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15Justificativa       Os aspectos relacionados a moda como comunicação, apresenta a roupa como umaextensão do próprio ser....
16Objetivo geral        Analisar os signos na indumentária dos principais grupos urbanos; apresentar asescolhas coletivas ...
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20       As vestimentas tiveram sua evolução junto com o homem, foram os egípcios, os sírios,gregos (FIGURA 2) e romanos (...
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37por outro, nas representações psíquicas (ou significados) dos referentes também concretoscom os quais se relacionam esse...
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41       Desta forma o mesmo signo (objeto) pode ter várias interpretações diferentes, deacordo com a história de vida de ...
42       Ao observar o mundo da moda, vemos que o ser humano se expressa através do vestir.A roupa chega a transmitir essê...
43                            Figura 15: A roupa contra o frio tem o fim de proteção        O enfeite é usado para realçar...
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453. As tribos urbanas e as variações de grupos sociais       O desenvolvimento do termo tribos urbana tem origem direta e...
46        Em muitos casos é possível distinguirmos esses grupos através de suas roupas eprincipalmente pelo seu comportame...
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49                   Figura 17: Luciana Silva de Belo Horizonte com o grupo de garotas “patricinhas”        Denomina-se Pa...
50       Visto por muitos com certo preconceito e hostilidade, o grupo tem tido uma queda emsua popularidade, pois até as ...
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53Pergunta: Você acredita que sua roupa é capaz de mostrar quem você realmente é?60% Sim. Para a maior parte dos entrevist...
54       Ao ver uma garota vestida com roupas de marca, carregando várias sacolas no períododa tarde em um dia de semana, ...
55       Através da coleta dos dados referente à pesquisa e a análise da mesma, foi possívelchegar à conclusão de que algu...
56CONCLUSÃO      O presente trabalho: “Moda e Comunicação: estudo de caso da interpretação              daindumentária dos...
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  1. 1. 12INTRODUÇÃO O presente trabalho de conclusão de curso tem por objetivo analisar a indumentáriacomo forma de comunicação não verbal, a fim de responder questões de âmbito social, comoo julgamento feito através da roupa, e como extensão do próprio ser. O foco do estudo está no comportamento e na indumentária de alguns grupos urbanos,como punks e patricinhas, a fim de apresentar os seus modos de vestir e suas idéias. O estudotambém propõe uma análise sobre a interpretação social, as convenções e interpretações dasroupas. O trabalho é apresentado em três capítulos, divididos em assuntos como: moda ecomunicação, semiótica, psicologia, antimoda, convenções sociais, tribos urbanas entreoutros. A pesquisa conta com a fundamentação teórica de autores como: Patrice Bollon, LúciaSantaella, John Carl Flügel, Renata Pitombo, Káthia Castilho, Erika Palomino, entre outros. Com o objetivo de responder à problemática: “É possível fazer um julgamento corretodo indivíduo através da indumentária?” O trabalho apresenta estudos sobre moda eindumentária, origem histórica, e suas transformações no decorrer dos séculos. No capítulo foi apresentado o contexto moda e comunicação. A indumentária éestudada como meio de comunicação social, vista também como um instrumento detransmissão de mensagens que integra e interage entre os seres humanos. Desta forma, alémde ornamentação, pudor e proteção, a roupa é vista também como um transporte deinformações, que faz do corpo humano um veículo de transmissão de idéias, valores entreoutros. Quando falamos de moda e sociedade, alguns temas como: atitude, comportamento eestilo; tornam-se complementares e importantes para compreensão, pois quando um grupo ouindivíduo veste sua indumentária diferente das demais, ele esta adaptando sua personalidade asua roupa fazendo com que ela seja capaz de mostrar um pouco de sua ideologia e gostos.Porém não basta apenas usar peças que caracterizam uma idéia ou conduta, é necessário ter a
  2. 2. 13atitude que seja condizente com o que se veste, para que a construção de um estilo próprioseja possível. Desta forma pode- se perceber as diferenças entre os indivíduos num determinadoambiente pelo modo que se vestem e se comportam. Assim, a indumentária pode refletir umaimagem, porém a postura e a atitude dos indivíduos são primordiais para a interpretação e ojulgamento social. A maioria destes grupos é contra as certas convenções sociais, e criam seu própriomodo de se vestir, desta forma surge o termo “antimoda” usado para divergir, afrontar etambém para revolucionar o que é imposto pela sociedade, mercado e mídias. Os grupos urbanos foram um dos fatores de criação de signos referentes à suaindumentária. Pois, em muitos casos as cores, formas e acessórios; são capazes de distinguircertos grupos urbanos como é o caso dos Punks, que em sua maioria utiliza jaqueta de couropreta, camiseta preta geralmente com dizeres críticos e libertários, calça jeans rasgada,coturnos, entre outros. De acordo com a pesquisa, a indumentária apresenta um estado emocional doindivíduo, uma ideologia, ou questionamento. A roupa torna-se capaz de mostrar um pouco dapersonalidade do ser humano e seus pensamentos. Porém, o questionamento deste trabalho é analisar a possibilidade de se fazer umaleitura correta das pessoas através da indumentária, e se somos o que vestimos. A respostadesta questão foi respondida após a pesquisa de campo com questionários direcionados parao público em geral, e em específico os punks e patricinhas.
  3. 3. 14TemaModa e Comunicação: estudo de caso da interpretação da indumentária dos grupos urbanos“punks” e “patricinhas”Delimitação do temaA interpretação e distinção dos grupos urbanos através da indumentária.ProblemáticaÉ possível fazer um julgamento correto do indivíduo através da indumentária?
  4. 4. 15Justificativa Os aspectos relacionados a moda como comunicação, apresenta a roupa como umaextensão do próprio ser. Segundo o autor John Carl Flügel (1966, pag.11): “o que nósrealmente vemos e ao que reagimos, não são os corpos, mas as roupas dos que nos cercam. Éatravés das roupas que formamos a primeira impressão de nossos semelhantes.” A pesquisa apresenta a roupa além de suas finalidades de enfeite, pudor e proteção,pois a indumentária é uma forma de comunicação, que nos da á possibilidade de interpretar asimagens e as mensagens, que será analisada e julgada pelas convenções sociais e contextocultural que o indivíduo está inserido. Este estudo torna-se relevante para questionar o comportamento da sociedade, perantecertas peças de roupa, verificar quais mensagens são repassadas para quem as vê, eprincipalmente entender se nos dias atuais, a roupa é o fator que determina a pessoa no meiosocial, avaliar quem realmente somos ao que vestimos, ou se a indumentária pode ser vistatambém como uma forma de se mascarar e mostrar ser o que não se é. Para ilustrar este questionamento o objetivo de estudo será os grupos urbanos, tambémdenominados como comunidades ou tribos, onde pessoas se agrupam e compartilham dosmesmos gostos, atitudes e ideologias, usando as roupas com a finalidade de se comunicar epertencer a algum grupo, que é o caso dos punks e das patricinhas, que fazem destesindivíduos diferentes dos demais membros da sociedade. Porém mesmo com o esteriótipo domodo de vestir parecido, estes grupos contam com seres únicos, que possuem pensamentosindividuais e que não são interpretados através da roupa.
  5. 5. 16Objetivo geral Analisar os signos na indumentária dos principais grupos urbanos; apresentar asescolhas coletivas e individuais que tendem a passar uma imagem para sociedade, queinterpreta e julga os códigos do vestir.Objetivos específicos -Apresentar o estudo de Semiótica, (signo, significado e significante). -Analisar a psicologia das roupas e do vestir; -Verificar principalmente temas como: moda e comunicação; -Investigar as convenções sociais e estudos sobre os grupos urbanos. -Questionar o comportamento da sociedade perante as roupas, para entender quais mensagens são repassadas para quem as vê; -Avaliar se o indivíduo é o que realmente veste ou se a indumentária pode ser vista como uma forma de mascarar e mostrar ser o que não se é. -Pesquisa em campo dos grupos sociais “Punks” e “Patricinhas” -Criar e desenvolver uma coleção a partir desta pesquisa.
  6. 6. 17Referencial Teórico O estudo com o seguinte tema “Moda e Comunicação: estudo de caso da interpretaçãoda indumentária dos grupos urbanos “punks” e “patricinhas”,” pretende investigar em livrosde moda, semiótica e psicologia do vestir, os pareceres dos autores que já estudaram sobreeste assunto, e verificar através desta análise a existência do códigos do vestir na sociedadecontemporânea. Para a autora Patrice Bollon: Sempre existiram indivíduos - nem sempre jovens e ainda menos necessariamente “marginais” – que se expressassem e se afirmassem através de um estilo, simples pose de traje ou então um modo de vida global em ruptura com as normas, aceitas por sua época, da “elegância”, do “bom gosto” e da “respeitabilidade”. Homens – e certamente mulheres também – que pretendem com sua aparência contestar um estado de coisas, uma escala de valores, uma hierarquia de gostos, uma moral, hábitos, comportamentos, uma visão de mundo ou um projeto, tais como são refletidos pelo traje dominante, pelo estilo obrigatório ou pela referência estética comum da sociedade em que vivem. Enfim, homens que são, querem ser ou imaginam “outros”, diferentes, estranhos singulares e pretendem mostrá-los com o que se vê em primeiro lugar, a aparência. (BOLLON, 1993, p.11). Através desta afirmação constatamos que a roupa usada por estes grupos urbanos éuma forma de expressão. Estes indivíduos em sua maioria usam o seu modo de vestir comoartifício de contestação; apresentamos a indumentária como uma máscara com o poder detornar um ser em outra pessoa, com a intenção de se tornar claro para sociedade os poderesque a roupa possui através de seus códigos. Na visão de John Carl Flügel: A delicada descriminação dos traços faciais necessita de uma certa aproximação íntima. Mas as roupas, apresentando como o fazem, uma superfície muito maior para inspeção, podem ser mais claramente distinguidas de uma distância mais conveniente. É a expressão indireta de um individuo, através de suas vestes, que nos diz, por exemplo, que a pessoa a quem “vemos” se aproximar é alguém que conhecemos; e é o movimento conferido ás roupas pelos membros dentro delas, e não o movimento dos membros propriamente ditos, que nos capacita a julgar de um só golpe se nosso conhecido está zangado, assustado, curioso, apressado ou calmo. (FLÜGEL, 1966, p.11). Porém ao colocarmos as roupas como uma forma de veiculação de signos, devemosentender exatamente, o sistema integrante desta forma de comunicação, do ponto de vista deLúcia Santaella:
  7. 7. 18 Diante de qualquer fenômeno, isto é, para conhecer e compreender qualquer coisa, a consciência produz um signo, ou seja, um pensamento como mediação irrecusável entre nós e os fenômenos. E isto, já ao nível do que chamamos de percepção. Perceber não é se não traduzir um objeto de percepção em um julgamento de percepção, ou melhor, é interpor uma camada interpretativa entre a consciência e o que é percebido. (SANTAELLA, 1983, p.51). Em resumo, a indumentária é apresentada como a própria extensão do ser, porém paraalguns autores está afirmação não está totalmente correta, pois também é atribuído a roupa opoder de se mascarar, de se tornar outro, para colocar em prática o presente questionamento:É possível fazer um julgamento correto do indivíduo através da indumentária? SegundoPatrice Bollon: Até as aparências, portanto mais fortemente codificadas, muitas vezes não bastam para “fazer a triagem”. Pois não basta endossar uma panóplia objetiva para participar de uma moda e ser aceito por ela. É preciso também adotar um espírito e que isto seja visível. (BOLLON, 1993, p.70). Desta maneira os integrantes de algumas tribos como os Punk e Patricinhas, se vestemde forma a integrar seus grupos, em sua maioria compartilham das mesmas ideologias, gostos,e abrem mão de um estilo próprio por um comportamento coletivo. Para melhor entendimento o tema sugere uma pesquisa de campo realizada na cidadede Divinópolis e na capital Belo Horizonte, os meios para realização da pesquisa é através dequestionários impressos, internet (e-mail e blog), com alguns integrantes de tribos urbanoscomo punks e patricinhas, estudos em livros e documentários.
