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BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
Introdução
Dentre os assuntos polêmicos presentes na cristandade de hoje está o batismo com o Espírito Santo. A Igreja havia
caminhado uniformemente em relação a esta doutrina, até que no início do século XX, dá-se o surgimento dos cristãos
denominados pentecostais, que trouxeram consigo uma nova interpretação da ação do Espírito Santo em relação ao batismo.
Devido à sua proliferação de idéias também dentro das chamadas igrejas tradicionais, e até mesmo dentro das igrejas
reformadas, faz-se necessário entender melhor o assunto.
Interpretação pentecostal e neo-pentecostal
Em muitas igrejas presbiterianas da nossa denominação é comum as pessoas rejeitarem o pentecostalismo sem ao
menos saber exatamente o que significa e em que implica a doutrina defendida por eles. Na verdade muitos presbiterianos
os consideram errados na doutrina, mas não sabem explicar por quê! Afinal de contas, o que pensam os pentecostais? Aliás,
porque são chamados de “pentecostais”? Vejamos a explicação abaixo:
Esse termo “pentecostal” é tirado do episódio que ocorreu no dia de Pentecostes em Jerusalém quando os
discípulos do Senhor Jesus foram batizados com o Espírito Santo. Os pentecostais dizem que tiveram uma
experiência igual àquela. Eles raciocinam: os discípulos eram crentes, mas receberam o batismo depois, e
falaram em línguas, então, há uma conversão operada pelo Espírito Santo, mas o batismo é uma segunda
bênção, ou uma segunda experiência, uma experiência pós-conversão. Dessa forma, para o pentecostalismo,
há duas classes de crentes dentro da Igreja, os que já chegaram lá e os que ainda não conseguiram. Quem já
foi batizado faz parte da elite dos crentes, enquanto que quem não foi batizado faz parte de uma categoria
inferior. Estes últimos, freqüentemente, recebem alguma discriminação por parte dos mais “adiantados”, e se
vêem ameaçados pela pergunta tradicional destes irmãos: “você ainda não foi batizado no Espírito Santo?”.1
Como podemos perceber, “os pentecostais apontam para o padrão no livro de Atos, onde os crentes (os quais
experimentaram a obra regeneradora do Espírito Santo antes do dia de Pentecostes) foram cheios do Espírito Santo e
falaram em línguas. Este padrão bíblico, que inclui um lapso de tempo entre a conversão e o batismo do Espírito, é usado
então como norma para todas as épocas.”2
Entretanto, devemos perceber ainda que há uma mudança na terminologia utilizada pelos pentecostais em relação a
esta ação específica do Espírito Santo. O termo, que outrora era denominado de “batismo em (ou com) o Espírito Santo”
começou a ser denominado de “batismo do Espírito Santo”; e o que significava este batismo também foi reinterpretado:
Nos debates atuais, no entanto, uma frase um pouco diferente, “o batismo do Espírito”, substituiu as frases
bíblicas, especialmente nos círculos pentecostais e carismáticos. No seu uso mais comum, esta nova expressão
tende a colocar menos ênfase na habitação do Espírito em nós, com a iluminação da nossa mente (Jo 14: 26;
16:8-15), no aperfeiçoamento do nosso caráter (o fruto do Espírito, Gl 5:22,23; o amor, 1Co 12:27-13:13) e
nos dons de paz, poder e alegria que o Espírito outorga. Ao invés disto, embora não negue estas coisas, a frase
veio a associar-se especificamente com a dotação inicial e contínua de indivíduos, mediante o Espírito, de
poderes miraculosos, dons, capacidades, recursos emocionais, manifestados na cura divina, no falar em outras
línguas, na profecia, na liderança, na emoção exuberante, e em outras formas de capacitação para o serviço
cristão.3
Apesar de muitos pentecostais brasileiros afirmarem que falar em línguas é o sinal inequívoco do “batismo do
Espírito Santo”, todavia, nem todos os que crêem na doutrina do “batismo do Espírito Santo” estão unânimes a este respeito.
“Os carismáticos estão divididos entre eles mesmos quanto à questão, se falar em línguas é um sinal necessário ou uma
manifestação do "batismo".”4
1
LIMA, Leandro Antônio de. “O Batismo com o Espírito Santo” in Revista – A essência da Fé – Parte 5/ O que a Bíblia ensina sobre o Espírito
Santo. São Paulo, Cultura Cristã, s/d, p 20.
