Administração(1) livro

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LIVRO SOBRE TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO.

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Administração(1) livro

  1. 1. Eduardo Carpejani Danielle Thaís Barros de Souza Administração
  2. 2. C294t Carpejani, Eduardo Administração. / Eduardo Carpejani, Danielle Thais Barros de Souza. Aracaju: UNIT, 2013. 172. : il. 22 cm. Inclui bibliografia. 1. Teoria geral da administração. 2. Princípio administração. 3. Teoria burocrática. 4. Tipologia da organi-zação. 5. Enfoque comportamental. I. Souza Danielle, Taís Barros de. II. Uni-versidade Tiradentes. III. Educação a Distância. IV. Título. Redação: Núcleo de Educação a Distância - Nead Av. Murilo Dantas, 300 - Farolândia Prédio da Reitoria - Sala 40 CEP: 49.032-490 - Aracaju / SE Tel.: (79) 3218-2186 E-mail: infonead@unit.br Site: www.ead.unit.br Impressão: Gráfica Gutemberg Telefone: (79) 3218-2154 E-mail: grafica@unit.br Site: www.unit.br Banco de Imagens: Shutterstock CDU:658 Copyright © Grupo Tiradentes.
  3. 3. Sumário Parte 01: Teorias Pré-Sistemas Tema 01- Enfoque Mecanicista . .11 1.1 Introdução à Teoria Geral da Administração: Princípios da Administração e a influência filosófica. . 12 1.2 Administração Científica: A escola de F.W.Taylor . .20 1.3 Abordagem Clássica da Administração . 32 1.4 Abordagem Humanística da Administração. .40 Tema 02 - Enfoque Organizacional. . 51 2.1 Teoria Burocrática. . 52 2.2 Teoria Neoclássica. . .60 2.3 Tipologias da Organização. . .68 2.4 Novas Abordagens da Administração . 78 Parte 02: Teorias Pós-Sistemas Tema 03 - Enfoque Comportamental. . 89 3.1 Abordagem comportamental: Teóricos da Motivação. . .90 3.2 Abordagem comportamental: Outros teóricos. . 101 3.3 Processo Decisório . 110 3.4 Teoria Estruturalista. . 120 Tema 04 - Enfoque Sistêmico. . 133 4.1 Teoria de Sistemas. . 134 4.2 Teoria Contingencial. . 142 4.3 Abordagens do Desenvolvimento Organizacional . 150 4.4 Abordagens Emergentes. . 160 Referências . .169
  4. 4. Concepção da Disciplina Ementa Enfoque mecanicista: Introdução à Teoria Ge-ral da Administração: Princípios da Administração e a influência filosófica; Administração Científica: A escola de F.W.Taylor; Abordagem Clássica da Ad-ministração; Abordagem Humanística da Adminis-tração. Enfoque Organizacional: Teoria Burocrática; Teoria Neoclássica; Tipologia das Organizações; Novas Abordagens da Administração. Enfoque Comportamental: Abordagem comportamental e os teóricos da Motivação; Abordagem comportamental e outros teóricos; Processo Decisório; Teoria Estru-turalista. Enfoque Sistêmico: Teoria de Sistemas; Teoria Contingencial; Abordagem do Desenvolvi-mento Organizacional; Abordagens Emergentes. Objetivos Geral Situar o aluno quanto à origem e ao processo evolutivo do pensamento administrativo de modo a evidenciar a importância e a utilidade do estudo da teoria administrativa. Específicos • Conhecer os conceitos fundamentais de cada teoria, visando à compreensão dos fenômenos organizacionais;
  5. 5. • Dominar os fundamentos conceituais da teoria administrativa a fim de permitir o posterior e constante aperfeiçoamento profissional baseado na absorção de tec-nologias futuras desenvolvidas na área de Administração. Orientação para Estudo A disciplina propõe orientá-lo em seus pro-cedimentos de estudo e na produção de trabalhos científicos, possibilitando que você desenvolva em seus trabalhos pesquisas, o rigor metodológico e o espírito crítico necessários ao estudo. Tendo em vista que a experiência de estudar a distância é algo novo, é importante que você ob-serve algumas orientações: • Cuide do seu tempo de estudo! Defina um horário regular para acessar todo o conteúdo da sua disciplina disponível neste material impresso e no Ambiente Vir-tual de Aprendizagem (AVA). Organize-se de tal forma para que você possa dedicar tempo suficiente para leitura e reflexão; • Esforce-se para alcançar os objetivos pro-postos na disciplina;
  6. 6. • Utilize-se dos recursos técnicos e huma-nos que estão ao seu dispor para bus-car esclarecimentos e para aprofundar as suas reflexões. Estamos nos referindo ao contato permanente com o professor e com os colegas a partir dos fóruns, chats e encontros presenciais, além dos recur-sos disponíveis no Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA. Para que sua trajetória no curso ocorra de forma tranquila, você deve realizar as atividades propostas e estar sempre em contato com o profes-sor, além de acessar o AVA. Para se estudar num curso a distância deve- -se ter a clareza de que a área da Educação a Dis-tância pauta-se na autonomia, responsabilidade, cooperação e colaboração por parte dos envolvi-dos, o que requer uma nova postura do aluno e uma nova forma de concepção de educação. Por isso, você contará com o apoio das equi-pes pedagógica e técnica envolvidas na operacio-nalização do curso, além dos recursos tecnológicos que contribuirão na mediação entre você e o pro-fessor.
  7. 7. Teorias Pré-Sistemas Parte 1
  8. 8. 1 Enfoque Mecanicista As organizações são, sem discussão, o tipo de sistema social predominante nas sociedades industriais. No entanto, sua origem nos traz a ideia de que antes das organizações, a Administração era vista como arte e ciência. Quando usamos a expressão ciência, nos de-paramos com o sentido de descrever os fenômenos do mundo real, ou seja, referimo-nos à Administração enquanto ciência que busca a compreensão das formas de organização social, no tocante às suas estruturas e formas de gestão. Você, como futuro profissional da área que estuda, estará com-pletamente envolvido com uma ciência considerada social e aplicada, isto é, com todas as atividades que estão preocupadas em sistema-ticamente investigar e explicar aspectos da relação entre o indivíduo e a sociedade da qual é integrante. Nesta viagem pela ciência da Administração você perceberá a influência sofrida através da filosofia, sua origem e evolução, desde seu início na era clássica ao momento atual. Boa leitura!
  9. 9. 12 Administração 1.1 Introdução à Teoria Geral da Administração: Princípios da Administração e a influência filosófica A história da Administração se constrói ao lon-go da história por meio de indícios de diferentes épocas. Neste sentido, apontar onde se originou é complexo, pois é possível realizar uma análise desde a Idade Média até a Revolução Industrial. O certo é que em todos esses momentos históricos houve uma relação entre capital, trabalho e comércio. Podemos começar mencionando indícios his-tóricos, tais como a construção das pirâmides do Egito, por volta de 3000 a.C., onde se buscou a resolução de problemas relacionados à administra-ção de mão de obra e logística. Na China, em 2000 a.C. encontramos a inci-dência de soluções inovadoras na Administração Pública, através de aconselhamentos com asses-sores e delegação de poder para resolução de pro-blemas. Diante do fato de que a Administração é uma área que é constituída de pessoas e voltada a pes-soas, ainda na China, Confúcio (500 a.C.) cita que a importância das pessoas acontece pelo mérito/ conhecimento. Evidenciamos, ainda, as bases da burocracia e a construção de uma das maiores ma-ravilhas do mundo, a muralha da China. Já na Babilônia, 1800 a.C., evidenciamos a criação de políticas ou normas, através do código de Hamurabi, além da preocupação com a adminis-tração das vendas, envolvendo receitas e despesas. Seguindo no processo evolutivo da Adminis-tração, chegamos à Grécia (500 a.C.), onde consta-tou- se a preocupação com a democracia e a ética na
  10. 10. Tema 1 | Enfoque mecanicista 13 Administração Pública, onde é importante ressaltar que diversos filósofos contribuíram para a Adminis-tração. Neste sentido, Muniz (2007) ressalta algu-mas evidências oriundas da filosofia, dentre elas: • Os estudos sobre as habilidades indivi-duais aprofundados por Sócrates (469- 399 a.C.); • A relação entre a Administração e as questões políticas e sociais elucidadas por Platão (429-347 a.C) ao discutir a forma como o governo pode agir através da democracia, ou seja, seus estudos sobre a Administração Pública; • A definição das formas de governo ado-tadas, dentre elas: Monarquia (onde apenas uma pessoa detinha o poder de governar uma nação); a aristocracia (onde existia a influência da elite na Administração Pública e a democracia (onde os cidadãos passam a ter direito ao voto), foram pensadas por Aristóteles (384-322 a.C), servindo de grande con-tribuição para o desenvolvimento das nações; • A criação dos estudos sobre a lógica matemática, dando origem aos métodos indutivo e experimental elaborados por Francis Bacon (1561-1626), os quais con-tribuíram para a Administração no sen-tido de estudar a razão na tomada de decisão gerencial;
  11. 11. 14 Administração • A criação da teoria do contrato social, a qual serviu de base para determinar os direitos e deveres das partes interes-sadas que entre si passavam a ter um objetivo comum, fazendo com que hou-vesse um maior controle por parte dos interessados na busca pelas eficientes tratativas comerciais, foi a contribuição de Jean-Jaques Rosseau (1712-1778); • A criação do discurso do método, o qual foi ponto de partida para os estudos matemáticos, os quais contribuíram para a Administração no sentido de subsidiar o gestor de critérios visando uma toma-da de decisão com menor incidência de risco. Com isso, René Descartes (1596- 1650) passou a ser um dos grandes íco-nes do desenvolvimento da ciência da Administração, contribuindo com a defi-nição de alguns princípios, como o a aná-lise, a síntese, a enumeração e a dúvida; • E os estudos oriundos da economia que passavam a influenciar indiretamente as Organizações. Neste sentido, a contribui-ção de Karl Marx (1818-1883) trouxe a dis-cussão sobre as relações econômicas. Além das evidências apresentadas pelos di-versos filósofos e demais estudiosos da sociedade, é possivel citar a grande influência da organização militar na Administração. Através das iniciativas dos exércitos na busca por derrotar o inimigo, encontramos algumas ações que apresentavam claramente a incidência do pen-
  12. 12. Tema 1 | Enfoque mecanicista 15 samento estratégico através do planejamento, da organização, da direção e do controle durante uma batalha. Assim, podemos relatar algumas evidên-cias como: • A criação da unidade de comando, dando ênfase à hierarquia de poder vertical (de cima para baixo) dentro do batalhão; • E a definição do princípio da direção, que possui a noção clara sobre sua real atri-buição; Além disso, podemos também encontrar evi-dências de ações que contribuíram para a ciência da Administração durante o período das revoluções industriais. Quanto a estas, destacamos o período de 1780 a 1860, chamado de 1ª Revolução Indus-trial ou Revolução do carvão e do ferro, o qual foi composto por quatro fases: 1ª fase: a mecanização da indústria e da agri-cultura; 2ª fase: aplicação da força motriz à indústria; 3ª fase: desenvolvimento do sistema fabril; 4ª fase: aceleramento dos transportes e das comunicações.
