1                  Índice geral    1.            Introdução    2.            Douro - a região do Vinho do Porto    2.    1...
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A encosta de Santa Marinha é uma zona abrigada dos ventos marítimos ali próximos,com pequenas oscilações das suas temperat...
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22 – Os Burmester com os trabalhadores (ano 1920 aprox.)      7     A Casa Burmester      7.1   Origens do nome Burmester ...
As contínuas guerras de cariz religioso que assolaram a Europa Continental durante oséculo XVI fez com que alguns membros ...
24 – Caves Burmester (início do século XX)      7.3.     A empresa      A hoje denominada Casa Burmester teve o seu inicio...
A Casa Burmester foi temporariamente adquirida por um conhecido comerciante Manuelde Clamouse Brown que a manteve durante ...
Aliando os processos tradicionais a uma sofisticada tecnologia de ponta, este projectoassinado pelo Arq. Arnaldo Barbosa, ...
8      Conclusão     A Casa BURMESTER é hoje, decididamente, uma empresa de dimensão média secomparada com a generalidade ...
Mesmo quando recentemente adquiriu as Quintas de Nº Sª do Carmo e de S. Cibrãoapenas cultivou, para o Vinho do Porto, as v...
9       Bibliografia1)    MONTEIRO, Manuel, O Douro, Porto, Edições Livro Branco, Lda., 1998, p.12)    Alto Douro Vinhatei...
10      Referências de imagem1)    www.burmester.com2)    Quadro a óleo anterior a 1736. Podem ver-se o manuseamento das p...
O Douro, o Vinho do Porto, a Casa BURMESTER                Alexandre Vieira da Silva       Faculdade de Letras da Universi...
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Trabalho desenvolvido para TMG na Licenciatura de Geografia, Universidade do Porto

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O Douro, O Vinho Do Porto, A Casa Burmester

  1. 1. 1 Índice geral 1. Introdução 2. Douro - a região do Vinho do Porto 2. 1. Localização geográfica 2. 2. Aspectos naturais da região 2. 2. 1. Formação geológica 2. 2. 2. Os solos 2. 2. 3. O clima 2. 3. Douro - o rio 3. Arqueologia da região e do rio 3. 1. Aspectos históricos 4. A influência inglesa 5. A acção do Marquês de Pombal 5. 1. A Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro 5. 1. 2. Notas complementares 6. As caves de Vila Nova de Gaia 6. 1. Razões históricas 6. 1. 2. Razões políticas e administrativas 6. 2. Mapa das caves 7. A Casa BURMESTER 7. 1. Origens do nome 7. 2. A actividade comercial e financeira 7. 3. A empresa 8. Conclusão 9. Referências bibliográficas 10. Referências de imagem 1
  2. 2. 2
  3. 3. 2 1 Introdução Este trabalho teve como objectivo central melhor entender as origens, a instalação emPortugal e o seu desenvolvimento, ao longo do tempo, do nome Burmester nas suas ligaçõesao Vinho do Porto. Como objectivo mais específico o de conhecermos como foi possível a uma “pequena”empresa manter-se ao longo do tempo e chegar aos dias de hoje com um nome afirmado econfirmado no Vinho do Porto. A Casa BURMESTER continua a existir após mais de dois séculos, sem nunca ter sidoproprietário de quintas no Douro, até ao passado recente, contrariamente a outras empresas. No entanto sempre foi (e continua a ser) um dos nomes importantes do Vinho do Portoquer a nível nacional quer a nível internacional muito em especial pela qualidade dos seusprodutos. A Casa BURMESTER foi sempre uma “pequena firma” comparativamente com as outrasconhecidas empresas ligadas ao sector do Vinho do Porto. Não podemos, obviamente, dissociar o nome Burmester da Região Demarcada doVinho do Porto, do rio Douro bem como da zona ribeirinha de Vila Nova de Gaia local ondeainda hoje se mantém a Casa BURMESTER. 3
  4. 4. A escolha deste tema prendeu-se com a motivação e interesse pessoal do autor peloque diz respeito ao Douro e o Vinho do Porto; o objectivo BURMESTER surgiu pela existênciade contactos na área e por alguns conhecimentos adicionais que se revelaram importantespara a execução deste trabalho. Para compreendermos como chegámos aqui, isto é como a Casa BURMESTER chegouaté aos nossos dias, necessitamos de perceber e tentar conhecer de onde partimos. Precisámos de uma “fotografia de partida”. Para a elaboração deste trabalho não pudemos deixar de pesquisar informação sobre aregião base desse vinho – o Alto Douro Vinhateiro – pesquisa essa que não foi possível ser tãoexaustiva quanto pretendíamos mas que contribuiu decisivamente para a melhor consecuçãodo nosso objectivo. Temos de referir o mesmo quanto aos dados relativos ao rio Douro, indissociado datemática abordada. Não sendo fácil, em virtude da vastidão do território do Alto Douro Vinhateiro ou melhordizendo da Região Demarcada do Douro, das inúmeras quintas e dos seus consecutivosproprietários ao longo de décadas e décadas, tentámos através de pesquisa bibliográfica,essencialmente, centrarmo-nos nos dados pretendidos. O conhecimento pessoal relativamente profundo, quer daquela região quer da própriahistória associada ao Vinho do Porto quer ainda de pessoas e empresas da área, “facilitou”essa mesma pesquisa. Complementarmente, e na impossibilidade absoluta de utilizarmos uma metodologia detrabalho que nos permitisse inquirir uma amostra significativa do universo de referência paraeste trabalho, utilizámos a entrevista como forma de aprofundar alguns conhecimentoshistóricos aos quais de outra forma não teríamos acesso. Como atrás referimos o factor conhecimento e relação pessoal com a área em questãopermitiu que a recolha de dados fosse feito de forma “informal” – no entanto sustentada noconhecimento histórico que a anterior e nova administração da Casa BURMESTER possuem. Adicionalmente recolhemos informação através de conversas completamente informaiscom antigos funcionários da empresa e de empresas com ligações mais recentes aproveitandoas relações profissionais do autor com estas. 4
