O Brasil ainda é um país  católico?
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Muitos outros pensadores, antropólogos e sociólogostambém deram bastante atenção às crenças religiosasque se espalham pela...
Religiões ao redor do mundoVocê sabe quais são e onde se praticam as religiõescom mais adeptos ao redor do mundo?Cristiani...
Em que acreditam os brasileiros?   Vitor Meireles, A primeira missa no Brasil, óleo sobre tela   268 cm x 356 cm, 1860. O ...
Religiões do Brasil de 1940 a 2000, Religião 1940         1950        1960       1970         1980     1990     2000 Catól...
Mas, como você pode ver, os dados mais recentes trazemnovidades. Vamos examiná-los mais de perto.Religião           1980  ...
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Em setembro de 2008, o jornal O Globo publicou uma matériaintitulada "Questão de fé" que confirmava a religiosidade dejove...
Também no Brasil há muitos pesquisadores que sededicam a estudar a religiosidade. Uma pesquisarealizada pela antropóloga R...
ConclusãoPor que imaginamos o Brasil como um país católico? Pela quantidadede feriados dedicados aos santos e padroeiros? ...
ConclusãoMas assumindo uma outra perspectiva, vemos com osdados do Censo 2000, do IBGE, que o Brasil é um paíspredominante...
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O brasil ainda é católico

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Resumo das aulas do 2º Bimestre. 3º Ano. Sociologia

