Sérgio Canarim
Filhos do Vácuo
Cartas ao homem-Deus
© Sérgio Canarim 2015
Editor: Rafael Martins Trombetta
Revisão/copydesk: Arthur Beltrão Telló
Capa: Editora Buqui
Imagens ...
Agradecimento
Às Zazás da minha vida,
Maria José Kroeff Canarim e
Alexandra Letícia Zanela.
Agradeço ao Arthur B. Telló
pe...
Filhos do Vácuo | 9
Etapas da percepção
Passei pelo consumismo Matrix.
Parei no humanismo por um tempo de três primaveras
...
10 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 11
Como se chega nela?
Transcendendo todas as coisas espaço tempo
tudo que pode ser ...
Filhos do Vácuo | 1312 | Sérgio Canarim
Visão
Eu também tive a visão do trabalho novo de Rimbaud
com os sentidos encrapula...
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A guerra do ser
As covardias são mães do fracasso
da infelicidade
da falta de pra...
16 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 17
O Samadhi da pele contra pele
A pele nua toca a pele nua
num instante a mente mud...
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Verdade
Nietzsche,
quando pude refutá-lo
tive uma luz de ida até
o meu fim atual:...
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Edgar Allan Poe
Havia algo nebuloso
Havia um enigma não resolvido
Um paradoxo:
Un...
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Verdade
A lógica pode tanto
fazer o caminho para verdade
quanto pode fazer qualque...
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História
Talvez seja apenas linear
mas a história humana não.
Essa é ciclicamente...
26 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 27
Chamada ao futuro
Cidadãos do universo
Espíritos livres
Libertadores
Criadores
Am...
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... Atrevesse?
e se eu dissesse que não existe infinito
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Ouvindo beethoven com a testa na escrivaninha
e chorando por dentro
por motivos q...
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Evolution Baby
Curvas quânticas
Pré-existência
Big bang
Oi planeta bizarro da ess...
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Amazônia em chamas!
Festa na floresta
Queimam na fogueira desvairada as verdades ...
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Volto na tarefa cotidiana do meu vício de nicotina à janela
de meu quarto. A pais...
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quais podem ser criados pelos nossos conhecimentos se
não pararmos de buscar, de s...
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A janela pro mundo
Estava na janela de meu quarto e de repente olhei a
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Oamor [second revolution of the mind (segunda revolução da
consciência)]
primeiro...
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A janela para a academia e
correção à poesia de Macintyre
Novamente, na mesma jan...
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Eu sou um maldito metafísico
que gosta, além de buscar o Absoluto,
de percorrer t...
www.buqui.com.br
www.editorabuqui.com.br
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QUANDO SE DERRUBA MITOS
O VÁCUO É O NOSSO CHÃO
ssim como na tradição de Heráclito,
Epicuro, Nietzsche e Pessoa aqui nasce
...
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Primeiro livro do escritor Sérgio Canarim.
Quando se derruba mitos o vácuo é nosso chão.

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  1. 1. Sérgio Canarim Filhos do Vácuo Cartas ao homem-Deus
  2. 2. © Sérgio Canarim 2015 Editor: Rafael Martins Trombetta Revisão/copydesk: Arthur Beltrão Telló Capa: Editora Buqui Imagens de capa: Shutterstock permissão Gustavo Lima Ilustrações: Jana Ina Editoração: Cristiano Marques www.buqui.com.br www.editorabuqui.com.br www.autopubli.com.br C221f Canarim, Sérgio Filhos do vácuo / Sérgio Canarim 1. ed. | Porto Alegre, RS | Buqui, 2015. 128p. | 21 cm ISBN 978-85-8338-170-9 1. Literatura brasileira. 2. Poesia. 3. Cartas. 4. Conto. I. Título. 15-20738 | CDD: 869.91 | CDU: 821.134.3(81)-1 06/03/15 | 09/03/15 CIP-Brasil, Catalogação na fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ
  3. 3. Agradecimento Às Zazás da minha vida, Maria José Kroeff Canarim e Alexandra Letícia Zanela. Agradeço ao Arthur B. Telló pela lapidação árdua que fizemos nos textos.
