Ilê público2

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Ilê público2

  1. 1. RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS LEI 10.639/03
  2. 2. Os principais dois grandes grupos que definem as Religiões Afro-brasileiras são o Candomblé e a Umbanda. No entanto esses dois grandes grupos abrigam religiosidades bastante diferentes, tais como, por exemplo: a Pajelança(Umbanda), no Norte e Nordeste, com profunda influência indígena e a Casa das Minas (Candomblé), no Maranhão, que mantém uma relação específica com os Voduns (espíritos ancestrais) da casa real do Daomé.
  3. 3. O CANDOMBLÉ é uma religiãobaseada nas crenças que osafricanos trouxeram de suasterras natais.Hoje em dia é difundida nãoapenas no Brasil, mas também emvários países norte/latinoamericanos e europeus.
  4. 4. Por que estudar o candomblé?Porque o Candomblé reproduz as características doethos africano, isto é, seu modo de viver. Através doestudo do Candomblé podemos ter uma noção entreoutros dos seguintes aspectos da África:•organização política, social e familiar dos reinosafricanos;•a visão ecológica;•medicina;•organização geográfica das aldeias;•culto dos ancestrais e reverencia aos mais velhos;•Arte africana e afro-brasileira.
  5. 5. NAÇÕESO culto do candomblé divide-se emgrupos que seguem tradições deculturas africanas diferentes, essesgrupos de origem étnicos sãochamados de “nações”.
  6. 6. NaçãoAngola/Congo:cultua os Inquices,divindadesrelacionadas àspopulações banto(que falam a línguabanto) de Angola eCongo da ÁfricaCentral.
  7. 7. TERREIRO BATE FOLHA DE SALVADOR (BA) MANSU BANDUQUENQUÉ
  8. 8. TERREIRO BATE FOLHA DO RIO DE JANEIRO KUPAPA UNSABA
  9. 9. Nação Jeje (Casadas Minas): cultuaos Voduns,divindadesrelacionadas àspopulações doreino de Daomé(populações Ewe,Fon) onde hoje éBenin, na ÁfricaOcidental.
  10. 10. Segundo Pierre Verger, a Casa das Minas teria sido fundada pela rainha NanAgontime, viúva do Rei Agonglô (1789-1797), vendida como escrava por Adondozã(1797-1818), que governou o Daomé após o falecimento do pai e foi destronado pelomeio irmão, Ghezo, filho da rainha (1818-1858). Ghezo chegou a organizar umaembaixada às Américas para procurar a sua mãe, que não foi encontrada.(…)O termo “mina”, embora designe o grupo étnico do Gana e esteja associado ao fortede São Jorge da Mina ou Elmina, na Costa do Ouro, serviu para rotular os negrossudaneses introduzidos no Brasil à época do tráfico: mina-fanti, mina-mahi, mina-popo, mina-jeje, mina-nagô, entre outros.Daí a expressão Tambor de Mina aplicada aos terreiros religiosos oriundos dessasetnias no Maranhão, e, conseqüentemente, Casa das Minas – onde vivem as negrasminas.A MITOLOGIAOs voduns (divindades) cultuados estão dispostos em famílias, que determinam adivisão física da Casa das Minas, sendo a principal a de Davice, cujo chefe éZomadonu, de uma linhagem real do Abomey. Essa família hospeda as outras: a deQuevioçô e a de Dambirá, cujos membros vivem em quartos ao lado do gume, oquintal onde está plantada uma secular cajazeira, árvore sagrada.www.guesaerrante.com.br/2005/11/30/Pagina387.htm
  11. 11. CASAS DAS MINAS NO MARANHÃOTombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional(IPHAN), pelo processo nº 1464-T-00, de 2002.
  12. 12. Nações do Candomblé:Nação Keto:cultua os ORIXÁS,divindadesrelacionadas àspopulaçõesYorubás (delíngua Yorubá) daregião da Nigéria,na ÁfricaOcidental.