  5. 5. Não terá sido certamente a melhor metodologia mas foi a possível de aplicar, baseadana pesquisa objectiva das informações pretendidas associada a informações acessórias masnão menos importantes que uma entrevista com uma estrutura ligeira das questões permite. Considerado como essencial uma pesquisa profunda no Arquivo Histórico da CasaBURMESTER tal veio a revelar-se não ser possível (por motivos alheios ao autor) pelo que dealguma forma este trabalho se poderá considerar “menos completo” Dada a natureza de “grandiosidade” que o trabalho poderia proporcionar, a manifestafalta de tempo apesar da conciliação dos factores profissionais, familiares e escolares,elaborámos um trabalho que podemos considerar o ponto de partida para um futuro aprofundardo tema. .Como “fotografia de chegada” servirá como base de um trabalho que poderá sercontinuado no futuro. 5
  6. 6. 6
  7. 7. 3 – Região do Douro 2 Douro – a região do Vinho do Porto 2.1 Localização geográfica “O Douro, genericamente falando, é uma expressão territorial relativa a uma zonaaccidentada, comprehendida entre a Barca DÁlva e a aldeia de Barqueiros, cerca da villa daRégua, e banhada em toda a sua latitude pelo considerável rio peninsular de que recebe onome” (1) Esta região é hoje Património Mundial Unesco e, em termos estritamente geográficos, oDouro e a Região do Alto Douro Vinhateiro – Região Demarcada do Douro a que nos referimosneste trabalho, encontra-se localizada entre as seguintes coordenadas: Latitude 410 06” N e 410 15” N Longitude 70 06” O e 70 52” O(Coordenadas da rede geodésica Europeia Unificada – DATUM EUROPEU) (2) 4 7
  8. 8. São de 250 000 hectares de Barqueiros a Barca de Alva. Espalha-se pelos quatrodistritos de Vila Real, Bragança, Viseu e Guarda e por vinte e um concelhos (ver quadroabaixo). 5 Neste quadro podem ver-se quais os concelhos abrangidos pela região produtora doVinho do Porto embora, como refere a legenda do mesmo, nem todos fazem parte “por inteiro” 8
  9. 9. 2.1 Aspectos naturais da região 2.2.1 Formação geológica A área de terrenos da Região demarcada pertence à formação geológica Complexoxisto-grauváquico ante ordovícico (hispaniano) (PC-Cb). A região é praticamente toda rodeada por uma formação geológica granítica. O xisto em plano de clivagem vertical facilita a infiltração das águas das chuvas e a penetração das raízes 6 2.2.2 Os solos A acção do homem (acção antrópica) é o grande factor responsável pela formação dos solos da região; o aprofundamento do solo, a desagregação da rocha e a criação dos socalcos são os retratos visíveis dessa acção. De entre outros elementos citamos as qualidades consideradas importantes no cultivo da vinha: Textura – são solos franco-arenosos, francos e franco-limosos dominando o primeiro e sempre existindo grandes quantidades de areia. Juntamente com a textura é importante salientar a existência de elementos grosseiros (cascalho e pedras) que permite uma melhor penetração e fixação das raízes. A cobertura do solo permite regularizar as temperaturas evitando grandes amplitudes térmicas e protege o solo contra a erosão provocada pelas chuvas A cor escura permite uma grande absorção de energia radiante pela existência de um baixo albedo; assim o aumento da tempeatura do solo melhora a maturação das vinhas de forma mais rápida e com mais qualidade. . Matéria orgânica – teor baixo de matéria orgânica Reacção dos solos – predominam os solos de acidez média seguidos dos solos de pouca acidez; os neutros e os muito ácidos não são representativos. 9
  10. 10. 7 10
  11. 11. 7 11
  12. 12. 2.2.3 O clima Onde principia a Região Demarcada o rio Douro faz um “S”. É quando encontra o valeda Serra do Marão. Contra esta as massas de ar húmido vindas do Atlântico perdem, porcondensação, o vapor de água transportado. Toda esta região se encontra em vales profundos protegidos por montanhas de altitudeda ordem dos 1000 metros: Mogadouro, Lagoaça, Roboredo, Bornes, Reborosa, Candoso, Stª Comba, Vlarelho, Preta, Faperra, S. Domingos, Brunheiro, Padrela, Alvão, Marão, Marofa, Sirigo, Leomil, Piedade, S. Domingos de Queimada, Bigorne e Montemuro. As altitudes oscilam entre os 731 metros da serra do Candoso e os 1415 metros daserra do Marão. São estes conjuntos de serras que protegem a região duriense quer dos ventos vindosdo Atlântico quer dos ventos do Norte, frios, dando por isso características climáticas muitopróprias, à região. A temperatura média aumenta quando subimos o rio e desce quando nos afastamosdele. Já a pluviosidade regista exactamente o sentido inverso. Em função dos vários factores já referidos (e outros) são normalmente considerados trêsclimas diferentes considerados a partir de jusante do rio para montante: Atlântico Atlântico – Medterrânico Mediterrânico 12
