Redes final

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Redes final

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁCENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANASDEPARTAMENTO DE GEOGRAFIADISCIPLINA: GEOGRAFIA REGIONAL IIPROFESSOR: GIOVANE MOTAREDES: TERRITÓRIO E FLUXOSPesquisa referente ao CFC dadisciplina Geografia Regional II erealizada pelos alunos:Adriel Sousa - 9903506101Allison Castro - 9803503901Ana Paula Paixão - 9903500401Ed Carlos Mesquita - 9803500901BELÉM – PAJUNHO/2004
  2. 2. 1 – INTRODUÇÃO:O espaço geográfico é coberto por um denso emaranhado de redes, por meio dasquais ocorrem dos mais variados fluxos. O termo redes está em voga, com toda a sortede significações. Podemos definir redes através de duas grandes matrizes. Existe aquelaque apenas considera seu aspecto, a sua realidade material. Assim, teríamos as redescomo sendo toda a infra-estrutura que permitisse o transporte de matéria, energia einformação, inscrita sobre um território, caracterizada pelos seus objetos que seencontram na superfície, sejam estes, pontos de acesso ou terminais. No entanto, outramatriz de rede considera que ela é também social e política, pelas pessoas, mensagens,valores que a freqüentam.Esse caráter social e político da rede é importante porque sem eles, e emboraapesar da sua materialidade, a rede constituiria, na verdade, uma mera abstração, hajavisto que é a ação humana que a valoriza.Por outro lado, a rede é composta de nós. Os nós da rede são pontos nos quaisuma curva se entrecorta. Podemos falar de nós da rede urbana, dos fluxos financeirosglobais, da rede política que governa a União Européia com sues Conselhos Nacionaisde Ministros e Comissários.A relação das redes com o território pode ser analisada sob dois aspectos:genético e atual. No primeiro caso, o estudo das redes é eminentemente evolutivo,porque, para este, as redes se constituem em várias partes, as quais vão sendo instaladasem diferentes momentos e datas. Muitos desses elementos fixados no espaço já nemexistem mais, porque o momento técnico não é o de outrora quando ele foi instalado.Ou seja, tudo depende do movimento social que exige mudanças, tanto na forma quantona técnica.Por outro lado, o enfoque atual leva em consideração a descrição do que acompõe. Nesta, é feito um estudo estatístico tanto da qualidade quanto da quantidadetécnica, objetivando avaliar as relações que os elementos constitutivos da rede mantémcom a vida social, ou seja, quais os benefícios que ela traz para a vida cotidiana.As redes através dos tempos passaram basicamente por três momentos, sendoque no primeiro, ela é notadamente marcada pela dominação da natureza, tendo emvista que as técnicas eram pouco desenvolvidas. Num segundo momento, as novasformas de energia irão dar um novo impulso. É também a época do surgimento damodernidade. Finalmente, no momento seguinte, já em pleno período técnico-científico-informacional, o território ganha importância, uma vez que as bases estarãoparcialmente neles, sendo que a outra parte está contida nos objetos avançados
  3. 3. tecnicamente como o computador, juntamente com as telecomunicações que vão serresponsáveis por dar as características atuais das redes, uma delas a espontaneidade.Hoje, as montagens das redes antevêem as suas funções. Destarte, as redes no momentoatual aparecem com forma sine qua non para a circulação e comunicação.2 – REDES: TERRITÓRIOS E FLUXOS:Um dos discursos mais difundidos na atualidade é aquele que propõe o “fim dosterritórios” e a emergência de uma sociedade em redes onde a relação território-redepoderia adquirir uma forma dicotômica onde o mundo dos territórios, estável, enraizado,ia se contrapor ao mundo das redes, instável e fluído. A distinção entre território e redeenvolve várias interpretações, desde os que radicalizam na dicotomização e consideramterritório e rede duas categorias distintas até os que subordinam a rede ao território.O importante dentro dessa análise é o fato de que seja como elemento separadodo território – este enquanto porção do espaço geográfico definida por relações depoder, onde o caráter espacial dessas relações cria, historicamente, um espaço social quecondiciona o seu desenvolvimento futuro - , seja como seu constituinte que adquirenovo peso, as redes se colocam como um importante referencial teórico para debates, setornando um veículo por excelência da maior fluidez que atinge o espaço, e dentro desseponto de vista sendo o elemento mais importante da territorialidade contemporânea.Seguindo o raciocínio de RAFFESTIN (1993) e suas três invariantes básicas (os nós ouos pólos, as malhas ou tessituras e as redes), enquanto nas sociedades tradicionais oelemento dominante eram as malhas, a dimensão horizontal do espaço, gradativamenteas redes vão adquirindo importância, ao ponto de, na sociedade informacionalcontemporânea, tornarem-se o principal elemento da configuração territorial, através da“dimensão vertical” do espaço.Todas as redes e a mobilidade proporcionadas por estas são, na nossa visão,componentes indissociáveis do território em qualquer contexto histórico. Na verdade osterritórios sempre carregaram, juntamente com as características de controle eestabilidade, a idéia do movimento, da integração e da conectividade.Assim, RAFFESTIN (1993) defende a idéia da rede como uma das “invariáveis”constituintes do território, juntamente com os nós e as malhas. O que varia na verdade éa composição entre estes elementos ao longo da história. Desta forma, a própria rede eos fluxos podem se tornar de tal forma dominantes que acabam se confundindo com opróprio território (enquanto controle de fluxos, mais do que áreas). Temos então aformação de “territórios-rede” (HAESBAERT, 1994).