  4. 4. Filhos do Vácuo | 9 Etapas da percepção Passei pelo consumismo Matrix. Parei no humanismo por um tempo de três primaveras [na idade convencionada para os homens serem “livres” [dentro dos limites da fazenda – com feitores e capitães do mato a postos. Tive a visão da Unidade: só a liberdade vale a pena rejeito qualquer doutrina que não seja a razão não devemos nem um níquel a quem nos deu de comer não devemos nem um segundo a ninguém somos flechas rumo ao super-homem cada vez mais longe, a distância amplia a visão é assim na física e na metafísica. Portanto, desordenadamente marchem!
  5. 5. 10 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 11 Como se chega nela? Transcendendo todas as coisas espaço tempo tudo que pode ser universo tudo que pode ser dimensão a não-existência E aí olha-se para trás.......ela estará lá A própria beleza a própria abonança geral de todas as coisas que trasbordam em si mesmas Quem são os nós-deuses? A vida inteligente no futuro mais longínquo que se pôde vislumbrar se ela futuro possuir cujo cérebro é o ponto que é tudo e vê tudo e pode tudo e sabe tudo e interage com tudo ao mesmo tempo todo real e virtual que não pode ser vislumbrado por nós o todo além de regras-limites-fraquezas, a-própria-intensidade-pura-concreta-palpável, a-própria-luz-geral-de-todas-as-coisas, a-própria-escuridão-geral-de-todas-não-coisas A verdade geral de todas as coisas Eu a vislumbrei num estado de vácuo além do espaço tempo Só nós dois... Ela ia vinha girava em todas as direções e depois se fechava mas eu não a vi fechar Nem ninguém verá antes do futuro longínquo onde ela se fecha Só os nós-deuses verão onisciente onipresente onipotente todas as cores mas eu a vi branco-cinza que fosforesce Tudo isso significa que eu concretizei o super-homem de Nietzsche O que para ele era o abstrato para mim é o concreto O caminho ficou claro Ela é além dos métodos Dialética não a explica Dialética é só o começo São todas as direções É a semântica que não foi inventada além de qualquer alphaville Quais os instrumentos para vislumbrá-la? Intuição sentimento razão A união de todas as coisas dos nossos pobres e primitivos cérebros
  6. 6. Filhos do Vácuo | 1312 | Sérgio Canarim Visão Eu também tive a visão do trabalho novo de Rimbaud com os sentidos encrapulados. O super-homem coordenando o circo bizarro ao fundo a música (dor prazerosa). A consagração do prazer e repúdio do sofrimento gratuito. O vento e seus filhos passando sem parar tirando tudo do lugar no eterno movimento das ideias novas. A união mundial do fim das pátrias e só a unidade mantendo as diversidades que compõem a realidade O macro O fora e O dentro do circo. Uma inexorável mutação de aceitação rápida levando aos picos dos picos onde o ar é gelado e rarefeito. Mas os sentidos voltam do desconhecido e a visão se dissipa como deve ser. Cheguei, caro Aldous Eu já cheguei em um lugar alto na colina e profundo na fossa gigantesca da imaginação. Agora posso tudo! Percorrer todos os cantos da minha amada e odiada Matrix. Mijar tomar o veneno de cada dia como uma gota de sangue no dente do mitológico vampiro do eterno retorno. É o estado: the Doors of Perception are open. As portas estão abertas e sendo analisadas pela razão. Just suck my integrity and you will see the truth, the little truth, never the old ugly truth. Sou maculadamente chapado pela natureza me fizeram já assim vivendo no ar insólito dos voos loucos pela tal realidade possível de ser vista. Tanto faz é minha doutrina de desacreditar um sentido para existência.