  13. 13. 89 13
  14. 14. 10 - Rio Douro 2.3. O rio Douro O rio Douro é como que a espinha dorsal da região duriense. O Douro é um rio internacional, nasce na Serra de Urbión, Espanha, a cerca de 1700metros de altitude. A sua entrada em Portugal dá-se em Barca D’Alva e desagua em S.João da Foz, noPorto. O seu comprimento é de 927 kms. Os numerosos afluentes quer em território espanhol quer em português fazem dele o rioda Península Ibérica com a maior bacia hidrográfica: 97 682 km2 - dos quais 18 710 km2 emPortugal. (Imagens 7 e 8) O clima, ao longo da sua bacia hidrográfica oscila entre o “muito húmido” e o“semiárido”. As zonas de maior pluviosidade (2400 mm/ano) situam-se nas cabeceiras do rio Tâmegae as de menor pluviosidade (400 mm/ano) na parte central do planalto de Castela-a-Velha, emEspanha. Tem um caudal médio anual de 710 m3/s e o seu regime hidrográfico é caracterizadopela grande irregularidade. (Imagem 13) 14
  15. 15. Rio Douro Bacia hidrográfica11 12 13 15
  16. 16. Outrora “estrada principal” para o transporte dos vinhos da região duriense, com autilização de barcos rabelos, foi perdendo a sua importância como via de comunicação para oscaminhos-de-ferro e para o transporte ferroviário. Hoje, e após muitos anos de projectos e obras de regularização (barragens, albufeiras,canais, comportas…), volta ser uma via potencialmente navegável numa extensão de cerca de179 kms. Os barcos rabelos, hoje, têm apenas uma utilização turística de recordação dos temposem que eram os principais e mesmo únicos meios de transporte até Vila Nova de Gaia e Porto. 14 Após perder o exclusivo do transporte para o transporte ferroviário mais tarde e apenasalgumas décadas foi a vez deste dar lugar ao transporte rodoviário. Hoje apenas se utiliza este transporte, em cisterna, tendo-se abandonado por completoos outros meios de transporte. 16
  17. 17. 15 Planta apensa a requerimento de viticultor em 1789 3 Arqueologia da região e do vinho 3.1. Alguns aspectos históricos 16“A produção de vinho no Alto Douro é um actividade muito antiga - as condições naturais do vale favoreciam a produção de um vinho (3)de guarda, que lhe conferia um grande valor comercial” Existem dados arqueológicos que nos mostram que a cultura da vinha na regiãoduriense já existia mesmo na época do Bronze; refere-se mesmo que em estações do Bronze Iaté ao Bronze III se encontraram grainhas de uvas e sarmentos de videira carbonizados emnecrópoles dessa época. (4) A partir da ocupação romana a cultura da vinha difundiu-se, expandiu-se. Foramencontrados em escavações em Fonte do Milho (Vale de Covelinhas) (5) e na Quinta da Ribeira(Tralhariz) (6) na margem esquerda do rio Tua vestígios da riqueza e desenvolvimentoexistentes à época e provenientes do cultivo da vinha. 17
  18. 18. Os forais de S. João da Pesqueira e de Freixo-de-Espada-à-Cinta, nos séculos XI e XIIrespectivamente referiam a imposição aos seus habitantes, como tributo, de efectuarempagamento em vinho e/ou fazem referência ao cultivo da vinha. (7) 17 Foral de S. João da Pesqueira Com a independência de Portugal (Tratado de Zamora, 1143) , no século XII, torna-seevidente a importância das vinhas do Douro visível através dos forais concedidos às váriasvilas que nas margens do rio Douro se iam construindo. De uma forma geral todos esses foraisreferem a obrigação do pagamento de uma contribuição em vinho. Durante o reinado de D. Afonso III e pelo foral concedido a Vila Nova de Gaia qualquerbarca carregada de vinho com destino àquela vila pagaria tributo. Podemos daqui concluir queo comércio entra região duriense e aquela que viria a ser o actual entreposto do Vinho do Portoera já de dimensões económicas avultadas. Continuamos a encontrar referências ao vinho desta região: “…D.Dinis recebia do concelho de Lamego, entre muitos outros géneros, “seis moyos devinho” – cerca de 5 000 litros (8) 18
  19. 19. “…Lamego no meiado do século XV, expedia para o Porto, cereais, azeites, vinhos,etc…”,”…nas margens do Barosa, que verte no Douro as águas desta Região, davam-se dosmelhores vinhos do reino.” (9) “Há nesta parte muito bons vinhos, principalmente os que se colhem para a parte doDouro e em Ribas de Pinhão que he hu rio que se mete no Douro, donde se levão para aCidade do Porto”(10) Muitas outras notas complementares poderiam aqui ser descritas como as que seencontram no “Tombo do Concelho de Penaguião” e “Tombo de prazo de Souto Covo” a partirdas quais se confirma claramente a densificação das vinhas nas margens do Douro (11) “Em 1675 Ribeiro de Macedo refere-se a vinhos com a denominação de Vinho do Porto” e “ em 1678 a Alfândega da mesma cidade regista, com designação idêntica, vinhos(12)exportados pela barra do Douro”(13) 4 A influência inglesa É sobretudo a partir do século XVII que o Vinho do Porto iniciou a sua efectiva expansãocomercial na Europa em especial através das importações inglesas. Estas são potenciadas pela acção indirecta de Colbert, ministro francês que, no âmbitodas guerras do Norte da Europa, a franco-inglesa em 1672-1678 e da liga de Augsburgo em1688 a 1697, impôs taxas elevadas ao vinho de Bordéus exportado para Inglaterra. Por sua vez o rei Carlos II decretou o embargo dos vinhos franceses “Médoc” muitoapreciados em Inglaterra nessa época. Alguns dos importadores ingleses de vinhos franceses estavam já em Portugaljuntamente com holandeses e alemães, na zona de Viana do Castelo, a negociar os vinhos deMonção. Mercê das acções de Colbert e de Carlos II estabelecem-se na zona do Porto iniciando aexportação do Vinho do Porto de uma forma sustentada. Por outro lado o Tratado de Metween (1703), assinado por John Metween e o Marquêsde Alegrete, defenia taxas aduaneiras preferenciais para o Vinho do Porto vendido emInglaterra. 19
