Campinas - UNICAMPRecomendações Éticas para a Produção e Divulgação Científica 28 de Junho de 2010 2
  3. 3. Mariângela Amendola Profa. Dra. Matemática Aplicada e Computação Científica Faculdade de Engenharia Agrícola - FEAGRI Universidade Estadual de Campinas - UNICAMPRecomendações Éticas para a Produção e Divulgação Científica Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-graduação em Jornalismo Científico Laboratório de Jornalismo - LABJOR Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP 28 de Junho de 2010 3
  4. 4. Agradecimentos Agradeço aos professores Amarildo, Conceição, Cristiane, Geraldo,Graça, Herton, Lea e Simone, pela inclusão e discussão do tema nasdisciplinas desse curso; aos membros dos grupos de alunos dos trabalhosdessas disciplinas, pelas discussões ao longo da elaboração dos trabalhos quecontemplaram o tema; ao LNCC, pelas oportunidades de apresentar palestrassobre o tema em seus eventos; a FEAGRI, pela autorização para a minhaparticipação no curso; à minha mãe, minha babá Maria Dondon, aos amigos(as): André, Cesare, Gi, Haroldo, Lala, Luci, Marina, Marlene, Rô, Rodolfo,Sandramalta, Sonia, Valéria e Willinha, pelo incentivo nessa minha atuação(“a esta altura da vida!” ou “para quê?” - disseram os outros). 4
  5. 5. As Coisas (Arnaldo Antunes)As coisas têm pesoMassa, volume, tamanhoTempo, forma, corPosição, textura, duraçãoDensidade, cheiro, valorConsistência, profundidadeContorno, temperaturaFunção, aparência, preçoDestino, idade, sentidoAs coisas não têm pazAs coisas não têm pazAs coisas não têm pazAs coisas não têm pazAs coisas têm pesoMassa, volume, tamanhoTempo, forma, corPosição, textura, duraçãoDensidade, cheiro, valorConsistência, profundidadeContorno, temperaturaFunção, aparência, preçoDestino, idade, sentidoAs coisas não têm pazAs coisas não têm pazAs coisas não têm pazAs coisas não têm paz 5
  6. 6. ResumoEste trabalho mostra os resultados da análise da compilação de artigosreferentes a conduta ética na produção e divulgação científica, que revelamargumentos que servem de suporte para a implementação de um conjunto derecomendações para a prática científica nas universidades e institutos depesquisa do Brasil. Tal compilação se deu pela leitura de artigos científicos einformes relacionados ao tema com os quais nos deparamos a partir de meadosde 2003, seguiu sendo complementada desta mesma forma até o início de2009 e, desde então, de forma particular a partir das discussões do tema nasdiversas disciplinas do curso de Jornalismo Científico do LABJOR /UNICAMP. Os resultados obtidos, que já serviram para palestras por nósministradas em eventos científicos nacionais, bem como para oencaminhamento de sugestões para sociedades científicas, unidades daUNICAMP e jornalistas científicos, revelam que o tema, em geral, não vemsendo discutido e/ou divulgado nas universidades e institutos de pesquisa doBrasil. Essa revelação justifica esse trabalho, cujos resultados levam àrecomendação de que parte da responsabilidade de todo cientista seja garantirque os seus alunos e orientados recebam educação crítica que contempleconceitos e procedimentos éticos tanto para a produção quanto para adivulgação científica de seus resultados. De forma complementarrecomendamos que as sociedades científicas brasileiras disponham derepresentantes de sua comunidade para este fim e que jornalistas científicosconsiderem essas recomendações. A partir da implementação dessasrecomendações, sugerimos que as universidades e instituições de pesquisa doBrasil estabeleçam regras para a punição dos envolvidos nos distintos tipos deimposturas, a exemplo do que vem sendo feito em outros países.Palavras-chave: ética na produção científica, ética na divulgação científica, orientaçõespara a prática científica 6
  7. 7. Sumário 1. Introdução 08 2. Objetivo 11 3. Material e métodos 11 4. Resultados e discussões 20 5. Considerações finais 50 6. Trabalhos futuros 50 7. Bibliografia complementar citada 51 8. Anexos 53 7
  8. 8. 1. Introdução A produção do conhecimento em áreas científicas denominadas“ciências duras”, como a matemática de nosso domínio, segue uma orientaçãopré-estabelecida que traduz o que se entende por método científico. Mas o método científico não é o único fator que serve de orientaçãopara a produção científica destas e de outras áreas que se servem de seusresultados, em particular nas universidades aonde os atuais critérios deavaliação dos cientistas (professores ou alunos que fazem ciência), vemrevelando outro tipo de orientação: a “motivação” extraordinária, no sentidode fora de ordem, para a divulgação de resultados por meio de publicações epatentes. A observação sobre a referida motivação tem sido alvo de discussão emvárias esferas de decisões brasileiras, que vão de reuniões universitárias locaisa congressos nacionais, como a recente 4a Conferência Nacional de Ciência,Tecnologia e Inovação, realizada em Brasília, de 24 a 28 de maio de 2010(www.cgee.org.br/cncti4), cujas conclusões vem sendo divulgadas não só nosmeios científicos como em outros meios sociais, e nem sempre acompanhadasde argumentos que revelam o que está em jogo, principalmente para essesúltimos. Neste contexto, Mário Novello, físico do Centro Brasileiro de PesquisasFísicas, Rio de Janeiro, em entrevista a Ricardo Mioto, da Folha de S. Paulo,em 30 de maio de 2010, disse: “a razão pela qual Newton fazia aquilo não tinha nada ver com a razão pela qual um bolsista faz as coisas hoje em dia”. Entretanto em sua fala, Novello não incorpora, ao lado do bolsista, seuorientador (um pesquisador já consagrado), nem alinhava comentários sobre aprodução científica dos pesquisadores das universidades brasileiras em geralque, no sentido darwiniano, não é comparável à de Newton, e assim, nãoincorpora, também deste lado, o mesmo orientador. Refletir sobre os diversos fatores que motivam os cientistas a fazerem oque fazem nas universidades, portanto, se mostra relevante e atemporal. 8
  9. 9. Sobre esses fatores, anotamos o que comentou o professor MarcioBarreto, da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual deCampinas, em palestra realizada aos estudantes do curso de J. C. da mesmauniversidade, em 17 de maio de 2010: “Esses critérios (de avaliação dos cientistas) são válidos desde que não assumam um caráter absoluto, tal como é a tendência atual. É preciso tê-los como parte da avaliação, mas há outras formas quantitativas e principalmente qualitativas que devem ser colocadas em pé de igualdade com os atuais indicativos. Além disso, o que os cientistas fazem, não é adequadamente divulgado, apesar de ter implicações sociais e políticas para a sociedade como um todo”. Essa afirmação chama atenção para um outro fator que, com rarasexceções, não pertence ao cotidiano dos cientistas, e cuja responsabilidadepode ser atribuída não só a quem produz ciência, como também, aos quedivulgam ciência: quando não os próprios cientistas, os profissionaisdesignados para esse fim. Se, com relação a esse fator capaz de revelar implicações (e benefícios!)para a sociedade, não há nenhuma regra brasileira em vigor (ver PesquisaFAPESP no 164 ou www.pesquisafapesp.br), a adequação da divulgação, emgeral, pode ser remetida à educação brasileira. É o que afirma o escritor MarioPrata que, em entrevista ao Caderno C do jornal Correio Popular em 27 demaio de 2010, ao ser questionado sobre ser a falta de tempo a responsabilidadepela má qualidade dos textos da imprensa, ainda que se referindo à imprensade modo geral, respondeu: “Também, mas não só. O problema é o ensino no Brasil, que é péssimo. O nível é baixo demais”. Um pouco mais otimista, entretanto, e referindo-se a divulgaçãoespecializada, informou Mariluce Moura, editora chefe da Revista FAPESP,em palestra realizada aos estudantes do curso de J. C. da UNICAMP, em 07de junho de 2010: “os jornalistas de ciência (do Brasil) tem feito esforços consideráveis para melhorar conhecimentos e atuação, incluindo atualização com as novas ferramentas de divulgação 9
  10. 10. oriundas da Internet, mas mostra-se necessária a formação contínua em jornalismo científico”. Essa informação de alguma forma, senão da mesma, remete à educaçãoa referida adequação da divulgação, mesmo que não atribuindo somente aodivulgador e sim também aos cientistas a responsabilidade pela divulgaçãocientífica de boa qualidade. A educação no sentido amplo, portanto, é a única força capaz de vencero jogo de fatores relacionados à motivação para a produção e a divulgaçãocientífica, no sentido de ser capaz de formar adequadamente profissionais,cientistas e/ou divulgadores científicos. Nesse sentido, mostra-se relevante questionar a responsabilidade detodo cientista, como afirmou a pesquisadora Cecília Nunes, do InstitutoNacional de Pesquisas da Amazônia, durante o II Congresso Fluminense deIniciação Científica e Tecnológica da Universidade Estadual do NorteFluminense, encerrado em 10 de junho de 2010: “É preciso que todos aqueles que fazem ciência - inclusive os estudantes de iniciação científica - tenham uma visão crítica da sociedade”. Essas considerações, também contempladas no trabalho da disciplinaSeminários de Ciência e Cultura (ES 655) do curso de Jornalismo Científico(J. C.), justificam o trabalho que segue. 10
  11. 11. 2. Objetivo O objetivo geral é mostrar os resultados da análise da compilação deartigos referentes à conduta ética na produção e divulgação científica, pararevelar argumentos que sirvam de suporte para a implementação de umconjunto de recomendações para a prática científica nas universidades einstitutos de pesquisa do Brasil. Os objetivos específicos são estabelecidos de acordo com as descriçõesdo material e do método usados que seguem.3. Material e método Este trabalho usa como material a compilação de artigos e informesrelacionados ao tema focado, não pela pesquisa bibliográfica -usual emtrabalhos acadêmicos-, mas porque foram os artigos com os quais casualmentenos deparamos a partir de meados de 2003 (ocasião de interesse particular).Tal compilação seguiu da mesma forma até o início de 2009, ora porquedispostos na mídia especializada, como o Jornal da UNICAMP, a RevistaFAPESP e o Jornal Folha de S. Paulo, e ora porque enviados por colegas quesabem do nosso interesse no tema. Além disso, usa o que foi compilado deforma particular após 2009 a partir: i) das discussões do tema por nóspersistentemente inseridas nas diversas disciplinas do curso de J. C. daUNICAMP; ii) dos trabalhos apresentados nessas disciplinas (individuais oudos grupos dos quais fizemos parte); iii) de artigos internacionais dispostos emblogs; iv) das palestras por nós ministradas em eventos científicos promovidospelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/MCT) nos anosde 2009 e 2010; v) do retorno (ou não) de nossa sugestão da mesma discussãojunto a Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional –SBMAC e a Faculdade de Engenharia Agrícola - FEAGRI/UNICAMP. Observamos que, apesar da total pertinência ao tema, não fazemos usodo que buscamos de forma orientada e em livros, como: i) Sokal e Bricmont(2001) - físicos que abriram o debate sobre os parâmetros de rigor intelectual ehonestidade, e ii) Pracontal (2004) - matemático e especialista em divulgaçãocientífica que discorre sobre os vários tipos de imposturas científicas,apontando meios para identificá-las. 11
