JANEIRO DE 2011                  AUTOMÁTICO
O velho homem vivia enclausurado. Nãotinha amigos nem parentes. Pouco saía, anão ser para o essencial, e quando o fazia,ti...
Os jornais noticiaram em primeira página.A debacle viera de chofre. Empregados ecredores se abateram sobre ele como urubus...
A esposa, companheira fiel detantos anos, foraembora, tangida pela penúriae pelas incertezas de cada dia.Os dois filhos se...
O velho estremece ao soar da campainha. O que de pior viria agora?Ele vai abrir, os dentes crispados...À porta entreaberta...
Jamais se haviam falado, apenas de quando emquando se cruzavam nos corredores. Nem mesmose cumprimentavam. Agora ele estav...
Senhor, desculpe o incômodo! Há pouco ganhei esta cesta de frutas.Eu não poderia comer toda sozinho e venho perguntar se o...
Lentamente o homem fecha a porta, e resta imóvela pequena cesta em suas mãos. Ele a segura como aum tesouro, enquanto escu...
.O velho homem nem mesmo pensava nasfrutas suculentas. Sentado diante doinesperado presente, a contemplá-lo, eleemocionou-...
FORMATAÇÃO : Jane B. T. da CostaIMAGENS : INTERNETTEXTO : Alberto BittencourtMÚSICA : ARTHUR’S THEME
PEQUENOS GESTOS         GRANDES MUDANÇASJane B. T. da Costa
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Pequenos gestos,grandes mudanças...

  1. 1. JANEIRO DE 2011 AUTOMÁTICO
  2. 2. O velho homem vivia enclausurado. Nãotinha amigos nem parentes. Pouco saía, anão ser para o essencial, e quando o fazia,tinha medo de tudo e de todos.A aparência era de tristeza, o dorsoencurvado, as faces encarquilhadas, oscabelos em desalinho, as roupas surradas,mal postas. Nada fazia lembrar daquelepoderoso empresário de outrora, dono decolégios, de postos de combustíveis, devendas de motos...
  3. 3. Os jornais noticiaram em primeira página.A debacle viera de chofre. Empregados ecredores se abateram sobre ele como urubusna carniça.Triste fim de quem lutou a vida inteira, noexato momento em que merecia o tranquilorepouso dos aposentados... Era só o que sentia: medo e angústia.
  4. 4. A esposa, companheira fiel detantos anos, foraembora, tangida pela penúriae pelas incertezas de cada dia.Os dois filhos sedistanciaram, cada um acuidar de sua própria vida.Era o que se poderia esperarde quem fora marido e paiausente.
  5. 5. O velho estremece ao soar da campainha. O que de pior viria agora?Ele vai abrir, os dentes crispados...À porta entreaberta, deparou-se com a imagem de um homem idosocomo ele, de expressão familiar, embora não o reconhecesse de pronto.Ao topar com seu olhar e vê-lo sorrir, identificou o vizinho do mesmoandar.
  6. 6. Jamais se haviam falado, apenas de quando emquando se cruzavam nos corredores. Nem mesmose cumprimentavam. Agora ele estava ali,sorridente, a lhe estender uma pequena cesta.
  7. 7. Senhor, desculpe o incômodo! Há pouco ganhei esta cesta de frutas.Eu não poderia comer toda sozinho e venho perguntar se o senhoraceitaria dividir comigo? São belas estas frutas e estão noponto, infelizmente algumas um pouco machucadas, foi otransporte.O homem quis agradecer, mas o visitante esboçando um gesto dedefesa, se retira rapidamente.
  8. 8. Lentamente o homem fecha a porta, e resta imóvela pequena cesta em suas mãos. Ele a segura como aum tesouro, enquanto escuta os passos do vizinhoa se afastar no corredor.A seguir, com o coração aos pulos, ele a colocasobre a mesa, acende a luz. As peras verdejantes, asmaçãs vermelhas, os pêssegos amarelos estavammeticulosamente arranjados em duas fileiras sobreum guardanapo de linho branco.
  9. 9. .O velho homem nem mesmo pensava nasfrutas suculentas. Sentado diante doinesperado presente, a contemplá-lo, eleemocionou-se ao lembrar da mãoestendida, do sorriso amigo.Ele se levanta num repente: Vou esvaziara cesta para devolvê-la!O dia se abriu claro. Um céu azul afastoupor momentos as nuvens negras de seuspensamentos.
  10. 10. FORMATAÇÃO : Jane B. T. da CostaIMAGENS : INTERNETTEXTO : Alberto BittencourtMÚSICA : ARTHUR’S THEME
  11. 11. PEQUENOS GESTOS GRANDES MUDANÇASJane B. T. da Costa

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