  20. 20. Com o orgulho britânico ferido com os embargos referidos anteriormente) o Vinho doPorto tomou lugar único na sociedade: bebê-lo “era, mais do que um luxo ou prazer, era umacto patriótico.” (14) Nesta época iniciou-se o hábito de adicionar aguardente ao Vinho do Porto. Este acto éo que torna o vinho duriense em verdadeiro Vinho do Porto e foi iniciado pelos ingleses. O adicionar de aguardente vínica surge como forma de ajudar o vinho a suportar asgrandes travessias marítimas a que estava sujeito nas exportações. 5 A acção do Marquês de Pombal É nesta época que Sebastião José de Carvalho e Melo, primeiro-ministro do governo deel-rei D. José I e Conde de Oeiras e Marquês de Pombal, tomou uma decisão histórica erevolucionária para a época: a delimitação das zonas de vinhas na região do Douro em 1757. Foram assinaladas com marcos de granito (Marcos de Feitoria) as zonas de produçãodos melhores vinhos. O objectivo claro era o de garantir a qualidade do vinho exportado, adequar os volumesde produção à procura, Definiu regras precisas quanto ao cultivo, de vinhas, de preços e de transportes eintroduziu a prova obrigatória dos vinhos. Foram colocados 202 marcos pombalinos (foto. 17) aos quais, mais tarde, seacrescentaram mais 134 num total de 335 marcos. Muito à frente de outros países produtores vinícolas e em especial as grandes regiõesfrancesas, Portugal criou assim a primeira região demarcada do mundo. 20
  21. 21. 18 5.1. A Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro O Marquês de Pombal decide criar a Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do AltoDouro através de alvará régio de 1756. (foto 18) “De entre os inúmeros serviços prestados pela Companhia à causa pública destaca-secomo mais notável, devido à sua enorme importância a chamada “Demarcação Pombalina daRegião do Douro” que foi levada a efeito entre os anos de 1758 e 1761 pelos deputados daJunta de Administração da real Companhia velha. Mercê desta medida de grande alcanceeconómico, foi delimitada a região dos vinhos de Feitoria do Douro, que é a mais antiga regiãodemarcada do mundo. A linha de actuação da Companhia, caracterizada por uma legislação de grande rigor econtrolo, lançou sólidos alicerces para uma política que muito prestigiou o vinho do porto. Na verdade, aos preços ruinosos anteriores à fundação da Companhia, sucederam-se,impostos por esta, preços justos que regendo-se pelos seus estatutos deveriam ser “capazesde sustentar com a reputação do vinho o granjeio da vinha, de modo que, bem remunerado, ocomércio recompensasse a lavoura, e tudo previsto com tanta ponderação, que não seimpossibilitasse o consumo pela carestia, nem pelo barateio se abandonasse a cultura”. As exportações atingiram o seu melhor nível, alcançando as 20 0000 pipas em 1810. O Vinho do Porto alcançava a fama”. (15) 21
  22. 22. 19 – 1ª acção da Companhia Geral de Agricultura 5.1.2. Notas complementares Durante o século XVIII e até hoje o Vinho do Porto conheceu profundas alterações noque concerne a metodologias de produção, tratamento de doenças, armazenamento,legislação, A Região Demarcada estendeu-se para leste e até à fronteira espanhola tendo as novasdelimitações sido registadas em 1907. A Companhia foi extinta em 1852 fruto de diversas alterações jurídicas levadas a efeitona época liberal. Apesar desta situação o livre comércio do Vinho do Porto apenas se efectuou empequenos períodos (1834-1838 e 1865-1907). Em 1932 e 1933 foram criados a Casa do Douro, o Grémio dos Exportadores do Vinhodo Porto e o Instituto do Vinho do Porto que fizeram a manutenção do percurso daquele néctaraté aos nossos dias. 22
  23. 23. 20 – Caves Burmester –Século XVIII 6 As caves em Vila Nova de Gaia 6.1. Razões históricas No percurso já longo do Vinho do Porto devem ser consideradas duas datas bemdistantes entre si e da actualidade em especial para quem apenas conhece o Vinho do Portoatravés das Caves de Vila Nova de Gaia. Segundo a Cronologia do Vinho do Porto de Gaspar Martins Pereira em 1254 existiu um“Conflito entre o rei D. Afonso III e o bispo do Porto, D. Julião, por causa do desembarque dasmercadorias que desciam o Douro. A sentença régia, desse ano, estabelece que dois terçosdos barcos deveriam descarregar no Porto e um terço em Gaia” (16) Julga-se que foi a partir daquela data que Vila Nova de Gaia e mais propriamente aactual zona das caves se definiu como o local para a armazenagem dos vinhos vindos doDouro. E temos a certeza que aquele local é antiquíssimo. (17) Também se sabe que a partir do século XVIII a margem esquerda do rio Douro, entre aactual ponte Luís I (18) e a sua foz começou a ser utilizada pelos comerciantes em geral masmuito especialmente pelos estrangeiros e de entre estes pelos de origem inglesa para sediaros seus armazéns. De entre as razões de pendor político, administrativo, económico ou fiscal que possamter estado na origem da instalações em Gaia (já que as sedes das empresas estavam do outrolado do rio, no Porto) daquela quantidade de armazéns e de empresas ligadas aos vinhos écerto (ainda hoje) que as condições naturais do local se mostraram propícias para oarmazenamento do vinho do Porto, armazenamento esse que faz parte do processo deelaboração do mesmo. 23