  13. 13. 16 Administração Maquina a vapor e caldeira A partir do final do século XVIII, com a in-venção da máquina a vapor por James Watt (1736- 1819) e sua posterior aplicação à produção, uma nova concepção de trabalho passou gradativamen-te a dominar, dando início a um novo sistema de produção, com a invenção e o uso de novos instru-mentos, processos, novas fontes de energia (o mo-tor a vapor e o uso do carvão) e máquinas para fa-bricação. Esses novos instrumentos surgiram como resultado direto do aumento dos conhecimentos durante o período de grande atividade intelectual na renascença. Neste sentido, do final do século XVIII ao iní-cio do século XIX, deu-se início ao período clássico da Administração, onde o sistema fabril levou a produção domiciliar para as fábricas. Os mestres e comerciantes se tornaram empregados do grupo emergente de capitalistas e as habilidades dos em-pregados foram transferidas para as máquinas e as ferramentas recém-desenvolvidas.
  14. 14. Tema 1 | Enfoque mecanicista 17 Em seguida, entre 1860 a 1914, surge a 2ª Revolução Industrial ou Revolução do aço e da ele-tricidade, onde foram considerados como aspectos relevantes: • O desenvolvimento de um novo processo de fabricação de aço; • A substituição do vapor pela eletricidade e em seguida pelo petróleo; • A máquina automática e a ênfase na es-pecialização do trabalho; • O crescente domínio da ciência sobre a indústria; • O aperfeiçoamento do dínamo; • A invenção do motor de combustão; • As discussões sobre o Capitalismo.
  15. 15. 18 Administração Com o crescimento das empresas de forma cada vez mais acelerada e com a necessidade de obtenção de melhor aproveitamento das máquinas e dos equipamentos, surge o estudo da Adminis-tração como uma ciência capaz de proporcionar, efetividade, eficácia e eficiência ao setor fabril. Foi, portanto, nesse cenário que a Adminis-tração passou a melhor se desenvolver, pois se rompem os laços com a estrutura coorporativa e de poder inerentes à idade média. É nesse período que percebemos a transição do tipo de produção artesanal para o industrial. Indicação de Leitura Complementar Caro leitor, para melhor entender a relação entre a ciência e a teoria organizacional, leia o capítulo 4 de: CARAVANTES, Geraldo R. Teoria geral da adminis-tração: pensando e refazendo. 4. ed. Porto Alegre: AGE, 2003 No referido capítulo, você terá a possibilidade de ter maior clareza sobre o conceito de organização, além do que poderá distinguir entre ciência e teoria. Aproveite e leia também o primeiro capítulo do Livro: MOTTA, Fernando Cláudio Prestes. VASCONCELOS, Isabella Gouveia de. Teoria geral da administração: uma introdução. 3. ed. São Paulo: Thomson Lear-ning, 2006
  16. 16. Tema 1 | Enfoque mecanicista 19 Para Refletir Neste tópico conhecemos os antecedentes histó-ricos da Administração e a influência de cada um nesta ciência. Além disso, fomos capazes de en-tender o real motivo do surgimento das indústrias. Neste contexto, discuta com seus colegas o fato da Administração ser uma atividade essencialmente empírica. Ao administrarmos qualquer coisa, seja ela uma empresa, um exército ou nosso próprio tempo, estamos procurando formas de interagir com a realidade que nos cerca, na busca de deter-minados objetivos. Para o estudo da Administração, interessa-nos prioritariamente a administração de organizações. Assim, ao ler o material complementar citado aci-ma, reflita sobre o conceito de organização e sua relação com a ciência.
  17. 17. 20 Administração 1.2 Administração Científica: A escola de F.W.Taylor Há vários momentos que relatam indícios da origem da Administração, no entanto, parece um consenso que os estudos elaborados por Taylor, entre o final do século XIX e início do século XX, tiveram uma relevante repercussão na sociedade capitalista da época. É neste contexto que você irá a partir de agora, conhecer todos os antecedentes referentes à Administração Científica, seu principal expoente, seus precursores e sua relação com os dias atuais. Frederick Winston Taylor (1856-1915), conheci-do como o pai da Administração Científica, começou sua carreira na Filadelphia em 1978. Enquanto lá trabalhava, ascendeu a diversos cargos até chegar a Engenheiro Chefe e responsável pelo gerencia-mento de grandes empresas nos Estados Unidos. Taylor publicou cinco livros, dentre eles: Prin-cípios da Administração Científica (1903) e Gerência de Fábrica (1911), que se tornaram muito conheci-dos; além de registrar cerca de 50 patentes de in-venções sobre máquinas, ferramentas e processos de trabalho, fatos que o levaram a ser eleito como um dos principais expoentes do pensamento admi-nistrativo da época. Em sua Teoria da Administração Científica, Taylor defende o emprego do método científico para resolver problemas da Administração, median-te uma abordagem sistêmica. Neste sentido, pode-mos apontar como elementos básicos do método científico de Taylor os seguintes aspectos. Frederick Winston Taylor
  18. 18. Tema 1 | Enfoque mecanicista 21 Conforme Chiavenato (2001, p.65), [...] os ele-mentos básicos de seu método de Taylor foram: 1. Estudo do Trabalho: para Taylor, o traba-lho era mais bem executado e com mais economia através da divisão e subdivi-são de todos os movimentos necessários à execução de cada tarefa. Observando com muito detalhe a execução do traba-lho dos operários, ele viu a possibilidade de decompor as tarefas e as operações em uma série ordenada de movimentos simples, compreendendo o estudo dos tempos e movimentos. 2. Desenho de cargos e tarefas: onde segundo ele, a tarefa constitui-se na menor unidade possível dentro da divisão do trabalho em uma organização. Já o cargo é o conjunto de tarefas existentes de forma cíclica ou repetitiva. A ênfase sobre as tarefas a se-rem executadas levou à simplificação dos cargos no intuito de obter o máximo de especialização de cada trabalhador. Diante disso, a simplificação do desenho dos cargos apresenta algumas vantagens, tais como: • Quando o funcionário é admitido com a mínima qualificação possível, há uma di-minuição dos custos da empresa; • Possibilidade de diminuição na quantidade de treinamentos, consequentemente, redu-zindo também os custos em treinamento;
  19. 19. 22 Administração • Redução de erros no processo produtivo, diminuindo desperdícios e refugos; • Facilita a supervisão, permitindo maior controle em relação aos empregados; Por fim, proporciona também um aumento da eficiência do trabalhador, permitindo maior produ-tividade (CHIAVENATO, 2001, p.65). 3. Padronização de ferramentas e instrumen-tos: busca facilitar a execução do trabalho para os operários, com o objetivo de au-mentar a produtividade. A padronização é uma aplicação de pa-drões em uma organização para obter uniformidade e redução de custos. 4. Seleção e treinamento de pessoal visan-do à especialização: com isso, pensava- -se em enquadrar o operário em uma função que ele apresente maior talento, podendo assim desenvolver cada vez mais sua capacidade, visando também o aumento da produtividade; 5. Supervisão e planejamento: neste contex-to, Taylor acreditava que era melhor se-parar as pessoas que pensam a empresa daquelas que executam o trabalho rotinei-ramente. Ele criou o conceito de super-visão funcional, ou seja, a existência de diversos supervisores, cada qual especia-
  20. 20. Tema 1 | Enfoque mecanicista 23 lizado em uma área específica, com auto-ridade sobre os mesmos operários; 6. Motivação baseada em prêmios por pro-dução: o operário que obtivesse produ-ção acima da quantidade determinada receberia uma gratificação financeira como forma de incentivar o aumento da sua produtividade; 7. Estudo dos tempos e movimentos: é um método científico baseado nos movimen-tos necessários para a execução de uma tarefa em determinado espaço de tempo ou cronometragem dos movimentos no tempo mínimo necessário para a correta execução de um trabalho industrial. Objetivos do estudo de tempos e movimentos O estudo dos tempos e movimentos possi-bilita a racionalização do tempo de execução de uma tarefa, através da fixação de padrões para sua realização. Dentre as vantagens deste método, po-demos citar: • Eliminação de movimentos desnecessários; • Racionalização do processo de seleção e treinamento do pessoal; • Melhoria do desempenho dos funcioná-rios através da padronização das tarefas e diminuição do esforço;
  21. 21. 24 Administração • Padronização do trabalho; • Salários iguais para funções iguais e prê-mios por produtividade; • Definição de normas e procedimentos para execução das tarefas, reduzindo o tempo de nivelamento e preparação do funcionário. Dessa forma, Taylor (1970, p.35) salienta que [...] existe uma maneira melhor (padrão) para rea-lizar cada tarefa, uma ferramenta melhor (padrão) para executar a tarefa e um tempo ideal (padrão), para ser cumprida a tarefa. Neste sentido, Muniz (2007) acrescenta cinco princípios norteadores da Administração Científica elencados por Taylor: • Princípio do planejamento; • Princípio do preparo; • Princípio do controle; • Princípio da execução; • Princípio da exceção. Também é neste contexto que uma das ideias centrais do movimento da administração científica é a de que o homem é um ser racional e que ao tomar uma decisão, conhece todos os caminhos possíveis, bem como as consequências da escolha. Com isso, os resultados de sua decisão passam a
  22. 22. Tema 1 | Enfoque mecanicista 25 ser aumentados e os riscos reduzidos. Esse tipo de entendimento nos remete ao conceito de Homo Economicus, ou seja, aquele que leva em consi-deração o lucro como um dos valores principais (MOTTA, 1998, p.8). É importante lembrar ainda que Taylor teve sua obra dividida em dois períodos. De acordo com Muniz (2007) eles são: PRIMEIRO PERÍODO DE TAYLOR Este período refere-se à publicação de seu livro Shop Management (Administração de Oficinas) (1903). Nesta obra Taylor busca demonstrar as técnicas de racionalização do trabalho através do Estudo dos Tempos e Movimentos. Segundo Taylor, o objetivo principal da Ad-ministração é aumentar a produtividade através da redução de custos de produção e do pagamento de salários por produtividade. Ele salienta que para realizar isto, a Administração deve utilizar-se de práticas científicas, baseadas em pesquisas e expe-riências, visando formular princípios e estabelecer processos padronizados. Neste sentido, os ope-rários devem ser cientificamente testados com a utilização de materiais e condições de trabalho de maneira adequada. A Administração passa então a necessitar de um ambiente voltado ao compromisso com os operários, visando à manutenção do bom ambiente psicológico. O ponto de partida do pensamento de Taylor foi a aplicação dos princípios de engenharia oriun-dos da época junto ao trabalho manual. Neste caso, o método criado por Descartes, baseado na razão, passa a fazer parte da base de seus estudos.
  23. 23. 26 Administração SEGUNDO PERÍODO DE TAYLOR Nesta etapa dos estudos de Taylor, descritos em seu Livro Princípios de Administração Científica (1911), ele chega à conclusão de que a otimização da Administração da Produção depende da raciona-lização do trabalho. Diante do contexto vivenciado por Taylor, ele apontava que as indústrias em sua época sofriam de três problemas graves: 1. Os funcionários eram considerados va-dios e preguiçosos; 2. A falta de preparo do corpo gerencial em relação às rotinas de trabalho e o tempo para realização de cada tarefa; 3. Falta de padronização dos métodos de trabalho. Segundo Taylor, a Administração Científica é uma evolução e não uma teoria, apresentando um enfoque muito mais analítico e racional do que vol-tado ao bom senso. No entanto, apesar de sua maneira pessimis-ta de entender a natureza humana, Taylor preocu-pava- se em criar uma maneira didática baseada na intensificação do ritmo de trabalho visando sempre a maior eficiência.