  8. 8. 19 1. Moda A palavra moda vem do latim que significa “modus”, maneira, modo individual defazer, ou uso passageiro que regula a forma dos objetos materiais, e as vestimentas. Paracompreender este termo, primeiro é preciso saber sua definição exata, segundo o Dicionárioda Língua Portuguesa: “Moda s.f.1. Uso geral. 2 Maneira de vestir. 3. Costume. 4. Usos ecostumes passageiros, comuns em certa época e em certos lugares. 5 Maneira modo. Já apalavra modo significa: Modo S. m. 1. maneira de ser. 2. Meio, maneira”. (RIOS,1999,p.385). Desta forma podemos dizer que estes dois termos são um só, e que a moda estádiretamente ligada ao modo, segundo Renata Pitombo: Observa-se, assim a proximidade entre os termos moda e modo. Ao recuperarmos os sentidos atribuídos a ambos, tendo como referência o Novo Dicionário da língua portuguesa (1986), vamos perceber o quanto um reforça o outro, muitas vezes sendo incorporado como um só. Se, por um lado, a moda é vista como uso, habito ou estilo geralmente aceito variável no tempo e resultante de determinado gosto, idéia ou capricho, ou das influências do meio; bem como fenômeno social ou cultural, mas ou manos coercitivo, que consiste na mudança periódica de estilo e cuja vitalidade provem da necessidade de conquistar ou manter, por algum tempo, determinada posição social; modo significa maneira, feição, forma particular, jeito, sistema, prática, via, habilidade e em alguns casos, processo de aculturação. (PITOMBO, 2005, p. 30) A história da moda tem início com o homem primitivo (FIGURA 1), onde eramusadas as peles e fibras vegetais como matéria prima para produção de suas roupas, nestemomento a indumentária era usada com o simples objetivo de proteção das intempéries dotempo. Figura 1: Indumentária do homem primitivo
  9. 9. 20 As vestimentas tiveram sua evolução junto com o homem, foram os egípcios, os sírios,gregos (FIGURA 2) e romanos (FIGURA 3) que começaram a dar formas para as peças, comdrapeados feitos através de retângulos de tecidos que eram amarrados ao corpo, ou preso combroches. Figura 2: Indumentária grega Figura 3: Indumentária romana feminina
  10. 10. 21 O homem continua a evoluir em seu pensamento, vestes e tecnologia, no século VIa.C. cria-se a calça devido às temperaturas altas encontradas na Babilônia1, este traje passa aser típico dos persas. Já as roupas dos egípcios eram mais leves e serviam como forma de distinção declasses, sendo atribuído ao faraó o direito de vesti-se enquanto seu povo e principalmente osescravos, andavam quase nus. Sabe-se que durante muitos séculos a indumentária não teve grandes alterações, comoexplica James Laver: Felizmente sabemos muito sobre a vestimenta do Egito antigo através de estatuetas e pinturas em paredes que, graças ao clima extremamente seco, foram preservadas em grande quantidade. A documentação disponível é maior do que a de qualquer outra civilização antiga, sendo o traço mais marcante sua qualidade estática. Em um período de aproximadamente 3 mil anos, as mudanças foram mínimas. (LAVER, 1989, p.16). Estes trajes usados pelos povos antigos já indicavam a importância que as roupasteriam para a sociedade, porém para alguns autores os primeiros registros de moda foram noséculo XIV (FIGURA 4). No dizer de James Laver “Foi na segunda metade do século XIVque as roupas, tanto masculinas quanto femininas, adquiriram novas formas e surgiu algo quejá podemos chamar de “moda”. (LAVER, 1989, p. 62). Figura 4: Vestido justo sob vestido amplo, aberturas nas mangas e decote valorizando o colo compõem o look das mulheres do século XIV.1 Babilônia: foi o berço de uma das primeiras grandes civilizações da história. Desenvolveu-se na região banhadapelos rios Tigre e Eufrates, que faz parte do chamado Crescente Fértil. Fonte:<http://www.historiadomundo.com.br/babilonia/mapa-babilonia.htm> Acesso em: 09 de setembro de 2011.
  11. 11. 22 A afirmação deste conceito ocorreu no final da Idade Média século XV e princípio daRenascença, foi através do vestuário que ocorreu o desencadeamento de todo o processo. Osburgueses que viviam próximos dos palácios tinham o desejo de imitar as vestimentas dosnobres, que por sua vez, variavam constantemente suas roupas para se diferenciar dos demais.Neste período deu-se início a moda como sistema, pois criaram vários conceitos quepermaneceram inseridos, como a efemeridade, a cópia, e principalmente o status transmitidopela indumentária, que se tornaram sinônimo de poder e dinheiro. Depois da criação deste sistema as roupas passam a se modificar cada vez mais rápido,as revoluções, as guerras e principalmente os processos tecnológicos, faz surgir novossistemas: o prêt-à-porter2 que estimula o comércio e torna a moda cada vez mais efêmera,substitui assim a alta costura, e alavanca a produção de peças, junto com estas inovaçõescriam-se novos profissionais como o estilista criador, que mais tarde denomina-se Designers3. Após o surgimento do prêt-à-porter no final de 1949, a moda passa a ser contada pordécadas tornando-se cada vez mais passageira, na visão de Lipovestsky: “A moda é tambémum fenômeno temporal, caracterizado pela constante mudança, quando um lançamento fazcom que o estilo anterior seja descartado”. (LIPOVESTSKY, 1987, p. 159) A moda transita na sociedade como artigo de luxo, e como um fenômeno de massa,sendo atribuído á ela várias finalidades como: hierarquia, distinção, reivindicação, eafirmação social. Segundo Érika Palomino: “A moda passou também a atender àsnecessidades de afirmação pessoal do indivíduo como membro de um grupo, e também aexpressar idéias e sentimentos”. (PALOMINO, 2002, p. 16). Na contemporaneidade pode-se dizer que a palavra moda vai além das peças eacessórios caros vistos em desfiles, ela se tornou uma expressão do ser, e pode ser encontradaem qualquer lugar como nos guetos. As roupas se transformam em fantasias e desejos, e2 Prêt-à-porter é o nome francês para “pronto para usar” que em inglês é o ready-to-wear. Em linhas gerais pode-se dizer que o ready-to-wear significa a produção em série e em tamanhos predefinidos – o nosso velho e bom P-M-G. (PALOMINO,2002, p.26).3 Designer é o profissional que está diretamente ligado a atividades relacionadas ao design. Atualmente o termo éreferido ao desenhista industrial, indivíduos habilitados em programação visual, e projeto de produto, e variadasformas de designers e projetistas. Fonte: <http://www.dicionarioinformal.com.br/designer/>. Acesso em: 04 deagosto de 2011.
  12. 12. 23principalmente, uma forma de identidade que faz do corpo um veículo de comunicação deidéias alternativas através da indumentária para integrar e indicar pensamentos e protestos.1.1. Moda e Comunicação A moda afirma sua importância após ser vista como meio de comunicação, que integrae interage na sociedade, e passa ser considerado um instrumento de transmissão demensagens. De acordo com o Dicionário de Língua Portuguesa, comunicação é: “S.f. 1. Atoou efeito de se comunicar ou transmitir alguma coisa. 2. Aviso, mensagem, informação . 3.Participação, transmissão. 4. Meio de ligação, passagem ou ligação entre dois lugares. 5. trato,conveniência.” (RIOS, 1999, p. 184). Desta forma, a roupa é vista como um transporte de informações, que podem serverdadeiras ou não, sabe-se que é através das vestes que os indivíduos fazem as primeirasleituras sobre as pessoas que estão em sua volta. Como caracteriza John Carl Flügel: A delicada descriminação dos traços faciais necessita de uma certa aproximação íntima. Mas as roupas, apresentando como o fazem, uma superfície muito maior para inspeção, podem ser mais claramente distinguidas de uma distância mais conveniente. É a expressão indireta de um individuo, através de suas vestes, que nos diz, por exemplo, que a pessoa a quem “vemos” se aproximar é alguém que conhecemos; e é o movimento conferido ás roupas pelos membros dentro delas, e não o movimento dos membros propriamente ditos, que nos capacita a julgar de um só golpe se nosso conhecido está zangado, assustado, curioso, apressado ou calmo. (FLÜGEL, 1966, p.11). Assim o corpo é visto como um veículo de comunicação, sendo possível através daindumentária algumas informações sobre o indivíduo, como suas idéias, grupo, posição sociale outras mensagens. Um exemplo vem de certas situações como: encontrar uma pessoavestida toda de branco (FIGURA 5), na cultura ocidental, logo nossa interpretação é que esteprofissional trabalha na área da saúde, neste caso a roupa atuou como um veículo decomunicação direta, sendo possível o mesmo tipo de interpretação em seres diferentes.