  24. 24. A encosta de Santa Marinha é uma zona abrigada dos ventos marítimos ali próximos,com pequenas oscilações das suas temperaturas diurnas e nocturnas. A humidade local resulta ainda da quantidade de minas e fontes existentes por todaaquela área. Os comerciantes rapidamente perceberam que eram condições ideais aoenvelhecimento do Vinho do Porto até pela impossibilidade de tal acontecer na região durienseonde o clima não tinha (não tem) estas condições. Em 1833 e segundo a Cronologia atrás referida, existia já uma enorme quantidade devinho que era armazenado em Vila Nova de Gaia situação que de alguma forma é sustentadapelo crime relatado na época : “No termo do cerco do Porto. O general miguelista conde deAlmer faz explodir os armazéns da Companhia, em Gaia, perdendo-se mais de dez mil pipasde vinho e aguardente”(19) Outra referência a esta situação que vem suportar a importância do vinho em Vila Novade Gaia podemos encontrá-la através da citação “O largo espaço de onze meses e dez dias,que durou o Cerco, deu tempo bastante para toda a casta de malefícios, e a continuada másorte das suas armas em todos os encontros, que tiveram com os sitiados, motivo permanentepara atiçar a vingança, a qual chegaram por último, e para cúmulo de maldade a empregar naacção bárbara, e só própria de selvagens, de lançar o fogo aos armazéns de vinhos no dia 16de Agosto de 1833, que reduziu a zero o valor de muitos milhões de cruzados, em queestavam importantes! Sim; aqueles vinhos, os mais generosos, que tinha este grande depósito,e que faziam o património de muitas famílias, viram-se correr m torrentes para o rio, por largoespaço de tempo!”(20) Podemos pois perceber que naquela altura era já considerado e considerável o valor dosvinhos ali armazenados. Atentemos como uma última confirmação daquele facto as seguintespassagens: “…Gaya determinou-se por uma vida própria da sombra, discreta e ávida, paraarrecadar, par enthesourar, isto é, converteu-se em adega das preciosidades vinicas dosschistos do Alto Douro…”, “E tanto se conformou com este destino de trapiche viicola que nãose faz colheita alguma nas quintas durienses que ella não absorva, que ella não engolphe,dpois de a receber do ventre dos rabellos, que na primavera descem, como feudatários aprestar o seu feudo”, Assim é que todas ou quasi todas as suas ruas, praças e calçadas secircuitam de armazéns, os quaes invadiram todo o espaço então devoluto e até os propriosedifícios religiosos, do que não rsultou inconveniência de maior ou incompatibilidadeirreductivel, visto a adega merecer sempre as mais desveladas solicitudes ás comunidades”. (21) A acrescer aos factores de localização atrás mencionados devemos acrescentar que, aolongo dos anos, foi feita legislação que fez consolidar e definitivo a situação das caves em VilaNova de Gaia: 24
  25. 25. 6.1.2. Razões políticas e administrativas Em 1907 é feita uma lei que no sentido de colocar ordem na designação Vinho do Portoe todos os “Port” (quer nacional quer internacionalmente) considerando que apenas eram“Vinho do Porto” os vinhos generosos que saíssem pela barra do Douro (claro, feitos a partirdas uvas da região duriense e com características muito próprias nomeadamente o teoralcoólico não inferior a 16,5 graus). Em 1926 é criado o “Entreposto de Gaia” através de nova lei, como “lugar único eexclusivo para o armazenamento do Vinho do Porto”. (22) Já em 1933 foi criado o Instituto do Vinho do Porto que passou a certificar, controlar,regulamentar toda a actividade referente ao Vinho do Porto. Todos estes factores foram determinantes para que a localização em Vila Nova de Gaiadas Caves do Vinho do Porto se fosse sempre consolidando Apesar das alterações introduzidas como a autorização de comercialização a partir daregião demarcada ou a alteração dos processos de fabrico, hoje mais modernos mas comresultados qualitativos semelhantes e a par com a continuada produção através de métodostradicionais, a existência de outras entidades associadas ao Vinho do Porto como a Confrariado Vinho do Porto ou a Associação das Empresas de Vinho do Porto , a localização das cavescontinua a ser a mesma: a zona ribeirinha de Vila Nova de Gaia. 6.2. Mapa das Caves 21 Localização das caves em V.N. Gaia 25
