Goiania 2013

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Goiania 2013

  1. 1. Profª. Drª. Marinaide FreitasCEDU/UFAL
  2. 2.  Observatório Alagoano de leitura em Educação deJovens e Adultos - Pesquisa: A leitura e aformação de leitores no Estado de Alagoas:estudo e intervenção de alfabetização emEducação de Jovens e Adultos. De natureza qualitativa, do tipo colaborativa(IBIAPINA, 2008), fundamentada nos estudos deautores/as que vêm dialogando sobre as práticasde leitura, formação do aluno leitor e as práticasde letramento: Bortoni-Ricardo, (2010); Kleiman(2003); Koch & Elias (2006); Marcuschi (2008);dentre outros.
  3. 3.  Construir um diagnóstico abrangente nasescolas investigadas sobre as práticas deleituras dentro das salas de aula dealfabetização em EJA, em 04 escolaspúblicas, sendo duas municipais e duasestaduais, situadas em Maceió,possibilitando a intervenção, paramelhorar a formação de sujeitos leitores,na EJA. Tendo a intenção de: Fomentar o diálogo sobre a experiência depesquisa-formação.
  4. 4.  É um lugar que favorece a mobilização desaberes docentes (TARDIF, 2004) que postosem interlocuções podem viabilizar processosformativos - um lugar aprendente. Os envolvidos dialogam eexperimentam revisitando seusrepertórios formativos,problematizando-os também naescuta do outro.
  5. 5.  Nesse entendimento a formação epesquisa são consideradas processosque se mesclam e secomple(men)tam, ao mesmo tempo. Articular essas duas dimensõespassa a ser o grande desafio na/paraa pesquisa interventiva colaborativa(IBIAPINA, 2008).
  6. 6.  Haddad (2002) ao referir-se aoestado da arte sobre a pesquisa emeducação de jovens e adultos noBrasil de 1986 a 1998 afirma nãohaver “um vínculo de proximidadeentre universidades e redes públicasde ensino; as poucas experiênciasexistentes são de trabalhos dauniversidade dentro dela mesma”(p.17).
  7. 7.  E atualmente podemos dizerque as práticas cotidianas deleitura e escrita na EJA temsido objeto de investigação nocenário nacional brasileiro, semcontudo na perspectiva dapesquisa de carátercolaborativo-interventivo.
  8. 8.  Contraditoriamente, espera-se que o educadorda EJA, enquanto agente letrador (BORTONI-RICARDO et al, 2010), contribua na formaçãodos/as alunos/as - enquanto sujeitos letrados -a partir da vivência de práticas de leitura eescrita em diversos contextos de uso. Segundo Bourdieu (2009, p. 233), “estamos [...]habituados a [...] maneira de ler um texto semreferi-lo a nada além dele mesmo que nós auniversalizamos inconscientemente”.
  9. 9.  a) Qual o lugar das práticas de leitura ede escrita no cotidiano da sala de aula?; B) Como a prática de leitura e escrita émediada pelo professor? c) De que forma eles interagem nessescontextos? d) É possível ressignificar as práticas deleitura vivenciadas no contexto escolar?
  10. 10.  No nosso entendimento, dominar ashabilidades de leitura e escrita, parao aluno, significava umapossibilidade de “emancipação”, dacondição de analfabeto para acondição de sujeitos que “dominam”as letras. É com esse entendimento queapresentamos a nossa fala.
  11. 11.  Nosso propósito:Nosso propósito: Fazer uma análise reflexiva de umaprática de leitura e escrita de umaprofessora do I Segmento da Educaçãode Jovens e Adultos (EJA).
  12. 12.  Momentos – ação-reflexão-ação: Observação da prática docente; Sessões de reflexões sobre a aula; Sessões de estudo; Retorno à sala de aula.
  13. 13.  A sessão de reflexãoA sessão de reflexão é um“procedimento que motiva osprofessores a focalizar a atençãona prática docente e nasintenções de ensino e incentivaa criação de espaços de reflexãocrítica” (IBIAPINA, 2009, p. 96).
  14. 14. Contexto da aula:Na aula observada a professora buscoudesenvolver uma sequência didáticade atividades que culminassem naleitura da música “Maria, Maria” - deMilton Nascimento. 