  13. 13. 24 Figura 5: Médico Cirurgião Antônio Alves Jr. Outro exemplo é o uso de ternos (FIGURA 6), que indica um ofício em um ambienteformal, geralmente advogados ou executivos. Figura 6: Advogado Christian Mânic Estes dois exemplos citados além da transmissão de idéias existem também asconvenções sociais, que impõe ao indivíduo o uso de determinadas roupas, apesar dacomunicação, esta mensagem não representa exatamente a expressão de um ser, porémquando falamos de transmissão de conteúdos, surgem outras situações como: o uso da corpreta por jovens (indica oposição e revolta), desta forma alguns grupos contestadores utilizamda cor preta, como predominante, para indicar sua ideologia e insatisfação, como é o caso dospunks, já as patricinhas fazem o uso de etiquetas consideradas “roupas caras” para que destaforma possam representar seu status social. Para Káthia Castilho:
  14. 14. 25 A imagem que um sujeito cria de si mesmo exprime-se, então, em codificações, em seu modo de parecer, de mostrar-se para ser visto. Esse seu fazer, uma montagem discursiva, resulta na (re) arquitetura anatômica de seu corpo e de todas as suas modalidades expressivas e narrativas. Considerando que “o homem é um animal que se baseia principalmente no seu sentido da visão”, é inicialmente por esse órgão dos sentidos que ocorre a apreensão de significações nas linguagens não-verbais trabalhadas (...) (CASTILHO, 2009, p. 81). Sendo assim, a moda está diretamente ligada à comunicação entre os seres, e ajuda oindivíduo a se expressar verdadeiramente ou demonstrar uma mensagem de apresentação oureivindicação pessoal. As pessoas ao usar as roupas e acessórios para construir uma imagem visual, estão demaneira indireta à representar uma atitude pessoal, que expressa e interage com a sociedade, efaz de seu corpo uma forma de mídia. O corpo humano é a forma pessoal que cada indivíduo representa sua veste, logo aroupa passa a ter um significado, transmitido através de um código. Na visão de KáthiaCastilho: Cabe, então, reafirmar que um determinado texto do corpo vestido por uma segunda pele pode conter vários códigos que colaboram entre si para a construção do seu discurso. Assim, a moda é, neste estudo, entendida como uma relação complexa entre distintos códigos. Encadeando em uma manifestação discursiva ou numa textualização, cada arranjo vestimentário é fruto desse sincretismo e produz múltiplos efeitos de significações. (CASTILHO, 2009, p. 83). É possível afirmar que uma das melhores formas de se comunicar é através da roupa, eque ao vestirmos, estamos mesmo que inconscientemente buscando repassar a sociedade umamensagem que se encontra dentro de cada ser. Desta forma, a indumentária cria umatransação de idéias mútua e singular, pois se torna meio de expressão e atitude.1.2. Atitude, Comportamento e Estilo
  15. 15. 26 A atitude e o comportamento estão ligados a construção de um próprio estilo, onde amoda só tem sentido à medida que permite a expressão da individualidade, que se torna capazde representar si mesmo através da roupagem. A atitude é uma maneira de reagir, pensar e sentir em relação ao que está a nossa volta.A intenção de manifestar um comportamento é a forma em que reage à determinada situação;é ação e/ou reação. Como escrito no dicionário de Língua Portuguesa: “Atitude: s.f. 1.Posturado corpo. 2. Norma de procedimento; ação, comportamento. 3. Propósito, disposição. 4.Reação ou atitude em relação a pessoa(s), objeto(s), circunstância(s). (RIOS,1999, p.114), jáo comportamento: s.m. 1. Modo de comportar-se. 2. Maneira de ser, de agir, de reagir. 3.Procedimento, conduta. (RIOS, 1999, p.183). O estilo é o que varia de pessoa para pessoa, que faz do indivíduo ser único, onde cadapessoa assume seu estilo, é também um modo de ser, de viver e de agir, independente dequalquer grupo que o sujeito pertence ou pretende seguir. Com a sua aparência, o ser humanodemonstra seus hábitos, atitudes e comportamentos que podem ser refletidos de váriasmaneiras, como explica Patrice Bollon: Sempre existiram indivíduos – nem sempre jovens e ainda menos necessariamente “marginais” – que se expressassem e se afirmassem através de um estilo, simples pose de traje ou então um modo de vida global em ruptura com as normas, aceitas por sua época, da “elegância”, do “bom gosto” e da “respeitabilidade”. Homens – e certamente mulheres também – que pretendem com sua aparência contestar um estado de coisas, uma escala de valores, uma hierarquia de gostos, uma moral, hábitos, comportamentos, uma visão de mundo ou um projeto, tais como são refletidos pelo traje dominante, pelo estilo obrigatório ou pela referência estética comum da sociedade em que vivem. Enfim, homens que são, querem ser ou se imaginam “outros”, diferentes, estranhos, singulares e pretendem mostrá-lo com o que se vê em primeiro lugar, a aparência. (BOLLON, 1993, p.11). Segundo o site “Conexão Jovem TV”4, A moda pode ser considerada o reflexo daevolução do comportamento. Uma espécie de retrato da comunidade. É uma linguagem não-verbal com significado de diferenciação que instiga novas formas de pensar e agir. Aimportância do vestir na estruturação do comportamento procede pelo fato de que ainformação que é transmitida de pessoa por pessoa pela roupa, não é claramente traduzida empalavras. Através da nossa vestimenta juntamente com nossa atitude e comportamento4 Fonte: <http://espacojovem.net/conexao-jovem-tv-160411/> Acesso em: 02 de maio de 2011.
  16. 16. 27podemos ou não, passar uma imagem para o próximo de nossa personalidade, pois ela àsvezes transmite nossas crenças, nosso estilo, opção sexual, retrata o tempo e a cultura local, ese somos pessoas de pensamentos e comportamentos tradicionais ou de vanguarda. SegundoRenata Pitombo: O perigo deste tipo de procedimento é o fato de que possa levar ao extremo a idéia de que a “vestimenta faz a personalidade”, levando a dois tipos de abordagens distintas, mas oriundas de um mesmo ponto de partida: de que assim como a linguagem (pelo menos para alguns pesquisadores), a roupa possa ser lida, decodificada, chegando mesmo a funcionar como uma carteira de identidade do indivíduo. Embora se reconheça a seriedade e os muitos momentos de brilhantismo da obra de Barthes e de uma perspectiva semiológica ou semiótica da indumentária, é preciso reconhecer também que o argumento de que a roupa é linguagem e de que ela transmite mensagens sobre aquele que a veste abre brechas para desdobramento às vezes simplistas. A abordagem mais comum e muito recorrente atualmente, parte do princípio de que se você conhecer os significados de tais e tais cores, formas, combinações, você terá a capacidade de “construir” voluntariamente e conscientemente um look específico e adequado para cada situação. Funciona quase como um receituário em que todas as medidas e ingredientes seriam controlados para a aquisição de um resultado impecável. (PITOMBO, 2005, p.99). É possível perceber as diferenças entre os indivíduos num determinado ambiente pelomodo que se vestem e se comportam, notam assim que lêem e são lidos através de sua posturae atitude. Como a imagem não é somente composta pela roupa, mas também por nossosgestos e atitudes, espera-se que as pessoas conheçam a linguagem do comportamentohumano, da boa educação, das boas maneiras e a interpretação de olhares e gestos. Umexemplo disso é aquele que trabalha em uma determinada empresa, e é extremamentecompetente, mas não se apresenta adequadamente, sendo seus trajes e comportamentos demaneira inadequada para o cargo que ocupa. Para Heloisa Marra e Julio Rego: Num mundo de comunicação rápida, as aparências não enganam mais e só se sustentam se houver conteúdo e resultado. Não adianta vestir o “casual” e ter uma sala fechada, abolir o paletó e estacionar o carro numa vaga privativa, tirar a gravata e, ao viajar com seu pessoal, ficar num hotel “x” enquanto seus colegas ficam no “y”. (MARRA; REGO, 2002, p.17). Os Punks, Skinheads, Rappers, Patricinhas, Clubbers, Grunges, Góticos, Drag Queens,são alguns grupos chamados de “tribos urbanas” com seus estilos próprios e diferenciados.Eles mudam de hábitos e costumes, que apesar de serem rodeados de códigos e normas malentendido por muitos, algumas pessoas são capaz de distinguir cada um pela forma de se