  26. 26. 22 – Os Burmester com os trabalhadores (ano 1920 aprox.) 7 A Casa Burmester 7.1 Origens do nome Burmester O nome Burmester reporta a um nome de família de origem alemã, ou maispropriamente hanseática, originária de Moelln, uma pequena cidade alemã situada no sul deLuebeck. onde há registos relativos à família que remontam ao séc. XV. Ao nome são atribuídas duas possíveis origens: Burgermeister (que significaburgomestre, Chefe de Municipio), a mais provável, dado vários membros da família teremexercidos importantes cargos de administração municipal, ou Baumeister, com um significadopróximo de feitor agrícola. A primeira hipótese foi a que foi possível confirmar como sendo “a mais verdadeira”. Existem outras grafias do nome, como Burmeister e Burmeester sendo que no caso emestudo não se aplicam.. 26
  27. 27. As contínuas guerras de cariz religioso que assolaram a Europa Continental durante oséculo XVI fez com que alguns membros da família se refugiassem em Inglaterra 7.2 A actividade comercial e financeira Em 1730 Henry Burmester e John Nash criaram a empresa Burmester, Nash & Cia. emLondres sendo o seu objecto o comércio de cereais. Em 1750 a empresa instala-se em Vila Nova de Gaia com o intuito de exportar Vinho doPorto para as ilhas britânicas e para a Europa em geral. Em 1822 Frederick Burmester era um conceituado membro da colónia inglesa emPortugal. Chega a Treasurer da Factory House, no Porto. Em simultâneo mantém negócios nacapital inglesa e é sócio fundador do Westminster Bank. O sucesso comercial e financeiro da família Burmester tornou-se notório de tal formaque o seu nome foi perpetuado na Burmester Road (Winbledon). . 23 - Placa identificativa de rua em Inglaterra 27
  28. 28. 24 – Caves Burmester (início do século XX) 7.3. A empresa A hoje denominada Casa Burmester teve o seu inicio, como atrás dissemos, em 1750fundada por Henry Burmester e John Nash. A sede da empresa localizava-se no Porto, na Rua de Belmonte, na área onde osgrandes comerciantes de vinhos e banqueiros – especialmente ingleses – se instalaram. Os armazéns encontravam-se já localizados em Vila Nova de Gaia, no local onde aindahoje se mantêm, embora hoje sejam de maiores m dimensões. A Casa Burmester apenas produzia, armazenava e exportava vinho do Porto não sendo,na época, detentora de quintas de produção na região duriense. Abasteciam-se nos melhores produtores e sempre maioritariamente com uvas dascastas mais elevadas nomeadamente da classificação “A”. No final do século XVIII Henry Burmester Jr. E os seus dois filhos , Frederik e EdouardBurmester decidem criar uma nova sociedade – H. Burmester & Sons.- terminando a anterior. Em 1822 morre Henry Burmester e a sociedade sofre algumas convulsões já que osdescendentes directos estavam mais dedicados aos negócios da banca. 28
  29. 29. A Casa Burmester foi temporariamente adquirida por um conhecido comerciante Manuelde Clamouse Brown que a manteve durante as invasões napoleónicas. A 13 de Dezembro de 1834 Johann Wilhelm Burmester – parente afastado a viver emHamburgo – é convidado a gerir o negócio do Vinho do Porto, em Portugal. Já no final do século XIX (em 1880) foi ele que após se tornar no único proprietário daempresa tomou a decisão de alterar a sociedade para J.W. Burmester & Cª. Com a sua morte em 1885 os filhos Gustav e Otto continuaram o negócio. Destes destacou-se Gustav Adolf , filho mais velho, tendo-se revelado um excelentegestor e visionário no negócio do Vinho do Porto: - Aumentou consideravelmente o volume de negócios para o mercado europeu. - Abriu definitivamente o mercado americano ao Vinho do Porto. - Definiu novas estratégias de marketing com o registo da marca J.W.Burmester em1900. - Criou novas rotulagens - Levou os vinhos a ganhar medalhas de ouro nos prestigiados e restritos concursos devinho: Lisboa e Berlim em 1888, Paris em 1889 e Chicago em 1893 O efeito da I Guerra Mundial produziu efeitos muito negativos no negócio do Vinho doPorto. Foi a geração seguinte da Burmester, João Guilherme Burmester , o seu genro HansSteinmetz e o seu sobrinho Karl Gilbert que cuidou da recuperação da empresa. Assistiram e participaram na criação de novas estruturas passando a regular aprodução, a comercialização e a exportação do sector do Vinho do Porto. A partir de 1952 Helmut e Arnold – a geração Burmester Gilbert – assumem o negócio ecriam mais uma empresa dedicada ao negócio do Vinho do Porto, a Gilberts e Cª (1962) Em 1991 a casa Burmester adquire a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, AltoDouro. Esta quinta está assinalada com um marco pombalino datado de 1758. Inicia-se aqui uma nova fase no caminho da auto suficiência que será complementadoum pouco mais tarde pela aquisição da Quinta de S. Cibrão. “A construção da nova adega na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, com 2500m2, representando um investimento de aproximadamente 2,5 M de Euros, ficou concluída emapenas 7 meses, encontrando-se em pleno funcionamento na vindima de 2002. 29