  13. 13. CASAS BRANCA DO ENGENHO VELHO (BA) ILÊ AXÉ IYÁ NASSÔ OKATombado pelo IPHAN em 14 de Agosto de 1986 .Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico Inscrição:093Livro Histórico, Inscrição:504, Nº Processo:1067-T-82
  14. 14. ILÊ AXÉ OPÓ AFONJÁTombado pelo IPHAN em 28 de julho de 2000.Livro Histórico: Insc.:559.Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico: Insc.:124 Nº Processo:1432-T-98
  15. 15. SOCIEDADE SÃO JORGE DO GANTOIS (BA) ILÊ IYÁ OMIN AXÉ IYÁ MASSÊTombado pelo IPHAN em 2002,Processo nº 1471-T-00, 2002
  16. 16. NAÇÃO KETO ORIXÁS
  17. 17. OLORUN
  18. 18. EXU OGUMMensageiro-Dono da comunicação •Ferreiro – Guerreiro - Civilizador•Guardião das entradas e saídas •Desenvolvimento•Cor: vermelho e preto •Cor: azul; branco; verde•Símbolo: ogó (bastão) •Símbolo: Espada; Bigorna
  19. 19. OXOSSI OSSAIN•Caçador •Curandeiro•Caça, Floresta, Alimentação •Senhor das ervas e plantas• Cor: Verde ou Azul • Cor: Verde•Símbolo: Ofá •Símbolo: Haste com pássaro
  20. 20. OMOLU XANGÔ•Senhor do solo, da plantação, •Rei; Justiçada saúde e das doenças. •Senhor dos raios e trovões• Cor: Palha; Marrom; •Cor: Vermelho; Branco•Símbolo: Xaxará •Símbolo: Oxé (Machado)
  21. 21. Lamidi Olayiwola Adeyemi – Alafin de Oyó
  22. 22. •Rei das ligações e inter-relaçõesOXUMARÉ •Cor: Cores do arco-íris •Símbolo: Serpente; arco íris;
  23. 23. •Guerreira; senhora da morte •Raios; ventos; tempestades; sensualidadeYANSÃ •Cor: Vermelho; rosa •Símbolo: faca; alfange; urukere
  24. 24. •Beleza, Sensualidade e Vaidade •Águas Doce; Beleza; Amor; riqueza; fecundidadeOXUM •Cor: Amarelo; dourado •Símbolo: espelho
  25. 25. SANTUÁRIO DE OXUM EM OXOGBO
  26. 26. •Grande mãe •Mar; MaternidadeYEMANJÁ •Cor: Branco; prata; azul •Símbolo: Espelho prateado
  27. 27. •Mãe senhora; Grande vó •Raiz; pântano; Lama (Terra e água;NANÃ Início e Fim; vida e morte •Cor: Roxo; Branco; Anil •Símbolo: ibiri
  28. 28. •Sábio Ancião •Sabedoria; Vida e MorteOXALÁ •Cor: Branco •Símbolo: opaxorô
  29. 29. Os terreiros de candomblé são casas onde são realizados os ritos do culto adivindades da África trazidas com os africanos escravizados que preservaram namemória sua cultura, seus costumes e suas crenças. Assim como os Faraós noEgito, essas divindades eram reis cultuados como deuses e toda a sorte dapopulação, seja na colheita, no comércio, na guerra ou nos fenômenos dasestações do ano, era atribuída às suas influências sobre a natureza.O rei geralmente era considerado um pai para a população, pois a estruturapolítica reproduzia a estrutura familiar e, portanto, ele era um chefe de clãsligadas por laços de parentesco. Tudo isso se explica pelo fato de a maioriadestes reinos terem se desenvolvidos a partir do crescimento de pequenasaldeias de famílias agrupadas.Diferente do que ocorre na África, onde estes reis divinizados estão separadospor regiões e cidades, no Brasil, a continuidade de seus cultos pelos africanos sófoi possível quando eles se uniram em uma comunidade onde pudessem celebrarseus deuses no mesmo espaço, o terreiro. Essa comunidade, a comunidade-terreiro, chama-se Egbé.