  24. 24. Tema 1 | Enfoque mecanicista 27 Apresentamos abaixo, alguns contemporâne-os de Taylor e de suas ideias: CARL GEORGE LANGE BARTH (1860-1939): descobriu a lei que regula o efeito da fadiga provo-cada pelo trabalho pesado; HENRY LAWRENCE GANT (1861-1919): suas contribuições foram: • Inventou o gráfico de Gantt; • Criou o sistema de salários; • Estudou sobre as formas de treinamento para os trabalhadores; • Introduziu o conceito de responsabilida-de industrial. HARRINGTON EMERSON (1853-1931): criou doze princípios da eficiência. FRANK (1868-1924) E LILIAN GILBRETH (1878- 1972): Frank foi precursor da fisiologia do trabalho, iniciou a aplicação da psicologia ao estudo da ad-ministração e se concentrou no estudo de tempos e movimentos. Quanto a Lilian, além de contribuir no estudo da fadiga humana, foi pioneira na seleção, colocação e treinamento de pessoal, desenvolveu uma série de obras onde considera que a produti-vidade do indivíduo depende muito mais da atitu-de, das oportunidades e do ambiente físico do que propriamente do uso correto de métodos e equipa-mentos ideais.
  25. 25. 28 Administração Produção em massa e linha de montagem Ainda no período da Administração Científi-ca, temos os estudos sobre produção em massa e linha de montagem, onde seu principal expoente foi o empresário do ramo automobilístico Henry Ford. HENRY FORD (1863-1947) e sua contribuição para a Administração Científica Ford, sem dúvida, foi o elemento chave na propulsão da linha de montagem, mesmo não ten-do sido ele que a criou nem a produção em massa. Todavia, usou esses conceitos com grande eficácia. Sendo um homem com enorme capacidade de associar uma produção altamente suficiente, com grandes volumes de produção usando, para tanto, uma produção onde há uma relação de hierarquia de cima para baixo verticalmente integrada, associa-da a altos salários e baixos preços de venda. Sua visão para massificar a produção era acompanhada pela baixa qualidade dos carros pro-duzidos, e que em geral, eram muito simples, sem nenhuma sofisticação tecnológica. Sua empresa combinava a manufatura e a montagem de todas as peças componentes de um carro, usando uma linha de montagem principal, com inú-meras sublinhas de menor por-te alimentadoras, aplicando o princípio de integração vertical. Ele fundou a Ford Motor Co. que passaria a ser uma das
  26. 26. Tema 1 | Enfoque mecanicista 29 empresas de montagem de automóveis mais im-portante dos Estados Unidos. Para ele, o segredo da produção em massa é a simplicidade, sendo considerados três princípios básicos de acordo com o quadro 1: Quadro 1 - Princípios básicos de Ford: 1 Princípio da intensificação Diminuir o tempo de duração da produção com o emprego imediato dos equipamentos, matéria-prima e rapidez na comercialização 2 Princípio da Economicidade Consiste em reduzir ao mínimo o volume do estoque da matéria-prima em transformação, fazendo com que o automóvel fosse pago à empresa antes de vencido o prazo de pagamento da matéria-prima adquirida e dos salários. A velocidade de produção deveria ser rápida. 3 Princípio da produtividade Aumentar a capacidade de produção do homem no mesmo período por meio da especialização e da linha de montagem Críticas à Administração Científica De acordo com Muniz (2007), apresentamos abaixo algumas críticas da época, relacionadas à Administração Científica: • Excessiva ênfase no Mecanismo da Admi-nistração Científica; • Superespecialização do Operário; • Abordagem normativa e prescritiva;
  27. 27. 30 Administração • Ausência de Cientificismo; • Abordagem incompleta da Organização; • Limitação do Campo de Aplicação; • Visão Microscópica do operário, não aproveitando seus talentos; • Abordagem Sistêmica Fechada. LEITURA COMPLEMENTAR Para complemento de seu aprendizado, procure ler o capítulo 1 do livro: MOTTA, Fernando Cláudio Prestes. VASCONCELOS, Isabella Gouveia de. Teoria geral da administração: uma introdução. 3. ed. São Paulo: Thomson Lear-ning, 2006. Nele, você poderá fazer uma reflexão muito particu-lar em relação à Teoria Clássica. Nele você poderá ter uma visão crítica sobre a abordagem da admi-nistração científica e poderá fazer uma comparação com o que foi lido, formando seu juízo de valor sobre o assunto. Na sequência, procure fazer uma leitura do capítulo 6 de CARAVANTES, Geraldo. Administração Teorias e Processo. São Paulo: Prenticehall. 2005, p.55-78.
  28. 28. Tema 1 | Enfoque mecanicista 31 PARA REFLETIR A revolução industrial procurou tirar proveito da economia de escala com novas formas de organiza-ção e gerência. A eficiência passa a depender tanto da especialização quanto da uniformidade e padro-nização. O taylorismo e o fordismo constituíram-se em expressões fundamentais da modernidade no sistema produtivo da época. Previa-se o aumento da especialização do trabalho e da mecanização, as máquinas substituiriam os trabalhadores e os problemas humanos praticamente desapareceriam. No entanto, a padronização e a massificação leva-ram a uma maior exploração e alienação dos tra-balhadores, estes, sem controle de sua atividade produtiva. Neste sentido, quais as consequências da padroni-zação e da massificação? Além disso, reflita com seus colegas como seria o mundo organizacional e social sem a especializa-ção e a mecanização.
  29. 29. 32 Administração 1.3 Abordagem Clássica da Administração Henri Fayol (1841-1925) foi a contrapartida francesa para o Taylor norte-americano. Considera-do de família burguesa, nasceu em 1841, na França e ainda jovem começou a trabalhar na empresa mi-neradora S.A. Commentry-Fourchambault, onde em pouco tempo alcançou a posição de Diretor-Geral. De maneira inversa a Taylor, enfrentava os proble-mas organizacionais com uma visão gerencial ao in-vés de operacional. Seus conceitos gerenciais pas-saram a constituir a chamada teoria gerencial que fazia parte de seus estudos sobre a Administração industrial e geral (CARAVANTES, 2005). Ele foi o primeiro a salientar a necessidade de que o pensamento gerencial passasse a ser ob-jeto do sistema de ensino. Segundo Fayol, não existe nada que não pode ser modificado dentro da administração, para ele, tudo era voltado para a medição, com isso, en-fatiza que quase nunca se aplicará o mesmo princí-pio duas vezes em condições iguais (MUNIZ, 2007). As características principais de sua teoria são: • Ênfase na estrutura; • Abordagem sintética, global e universal da empresa; • Proporcionalidade das funções adminis-trativas. Henri Fayol
  30. 30. Tema 1 | Enfoque mecanicista 33 Administração e Organização Para Fayol, a ênfase dada a Administração se baseia na divisão da empresa em áreas e/ou depar-tamentos, no entanto ele salienta que a organiza-ção é o todo e por sua vez, maior que a soma de suas partes. Este conceito justifica a organização como função administrativa. Segundo Chiavenato (2001), Fayol estabele-ceu 14 princípios norteadores para a gestão em-presarial. Esses passaram a ser conhecidos como princípios gerais da Administração e são: 1. Divisão do trabalho - especialização das tarefas e pessoas com o objetivo de au-mentar o rendimento. 2. Autoridade e responsabilidade - direito de ordenar. A responsabilidade é uma consequência da autoridade. 3. Disciplina – compromisso estabelecido entre empresa e empregado; 4. Unidade de comando - o empregado é subordinado a apenas um chefe. 5. Unidade de direção – a mesma direção para todos. 6. Subordinação do interesse particular ao interesse geral - os interesses da empre-sa deve sempre estar em primeiro.
  31. 31. 34 Administração 7. Remuneração do pessoal – incentivo pelo trabalho desenvolvido. 8. Centralização - convergência da autorida-de na direção da empresa. 9. Hierarquia (ou cadeia escalar) - linha de autoridade. 10. Ordem – Colocar uma regra, organização material e humana. 11. Equidade – refere-se à justiça, visando a boa vontade e compromisso. 12. Estabilidade - a permanência no cargo por longo um período de tempo. 13. Iniciativa – possibilidade de tomar uma atitude, agir. 14. União do pessoal - a harmonia e união são fatores importantes para o bom fun-cionamento da empresa. Chefia, no contexto de Fayol, era o termo empregado para os controladores, cujas atribuições eram de averiguação e con-ferência entre a descrição e o objetivo da tarefa e o realmente executado. Desse modo, o estilo de gestão a ele associado também é mecânico, determinístico e in-tervencionista.
  32. 32. Tema 1 | Enfoque mecanicista 35 Assim, a contribuição de Fayol para a ciência da Administração é fruto de sua vasta experiência vivida na gestão da empresa Commentry-Fourcham-bault , na qual compôs o corpo diretivo até seu fa-lecimento em 1925. Para ele A Administração não é nem privilégio ex-clusivo, nem encargo pessoal do chefe ou dos dirigentes da empresa; é uma função que se reparte, como as outras funções essenciais, entre a cabeça e os membros do corpo social ( FAYOL, 1981, p. 26.) Com isso, é importante sabermos ainda que para Fayol cada grupo de operação, ou função es-sencial, possui uma capacidade específica. Assim, existe a capacidade técnica, a capacidade comer-cial, a capacidade financeira, a capacidade adminis-trativa, dentre outras inerentes à empresa. Desta forma, podemos dizer que até Fayol a influência da administração estava voltada para as indústrias e usinas, com a preocupação maior na produtividade. Contudo, ele levou a administra-ção do nível da produção para o da gestão. Neste sentido, uma das principais contribuições de Fayol ao pensamento administrativo foi a definição de departamentalização. As seis funções da empresa, segundo Fayol são: • Técnica; • Comercial; • Financeira; • Segurança; • Contábeis; • Administrativa.
  33. 33. 36 Administração Principais contemporâneos de Fayol e suas contribuições: LINDALL F. URWICK (1891-1983) enfatizou que os elementos da Administração são: investigação, previsão, planejamento, organização, coordenação, comando e controle. Considerando ainda como princípios gerais a especialização, autoridade, am-plitude administrativa e definição. LUTHER GULICK (1892-1993), define os ele-mentos da administração como: planejamento, or-ganização, administração de pessoal, direção ou comando, coordenação, informação e orçamento. Para ele, os processos da Administração interagem horizontal e verticalmente. JAMES DAVID MOONEY (1884-1957), é con-siderado o inovador da teoria das organizações, suas principais ideias são similares às de Fayol, foi executivo da GM, onde consolidou toda a teoria formulada pela escola clássica. Analisou o princípio escolar, o qual envolve os conceitos de liderança, delegação e definição funcional. Para ele, o modelo militar deveria ser o paradigma do comportamento administrativo. OLIVER SHELDON (1894-1951) deu ênfase à responsabilidade social na empresa. Para ele, todo negócio existe para servir à comunidade. Desenvol-veu um conjunto de princípios que procuravam um equilíbrio entre a abordagem científica da produção e a responsabilidade social da administração. Sabendo que tanto a abordagem científica de Taylor quanto a abordagem clássica de Fayol fazem parte da mesma teoria, podemos traçar inúmeras
  34. 34. Tema 1 | Enfoque mecanicista 37 comparações entre eles. Aproximações e contrastes sempre nos auxiliam na busca de um maior e me-lhor entendimento da realidade com que lidamos. Comparação entre Fayol e Taylor: • Ambos tinham uma grande correlação com as indústrias; • Taylor era adepto da Administração no chão de fábrica, já Fayol se relacionava mais com a gestão; • Ambos foram criticados, tachados pelos estudiosos da Administração – Taylor em especial – por incentivarem uma visão me-canicista da organização. Fayol tinha uma visão da organização como corpo social. As regras por ele propostas pretendiam funcionar como elementos norteadores. Fonte: CARAVANTES, Geraldo. Administração: Teorias e Proces-so. São Paulo: Prentice Hall, 2005, p.62.