  12. 12. O método de análise é a identificação de artigos referentes ao tema queressaltam os conceitos de ética, ciência e divulgação científica comoespecificados no que segue.Ética Fonte: www.nature.com/nature/journal/v451/n7177/full/451397a O conceito de ética focado neste trabalho refere-se não àquele associadoàs pesquisas que envolvem seres humanos no sentido de os mesmos seremparte da experimentação, posto que para essas há regulamentação estabelecidae disponibilizada (e.g. Diniz et al, 2008), e sim ao associado às pesquisas queenvolvem seres humanos no sentido de os mesmos serem consumidores doque se produz e/ou se divulga como científico nas diversas áreas deconhecimento. Para discussões aprofundadas sobre o conceito de ética e sua evoluçãotemporal remetemos à leitura especializada (e.g. Srour, 1998; Bursztyn, 2001).E, para os propósitos desse trabalho, no que tange a ética na produção edivulgação científica, consideramos especialmente as imposturas científicasreferentes ao plágio e autoria em publicações de revistas especializadas, sob oponto de vista do que consta em Monteiro et al (2004)- divulgado na RevistaFAPESP de abril de 2005. A despeito de terem sido elaborados para a área médica de acordo como International Committee of Medical Journals Editors (ICMJE), os critériosde autoria defendidos por Monteiro et al (2004) servem para quaisquer outrasáreas de conhecimento e, portanto, seguem copiados. 12
  13. 13. O ICMJE recomenda que o crédito deva ser dado com baseno preenchimento de três condições:1. Contribuição substancial na concepção e planejamento, ouaquisição de dados, ou análise e interpretação de dados;2. Redação e elaboração do artigo ou revisão intelectual críticadeste;3. Aprovação da versão final a ser publicada. O ICMJE recomenda, ainda, que em estudos multicêntricoscom grande número de participantes, o grupo deverá identificaros indivíduos que aceitam a responsabilidade direta pelomanuscrito. Além disso, o documento revisado pelo ICMJE ratificaque:• Obtenção de financiamento, coleta de dados ou supervisãogeral de um grupo de pesquisa não são, por si só, critérios paraautoria ou co-autoria.• Todas as pessoas designadas como autoras ou co-autorasdeverão qualificar-se, e todas qualificadas deverão ser listadas.• Cada autor ou co-autor deverá ter participado suficientementedo trabalho para ter responsabilidade pública sobre segmentosapropriados do conteúdo.• A ordem dos autores e co-autores será decidida pelo grupo quedeverá estar apto a explicá-la. Quanto à seção Agradecimentos, o ICMJE sugere:• Outras pessoas que tenham dado contribuições substanciais ediretas para o trabalho, mas que não possam ser consideradasautores, podem ser citadas na seção Agradecimentos; sepossível, suas contribuições específicas devem ser descritas.Apoio financeiro também deverá ser mencionado nesta seção. 13
  14. 14. • Pessoas que colaboraram com o estudo, mas cuja contribuição não justifica autoria ou co-autoria, podem ser listadas nos Agradecimentos como “investigadores clínicos” ou “investigadores participantes”, seguidas da sua função ou contribuição, por exemplo, “coleta de dados”, “encaminhamento e cuidados aos pacientes do estudo”, etc. • Considerando-se que os leitores podem inferir que as pessoas listadas em agradecimentos endossam os resultados e conclusões, todas devem dar permissão por escrito para serem agradecidas.Ciência, Produção e Divulgação Científica Por um lado, sobre a questão o que é ciência, Morin (2008) afirma que amesma não tem resposta científica; “Científico aquilo que é reconhecido como tal pela maioria dos cientistas”. Desta forma, para efeitos do que nos propomos, tomamos o termociência como explicado por Nobel (2009): “Ciência é o termo usado para designar o conjunto de fatos e teorias que explicam esses fatos; tudo que é produzido por instituições que desenvolvam atividades científicas; e maneira particular de trabalhar reconhecida como método científico”. 14
  15. 15. Notamos que não é objetivo deste trabalho apresentar a evolução dasdiscussões do conceito de ciência ao longo do tempo e segundo os estudiososque se ocuparam disso, para o que remetemos, por exemplo, a Kuhn (1962)em particular, e à bibliografia da disciplina Estudos Sociais da Ciência eTecnologia (ES 695) do curso de J. C. da UNICAMP. Por outro lado, sobre a questão sobre o que é divulgação científica, nosapoiamos nas orientações de José Reis - pesquisador de renome internacionale pioneiro nacional em aliar a sua carreira científica ao trabalho de explicarciência de forma didática através da imprensa, o que se estabeleceu pelo queatualmente se entende por jornalismo científico e divulgação cientifica. Fonte: Olson, J. 2008 Para identificar os distintos meios de fazer circular informaçõescientíficas reconhecendo aqueles que o fazem no sentido de Reis, podem serconsideraras as especificações que constam em Bueno (1984): Difusão - todo e qualquer processo ou recurso utilizado para veicular informações científicas e tecnológicas em periódicos especializados, banco de dados, sistemas de informação acoplados aos institutos, páginas de C&T de jornais e revistas e programas de rádio e televisão dedicados à ciência. Disseminação - transmissão de pesquisa ou estudo do cientista para seus pares, por meio de revistas especializadas. Destina-se a especialistas da mesma área (intra-pares) ou de áreas distintas (extra-pares). Não pretende atingir o público leigo. Divulgação - pressupõe a transposição da linguagem especializada para a não-especializada, com intenção de tornar o conteúdo acessível ao público em geral. 15
  16. 16. Jornalismo Científico: divulgação de ciência e tecnologia pelos meios de comunicação segundo o modo de produção jornalística. Seu objetivo é promover a democratização do conhecimento para que os cidadãos entendam melhor o mundo. No que segue, entretanto, consideramos a expressão divulgaçãocientífica sem distinção aos limitantes dessas especificações, devido a difusãoe a disseminação serem, no presente contexto, as fontes geradoras para adivulgação científica e o jornalismo científico, como explicado nas disciplinasOficina de J. C. I (ES 616) e Oficina de J. C. II (ES 696) do curso de J. C..Sendo assim, atenção especial será dada à divulgação científica realizadapelos que produzem ciência.Educação Tendo em vista as considerações da introdução desse trabalho, queremetem à educação os questionamentos apontados no tema, consideramos afigura que segue (Aquarela de Debret), para exemplificar que a diversidade deinterpretações diante de um objeto, um texto, uma ação, um tema, uma reação,um resultado, um fenômeno ou uma imagem, é dependente do conhecimentoque o indivíduo domina ao se deparar com o mesmo. Esta figura vem sendo usada nas aulas de Cálculo Numérico (FA 374)sob nossa responsabilidade na Faculdade de Engenharia AgrícolaFEAGRI/UNICAMP, a qual, por nossa sugestão, serviu para discussões nadisciplina Linguagem (ES 476) desse curso de J. C., ocasião que gerou frutosmais bem fundamentados pela teoria de Análise do Discurso, comobrilhantemente desenvolvido pela professora responsável. No caso do uso dessa figura em FA 374, a finalidade é mostrarargumentos para o aprendizado das novas técnicas matemáticas ensinadas namesma, cujos alunos, oriundos do ciclo básico, persistentemente se mostramdesacreditados da aplicabilidade de mais uma disciplina de matemática emsuas vidas profissionais futuras, sem ter noção do que nela vão aprender. E aestratégia usada passa, da sugestão de alguns minutos para a contemplação ebusca de erros da aquarela para, em seguida, revelar o mistério tentandoconvencê-los de nossos argumentos uma vez que o erro foi apontado somenteem 1994, e porque um aluno de engenharia mecânica -a origem do erro estáno mecanismo retratado. 16
  17. 17. O que almejamos com esta metáfora, portanto, é ressaltar aresponsabilidade da educação de modo geral, e em particular a caracterizada“como crítica que contemple conceitos e procedimentos éticos tanto para aprodução quanto para a divulgação científica”, no sentido de que, se nada forensinado e, portanto, conhecido sobre esses conceitos e procedimentos, nadapoderá ser cobrado, e a tendência será a de perpetuação da crítica, nessesentido, afirmada. Neste contexto ressaltamos o que consta em Diniz (2008, p.362): “A incorporação de valores e a aquisição de competência ética são processos que exigem reflexão e devem ser iniciados já nas primeiras etapas da formação profissional. A utilização de metodologias ativas de ensino-aprendizagem pode contribuir para a capacitação dos futuros pesquisadores e prepará-los para enfrentar e minimizar possíveis conflitos de interesse no cotidiano da prática científica”. 17