2
SPROUL, R. C. O Batismo do Espírito Santo. Fonte:
http://www.teuministerio.com.br/BRSPORNDESAGSA/vsItemDisplay.dsp&objectID=B71EA71B-B092-4B0A-
A463377FE3DD5088&method=display Acessado em 11/07/2008.
3
WHITE, R. E. O. “Batismo no Espírito” in Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Walter A. Elwell, editor. São Paulo, Vida Nova,
2009, p 154, 155.
4
SPROUL, R. C. O Batismo do Espírito Santo. Fonte:
http://www.teuministerio.com.br/BRSPORNDESAGSA/vsItemDisplay.dsp&objectID=B71EA71B-B092-4B0A-
A463377FE3DD5088&method=display Acessado em 11/07/2008.
Conceito de Batismo com o Espírito Santo
Ora, para que possamos entender o assunto de forma clara e inequívoca, precisamos primeiramente tirar nossas
dúvidas sobre o que é o batismo com o Espírito Santo, e então, a partir daí, continuar a explicar o que ensina as Escrituras
sobre o tema. Colocamos abaixo várias explicações a respeito do batismo com o Espírito Santo, e nelas grifamos (em
negrito e itálico) o que quer dizer este batismo:
1. “Visto que para o judaísmo, para João Batista e para a igreja apostólica, o batismo na água era um rito de iniciação
para alguém se afiliar ao povo de Deus, a experiência inicial de habitação e revestimento do Espírito na pessoa
veio a ser chamada de um “batismo no” ou “com” o Espírito Santo.”5
2. “O batismo com o Espírito Santo não é uma segunda bênção, é, sim a primeira bênção, a regeneração, o novo
nascimento (Jo 3:5, 6). Sem o derramar do Espírito não há mudança de vida.”6
3. “A Escritura ensina que a experiência normal do batismo com o Espírito Santo coincide com a regeneração-
conversão, e que são selados por este mesmo Espírito todos os que crêem genuinamente em Cristo Jesus. Portanto, o
batismo com o Espírito Santo, indispensável para a genuína regeneração-conversão, não se confunde com a
chamada "segunda bênção," referente ao derramamento do Espírito no livro dos Atos dos Apóstolos. Antes, é a
graça vitalizadora e capacitadora disponível a todos os crentes, e não apenas a alguns. Acresce que a indizível
bênção da regeneração-conversão de modo algum é inferior à chamada “segunda bênção.” Portanto, a recepção
inicial de Cristo, pela fé, está associada ao batismo com o Espírito Santo.”7
4. “Que devemos dizer sobre a frase “batismo no Espírito Santo”? É uma frase que os autores do Novo Testamento
usam para falar sobre a vinda do poder do Espírito Santo da nova aliança. Isso ocorreu no Pentecostes com os
discípulos, mas ocorreu no momento da conversão com os coríntios e também conosco. Não é uma frase que os
autores do Novo Testamento teriam usado para falar de alguma experiência pós-conversão de capacitação pelo
Espírito Santo”.8
5. “... no que concerne ao apóstolo Paulo, o batismo no Espírito Santo ocorria no momento da conversão. Ele diz que
todos os coríntios foram batizados no Espírito Santo e, como resultado, tornaram-se membros do corpo de Cristo:
“Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo” (1Co 12:13). “Batismo no Espírito Santo”,
portanto, deve-se referir à atividade do Espírito Santo no início da vida cristã quando ele nos dá nova vida
espiritual (na regeneração), além de nos purificar e conceder um claro rompimento com o poder do pecado e o
amor por ele (o estágio inicial da santificação). Nesse sentido, “batismo no Espírito Santo” refere-se a tudo
aquilo que o Espírito Santo faz no início de nossa vida cristã. Mas isso significa que não pode designar uma
experiência depois da conversão, como a interpretação pentecostal o considera.”9
6. “Os cristãos tornam-se membros deste corpo pelo batismo: eles são batizados em um corpo. O rito exterior é de
instituição divina, significativo do novo nascimento, chamado por essa razão de “lavagem da regeneração” (Tt
3:5). Mas é pelo Espírito, pela renovação do Espírito Santo, que nós somos feitos membros do corpo de Cristo. É
a operação do Espírito, representada pela ministração exterior, que nos faz membros.”10
Em resumo, podemos dizer que: “O batismo do Espírito ocorre na conversão, quando o Espírito entra no pecador
que crê e lhe dá nova vida, fazendo de seu corpo o templo de Deus. Todos os cristãos experimentaram esse batismo
definitivo (1Co 12:13)... Ser batizados pelo Espírito significa que pertencemos ao corpo de Cristo.”11
E ainda: “Esse
batismo torna-se pessoal quando o pecador aceita a Cristo e o Espírito passa a habitar dentro dele, inserindo-o no corpo de
Cristo. O batismo do Espírito significa que passamos a pertencer ao corpo de Cristo.”12
Ainda podemos entender melhor o que é o batismo com o Espírito Santo observando o significado do batismo em
água, ou seja, o que o sacramento quer nos mostrar como verdade interior e espiritual:
1. “Algumas vezes quando o Novo Testamento usa a palavra batismo, ele está se referindo ao sacramento ou
ritual: o que poderíamos chamar de batismo com água (Mt. 3:7; Mt. 28:19; Atos 2:38, 41; 1Co. 10:2). O
5
WHITE, R. E. O. “Batismo no Espírito” in Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Walter A. Elwell, editor. São Paulo, Vida Nova,
2009, p 154.