  7. 7. 14 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 15 A guerra do ser As covardias são mães do fracasso da infelicidade da falta de prazer da alienação do sofrimento da dor. A consciência das bobagens feitas condena o soldado ao perecimento moral. Por isso a luta interior é a guerra eterna onde dificilmente há vencedores são muitas batalhas muitos mortos muitas mutilações. Ao futuro pertence o remoer de derrotas em átimos ora na melancolia da insônia, ora nas ocasiões mais impróprias. O que torna a vida dificilmente interessante nos eternos movimentos de estratégias sutis ou complicadas de dor lancinante. Mesmo que haja tréguas o soldado sofre por suas memórias de guerra. E o que fazer? Não lutar? A pior covardia é acovardar-se diante da guerra contra a covardia. A utopia das utopias A verdade nos tornará livres Mas ela virá? Uma carga gigantesca de fogo Aguentaremos? Uma teia de eterna direções Compreenderemos? Uma punhalada de veneno Sobreviveremos? O quase paraíso Quereremos?
  8. 8. 16 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 17 O Samadhi da pele contra pele A pele nua toca a pele nua num instante a mente muda os olhos fecham arco-íris moldam na mente formas elípticas, geometria encantada, porque os acordes rasgam o peito as sinapses entram em colapso toda a matéria escura brilha todo o rosto esvaece num devaneio febril. Joga-se a vida nas cartas do presente que é um futuro quebrado a cada instante passado. Rever os rostos antigos transformados pelo tempo a chaga imortal de cada ego resvalando na relva e tornando-se ar areia úmida selvagens leopardos. Montanhas de espíritos nos trouxeram até aqui Daqui pra onde vamos? Suportamos, somos eternamente a mutação do mesmo porque as partes não formam o todo nesse rosto antigo. Acreditar que a unidade supera as partes; nosso novo evangelho é o caos. As moedas eram de ouro agora são conjuntos binários de zero e um. Infinitas combinações de dois dígitos. Nesse mar elétrico eu brilhando quando eu penso em eu. Soluços e gargalhadas lágrimas entrecortadas. A serpentina serpenteia espirais sem nunca tocar o palpável. Venham todos de um só trago, a montanha de espíritos para ser o hoje, muito sangue, muitos estandartes, muitos evangelhos foram construídos como no jogo de lego e desmontados pelo o que veio a ser o vir a ser. Encantados, relembramos que deus era o fogo, o sol, a água e agora nem mesmo abstrato, o ser vem do nada e não existem mais deuses, só o choro de crianças esperançosas, sonhando com um homem pós-orgânico, pós-fraquezas, pós-medo do escuro. Pós-necessidade de crenças pós-escrita pós-amor pós-apego. E os soldadinhos finalmente largarão a bandeira que os move inexoravelmente para o abismo. Ou, lá sem sentir, pois não ser é não sentir também, já estão sem dor sem prazer sem nada ser nada já é alguma coisa.
  9. 9. 18 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 19 Verdade Nietzsche, quando pude refutá-lo tive uma luz de ida até o meu fim atual: A verdade é finita. Ao longo da história descobrem-se novos caminhos tudo vai volta gira em todas as direções mas ao final se fecha. Só que o homem é mais finito. Portanto, duvido de nós. Não existiremos o suficiente para conhecer toda essa teia. Um espírito elevado de um espaço-tempo é o somatório dos espíritos elevados que vieram antes. Mas não vai dar tempo. A verdade é finita, porém infinitamente gigantesca. Construção O passado já foi destruído. As tábuas antigas serviram de armas contra o Deus que insiste em viver. O presente é destruído a cada instante. Quero dar apenas o golpe de misericórdia. Quebrar os restos do instante que passou. Destruir, mas com esmero dos engenheiros mais lógicos, calculistas de um capitalismo que exige cada vez mais pessoas-engrenagens-azeitadas Manter a estrutura, Como sempre, os cálculos básicos estão corretos. Senão o que passou não teria existido, muito menos o que se passa. Mas minha arquitetura não é esta que substitui o presente. Minha arquitetura constrói o futuro longínquo. O futuro das grandes aventuras-racionais-sensorias-de-intensidade.