  35. 35. 38 Administração Apreciações Críticas à Teoria Clássica – Fayol • Abordagem simplificada da organização formal; • Ausência de trabalhos experimentais; • Extremo racionalismo na concepção da administração; • Teoria da máquina; • Abordagem incompleta da organização, no sentido de mostrar que as conclusões da referida teoria eram superficiais, de-pendendo de um maior detalhamento. Por fim, é importante ressaltarmos que a im-portância da contribuição de Fayol não foi total-mente reconhecida no mundo anglo-saxônico, pois a tradução de sua obra para o inglês só ocorreu em 1947, portanto após a Segunda Guerra Mundial.
  36. 36. Tema 1 | Enfoque mecanicista 39 INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Ao longo do texto, encontram-se momentos de re-flexão e de análise crítica sobre a teoria clássica, no sentido de exercitar seu senso crítico. Assim, suge-rimos fazer uma leitura do livro MOTTA, Fernando Cláudio Prestes. VASCONCELOS, Isabella Gouveia de. Teoria geral da administração: uma introdução. 3. ed. São Paulo: Thomson Learning, 2006, entre as páginas 03 e 10. Para complementar sua reflexão, leia sobre a teoria clássica no livro CHIAVENATO, Idalberto. Adminis-tração nos novos tempos. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. PARA REFLETIR Procure ler o texto elaborado por Fayol, constante nas páginas 63 e 64 de Geraldo Caravantes, Admi-nistração Teorias e Processo, Prentice Hall, 2005 e tente perceber o grau de atualidade tanto de sua concepção gerencial quanto do vocabulário por ele empregado, fazendo uma correlação com as em-presas atuais.
  37. 37. 40 Administração 1.4 Abordagem Humanística da Administração Com o crescimento das empresas e o conse-quente aumento do número de funcionários, tanto homens quanto mulheres, provenientes de outras culturas, hábitos e costumes, surgiram problemas de relacionamento tanto grupais quanto individu-ais, geralmente prejudicando os objetivos de pro-dução das organizações. Diante deste contexto, a nova organização se viu na necessidade de usar novos paradigmas vin-dos de outras ciências sociais como a psicologia e a sociologia. Nesta abordagem, você poderá notar a mudança do homem econômico para o homem social, complexo cujo comportamento não pode ser reduzido a um esquema simples e mecanicista. Abordagem de Follett Mary Parker Follett (1868-1944) foi a primei-ra precursora da abordagem de relações humanas, inserindo em seus postulados, variáveis e compo-nentes psicológicos na organização. Ela acreditava que uma sociedade mais justa poderia existir a partir do enfoque no gerenciamen-to e nas funções administrativas, passando a gerar a organização social. Seu princípio de organização estava focado em dois aspectos: interpenetração da autoridade e o controle sobre fatos mais do que sobre pessoas.
  38. 38. Tema 1 | Enfoque mecanicista 41 Os quatro princípios fundamentais da coorde-nação, segundo Follett citados em Muniz (2007) são: 1. Princípio do contato direto: estreitar os contatos diretos entre as pessoas interes-sadas e responsáveis, seja na hierarquia horizontal, seja na hierarquia vertical; 2. Princípio de planejamento: envolvimento das pessoas em um trabalho desde o mo-mento do planejamento e da estruturação; 3. Princípio das relações recíprocas: todos os elementos de um referido grupo de-vem estar mutuamente relacionados; 4. Princípio do processo contínuo de coor-denação: a coordenação é um processo continuado; Follett criou ainda a Lei da Situação, onde formulou que os funcionários não devem estar su-bordinados a uma pessoa e sim a um processo. Ela acreditava que cada decisão é um momen-to de um processo e somente é de fato importante dentro do âmbito desse processo. Nesse contexto, geralmente existirá o conflito, visto que pessoas são diferentes e divergem em determinados momentos. Com relação ao conflito, Follet dizia que ele é um fato comum onde se registram diferenças, visando o crescimento intelectual dos envolvidos. Além disso, Follet apontou três métodos de solução de conflitos industriais:
  39. 39. 42 Administração • Método da força: a administração atinge seus objetivos em relação aos operários através da força, da ameaça de redução da satisfação de necessidades. • Método da barganha: os conflitos são re-solvidos através da troca de concessões, de um compromisso entre empregados e a administração, em que as necessidades de ambos são satisfeitas. • Método da integração: os conflitos são resolvidos através de uma terceira solu-ção, diferente da apresentada pelos em-pregados e pelos patrões, uma solução integradora de ambas as partes e que le-varia estas a reduzir seu grau de satisfa-ção de necessidades para que o conflito fosse resolvido. Ainda dentro dos estudos sobre a teoria de relações humanas, a autora discorre sobre a ques-tão da autoridade, a qual conceitua como um exer-cício do poder com vista a alcançar um objetivo específico. Segundo ela, o poder pode ser baseado na coerção, na cooperação ou diante de cada situ-ação. Mary Parker Follett trouxe uma nova visão à administração, sendo pioneira na abordagem da motivação. Seus estudos sobre liderança envolviam processo global de autoridade e decisão, trabalho em grupo e sua dinâmica. Sua abordagem contri-buiu ainda para o surgimento da teoria de relações humanas.
  40. 40. Tema 1 | Enfoque mecanicista 43 Experiência de Hawthorne Em diversos livros da área de Administração, poderemos encontrar a terceira teoria que é a de Relações Humanas, no entanto, ela estará sempre sendo correlacionada à experiência de Hawthorne e ao trabalho de Elton Mayo (1880-1949). A pesquisa foi desenvolvida por Mayo em um bairro dos arredores de Chicago, chamado Ha-wthorne, tinha como objetivo principal o estudo da influência da iluminação nas atividades das operá-rias de um setor de relés. Veja a seguir no texto complementar quais foram as fazes da experiência de Hawthorne e suas conclusões. TEXTO COMPLEMENTAR “Primeira fase: Em 1927, foram selecionados dois grupos de operários para a realização de uma mes-ma atividade: Um grupo (experimental) trabalhou sobre a variação da intensidade da luz e o outro (grupo de controle) trabalhou sobre luz de intensi-dade constante. Verificou-se que as pessoas rea-giam de acordo com as suposições pessoais. Conclusões: comprovou a preponderância do fator psicológico ao fisiológico. Segunda fase: Determinaram-se mudanças nas condições de trabalho, tais como: período de des-canso, lanche, redução de horário, tendo em vista analisar os efeitos das mesmas na produtividade, Foi selecionado um grupo de seis moças na seção de montagem de relés.
  41. 41. 44 Administração Conclusões: ocorreu o desenvolvimento social, ge-rado pelo trabalho em equipe, o desenvolvimento da liderança e do exercício de liderança gerado pe-los objetivos comuns, além do ambiente de traba-lho ter passado a ser amistoso. Terceira fase: Buscou-se verificar as relações hu-manas no trabalho, através de um programa de entrevistas diretas e não diretas, com o objetivo de conhecer os sentimentos e as atitudes dos fun-cionários e ouvir opiniões sobre o trabalho. Entre 1928 e 1930 foram entrevistados 21.126 emprega-dos do total de 40.000. Conclusões: verificou-se a existência de uma orga-nização informal de operários, em que existia leal-dade e liderança de certos funcionários em relação ao grupo. A punição não era formalizada, mas apli-cada pelo grupo ao membro. Quarta fase: Tinha por objetivo analisar a organiza-ção informal dos operários. Conclusões: igualdade de sentimentos entre os membros do grupo; e relação entre organização formal e informal.” MUNIZ, Adir Janeiro de Oliveira; FARIAS, Humberto Augusto. Teoria geral da administração: noções bá-sicas. São Paulo: Atlas, 2001, p. 38. Observação: foram selecionados nove operadores, nove soldadores e dois inspetores, todos da mon-tagem de terminais para estações telefônicas.
  42. 42. Tema 1 | Enfoque mecanicista 45 Os estudos de Hawthorne concluíram que: 1. A colaboração nos grupos não ocorre aci-dentalmente, ela precisa ser planejada e desenvolvida. Se a colaboração grupal é alcançada, as relações no ambiente de trabalho podem alcançar um nível de co-esão capaz de resistir aos distúrbios ex-ternos de uma sociedade turbulenta em busca de adaptar-se. 2. O trabalhador é uma pessoa cuja atitu-de e eficácia são condicionadas pelas demandas sociais tanto internas quanto externas à organização. 3. Os grupos informais internos à organiza-ção exercem forte controle social sobre os hábitos de trabalho e atitudes dos tra-balhadores. 4. A mudança de uma sociedade estabeleci-da e estável para uma sociedade adapta-tiva ou em mudança tende em base con-tinuar a perturbar a organização social de uma empresa ou indústria. 5. O trabalho é uma atividade de grupo. 6. O mundo social de um adulto é prima-riamente estruturado pela atividade do trabalho. 7. A necessidade de reconhecimento, segu-rança e senso de pertencimento são mais
  43. 43. 46 Administração importantes na determinação da moral do trabalhador e de sua propriedade do que as condições físicas que lhe são oferecidas. 8. Uma queixa não corresponde necessaria-mente a uma relação objetiva de fatos, ela é usualmente um sintoma, manifes-tando uma perturbação na posição de status do reclamante. IdeiaS CENTRAIS Modelo de Homem O homem social, isto é, o operário das fábricas no período do desenvolvimento da teoria das rela-ções humanas é considerado um ser complexo, cujo comportamento não pode ser reduzido ao esquema simples e mecanicista existente na Teoria Clássica. Os valores que orientam o comportamento de cada indivíduo são, de um lado diretamente de-rivados das necessidades, que constituem a fonte de valores sociais, e de outro, dos sistemas sociais de que ele participa. O comportamento humano é alvo de enten-dimento por parte da Teoria de Relações Humanas, onde se constatou que mesmo sendo um indivíduo parecido com outro, em relação à personalidade eles serão diferentes. Com isso, o homem social passa a ser reco-nhecido como aquele onde a satisfação das suas necessidades parte de um contexto que envolve reconhecimento, compromisso, colaboração, sendo que o salário, apesar de necessário, não é o item mais importante.
  44. 44. Tema 1 | Enfoque mecanicista 47 Grupo Informal Quando a relação entre os funcionários es-tende- se além dos muros da organização, passa-se a evidenciar o surgimento dos grupos informais. A escola de relações humanas busca dar maior im-portância à existência do ser humano e com isso, abre-se o precedente para a organização dos gru-pos informais. Para Blau e Scott (1979 apud Caravantes, 2005), todas as relações sociais, contatos e valores que não foram definidos pela organização formal, são pertinentes ao grupo informal. Dessa forma, as relações passam a ser as mais variadas, desde amizade a inimizade, simpatia, antipatia, conflito, cooperação, agressão, vaidade, inveja, liderança e subordinação, todas possuindo como característica, além do caráter oposto ao formal, um sistema de interações que ocorre casual e espontaneamente. Características dos grupos informais • Relação de coesão ou antagonismo; • Status; • Colaboração espontânea; • Possibilidade de oposição ao formal; • Padrões de relação e atitude; • Mudanças de níveis e alterações dos gru-pos informais;
  45. 45. 48 Administração • A organização informal transcende à for-mal; • Padrões de desempenho nos grupos in-formais. Tipos de formação de grupos informais • Relacionamento obrigatório de pessoas entre si; • A flutuação do pessoal na empresa; • Períodos de lazer (tempos livres ou in-tervalos); • Interesses comuns; • Satisfação das necessidades; • Proximidade e atração; • Atividades grupais; • As metas do grupo; • Estrutura grupal.