  18. 18. Outras Considerações Para delimitar a compilação de artigos para a análise das questões éticasrelacionadas à produção ou divulgação científica, reconhecemos a atuação dosseguintes atores inter relacionados: i) responsáveis de instituições e órgãos de fomento a pesquisa; ii) cientistas; iii) divulgadores científicos; e iv) cidadãos e o meio ambientedentre os quais selecionamos: ii) e iii), posto que i) e iv), ainda que mostremrelações com os itens selecionados, são amplamente discutidos nas disciplinasCiência, Tecnologia e Sociedade (ES 644), Políticas Públicas e Sociedade (ES617), e Instituições e Políticas de C&T (ES 656) do curso de J. C., os quaiscontemplam vasta bibliografia. Desta forma, os cientistas e os divulgadores científicos, em particular ospróprios cientistas - como já especificamos, cujas atuações também já foramdiscutidas, ainda que com outro enfoque, nas disciplinas Fontes de Informaçãoem Ciência e Tecnologia (ES 646) e Oficina de J. C. II (ES 696),respectivamente, são os atores passíveis da análise em questão. Ainda, no que se refere a percepção pública dos cientistas, tomamoscomo referencial o que consta em Vogt e Polino (2003), onde, dentre outrasconclusões se encontra a obtida a partir do Gráfico 1, que segue comentadapelos autores: “À margens das interpretações que se poderiam fazer sobre a diferença entre os dois grupos de países, o conjunto de dados evidencia um tipo de público que parece sentir que a motivação dos cientistas e as funções positivas da ciência não são suficientes para a tomada de decisões políticas. Isto reflete uma posição de alta racionalidade na dinâmica da política científica, no sentido de que a qualidade de especialista não leva, necessariamente, à racionalidade das decisões políticas”. 18
  19. 19. Gráfico 1. Além disso, apontamos como complementar a observação, divulgadapelo comentarista Arnaldo Jabor na Rede Globo de Televisão, na ocasião doterremoto do Haiti ocorrido em janeiro de 2010, que, após citar pesquisas deponta que vem sendo realizas e divulgadas (Jabor, 2010), ressaltou: “...e a miséria brutal sendo ignorada pela ciência e tecnologia”. As conclusões de Vogt e Polino e a observação complementar de Jaborcaracterizam fatores da atuação dos cientistas que requerem atenção,principalmente se alinhadas com a afirmação de Oliveira (2002), especialistaem divulgação científica: “O direito à informação por si só justificaria a essência de divulgar C&T para o grande público como forma de socialização do conhecimento. (...) Além disso, a maior parte dos investimentos em C&T é oriunda dos cofres públicos, ou seja, da própria sociedade para quem deve retornar os benefícios resultantes de tais investimentos”. Do que foi estabelecido até então, fica evidente o fio condutor seguidopara atingir os objetivos propostos nesse trabalho. Sendo assim, no que seguesão apresentados os apontamentos, se não da maioria mantida em arquivo, dosprincipais artigos compilados, que seguem ora na íntegra e ora em partes deacordo com o que queremos ressaltar e apontar do conteúdo dos mesmos. 19
  20. 20. 4. Resultados e discussões Uma das raras vezes que o Jornal da Unicamp (JU) publicou sobre otema, ocorreu em sua edição de agosto de 2003, onde se encontra o artigo“Códigos de Conduta em Física”, em que o professor Marcelo Knobel, doInstituto de Física da UNICAMP, comentou sobre o então atual (2002) códigoda Sociedade Brasileira de Física, de qual conclusão emprestamos a afirmaçãosobre a responsabilidade de todo cientista: “... Além disso, o novo código inclui uma clara sugestão de que ética deve ser parte integrante da educação do Físico, indicando que é parte integrante da responsabilidade de todo cientista que seus estudantes recebam treinamento específico em ética profissional. ... Está lançada a discussão...” Desde então não encontramos mais nenhum artigo sobre o tema no JU,mas, posteriormente, tomamos conhecimento de uma reportagem divulgadaem uma edição de novembro de 1993 do jornal Folha de S. Paulo, sobre aocorrência de um caso de plágio na Faculdade de Engenharia de Alimentos -FEA/UNICAMP (p.21). Observamos que esse jornal (Folha de S. Paulo), publica com algumafrequencia artigos referentes à atuação dos cientistas e dos divulgadorescientíficos, apresentando não somente os resultados de pesquisas de pontacomo também críticas sobre a importância dessas pesquisas, denúncias deimposturas científicas como o plágio, interpretações de resultados de formaadequada ao público em geral, sendo grande parte de autoria dos jornalistascientíficos Marcelo Gleiser e Marcelo Leite, sendo deste último o livro“Ciência: use com cuidado” Leite (2008). Dentre esses e os que seguiram após2008, selecionamos o que antecedeu o início do primeiro semestre do curso deJ. C., em 16 de abril de 2009, e sobre o qual, no fim do mesmo semestre,apresentamos o trabalho de ES 695. O artigo e o trabalho são apresentados naintegra (p.22-23 e p.23-26). 20
  21. 21. 21
  22. 22. Folha de S.Paulo, domingo, 15 de março de 2009 +Marcelo Leite Fraudes e fraudesHá incentivos demais paraobter resultados e publicarrápidoPor que os cientistas cometem falsificações? Será que o númerode fraudes em pesquisa está aumentando? São perguntas difíceisde responder. Fabricar ou adulterar dados é a mais completanegação da ética científica (e jornalística, aliás). Veracidade,mais até do que fidedignidade e precisão, constitui a pedraangular da ciência. No dia em que não for mais possível confiarnas informações de artigos de pesquisa enviados parapublicação num periódico científico, o alicerce da ciência estaráarruinado. Há muita gente convencida de que a quantidade decontrafações está, sim, em expansão. Gente como HoraceFreeland Judson, que aprendi a admirar depois de ler seumonumental "The Eighth Day of Creation" (O Oitavo Dia daCriação, monumental história da biologia molecular, de 1978,até hoje sem edição em português). Em outro livro, "The GreatBetrayal" (A Grande Traição), de 2004, Judson traça umpanorama sombrio da pesquisa contemporânea. Há incentivosdemais para obter resultados e publicar, rápido. Jovenspesquisadores competitivos e supervisores lenientes, na suaavaliação, compõem a mistura corrosiva que solapa asfundações do edifício científico. Essa parece ser a raiz maiscomum da falsificação, fonte das dezenas de casos noticiados acada ano. Poucos se tornam notícia de primeira página, como osfalsos clones humanos do sul-coreano Woo-Suk Hwang. Nãomerecem manchetes doutorandos ou pós-doutorandos ávidospor resultados que os mantenham no páreo por bolsas eposições no laboratório. Vários são estudantes estrangeiros,como Nima Afshar, da Universidade da Califórnia em SãoFrancisco, que adulterou imagens de chips de DNA para fazeraparecerem os efeitos esperados com culturas de leveduras. Ou 22
  23. 23. como Peili Gu, do Baylor College of Medicine, do Texas, outrocaso de PhotoShop. Ou como Mai Nguyen, que falsificou dadosde estudo sobre câncer -todos casos pescados na newsletter"The Scientist". Há ocorrências muito mais graves, porém, porafetar milhares de pessoas. Um caso recente é o de ScottReuben, respeitado anestesiologista de Massachusetts, nosEstados Unidos, acusado de falsificações em 21 artigos,segundo noticiou "The Scientist" na quarta-feira. Essestrabalhos ajudaram a estabelecer o estado-da-arte em analgesiamultimodal, uso combinado de medicamentos para tratar dorpós-operatória. Parece inacreditável que alguém fabriqueresultados cuja falsidade pode levar as pessoas a sentirem maisdor, mas acontece. Por essas e por outras é que não se deveconfiar cegamente nos cientistas (nem nos jornalistas), aindaque a maioria seja veraz. Nada se compara em matéria de danosocial, contudo, a Andrew Wakefield. Ele é o autor de um artigode 1998 no respeitado periódico médico "The Lancet" tidocomo o iniciador da popular hipótese de que o autismo écausado pela vacina MMR (contra sarampo, caxumba erubéola). A taxa de vacinação britânica caiu de 92% para menosde 80%, desde então. Os casos de sarampo passaram de 56 em1998 para 1.348 em 2008, com duas mortes. O jornal "TheSunday Times" noticiou em 8 de fevereiro que Wakefield teriaalterado dados sobre pelo menos 11 das 12 crianças descritas noestudo. Tudo, claro, para reforçar o suposto vínculo entre oautismo e a vacina -coisa de que muitos pais brasileirosdesinformados e irresponsáveis se acham convencidos, adespeito do que lhes dizem os médicos. ES 695- J. C. LABJOR/UNICAMP Junho de 2009 Aluna: Mariangela Amendola O que motiva a produção científica? Antes de tentar argumentar para a elaboração de qualquer resposta sobre a questão proposta como título deste ensaio, apontamos que a mesma faz parte de um conjunto de questões relacionadas, dentre as quais: O que é 23
  24. 24. ciência? Porque, dentre as idéias ou ações geradas pelosdiversos grupos sociais, só algumas, “merecem” estaclassificação? Onde estão e como se relacionam os atoressociais que produzem e/ou divulgam ciência? Por quemesses atores são reconhecidos como tais e como serelacionam entre si e com os demais atores sociais? No queestas produções ou divulgações influenciam as decisões depolíticas públicas? Quem produz e/ou divulga ciência, ofaz com qual finalidade, interesse e autonomia? Quem estápreocupado com estas questões e as correspondentesrespostas? E porque? Ainda que formular e buscar respostas a esteconjunto de questões pareça não pertencer ao cotidianointelectual da maioria dos indivíduos da sociedade que nãosão de grupos específicos de estudiosos sociais, o mesmonão acontece no cotidiano existencial dos primeiros. Esta afirmação se justifica porque, ao longo da vida,todos os indivíduos são submetidos a regras que regem osdiversos grupos sociais aos quais pertencem, dentre outrosa família, a comunidade vizinha, a escola, o local detrabalho, a cidade e o país, que, embora temporal eaparentemente em equilíbrio, por serem passíveis deinterações, experimentam uma dinâmica. Assim, enquantoa análise desta dinâmica permanece com destaque naatuação dos referidos grupos de estudiosos, tanto estes,bem como todos os atores dos demais grupos sociaisnecessitam se ocupar com a geração de meios capazes degarantir sua cidadania e sobrevivência, o que se dá,geralmente, quando da busca pela especialidadeprofissional. Ressalta-se que há outros grupos específicos:o dos que se ocupam com a descoberta ou a invenção, odesenvolvimento e a implementação ou a inovação demeios para melhorar a qualidade de vida dos indivíduos,como fazem, dentre outros, os especialistas das áreas desaúde e de educação; os dentre esses que o fazem segundometodologias sujeitas a comprovação teórico-experimental;e outro, que não exclui os primeiros, dos que se ocupampela divulgação dos meios então desenvolvidos. 24