  4. 4. De acordo com o conceito de fluxos, “os fluxos são o movimento, a circulação e,assim, eles nos dão também a explicação dos fenômenos da distribuição e do consumo”(SANTOS, 1994, p. 77), não poderíamos dissociar rede de território, uma vez que amaterialização dos fluxos ocorre no território, contrapondo-se à idéia de “fim dosterritórios”. Esta argumentação é ratificada através da localização da produção, uma vezque esta ainda está “colada” ao território. O que está sobreposto ao território são asredes que fazem o produto final – que é o capital – circular.3 – A REDE DE INFORMAÇÕES E O TERRITÓRIO:Como visto anteriormente, a rede é um conjunto de elementos interligados entresi através de relações sem hierarquia. O modelo de rede é o modo de organização usadohoje em dia em vários níveis, tanto do Estado, das sociedades, econômico, comercial...,enfim, várias esferas que agem no globo utilizam o modelo de redes para seorganizarem e atuarem. Como no mundo em que vivemos (e até mesmo pela nossacondição existencial) o imaterial se reflete no material, essa atuação se dará noterritório, por ser esse o modelo de organização do mundo, ainda que os territóriossejam variáveis, maleáveis e inconstantes tanto quanto ao alcance quanto ao domínio e ogerenciamento.Aqui discutiremos um pouco sobre como se dão os fluxos dentro de uma rede ecôo essa interfere ou se reflete no território. Se pensarmos que existem os fluxosmateriais e imateriais e estes atuam no território, essa rede territorial poderá modificá-lono intuito de manter a continuidade de tais fluxos. Esta modificação dar-se-á conforme anecessidade da rede. Por exemplo, a implantação de rodovias na Amazônia fez mudar omodo de circulação da produção, fazendo surgir novos eixos e, principalmente, novosmunicípios, sucumbindo a economia de outros.Existem vários exemplos de rede que atuam no território como a de transportes,rodoviária, fluvial, aeroviária, urbana, de circulação, de produção, de energia, etc. Nestetrabalho, aprofundar-nos-emos na rede de informações, que é a rede da qual se faz maisuso atualmente.Nos anos de 1970, aconteceu o que chamamos de Revolução Técnico-Científica-Informacional, onde a informação alimentava a ciência que, por sua vez, desenvolviatécnicas e tecnologias. A informação é, então, a alimentadora desse sistema. Portanto, ainformação e o seu domínio passam a ser de vital importância para as tomadas dedecisão.As redes de informações estarão presentes em quase todas as redes, uma vez queas ações da rede dependerão das informações. A circulação da informação dentro da
  5. 5. rede pode configurar uma nova rede. O funcionamento dessa rede de informação vaidepender muito da técnica e da tecnologia. Graças ao advento da Internet e o avanço dastelecomunicações e transportes, a informação circula numa velocidade cada vez maior enuma abrangência maior também.Podemos pensar que as diversas redes de informação têm várias abrangências,até mesmo uma rede de informação global. Essa abrangência estará em função do meiomaterial do qual a rede dispõe. Hoje, há a possibilidade de informação em tempo realpela Internet e pela telefonia principalmente. Mas é necessário ter em mente que essaabrangência apesar de ser global não é total, devido às disparidades tecnológicas esociais maiores ou menores que impossibilitam o domínio de tecnologias necessárias àaquisição de informações. Dessa forma, a informação não cobre o planeta. Uma boasaída seria a televisão, mas a prioridade das emissoras de tv parece ser a alienação emvez da informação, além da possibilidade de manipulação.Quando a informação circula pela rede, essa realimenta os pontos desta. Éatravés desta realimentação que há a possibilidade de correção dos erros, porque oserros manifestam-se por toda a rede. Assim, a possibilidade de acerto das ações da redeé maior justamente por esta auto-regulamentação.Interessante notar também a volatilidade de sustentação material de rede deinformação. Os pontos desta rede podem ser facilmente modificados pelo mundo. Para arede funcionar, os seus nós precisam estar com as suas estruturas internas em bomfuncionamento. Se por um motivo ou outro este nó não conseguir assimilar, processar erepassar