  46. 46. Tema 1 | Enfoque mecanicista 49 INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Procure ler o livro: CARAVANTES, Geraldo. Admi-nistração Teoria e Processos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005, p.79-87; E complemente com: CHIAVENATO, Idalberto. Teo-ria Geral da Administração. Campus, Rio de Janeiro: 2004, cap.3. Com este material, você poderá aprofundar um pouco mais o seu entendimento sobre a referida teoria e entenderá o contexto seguindo outra abor-dagem teórica. PARA REFLETIR Caro leitor, neste momento você pode conhecer a origem e a evolução histórica da teoria de relações humanas e pode entender a grande importância dada aos grupos informais. Dessa maneira, pense em duas situações de grupo: uma banda de rock e um time de futebol, após faça uma breve descrição de como deveria ser o líder de cada um desses grupos, identificando também o que mantém cada grupo coeso.
  47. 47. 50 Administração RESUMO Caro leitor, estamos no início da viagem pela ciên-cia da Administração e você teve a possibilidade de conhecer as primeiras influências sofridas pela Administração em seu processo de formação como ciência. Em seguida, você conheceu a influência histórica proveniente das revoluções industriais e então os primeiros indícios da Administração em termos de teoria, através da administração científica e da te-oria clássica, estas apresentando um enfoque ex-tremamente mecanicista, voltado para a tarefa e produtividade. Estas duas primeiras abordagens foram criadas por engenheiros. No tocante à próxima abordagem, foi apresentada a abordagem de relações humanas que passa a ser um contraponto às duas primeiras, no sentido de dar maior ênfase ao ser humano e às relações informais através do ambiente de tra-balho.
  48. 48. Enfoque Organizacional 2 Caro leitor, neste momento você terá a possibilidade de conhe-cer um pouco mais dos autores que escreveram e criaram a ciência da Administração. Em especial, veremos agora abordagens mais vol-tadas aos profissionais da sociologia e psicologia que influenciaram nossa ciência. Neste sentido, poderemos conhecer na sequência, a teorias as quais tiveram um enfoque voltado ao controle e aos tipos de organi-zação existentes. Entraremos em seguida na abordagem neoclássica, esta representando a necessidade de entender a organização em ter-mos de planejamento, direção, organização e controle. Boa leitura !!!
  49. 49. 52 Administração 2.1 Teoria Burocrática A organização burocrática apresentou seus aspectos fundamentais a partir do crescimento das indústrias e de suas necessidades de controle de processos e de pessoas. Sua construção do tipo ideal de organização envolve a racionalidade, a adequação dos meios aos objetivos, a impessoa-lidade nas relações trabalhistas e o atendimento severo de normas escritas. A teoria da Burocracia teve sua origem nas mudanças religiosas verificadas após o renascimen-to. Embora considerada como fenômeno antigo, apenas na modernidade se tornou um fator social dominante, onde um dos motivos para tal foi a mudança da unidade básica de produção que deixa de ser a família e passa a ser a empresa burocrática (MOTTA, 1986). Neste contexto, passamos a conhecer Emil Maximillian Weber, mais conhecido como Max We-ber (1864-1920). Weber nasceu na Alemanha, filho de um juris-ta e político em ascensão em Berlim. Foi um grande estudioso da teoria das estruturas de autoridade e criador da escola cultural voltada para o estudo da sociologia da burocracia. Em 1904, escreveu a ética protestante, onde no mesmo momento, em visita a Chicago, nos Estados Unidos, impressionou-se pela agitação, pela vibração urbana, seus arranha-céus, pela violência e também a falta de leis na época. Nesse contexto, Weber define a burocracia, baseando-se nos conceitos de mudança organiza-cional, assim, esclarece sobre a passagem da auto-ridade tradicional para a autoridade legal e racional que foi a base de seus estudos, isto porque, viu Max Weber
  50. 50. Tema 2 | Enfoque organizacional 53 os Estados Unidos como um modelo de sociedade em que era indispensável a máquina burocrática e política para garantir uma democracia de massa. Weber desenvolveu seus estudos baseado em três aspectos fundamentais. O primeiro corres-ponde à própria argumentação em que se funda-menta a legitimidade da autoridade racional-legal, ou seja, que encontra seu apoio nas normas legais, no exercício da autoridade legal que está relaciona-do com o cargo ocupado pelo funcionário. Autoridade legal é aquela constituída ofi-cialmente através de documentos, como contrato de trabalho, portarias de admis-são, resoluções, etc. O segundo aspecto trata das características inerentes à organização encarregada de exercer a autoridade racional-legal: • Uma estrutura de cargos, cujos conte-údos e limitações são definidos pelas normas, organizados hierarquicamente de cima para baixo, onde os cargos infe-riores estejam sob supervisão e controle dos superiores; • Especificação de áreas de competência, ou seja, relacionadas à divisão do traba-lho e à diferenciação de funções, além do desempenho dessas funções por alguém investido de autoridade que pode usar da coerção (imposição) dentro de condi-ções e limites do cargo;
  51. 51. 54 Administração • Existência de um quadro administrativo, constituído por funcionários nomeados, os quais possuem comportamento norte-ado pelas normas técnicas; • Separação entre a propriedade da orga-nização, que é controlada dentro da esfe-ra do cargo, e a propriedade pessoal do funcionário, acessível a seu uso privado; • Distinção e separação dos propósitos pessoais dos propósitos como funcioná-rio visto à conduta no cargo ser impesso-al e orientada pelas normas; • Registro documental de atos administra-tivos, decisões, normas e ordens. O terceiro aspecto relaciona-se ao exercício da autoridade racional-legal, que tem seu suporte nas normas que definem as competências dos car-gos na hierarquia determinada pela empresa (es-tatutos, regimentos internos, resoluções, portarias, manuais de procedimentos). Instrumentos estes que designam, orientam, determinam os deveres, atribuições e responsabilidades do ocupante do cargo, veja quadro abaixo. A burocracia para Weber é uma tentativa de organizar as atividades humanas por critérios puramente racionais e seculares que permeiam o exercício da autoridade determinada sob tais atividades as quais se desenvolvem.
  52. 52. Tema 2 | Enfoque organizacional 55 Veja abaixo, as características da burocracia segundo os estudos de Max Weber, segundo Muniz (2007, p.61-63): • Caráter legal de normas e regulamentos: A burocracia através da padronização, proporcionar maior controle e organiza-ção dos procedimentos; • Caráter formal das comunicações: Através da comunicação escrita, busca-se assegu-rar a clareza da interpretação dos fatos relatados; • Caráter racional e divisão do trabalho: A divisão do trabalho é adequada aos ob-jetivos a serem atingidos; • Impessoalidade no relacionamento: O caráter de impessoalidade da burocracia está ligado à distribuição feita em termos de cargos e funções e não de pessoas envolvidas; • Hierarquização da autoridade: A burocra-cia prevê o estabelecimento de cargos segundo o princípio da hierarquia. A autoridade é o poder de controle resul-tante de uma posição reconhecida, sen-do inerente ao cargo e não ao indivíduo que o ocupa.
  53. 53. 56 Administração • Rotina e procedimentos: As atividades dos cargos são desempenhadas segundo padrões pré-estabelecidos; • Competência técnica e mérito: A escolha das pessoas é baseada no mérito e na competência técnica e não em preferên-cias pessoais; • Especialização da Administração: A burocra-cia separa a propriedade da administração; • Profissionalização dos participantes: A bu-rocracia considera cada funcionário como um profissional especialista, assalariado, nomeado por superior hierárquico; • Previsibilidade de comportamento: Weber parte do pressuposto de que o comporta-mento de cada membro é perfeitamente previsível. Segundo Weber, o controle é o caminho mais próximo para atingir a eficiência organizacional. Na sequência aos estudos da burocracia, en-contramos Robert Merton (1910-2003), também soció-logo, o qual teve grande contribuição na abordagem burocrática, quando chamou a atenção para as dis-funções da burocracia resultantes das pressões inter-nas da estrutura organizacional criada por Weber, e apresentou a teoria das disfunções estruturais, funda-da sobre o conceito de fontes estruturais de super-conformidade, ou seja, padronizada de acordo com o que é pré-definido pela empresa (MERTON, 1970).
  54. 54. Tema 2 | Enfoque organizacional 57 Para Merton, tais disfunções estão ligadas ao comportamento do funcionário, podendo ser compre-endidas pela aplicação do conceito de incapacidade treinada, psicose ocupacional e deformação profissio-nal. Quanto à incapacidade treinada, a mesma refe-re- se ao fato de mesmo depois de treinamentos, o funcionário ainda não desempenhar a função como lhe é proposta. Já a psicose ocupacional relaciona-se ao sentido de traumas e frustrações no trabalho que acabam afetando o desempenho do funcionário. Por fim, a deformação profissional refere-se ao não aten-dimento do perfil exigido para o cargo. Disfunções da Burocracia segundo Merton • Maior internalização das regras e exage-rado apego aos regulamentos; • Excesso de formalismo e papelório; • Resistência a mudanças; • Despersonalização dos relacionamentos; • Categorização como base do processo decisorial; • Superconformidade às rotinas e aos pro-cedimentos; • Exibição de sinais de autoridade; • Dificuldade no atendimento ao cliente e conflitos com o público; • Imprevisibilidade de comportamento.
  55. 55. 58 Administração Outro estudioso da área é Philip Selznick, so-ciólogo americano e discípulo de Merton, que rea-lizou pesquisas sobre a instituição organizacional. É considerado precursor da abordagem estrutural e comportamental. Segundo ele, tomando-se a organização como instituição, o executivo passa a exercer pa-pel de estadista. Ele salienta ainda que a organiza-ção burocrática é uma estrutura social adaptativa; dentro da organização formal desenvolve-se uma estrutura informal; a organização informal torna-se indispensável e paralela ao próprio sistema formal de delegação e controle; a burocracia deve ser ana-lisada sob o ponto de vista estrutural e funcional; a análise do comportamento organizacional interno e tensões e dilemas da organização são resolvidas através das restrições ambientais. Modelo de Homem segundo Weber O homem burocrata tem comportamento for-mal e previsto, pois as normas e procedimentos não permitem ações fora do padrão estabelecido. As relações existentes passam a ser basea-das por normas e não por visões particulares. A im-pessoalidade nas relações deixa transparecer a não participação nos processos de integração social. A motivação do burocrata está diretamente ligada ao cargo que ocupa, sendo extremamente materialista, no sentido de valorizar os bens e recursos mate-riais disponibilizados para o desempenho de seu trabalho (MUNIZ, 2007). Não há incentivos sociais, pois a impessoalidade nas relações impede a ado-ção de um sistema motivador.