  25. 25. Como fruto da desejável interação entre os atoresdos distintos grupos, e também por sorte, interesse,afinidade, aptidão, ou empenho, todos poderiam acumularum nível mínimo do conhecimento gerado das diversasatuações: o nível capaz de revelar a aptidão para questionaras causas que levam ao estabelecimento, ajuste outransformação das referidas regras, para então, poderemdesfrutar, se adequar ou adequar as regras. Nota-se queassociado ao conceito de regras se encontra o conjunto decrenças, paradigmas ou enigmas que revelam oconhecimento construído, ainda que temporal, capaz delevar à interpretação individual do que constitui a naturezae os indivíduos. Entretanto, tais regras bem como, e principalmente,os objetivos da ocupação dos grupos ressaltados, nemsempre são genuínos ou conhecidos, o que pode levar nãoa melhorias e sim a desastres na qualidade de vida dosindivíduos, em especial aos menos favorecidos deeducação. É neste sentido que se pode reconhecer a pertinênciada questão proposta como título deste ensaio, para a qualvoltamos à luz do que constou no artigo publicado na FSPde 15/3/2009 de Marcelo Leite [1], cujo título é “Fraudes efraudes”, e onde o autor discorre sobre fraudes científicas,sugere que “não se deve confiar cegamente em cientistas(nem em jornalistas)”, e por fim detalha os impactosdanosos gerados em 1998 pela divulgação de um artigoiniciador da hipótese de que o autismo é causado pelavacina contra sarampo, caxumba e rubéola, como umaforma de ressaltar o que explica a atual necessidade depublicação por certos grupos de cientistas. Observamos que, embora não haja estimativas sobrequantos são os indivíduos que são atraídos para este tipo dedivulgação, é razoável sugerir que, dentre os que têmcondições intelectuais e/ou oportunidade para a leitura, amaioria - agentes passivos do que é produzido e divulgadocomo científico-, se “assustaria” ao ler tal artigo, cujo 25
  26. 26. autor, felizmente (?) também é cientista e divulgadorcientífico. Tal sugestão segue com a inclusão da palavrafelizmente porque, independentemente de experiênciasindividuais ou sociais, os leitores: cientistas, jornalistas ouleigos, além de assustados, permaneceriam desconfortáveisna qualidade de cidadão não fosse o empenho do referidoautor tanto em apontar o que motiva certos cientistas aproduzirem e/ou a publicarem fraudes, quanto emapresentar dados comprovados sobre as conseqüênciassociais desastrosas deste tipo de produção / publicação.Mas este empenho, que por um lado convence o leitor deque não há o que justifique as fraudes, por outro, nãofornece elementos para que os mesmos sejam capazes deelaborar uma conclusão sobre a isenção daqueles, pois oautor não apresenta qualquer informação complementarsobre punições aos autores e/ou divulgadores de fraudes;daí a inclusão da interrogação após a palavra felizmente:uma estratégia de enfraquecê-la, mas não para desmerecera atuação do autor do artigo - exemplar na tentativa depromover aquelas interações desejáveis-, mas sim paraclamar por mais e mais efetivas interações, também juntoaos responsáveis pelos grupos sociais a que pertencem oscientistas. Os argumentos que levaram à inclusão dainterrogação foram tomados por mim, eu: cidadã, cientistae aprendiz de divulgadora científica, como mais umincentivo para a continuidade da busca de um referencialteórico capaz de garantir a futura prática da divulgaçãocientífica que contemple a minimização de qualquerdesconforto para todo tipo de cidadão. Neste sentido, podeser encontrar na disciplina “Estudos Sociais da Ciência eda Tecnologia” do curso de Jornalismo Científico doLABJOR/UNICAMP, dentre outras fontes de informaçãode estudiosos especializados, uma bibliografiafundamental. 26
  27. 27. A escolha pela apresentação integral desse artigo, que evidencia nossointeresse particular pelo tema e daí a escolha para o referido trabalho de nossaautoria, se deve ao fato do mesmo tornar público questionamentoscomparáveis às originadas de nossas inquietações frente a ocorrência dediversos casos de imposturas intelectuais que, lamentavelmente, só tomamosconhecimento e/ou divulgamos de maneira informal, as quais, em geral nãolevaram à quaisquer punições dos envolvidos. De outra forma, a Revista FAPESP, que somente recente, tímida eocasionalmente divulga informações relacionadas a desvios de conduta quelevaram à punição dos envolvidos, mas não foi encontrado nenhumenvolvendo cientistas ou divulgadores brasileiros. Os demais artigos relacionados ao tema que foram divulgados tantopelo jornal Folha de S. Paulo de modo geral, quanto pela Revista FAPESP,seguem intercalados e em uma certa ordem que não é cronológica.Observamos que não acompanhamos os casos relatados. O que segue foi selecionado porque foi publicado coincidentemente naépoca em que preparávamos a primeira palestra sobre o tema de questõeséticas para ser apresentada à comunidade do LNCC/MCT. Folha de S. Paulo - 17/11/2009 Trabalho de reitora da USP é acusado de outro plágio Trabalho assinado pela reitora Suely Vilela e outros pesquisadores da USP que já estava sob suspeita por plágio é acusado agora de copiar mais dados. ... Assim como na primeira denúncia, a suspeita é que eles tenham utilizado no artigo sob suspeita mais trechos de estudos de um grupo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) sem informar o crédito. ... Esta ocorrência lembrou-nos de outros dois artigos de nossos arquivos,sobre a acusação de plágio na USP e a sobre a cópia de trechos sem a devidareferência bibliográfica: 27
  28. 28. Folha de S. Paulo 29/06/2007 Físicos da USP acusam chefe do Instituto de Física de plágio Uma acusação de plágio que envolve artigos científicos assinados pelo diretor do IF (Instituto de Física), da Universidade de São Paulo, Alejandro Szanto de Toledo, abriu ontem uma crise entre os professores da entidade. A denúncia, que circula internamente entre um grupo de físicos desde abril, aponta entre os artigos plagiados dois trabalhos do professor Mahir Hussein, da própria usp, recém-aposentado. Folha de S. Paulo - 09/2008 Marcelo Leite - Vergonha na USP Todo contribuinte que sustenta a USP deve preocupar-se com o modo como o caso de plágio foi tratado pela reitoria A Universidade de São Paulo, maior e melhor instituição pública de pesquisa e ensino superior do Brasil, faz 75 anos em 2009. Quando ela ainda tinha 45 anos, formei-me em jornalismo na sua Escola de Comunicações e Artes, mas prossegui como aluno de filosofia (estudo que, infelizmente, nunca concluí). ... Hoje me pergunto se ainda devo ter orgulho de ser ex-aluno da USP. No centro da preocupação com minha "alma mater" (mãe nutridora), como dizem os norte-americanos e os britânicos, está o caso de plágio em seu Instituto de Física. Não pelo caso em si, que é menor, mesquinho mesmo. Briga de comadres por migalhas de micropoder institucional. Nem vem ao caso quem acusa quem, só que professores titulares admitem copiar trechos de artigos científicos de outros sem a devida referência bibliográfica. Ainda do ano de 2009, encontramos ainda outros três exemplos deimpostura científica, sendo duas ocorrências brasileiras, uma compossibilidade de retratação e outra sem qualquer conseqüência, e uma acoreana com indicativo de punição: 28
  29. 29. Folha de S. Paulo - 07/05/2009Periódico científico publica dois estudos plagiados naíntegraUm caso de plágio envolvendo dois estudos publicados noperiódico científico "Revista Analytica" surpreendeu os autoresdos artigos originais. Publicados em 2007, os dois trabalhoseram cópias de artigos anteriores da primeira à última palavra,com alterações apenas nos títulos. A revista "Química Nova",da SBQ (Sociedade Brasileira de Química), que havia publicadoos estudos originais, negocia agora uma forma de retratação(anulação) dos plágios. Um dos artigos, um estudo quedescrevia um novo método para controle de qualidade decachaça, foi copiado do grupo do químico Ivo Küchler,professor da UFF (Universidade Federal Fluminense). Folha de S. Paulo - 10/07/2009Unicamp diz que Dilma cursou mestrado, mas não oterminouA Unicamp informou por meio de nota que a ministra DilmaRousseff (Casa Civil) foi aluna dos programas de mestrado edoutorado da universidade mas não concluiu a elaboração e adefesa de teses nos cursos -necessários para a obtenção dostítulos de mestre e doutor. A Unicamp havia informado queDilma não havia sido nem mesmo aluna do mestrado, masretificou o dado....O currículo da ministra na Plataforma Lattes - base de dadosacadêmicos do CNPq (Conselho Nacional de DesenvolvimentoCientífico e Tecnológico)- indicava que ela havia preparado edefendido a tese de mestrado. Após a revista "Piauí" destemês ter indicado o erro, Dilma admitiu o equívoco e disse quenão preparou a tese em virtude do trabalho em cargos públicos. Folha de S. Paulo - 25/08/2009Promotoria pede cadeia para coreano que fraudou pesquisaPromotores da Coreia do Sul pediram ontem uma pena dequatro anos de prisão para o cientista que caiu em desgraça apósum escândalo envolvendo clonagem em 2005. Hwang Woo-suk, que publicou artigos fraudados na revista "Science" sobre 29
  30. 30. clonagem humana, é acusado de desvio de verba pública, prevaricação e compra ilegal de óvulos para sua pesquisa. Todas as acusações relacionadas às denúncias de fraude. Um promotor disse que Hwang manchou a imagem da Coreia do Sul no exterior e que merecia punição exemplar. Hwang pediu clemência. O caso será julgado no dia 19 de outubro. Seguem mais outros exemplos de outro tipo de impostura, ocorridas emanos distintos, sendo uma envolvendo estudantes de pós-graduação brasileiroscujas conseqüências não encontramos, outra envolvendo um cientista japonêsque acabou sendo preso, e ainda outra mais antiga, relacionando vários casosde punições a cientistas japoneses. Folha de S. Paulo–19/08/2007 União cobra R$ 54 milhões de ex-bolsistas Doutorandos receberam ajuda para estudar no exterior e não teriam cumprido as exigências ou abandonado estudos Supostas irregularidades vão de falsificação de diplomas a descumprimento de acordo para permanecer no Brasil com o fim da pós-graduação. Desde 2002, o governo federal pediu a devolução de cerca de R$ 54 milhões que ex-bolsistas de doutorado favorecidos por ajuda oficial teriam recebido de forma irregular. O levantamento da CGU (Controladoria Geral da União) envolve a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e o CNPq (Conselho Nacional de desenvolvimento Científico e Tecnológico) -principais fomentadores do benefício. Os motivos dos processos variam de irregularidades como o abandono dos estudos até a falsificação de documentos Pesquisa FAPESP – 10/1009 Desvio e embaraço Um cientista japonês conhecido por seu trabalho com supramoléculas foi preso sob a acusação de desviar fundos de pesquisa. Tatsuo Wada, retido no dia 8 de setembro, trabalha no Instituto de Ciência Avançada em Wako, que integra uma rede 30