  17. 17. 28vestirem e se comportarem. Pois, a escolha do vestir vão de encontro com seus gostos epreferências e fazem com que os indivíduos se sintam partes do conjunto através doselementos identificáveis concretizados em acessórios e músicas. Ao fazer parte de uma tribo específica, o indivíduo passa a se apropriar dedeterminados comportamentos e vestuários que o identificam como um membro de um grupo(FIGURA 7). Se observarmos a nossa volta, veremos a imensa variedade de pessoas comestilos, vestimentas, comportamentos e posturas passíveis de associação com grupamentosurbanos. Como descrito por Patrice Bollon sobre os Punks: Vendo-os perambular, de longe, em bandos pelas ruas de Londres, com os cabelos curtos penteados em porco-espinho com antenas pontudas arrepiadas em buquê sobre a cabeça e tingidas alternativamente em verde, amarelo e vermelho fluorescentes, e as dezenas, às vezes centenas de distintivos, medalhas, insígnias, adornos, broches, amuletos, anéis, imagens, nomes de grupos e slogans escritos com moldes ou pichados apressadamente e que constelavam e pendiam de seus blusões, transformando-os em verdadeiros totens vivos, tinha-se a impressão de ver alguma tribo de índios surgidos não se sabe de onde, num campo de uma guerra da qual somente eles saberiam a existência e a razão. Extraordinárias aparições, quase mutantes, meio reais, meio imaginários, para os quais convergia, feito gigantescos ímãs, tudo aquilo que a sociedade habitualmente recalca, os fantasmas mais perturbados e as referências mais pueris. (BOLLON, 1993, p.126). Figura 7: Filipe Prado com o seu grupo de punks. Ao contrário dos Punks, existe outro grupo conhecido, que gosta de se vestir semprena moda, pois se preocupa com a aparência que vai passar para as pessoas. Exemplo disso é a
  18. 18. 29tribo das Patricinhas (FIGURA 8), que assim como os Punks, também tem suas determinadasnormas e comportamentos, como por exemplo, não usam roupas que não sejam de marcas,andam sempre maquiadas, e diferentes dos rebeldes, possuem um comportamento diferente,sem gírias e bastantes delicadas. Figura 8: Luciana Silva com o grupo de patricinhas. De acordo com esses dois exemplos de tribos, pode-se dizer que, nossas roupas,comportamento e atitudes estão ligados a nossa personalidade.1.3. Convenções Sociais Convenções sociais são todas as normas determinadas pela sociedade, para que sejapossível uma melhor convivência entre os seres humanos, para o dicionário de LínguaPortuguesa: “Convenção S.f. 1. Ajuste, combinação. 2. Pacto, convênio. 3. Tratado, acordo(entre partidos políticos adversários). 4. Aquilo que se acha taticamente admitido nas relaçõessociais”. (RIOS, 1999, p.192). Estas normas surgem naturalmente e são integradas a sociedades, e se tornam comunsentre as pessoas de tal forma que em muitos casos devido à naturalidade e costume, tornam-seregras imperceptíveis, onde o ser humano faz o uso sem perceber que tal roupa foi
  19. 19. 30determinada socialmente. Para uma melhor convivência social é inegável a importância detais convenções, é ela que garante a harmonia das comunidades e também a identidade dasculturas de certos grupos urbanos. A existência das convenções não garante a ela que seu uso seja geral, pois cabe aoindivíduo decidir se coopera ou não com determinadas regras, como é o caso do uso de roupasna cor preta em momentos de dor e luto (FIGURA 9), pois cabe a pessoa o bom senso deoptar ou não por cores mais fechadas em um funeral. Figura 9: Filme Francês: Enfim Viúva, de Isabelle Mergault Mesmo que seja “de livre arbítrio” do cidadão participar ou não das convençõesimpostas pela sociedade, o simples fato de não se integrar às regras pode acarretar certosjulgamentos indesejáveis, como no ambiente de trabalho. De acordo com Heloisa Marra eJulio Rego: Uma diretora da Saad-Fellipelli5, empresa especializada em recolocação profissional desde a década de 1980, conta que no treinamento de out placement6 a imagem é importante: Abordamos tudo: a roupa, aparência, colocação, postura. Num segundo momento, o da entrevista simulada, damos ao profissional um retorno, caso achemos que seu comportamento não esta adequado. Não só em matéria de roupa, mas em termos de atitude. Não adianta estar bem vestido e com uma postura relaxada. (...) Tivemos também o caso de uma gerente de marketing que era muito exuberante, bonita, mas5 Saad-Fellipelli: Empresa de Recursos Humanos com a matriz em São Paulo. Fonte:http://www.infoguiasaopaulo.com.br/pinheiros-sao-paulo/administracao/saad-e-fellipelli-recursos-humanos-ltda-matriz-1.html.Acesso em 12 de maio de 2011.6 Definição do termo, “outplacement” (apoio à colocação e a acompanhamentos-colocação). Fonte:<http://www.eu-eof.net/26/?L=4>. Acesso em: 12 de maio de 2011.
  20. 20. 31 exagerava na pintura. Sabe aquele perfume que fica na sua mão quando alguém o cumprimenta? Usava decote e minissaia com salto alto. Combinava com ela, mas não com ambiente de trabalho. (MARRA; REGO, 2002, p. 71). Assim descrito acima, é possível dizer que em muitos casos não se integrar às regrassociais pode acarretar problemas indesejáveis, como a demissão de um emprego, mesmo quea pessoa tenha as qualificações curriculares adequadas para o trabalho, o simples fato de suasroupas não estarem compatíveis com as convenções, pode ser um motivo para o desligamentoda empresa. Como no exemplo citado pela Diretora da empresa Saad-Fellipelli, as roupas devemseguir uma norma de bom senso principalmente em ambientes formais e públicos. Algumaspeças são taxadas como irregulares para certas situações, como o uso de mini-saias, decotes,tênis, roupa justa, shorts, bermudas, e outros. Porém, em muitos casos certos trajes sãoimprescindíveis para o sucesso profissional, e permanência no cargo. Segundo os autores,Heloisa Marra e Julio Rego: Na legião do direito, terno, gravata e, em algumas situações, a toga7, fazem jus a história da advocacia, um oficio, em que ate hoje discrição é o pré- requisito: solenidade, o máximo; e credibilidade, a conseqüência. Frase de um militante radical da tradição: “Nunca andei com o paletó pendurado nas costas. Não é preciso luxo. Pode-se estar simples, sem grife. A nobreza da profissão determina essa postura. Só afrouxo o colarinho quando chego em casa”. (MARRA; REGO, 2002, p. 83). A citação no parágrafo anterior, “A nobreza da profissão determina essa postura”,indica a existência de uma convenção no ambiente de trabalho, desta forma torna-seinadmissível, um profissional como juiz, promotor, e advogados vestir roupas que não sejamadequadas às normas, como trajar uma calça jeans e camiseta. Porém, este tratado informal pode ser aplicado de maneira geral, (todos os médicos sevestem de branco em todo o país), ou alterar de acordo com cada região e cultura local, onde7 Significado de Toga: s.f. (...). Vestimenta ampla usada pelos juízes, advogados ou promotores no tribunal oupor formandos durante a cerimônia de formatura; beca. Fonte: < http://www.dicio.com.br/toga/> Acesso em: 22de agosto de 2011.
  21. 21. 32o uso de certas roupas é mais flexível do que em outras, como o uso de peças mais decotadase curtas nas regiões mais quentes como: Bahia e Nordeste. Existem também grupos sociais com a intenção de questionar estas convenções,geralmente estes indivíduos buscam se vestir de maneira oposta ao que é determinadosocialmente, e principalmente as peças consideradas “da moda”, estas pessoas geralmentejovens buscam se diferenciar entre os demais e são totalmente contrários a qualquer tipo deimposição social.1.4. Antimoda Após a afirmação da moda como sistema no período da Idade Média século XV.Desenvolve-se em Londres no século XIX através de Oscar Wilde o movimento Dândi8, ondea intenção era divergir e afrontar, ser contra a moda proposta na época. Como caracterizaLipovestsky: Com as modas jovens, a aparência registra um forte ímpeto individualista, uma espécie de onda neodândi consagrando à importância extrema do parecer, exibindo o afastamento radical com a média, arriscando à provocação, o excesso, a excentricidade, para desagradar, surpreender ou chocar. A exemplo do dandismo clássico trata-se sempre de aumentar a distância, de se separar da massa, de provocar o espanto, de cultivar a originalidade pessoais com a diferença de que agora já não se trata de desagradar para agradar, de se fazer reconhecer nos círculos mundanos pelo escândalo e pelo inesperado, mas de ir até o fim da ruptura com os códigos dominantes do gosto e da conveniência. (LIPOVESTSKY, 1989, p. 126) Depois deste período a moda foi vista também como símbolo de revolta, pois no finaldos anos 1950 e início dos anos 1960 os jovens se rebelaram, tornara-se um elemento forte deconsumo. Após a segunda guerra a juventude começou a trabalhar, e com o seu própriodinheiro, compravam coisas que agradavam ao seu gosto, assim começaram a ditar uma novamoda, tornaram-se mais contestadores e começaram a questionar as opções sexuais, aliberdade de expressão, e os discursos políticos da época.8 Dândi: Foi no século XIX, que o vestuário passou a significar dissidência. A figura crucial nesta transformaçãofoi o dândi. O dandismo estabeleceu padrões mais rígidos de masculinidade ao introduzir um traje novo,moderno e urbano. Também, apontava para o vestuário como forma de revolta.Fonte: <http://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/sobre-dandis-e-antimoda-masculina/>. Acesso: 21 deabril de 2011.