  56. 56. Tema 2 | Enfoque organizacional 59 INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR Procure conhecer como é vista a teoria da burocra-cia na visão de MAXIMIANO, Antônio Cesar Amar. Teoria geral da Administração: da revolução urbana à revolução digital. São Paulo: Atlas, 2002. E CARAVANTES, Geraldo. Administração, teorias e processo. São Paulo: Person Prentice Hall, 2005 p.87. A leitura será um complemento ao que foi exposto neste livro e possibilitará a você, uma reflexão crí-tica sobre a referida abordagem. PARA REFLETIR Caro leitor, neste momento de sua leitura você pos-sivelmente se deparou com um conceito de buro-cracia o qual não é pejorativo como conhecemos. Realmente a intenção da burocracia não é atrapalhar, mas sim de controlar o crescimento organizacional através de normas, regulamentos, procedimentos. Então, reflita o motivo pelo qual o conceito de bu-rocracia tomou contornos tão deformados, chegan-do no dia de hoje a ser sinônimo de lentidão e atraso. Exponha sua opinião no ambiente virtual de aprendizagem e compartilhe com seus colegas.
  57. 57. 60 Administração 2.2 Teoria Neoclássica A Teoria Neoclássica surge em decorrência da atualização dos fundamentos e princípios da teoria clássica diante das mudanças ocorridas nas orga-nizações desde a primeira revolução industrial até os dias atuais, utilizando-se também dos conceitos e princípios da teoria das relações humanas, buro-crática, estruturalista, comportamental, de sistemas dentre outras, em um novo arranjo para a formação do administrador prático. Essa teoria aborda o processo administrati-vo voltado para as práticas administrativas a partir dos elementos da função administrativa definida por Fayol (ver livro de fundamentos da Administra-ção), ou seja, planejamento, organização, direção e controle aplicando-o de forma individualizada a cada tipo de organização. As razões principais que norteiam a ação da teoria neoclássica são: • Ênfase na prática da Administração: A uti-lização do pragmatismo em busca de re-sultados concretos e palpáveis, com base nos conceitos teóricos da Administração; • Reafirmação dos postulados clássicos: É o retorno de um grande estudo desen-volvido pela teoria clássica, só que bus-cando dar uma reestruturação de acordo com a situação atual; • Ênfase nos princípios gerais da Adminis-tração: Os princípios utilizados na teoria clássica são encarados como critérios
  58. 58. Tema 2 | Enfoque organizacional 61 mais ou menos elásticos para a busca de soluções administrativas práticas; • Ênfase nos objetivos e nos resultados: É em função dos objetivos e resultados que a organização deve ser dimensionada, es-truturada e orientada; • Ecletismo da Teoria Neoclássica: A teoria absorve conceitos de várias escolas. Princípios da Teoria Neoclássica Segundo Brown (apud Muniz, 2007), os prin-cípios que orientam as ações administrativas po-dem ser explicitados como: • Os objetivos empresariais devem ser cla-ramente definidos por escrito; • A responsabilidade deve ter ligação di-reta com o desempenho de uma função; • As funções devem designadas para pes-soas em um mesmo cargo, funções iguais; • Definição e escalonamento de autoridade e responsabilidade; • Não pode haver centralização da autoridade; • Deve ser limitado o número de posições de um indivíduo em uma empresa; • A estrutura da empresa deve possuir um número mínimo de níveis hierárquicos;
  59. 59. 62 Administração Aspectos comuns às organizações Levando em consideração que de acordo com a abordagem neoclássica, a administração recebe o enfoque de técnica social, ela passa a ter consis-tência a partir do momento em que orienta, dirige e controla os esforços de um grupo de indivíduos para um objetivo comum. Assim, o bom administrador irá possibilitar ao grupo o alcance de seus objetivos com o míni-mo de dispêndio de recursos e esforços com me-nos atritos em relação a outras atividades úteis. Para essa teoria, as organizações apresentam três aspectos comuns: • Quanto aos objetivos: São as prioridades que a organização estipula para o aten-dimento das necessidades da sociedade; • Quanto à administração: Todas as organi-zações têm diferenças em seus objetivos, em seus propósitos, mas são essencial-mente semelhantes na área administrati-va, na organização e na busca da eficácia e eficiência organizacionais; • Quanto ao desempenho individual: Está li-gado ao aspecto da eficácia e da eficiência. Centralização e descentralização A centralização e a descentralização refletem o grau de concentração de autoridade nos diversos níveis da organização, neste sentido, em virtude da teoria neoclássica ser considerada como a mudança
  60. 60. Tema 2 | Enfoque organizacional 63 da organização coercitiva para a organização flexível, esses dois conceitos passam a fazer parte então do dia a dia da Administração a partir daquele momento. Os fatores que afetam o grau de descentrali-zação e centralização da autoridade são: • Influência da cultura e da filosofia da ad-ministração na empresa; • História do crescimento organizacional: a empresa que tem seu crescimento in-terno maior que o externo tende à cen-tralização da autoridade; as organizações que passaram por processos de fusões e aquisições tendem à descentralização; • Distribuição geográfica da organização: quanto maior for a distribuição e a dis-persão geográfica da organização, maior a tendência à descentralização; • Controles eficazes: no nível operacional ou de produção; • Capacitação e qualificação dos empregados: quanto maior o nível de qualificação profis-sional e capacitação técnica dos emprega-dos, maior o grau de descentralização; • Diversidade de produtos e serviços: quanto maior for a diversidade de pro-dutos e serviços, maior será a tendência à descentralização, e quanto menor for o grau de diversificação, mais a tendência será de centralização.
  61. 61. 64 Administração Já a descentralização administrativa é maior quando: • Tanto maior for o número de decisões to-madas nas escalas baixas da hierarquia; • Tanto mais importantes forem estas decisões tomadas nas escalas baixas da hierarquia; • Tanto maior for o número de funções afe-tadas pelas decisões nas escalas baixas da hierarquia; • Tanto menor for a supervisão de decisão. Processo Administrativo O processo administrativo, o qual já foi visto no livro de Fundamentos da Administração produ-zido pela UNIT, é composto dos elementos: plane-jamento, organização, direção e controle ou PODC, os quais fazem parte também da teoria neoclássica, visto à mesma desenvolver conceitos que permeiam por todas essas etapas da função administrativa. Esse processo envolve as seguintes caracte-rísticas: • Cíclico e repetitivo, visto que se trata de um processo permanente e contínuo, além de estar sendo sempre completado e repetido continuamente; • Interativo, visto que cada elemento ou função interage com as demais, influen-ciando- as e por ela sendo influenciada;
  62. 62. Tema 2 | Enfoque organizacional 65 • Interativo, quando o processo adminis-trativo se portar como uma sequência de passos que embora não sejam seguidos, constituam um itinerário sujeito a ajus-tes, avanços e recuos, durante um pro-cesso de implementação; • Sistêmico, quando o processo não pode ser analisado por cada uma de suas par-tes e sim em sua totalidade. Administração por Objetivos A Administração por objetivos é uma ação organizacional que possibilita aos gestores e su-bordinados terem o conhecimento sobre onde a empresa quer chegar e quando. Assim, cada um na sua responsabilidade saberá como agir para con-templar o objetivo maior da empresa. Segundo Drucker (1970), o desempenho es-perado de um gerente deve ser o reflexo do resul-tado da empresa. O administrador tem que saber e entender o que as metas da empresa esperam dele em termos de desempenho. A administração por objetivos – APO sur-giu na década de 50, quando empresas privadas norte-americanas sofriam pressões acentuadas. O problema econômico da época gerou dentro das empresas uma administração por pressão, sendo que esta pressão exercida sobre os gerentes não conduziu a melhores resultados. A APO surgiu como método de avaliação e con-trole do desempenho tanto dos funcionários quanto da empresa, especificamente em ambientes de merca-do com rápido crescimento. Inicialmente, constituiu- -se em um critério financeiro de avaliação e controle.
  63. 63. 66 Administração Os pontos principais da APO são: • Análise da situação para consecução dos objetivos empresariais; • Objetivos estabelecidos por setor da or-ganização; • Interligação entre objetivos; • Participação efetiva entre chefias; • Definição de meios e tarefas para imple-mentação de medidas; • Adoção de sistemas de mensuração; • Conscientização de todos para com o ob-jetivo maior da organização; • Ação corretiva quando necessário. Ciclo da Administração por Objetivos A APO envolve um comportamento cíclico, permitindo que haja ajustamento no ciclo seguinte. Costuma corresponder ao exercício fiscal da empre-sa, para facilitar a execução do controle. Fonte: MUNIZ, A. FARIA, H. Teoria Geral da Administração. 5ª Ed. São Paulo: Atlas. 2007. P. 131
  64. 64. Tema 2 | Enfoque organizacional 67 Indicação de Leitura Complementar Procure conhecer como é vista a teoria neoclássica em: http://bit.ly/teoria_neoclassica Para reforçar a leitura, conheça também: http://www.ead.fea.usp.br/cad-esq/arquivos/ v10n1art3.pdf As leituras serão um complemento ao que foi ex-posto e possibilitará a você uma reflexão crítica sobre a referida abordagem. Para Refletir Caro leitor, diante do fato desta teoria buscar enfo-car a prática na Administração, procure relacionar o que você vivencia na empresa que trabalha ou ou-tra que conheça com a teoria aqui descrita e trace suas próprias conclusões.
  65. 65. 68 Administração 2.3 Tipologias da Organização As tipologias das organizações apresentam um estudo sobre os diversos tipos de comporta-mentos existentes nas organizações. Assim, para facilitar a análise comparativa das mesmas, os es-truturalistas desenvolvem então tipologia de or-ganizações que as classifica de acordo com certas características distintivas (empresas pequenas, mé-dias e grandes). Conheça agora na visão de Muniz (2007, p.84-99) sobre as tipologias organizacionais. Tipologia de Etzioni As organizações passam a ser definidas con-forme uma escala criada por Etzione, onde dentre os fatores que contribuem para sua definição são: Divisão de trabalho e atribuição de poder e res-ponsabilidade, centros de poder e substituição do pessoal. Neste sentido, diferem das unidades sociais naturais, nas organizações o controle informal não é adequado. Por isso, as organizações impõem uma distribuição de recompensas e sanções para garantir obediência às suas normas. Para Etzioni, os meios de controle podem ser classificados como: físicos, materiais ou simbóli-cos. Sendo que o Controle Físico impõe tratamen-to severo, a motivação é negativa e baseia-se em punição; quanto ao Controle Material baseia-se no interesse, na vantagem desejada e nos incentivos econômicos e materiais; já o Controle Normativo traduz-se em símbolos puros ou em valores sociais, crenças e fé.
  66. 66. Tema 2 | Enfoque organizacional 69 Sua desvantagem é dar pouca conside-ração à estrutura, tecnologia utilizada e ao ambiente externo, baseada exclusiva-mente nos tipos de controle. Este tipo de tipologia classifica as organiza-ções com base no uso e significado da obediência, ou seja, que utilizam da coerção para atingir seus resultados. Tipologia de Blau e Scott As organizações estão inseridas em comuni-dade e as relações servem para proporcionar bene-fícios e/ou resultados para seus membros. Elas são divididas em cinco categorias a se-rem conhecidas: • Organizações normativas, onde o poder acontece através do consenso sobre ob-jetivos; • Organização de benefícios mútuos; • Organização de interesse comercial; • Organizações de serviços; • Organizações de Estado.