  10. 10. 20 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 21 Edgar Allan Poe Havia algo nebuloso Havia um enigma não resolvido Um paradoxo: Unidade versus Profundidade Sabe quando uma informação derruba um muro? Foi assim... Poe pôs mais um muro para minha visão da unidade abaixo! A verdade... Todas as minhas reflexões são baseadas na distância e no contexto global (totalidade); por isso enxergo com clareza. Quando me referia à profundidade, não significava se ater a detalhes, escolher um pequeno objeto e ir até o fundo do poço. Isso é trabalho para cientistas e, mesmo assim, nem eles devem se manter ligados nos detalhezinhos da renda vermelha do papai Noel, e sim sempre unificar os conhecimentos existentes para encaminhar seus estudos, à distância deles, é bem verdade, é o espaço que separa os pintores orientais de grandes planos do objeto a ser retratado − um palmo. Os amantes da verdade, da unidade devem ver o mundo como um todo sempre. Formar sua argumentação visando toda a paisagem. Caminhar até um ponto no espaço infinito e olhar para trás; tudo ficará claro. Sendo assim, talvez o erro dos conservadores não seja exatamente superficialidade, mas especificações, examinar um argumento sem perceber tudo que o cerca: O Universo, seus lançamentos de dados, sua bizarra, incrível, aparentemente infinita matéria. Quando se está longe, percebe-se por que a verdade é gigantesca. Ela vai, volta, gira em todas as direções e depois se fecha, pois tem que interligar tudo, toda a gigantesca absurda paisagem da existência. Então, a distância é uma espécie de metafísica, pressuposto para qualquer conhecimento, principalmente filosófico. OBS: mas como não tenho certeza sobre a necessidade da metafísica, e minha ideia pode estar errada ou incompleta, talvez esse pressuposto possa ser quebrado em algumas hipóteses, principalmente científicas.
  11. 11. Filhos do Vácuo | 2322 | Sérgio Canarim Verdade A lógica pode tanto fazer o caminho para verdade quanto pode fazer qualquer caminho. Os caminhos falsos não duram para sempre. Só até que surja um criador com a vontade de potência gerada por uma ideia nova, que levará a outro caminho errado ou incompleto. Ou se juntará com as ideias que se acumulam juntas no final da verdade, esperando o um ou uns, tradutores e unificadores derradeiros. Serão os pós-androides? A montanha mágica Os espíritos superiores ao concretizarem suas almas em obras, tornam-se montanhas. E convidam-me a escalar-lhes os corpos, suavemente dão suas mãos criadoras como apoio. Subo, quero mais. Quero usar esses meus amigos mortos para ultrapassá-los. Quero subir sobre seus ombros e saltar para o voo infinito. Voar voar voar Depois construir uma casa sobre o topo de todas as montanhas reunidas. Até que um amigo que ainda não vive , meu amigo do amanhã, construirá um arranha- céu sobre minha casa.
  12. 12. 24 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 25 História Talvez seja apenas linear mas a história humana não. Essa é ciclicamente linear 1. Na pré-história o sexo era livre 2. Na passagem para a história repressão em prol da civilização. 3. Agora, o sexo volta a ser livre Evolução cíclica 1. Atitude livre e instintiva 2. Atitude cerceada por necessidade 3. Atitude livre e pensada História (II) Profecia de um futuro longínquo: 1. Criamos Deus 2. Matamos Deus 3. Somos Deus É o ciclo 1. Deus existe − nas nossas cabeças 2. Deus não existe − atualmente 3. Deus existe − nos transformamos nele 1. Ideia mítica 2. Ideia racional 3. Ideia racional concretizada cientificamente1 1  Historia e História (II) se complementam independente da ordem
  13. 13. 26 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 27 Chamada ao futuro Cidadãos do universo Espíritos livres Libertadores Criadores Amorais na análise Cumes da existência EM FRENTE, MARCHEM! A intensidade A doação ao Universo Deixar-se levar até os confins das trevas A dor e o prazer A paixão O encrapulamento sensorial Tem que ir até o fim Só até o fim Só lá A verdade mostra seu caminho Abre-se como uma mulher irracionalmente apaixonada Tudo fica claro mas indizível É tanta luz que fico tonto Tonto extasiado apaixonado por ela A existência... Estressado exausto é ela A intensidade que consome a vida Mas a vida é feita para ela e ela é feita para vida É o sentido consumir tudo As células até a última gota de DNA Finalmente saber alguma coisa e exausto das eternas viagens morrer satisfeito em paz.