  30. 30. REINOSYORUBÁS
  31. 31. REINOSYORUBÁS
  32. 32. Egbes“Na África, principalmente entre os iorubás, asfamílias extensas moravam em habitações coletivaschamadas de egbes ou compounds. O compound eraum conjunto de casas pequenas construídas lado a ladona forma de um quadrado ou retângulo. As portas ejanelas das casas ficavam voltadas para o pátio internodo conjunto, lugar onde se dava o convívio social dafamília, e que se ligava por um lado externo aocorredor. A proteção espiritual do compound eraassegurada pelo altar de Exu, localizada nasproximidades da entrada do conjunto, e pelasdivindades dos núcleos familiares que os formavam.Os mortos eram sepultados e cultuados no interior docompound.” (SILVA, 2005. P.64)
  33. 33. Esta é a Casa Branca do Engenho Velho, o mais antigo terreiro de raiz yorubá, cujo nomeafricano é Ilê Axé Iyá Nassó Oká. Os povos Yorubás vieram das regiões sudanesas que seestendem do Benim até a Nigéria e denominam as suas divindades de Orixás. A eles sãorelacionadas forças da vida e da natureza que usam para ajudar seu povo, seus fiéis efilhos. Orixá significa "inteligência da natureza." No Candomblé, cada pessoa tem seuOrixá e o reconhece como deus e pai ao mesmo tempo.O terreno fica situado numa encosta que se estende até uma cota de 30.00m comdeclividade de 30%, no lado direito da atual avenida da Gama, no sentido de progressãopara o Rio Vermelho, entre as Ladeiras Manoel do Bonfim e do Bogun, na UnidadeEspacial C-5 em Salvador - Bahia. Ocupa uma área de 6.000m². Em redor do Barracãoexistem várias casas de Orixás. Casa Branca do Engenho Velho. Tombada em 1986 pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
  34. 34. O Terreiro é de Oxossi e o Templo principal é de Xangô. O Barracão que tem o nome de CasaBranca, é uma edificação alongada com várias divisões internas que encerram residências dasprincipais pessoas do Terreiro, como também espaços reservados aos quartos de Orixás, quartode Axé, Salão onde se realizam as festas públicas, bem como a cozinha onde se preparam ascomidas sagradas. Uma bandeira branca hasteada no Terreiro indica o carater sagrado desteespaço. No telhado do Barracão, símbolos de Xangô identificam o Patrono do Templo.A planta da construção da Casa Branca do Engenho Velho foi adaptada seguindo a mesmalógica dos egbés, ou compounds, de acordo com a arquitetura colonial e as condições dogeográficas do ambiente, mas certamente a construção principal tem a mesma estrutura. Naplanta abaixo, temos essa estrutura ampliada por todo o terreno.“No terreiro de candomblé os negros reproduziram no nível mítico alguns desses padrões demoradia e de culto. Exu continuou guardando a entrada dos terreiros. Os orixás, com seusquartos individuais, sintetizaram a divisão de culto por família. O culto aos mortos tambémpermaneceu no quarto de balé ou de egun (espírito dos mortos). E o barracão do terreiro,funcionando como espaço de culto religioso e da realização das festas públicas, reproduziu opátio interno do compound” (SILVA, 2005. P.64-65)
  35. 35. Ilê Axé Opô Afonjá. Fundado em Salvador no ano de 1910. Tombada em2000 pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
  36. 36. Há uma casa para cada um. Estas construções foram assim estruturadas pelasmães de santo fundadoras, na intenção de criar uma miniatrua da África
  37. 37. CASA DE SHANGÔ DO ILE AXE OPO AFONJA
  38. 38. Significado dos nomes Yorubás das casas tradicionais de terreiros de Nação Keto: YLE – CASA AXÉ – FORÇAOPO – SUSTENTAÇÃO (COLUNAS DE SUSTENTAÇÃO) Acompanhados por nomes de sacerdotes ou Orixás
  39. 39. BARRACÃOAlém dos quartos, casas ou assentamentos dos orixás, o barracão é um espaço fundamental para ocandomblé. É pátio do Egbé. É o lugar onde ocorre as festas religiosas. Nele, os orixás se encontram paratrazer suas forças para o mundo dos homens. As festas remontam ao mesmo tempo a estrutura política deum palácio africano e as histórias míticas dos orixás. O Pai e a Mãe de Santo são o rei e a rainha dopalácio e contemplam os orixás que dançam ao rítmo dos atabaques tocados pelos músicos ogans. Osdançantes a todo momento são pageados auxiliados pelas equedis que sinalizam com uma sineta o percursoda dança em torno do ixé, a coluna sagrada ao centro do barracão.