  22. 22. 33 Porém, foi na década de 1970 que surge o termo “Antimoda”, os jovens na busca poruma imagem individual, começam a se diferenciar do coletivo usando as roupas que gostamestando na moda ou não. Na década de 1980 surge a expressão “tribos urbanas”, que está diretamente ligado aotermo antimoda. Entre estes grupos encontramos os clabber, punks, entre outros, comoexplica Erika Palomino: Mods, roqueiros, punks, rockabillies, skinheads, soul boys, rastas, neo- romanticos, new wavers, rappers e clabber deram origem ás chamadas “tribos urbanas”, como as subculturas foram batizadas na década de 80. Eles passaram a usar literalmente o que bem entendiam - á sua moda, sem se importar se estavam ou não “na moda”. Aliás, se não estivessem, melhor ainda. (PALOMINO, 2002, p. 44). Atualmente o termo “tribo” foi substituído por grupos ou subgrupos, (FIGURA 10)mas a sua ideologia continua a mesma, seu foco é não usar nada que seja considerada moda, éusar as roupas como forma de protesto, é ser original, é ter opinião, e principalmente sediferenciar dos demais. Figura 10: Filipe Prado (grupo punk) O historiador inglês Ted Polhemus denominou estas misturas de grupos em,“Supermercados de Estilo” onde é possível encontrar opções diferentes, variedade de opçõesde looks, e idéias divergentes. Alguns grupos são totalmente “antimoda”, enquanto outros são
  23. 23. 34“modistas” 9 e fazem questão de usar todas as tendências propostas para cada estação. Comodescrito por Erika Palomino: Atualmente é preferível usar “grupos”, ou mesmo “subgrupos” em lugar de tribo. Isso porque o próprio conceito de tribo caducou. O que derrubou a tribalizaçao foi a consolidação do conceito de “supermercado de estilo”. Esse nome foi criado na década de 90 pelo historiador inglês Ted Polhemus e sua idéia central é muito importante para a compreensão da moda das ruas. Segundo Polhemus “supermercado de estilo” é como se todo o universo, todos os períodos que você jamais imaginou, aparecesse como latas de sopa numa prateleira de supermercado: “Você pode pegar os anos 70 numa noite, os hippies em outra [...], um moicano punk e um rímel dos anos 60[...] e, pronto, você tem a própria e sincrônica amostragem de 50 anos de cultura pop”. (PALOMINO, 2002, p.45). Estes grupos surgem com a idéia de misturar estilos, materiais, e principalmente criarum look próprio, cria-se então a moda de rua, onde as tendências já não saem mais daspassarelas para o meio urbano, mas ao contrario, as ruas começaram a influenciar diretamentea indústria confeccionista. A indústria da moda passa a usar as roupas destes grupos, como inspiração de suascoleções como explica Erika Palomino: O clubwear é, portanto um dos pilares do lado fashion da moda de rua, que também pode ser chamada de streetwear. As raízes da moda de rua, como a entendemos hoje, estão nos anos 80, justamente quando as roupas usadas pelos garotos do Hip-Hop americano se tornam febre e estilistas do prét-á- porter começaram a inspirar-se nas roupas dos Clubbers ingleses. Na década de 90, o streetwear cresce e aparece, delineando algumas linguagens e ramificações. (PALOMINO, 2002, p. 46-47). O termo antimoda surgiu como instrumento social de reivindicação e comportamento,e mesmo sendo usado como fonte de inspiração para moda, sua origem permanece como umato de revolta ou manifestação de individualidade. Neste contexto, as pessoas quecompartilham das idéias propostas por cada grupo, pode-se vestir e demonstrar através daroupa, o que realmente pensam sobre a sociedade contemporânea.9 Modismo: S.m. 2. O que está na moda em caráter passageiro. (RIOS, 1999, p.385)
  24. 24. 352. Semiótica Segundo o site “Jornalismo e Linguagem”10, semiótica é a ciência dos signos e dosprocessos significativos de qualquer linguagem, seu nome tem origem na Grécia Antiga ederiva do termo “semeion” traduzindo “signo”, neste período existia uma tradição médica deinterpretar os sintomas do corpo facilitando os diagnosticos médicos. O termo semiótica começa a ser aplicada na medicina através do médico grego Balenode Pérgamo, que referia-se seus diagnósticos como uma forma de semiótica. Semiótica é a ciência que estuda os signos. Suas origens, enquanto área de pesquisa, remontam à Grécia Antiga, onde havia toda uma tradição médica de interpretar o que o corpo "queria dizer" com os sintomas que apresentava. Baleno de Pérgamo (139-199) referiu-se à diagnóstica como "a parte semiótica" (semeiotikón méros) da medicina. E, assim, de acordo com a moderna semiótica (definida oficialmente como o estudo geral dos signos por Roman Jakobson em 1969), os sintomas representam, realmente, algo (no caso médico, um desequilíbrio da saúde de um indivíduo) para alguém (neste caso, o ser humano que realiza o diagnóstico).11 Após o termo ser empregado na medicina, os filósofos e lingüistas adotaram tambémpara designar uma teoria geral dos signos. O site “CENEP – Centro de Estudos Peirceanos”12,explica que a Semiótica teve seu início com filósofos como John Locke (1632-1704), em1969, Roman Jakobson, definiu oficialmente a semiotica como o estudo geral dos signos, masantes disso, Pierce (nos EUA) e Saussure (na Europa) já estruturaram toda uma teoria sobrerepresentação e ação dos signos. Desta forma surgem várias investigações diferentes. Estas divergências sobre asemiótica aconteceram devido á diferenciação na concepção e a delimitação do campo deestudo. De acordo com o site “CENEP – Centro de Estudos Peirceanos”, existe três tipos deestudos distintos sobre semiótica, os estudos de Peirce, de Saussure e a Semiótica russa ousemiótica da cultura.10 Fonte: http://www.jorwiki.usp.br/gdmat06/index.php/A_Semi%C3%B3tica_de_Peirce. Acesso em : 04 deoutubro de 2011.11 Fonte: http://www.jorwiki.usp.br/gdmat06/index.php/A_Semi%C3%B3tica_de_Peirce. Acesso em 04 deoutubro de 2011.12 Fonte: http://www.pucsp.br/pos/cos/cepe/semiotica/semiotica.htm#4. Acesso em 04 de outubro de 2011.
  25. 25. 36 - A Semiótica peirceana (Peirce) O site “Jornalismo e Linguagem”13 explica que: Para Peirce, cognições, idéias e homens são, todos, entidades semióticas. É o que chamamos de Pansemiótica do Universo. “o mundo inteiro está permeado de signos, se é que ele não se componha exclusivamente de signos” (CP, 5448). Peirce considera que todo fenômeno de que tomamos consciência é um signo, ou seja, é absorvido por nós através de signos. Esses se constituem no objeto de estudo da semiótica. No entanto, a semiótica parece penetrar em territórios alheios: o do biólogo, o do geólogo, do antropólogo, etc. Porém, seu objeto de estudo não é o mesmo que o deles, já que é o ponto de vista que cria o objeto. Uma distinção fundamental na obra de Peirce é a que se faz entre Semiótica Geral eSemiótica Especial. Semiótica Geral é a área da filosofia que abrange Lógica, Filosofia daCiência e Epistemologia. O objetivo de Peirce era dar uma unidade a estas disciplinas, atravésde uma abordagem da concepção do pensamento como um processo de interpretação do signocom base em sua relação triádica (primeiridade, secundidade e terceiridade). A semióticaEspecial é a ciência preocupada com os fenômenos mentais, ou com as leis, manifestações eprodutos da mente. Segundo Santaela: A primeiridade aparece em tudo que estiver relacionado com acaso, possibilidade, qualidade, sentimento, originalidade, liberdade, mônada. Asecundidade está ligada às idéias de dependência, determinação, dualidade, ação e reação, aqui e agora, conflito, surpresa, dúvida. A terceiridade diz respeito à generalidade, continuidade, crescimento, inteligência. (SANTAELA, 1992, p.7). - Semiótica (Saussure) No site “Técnicas Psicoterapêuticas”14, no Curso de Lingüística Geral, falava de umasemiologia, que pode ser comparada ou diferenciada da semiótica propriamente dita. Saussureestabeleceu a distinção entre “língua” e “fala” para que o paciente possa reconhecer um signocomo tal e atribuir-lhe seu designado correspondente. É necessário que previamente possaapoiar-se, por um lado, nas representações psíquicas (ou significantes) dos “sons” concretos e,13 Fonte: http://www.jorwiki.usp.br/gdmat06/index.php/A_Semi%C3%B3tica_de_Peirce. Acesso em : 04 deoutubro de 2011.14 Fonte: http://tecnicaspsicoterapeuticas.vilabol.uol.com.br/semiologia.html Saussure. Acesso em 04 de outubrode 2011.
  26. 26. 37por outro, nas representações psíquicas (ou significados) dos referentes também concretoscom os quais se relacionam esses sons. - Semiótica russa ou semiótica da cultura 15 Conforme explica o site “Semiótica da Cultura” : “A disciplina homônima,ministrada no Programa de Estudos Pós-Graduados da PUC-SP, procura conservar o carátergeral dos estudos russos, examinando, problematizando e reposicionando seus conceitoscentrais, tornados aqui instrumentos críticos para a compreensão dos diversos sistemas dacultura, bem como dos problemas colocados para a cultura contemporânea. Com isso,valoriza-se o trabalho de seus principais teóricos, recuperando a vasta bibliografia já traduzidaem línguas ocidentais”. Para o site “O Signo Semiótico na Concepção de Charles Sanders Peirce” 16, as duasconcepções mais estudadas são a de Ferdinand de Saussure (1969), e do e a do filósofo norte-americano Charles Sanders Peirce (1993). Nos estudos de Saussure a semiótica tem o foco nalingüística, na palavra no signo verbal. Saussure era lingüista, e propôs uma teoria do signocom base na lingüística, mas reconhecia que a lingüística seria um ramo da semótica. Já nosestudos de Peirce a semiótica abrange outras representações, são as coisas em geral, ou seja,tudo que está em nosso universo. A semiótica saussureana correlaciona apenas dois outros elementos, chamados designificante e significado, na concepção peirceana o signo é um elemento em que secorrelacionam três outros elementos, chamados de representamem, objeto e interpretante. Mesmo com todas as variações podemos dizer que a semiótica tem o objetivo deinvestigar todas as formas de linguagens e modos, de maneira a analisar a produção dediversos significados e a variedade dos sentidos. Desta forma usaremos os estudos da semiótica de Peirce para justificar a roupa comosigno, assim como as palavras a indumentária possui muitas variações de significado, uma vezque se torna capaz de fazer dialogo e se comunicar com o mundo em geral.15 Fonte: http://www.pucsp.br/pos/cos/cultura/semicult.htm. Acesso em: 01 de maio de 2011.16 Fonte: http://pt.scribd.com/doc/11451925/O-SIGNO-SEMIOTICO-NA-PERSPECTIVA-DE-CHARLES-SANDERS-PEIRCE. Acesso em: 07 de maio de 2011.
  27. 27. 382.1. Os Signos na Moda De acordo com a definição simplificadora de Peirce, “o signo é alguma coisa querepresenta algo para alguém”. Assim a roupa é vista como um signo, e as pessoas que fazem àleitura são os interpretantes. Ao analisar os estudos sobre a semiótica, é possível entender como os termos signo,interpretante fazem sentido no contexto da moda. Um exemplo é encontrar uma mulhertrajando um vestido vermelho, no período noturno (FIGURA 11). Figura 11: Um vestido justo, vermelho e decotado que passa uma imagem de sensualidade. Neste contexto o signo (objeto) é o vestido vermelho, o significado é como estevestido é visto pelas pessoas na sociedade, levando em conta sua forma, modelagem, tecido,acabamento e cor. Já o significante é a interpretação da roupa, exemplo: sensualidade, auto-estima, traje de festa (FIGURA 12). Neste caso o Interpretante é a sociedade ou o indivíduoque faz esta leitura.