  15. 15.  1. Levantamento dos conhecimentos préviosdos/as alunos/as, a partir daproblematização do título da música; 2. Produção de um texto coletivo, comregistros dos conhecimentos prévioslevantadas pelos alunos/as; 3. Oralização do texto da música pelaprofessora; 4. Leitura silenciosa do texto da músicapelos alunos; 5. Leitura coletiva; 6. Discussão da letra da música;
  16. 16.  7. “Comparação” entre o texto produzidocoletivamente e a música objeto de estudo; 8. Escuta da música; 9. Canto da música pelos alunos/as; 10. Pediu que os/as alunos/as escolhessemum verso da música e explicassem por escritoo que tinham compreendido. 11. Por fim, entregou os versos da música esolicitou a montagem da música; (PLANEJAMENTO DA PROFESSORA)
  17. 17.  Com base nesses encaminhamentosdidáticos e na observação em sala deaula, percebemos que a professora nãodeu ênfase às propostas de atividades quepoderiam ajudar os/as alunos/as aacompreenderem o textocompreenderem o texto, a exemplo:explorar os efeitos de sentidosexplorar os efeitos de sentidosproduzidos pelas figuras de linguagemproduzidos pelas figuras de linguagem(metáforas, antíteses) e pela seleção(metáforas, antíteses) e pela seleçãovocabular – entre outros aspectosvocabular – entre outros aspectoslinguísticoslinguísticos.
  18. 18.  Por que você escolheu essa música? O que lhe motivou a fazer essa escolha? Qual foi o seu objetivo? Quais as atividades desenvolvidas paraalcançar os objetivos? Como organizou e conduziu a aula? A aula atingiu os objetivos propostos?
  19. 19.  O que fez para atingir os objetivos? Se atingiu, por que você acha que conseguiu? Quais os conhecimentos trabalhados nessa aula? Por que fez opção por esses conhecimentos? Você encontrou dificuldades para desenvolveressa aula de leitura? Qual a função social de suasações no ensino da leitura? Que tipo de leitor/a está sendo formado porvocê? O que mudaria em sua aula?
  20. 20.  Ao perguntarmos à professora o porquê daAo perguntarmos à professora o porquê daescolha da musica “Maria, Maria”,escolha da musica “Maria, Maria”,respondeu:respondeu:“[...] Procuramos a tarde inteira um texto paratrabalhar a intertextualidade, como vocês falaram nasessão anterior. Queria que os alunos percebessem aintertextualidade. Essa música poderia fazerintertextualidade [...]”. O extrato revela que a escolha da música deu-se pelanecessidade de propor a leitura de um texto quepossibilitasse estabelecer uma relação deintertextualidade. Tendo em vista ter sido umassunto enfocado em sessão anterior. Havia, portanto, por parte do professor umacuriosidade: como fazer uma intertextualidade.
  21. 21.  Indagamos se a professora sentiu dificuldadesem mediar a prática de leitura vivenciada, elafoi incisiva: “[...] sim, senti dificuldade porque algunsalunos não gostaram do texto. Precisei repetirvárias vezes a música para que eles montassema música fatiada [...] Eles gostam mais dehistórias de textos narrativos, mas achamdifíceis de ler porque são grandes”.(PROFESSORA). A professora não se intimida em suas reflexões,sente-se à vontade em mencionar as suasdificuldades, reconhecendo que apresentalimitações para mediar a prática.
  22. 22.  Mediante essa observação, questionamos sea professora sentia necessidade de mudar amaneira de conduzir a aula de leitura. Nasua resposta foi enfática: “[...] mudaria muita coisa, pois já foram trêsaulas da mesma forma. Gostaria de mandar elesadivinharem qual é o título do texto a partir daleitura do texto, coisa assim, fazer de outrojeito. Preciso aprender os aspectos linguísticospara poder fazer perguntas como vocês fazemao texto. Não tinha percebido esses aspectosmetáforas, antíteses. Quero aprender”.(PROFESSORA).
  23. 23.  Fica explícito no fragmentosupracitado que a professorareconhece que para(re)significar as práticas deleitura é necessário domínio dosconhecimentos linguísticos, quelhes faltaram na formaçãoinicial e/ou continuada.