  30. 30. Aliando os processos tradicionais a uma sofisticada tecnologia de ponta, este projectoassinado pelo Arq. Arnaldo Barbosa, tem uma capacidade inicial de 1500 pipas ( 550 lt) eaumenta a sua capacidade de vinificação para 2500 pipas - 2000 de Vinho do Porto e 500 deVQPRD Douro. Conservando a traça original datada de 1764, a arquitectura do edifício foicuidadosamente enquadrada na paisagem natural da Região Demarcada do Douro -Património Mundial da UNESCO, sobretudo pela área subterrânea de envelhecimento emcascaria dos VQPRD Douro, ligada à adega central através de um túnel interior contendo umagarrafeira de vinhos raros, revestida com xisto natural, confundindo-se com os muros daharmoniosa paisagem da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo. Totalmente inovador em Portugal, o revestimento em aglomerado negro de cortiça, quepermite o isolamento térmico dentro da adega ao longo do ano, superando as dificuldades domicroclima mediterrânico da região, caracterizado por elevadas amplitudes térmicas atingindo,no Verão, 40º a 47º C e, no Inverno, temperaturas negativas, chegando a nevar em certaszonas. O projecto foi desenhado por forma a aproveitar a gravidade do terreno, conservando osdois lagares tradicionais em granito ( 8,5 ton cada) e adicionando mais dois em inox totalmentemecanizados (10 ton cada). Contém 15 cubas de 20 toneladas cada, 5 das quais têm autovinificador interno e 10 com remontagem tradicional por bomba. Adicionalmente, 8 cubas de 10toneladas - quatro equipadas com pneumáticos de emersão de manta e as restantes 4 comremontagem automática. Tudo acompanhado por um sistema automático e altamentesofisticado de controlo de temperatura.” (23) “A CASA BURMESTER sustenta agora a sua estratégia de automonia produtiva naRegião Demarcada do Douro, com a recente aquisição da Quinta de São Cibrão, uma dasquintas mais procuradas, localizada na freguesia de Almendra, Vila Nova de Foz Côa, noDouro Superior. Com uma área total de 198 ha de olival e amendoal, está prevista a sua total conversãoem vinha entre os princípios de 2003 e os finais de 2006, com preferência por castasportuguesas adequadas à produção de vinho do Douro DOC e VQPRD. Situada na margem sul virada a norte, a Quinta de São Cibrão estende-se por mais de 3km.”(24) No final do século XX o Grupo Amorim adquire a J.W.Burmester e já no inicio do séculoXXI a mesma volta a mudar de donos agora adquirida pelo grupo Sogevinus SGPS, S.A... 30
  31. 31. 8 Conclusão A Casa BURMESTER é hoje, decididamente, uma empresa de dimensão média secomparada com a generalidade das empresas da área do Vinho do Porto. O conhecimento do comércio português e em especial dos vinhos portugueses parecemter sido o factor chave para a instalação em Portugal da companhia. É seguro que os factores de instabilidade europeia primeiro, as decisões políticasfrancesas mais tarde, associadas a um conhecimento e envolvimento nos meios financeirosinternacionais da época terão contribuído para a instalação em Portugal da família Burmester. Por outro lado e não tendo podido ser aprofundado existem informações que oconhecimento pormenorizado do Tratado de Metween terá levado a família a avançar para osnegócios em Portugal. A fácil movimentação da família nos meios políticos e financeiros portugueses, na épocapombalina e mariana, terá também contribuído para um mais rápido desenvolvimento inicialdos negócios. A forte ligação à Feitoria Inglesa não foi possível de comprovar embora haja informaçõesavulsas de que a ligação tenha sido substancial e não apenas a referida no texto informativosobre a família Burmester. Certo é que após a segunda instalação dos Burmester em Portugal não maispretenderam sair do país e a partir de Gustav Adolf sucederam-se os casamentos no país ecom cidadãos nacionais. Foram estes descendentes sucessivos que durante décadas geriram os negócios daCasa BURMESTER em Portugal. Apesar de nunca terem sido proprietários de quintas de produção a BURMESTERsempre definiu o seu negócio com base nas melhores uvas para a produção do Vinho do Porto. Falamos, claro, das uvas de classificação “A”. Esta estratégia definida há já muitos anos permitiu que os seus vinhos se elevassemsempre nas melhores categorias apesar de ser a BURMESTER uma “pequena companhia”. 31
  32. 32. Mesmo quando recentemente adquiriu as Quintas de Nº Sª do Carmo e de S. Cibrãoapenas cultivou, para o Vinho do Porto, as vinhas para aquela categoria de uvas. A manutenção rigorosa de um método de trabalho de que são exemplo as suas cavesonde ainda se mantém o solo em terra batida como forma de ajudar adequar as temperaturasno repouso e envelhecimento dos vinhos são outro exemplo de gestão no tempo. Também decisiva foi a componente de gestão inovadora de Gustav Adolf sem a qualdificilmente a empresa teria suportado e ultrapassado todas as dificuldades desde o início dasua gestão. Outras foram sendo absorvidas sem sequer conseguirem manter os nomes de origem. Esta, apesar das recentes aquisições por parte de grandes grupos, soube manter amarca BURMESTER e foi reconhecida como sendo uma mais valia para os novos donos daempresa. Concluímos então que os factos decisivos para a chegada até hoje da CasaBURMESTER se podem concentrar basicamente: 1) Conhecimento profundo dos mercados financeiros e comerciais europeus já no século XVI. 2) Forte habilidade política de contorno dos grandes conflitos económicos e sociais ao longo dos tempos. 3) Rigor e visão colocado na gestão em especial a partir de Gustav Adolf. 4) Definição clara do mercado alvo de qualidade média alta. 5) Manutenção da estratégia e do rigor sempre que a empresa foi vendida. 6) Salvaguarda clara e precisa da marca BURMESTER aliada à qualidade já referida. 32