  31. 31. de laboratórios de pesquisa conhecida como Riken. O casocausa embaraços para a Riken, que recebe um generosoorçamento anual de US$ 1 bilhão e, em 92 anos de existência,jamais enfrentou um escândalo dessa dimensão. “Vamos lançarmão de medidas de precaução e redobrar nossa vigilância paraque o instituto possa atender às expectativas da população”,desculpou-se o presidente da Riken, Ryoji Noyori, segundo arevista Nature. Tatsuo Wada é conhecido por criar sistemasorgânicos supramoleculares – conjunto de moléculas orgânicascuja forma, tamanho e orientação podem ser manipulados paratransmitir informações. A polícia de Tóquio o acusa detransferir 11 milhões de ienes por meio de ordens de pagamentofictícias. O dinheiro foi parar em contas da Akiba Sangyo,empresa que distribui material científico. O presidente daempresa, Etsuo Kato, também foi preso. Pesquisa FAPESP – 02/2007Punições exemplaresUma seqüência de punições a pesquisadores do Japão sugereque o governo e a comunidade científica do país deflagraramuma cruzada contra más condutas acadêmicas. Em dezembropassado, duas importantes universidades demitiram cientistasque publicaram artigos questionados e uma professora demitiu-se de uma terceira instituição, acusada de desvio de recursos.A Universidade de Osaka anunciou a demissão de um de seusmembros por haver fabricado dados de uma pesquisa. Segundojornais japoneses, trata-se do químico Akio Sugino, co-autor deum estudo publicado em julho no Journal of BiologicalChemistry. Segundo a revista Science, um comitê internoconcluiu que Sugino agiu sozinho. Mas, em meio ao escândalo,um outro co-autor do artigo cometeu suicídio. Umainvestigação promovida pela Universidade Waseda, em Tóquio,concluiu que uma professora desviou para sua conta particularrecursos públicos destinados a bolsistas. Kazuko Matsumoto, aacusada, nega a malversação, mas renunciou ao cargo. Por fim, 31
  32. 32. a Universidade de Tóquio demitiu Kazunari Taira e Hiroaki Kawasaki por práticas de pesquisa não confiáveis envolvendo artigos publicados nas revistas Nature, Nature Biotechnology e Proceedings of the National Academy of Sciences. Foi a primeira vez que as universidades de Tóquio e de Osaka tomaram medidas tão drásticas. Antigamente, os escândalos eram abafados ou resultavam em punições discretas. Mas, com o crescimento da competição por recursos, passou-se a exigir mais transparência. Em 2006 as três universidades criaram códigos de conduta e comitês para investigar fraudes. Seguem outros artigos sobre ocorrencias americanas, um que relataimposturas envolvendo a adulteração de imagens e conclui com umarecomendação exemplar, e outro que comenta sobre um programa paradetectar plágio e apresenta uma estatística alarmadora: Pesquisa FAPESP – 11/2009 A cultura do Photoshop A manipulação de imagens que ilustram artigos científicos tira o sono dos editores de publicações acadêmicas. Num encontro sobre plágio realizado em Londres, Virginia Barbour, editora chefe da PLoS Medicine, revista publicada pela Public Library of Science (PLoS), apresentou dados de um estudo que vem avaliando imagens de artigos aceitos para publicação. Ao longo de um ano, a revista encontrou adulterações em três artigos, num universo de 13 papers averiguados. Num dos casos, pesquisadores duplicaram a foto de um teste western blot. Em outro, fundiram imagens sem informar que buscavam realçar um efeito. Barbour disse que os autores deram explicações satisfatórias e que nenhum dos artigos foi rejeitado. Mas reiterou que modificar imagens sem avisar constitui falsificação. “Há uma cultura nas universidades segundo a qual não há nada de errado em alterar fotos e isso precisa ser discutido”, disse à revista Nature. No rol das investigações 32
  33. 33. sobre má conduta abertas entre 2007 e 2008 pelo Escritório de Integridade da Pesquisa do U.S. Department of Health and Human Services. Pesquisa FAPESP – 11/2008 Flagrantes de plágio Um grupo de pesquisadores da Universidade do Sudoeste do Texas, em Dallas, criou um programa de computador que identifica plágios em artigos científicos ao fazer o cruzamento de milhares de textos publicados em revistas especializadas. Com base no monitoramento realizado pelo software, a equipe texana, liderada por Harold Garner, criou uma base de dados sugestivamente batizada de Déjà Vu, que reúne 75 mil resumos listados na base Medline em que há evidências de cópia de outros textos. Em entrevista à revista Nature, Garner disse que 181 artigos são rematadas cópias de outros textos – em um quarto deles a similaridade beira os 100%. Tanto as publicações que reproduziram os textos clonados quanto os pesquisadores vitimados pelo plágio são alertados depois que o software faz o seu trabalho. O biogerontologista francês Eric Le Bourg ficou surpreso ao ver um artigo que publicou no jornal Experimental Gerontology ser integralmente reproduzido no Korean Journal of Biological Sciences, mas com a assinatura de Hak-Ryul Kim, da Universidade de Seul. “Era puro copy e paste. Até os gráficos eram copiados”, disse. Pelo menos 22 plagiadores de 12 países são reincidentes, diz Garner, que se queixa da relutância de certas publicações em denunciar o plágio. Segundo ele, seus alertas não surtiram nenhum efeito em 50% dos casos e, mesmo quando há retratação, ela nem sempre é comunicada à PubMed, a consagrada base de dados de resumos Um outro artigo sobre ocorrências na China chama a atenção porpublicar um menu de imposturas com punições pre-estabelecidas, e outro maisrepresentativo do universo das imposturas é o que mostra os resultados de uma 33
  34. 34. renião de 52 países, cuja afirmação é pioneira em afirmar que a pressão paraque os pesquisadores publiquem a qualquer custo foi a causa mais mencionadapara o avanço das fraudes: Pesquisa FAPESP – 05/2009 O menu das más condutas Num esforço para combater fraudes e condutas desonestas no meio acadêmico, o Ministério da Educação da China publicou uma espécie de índex de atos e comportamentos inadequados, assim como estipulou punições para quem praticá-los. De acordo com o documento, cometer plágio, falsificar dados e referências, fraudar currículos e usar o nome de outros pesquisadores sem pedir permissão poderá dar punição com demissão, suspensão do financiamento de projetos de pesquisa, cassação de prêmios e processos na Justiça. As medidas são uma resposta a um recente escândalo envolvendo a Universidade Zhejiang, na cidade de Hangzhou, onde dois professores de ciências farmacêuticas, He Haibo e Li Lianda, perderam seus cargos acusados de plágio. Em 2006 o governo chinês já havia criado um esquema para monitorar projetos de pesquisa depois de uma série de acusações envolvendo condutas desonestas. “As medidas buscam criar um mecanismo de prevenção que mantenha o campo acadêmico livre de fraudes”, disse à agência SciDev.Net Xu Mei, a porta-voz do ministério. Para Hou Zinyi, professor de direito da Universidade Nankai, na cidade de Tianjin, as iniciativas do governo são superficiais. Segundo ele, é preciso aliviar a pressão sobre os pesquisadores, principalmente os mais jovens, que se veem obrigados a publicar artigos em grande quantidade e acabam recorrendo a trapaças. Pesquisa FAPESP – 11/2007 Buracos na rede Cerca de 300 pessoas de 52 países, entre cientistas, editores de periódicos acadêmicos, autoridades e gestores de universidades, 34
  35. 35. reuniram-se durante três dias em Lisboa no final de setembropara discutir o desafio de combater a desonestidade no ambientede pesquisa, com destaque para plágios, fraudes e falsificaçõesem artigos científicos....É certo que episódios de desonestidade científica estão longede ser novidade....Citou-se, por exemplo, o escasso hábito de promover aretratação de artigos fraudulentos publicados em revistascientíficas. A taxa de retratação de artigos na base PubMed, porexemplo, está estacionado em apenas 0,02% desde 1994. “Oque ouvimos aqui confirma que as condutas impróprias estãomuito mais disseminadas do que se imagina, ainda que nemsempre se configurem crimes”, diz Ian Halliday, presidente daESF. A pressão para que os pesquisadores publiquem aqualquer custo foi a causa mais mencionada para o avanço dasfraudes. Enquanto o número de publicações dos Estados Unidosestá estagnado, países como China, Coréia do Sul, Cingapura,Hong Kong e Taiwan vêm ampliando anualmente em 15% suaprodução, segundo dados apresentados por Ovid Tzeng, daUniversidade National Yang Ming, em Taiwan. “Os sistemas deranqueamento são muito severos em Taiwan, Hong Kong eoutras localidades da Ásia. Os governos destinam fundos deacordo com o ranking e perguntam apenas: quantos artigos vocêpublicou? Quem consegue publicar um paper na Nature recebeUS$ 1 mil em dinheiro vivo”, afirmou Tzeng. “Devemos pediràs agências de fomento, governos e instituições que revisemsuas regras para reduzir a pressão por aumentar a quantidade deartigos publicados, especialmente para os pesquisadores muitojovens. Isso pode ser feito sem comprometer a qualidade e podeaté realçá-la”, disse Peter Tindemans, da Fundação Européia daCiência. 35