  28. 28. 39Figura 12: Vestido longo de festa passa uma imagem de beleza, que mesmo tendo um detalhe aberto nas pernas é visto como um vestido que lembra o romantismo. Para Miriam Goldfeder: Indicando o caráter inessencial da palavra “alguém”, apontam para o caráter mais essencial de um engendramento lógico que se instaura entre três termos (signo-objeto-interpretante) e que põe em destaque as relações de determinação (do signo pelo objeto e do interpretante pelo signo). Apontam também para a função mediadora do signo entre objeto e interpretante, assim como para a distinção inegável entre as palavras “mente”, “intérprete”, “mente interpretadora”, de um lado, e o termo “interpretante”, de outro. Além disso, fica a evidência de que o interpretante é algo criado pelo próprio signo, ou seja, “a relação deve consistir de um poder do signo para determinar algum interpretante, como sendo signo do mesmo objeto”. (GOLDFEDER, 1995, p.23). Outro exemplo, são as roupas de pele que na era primitiva era usada como fator deproteção do corpo das intempéries do tempo (FIGURA 13), atualmente ela é vista além de suaproteção, sendo interpretada como status social e até mesmo como uma forma de ostentação. Figura 13: Homem primitivo com uso de pele de animal para proteger dos agentes naturais
  29. 29. 40 Para a autora Kathia Castilho: O vestuário deve ser observado quando inserido em um determinado meio social, no qual se manifesta como uma das mais espetaculares e significativas formas de expressão presentes no processo cultural, configurando-se plenamente como meio de manipulação, persuasão, sansão, ação ou performance e, por conseguinte, articulador de diferentes tipos de discursos: políticos, poético, amoroso, agregador, hierárquico, etc. Tais discursos são construídos à medida que a sociedade vai se estruturando, se desenvolve e exerce a função de confirmadora externa ao sistema de organização que o ser social privilegia e traduz por intermédio da linguagem visual. (CASTILHO, 2009, p. 90). A interpretação da roupa pode variar de acordo com a época e o contexto de cadalocalidade, onde existe uma relação entre a linguagem verbal e a linguagem simbólica dovestuário, assim o indivíduo pode utilizar do vestuário como idioma, exprimindo suas idéias,e sua individualidade. Na visão de Kathia Castilho: A moda comunica, muda, reconstitui de maneira surpreendentemente sensível a tensão da evolução sociocultural, por meio dos sentidos que se constroem em uma organização discursiva e que se definem pela singularidade das circunstâncias do sujeito em relação ao grupo em que se insere, organizando estímulos, explorando o lúdico, o mágico, o imaginário, o onírico, etc., construindo desse modo, sobre o corpo, enunciados imagnéticos, que, na interação corpo e traje, passam a ser geradores de significação. (CASTILHO, 2009, p. 138). Assim, a moda é repleta de signos e significados, tanto a roupa propriamente dita,como todos os detalhes, formas, cores, tecidos e aviamentos, que fazem parte da produção edesenvolvimento de qualquer produto. Os signos são capazes de passar mensagens, que podem ser verdadeiras ou falsas, éatribuído á ele um poder social de comunicar, de fazer-se ver, ou até mesmo como uma formade pertencer a um grupo, e por ele ser reconhecido. Como explica Kathia Castilho “Ao assumir que o captar o olhar do “outro” é uma estratégia de visibilidade essencial para o estabelecimento de uma relação interativa, a fim de se atingir um reconhecimento do sujeito como integrante de um sistema de relações e práticas sociais, buscamos referências no estudo das modalidades que estruturam o complexo regime de visibilidade. (...) ” (CASTILHO, 2009, p. 54).
  30. 30. 41 Desta forma o mesmo signo (objeto) pode ter várias interpretações diferentes, deacordo com a história de vida de cada interpretante, e a cultura no qual o objeto é exposto,exemplo: O uso de mini-saias na cultura ocidental é visto como um traja normal, paraocasiões informais, porém na cultura mulçumana o uso de tal traje pode levar a morte dapessoa que á usa. Os interpretantes é quem determinam o significado do objeto, porém em alguns casosa interpretação é a mesma, exemplo disso é o símbolo de uma caveira em uma camisa quepode indicar para a maioria dos interpretantes: rebeldia ou identificação do usuário com umgrupo social distinto (FIGURA 14). Figura 14: Camisa com estampa de caveira. Desta forma a moda possui inúmeros signos, e interpretações diferentes, onde o corpoé o veículo principal que propaga estas mensagens, e a sociedade são os interpretantes. Ossignos da moda encontram-se presentes nas cores, formas, aviamentos e matéria prima, e suaexistência só é possível mediante um ser que vê e interpretam estes signos, esta interpretaçãoestá ligada diretamente a psicologia do vestir, onde se conclui que a moda das tribos sediferencia pela atitude de cada um se expor perante a sociedade que distinguirá seu grupo.2.2. Psicologia do vestir
  31. 31. 42 Ao observar o mundo da moda, vemos que o ser humano se expressa através do vestir.A roupa chega a transmitir essências mais íntimas do indivíduo, que procura se identificarcom o que usa e muitas vezes a vestimenta fala mais de nós do que as próprias palavras. A psicologia é o estudo da vida humana, que analisa a mente e o comportamento dosindivíduos. Segundo Linda L. Davidoff: “A psicologia (deriva de palavras gregas quesignificam “estudo da mente ou da alma”) é hoje em dia comumente definida como a ciênciaque estuda o comportamento e os processos mentais.” (DAVIDOFF, 1983, p.2). Para Umberto Eco a roupa serve, sobretudo para cobrir a nudez, mas não somente isso,precisa também saber o motivo de cada coisa que usamos. É claro que a roupa serve principalmente para nos cobrir com ela, mas basta fazer uma auto-análise, honesta, mesmo breve, para verificarmos que, no nosso vestuário, o que serve realmente para cobrir (para proteger do calor ou do frio e para ocultar a nudez que a opinião pública considera vergonhosa) não supera os cinqüenta por cento do conjunto. Os restantes cinqüenta por cento vão da gravata à bainha das calças, passando pelas bandas do casaco e chegando até as solas dos sapatos – e isso se nos detivermos ao nível puramente quantitativo, sem estender a investigação aos porquês de uma cor, de um tecido, de uma felpa ou de umas riscas em vez de um tecido ou de uma cor uniformes. (ECO, 1989, p.7) E para entender melhor o significado do vestir, existem afirmativas e estudos quefalam que a roupa tem três papéis importantes, sendo eles: enfeite, pudor e proteção. Comoexplica John Carl Flügel: O psicólogo que se chegar ao problema das roupas, gozará de uma grande vantagem, que poderá poupar-lhe um longo e tedioso capítulo preliminar. Há praticamente uma concordância geral entre todos os que escrevem sobre o assunto no sentido de que as roupas servem a três finalidades principais: enfeite, pudor e proteção. (FLÜGEL, 1966, p.12) Cada uma dessas finalidades tem o seu papel importante na definição roupa. Aproteção tem o objetivo de nos proteger de alguns agentes naturais que nos causam algumdesconforto, tais como o frio ou o calor e o vento (FIGURA 15).
  32. 32. 43 Figura 15: A roupa contra o frio tem o fim de proteção O enfeite é usado para realçar e destacar o aspecto físico e atrair para si, olhares quedespertam curiosidade e admirações, onde o indivíduo fica ainda mais confiante, pois realçacertas partes do corpo e tem a capacidade de chamar a atenção do sexo oposto. Já o pudor tema função oposta do enfeite, ele tenta esconder a excelência física e iludir a atenção dos olharesalheios. Segundo o site “Aspecto Exterior Cristiano”: O pudor está relacionado a questão moral, os homens devem se vestir não somente para se proteger, mas também para cobrira nnudez. Pois originalmente Deus criou o homem coberto, mas desde que pecou, perdeu esta cobertura (Gênesis 3.7). Daí em diante existe a necessidade que as pessoas quando nascem devem ser cobertas. A nudez é símbolo de pecado e condenação, e quando a pessoa está vestida ela está representando a obra redentora de deus que em todas as escrituras é simbolizada como sendo vestes. O pudor constitui o fundamento deste conceito sobre as roupas, a razão número um pela qual as pessoas devem se vestir.17John Carl Flügel afirma: A finalidade essencial do enfeite é embelezar a aparência física, de modo a atrair olhares admiradores de outros e fortalecer a auto-estima. A finalidade essencial do pudor é, se não exatamente o contrário, pelo menos diferente. O pudor tende a nos fazer ocultar as excelências físicas que possamos ter e geralmente nos impede de chamar a atenção de outros para nós mesmos. (FLÜGEL, 1966, p.15).17 Fonte: http://aspectoexteriorcristiano.blogspot.com/2008/10/leis-da-indumentaria.html. Acesso em 21 deagosto de 2011.
  33. 33. 44 Assim a roupa é harmonizada e suas três definições se juntam para dar ao mesmotempo conforto, beleza, ousadia, sedução, segurança, sobriedade e proteção, e se separá-laspode interferir na harmonia existente entre elas. Ao analisar determinados grupos, observa-se que mesmo sendo grupos diferentes taiscomo os punks e patricinhas, ambos tentam mostrar à sociedade em uma forma mais ousadanos seus visuais, que hora tentam ocultar a própria personalidade ou se imporem a aceitardiversas mudanças, as vezes até radicais para se manterem como membros de determinadocomportamento.