  33. 33. 9 Bibliografia1) MONTEIRO, Manuel, O Douro, Porto, Edições Livro Branco, Lda., 1998, p.12) Alto Douro Vinhateiro, www.espigueiro.pt/douro-vinhateiro/pt/identificacao_bem/ib_index.html3) Citado em espigueiro.pt/douro-vinhateiro/pt/justificacao_inscricao/ji_d_pag001_009.html4) RUSSELL, Cortez, As Escavações Arqueológicas do “Castellum” da Fonte do Milho, Anais IVP – 1951 citado em FONSECA, A. Moreira et al, O Vinho do Porto, Porto, Instituto do Vinho do Porto, 1987, p.135) Ibidem6) Mosaicos Romanos no Douro, Anais IVP-1946 citado em FONSECA, A. Moreira et al, O Vinho do Porto, Porto, Instituto do Vinho do Porto, 1987, p.137) FONSECA, A. Moreira et al, O Vinho do Porto, Porto, Instituto do Vinho do Porto, 1987, p.138) FONSECA, A. Moreira et al, O Vinho do Porto, Porto, Instituto do Vinho do Porto, 1987, p.189) FONSECA, A. Moreira et al, O Vinho do Porto, Porto, Instituto do Vinho do Porto, 1987, p.1710) BARROS, João de, Geographia d´entre Douro e Minho e Trás-os-Montes, Colecção de manuscritos inéditos – Biblioteca da C.M. Porto citado em FONSECA, A. Moreira et al, O Vinho do Porto, Porto, Instituto do Vinho do Porto, 1987, p. 1811) Arquivo Nacional da Torre do Tombo citado citado em FONSECA, A. Moreira et al, O Vinho do Porto, Porto, Instituto do Vinho do Porto, 1987p. 1812) FONSECA, A. Moreira et al, O Vinho do Porto, Porto, Instituto do Vinho do Porto, 1987, p.1813) FONSECA, A. Moreira et al, O Vinho do Porto, Porto, Instituto do Vinho do Porto, 1987, p.1814) CARRERA, Ceferino, Vinho do Porto e a Região do Douro – História da Primeira Região Demarcada, Colares Editora, s/data, p. 1815) CARRERA, Ceferino, Vinho do Porto e a Região do Douro – História da Primeira Região Demarcada, Colares Editora, s/data, pp. 19-2016) IVDP et al, O Património do Vinho do Porto Caves D’Ouro, Matosinhos, QN Edições e Conteúdos, S.A., 2005, p. 217) CLÁUDIO, Mário et al , Cale Antologia de Textos sobre Gaia, V.N.Gaia, Rocha Artes Gráficas, 1976, pp. 17-24. Ver informação complementar em Anexo I18) Projecto de Teófilo Seyrig19) IVDP et al, O Património do Vinho do Porto Caves D’Ouro, Matosinhos, QN Edições e Conteúdos, S.A., 2005, p 320) CLÁUDIO, Mário et al , Cale Antologia de Textos sobre Gaia, V.N.Gaia, Rocha Artes Gráficas, 1976, p. 8921) MONTEIRO, Manuel, O Douro, Porto, Edições Livro Branco, Lda., 1998, p.20222) IVDP et al, O Património do Vinho do Porto Caves D’Ouro, Matosinhos, QN Edições e Conteúdos, S.A., 2005, p. 423) www.burmesterporto.com/noticias/noticias.asp24) www.burmesterporto.com/noticias/noticias.asp Outras fontes não escritas D.Célia Lima / Direcção Marketing Sogevinus Dr. Alberto Pacheco / Grupo Amorim Sr. Delfim / Armazém da Casa Burmester 33
  34. 34. 10 Referências de imagem1) www.burmester.com2) Quadro a óleo anterior a 1736. Podem ver-se o manuseamento das pipas de vinho e o único barco com bandeira hanseática. Foto retirada de FONSECA, A. Moreira et al, O Vinho do Porto, Porto, Instituto do Vinho do Porto, 1987, pp. 22 e 233) FONSECA, A. Moreira et al, O Vinho do Porto, Porto, Instituto do Vinho do Porto, 1987, p.984) www.espigueiro.pt/douro-vinhateiro/pt/identificacao_bem/ib_index.html5) CARRERA, Ceferino, Vinho do Porto e a Região do Douro – História da Primeira Região Demarcada, Colares Editora, s/data, p. 566) FONSECA, A. Moreira et al, O Vinho do Porto, Porto, Instituto do Vinho do Porto, 1987, p. 927) FONSECA, A. Moreira et al, O Vinho do Porto, Porto, Instituto do Vinho do Porto, 1987, pp. 98-998) CARVALHO Manuel et al, ILHA DE XISTO, Pedra da Lua, artes, letras e ofícios, S.A., 2006, p. 399) CARVALHO Manuel et al, ILHA DE XISTO, Pedra da Lua, artes, letras e ofícios, S.A., 2006, p. 3910) www.espigueiro.pt/douro-vinhateiro/pt/identificacao_bem/ib_index.html11) ATLAS DE PORTUGAL, Lisboa, Selecções do Reader’s Digest, 1988, p. 5412) ATLAS DE PORTUGAL, Lisboa, Selecções do Reader’s Digest, 1988, p. 5413) ATLAS DE PORTUGAL, Lisboa, Selecções do Reader’s Digest, 1988, p. 5414) www.wineonline.ie/img/library/portugal2.jpg15) FONSECA, A. Moreira et al, O Vinho do Porto,,Porto, Instituto do Vinho do Porto, 1987, p. 5916) www.espigueiro.pt/douro-vinhateiro/pt/justificacao_inscricao/ji_d_pag001_009.html17) CARVALHO Manuel e tal, ILHA DE XISTO, Pedra da Lua, artes, letras e ofícios, S.A., 2006, p. 5118) CARVALHO Manuel e tal, ILHA DE XISTO, Pedra da Lua, artes, letras e ofícios, S.A., 2006, p. 2919) FONSECA, A. Moreira et al, O Vinho do Porto, Porto, Instituto do Vinho do Porto, 1987, p.2420) www.burmesterporto.com/arquivo/arquivo1.htm21) CARVALHO Manuel e tal, ILHA DE XISTO, Pedra da Lua, artes, letras e ofícios, S.A., 2006, p. 24722) CARVALHO Manuel e tal, ILHA DE XISTO, Pedra da Lua, artes, letras e ofícios, S.A., 2006, p. 16223) www.burmester.com/historia/historia.htm24) CARVALHO Manuel e tal, ILHA DE XISTO, Pedra da Lua, artes, letras e ofícios, S.A., 2006, p. 147 Foto da capa: CARVALHO Manuel e tal, ILHA DE XISTO, Pedra da Lua, artes, letras e ofícios, S.A., 2006, p. 82 34
  35. 35. O Douro, o Vinho do Porto, a Casa BURMESTER Alexandre Vieira da Silva Faculdade de Letras da Universidade do Porto Licenciatura em Geografia 12 de Dezembro de 2006 35

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