a informação, é necessário limar este nó e criar um novo, para a rede poderfuncionar. Esta “correção” na rede modifica a função do território, pois ele perde a suafunção inicial. Mas, ao mesmo tempo, o território modifica, assim, a configuração darede, havendo uma troca de influências entre rede e território. Por exemplo, se numacidade portuária os trabalhadores entrarem em greve, ter-se-á que haver um novo modode expansão da produção, o que pode modificar trajetos, custos e métodos.Mas, afinal, qual é a função da rede de informações? Para o meio técnico-científico-informacional, a informação acerca de novas descobertas possibilita odesenvolvimento e a criação de novas tecnologias e conhecimentos científicos quepodem ser aplicados em várias áreas. Para a economia, a informação é necessária,devido vivermos na época do capitalismo financeiro, onde os acontecimentos de umpaís podem atrair ou espantar papéis e ações. Aqui a especulação é fator importante.Para a sociedade, ficar informado sobre os acontecimentos que ocorrem no mundo econhecer coisas novas significa desenvolvimento próprio, culto e ideológico. Uma
  6. 6. pessoa informada é uma pessoa inteligente. Então, hoje, a rede de informações e,principalmente, o seu bom funcionamento, são essenciais para a manutenção do sistemacapitalista e, até mesmo, do poder do Estado.E como a rede informações age no território? Primeiramente, ela selecionarálugares dentro do território para servirem de nós. Estes nós deverão ter infra-estruturanecessária para a fluidez da informação na rede. Dessa forma, esses lugares terãofunções diferenciadas dentro do território. Para fazer a conexão entre os nós, seránecessária a criação de infra-estrutura, que se materializará no território. Alem disso, opróprio fluxo da informação em certos lugares pode ter reflexos de outras maneiras,chegando até mesmo ao modo de vida do lugar. Conforme a informação vai circulando,os lugares vão se modificando, tanto para manter a função como usando a informação.É importante lembrar também que os gerenciadores do território podem utilizartanto a informação quanto o seu simples fluxo para exercer domínio e garantir ahegemonia sobre o território. A questão é a facilidade que a rede tem de se re-configurar, o que pode fazer com que o gerenciador perca sua arma.Como exemplo, utilizaremos uma rede de amizades. Vários amigos que secomunicam de uma forma ou de outra. Esses amigos conhecem outras pessoas queacabam se conectando á rede de forma secundária, mas que participam da rede,mostrando que a rede não é um sistema fechado. Suponhamos que os nós da rede(amigos) não sejam amigos de todos os outros nós e também não morem próximos.Façamos de conta que amigos morem em Belém, Ananindeua, Benevides e Vigia.Graças á tecnologia, a informação pode circular por dentro da rede e alimentar os nós.Só que cada nó tem o poder de transformar essa informação e repassá-la de acordo coma sua necessidade. Caso aconteça de essa informação transformada ser nociva à rede, oponto poderá ser limado da rede. Dessa forma, os nós podem usar a informação paralimar pontos indesejáveis no círculo de amizades, ou simplesmente danificá-los. Maspode ocorrer do território não aceitar a ação da informação. É o caso da “fofoca”, quepode destruir amizades ou facilitar a obtenção de algum objetivo. Essa é uma rede deinformação que atua num território imaterial, as amizades, mas que pode re-configurar arede e o território e, ao mesmo tempo, percebe-se a troca de influências entre rede eterritório.
  7. 7. BIBLIOGRAFIA:RAFFESTIN, C. Por uma Geografia do Poder. São Paulo; Ática, 1993.HAESBAAERT, Rogério. O mito da desterritorialização e as “regiões-rede”. Anais do5º Congresso Brasileiro de Geógrafos . Vol. 1. Curitiba, AGB, 1994.SANTOS, Milton. Metamorfose do espaço habitado. São Paulo. Hucitec, 1994.A natureza do espaço: Técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo.EDUSP, 2004.DIAS, Leila Cristina. Redes: Emergência e organização. In: CASTRO, Iná Elias de.Geografia: Conceitos e Temas. Rio de Janeiro. Bertrand Brasil, 2001.CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo. Paz e Terra, 1999.

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