  34. 34. 453. As tribos urbanas e as variações de grupos sociais O desenvolvimento do termo tribos urbana tem origem direta em 1980 com omovimento juvenil. Após a segunda guerra mundial os jovens começam a questionar várioscomportamentos ditados pela sociedade, assim além da atitude e o pensamento, a forma devestir destes adolescentes também se modifica. Desta forma surgem vários estilos diferentes de grupos sociais que procuramdemonstrar através de suas roupas sua forma de pensar. Devido ao surgimento de váriosgrupos distintos a moda de rua se diversifica surgindo novas opções do modo de vestir. Aliberdade torna-se cada vez mais essencial para os jovens. Através destas opções cabe a individualidade de cada um, distinguir e optar pelo estiloque melhor lhe representa. Segundo o historiador inglês Ted Polhemus, citado por ErikaPalomino: “estamos diante de um “Supermercados de Estilo”, como se pudéssemos ter naprateleira diversas opções diferentes, onde caberia somente a nós fazermos as escolhas.”(PALOMINO, 2002, p. 45). Com o surgimento de alguns grupos como: Punks, Skinheads, Rappers, Patricinhas,Clubber, Roqueiros, e Hip-Hop, as ideologias, costumes, e gostos são separados por grupos,que em muitos casos não se misturam. Para estes grupos não bastava pensar diferente da sociedade, eles precisavamdemonstrar seus pensamentos através do seu visual diferente e questionador, utilizando desuas roupas e de seu corpo como: tatuagem, cabelo entre outros. Outra característica destesgrupos é a associação, e criação de ritmos musicais direcionados para eles servindo assim defonte de inspiração. A roupa neste contexto ganha o papel de comunicação visual entre os grupos e asociedade, podendo variar de país para país. Assim, a indumentária representa uma aliançaentre os indivíduos e seu conceito ideológico, que está subtendido em cada detalhe escolhido.Desta maneira estes indivíduos começam a criar sua própria moda, ou modo de vestir.
  35. 35. 46 Em muitos casos é possível distinguirmos esses grupos através de suas roupas eprincipalmente pelo seu comportamento social. Assim seria raro encontrar um jovem Punkvestido com cores vibrantes e alegres, pois em seu grupo a característica principal é o uso dacor preta. Para falarmos desses grupos ou subgrupos é necessário entender um pouco de suasideologias, onde retrata melhor o surgimento e o comportamento perante a sociedade.Movimento Punk O movimento punk surgiu em meados de 1970 durante a guerra fria na Europa, omovimento foi mais forte em Londres na Inglaterra, onde os jovens devido ao desemprego e aviolência se rebelaram, segundo o site “Tribo Punk” 18: Surgiu em meados de 1970, quando a Europa se encontrava na Guerra Fria. Jovens que eram marginalizados pela socedade, começaram a apresentar comportamentos agressivos e chocar pelo modo como agiam e se vestiam. Foi mais forte na Inglaterra, onde os jovens defendiam a anarquia, a liberdade individual e a rebeldia contra o sistema. Nos Estados Unidos, teve um contexto mais relacionado à diversão. Como começou em uma época em que havia muita desordem social, (especialmente na Inglaterra) com altas taxas de desemprego e de violência, os que buscavam uma forma de expressão social, aderiram à moda punk (principalmente os jovens). Além da ideologia questionadora, o rock dos anos de 1960 foi uma das grandesinspirações para o surgimento do movimento Punk, denominado como punk rock omovimento surge inicialmente nos Estados Unidos, com músicas de temas simples e letrascríticas e toscas, assim ganharam as ruas e o respeito dos Jovens. Figura 16: Entrevistado: Filipe Prado e seus companheiros pertencentes ao grupo punk18 Fonte:http://tribopunk-cotil-unicamp.blogspot.com/2009/11/punks-surgimento.html. Acesso em: 21 de agostode 2011.
  36. 36. 47 Algumas bandas serviram de inspiração para o movimento como: MC5, Ramones quecom a proposta de uma música simples, aproximaram o rock dos jovens, assim ganharam orespeito e reforçaram o movimento. Outra referência importante para o movimento punk é a estilista Vivienne Westwoodtitulada a mãe do punk a designer nasceu em Derbyshire na Inglaterra. Na sua adolescênciamudou-se para Londres onde se casou com Derek Westwood, pouco tempo após o casamentoVivienne separo-se do marido e começou uma vida totalmente nova. Cercada pelo clima rebelde, polêmico e ousado do final dos anos 60, Vivienne casou-se novamente com Malcolm McLaren, além de marido Malcolm tornou-se seu sócio, em 1970abriram sua primeira loja chamada "Let It Rock" onde vendiam roupas e acessórios cominspiração rock and roll. Em 1972 sua loja passa a se chamar "Too Fast to Live, Too Young toDie", e mais tarde em 1974 sua marca denomina-se “Sex”. Com uma vida sempre cercada de questionamentos, suas roupas possuíam um visualousado e agressivo. Suas coleções eram marcadas por motivos eróticos, fetichista, e comreferências voltadas para o punk. Seu marido Malcolm torna-se produtor da banda SexPistols, uma das maiores influencias do movimento punk, fazendo com que a marca ficasseainda mais conhecida pelo movimento, segundo a estilista seu estilo surgiu de maneira naturalpois buscava se rebelar e provocar, assim criou-se a estética punk. Na década de 1980 a estilista se divorcia de Malcolm, vindo a morar na Itália ondecasou-se novamente com Marc Andréas. Suas coleções são sempre inusitadas e críticas, eestão sempre ligadas aos acontecimentos do mundo, com uma identidade muito forteVivienne tornou-se referência da moda inglesa. Desta forma a estilista contribuiu para o movimento punk e também para a moda emgeral, pois alguns elementos usados por ela como inspiração tornaram-se características dovisual punk como: t-shirts com frases questionadoras, couro, jeans rasgados entre outros,segundo o site “Brasil Escola”19: Os punks geralmente usam calças jeans justas, rasgadas, jaquetas de couro, coturnos, tênis converse, correntes, corte de cabelo moicano ou cabelo um pouco comprido. A moda Punk contrasta com a moda vigente e sempre19 Fonte: http://www.brasilescola.com/sociologia/estilo-punk.htm. Acesso em: 21 de agosto de 2011.
  37. 37. 48 apresenta elementos contestadores aos valores aceitos pela sociedade. Entre as características ideológicas podemos citar o anti-nazismo, o amor livre, a liberdade individual, o autodidatismo e o cosmopolismo. Outra forma de comunicação punk além da indumentária são as publicações feitaspara manter o movimento atualizado, este meio de transmissão de idéias é consideradoinformal e são denominados fanzines, segundo o site “Revoltas e Rebeliões” 20: Os fanzines são bastante característicos desse movimento, que procura através do mesmo mostrar a visão politizada dos punks e a solidariedade com as camadas discriminadas perante a sociedade, um dos fanzines mais populares do movimento era o “Libertare”, um fanzine liderado por uma mulher anarco-feminista na cidade de João Pessoa - PB, que seguia adequadamente a ideologia, não tinha fins lucrativos, buscava levar informações do ponto de vista externo a mídia oficial, bem como denúncias e críticas ao sistema. No Brasil o movimento punk surge em São Paulo no final da década de 1970, e torna-se mais conhecido na década de 1980, o objetivo do grupo era questionar o regime militar(1964 a 1985). O movimento tornou-se defensor da idéia do liberalismo, entre outrosconceitos. O grupo punk atualmente encontra-se dividido em vários subgrupos como: anarco-punk, kaos, independente, libertário entre outros. A maioria destes grupos são passivos, ecom ideais de não violência. Porém, existe alguns rivalidades entre eles como o pós-punk quesão agressivos, compartilham ideais racistas e são contra o comportamento homossexual.Patricinhas O termo denominado de Patricinhas teve sua origem nos Estados Unidos na década de1990, este grupo social encontra-se em muitos casos nos grandes centros urbanos e convivemnas grandes sociedades (FIGURA 17).20 Fonte: < http://revoltas-rebelioes.blogspot.com/2011/06/movimento-punk.html> Acesso em: 25 de outubro de2011.
  38. 38. 49 Figura 17: Luciana Silva de Belo Horizonte com o grupo de garotas “patricinhas” Denomina-se Patricinha garotas de classe média alta que visam a sua vaidade e o usode roupas de marca, seu foco é geralmente o consumo, são meninas que tem seus luxossustentados pelos pais e não se preocupam muito com gastos . Segundo o site “SempreTops”21 : As patricinhas já são mais antigas e surgiram nos Estados Unidos. Ficaram ainda mais conhecidas com o lançamento do filme “As patricinhas de Beverly Hills na década de 1990”. São garotas de classe média alta ou ainda classe alta que usam do poder em pró da futilidade e vaidade. A cor preferida dessa tribo é o rosa. Foi com a divulgação em massa do filme: “As patricinhas de Beverly Hills” na décadade 1990, que o termo ficou conhecido de maneira popular. A película em 1995 e o seriadocriado em 1996, serviram de inspiração para a criação dos looks usados por este grupo, como:o uso de conjuntos, acessórios, e principalmente o foco na cor rosa. O filme também influenciou no vocabulário das jovens da época, e estão presentes atéos dias atuais como a expressão americana “as-if” em português “até parece”. O filme foi inspirado no livro Emma de Jane Austen, escrito e publicado em 1815,onde relata uma história semelhante ao roteiro da película, com a direção de Amy Heckerling.21 Fonte: http://www.sempretops.com/informacao/tribos-urbanas-patricinhas-emos-e-goticos/. Acesso em: 03 desetembro de 2011.