  40. 40. Yalorixá (Yá = mãe; Ori = cabeça; xá = poder; força; regência) Babalorixá (Baba= pai; Ori = cabeça; xá = poder; força; regência)Maria Stella de Azevedo Santos, Mãe Stella de Oxóssi, Odé Kayode Ilê Axé Opô Afonjá
  41. 41. OGÃS
  42. 42. Atabaques (Lê, Rum-pi e Rum)
  43. 43. EKEDY (EQUEDI)
  44. 44. Yao – iniciado; filho de santoEbômin – iniciados com 14 anos de iniciaçãoAbian – frequentador ainda não iniciado
  45. 45. Antropologia do Espaço/LugarMarc Augé, ao tratar do significado antropológico do lugar,conceitua este como um local preenchido de sentidos esignificados pelo grupo que o vivencia e elabora sua visãode mundo a partir de sua relação com este ambiente, noqual encontra uma posição, ou seja, um lugar, neleimprimindo, suas construções simbólicas que ordenam aorganização espacial, construindo assim, um território. “Reservamos o termo lugar antropológico àquela construção concreta e simbólica do espaço que não poderia dar conta, somente por ela, das vicissitudes e contradições da vida social, mas à qual se referem todos aqueles a quem ela designa um lugar, por mais humilde e modesto que seja.” (AUGÉ: 2005, p.51)
  46. 46. Características do Lugar Antropológico1) Identitário - enquanto preenchido de significados esentidos, o lugar antropológico corresponde e confereidentidade a seus usuários;2) relacional - a identidade de um lugar pertence a umconjunto de elementos, dentro do qual se define na sua relaçãoe distinção com estes demais elementos;3) histórico - lugar é antropológico é necessariamente umlugar vivido, um espaço/tempo que somente reconhece seusignificado e encontra seu sentido formando um sistema decódigos que se sustenta na medida em que é posto em práticano cotidiano.
  47. 47. Território – Muniz Sodré“A história de uma cidade é a maneira como oshabitantes ordenaram as suas relações com a terra, océu, a água e os outros homens. A História dá-se numterritório, que é o espaço exclusivo ordenado dastrocas que a comunidade realiza na direção de umaidentidade grupal.” (SODRÉ: 1988, p. 22)“Território é, assim, o lugar marcado de um jogo,que se entende em sentido amplo como protoformade toda e qualquer cultura: sistema de regras demovimentação humana de um grupo, horizonte derelacionamento com o real.” (SODRÉ: 1988, p. 23)
  48. 48. Do lado dos ex-escravos, o terreiro (de candomblé)afigura-se como forma social negro-brasileira porexcelência, por que além da diversidade existencial ecultural que engendra, é um lugar originário de força oupotencia social para uma etnia que experimenta acidadania em condições desiguais. Através do terreiro ede sua originalidade diante do espaço europeu, obtém-setraços fortes da subjetividade histórica das classessubalternas no Brasil. (SODRÉ: 1988, p. 19)
  49. 49. No entanto, a essas concepções espaço-temporais entronizadas (…)sempre se opuseram outros processos simbólicos, oriundos dasclasses ditas subalterna, em geral caudatários de simbolizaçõestradicionais, pertencentes a espaços selvagens, onde se desenvolvemculturas de Arkhé (populares, costuma-se dizer). As comunidadeslitúrgicas conhecidas no Brasil como terreiros de culto constituemexemplo notável de suporte territorial para a continuidade do antigoescravo em face dos estratagemas simbólicos do senhor, daquele quepretende controlar o espaço da cidade. Tanto para os indígenas comopara os negros vinculados às antigas cosmogonias africanas, aquestão do espaço é crucial na sociedade brasileira (…) Mas essanão é uma questão exclusiva de determinados segmentos étnicos.Para todo e qualquer indivíduo da chamada periferia colonizada domundo, a redefinição da cidadania passa necessariamente peloremanejamento do espaço territorial em todo o alcance dessaexpressão. (SODRÉ: 1988, p. 17-18)
