Balada da Neve de Augusto Gil Selecção de imagens: Alice Godinho e Clara Vidalinc
Batem leve levemente  Como quem chama por mim... Será chuva? Será gente? Gente não é certamente E a chuva não bate assim...
É talvez a ventania; Mas há pouco, há poucochinho, Nem uma agulha bulia Na quieta melancolia Dos pinheiros do caminho
Quem bate assim levemente, Com tão estranha leveza Que mal se ouve, mal se sente?... Não é chuva, nem é gente, Nem é vento...
Fui ver. A neve caía Do azul cinzento do céu, Branca e leve, branca e fria... -Há quanto tempo a não a via! E que saudades...
Olho através da vidraça. Pôs tudo da cor do linho. Passa gente, e quando passa, Os passos imprime e traça Na brancura do c...
Fico olhando esses sinais Da pobre gente que avança, E noto, por entre os mais, Os traços miniaturais Duns pezitos de cria...
E descalcinhos, doridos... A neve deixa inda vê-los, Primeiro, bem definidos, Depois, em sulcos compridos, Porque não podi...
Que quem é pecador Sofra tormentos, enfim! Mas as crianças, Senhor, Por que lhes dais tanta dor?!... Por que padecem assim...
E uma infinita tristeza, Uma funda turbação Entra em mim, fica em mim presa. Cai neve na Natureza E cai no meu coração.
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Balada Da Neve

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    1. 1. Balada da Neve de Augusto Gil Selecção de imagens: Alice Godinho e Clara Vidalinc
    2. 2. Batem leve levemente Como quem chama por mim... Será chuva? Será gente? Gente não é certamente E a chuva não bate assim...
    3. 3. É talvez a ventania; Mas há pouco, há poucochinho, Nem uma agulha bulia Na quieta melancolia Dos pinheiros do caminho
    4. 4. Quem bate assim levemente, Com tão estranha leveza Que mal se ouve, mal se sente?... Não é chuva, nem é gente, Nem é vento com certeza.
    5. 5. Fui ver. A neve caía Do azul cinzento do céu, Branca e leve, branca e fria... -Há quanto tempo a não a via! E que saudades, Deus meu!
    6. 6. Olho através da vidraça. Pôs tudo da cor do linho. Passa gente, e quando passa, Os passos imprime e traça Na brancura do caminho...
    7. 7. Fico olhando esses sinais Da pobre gente que avança, E noto, por entre os mais, Os traços miniaturais Duns pezitos de criança...
    8. 8. E descalcinhos, doridos... A neve deixa inda vê-los, Primeiro, bem definidos, Depois, em sulcos compridos, Porque não podia erguê-los!...
    9. 9. Que quem é pecador Sofra tormentos, enfim! Mas as crianças, Senhor, Por que lhes dais tanta dor?!... Por que padecem assim?!...
    10. 10. E uma infinita tristeza, Uma funda turbação Entra em mim, fica em mim presa. Cai neve na Natureza E cai no meu coração.

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