  67. 67. 70 Administração Objetivos Organizacionais Os objetivos organizacionais são muito ex-plorados pelos autores neoclássicos (APO) e es-truturalistas. As organizações são unidades sociais que procuram atingir resultados. Um objetivo orga-nizacional é uma imagem que a organização pre-tende para o seu futuro. Os objetivos são diretrizes a serem atingidas pela organização a fim de transformá-las em reali-dade. Toda a organização deve buscar condições para sua existência de forma sustentável, assim, os estudiosos da APO definiram dois modelos a serem seguidos pelas empresas: • Modelos de sobrevivência: quando a or-ganização desenvolve objetivos que a possibilitam se manter no mercado; • Modelos de eficiência: quando a orga-nização desenvolve objetivos que lhe permita não apenas existir, mas também buscar se desenvolver e ser competitiva. É importante sabermos ainda que a definição de objetivos parte de um processo de interação en-tre a organização e o ambiente: consiste em deter-minar as relações da organização com a sociedade. Existem cinco categorias de objetivos conhe-cidas pelos analistas organizacionais, que são: • Objetivos da sociedade; • Objetivos de produção; • Objetivos de sistemas; • Objetivos de produtos; • Objetivos derivados.
  68. 68. Tema 2 | Enfoque organizacional 71 O estudo dos objetivos das organizações identifica as relações entre as organizações e a so-ciedade em geral, no entanto, a sociedade está em constante mudança, fazendo com que os referidos objetivos tenham que ser monitorados e alterados de acordo com o direcionamento do mercado. Ambiente Organizacional As organizações vivem em um mundo hu-mano, social, político e econômico. Elas existem em um contexto ao qual denominamos ambiente. Ambiente é tudo o que envolve externamente uma organização. Para os estruturalistas, o ambiente é constituído pelas outras organizações que formam a sociedade (MUNIZ, 2007). A relação entre organização e ambiente é fa-tor de grande importância para a compreensão do estruturalismo. Pelo fato da sociedade moderna ser manipulada pelas organizações, os estruturalistas criticam a grande ênfase dada sobre a relação entre as pessoas e a pouca importância sobre a relação entre ambientes e organizações. Neste contexto, há dois conceitos essenciais para a análise entre organizações: o conceito de interdependência das organizações e o conceito de conjunto organizacional. Interdependência das Organizações com a So-ciedade Toda organização, por ser um sistema com-plexo inserido em um ambiente, que tanto o in-fluencia quanto é influenciada por ele, consequen-temente tem sua sobrevivência relacionada com a
  69. 69. 72 Administração sobrevivência de outras organizações. No entanto, existe ainda uma interdependência das organiza-ções com a sociedade em geral em virtude da pe-culiaridade de suas relações. Algumas das consequências dessa interde-pendência são relacionadas às constantes mudan-ças nos objetivos organizacionais fruto de altera-ções no ambiente externo e, a um certo controle ambiental sobre a organização, o que limita sua liberdade de agir, onde as organizações desen-volvem estratégias para lidar com o seu ambien-te, sendo elas consideradas de cooperação ou de competição. Conjunto Organizacional O conceito de conjunto organizacional é análogo ao de conjunto de papéis. Cada organi-zação ou classes de organizações tem interações com uma cadeia de organizações em seu ambiente, formado um conjunto organizacional. Desta manei-ra, os estruturalistas inauguram um novo ciclo na teoria administrativa: o gradativo desprendimento daquilo que ocorre dentro das organizações para aquilo que ocorre fora delas. Conflitos Organizacionais Conflito significa a existência de ideias, sen-timentos, atitudes ou interesses divergentes que podem entrar em choque. Sempre que se fala em acordo, aprovação, coordenação, resolução, unida-de, consentimento, consistência, harmonia, não po-demos esquecer que existe o lado contrário, opos-to destas palavras e é essa oposição que podemos considera como fonte geradora do conflito.
  70. 70. Tema 2 | Enfoque organizacional 73 Para os estruturalistas, o conflito apresenta um lado muito positivo, onde pode-se proceder uma verificação e ajuste em relação à situação atual, des-sa forma, atingindo o equilíbrio na organização. Todavia, os conflitos não deixarão de existir, visto que eles geraram mudanças, as quais provo-carão reações e assim por diante. Conflito entre Autoridade pelo Conhecimento e a Autoridade pela Hierarquia Uma das situações de conflito típicas é em relação ao conhecimento e autoridade, isso porque sabemos que o conhecimento traz conflitos com a hierarquia. Buscando elucidar essa questão, Etzioni sugere três tipos de organização, do ponto de vista de como se organiza o conhecimento: • Organizações especializadas: como uni-versidades, escolas, organizações de pes-quisa, hospitais; • Organizações não-especializadas: como empresas e o exército; • Organizações de serviço: como empresas especializadas em consultoria ou asses-soria, centros de pesquisa e desenvolvi-mento; Dilemas da Organização Segundo Blau e Scott Para Blau e Scott (apud Muniz, 2007), há uma relação de dependência entre conflito e mudança, visto que as mudanças incentivam conflitos e estes
  71. 71. 74 Administração geram inovações. Os conflitos, mesmo ocultos ou reprimidos pela burocracia excessiva, tornam-se a fonte principal da mudança organizacional. Os processos de mudança organizacional tra-zem à tona a discussão entre conflito e dilema, visto que a sua clara interpretação possibilita a re-solução dos conflitos. Assim, segundo Blau e Scott (apud Muniz, 2007), há três dilemas básicos na or-ganização formal, como segue: • Dilema entre coordenação e comunicação livre. • Dilema entre disciplina burocrática e es-pecialização profissional. • Dilema entre a necessidade de planeja-mento centralizado e a necessidade de iniciativa individual. Sátiras à Organização Os estruturalistas analisam a organização sob uma ótica extremamente crítica. Contudo, surgiram livros de cunho humorístico e irreverente, em que são expostos à sátira, fatos inerentes ao dia-a-dia em uma organização, os quais chegam à proximida-de do absurdo e do exagero. Demonstram o ridículo de certos princípios dogmáticos, utilizam afirmações sem coerência e demonstram uma visão irrepará-vel e pessimista das organizações. Apesar de não proporem qualquer tipo de solução, esses autores satíricos apontam falhas e inconsistências nos pro-cessos geralmente racionais da organização. A disse-minação das sátiras, entretanto, tende a popularizar visões críticas, negativas do funcionamento das or-ganizações. Nesse caso, tendendo ao exagero.
  72. 72. Tema 2 | Enfoque organizacional 75 Lei de Parkinson Segundo Muniz (2007), Northcote Parkinson publicou um livro no qual fazia uma análise irre-verente e implacável da administração burocrática. Sua premissa principal envolvia a “lei do trabalho”, também conhecida como “lei de Parkinson”: assim, o trabalho aumenta a fim de preencher o tempo disponível para sua execução. Da “lei do trabalho” derivam dois princípios que ocasionam a chamada “pirâmide em ascensão”: * “Lei da multiplicação de subordinados”: um chefe de seção deseja sempre aumentar o número de subordinados, desde que não se-jam seus rivais. * “Lei da multiplicação do trabalho”: um che-fe de seção sempre inventa trabalho para ou-tros funcionários. Segundo esses dois princípios, todo chefe procura provocar a impressão de ter responsabi-lidade apenas pelo quantitativo de subordinados e, com isto, busca subir a posições no plano de carreira da organização. Princípio de Peter Peter e Hull publicaram um livro, onde procu-ravam provar que em toda ação executada dentro de uma organização, quando errada, busca-se uma justi-ficativa para o mal desempenho. O princípio de Peter ou princípio da incompetência, é assim enunciado: em uma hierarquia, todo empregado tende a subir até chegar ao seu nível de incompetência (MUNIZ, 2007).
  73. 73. 76 Administração Dramaturgia Administrativa de Thompson Victor A. Thompson aborda a “dramaturgia administrativa”. Defende que nas organizações existe uma falta de consenso entre o direito de decidir e o poder de realizar. A organização só alcançará um caráter trans-parente quando o conflito entre a autoridade hie-rárquica e a autoridade do conhecimento for re-conhecido e aceito. A parceria entre a hierarquia e a especialização depende da aceitação da inter-dependência dessas duas funções na organização. Thompson salienta por fim que, a produção e a inovação possuem uma relação variável e in-versa, além disso, a hierarquia se fixa em uma es-trutura formal e inflexível e, portanto, contrária à criatividade e à inovação. Maquiavelismo nas Organizações A ciência da Administração, segundo Antony Jay, procura demonstrar que “a nova ciência da Ad-ministração não é, na verdade, mais do que uma continuação da velha arte de governar”, baseando- -se em Maquiavel. Nicclò Machiavelli escreveu o livro O Príncipe, em 1513, oferecido a Lourenço de Médici, como sugestões para a difícil arte de governar. No livro expõe a sua teoria política, conhecida como maquiavelismo, cujos principais aspectos são: • Os fins justificam os meios. • A ação deve ser de acordo com os inte-resses particulares; • Oportunismo;
  74. 74. Tema 2 | Enfoque organizacional 77 • A ação do príncipe é necessária, mas não santificada: acima do ideal está a realida-de implacável, férrea e iníqua. A principal característica da obra de Maquia-vel está no seu desapego à moral. Para Maquiavel, a moral se relaciona com as circunstâncias do mo-mento. Por isso, a palavra maquiavelismo passou a ser usada, tanto na esfera pública como na par-ticular, para designar ações sagazes e hipócritas, nas quais os fins são mais importantes do que os meios. O livro (O Príncipe) retrata a arte de gover-nar pela força, malícia, intimidação e astúcia. Indicação de Leitura Complementar Leia no link, http://www.amitaietzioni.org/biogra-phy. html, a biografia de Etzioni e tente entender os motivos pelos quais ele chegou ao desenvolvimen-to das tipologias da organização. Leia também no livro digital abaixo, relatos sobre a questão das mudanças sociais e sua relação com as tipologias organizacionais. http://bit.ly/amitai_etzioni. A leitura será um complemento ao que foi exposto neste livro e possibilitará a você, uma reflexão crí-tica sobre a referida abordagem.
  75. 75. 78 Administração Para Refletir Pois bem prezado leitor, a partir deste ponto nos estudos das organizações, você passou a notar a importância das diversas pesquisas sobre os tipos de organização. Portanto, reflita e tente enquadrar a empresa que trabalha ou uma que conheça em um dos tipos de organização apresentados nesta leitura. 2.4 Novas Abordagens da Administração Dentre as novas abordagens da Administra-ção optamos por mencionar aqui a Reengenharia, o Downsizing, o Benchmarking, o Outplacement e Fundamentos de Critérios de Excelência. Todas se-rão detalhadas abaixo. Reengenharia A reengenharia, também chamada Reenge-nharia do Processo de Negócio, nada mais é do que o processo de reconstrução de uma determi-nada empresa, não física, mas na forma como esta trabalha.Seu objetivo é a busca melhorias signifi-cativas no desempenho da instituição, no entanto, não falamos aqui de um aperfeiçoamento, ou de um conjunto de ajustes, mas do retorno à esta-ca zero, desde seu projeto, para alcançar melhoras substanciais (Silva, 2007).
