A Condução da Análise:Tema:A palavra do analista é alusiva:onde isto se localiza na clínica?Coordenação Alexandre SimõesAL...
por definição, é algo que se apresenta pormeio do e para oequívocoSignificanteIsto quer dizer que o significante remete av...
Voltemos à questão inicial:A palavra do analista é alusiva:onde isto se localiza na clínica?
INTERPRETAÇÃO
A estrutura da interpretação não deve serexplicativa, nem mesmo sugestiva ouimperativa
Ela deve ser ALUSIVA e EQUÍVOCA,pois a interpretação não é para serestritamente compreendida, mas para"provocar ondas"(Lac...
Especialmente a partir da obra de Freud,em que ponto podemos localizarcom mais precisão a estrutura dainterpretação?
A INTERPRETAÇÃO DOSSONHOS
Nesta obra,verificamosque ainterpretação éALUSIVA, namedida emque ela seatrela àrealização dodesejo
Há uma passagem muito conhecida d’A interpretaçãodos sonhos, na qual Freud apresenta a seguintesituação de uma de suas pac...
Em certa ocasião, ela levou para a sua sessão deanálise um sonho e assim o apresentou:
“O senhor sempre me diz que o sonho é umdesejo realizado. Pois bem, vou lhe contar umsonho cujo tema foi exatamente o opos...
“Eu queria oferecer uma ceia, mas nãotinha nada em casa além de um pequenosalmão defumado. Pensei em sair ecomprar alguma ...
À primeira vista, não há nada neste sonho que possa nos levar àpensar em um desejo realizado. Na análise do sonho, Freudre...
Indo aos elementos diurnos do sonho, Freud faz oseguinte comentário: “O marido de minha paciente, umaçougueiro atacadista,...
Dando sequência àassociação livre, apaciente, que estavamuito apaixonadapelo marido ebrincava muito comele, diz a Freud qu...
“Perguntei-lhe o que significava isso, e ela explicou que hámuito tempo desejava poder comer um sanduíche de caviartodas a...
Na argumentação de Freud:“Vi que ela fora obrigada a criar para si mesma umdesejo não realizado na vida real ....” - no ca...
Prosseguindo em seu discurso, apaciente menciona que na vésperaela visitou uma amiga“... de quem confessava ter ciúmesporq...
• amigamagra• desejoinsatisfeito• caviarsalmão maridosonhadoraComeçamos, assim, a verificar umencadeamento entre os signif...
Voltando ao encontro da paciente com a amigamagra“Perguntei-lhe o que haviaconversado com suaamiga magra.Naturalmente, res...
Freud vai entrar em mais detalhes na interpretaçãodeste sonho. Todavia, o ponto que agora nosinteressa é aquilo que foi me...
“ ... o próprio desejo de minhapaciente era que o de sua amiga(engordar) não se realizasse. Mas,em vez disso, ela sonhou q...
“Qual é o sentido daidentificação histérica?(...)A identificação é umfator altamenteimportante nomecanismo dossintomas his...
Por meio deste sonho, podemos extrair dois pontos cruciaispara a estrutura da interpretação:1) Um desejo sempre se vincula...
O que há de alusivo na interpretação?sujeitofalta
Prosseguiremos com a perguntaOs lugares do sentido e do não-sentido naanálise:há indicadores clínicos para isto?Até lá!Ace...
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2013- CURSO: A CONDUÇÃO DA ANÁLISE - aula 4: A palavra do analista é alusiva: onde isto se localiza na clínica?

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2013- CURSO: A CONDUÇÃO DA ANÁLISE - aula 4: A palavra do analista é alusiva: onde isto se localiza na clínica?