  39. 39. 50 Visto por muitos com certo preconceito e hostilidade, o grupo tem tido uma queda emsua popularidade, pois até as pessoas que se dizem patricinhas tem um certo receio emassumir sua condição. No Brasil, as patricinhas possuem basicamente as mesmas ideologias das americanas,porém devido à situação econômica do país elas são a minoria na sociedade. Assim, como muitos autores afirmam, estamos em uma sociedade efêmera e repleta deopções e ideologias diferentes, cada grupo social compartilha com os seus integrantes de umamaneira uniforme de vestir. Porém, mesmo dentro desses grupos, ou fora deles encontra-seuma variedade de estilos, que alimentam a moda e interage com o mundo.3.1 A roupa como objeto de apresentação, mensagem e julgamento A roupa nos transmite inúmeras mensagens, ela nos trás alguns objetivos como vestiro corpo nu, que segundo Kathia Castilho, “(...) vestir-se, pois trata-se de uma das armasprimárias da civilização: ninguém anda nu.” (CASTILHO, 2009, p.84). Além disso, avestimenta é usada para decorar, enfeitar, seduzir e ocultar nossa verdadeira personalidade.Cada indivíduo usa a roupa por um motivo diferente do outro de acordo com cada grupo quese pertence, embora todos tem um único objetivo em comum: vestir o corpo nú. O indivíduo ao se vestir tem como objetivo ser identificado, compreendido e criarmensagens visuais da sua aparência que podem ser verdadeiras ou falsas. Nesta perspectiva, o conceito de aparência está nitidamente ligado a duas situações distintas: uma delas vincula-se à necessidade de o sujeito edificar uma imagem que corresponda a seus anseios, e a outra, por sua vez, à forma por intermédio da qual esse indivíduo é percebido. Considerando esses pressupostos teóricos- metodológicos, a aparência é um efeito de sentido que requer o exercício da percepção para apreender pelas ordens sensoriais o que se desnuda, o que pode ser desnudado e o que se mostra, ainda que escondido, camuflado – de acordo com a cultura. (CASTILHO, 2009, p.56,57) Alguns indivíduos se vestem de acordo com seu próprio estilo, e outros usam o quedeterminado grupo determina, isto, para mostrar quem realmente são ou até mesmo para
  40. 40. 51ocultar sua verdadeira personalidade, pois através da roupa se transmite imagens de códigosdistintos. (...) há códigos coercitivos que instaram essa leitura. (...) Ao eleger esta ou aquela forma de se vestir. O ser humano entra num sistema de moda. Se ele segue padrões “modais” da época, ele afirma o “outro”, a alternativa, ao mesmo tempo que se põe como partícipe desse “outro”, desse grupo, que passa a ser o mesmo de sua própria identidade. Se ele, por outro lado, não segue padrões “modais” da época, ele nega o “outro”, a alteridade, ao mesmo tempo em que se afirma como o “diferente”, mas é justamente aí que se aprende a sua identidade. Em ambos os casos, ao se identificar ou não com o “outro”, esse sujeito é julgado: está e parece estar de acordo com o sistema imposto (verdade); parece estar, mas não está de acordo com o sistema imposto (mentira); está, mas não parece pertencer ao segmento de moda estipulado (segredo); não parece e não está de acordo com o sistema proposto (falsidade). (CASTILHO, 2009, p.88) O sujeito que observa pode ficar confuso ou ser enganado pelo indivíduo que éobservado, ele rapidamente faz uma leitura visual da primeira aparência que o ser humanotransmite com a vestimenta, mas essa leitura pode não ser exatamente real, somente quando seconhece melhor a pessoa, se percebe que o julgamento feito pela primeira impressão era falsoou não. (...) A imagem que um sujeito cria de se mesmo exprime-se, então, em codificações, em seu modo de parecer, de mostrar-se para ser visto (...) Considerando que “o homem é um animal que se baseia principalmente no seu sentido da visão”, é inicialmente por esse órgão dos sentidos que ocorre a apreensão de significações nas linguagens não-verbais (...) (CASTILHO, 2009, p. 81) Assim, é possível perceber que através da roupa, comportamento e atitude, cadaindivíduo passa uma imagem diferente para o sujeito que observa, estes signos sãointerpretados de acordo com o contexto cultural e as convenções de cada comunidade.3.2 Estudo de campo A pesquisa de campo realizada no período de 22/08/2011 à 02/09/2011 foidesenvolvida com o intuito de compreender e responder à seguinte problemática: “É possívelfazer um julgamento correto do indivíduo através da indumentária?”
  41. 41. 52 A investigação foi realizada com aproximadamente 50 pessoas residentes na cidade deDivinópolis (MG), e na capital Belo Horizonte. O método usado para pesquisa foi oquestionário, feitos através de amostras aleatórias contendo respostas abertas e fechadas. Assim foi possível através das análises das respostas compreender e responder aproblemática em questão. As pessoas que foram consultadas durante a pesquisa contribuírampara que fossem encontradas as seguintes análises:Perfil dos entrevistados:Sexo: 80% mulheres, 20% homens.Idade entre: 15 á 35.Grau de escolaridade: 60% superior incompleto, 16% superior completo, 16% ensino médio,8% Fundamental.Renda pessoal: 40% de 500 á 1.000 40%de 1.000 á 3.000 05%de 3.000 á 5.000 15% Não possuem renda própriaLocalidade: 80% Divinópolis 20% Belo HorizontePerfil de comportamento: Ao ser perguntado para as pessoas o que mais atraia sua atenção emoutra pessoa, 70% responderam ser a roupa utilizada pela outra pessoa. 15% responderam sero cabelo, e 15% disseram que observam o corpo. Característica de vestir Popular 40% 30% Básico Diferente 20% Fashion 5% 5% Outros
  42. 42. 53Pergunta: Você acredita que sua roupa é capaz de mostrar quem você realmente é?60% Sim. Para a maior parte dos entrevistados a roupa mostra um pouco de suapersonalidade.40% Não. As pessoas que optaram por esta resposta, justificaram que a roupa não é capaz demostrar a pessoa verdadeiramente. Seu modo de vestir é  influenciado pelo seu humor? Não 30% Sim 70%Pergunta: Você considera que a roupa pode informar coisas sobre quem as veste?90% sim 10% nãoPergunta: Você já foi julgado ou mal interpretado pela roupa que estava vestido?70% sim 30% nãoPergunta: Você entregaria um caso judicial importante para um advogado vestido com trajescasuais? (calça jeans e camisa com estampa localizada)Sim 75% sim 25% nãoPergunta: Você acredita que fatores apresentados pela roupa como: marca estilo e cores,podem influenciar no julgamento de cada pessoa.85% Sim 15% não
  43. 43. 54 Ao ver uma garota vestida com roupas de marca, carregando várias sacolas no períododa tarde em um dia de semana, qual leitura você faria desta garota? Acreditam ser uma  5% garota que estava  trabalhando, e na sua  folga resolveu fazer  compras. 95% Acreditam ser uma  garota com uma  situação financeira  mais favorecida, que  está fazendo  compras.Pergunta: Você acredita que a roupa tem o poder de representar algo que não somos?95% sim 05% nãoObservação: Em muitos questionários foram encontradas respostas similares quejustificassem a opção pela resposta SIM, pois para muitos a interpretação feita através daroupa não foi condizente com a realidade. Foram citados casos pessoais como o uso de roupascurtas, ou a vontade de representar ser alguém que não se é através da roupa.Pergunta: Você já interpretou alguém pela roupa e depois descobriu que a pessoa não eracompatível com seu primeiro julgamento?95% sim 5% nãoObservação: Nesta questão houve muitos comentários que ressaltaram o julgamento feitopelas aparências, e não pela índole da pessoa, para muitos entrevistados já houve alguém quefez um julgamento errado sobre eles, como também já fizeram um julgamento errado sobrealguém.
  44. 44. 55 Através da coleta dos dados referente à pesquisa e a análise da mesma, foi possívelchegar à conclusão de que alguns conceitos da indumentária não mudaram. Para a sociedadecontemporânea a roupa continua vista como um objeto de comunicação. É através dela quefazemos os primeiros julgamentos sobre nossos semelhantes. Como foi possível ser observado as pessoas são influenciadas não somente pela visão,mas também pelas convenções sociais que ditam as regras para que seja comprida assimqualquer pessoa que se vista diferente de uma convenção, ou imagem previamenteestabelecida pela sociedade, estará sujeito a julgamentos incorretos sobre sua personalidade. De acordo com os entrevistados, existem alguns códigos do vestir que ditam certasinterpretações como no caso das patricinhas. Na pesquisa feita, 95% das pessoas associaramque as roupas de marca e o excesso das compras, estão direcionados ao comportamentosomente neste grupo, por serem tão impulsivos nos investimentos físicos, que delimitam ondecomprar, pois vivem em um mundo de “fantasias” onde se importam somente com aaparência. Desta forma podemos afirmar que a roupa é capaz de apresentar de maneira clara paraas outras pessoas uma imagem, interpretada rapidamente. Porém, em muitos casos, estasimagens não são compatíveis com a realidade, um grande exemplo estão em casos onde aspessoas são enganadas por bandidos que se veste com ternos para praticar diversos crimes,outra situação é julgar que o simples fato de se vestir diferente, ou tentar questionar asociedade através da roupa, à pessoa possa ser de índole duvidosa. Assim, além decomunicação, a indumentária também pode ser uma máscara social, onde os seres humanospodem representar ser o que eles não são.
  45. 45. 56CONCLUSÃO O presente trabalho: “Moda e Comunicação: estudo de caso da interpretação daindumentária dos grupos urbanos “punks” e “patricinhas””, apresentou temas como: moda ecomunicação, semiótica, psicologia, antimoda, convenções sociais, tribos urbanas entreoutros, visando responder a seguinte problemática: É possível fazer um julgamento correto doindivíduo através da indumentária? Através da pesquisa de alguns autores, e também pala análise de campo realizada emDivinópolis e Belo Horizonte no ano de 2011, foi possível entender o tema proposto eresponder a problemática em questão. Quando tentamos definir o significado de moda existem várias definições possíveis.Para muitos moda é o que está nas ruas, ou nas peças ditadas por certos desfiles ou meios decomunicação, porém, esta seria apenas uma maneira superficial de entender o assunto, asroupas produzidas pela indústria da moda não são apenas uma maneira de cobrir o corpo nu,existem vários significados que integram a roupa e faz dela um veículo de comunicaçãosocial. Vários fatores interferem para a leitura de cada peça de roupa, e consequentemente daspessoas que as veste. A cor, tecido, modelagem, estrutura, tamanho, e o contexto social,podem ajudar a fazermos algumas leituras sobre as pessoas em nossa volta. Assim quais são os fatores determinantes para que as pessoas escolham certas peças deroupa e optem por algumas cores em especial? Esta resposta está diretamente ligada a cadaestilo, e sobre a individualidade de cada pessoa, e principalmente a sua adesão a um gruposocial. Essa escolha peculiar na qual denominamos de estilo, também nos ajuda a fazer asleituras de cada pessoa. Os grupos urbanos em questão escolhem uma maneira singular devestimenta, que os caracterizam e tornam-se distintos. Cada grupo possui algo em particularque os diferencia do modo social convencional. No caso dos Punks, o “fazer você mesmo” éuma das doutrinas do grupo. Assim em muitos casos são feitas alterações nas roupas, ou acriação da mesma, para que cada peça fique customizada. Além de não seguir as imposições

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