  24. 24.  Considerando o propósito da intertextualidadealmejado pela professora, vejamos o texto produzidocoletivamente em sala de aula e registrado pelaprofessora, com base no levantamento dosconhecimentos prévios dos sujeitos: MARIA A VITORIOSA MARIA ACORDA CEDO, PREPARA O CAFÉ. ACORDA AS CRIANÇAS,DÁ CAFÉ, LEVA PARA A ESCOLA E DEPOIS COMEÇA A LAVAR ASROUPAS DE GANHO. ENQUANTO TRABALHA ELA ESCUTA AMADOBATISTA, SEU CANTOR PREFERIDO. DEPOIS, ELA PREPARA O ALMOÇO. SEU MARIDO CHEGA PARAALMOÇAR E MAL LHE DIRIGE A PALAVRA. MARIA FICA CHATEADA,POIS ESPERAVA MAIS ATENÇÃO.
  25. 25.  AS CRIANÇAS CHEGAM DA ESCOLA, ALMOÇAM EVÃO BRINCAR. ELA PENSA EM IR AO SHOPPING TOMAR SORVETECOM OS FILHOS E ESQUECER OS PROBLEMAS, ASENFERMIDADES... SEU MAIOR SONHO É VIAJARPARA FERNANDO DE NORONHA! MARIA DESEJA QUE SEU MARIDO MUDE, SEJA MAISCARINHOSO COM ELA, LHE DÊ MAIS ATENÇÃO... SEU MAIOR SONHO É VOLTAR A ESTUDAR ECONQUISTAR O SEU ESPAÇO, TER UM EMPREGOMELHOR PARA DAR UM FUTURO MELHOR AOSFILHOS.
  26. 26.  Nessa produção coletiva “Maria a Vitoriosa”,de forma temporal e gradativa, os sujeitosalunos(a) foram narrando o cotidiano de uma“Maria”, inspirados pela música de MiltonNascimento – não se tratava para eles dequalquer Maria, mas no imaginário aVitoriosa. Poderíamos inferir que neste texto, deixaramtransparecer a sua forma singular de ler omundo de “Maria”.
  27. 27.  A sessão de reflexão, mostra-nos anecessidade de se propor no locus daescola, momentos de reflexão sobreos aspectos determinantes de umaprática pedagógica de ensino daleitura, as possibilidades de(re)significá-la e as lacunas naformação do professor que precisamser superadas.
  28. 28.  Pudemos observar no desenvolvimento da“sequencia de atividade”, proposta pelaprofessora, que na verdade se afastou dospressupostos metodológicos doplanejamento e da proposição deatividades sequenciadas, queapresentassem graus de complexidade deaprendizagem da leitura e que fossemsignificativas para os alunos da EJA
  29. 29. Ao constatarmos as lacunas naformação da educadora sobrepráticas de leitura, concepção deleitura e intertextualidade, dentreoutros aspectos, percebemos anecessidade de ampliarmos adiscussão sobre estas temáticas, alémda fundamentação teórica sobre osmodelos e estratégias de leitura;
  30. 30.  As investigações sinalizam que sem umaformação específica sobre os pressupostosteórico-metodológico de ensino da leitura, oseducadores da EJA trabalham os aspectosreferentes à leitura nas salas de aula,baseadas/os na intuição; Nos conhecimentos adquiridos através desuas práticas de sala de aula, bem como nasexperiências de leituras vivenciadas em seuperíodo de escolarização, marcadas pelotecnicismo e autoritarismopredominantemente.
  31. 31.  A concepção limitada de leitura dos/aseducadores/as é refletida no processo de ensinoe aprendizagem de leitura nas classes da EJA. Pensar dessa forma nos induz a defender anecessidade de implementação de políticas deformação continuada de professores da EJA,que partam da reflexão de suas práticas. Essa formação deve acontecer no locus daescola e garantir sessões de estudo, reflexõescríticas e (re)planejamento das práticas“(re)vivenciadas.
  32. 32.  Nessa produção coletiva “Maria a Vitoriosa”,de forma temporal e gradativa, os sujeitosalunos(a) foram narrando o cotidiano de uma“Maria”, inspirados pela música de MiltonNascimento – não se tratava para eles dequalquer Maria, mas no imaginário aVitoriosa. Poderíamos inferir que neste texto,deixaram transparecer a sua forma singularde ler o mundo de “Maria”.

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