  50. 50. Assim, o Terreiro se encontra dentro do conceito definidopor Henrique Cunha como “território de maioriaafrodescendente”, o qual observa os espaços de moradiade uma população com história e cultura comunsreportadas às estratégias e conhecimentos engendradospela população negra. Estes espaços geográficos demoradia são em sua origem histórica formadas porpopulações negras e pobres com as quais se uniram aspopulações de outras etnias, caracterizadas pela mesmacondição social. Portanto trata-se de regiões geográficasda cidade de populações de baixa renda com a maioriaafro-descendente “que determina a dinâmica cultural esocial desses territórios.” (CUNHA JR: 2007, p.71)
  51. 51. Os terreiros se constituiram como espaçosfortalecimento das características africanas de lidarcom o espaço imprimindo-lhe seu própriosignificado, ordenando-o com símbolos sagrados quenão apenas expressam mais orientam os sentidos econdutas dos adeptos do candomblé. Os terreiros deCandomblé se tornaram centros acolhedores de umapopulação de visões de mundo e comportamentosavesso ao ideário burguês, que teve sua cidadaniaespoliada.
  52. 52. Recursos Metodológicos• Observação participante;• Registro fotográfico;• Registro em caderno de campo;• Entrevista informal.
  53. 53. Na lógica das religiões afro-brasileiras, a palavra falada é consideradauma importante fonte de axé (força vital) e veículo de poder sagrado. Falaré um ato mágico que impregna por contaminação simbólica o sujeito dafala e do seu ouvinte. Na transmissão do conhecimento litúrgico, o quedizer, quando, como e para quem são instâncias determinadas pelahierarquia religiosa. A entrevista etnográfica, por haver transmissão deconhecimento, também é apreendida pelo grupo através desse contextosimbólico. Para o pai-de-santo, dar entrevistas ou falar ao antropólogoadquirem significados que vão além da simples transmissão deconhecimentos “objetivos”, significando muitas vezes, uma inversão deprocedimentos religiosos. Porque, nessas religiões, o processo de obtençãodo conhecimento raramente se faz através de uma dinâmica de perguntas erespostas. Perguntar é uma quebra da regra do silêncio e do respeito, poisacredita-se que o conhecimento deva ser transmitido de acordo com osméritos de cada um e em função do tempo de iniciação. Nesse ambienteaprende-se observando, sem questionar ou demonstrar uma excessivacuriosidade. (SILVA: 2006, p. 44)
  54. 54. UMBANDA A MAIS BRASILEIRA DAS RELIGIÕES
  55. 55. A UMBANDA A UMBANDA É UMA RELIGIÃO PROFUNDAMENTE BRASILEIRA QUE SOMA, NA SUA CONCEPÇÃO TEOLÓGICA, INFLUÊNCIAS DO CANDOMBLÉ, DOCATOLICISMO POPULAR E DO ESPIRITISMO KARDECISTA. AS ENTIDADES DA UMBANDA CONTAM A HISTÓRIA DO BRASIL:MAS DE UM BRASIL DIFERENTE E INVERSO, NO QUAL OSHERÓIS EXEMPLARES E AS AÇÕES TRANSFORMADORAS DA NACIONALIDADE SE REFEREM ÀS FIGURAS MARGINALIZADAS: CABOCLOS, BOIADEIROS, ÍNDIOS, PROSTITUTAS, MALANDROS, VELHOS ESCRAVOS E CRIANÇAS.