  36. 36. As imposturas envolvendo cientistas brasileiros que divulgam seusresultados em revistas internacionais consagradas, também se revelam poroutros meios, como a divulgada no artigo que segue, cuja consequenciatambém desconhecemos: Pesquisa FAPESP – 11/2005 A polêmica do artigo Como às vezes acontece, o feitiço pode ter virado contra o feiticeiro. Se a revista Cell, um dos periódicos internacionais mais respeitados da área de ciências da vida, queria desacreditar o artigo publicado em sua edição de 23 de julho de 2004 pela equipe do médico Antonio Teixeira, da Universidade de Brasília (UnB), a forma de lidar com o caso talvez não tenha sido das mais transparentes, nem eficaz em seus propósitos. Pondo fim a uma negociação de meses com os autores brasileiros do estudo em questão, que havia fornecido as primeiras evidências de que trechos do genoma do parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, poderiam se incorporar ao DNA de animais, inclusive do homem, o periódico cancelou a validade do artigo num comunicado de dois parágrafos e cerca de 120 palavras divulgado em 23 de setembro deste ano. Fez isso à revelia dos autores, sem apresentar razões inequívocas para seu comportamento. O procedimento unilateral acabou gerando críticas em relação à política editorial da Cell e jogou ainda mais luz sobre o estudo dos pesquisadores de Brasília. A revista argumentou que, “depois de cuidadosa e extensiva revisão dos dados (de Teixeira) por especialistas independentes da área”, era forçada a retirar o artigo porque havia dúvidas sobre o local do DNA do hospedeiro em que o genoma do parasita teria se alojado. Mas não apresentou nenhuma evidência de fraude, deslize ético ou má conduta da equipe brasileira que redigira o polêmico artigo, situações que normalmente são invocadas quando uma publicação resolve cancelar os escritos de um pesquisador. A comunidade científica, brasileira e internacional, estranhou o procedimento 36
  37. 37. da Cell e reclamou publicamente em reportagens e artigos que saíram em meios de comunicação daqui e do exterior. A reação levou a editora da Cell, Emilie Marcus, a voltar ao assunto num texto maior, o editorial da edição de 21 de outubro passado, intitulado “Controvérsia da retratação”. Resultado da polêmica: o artigo cancelado, aquele que não era boa ciência segundo o periódico, chegou a ser o segundo mais lido no site da própria revista e o editorial explicativo estava na 11ª posição na mesma lista no final do mês passado. Baiano de 63 anos, Teixeira desenvolve a linha de pesquisa que redundou no artigo da Cell há mais de uma década e meia. Ele se diz perplexo com o desenrolar dos acontecimentos, inclusive com as reações de solidariedade que recebeu de colegas do Brasil e de fora do país. “Jamais poderia imaginar que a atitude arrogante da revista pudesse sensibilizar tantas pessoas no mundo”, afirma o pesquisador da UnB, que defende a validade de seus dados. “Outros laboratórios estão tentando reproduzir os nossos resultados.” O tempo, como sempre, dirá quem tem razão. Um artigo que merece destaque é o que foi publicado pelo Observatórioda Impprensa, em sua edição 558, com observações importantes sobre oplágio, mas refereindo-se somente aos praticados por alunos. Além disso,citando leis que não são divulgadas, e não sabemos se praticadas ou em vigor,ainda que afirmando com propriedade sobre a inexistência de fiscalização.Esse artigo segue copiado na íntegra: Observatório da Imprensa-06/10/2009 (http://www.observatoriodaimprensa.com.br) MÍDIA & EDUCAÇÃO O trabalho acadêmico e o plágio Por Eliezer Belo Algumas coisas chamam a atenção quando fogem da regularidade. Foi o que se pode perceber durante este mês de setembro de 2009. Por duas vezes, em uma mesma emissora e 37
  38. 38. um mesmo programa jornalístico, enfatizou-se a questão dascompras de monografias.A monografia tem sido o "calcanhar de Aquiles" de muitosestudantes, coisa percebida no ambiente acadêmico nas últimasdécadas. Na verdade, ela sempre foi uma profunda dor decabeça para muitos. Mas o que vem chamando a atenção paratal é o fator de que, atualmente, muitos desses trabalhos estãosendo acusados de plágio. Um fator interessante em todo essecontexto é que pouco se fala nas condições em que os alunosdos cursos de graduação estão envolvidos, no que diz respeitoaos aspectos legais, educacionais, à compreensão da natureza dotrabalho acadêmico, culturais e tecnológicos.Em relação ao plágio, ele se caracteriza (conforme Lei nº 9.610de 19/02/1998) consistentemente pelo uso não autorizado ounão referenciado pelo pesquisador. Quando a lei expressa "aproteção recairá sobre a forma literária ou artística, nãoabrangendo o seu conteúdo científico ou técnico, sem prejuízodos direitos que protegem os demais campos da propriedadeimaterial". Com isso a materialização de uma obra científica éapoderada pelo autor a partir de sua configuração, ou seja, otexto em si. Apropriação desse texto (inciso I, Art. 7, Lei 9.610)configura a apropriação indébita. Porém, o Art. 108, quandotrata das punições reza "Quem,[...] deixar de indicar ou deanunciar, como tal, o nome, pseudônimo ou sinal convencionaldo autor e do intérprete, além de responder por danos morais,está obrigado a divulgar-lhes a identidade [...]". Dentro desseaspecto, o trabalho acadêmico, seguindo os critérios da ABNT -NBR 6023, eximir-se-á do plágio pelo uso orientado dos textosfidedignos de pesquisa.Consciência e importânciaA produção do trabalho acadêmico tem por objetivo inserir oaluno à pesquisa. Ele advém dos "recortes" (recortes aqui sãoaqueles que se apresentam nos trabalhos acadêmicos, emformato de citação, e aparecem devidamente referenciados) depesquisas já efetivadas por pesquisadores já inseridos noprocesso pesquisa. 38
  39. 39. O que dá caráter científico a um trabalho é exatamente suafundamentação, que faz uso de uma metodologia própria depesquisa e se apodera de um objeto manipulável e comregularidades. A materialidade da pesquisa consiste na coleta dedados feita pelo pesquisador, seja pela observação laboratorial,com recursos às literaturas ou feita em campo.O laboratório, a literatura e o campo nunca estiveram tãopróximos aos pesquisadores como agora. De que forma? Pelosmeios digitais, especificamente pela internet. Tempo e espaçoestão reduzidos ao "click". O aluno que está sendo inserido nocampo da pesquisa deve ter construído em si a importância dotrabalho acadêmico, principalmente a monografia. Sem aconsciência da utilidade acontece a banalização e adesconsideração. Sendo assim, fica muito fácil, e até uma"tentação" para o aluno, desassistido, buscar outros meios paraefetivar "seu" trabalho. A consciência e importância do trabalhoacadêmico devem iniciar sua construção desde o primeiromomento que o aluno se insere no ambiente acadêmico eacompanhado até a sua saída.Pertinência e metodologiaA monografia deve ser encarada como a primeira especializaçãodo aluno, sabendo que é, a partir do tema proposto, ela que oorientará no que diz respeito às suas futuras investidasacadêmicas. Caso o aluno ignore essa condição, dificilmenteterá sucesso após sua formação. Sem querer poetizar, o trabalhoacadêmico deve produzir no aluno o sentimento de quem pintouum belo quadro, obra única (fazendo uso de tintas produzidaspor outros, mas misturadas por criatividade única), ou escreveuuma poesia, sentimento único (fazendo usa de palavrasutilizadas por outros, mas com articulações únicas), essa é aautenticidade do trabalho acadêmico. Para muitos o término damonografia e sua apresentação à banca examinadora já foiconsiderado um rito de passagem, mais significativa do que acolação de grau ou a recebimento do diploma.Não se pode ignorar que as Instituições de Ensino Superior(algumas delas) deixam de assumir compromisso com o aluno, 39
  40. 40. ou seja, não cumprem o papel educacional. Isso está claro, é sóvermos as condições em que alguns alunos saem "formados" decertas faculdades e universidades. É de toda compreensão queas responsabilidades são recíprocas. Mas a questão maior é que,mesmo o colegiado e o setor pedagógico vendo a situação dedescaso em que certos alunos encaram a graduação, ignoram.Parece que o que mais importa para essas Instituições de ensinosão as "mensalidades quitadas". Mensalidade quitada estávirando sinônimo de "formação continuada".Se há um acompanhamento do aluno da definição do tema parao projeto, questionamentos sobre a pertinência do tema, aproposição metodológica e o desenvolvimento seqüencial eassistido por um orientador, dificilmente ele se ocupará com adesonestidade de se apropriar indebitamente da produçãointelectual de outro.Regras e fiscalizaçãoIgnorar a figura do orientador, para conter gastos também éimoral, assim como ir à internet e copiar alguma coisa paraenxertar um trabalho (apesar da lei do mercado sustentar que acontenção de gastos é justa). A regra do mercado educacional é"quanto mais tempo o aluno gasta em sala de aula, ou sendoassistido, maior será o gasto, que é igual a prejuízo". Mas asregras da educação e da pedagogia são "orientar e facilitar atéque se consolide o processo ensino-aprendizagem".Retirar dos cursos de graduação o TCC ou os artigos periódicos,como meios de avaliação, também não será uma posturaresponsável, eles ainda são um meio possível, dentro de nossocontexto, de produzir um profissional ou pesquisador envolvidocom as questões de imanência de sua formação.Seria justo que o MEC fiscalizasse mais, tanto as IES, no quediz respeito à qualidade de serviços educacionais, não usandoapenas como critério a instalação física e a titulação do corpodocente, mas tudo o que envolve o compromisso educacional;como também às produções acadêmicas de conclusão de curso.Pelo MEC seria o caminho que, imparcialmente, alcançariatanto que o que explora a necessidade comercial do ensino 40
  41. 41. como o que se serve dela. Existem regras? Sim. Uma porção delas, expressas nas portarias no MEC. Existe fiscalização? Não. O mercado educacional, no que diz respeito à seriedade que se deve dar à formação das pessoas e à fiscalização, é "terra de ninguém". Um outro tipo de informação que merce ser comentado é que, a despeitoda ter sido divulgado em diversos meios, com no Jornal Nacional da RedeGlobo, mereceu somente um pequeno comentário no que constou na RevistaFAPESP. A importância dessa informação, segundo nossa interpretação, é ofato de a mesma revelar o descrédito do pesquisador para com seus pares, apartir do que podemos sugerir a ocorrência de imposturas intelectuais em seumeio acadêmico; de outra forma, a que se deveria atribuir tal descrédito?Segue o que foi publicado. Pesquisa FAPESP – 04/2010 O gênio rejeita US$ 1 milhão O matemático russo Grigory Perelman, 43 anos, recusou mais um prêmio em reconhecimento à proeza de resolver a conjectura de Poincaré, considerada uma questão central da topologia, área da matemática que estuda as propriedades geométricas que não mudam quando objetos são distorcidos, esticados ou encolhidos. Segundo o jornal Pravda, Perelman rejeitou o prêmio de US$ 1 milhão oferecido pelo Instituto Clay de Matemática (CMI, na sigla em inglês), de Massachusetts. Ele publicou a solução da conjectura em artigos na internet em 2002 e 2003. Em 2006 foi indicado para receber a cobiçada Fields Medal, concedida a grandes matemáticos com menos de 40 anos, mas recusou o prêmio, tachando-o de irrelevante. Ele também tinha rejeitado um prêmio do Congresso Europeu de Matemáticos, em 1996, sob o argumento de que não reconhecia nos pares que concederam a honraria autoridade para julgar seu feito. 41