  14. 14. 28 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 29 ... Atrevesse? e se eu dissesse que não existe infinito que eu sou o Universo e de mim ele prescinde que eu sou um grão dos Universos bebês e que haverá uma teoria única (a união de todas as teorias) que é todas e contradiz todas numa dialética alucinada mas não se assustem a verdade é assim mesmo... ela de tão complexa é quase caótica ela de tão caótica só pode ser gigantesca para um leigo, a paixão pela busca essa fera cheia de tentáculos simplesmente não existe ou não pode ser alcançada e se eu dissesse que no futuro teremos tudo ou não existiremos, e a sorte quântica terá sido jogada por água a baixo [por meras crianças doutrinadas pelo medo e se eu ainda dissesse que jamais, nesse devaneio de futuro longínquo, [precisaremos mover um dedo Que seremos literalmente donos do espaço infinito que é finito mas tudo bem... alguém há de me dizer: “porque perdes tempo buscando o que será superado?” e eu logo direi: “porque é divertido e me faz poder tudo!” ou, para ser humanista, eu cuspirei: “todos que puderem pôr um grão de areia [nesta bendita verdade, a verdade bendita, [serão bem vindos, pois o tempo é curto!?!”
  15. 15. 30 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 31 Ouvindo beethoven com a testa na escrivaninha e chorando por dentro por motivos que não quero expressar ou sou fraco demais pra expressar ao mesmo tempo tenho boas novas! Os antigos discípulos vêm na marcha desgovernada de sangue [escorrendo na boca por um lugar mais alto do que o sol Eu devia estar feliz mas não estou Eles me perseguem por motivos incompletos e errados enquanto me preocupo com fraquezas mundanas de dois dias de dor pierre boulet que mal conheço continua me assombrando como quem não olha direito pra coisa nova da esquina [do estado vizinho A gramática é necessariamente quebrada Não é aqui no verso anarquicamente & simetricamente assimétrico & livre que hei de expressar minha filosofia Só meus sonhos visionários de um futuro possível e impossível Horas de quebras morais Sentidos do que é bom A falta de uma explicação perfeita me absolve na poesia? Não sei mas quem se importa O vento me espera para rompê-lo num voo até a não-existência Enquanto vivo fugindo desse voo encontro tempo pra filosofar [mas não pra registrar de modo preciso a minha filosofia
  16. 16. 32 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 33 Evolution Baby Curvas quânticas Pré-existência Big bang Oi planeta bizarro da essência Viva os homos Carnificina – Brincadeira Sapiens sapiens – Extermínio E o homem criou Deus – Civilização E o homem matou Deus – Mas ele é Fênix renasce das cinzas Evolução Carnificina Filosofia Psicodelia Brincadeira Arte – Sonhos Deus permanece morto-vivo Guerra dos sexos Sexo livre Camisa de vênus Caos carnificina Deus psicodelia Vitória dos bêbados Vida longa Comida à vontade Desnutrição Guerra guerrilha paz e amor Doors Tecno Extasy Workaholic Vagabundos da nova geração In out Velhos de sobra Jovens mesquinhos e loucos de vontades Jovens idealistas e loucos de vontades Álcool Álcool Álcool U.S.A polícia terrena Emergentes Mari Juana Mescalina Dostoievski Trotsky Homero Chico Cience Buarque da Rosa
  17. 17. 34 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 35 Amazônia em chamas! Festa na floresta Queimam na fogueira desvairada as verdades simples Dança incandescente de luz e calor lembrando as visões dos antípodas da mente Queimam os animaizinhos indefesos Quem se importa! Queimaremos tudo se for necessário! Acabaremos com a beleza natural do mundo! A nossa sobrevivência é nossa única opção Mas nossa sede por beleza poderá poupar a natureza? E se não pudermos poupar a estética aleatória? Não se preocupem faremos obras faraônicas e assim aliviaremos a secura dos olhos humanos e quem sabe não-humanos. Tive prazer ontem, um prazer necessário Proporcionei um prazer superfluamente necessário Aliviei minha culpa, que não é minha culpa Fui feliz, ó fui, melancolicamente, hipocritamente Acreditem ou não Ninguém virá nos salvar Os filósofos os profetas ninguém Abriram aumentam e aumentarão as trilhas O caminho é infinito