  56. 56. A Umbanda, apesar dos vários sincretismos evertentes que a caracterizam, é considerada umareligião afro-brasileira que se desenvolveu a partirdas Cabulas, cultos de origem Bantu que sãoregistradas desde o séc. XVII, mas que seorganizou, na sua forma atual, a partir da décadade 30, para atender às demandas e aflições dapopulação negra e mestiça das periferias cariocas epaulistas, sendo, posteriormente, adotada pelaclasse média branca urbana. Ora é consideradacomo um “branqueamento” das religiões negras,ora é acentuado seu aspecto mais negro. A palavraUmbanda vem das línguas Bantu, Umbundo eQuimbundo, significando “arte de curandeiro” ou“medicina”.
  57. 57. AS ENTIDADES NA UMBANDAAS ENTIDADES QUE SE MANIFESTAM NA UMBANDATÊM DIFERENTES FUNÇÕES:O ORIXÁ: REPRESENTA O EU IDEAL E NORMATIVO;O CABOCLO: REPRESENTA A MATURIDADE, A FORÇA, ACAPACIDADE DE ESCOLHER CAMINHOS E ENFRENTAROS PROBLEMAS;O PRETO-VELHO: REPRESENTA A MEMÓRIA, ACAPACIDADE DE COMPREENDER E SUPERAR OSPROBLEMAS;•EXU E POMBA-GIRA: REPRESENTA A RUPTURA, OCONFLITO E A CAPACIDADE DE RESOLVER OSPROBLEMAS;•AS CRIANÇAS: REPRESENTAM A VIDA, A ALEGRIA E OPODER DE EXISITIR PLENAMENTE, APESAR DOSPROBLEMAS
  58. 58. O lugar de culto da Umbanda é chamado templo, terreiro ou Centro, ondeos Umbandistas se encontram para realização do culto, denominado Gira. Nassessões de consulta, onde podemos encontrar Pretos-Velhos, Caboclos,Ciganos e outros Espíritos, as pessoas conversam com essas Entidades a fim deobter ajuda para suas vidas, curas e solução para problemas espirituais epessoais diversos. As Entidades dão conselhos, dão “passes” (gestos mágicosque “descarregam” as influências hostis) ou defumam (o uso da bebida e dotabaco como meio de cura é de origem indígena). A Umbanda crê que omédium tem o compromisso de servir como um instrumento de Guias ouEntidades espirituais superiores e, portanto, deve se preparar através doestudo, desenvolvendo a sua mediunidade, sempre prezando a elevaçãomoral e espiritual, a aprendizagem conceitual e prática da Umbanda, respeitaros Guias e Orixás; ter assiduidade e compromisso com sua Casa, ter caridadeem seu coração, amor e fé em sua mente e espírito.
  59. 59. AS FALANGES• As entidades da Umbanda se dividem em Falanges: grupos de espíritos individualizados que têm personalidades similares e funções reconhecidas num mesmo padrão.• As principais Falanges ou Linhas são:• A primeira linha é chefiada por Oxalá e também é denominada linha de Santo, pois abrange os santos da Igreja Católica em geral.• A segunda linha é a linha de Iemanjá, que engloba as ondinas, caboclas do mar e outras entidades relacionadas à água.• A terceira linha, a linha de Oxóssi, é a composta de caboclos e caboclas, ou seja, índios, sendo comandada por São Sebastião.• Na quarta linha, a de Xangô-Agodô, comandada por São Jerônimo, trabalha Santa Bárbara, caboclos e pretos-velhos.• A quinta linha é a linha de Ogum ou São Jorge, que lidera caboclos, pretos- velhos e soldados romanos.• A sexta linha é a linha Africana ou de São Cipriano, onde trabalha todo o povo da Costa do Congo, de Angola e todo povo da África, comandada por Omolu.• A sétima linha é a de Yori, ou de Cosme e Damião, que lideram as crianças.
  60. 60. OGUM SÃO JORGE
  61. 61. OXOSSI SÃO SEBASTIÃO
  62. 62. OXUM NS. S. DA CONCEIÇÃO
  63. 63. YANSÃ S. BARBARA
  64. 64. • A Umbanda é uma religião autenticamente brasileira, pois conta a história da formação do Brasil de um outro ponto de vista, atribuindo a negros e indígenas, seu valor e participação na sociedade. Outro aspecto importante da Umbanda é o de colaborar com a saúde, além de aconselhamento psicológico e social a comunidades, em sua maioria de baixa renda, que de outra forma não teriam acesso a tais benefícios.