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O brasil ainda é católico

  1. 1. O Brasil ainda é um país católico?
  2. 2. A presença constante dos rituais religiosos desde os primórdiosda humanidade merece realmente ser estudada. E essarecorrência tão grande, em lugares e culturas tão diferentes edistantes, tanto no espaço quanto no tempo, sempre interessouaos que quiseram e querem aprofundar seu conhecimentosobre as sociedades. Você já viu que para Max Weber, porexemplo, conhecer as religiões era uma forma de compreenderas sociedades. Para entender como os indivíduos e os gruposorientam suas ações, ou definem suas condutas e secomportam uns em relação aos outros, dizia ele, é importantesaber que crença religiosa eles professam. Assim como aspessoas agem de forma muito diversificada, também asorientações religiosas são distintas. Não importava, para Weber,se uma religião tinha mais adeptos que outra; nem ele própriodizia qual, dentre as muitas religiões que estudou, era suaescolhida. Como sociólogo, o que ele pretendia era entender asrazões que levavam pessoas e grupos a aderir a um conjunto decrenças. Interessa-va-lhe saber como as pessoas justificavamsuas escolhas e, também, o que tais escolhas produziam emseus comportamentos.
  3. 3. Muitos outros pensadores, antropólogos e sociólogostambém deram bastante atenção às crenças religiosasque se espalham pelas sociedades. A própria palavra"religião" pode nos ajudar a entender por que, desde suaorigem, a sociologia se interessou por esseassunto. Religião tem a mesma origem de religar, quesignifica ligar de novo, ou ligar fortemente. Ligar quem aquem ou a quê? Uma pessoa religiosa responderia que areligião que professa a liga a um deus, a uma fé, a umadoutrina - que, por sua vez, unem muitas pessoas em tornode si. E é isso que interessa à sociologia: como conjuntosimensos de pessoas tão diferentes se ligam a uma sóideia. Não importa o deus, não importa a doutrina ou oobjeto sagrado, a religião é um fenômeno que até hojeestá presente em todas as sociedades. Na nossa também
  4. 4. Religiões ao redor do mundoVocê sabe quais são e onde se praticam as religiõescom mais adeptos ao redor do mundo?Cristianismo: tem mais de 2,1 bilhões fiéis, ou cerca de33% da população mundial. O Brasil é o país commaior número de católicos no mundo, seguido peloMéxico, Estados Unidos, Filipinas e Itália.Islamismo: tem cerca de 1,3 bilhão seguidores, ou 20%da população mundial. Apenas 18% dos islâmicosvivem no mundo árabe, e a maior comunidadeislâmica nacional encontra-se na Indonésia.Hinduísmo: tem aproximadamente 850 milhões fiéis,ou 13% da população mundial. É praticadopredominantemente na Índia.Budismo: tem mais de 300 milhões praticantes, ou5,8% da população mundial. A maior concentraçãode budistas (um terço do total) encontra-se na China.
  5. 5. Em que acreditam os brasileiros? Vitor Meireles, A primeira missa no Brasil, óleo sobre tela 268 cm x 356 cm, 1860. O quadro representa missa realizada por Frei Henrique de Coimbra, em Porto Seguro, Bahia, em 26 de abril de 1500.
  6. 6. Religiões do Brasil de 1940 a 2000, Religião 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 Católico 95,2 93,7 93,1 91,1 89,2 83,3 73,8 s Evangél 2,6 3,4 4,0 5,8 6,6 9,0 15,4 icos Outras religiõe 1,9 2,4 2,4 2,3 2,5 2,9 3,5 s Sem 0,2 0,5 0,5 0,8 1,6 4,8 7,3 religião Total (*) 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%(*) Não inclui religião não declarada e não determinada.Fonte: IBGE, Censos demográficos.
  7. 7. Mas, como você pode ver, os dados mais recentes trazemnovidades. Vamos examiná-los mais de perto.Religião 1980 1991 2000Católicos 89,2 83,3 73,7Evangélicos 6,6 9,0 15,4Espíritas 0,7 1,1 1,4Afro-brasileiros 0,6 (0,57) 0,4 (0,44) 0,3 (0,34)Outras religiões 1,3 1,4 1,8Sem religião 1,6 4,8 7,3Total (*) 100,0% 100,0% 100,0%
  8. 8. Um sociólogo especialista em religião, Antonio Flávio Pierucci,ao analisar os dados do Censo 2000, do IBGE, apontou odeclínio de três religiões - o catolicismo, a umbanda e oluteranismo. Este último, uma das denominações evangélicas,desembarcou no Brasil com os imigrantes alemães, no final doséculo XIX, e teve muitos adeptos no país. A umbandaincorporou elementos de vários cultos dos africanos que para cávieram na condição de escravos e os adaptou de formaoriginal.Como as pesquisas demonstram, houve recentemente umaalteração na composição religiosa da populaçãobrasileira. Ainda que a religião católica continue sendo aprimeira, outras crenças vêm ganhando espaço. Essa tendênciacoloca o Brasil ao lado de outras sociedades em que opredomínio de uma religião vai cedendo lugar à diversificaçãodas práticas religiosas. Como também mostram os quadrosacima, de 1960 a 1991 houve um crescimento de mais de 100%do contingente de evangélicos. De 1991 a 2000 essecrescimento prosseguiu, chegando a mais de 70%. Logo, não écorreto dizer que a religiosidade do povo brasileiro estádiminuindo: ela vem se manifestando de forma diferente, e issonos informa sobre a dinâmica da própria sociedade.
  9. 9. Em setembro de 2008, o jornal O Globo publicou uma matériaintitulada "Questão de fé" que confirmava a religiosidade dejovens entre 18 e 29 anos. Segundo a reportagem,pesquisadores da fundação alemã Bertelsmann Stiftungentrevistaram 21 mil jovens em 21 países, com o objetivo desaber se era possível falar de religiosidade entre os jovens nomundo contemporâneo. Pois saiba que os brasileirosapareceram como os terceiros mais religiosos, ficando atrásapenas da Nigéria e da Guatemala e "empatando" com aIndonésia e o Marrocos. A pesquisa revelou ainda dados maisdetalhados sobre nosso país: 95% dos jovens brasileirosentrevistados declararam-se religiosos, e 65%, muitoreligiosos. São números altos, se comparados com os de outrospaíses como a Rússia e a Áustria, onde apenas 3% e 5% dosjovens, respectivamente, declararam praticar uma religião. Oque os pesquisadores também consideraram importante foi ofato de que as declarações dos jovens eram semelhantes às dapopulação acima de 60 anos. Os jovens não se distanciavamdas populações mais velhas quando se perguntava seacreditavam em Deus, professavam alguma religião, rezavamem alguma ocasião e com que frequência.
  10. 10. Também no Brasil há muitos pesquisadores que sededicam a estudar a religiosidade. Uma pesquisarealizada pela antropóloga Regina Novaes epelo sociólogo Alexandre Brasil Fonseca nosrevela que a religião tem forte poder deagregação entre os jovens. Os números sãointeressantes: enquanto 27,3% dos entrevistadossão filiados a organizações sociais como clubes,81,1% integram grupos religiosos.Se falar de religiosidade não significa falar deuma mesma religião, também no interior dasreligiões há diferenciações importantes. E asociologia se ocupa igualmente dessasdistinções. O termo evangélico, por exemplo, seaplica a distintas confissões religiosas cristãs nãocatólicas.
  11. 11. ConclusãoPor que imaginamos o Brasil como um país católico? Pela quantidadede feriados dedicados aos santos e padroeiros? Pela quantidade deigrejas e capelas católicas que vemos no trajeto de casa até aescola? Por causa da quantidade de pessoas que se dizem leais aopapa? Tudo isso é verdade, mas a construção dessa realidade socialnão se deu de uma hora para outra. Ela tem raízes profundas na históriado Brasil, desde a chegada dos primeiros portugueses à Terra de SantaCruz.Após a quebra dos laços coloniais com os portugueses, a religiãocatólica firmou-se como a principal crença na nova nação, sendoapontada como religião oficial do país na primeira Constituiçãobrasileira (1824).Os brasileiros ampliaram seu leque de escolhas religiosas a ponto de amais recente Constituição (1988) não mais estabelecer uma religiãooficial. Isso indica que os brasileiros estão mais afinados com oindividualismo moderno, ou seja, seguem no campo religioso umalógica de escolha, e não de manutenção de uma tradição. Em outraspalavras, o campo religioso brasileiro reflete aquilo que os sociólogoschamam de modernização da sociedade.
  12. 12. ConclusãoMas assumindo uma outra perspectiva, vemos com osdados do Censo 2000, do IBGE, que o Brasil é um paíspredominantemente cristão - é só somar os percentuaisdos católicos com o dos evangélicos que chegaremos a90% da população praticantes de alguma modalidade decristianismo. As migrações religiosas acontecem, masmajoritariamente dentro da mesma matriz. Houve ocrescimento do número de pessoas que se identificamcomo "sem religião" (7%), e o conjunto de praticantes deoutras religiões (aquelas que não são cristãs) representa3% da população brasileira.Concluímos que o fenômeno religioso brasileiro admitemúltiplas interpretações. As perspectivas adotadas pelospesquisadores revelam facetas diferentes da mesmarealidade social.

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