  18. 18. 36 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 37 Volto na tarefa cotidiana do meu vício de nicotina à janela de meu quarto. A paisagem estática do meu jardim não me diz quase nunca muita coisa. Ao contrário, o céu e Ca- mus me inspiram, o primeiro na sua estática e o segundo na sua filosofia. O céu neste fim de tarde de outono está livre de nuvens. Sobre minha cabeça, o céu é turquesa e vai mudando seu matiz à medida que se aproxima do horizonte, tornado-se cada vez mais claro até assumir um branco acinzentado. Camus, por outro lado, me relembra o total absurdo de viver, a indiferença inexorável do mundo, a falta de sentido original e, finalmente, a mais sombria das questões, o único medo verdadeiramente terrível e invencível: a finitude que nos espreita para um dia marcado sem volta. Mas há muito tempo conheço tais questões, e também há muito tempo dei-me o prazer e o luxo de elaborar um sentido para minha existência. Não contente com isso, ainda me permiti elaborar um sentido para a existência de toda humanidade. Os dois sentidos se ligam como tudo o mais se analisado com a medida distância. O sentido da vida pessoal só pode ser viver ao máximo possível, buscar a intensidade. A mim busco no pensamento e na vida prática. Sinto muito dos dois modos, assim como também reflito igualmente. Porém, ao contrário de outros pensadores racionais, os que têm coragem para não crer em certezas falsas como outra vida depois desta ou na existência de Deus para nos salvar; ou dos demais que não aguentam a incerteza de viver e se apegam a dogmas por medo do mistério e do fim, eu descobri uma esperança para nós, racional e possível, embora, como deve ser, sem certezas de seu sucesso. Este é o meu sentido para a humanidade como um todo: uma chance para nos salvarmos através de nós mesmos nesta vida, e não em sonhos de mitologias perdidas, chama-se a busca pelo conhecimento nas suas últimas consequências. Isto é, objetivar e dominar toda a verdade. Eu sei, o quanto a qualquer consumidor da livre razão parece ingênuo julgar possível conhecer toda verdade. Mas eu conto com as novas descobertas. No ponto histórico no qual nos encontramos, esta possibilidade surge no horizonte, como que quebrando o necessário encontro entre o céu e a terra onde enxergamos o fim da ilusão de ótica. Então, encarar a limitação do homem atual como a limitação do conhecimento possível é como crer na ilusão onde o céu encontra a terra. É o que vemos, mas quem disse que vemos tudo? Quem disse que não podemos usar toda nossa capacidade para chegar aos nossos limites e criarmos os seres que irão além de nós? Se nós não podemos chegar a todas as respostas de todas as perguntas, isso não significa duas coisas: a primeira, pelo fato de não sermos capazes de conhecer a verdade de todas as coisas, não significa, absolutamente, que ela não exista; segunda, não importa também, na impossibilidade de seres mais avançados genética e ciberneticamente, os
  19. 19. Filhos do Vácuo | 3938 | Sérgio Canarim quais podem ser criados pelos nossos conhecimentos se não pararmos de buscar, de serem eles capazes de chegar ao conhecimento absoluto. Ou seja, podemos, indo ao nosso máximo, criar nossos sucessores, e estes, por sua vez, chegando ao seu limite, poderão criar seus sucessores, e assim sucessivamente, até o dia da compreensão e do domínio total do universo e do que houver além dele. Isso, cabe sempre ressaltar, não é um dogma, pois não é uma certeza e sim uma chance. Mas, se a única certeza é que só podemos contar com esta vida, então vale a pena tentar dominar a verdade para dominar esta vida. Se através dos tempos se chegar a esse fim, tudo será possível: poderemos dominar as leis do universo e não mais nos sujeitarmos a elas. O que resolve o nosso maior dilema: o fim da vida. Uma vez dominado todos os segredos, tudo pode ser feito. A imortalidade, a ressurreição se tornam alternativas racionais e possíveis. Então, o que nós intermediários dessa chance de salvação poderemos fazer para ajudar a meta? Simplesmente buscarmos os nossos limites. O absoluto, diz Hegel, “só no final será o que ele é na realidade”. O pior da loucura Os fantasmas não existem O sexo nos comanda Maldita natureza nos prega peças A vida acaba NIETZSCHE teve alguma razão