  76. 76. Tema 2 | Enfoque organizacional 79 A importância e profundidade da reengenha-ria ficam claros, segundo Alcoforado (1997), pois este é um modelo de gestão com potencial para produzir transformações nos processos produtivos, maiores que aquelas produzida pelo Fordismo ou pelo Taylorismo. Mudanças estas, projetadas para um horizonte temporal próximo. Segundo os autores Hammer e Champy, “a reengenharia é o repensar fundamental e a rees-truturação radical dos processos empresariais, que visam alcançar drásticas melhorias em indicadores críticos e contemporâneos de desempenho, como custos, qualidade, atendimento e velocidade” (Al-coforado, 1997). Quando observamos a definição de Reenge-nharia elaborada por Hammer e Champy, fica claro que trata-se de um modelo que propõe mudan-ças extremas. Podemos concluir que não se trata de um processo de reforma, ou ajustes no modus operandi da instituição, mas da reformulação inte-gral da forma como a empresa trabalha, rompendo completamente com as técnicas e pensamento em uso até o momento. Daí, podemos inferir o poten-cial transformador de que já falamos. A partir de seu conceito podemos extrair qua-tro termos principais que norteiam a reengenharia: 1. Fundamental: Na aplicação da reengenha-ria, a empresa deve ser repensada com-pletamente, desde o porquê de executar sua atividade ao modo como a mesma é realizada. Assim, procura-se romper completamente com o atual e repensar a forma como a empresa funciona em sua totalidade.
  77. 77. 80 Administração 2. Radical: Desconstrução integral do modo de se pensar o negócio e criação de no-vos métodos de trabalho. 3. Processo: A reengenharia não busca tra-balhar com tarefas ou serviços e pessoas, mas com processos, sendo o processo uma organização espaço-temporal do tra-balho com começo, fim, entradas e saí-das definidas e bem delimitadas. 4. Drástica: a reengenharia não diz res-peito a pequenas melhorias, mas a de aumento expressivo do desempenho. A reengenharia guarda algumas semelhanças superficiais com a Administração da Qualidade To-tal, contudo, não se devem confundir. Apesar de ambas possuírem como objetivo final a melhoria do desempenho, a TQM procura aprimorar os proces-sos já existentes, se volta para o bom atendimento da necessidade do cliente, e, principalmente, busca pequenas graduais, diferente do rompimento radi-cal com as práticas e padrão de desempenho da reengenharia. Downsizing O Downsizing pode ser traduzido como o achatamento da estrutura hierárquica da empresa, com a redução de seus níveis. Fundamentalmente o downsizing ocorre em função de redução de custos ou da participação no mercado. Acredita-se que o downsizing conduza a um aumento do lucro, da produtividade, maior flexi-
  78. 78. Tema 2 | Enfoque organizacional 81 bilidade organizacional e melhor desempenho dos estoques. É importante observar, contudo, seus pontos negativos, como os custos associados à ex-clusão de cargos, a capacitação dos funcionários que permanecerem, a redução da moral da equipe e a possível perda de qualidade do produto, aspec-tos muitas vezes desconsiderados pelas empresas. Benchmarking O benchmarking é uma ferramenta de avalia-ção comparativa, entre a empresa e o mercado, nos termos de produtos, processos e serviços. Precisamos lembrar que esta comparação é feita com empresas que se encontram em uma melhor condição que a analisada, com o intuito de esta progrida seguindo linhas de ação inspiradas nas concorrentes buscando ultrapassá-las. O Benchmarking busca observar o univer-so que circunda a empresa, suas concorrentes, em busca de respostas para o aprimoramento da pró-pria produção. Outplacement A fim de evitar todos os impactos negativos acarretados pelo processo de demissão, tanto para a empresa, que pode desenvolver interna e externa-mente uma imagem de instabilidade, quanto para o profissional, que se vê excluído de sua função e obrigado a buscar sozinho uma nova posição, as empresas têm buscado novas formas de conduzir seus processos de reestruturação. É então que surge o Outplacement como uma alternativa, menos impactante para ambos, aos
  79. 79. 82 Administração processos de demissão. Podemos resumir o Outpla-cement, como uma nova maneira de conduzir o pro-cesso de transição profissional de um colaborador. Seu surgimento remonta aos anos 60, nos Estados Unidos, quando o país foi atingido por uma forte recessão, e hoje alcançou todos os paí-ses industrializados. É importante ressaltar que os programas de Outplacement, ou recolocação, como são também conhecidos, vêm sendo executados principalmen-te para funcionários de alto escalão, geralmente executivos, e em alguns casos, para profissionais altamente especializados. Fundamentos de Critérios de Excelência O termo e conceito base da excelência orga-nizacional foram cunhados, em 1982 por Thomas J. Peters e Robert H. Waterman. Para estes autores, trata-se de excelência, a condição ou estado em que os produtos de determinado processo superam os resultados inicialmente planejados, seja em ter-mos de eficácia ou resultado (SILVA, 2007). A excelência organizacional, segundo estes autores é dotada de oito atributos fundamentais: • Orientação para a ação - Segundo este princípio, o sucesso depende da capa-cidade de ir além do campo das ideias, levando à implementação daquilo que foi idealizado. Além disso, as equipes de trabalho devem ter como orientação a solução de problemas, ser compostas por poucos membros, e ter caráter tran-sitório;
  80. 80. Tema 2 | Enfoque organizacional 83 • Proximidade do Cliente - O principal ob-jetivo é a satisfação das necessidades do cliente, que se incluso mesmo em todo o ciclo desde o projeto até o marketing, passando pela produção; • Autonomia e espírito empreendedor - Uma maior flexibilidade estrutural onde se pode trabalhar em projetos e criar, com certo grau de liberdade; • Produtividade por meio das pessoas - A valorização do capital humano, que pas-sa a ocupar lugar de destaque para a qualidade nos processos; • Ação inspirada por valores - A liderança deverá passar para as equipes de traba-lho um senso de objetivo e significado para suas ações. O sistema de crenças da organização fazendo uso de histórias, mitos e lendas; • Concentração do que é conhecido - A ad-ministração está focada naquilo em que tem maior expertise, voltando-se para o desenvolvimento da própria empresa, em lugar de buscar fusões; • Estrutura simples e enxuta - A centrali-zação da autoridade deve ser evitada, e junto a isso, deve ser reduzida a vertica-lização da hierarquia;
  81. 81. 84 Administração • Propriedades simultaneamente flexíveis e rígidas - A rigidez devem se deter prin-cipalmente aos controles estratégicos e financeiros, ao tempo que autonomia e oportunidade de criação devem ser com-partilhadas com os empregados, que são livres para inovar e assumir riscos, con-sequentemente contemplando a possibi-lidade de erros. Estes atributos foram obtidos pela observa-ção, pelos pesquisadores, de empresas considera-das excelentes. Devemos atentar a que estes foram os mais recorrentes diagnosticados por Peters e Waterman, mas não os únicos. O próprio Peters, em co-autoria com Austin, estabeleceria anos de-pois que apenas três aspectos seriam suficientes para incorporar todos os atributos citados e alcan-çar a excelência, desde que usados em concomitân-cia com um estilo particular de administração, se-riam eles: Atenção integral aos clientes; Constante processo de inovação; e Pessoas. O trabalho de Peters e Waterman tornou- -se alvo de muitas críticas de outros pesquisadores que criticaram tanto em seu método como na forma minimalista como abordaram os temas propostos. Outros autores e instituições dedicaram-se ao longo do tempo à busca pelos padrões de qua-lidade e excelencia. No Brasil, a FNQ - Fundação Nacional da Qualidade - criou o PEG - Programa de Excelência em Gestão.
  82. 82. Tema 2 | Enfoque organizacional 85 Indicação de Leitura Complementar Leia as páginas 277, 278 e 279 do livro: CARAVAN-TES, Geraldo R.; PANNO, Cláudia C.; KLOECKNER, Mônica C. Administração: teorias e processos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. Tente enten-der as transformações decorrentes do processo de reengenharia e discuta com seus colegas. Leia também no livro: MAXIMIANO, Antonio César Amaru. Teoria geral da administração: da revolução urbana à revolução digital. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2007. Na página 465 o texto intitulado Benchma-rking: copiando as melhores práticas e entenda um pouco mais sobre esta técnica que consiste em fazer comparações e em imitar organizações com praticas exemplares de administração. A leitura será um complemento ao que foi exposto neste livro e possibilitará a você, uma reflexão crí-tica sobre o referido conteúdo. Para Refletir Pois bem prezado leitor, a partir deste ponto nos estudos das organizações, você passou a notar a importância do aprimoramento de processos. Por-tanto, reflita e tente enquadrar a empresa que tra-balha ou uma que conheça em um destes proces-sos apresentados nesta leitura.
  83. 83. 86 Administração Resumo Muito bem, caro aluno, chegamos ao final de mais um capítulo em nossa viagem pelas teorias da Administração. Na passagem pelo enfoque com-portamental, você pode conhecer a influência da psicologia na ciência da Administração e pode re-fletir sobre a motivação, a liderança, a gerência e a importância de se conhecer o outro e desenvolver uma relação ética e profissional, é essencial para o crescimento de uma empresa. Na sequência, você passou a entender que deve-se ter critérios para a tomada de decisão gerencial e que o processo decisório em uma organização está muito baseado no fator racional. Durante essa viagem, você chegou à teoria do de-senvolvimento organizacional e passou a entender que o mundo está em constantes mudanças e que aquela empresa ou até mesmo aquela pessoa que não se adaptar às novas realidades impostas pelo ambiente, poderá ser conduzida ao fracasso. Diante da grande importância deste enfoque com-portamental é que a Administração passou a mudar sua história, dando maior ênfase na relação empre-sa, indivíduo, ambiente.
  84. 84. TEORIAS PÓS-SISTEMAS Parte 2
  85. 85. Enfoque Comportamental 3 A abordagem comportamental da ciência administrativa propõe o abandono de posições normativas e descritivas e a adoção de uma posição humanística, mantida, portanto, a ênfase nas pessoas. Esta abordagem diferencia-se da apresentada por Jonh B. Wat-son, que trabalhou o enfoque individual através da realização de experimentos em laboratório, analisando: aprendizagem; estímulo e reações, hábitos. O método de Watson evoluiu para a análise comportamental de grupos, utilizada por Kurt Lewin na chamada Psicologia Social (Teoria das Relações Humanas) e a seguir para a Psicologia Organizacional em um sentido amplo, ainda que não desconsiderasse os pequenos grupos sociais. Desta forma, a Psicologia Organizacional contribuiu decisiva-mente para o surgimento de uma teoria administrativa mais democrá-tica e humanística, a Teoria Comportamental da Administração.
  86. 86. 90 Administração 3.1 Abordagem comportamental: Teóricos da Motivação Abraham Maslow – Teoria das necessidades humanas O administrador precisa conhecer os meca-nismos motivacionais para poder dirigir adequada-mente as pessoas. Nesta abordagem, procura-se através das ciências do comportamento, conhecer o processo e a dinâmica organizacional, visto que os estudiosos desta abordagem consideram a or-ganização como um sistema cooperativo e racional. Origens: Dentre as origens da teoria com-portamental, podemos citar o pensamento oposto entre a teoria clássica e a de relações humanas, onde segundo Caravantes (2005, p.95-102) estão: • A abordagem comportamental é um apro-fundamento da Teoria das Relações Hu-manas, sendo contra a sua visão ingênua e romântica, mas aproveitando e refor-mulando alguns dos seus princípios; • A Crítica à Teoria Clássica, sendo conside-rada por alguns autores uma abordagem contrária à organização formal, aos prin-cípios gerais da administração, e ao en-foque mecanístico dos autores clássicos; • Com a Teoria Comportamental houve a contribuição da Sociologia da Burocracia, aumentando a abrangência da teoria ad-ministrativa; Abraham Maslow (1908-1970)

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