  42. 42. Segue ainda um artigo recentemente publicado, que trata da imposturade um cientista, mas de um egípcio. Folha de S. Paulo - 03/01/2010 L.I.X.O. Marcelo Leite Físico egípcio descobre como pôr a estatística a serviço de si mesmo ... Há alguns problemas com a produção do egípcio, no entanto. Nos últimos anos, seus adversários se deram conta de que mais de 300 dos 400 artigos publicados por El Naschie o foram no próprio "CSF" por ele editado. ... Outro artigo, desta vez brasileiro,e que, portanto, merece atenção é o quemostra a informação de ocorrência de plágio na Faculdade de Direito (!!!), e daUSP (!!!), que foi publicado tanto na Folha de S.Paulo quanto no Jornal daCiência (JC) (SBPC), mas que não concluiu com qualquer punição: Folha de S. Paulo 06/02/2010 Universidade "inocenta" professor titular da Faculdade de Direito e afirma que problemas foram só em formalidades JC de 08/02/2010 A USP decidiu arquivar uma investigação de plágio contra um docente da sua Faculdade de Direito e isentá-lo de qualquer penalidade -apesar de uma comissão de sindicância ter apontado irregularidades no trabalho apresentado por ele no concurso para professor titular, ápice da carreira. E, de imposturas de outras naturezas ainda seguem artigos publicadosque colocam em questão a atuação de pesquisadores de renome, que foramenfaticamente divulgados, como os que seguem. 42
  43. 43. Folha de S. Paulo 04/04/2010+MARCELO LEITEPromessa não cumpridaQualquer criança sabe que ocâncer continua a ser uma doençagraveNo dia 26 de junho fará dez anos que Bill Clinton, FrancisCollins -hoje diretor dos poderosos Institutos Nacionais deSaúde (NIH) dos EUA, então chefe do Projeto GenomaHumano (PGH)- e Craig Venter, da empresa competidoraCelera, se reuniram na Casa Branca para anunciar o fim dosequenciamento (soletração) do conteúdo dos 23 pares decromossomos humanos. Como muita coisa de que esse trioparticipou, nada ali era bem verdadeiro, e quase tudo cheirava aencenação. Folha de S. Paulo – abril de 2010Freud na berlindaLivro do francês Michel Onfray contra o pai da psicanálisegera polêmica antes mesmo de chegar às livrarias...No livro, lançado na quarta passada, Onfray se entrega comindisfarçável deleite ao ataque contra Freud e o freudismo....Segundo Onfray, o médico formado em Viena toma emprestadoconceitos de Schopenhauer e Nietzsche sem honrar suas fontes;dissimula os fracassos terapêuticos da psicanálise; pretende serum cientista e, ao mesmo tempo, se apresenta como"conquistador de um continente desconhecido", tomando seusdesejos por realidade; é um burguês ávido de celebridade;persegue dinheiro e glória; mantém uma relação adúltera com a 43
  44. 44. cunhada, que vivia em sua casa; é um falocrata, misógino e homofóbico. As principais revistas científicas internacionais também mostrampreocupação com imposturas, como a publicada na Nature que segue. Nature Vol 464 |no. 7293 | 29 April 2010 www.nature.com/nature Under suspicion When Nature or its sister journals receive serious allegations about data or author conduct, they follow a clear procedure to work out whether the published record needs to be revised. A particularly exciting research paper catches your eye. You start to read it in detail, carefully studying the methods, figures, data and logic. To your growing horror, you realize that a few of the blots and gel images look as though they have been digitally manipulated. You immediately inform the journal of your suspicions and are told that the editors will ‘look into it’. But after months of silence, you begin to wonder if that phrase is just a euphemism for inaction. It isn’t — certainly not at Nature or any of the other Nature-branded journals. We make a concerted effort to forestall such problems by spot-checking the images in at least two papers of each issue before publication. Even so, Nature journals that publish a substantial number of gels and blots still receive up to five reports of image manipulation per journal per year — and few of these cases can be handled quickly. When we receive a complaint, we first do our own tests on the figures to see whether the charges have merit. We also take a careful look at the paper as a whole. Some claims of fraudulent image manipulation turn out to be mistaken. Others we suspect of being clumsy attempts to slur the reputations of others. Occasionally, our examination suggests that something may be amiss. We then ask the authors for the original data and an explanation of what has happened. This is to help us understand whether the images really were manipulated and, if 44
  45. 45. so, why. This request for authors to provide us withexplanations holds true for almost all other types of allegations,from authors not sharing materials as expected to charges offabricated data or plagiarism. Intent is key — we often find that no data have beenfabricated, but that poor practice and a lack of education haveallowed unexplained gel splices, for example, to slip past co-authors before submission or during the revision process.Taking into account the authors’ response, together with ourcomparison of the original images with the published figures,we will hopefully find that the apparent problems are eithernonexistent or easily remedied. If we conclude otherwise, wewill then contact the authors’ home institution. This step isnecessary because, unlike universities and other suchinstitutions, journals don’t have the resources or the legalauthority to investigate allegations fully, or to make formalfindings of research misconduct. At Nature, we usually wait for the results of a formalinquiry before correcting the record — hence the seeminginaction. Institutions vary in their practices, and some are moreefficient than others. Institutions that accept government grantsin the United States must have a researchintegrity officer tohandle such allegations, but they are not obliged to share theirinformation with us. We urge institutions to produce a redactedversion of their final report that protects the innocent, but thatindicates the extent of the investigation and the findings on eachallegation. Because this is not general practice, we are notalways sure that we concur with the actions suggested by theinstitution’s investigating committee. To see exactly what wasexamined, we are forced to request clarifications, which delaysrevisions to the public record further. At times, we have to resort to the US Freedom ofInformation Act to obtain enough information to correct theliterature appropriately. If the institute is not in the United States, lines ofresponsibility are less clear. Determining whom to contact is notstraightforward and convincing parties that an investigation isneeded and getting useful information back is not a reliableprocess. Sometimes, this means it can be difficult to judge if theinvestigation has been thorough and fair. 45
  46. 46. The complexity of a case, which is not always readily apparent, also has a bearing on how quickly a verdict can be reached. If an institution’s report concludes that misconduct occurred, we usually insist on a retraction — and will issue the retraction ourselves if the authors refuse to comply. But when an institution’s investigation cites lesser problems such as ‘beautification’ of the images, ‘sloppy science’ or ‘inadequate record-keeping’ — sometimes misconduct is suspected but cannot be proven — we will base our response on the specifics of the case. If there were no data fraud and no intent to deceive, for example, and if only one or two images were involved, we would allow the authors to publish an erratum and supply appropriate data, figures, original gels or images as supplementary information. Such an erratum can enhance the authors’ reputation for honesty. But if most of the figures are problematic, we will strongly urge the authors to retract the paper, even if they were cleared of misconduct and even if the paper’s main conclusions have been verified independently by other labs. The logic is that the published paper did not accurately reflect the data as they were collected. We urge all readers or reviewers who think that images or other information have been inappropriately handled to bring your concerns to the attention of the editors. By doing so you help increase the reliability of the literature, and so prevent the waste of both time and money following up fraudulent leads and fabricated insights. We strongly believe that it is in our best interest to correct errors that we have published, once we have as much information as we are likely to get — a practice that all journals should embrace. ■ © 20 Macmillan Publishers Limited. 10 All rights reserved Muitas outras informações relacionadas ao tema são publicadas emdiferentes blogs dos quais recebemos comunicação por e-mail como porexemplo: i) o sugerido pelo Labjor/UNICAMP, que se encontra nohttp://www.the-scientist.com/blog, de onde, sem anotar a edição, copiamos asfiguras que seguem, a primeira por mostrar que não há razão para atribuir aocorrência de fraudes ou plágios somente aos alunos, e a segunda por mostrarque a maioria das ocorrências não são adequadamente reportadas: 46
  47. 47. ou ii) cujos autores não são populares ou referidos nos meios por nósselecionados, de onde copiamos o que segue por servir de exemplo de outrotipo de impostura, em que são citados autores de renomes com o propósito deinferir pela qualidade do artigo: 47