  20. 20. 40 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 41 A janela pro mundo Estava na janela de meu quarto e de repente olhei a imensidão da cidade, o horizonte do céu. Percebi que existia e que ia existir por muito tempo! Na verdade, não o percebi como se fosse a primeira vez, já que há muito iniciei meus questionamentos sobre a realidade e a verdade. Mas eu senti naquele instante a existência se concretizando no meu pensamento. Que o mundo estava aí imenso para mim e que eu iria concretizar minhas obras e que iria aumentar minha transcendência e veria mais claramente meus vislumbres! Então, um arrepio percorreu todo meu corpo, e uma felicidade invadiu minha essência meu cérebro meu ser. E foi efêmera como um instante, é assim que eu sinto o mundo, é assim que acontece o meu estar-aí, num turbilhão de sensações que variam a todo instante de sentido e intensidade. Estranho é que um sentimento que significa o inverso, o antípoda ao movimento que um turbilhão representa – o tédio – também ocorra de eu o sentir! Mas eu já encarei a finitude de frente, já admiti a não existência como o fim inevitável que não pode ser descartado. Depois disso, não existem mais questões que não se possa tentar resolver. Quando se parte da premissa de que se pode não existir algum dia, a coragem invade os pulmões como se as fraquezas fossem questões temporais. A liberdade escorre pela boca e não há mais volta, não há como esquecer. Quando se inicia o livre pensamento, toma-se a pílula da visão da Matrix de fora, a caverna fica lá atrás com suas sombras, o circo toma forma, a visão do todo fica clara, mas não dizível, mas não compreensível, mas não totalmente explicável. O que importa é que ela está lá e não há nada que se possa fazer para impedir a unidade de todas as coisas. Sempre à frente, mesmo que humanamente limitado, sempre à frente!
  21. 21. 42 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 43 Oamor [second revolution of the mind (segunda revolução da consciência)] primeiro nível de transcendÊNCIA AHHHHHHHHHHHHHHHHHH ........................................ ............................................................................................... ............................................................................................... .............................................................................................. Asçldka~dlçkas~dlçaskdãsklçdas~dlçkasdõçEIR[OPIER- PWOERICM[]WE´RIOQW]E´R ERDWERWEFRWERFWERWER WER WER SDFSADGASDFG Está descoberto!!!!!!!!!!!!! Ficou claro de uma maneira espantosa neste momento em que escrevo Pode-se amar um número ilimitado de pessoas ao mesmo tempo!!!!!!!!! Pode-se ver quem se ama amando um número ilimitado de pessoas ao mesmo tempo Sem ciúmes Só sendo feliz pelo amor que faz flutuar e que faz quem tu amas flutuar mesmo quando estamos a amar outras pessoas. O amor no sentido mais pleno de todos, além de Jesus, compreendem isso!? Além de Jesus! Eu disse além de Jesus!! Eu disse além do que já foi dito sobre o amor!!! Eu disse além! Eu disse além! Eu disse além! Eu disse além Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh hhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhh hhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh hhhhhhhhhhh....................................................................... ............................................................................................... ............................................................................................... ............................................................................................... ............................................................................................ Estou fraco......... Transbordando deste amor por um instante Second Moment of the second revolution of the mind (segundo momento da segunda revolução da coNSCiência) Já sóbrio daquele momento do amor absoluto, volto a escrever.... No futuro longínquo as pessoas poderão já nascer para amar a todos assim como descrevi: este amor completo (em todas suas formas, em todo seu desapego) poderá vir impresso nos seres.