  1. 1. A Condução da Análise:Tema:A palavra do analista é alusiva:onde isto se localiza na clínica?Coordenação Alexandre SimõesALEXANDRESIMÕES® Todos osdireitos deautorreservados.
  2. 2. por definição, é algo que se apresenta pormeio do e para oequívocoSignificanteIsto quer dizer que o significante remete avárias significações possíveis e a efeitosdiversos
  3. 3. Voltemos à questão inicial:A palavra do analista é alusiva:onde isto se localiza na clínica?
  4. 4. INTERPRETAÇÃO
  5. 5. A estrutura da interpretação não deve serexplicativa, nem mesmo sugestiva ouimperativa
  6. 6. Ela deve ser ALUSIVA e EQUÍVOCA,pois a interpretação não é para serestritamente compreendida, mas para"provocar ondas"(Lacan, Conférences et entretiens dans les universités nord-américaines.1975)
  7. 7. Especialmente a partir da obra de Freud,em que ponto podemos localizarcom mais precisão a estrutura dainterpretação?
  8. 8. A INTERPRETAÇÃO DOSSONHOS
  9. 9. Nesta obra,verificamosque ainterpretação éALUSIVA, namedida emque ela seatrela àrealização dodesejo
  10. 10. Há uma passagem muito conhecida d’A interpretaçãodos sonhos, na qual Freud apresenta a seguintesituação de uma de suas pacientes:Transferencialmente, a paciente se posicionava comouma crítica à sua afirmação de que os sonhos sãorealizações de desejo.Desta forma, ela se empenhava por refutar o saber doOutro.
  11. 11. Em certa ocasião, ela levou para a sua sessão deanálise um sonho e assim o apresentou:
  12. 12. “O senhor sempre me diz que o sonho é umdesejo realizado. Pois bem, vou lhe contar umsonho cujo tema foi exatamente o oposto -um sonho em que um de meus desejos nãofoi realizado. Como o senhor enquadra issoem sua teoria? Foi este o sonho:”
  13. 13. “Eu queria oferecer uma ceia, mas nãotinha nada em casa além de um pequenosalmão defumado. Pensei em sair ecomprar alguma coisa, mas então melembrei que era domingo à tarde e quetodas as lojas estariam fechadas. Emseguida, tentei telefonar para algunsfornecedores, mas o telefone estava comdefeito. Assim, tive que abandonar meudesejo de oferecer a ceia.”(cf. A interpretação dos sonhos, capítulo IV)
  14. 14. À primeira vista, não há nada neste sonho que possa nos levar àpensar em um desejo realizado. Na análise do sonho, Freudrecorre aos elementos que dão textura ao sonho. Nas palavras deFreud: “... a investigação de um sonho é sempre encontrada nosacontecimentos da véspera.”(A interpretação dos sonhos, p. 161; edição de 1980)
  15. 15. Indo aos elementos diurnos do sonho, Freud faz oseguinte comentário: “O marido de minha paciente, umaçougueiro atacadista, honesto e competente, comentaracom ela, na véspera, que estava ficando muito gordo eque, por isso, pretendia começar um regime deemagrecimento. Propunha-se levantar cedo, fazerexercícios, ater-se a uma dieta rigorosa e, acima de tudo,não aceitar mais convites para cear. Ela acrescentou,rindo, que o marido, no lugar onde almoçavaregularmente, travara conhecimento com um pintor que opressionara a lhe permitir que pintasse seu retrato, poisnunca vira feições tão expressivas. O marido, contudo,replicara, à sua maneira rude, que ficava muitoagradecido, mas tinha a certeza de que o pintor prefeririaparte do traseiro de uma bonita garota a todo o seu rosto.”
  16. 16. Dando sequência àassociação livre, apaciente, que estavamuito apaixonadapelo marido ebrincava muito comele, diz a Freud quelhe implorou paraque ele não lhedesse nenhumcaviar.
  17. 17. “Perguntei-lhe o que significava isso, e ela explicou que hámuito tempo desejava poder comer um sanduíche de caviartodas as manhãs, mas refutava fazer essa despesa.Naturalmente, o marido a deixaria obter issoimediatamente, se ela tivesse pedido. Mas, ao contrário, elalhe pedira que não lhe desse caviar, para poder continuar amexer com ele por causa disso.” (cf., p. 162)
  18. 18. Na argumentação de Freud:“Vi que ela fora obrigada a criar para si mesma umdesejo não realizado na vida real ....” - no caso emquestão não simplesmente o não ter caviar ou abrirmão do sanduíche matinal de caviar, mas demandarque o amado não lhe desse caviar - “e o sonhorepresentava essa renúncia posta em prática.”Freud faz uma pergunta bem interessante, que podenos auxiliar a melhor localizar a estrutura histérica:“Mas por que precisaria ela de um desejo nãorealizado?”(cf. p. 162)
  19. 19. Prosseguindo em seu discurso, apaciente menciona que na vésperaela visitou uma amiga“... de quem confessava ter ciúmesporque seu marido (de minhapaciente) estava constantemente aelogiá-la. Felizmente, essa suaamiga é muito ossuda e magra, e omarido de minha paciente admiravafiguras mais cheinhas.”(cf. p. 162)
  20. 20. • amigamagra• desejoinsatisfeito• caviarsalmão maridosonhadoraComeçamos, assim, a verificar umencadeamento entre os significantes:
  21. 21. Voltando ao encontro da paciente com a amigamagra“Perguntei-lhe o que haviaconversado com suaamiga magra.Naturalmente, respondeu,sobre o desejo dela deengordar um pouco. Aamiga também lheperguntara: „quando éque você vai nos convidarpara outro jantar? Os quevocê oferece são sempreótimos.‟” (cf. p. 162)
  22. 22. Freud vai entrar em mais detalhes na interpretaçãodeste sonho. Todavia, o ponto que agora nosinteressa é aquilo que foi mediado pelo significantesalmão defumado:“ „Como foi‟, perguntei, „que a senhora chegou aosalmão que aparece no sonho?‟ „Oh‟, exclamou ela,„salmão defumado é o prato predileto de minhaamiga‟ ” (cf. p. 163)
  23. 23. “ ... o próprio desejo de minhapaciente era que o de sua amiga(engordar) não se realizasse. Mas,em vez disso, ela sonhou que umde seus próprios desejos não erarealizado. Portanto, o sonhoadquirirá nova interpretação sesupusermos que a pessoa neleindicada não era ela mesma, e sima sua amiga: que ela se colocara nolugar da amiga, ou, comopoderíamos dizer, que se„identificara‟ com a amiga.”(cf. p. 163)
  24. 24. “Qual é o sentido daidentificação histérica?(...)A identificação é umfator altamenteimportante nomecanismo dossintomas histéricos.”(cf. p. 163)
  25. 25. Por meio deste sonho, podemos extrair dois pontos cruciaispara a estrutura da interpretação:1) Um desejo sempre se vincula a outrodesejo2) Na histeria, a vinculação de um desejoa outro atrela o sujeito a uma falta
  26. 26. O que há de alusivo na interpretação?sujeitofalta
  27. 27. Prosseguiremos com a perguntaOs lugares do sentido e do não-sentido naanálise:há indicadores clínicos para isto?Até lá!Acesso a este conteúdo:www.alexandresimoes.com.brALEXANDRESIMÕES® Todos os direitosde autor reservados.

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