  65. 65. O CABOCLO• A entidade Caboclo pode vir sob a forma do:• Caboclo de Pena – o índio, geralmente numa versão romantizada do índio brasileiro;• Boiadeiro – seja o vaqueiro nordestino, o boiadeiro do sudeste ou o peão do sul;• Marujo ou Marinheiro – seja o jangadeiro ou pescador ou o marujo embarcado na Marinha;• O Cangaceiro é, também considerado na linha dos Caboclos, ainda que seja “cruzado” com a linha dos Exus.
  66. 66. O CABOCLO DE PENA• O Caboclo ou Cabocla de Pena representa o índio, como o “bom selvagem”: corajoso, sábio, caçador, independente, orgulhoso, honrado e audaz, conhecedor dos caminhos da mata e dos remédios tradicionais. Geralmente sua manifestação é séria e sisuda.• A função do Caboclo de Pena é indicar o caminho da vida e restabelecer o equilíbrio perdido.
  67. 67. Pena Verde
  68. 68. Cabocla Jurema
  69. 69. BOIADEIRO• O Boiadeiro é representado como um homem do mundo rural, corajoso e sábio, mas alegre, amigo de churrasco, cerveja, cachaça e brincadeiras.• As Festas de Boiadeiro são cheias de alusões e cantigas ao mundo do agreste, de alegorias ligadas ao trabalho com o gado, de histórias de fé e de persistência.• Os conselhos do Boiadeiro geralmente são espertos e práticos, apontando para a tomada de responsabilidades.
  70. 70. Boiadeiro
  71. 71. Pretos(as)-Velhos(as)• Os Pretos e Pretas-Velhas representam a idade, a experiência e, portanto, a compaixão e a paciência.• São velhos escravos e escravas que contam suas vidas (às vezes, com impressionante correção antropológica) e retiram dos seus sofrimentos, conselhos de superação das situações e de sabedoria.• No entanto, os(as) Pretos(as) Velhos(as) não são “bonzinhos”: representam a morte e a memória da escravidão, por isso são sábios – porque é preciso não esquecer a crueldade do sofrimento para que ele não aconteça nunca mais.
  72. 72. Pretos(as)-Velhos(as)
  73. 73. AS CRIANÇAS• As Crianças, também chamadas coletivamente, de Ibejada (Ibeji é uma palavra nagô que significa Criança) são espíritos de crianças que vêm para brincar e para resolver problemas das pessoas.• Na verdade, na medida em que as crianças representam o espírito da vida, são as entidades mais poderosas, sendo capazes de resolver os problemas mais terríveis.• A Festa de Cosme e Damião, em várias cidades brasileiras, festeja essas crianças espirituais, com doces e brinquedos, acolhendo e agradando as crianças carnais.
  74. 74. As Crianças
  75. 75. EXU e POMBA GIRA• Os vários Exus e Pombas Giras são considerados uma Linha a parte, pois “trabalham” para todas as Linhas, realizando os “serviços” espirituais mais pesados.• No entanto, não podem e não devem ser considerados como representações demoníacas – são perigosos porque precisam ser capazes de enfrentar e resolver os problemas que os seres humanos não conseguem dar conta – sendo, portanto, capazes de “trabalhar” para o bem ou para o mal, conforme forem requisitados.
  76. 76. Zé Pelintra
  77. 77. Pomba-giraPomba-Gira pode vir na forma de Cigana, Rainha, Maria Mulambo, Sete Saias e outras mais
  78. 78. 1 - Macumba
  79. 79. 2 – Exu não é Lucifer e os orixás não são demônios
  80. 80. 3- Sacrifício Sacrificar significa sagrar, isto é, tornar algo sagrado. No candomblé é preciso tornar o alimento sagrado para que ele seja abençoado pelos deuses. O alimento é comido e as bençãos de deus é juntamente ingerida. Todas as religiões fazem isso. Os católicos sacrificam o Peru no Natal e peixe na semana santa, seguindo a mesma idéia

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