  48. 48. IREvalEtAl William Webber’s Research Blog http://blog.codalism.com/?p=773 Citing papers that you’ve never read — or that were never written A regrettably common practice in academic writing is to cite papers because someone else cites those papers, without having read them yourself. Justin warns about this in his book on writing for computer science, and I know he personally has a few good anecdotes. The practice is particularly amusing when the paper is incorrectly referenced or simply doesn’t exist; the original citer has made a mistake, and this has been blindly carried forward by their imitators. Via Edel Garcia comes The Most Influential Paper Gerard Salton Never Wrote, an article by David Dubin tracing the history of the vector space model as applied to the field of information retrieval. In this article, Dubin points out that a highly cited paper, “A Vector Space Model for Information Retrieval”, published by Gerard Salton in 1975 in the Journal of the American Society for Information Science, does not in fact exist. Um outro caso que consta de nossos arquivos, que chama ainda mais aatenção por ter sido comprovado, sugere o que pode ser atribuído às origensdo problema no Brasil: i)Quem foi Paula Souza (Google) O professor Antônio Francisco de Paula Souza foi o fundador da Escola Politécnica de São Paulo - Poli, hoje integrada à Universidade de São Paulo. Engenheiro, político e professor, Paula Souza nasceu em Itu, em 1843. De uma família de estadistas, foi um liberal, tendo lutado pela República e Abolição da Escravatura. Em 1892 elegeu-se deputado estadual, ficando poucos meses no cargo, pois o Marechal Floriano Peixoto convocou-o ao Ministério do Exterior. Formado em Engenharia em Carlsruhe, na Alemanha, e em Zurique, na Suíça, foi em toda a sua vida pública um empreendedor e forte oposicionista da centralização do poder político-administrativo 48
  49. 49. da Monarquia. Educador, esteve ligado à Poli por 25 anos. Seu desejo era introduzir no Brasil um ensino técnico voltado para a formação de profissionais preocupados com o trabalho e não apenas com discussões acadêmicas. Seu dinamismo em criar obras é um exemplo dessa preocupação. Criou um conceito novo de ensino, convidou especialistas europeus e americanos para lecionar na Poli, à frente da qual esteve como primeiro diretor, de 24 de novembro de 1894 abril de 1917, quando faleceu, em São Paulo. ii) Por outra fonte de informação Na página 214 do livro "Campinas, das origens ao futuro", de autoria de Dr. Antonio da Costa Santos (Toninho - PT 13), o prefeito de Campinas, assassinado em 10 / 09/ 2001- encontra-se a nota no 145: "O autor pôde constatar, através de documento abaixo reproduzido, oferecido pela Reitoria da Universidade de Karlsruhe, Alemanha, que Paula Souza nunca foi diplomado por esta instituição de ensino, contrariamente ao afirmado pela competente bibliografia no Brasil". Finalmente, analisando o conjunto de artigos compilados e comentadosanteriormente, podemos afirmar que a ocorrência de imposturas científicasnão é um problema só do Brasil, a despeito de deixar evidente que nesse caso(nacional) nada foi encontrado sobre a aplicação de penalidades aosenvolvidos, e, portanto, nada podermos apontar sobre o que poderia servir deexemplo a ser seguido para a prática ética da produção e divulgação científicabrasileira. Essa análise das discussões dos resultados se mostra como pilar eorientação para nossas recomendações apresentadas nas considerações finais,as quais seguimos em nossa atuação descrita nos anexos referidos nasmesmas. 49
  50. 50. 5. Considerações Finais Ainda que sem autoridade para concluir sobre “estado da arte” dosfatores que motivam a produção e a divulgação científica, porque dispondosomente de uma compilação de artigos referentes ao tema selecionados porum método previamente estabelecido, recomendamos que parte daresponsabilidade de todo cientista seja garantir que os seus alunos e orientadosrecebam educação crítica que contemple conceitos e procedimentos éticostanto para a produção quanto para a divulgação científica de seus resultados. De forma complementar recomendamos que as sociedades científicasbrasileiras disponham de representantes de sua comunidade para este fim, aexemplo do que propusemos à Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada eComputacional (SBMAC) da qual fazemos parte (ver Anexo 1, Anexo 2-a eAnexo 2-b), que todos os cursos das universidades e dos institutos de pesquisabrasileiros se responsabilizem pelo oferecimento de pelo menos uma palestrasobre o tema, a exemplo das que ministramos no LNCC/MCT e da quesugerimos à Comissão de Pesquisa da FEAGRI/UNICAMP - unidade daUNICAMP a que pertencemos (ver Anexo 3), e que jornalistas científicosresponsáveis considerem essas recomendações, a exemplo da que sugerimos àRevista FAPESP e da que foi aceita no blog do físico Marcelo Gleiser (verAnexo 4). A partir da implementação dessas recomendações, sugerimos que asuniversidades e instituições de pesquisa do Brasil estabeleçam regras para apunição dos envolvidos nos distintos tipos de imposturas, a exemplo do quevem sendo feito em outros países.6. Trabalhos futuros O conteúdo desse trabalho pode ser usado como parte complementar doPROJETO “Percepção Pública da Ciência pelos Cientistas”, anunciado peloDr Carlos Vogt aos alunos do curso de J. C. em 14 de junho de 2010. 50
  51. 51. 7. Bibliografia complementar citadaBueno, W. C. Jornalismo Científico no Brasil: aspectos teóricos e práticos.São Paulo, CJE/ECA/USP, 1988.Bertolli Filho, C. Elementos fundamentais para a prática do jornalismocientífico. BOCC. Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação 2006; 1: 1-32.Bursztyn, M. Ciência, ética e sustentabilidade. 2. ed. São Paulo: Cortez;Brasília, DF: UNESCO, 2001.Diniz, D. , Sugai, A., Guilhem, D., Squinca, F. Ética em Pesquisa: temasGlobais. Editora UNB, Brasília. 2008. 404p.Knobel, M. Comunicação em aula da disciplina Fontes de Informação docurso de Jornalismo Científico do Labjor, UNICAMP, Campinas-SP, 2009.Kuhn, T. The struture of scientific revolutions.Chicago, University Press.1962.Leite, A. P. R., Araújo, M. D. A. Reflexões sobre a Ética nas Organizações:Uma Abordagem Inicial sobre a Eticidade nas Universidades Brasileiras. IIIEncontro Nacional de Pesquisadores em Gestão Social. Juazeiro-BA. Maio de2009.Leite, M. Ciência: use com cuidado. Campinas, SP: Editora da Unicamp.2008.Leite, M. Fraudes e fraudes. Folha de São Paulo. 15/03/2009Monteiro R, Jatene FB, Goldenberg S, Población D.A., Pellizzon R.F.Critérios de autoria em trabalhos científicos: um assunto polêmico e delicado.Rev bras cir cardiovasc [on line]. 2004, 19(4): I-VIII.Morin, E. Ciência com Consciência. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil.2008. 12ª edição. 350pOliveira de, F. Jornalismo científico. Editora Contexto. 2002: 42. 51
  52. 52. Olson, J. C. Newton and Copernicus. In: The Comic Strip as a Medium forPromoting Science Literacy. California State University Northridge, 2008.Pracontal, M. A impostura científica em dez lições. São Paulo: EditoraUNESP, 2004. 453p.Sokal, A., Bricmont, J. Imposturas intelectuais. Rio de Janeiro, Record, 2001.Srour, R. H. Poder, cultura e ética nas organizações. Rio de Janeiro, Campus,1998, p. 270-71.Vogt, C. & Polino, C. Percepção pública de ciência: Resultados da pesquisa naArgentina, Brasil, Espanha e Uruguai. Campinas, SP, Ed. Unicamp; SãoPaulo, SP. 2003. 52
  53. 53. 8. AnexosANEXO 1 No final do ano de 2009, o Presidente da Society Industrial AppliedMathematics - SIAM, em carta à essa comunidade, manifestou sua"preocupação" diante da crescente ocorrência de plágios (Anexo 1.1). Essanotícia circulou por e-mail entre pesquisadores de diversas universidades einstitutos de pesquisa da área de Matemática Aplicada. Uma outra notícia, que também circulou pelos mesmos caminhos, constouda exclusão de um artigo científico já publicado na revista Advances inEngineering Software (Anexo 1.2). Diante destas, dentre outras ocorrências de mesma natureza que tomeiconhecimento, eu escrevi informalmente a diversos membros da SBMAC paratrocar idéias no sentido de propor que alguma providência fosse tomada paraalertar a comunidade sobre o problema de conduta de cientistas, bem como, eprincipalmente, educar os mais jovens. Nada aconteceu. Coincidentemente era o período em que os sócios da SBMAC poderiamsugerir nome para as conferências especiais do "Congresso Nacional deMatemática Aplicada e Computacional" - CNMAC 2010, ocasião em que, aexemplo de anos anteriores, me manifestei, desta vez com a sugestão do tema"Ética na produção e divulgação científica", e o nome do Prof MarceloKnobel, que fora nosso professor da disciplian "Fontes de Informação" docurso de J. C. O referido professor aceitou o convite, mas a diretoria da SBMAC nãoselecionou o seu nome. Posteriormente, enviamos à Revista FAPESP o que consta no Anexo 1.1junto com a sugestão da inclusão do tema para a pauta, o que não foicontemplado até a presente data. 53
  54. 54. ANEXO 1.1 SIAM NEWS Integrity Under Attack: The State of Scholarly Publishing December 4, 2009 Talk of the Society Douglas N. Arnold Scientific journals are surely important. They provide the most effective means for disseminating and archiving scientific results, and so are a key part of an enterprise on which our health, security, and prosperity ultimately depend. Publications are used by universities, funding agencies, and others as a primary measure of research productivity and impact. They play a decisive role in hiring, promotion, and salary decisions, and in the ranking of departments, institutions, even nations. With big rewards tied to publication, it is not surprising that some people engage in unethical behavior, abuse, and downright fraud. Still, when I started to look at the issues more closely, I was appalled by what I found. In this column, I give a few troubling examples of misconduct by authors and by journals in applied mathematics. One conclusion I draw is that common bibliometrics---such as the impact factor for journals and citation counts for authors---are easily manipulated not only in theory, but also in practice, and that their use in ranking and judging should be curtailed. SIAM places great value on scholarly publishing, of course, and we are taking strong actions to ensure the integrity of our own publications and to protect our authors from theft of their work. But we are still struggling to decide just what actions we should take. So I invite the thoughts of members of the SIAM community. If you have witnessed troubling incidents in journal publication, let me know. Do you think such incidents are on the rise? Should SIAM be doing more? Should we look beyond our own publications and authors? 54

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