  22. 22. 44 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 45 A janela para a academia e correção à poesia de Macintyre Novamente, na mesma janela de meu quarto, súbito me veio a certeza de que posso comprovar minhas teses diante da inquisição da banca. Partindo desta ideia, meu coração partiu acelerado para batidas fortes e rápidas. Um arrepio percorreu o meu ser a respiração tornou-se ofegante meus olhos encharcarem-se embotados de cimento e lágrimas. Enquanto lia minha tese, as últimas peças do quebra-cabeça encontraram repouso no fechamento da figura que presumia já estar completa, agora me sinto seguro e cheio de potência e medo. Descobri, também, que na minha última incursão poética houve um pequeno erro quando afirmei que meus vislumbres do futuro longínquo não me chegaram pela linguagem. O que quis dizer, na verdade, é que não partiam da tradição, pelo menos não diretamente da tradição, ou seja, a história acumulada no mundo serviu de comprovação, ou melhor, vem servindo de comprovação, vem enchendo de sentido minhas ideias, mas elas não existiam completamente fora de mim, ou, como disse na outra poesia, não me chegaram integralmente pela linguagem. É claro que as formulei com a linguagem, apesar de haver pontos em que a linguagem atual não consegue explicar os seus jogos de sentido, e, assim, eu também não consigo explicá-los além da minha intuição criativa. Estou prestes a defender minha primeira tese filosófica. Não é o fim do caminho, mas a primeira entrada acadêmica para além do senso comum. Agora nada poderá me deter o voo transcende o espaço-tempo o céu não é o limite!
  23. 23. 46 | Sérgio Canarim Filhos do Vácuo | 47 Eu sou um maldito metafísico que gosta, além de buscar o Absoluto, de percorrer todos os cantinhos do pensamento. Tornando, assim, a coisa mais interessante! Sempre adiante numa busca interminável dos limites do Ser A mente vive numa sinapse sem limite, onde algo, que não posso expressar plenamente pela linguagem, acontece. Chamarei esse algo de turbilhão por problemas linguísticos O que posso dizer... quando se vive assim, nada é importante, nada é realmente importante apenas a finitude vez que outra bate a minha porta com seus dentes ferozes de noite, de nada. Aí, a(o) maldita(o) costuma assustar-me por algum tempo. Aos que vivem percorrendo o abismo do Ser e não Ser, de tudo e de cada coisa, as desgraças são questões temporais. E a única verdadeira desgraça definitiva é: a morte ou o fim da consciência.
  24. 24. www.buqui.com.br www.editorabuqui.com.br www.autopubli.com.br
  25. 25. QUANDO SE DERRUBA MITOS O VÁCUO É O NOSSO CHÃO ssim como na tradição de Heráclito, Epicuro, Nietzsche e Pessoa aqui nasce uma nova poesia-metafísica ou será uma nova metafísica-poética? O autor dialoga intensamente com os pen- sadores, dos pré-socráticos aos dias de hoje, parando principalmente diante de Nietzsche e Heidegger nesse novo arrombo tautológico. O homem-Deus supera a si mesmo na lite- ratura de Sérgio Canarim.

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