6
SATHLER, Anderson; Dionei Faria, Eneziel Peixoto de Andrade e outros, “O batismo com o Espírito Santo” in Revista Espírito Santo –Sua Pessoa
e Missão. Manhumirim, Didaquê, jul/1993, p 15.
7
Igreja Presbiteriana do Brasil (Comissão Permanente de Doutrina), O Espírito Santo Hoje – Dons de Línguas e Profecia. Carta Pastoral endereçada
aos Concílios e Ministros da Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo, setembro de 1995, p 4.
8
GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo, Vida Nova, 1999, p 642.
9
Ibid., p 639.
10
Matthew Henry, Comentário Bíblico – Novo Testamento (Atos-Apocalipse). Rio de Janeiro, CPAD, 2008, p 481.
11
WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo - Novo Testamento. Volume 1. Santo André, Geográfica Editora, 2006, p 797.
12
WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo - Novo Testamento. Volume 2. Santo André, Geográfica Editora, 2006, p 62.
batismo com água na verdade não é batismo, propriamente falando, mas o sinal do batismo, um símbolo
apontando para uma realidade invisível e espiritual. Em distinção do símbolo ou sinal, a realidade do
batismo é o lavar dos pecados pelo sangue e Espírito de Jesus Cristo. Essa é a realidade da qual o batismo
com água é apenas uma figura... A diferença entre sinal e realidade é evidente no fato que nem todos os que
são batizados com água recebem a realidade do batismo. Nem todos os que permanecem sem serem
batizamos com água perdem por causa disso a realidade espiritual do batismo, pela qual somos salvos.
Todavia, os dois estão relacionados. O primeiro é o sinal ou figura do outro, e isso não pode ser esquecido.
”13
2. “Todos concordariam, estamos certos, que a água do batismo simboliza o sangue de Cristo, e que a
aplicação da água (por ora, deixamos de lado a questão de como ela é aplicada) representa o lavar dos
pecados pelo sangue precioso de Cristo. Em outras palavras, o batismo representa a aplicação da salvação
na justificação (a remoção da culpa dos nossos pecados) e santificação (a remoção da sujeira e poluição dos
nossos pecados). Portanto, ele representa o perdão dos nossos pecados quando recebemos tal perdão em
nossa justificação e através da fé, como também a obra de Deus pela qual somos feitos santos na
regeneração e santificação. Enquanto o batismo representa a aplicação da salvação – o lavar dos nossos
pecados na justificação e santificação – a água representa não somente o sangue de Cristo, mas também o
Espírito de Cristo. Ele é aquele em quem e por quem somos lavados (batizados), tanto para remissão como
para a purificação dos nossos pecados. Esta é a razão pela qual a Escritura descreve o dom do Espírito como
um batismo (Mt. 3:11; Atos 1:5; Atos 11:16; 1Co. 12:13). Ele é um batismo, por nenhuma outra razão senão
a de que o Espírito tem uma função importante na purificação do pecado. Ele é aquele que aplica em nós o
sangue de Cristo, tanto para nossa justificação como para a nossa santificação, e visto que ele faz isto
dando-nos ele mesmo, podemos ser ditos como tendo sido batizados não somente no sangue, mas também
em ou com o Espírito quando somos salvos. Isto tem muitas conseqüências importantes. Primeiramente, ela
é uma resposta ao erro do Pentecostalismo, que ensina que o batismo no Espírito é algo adicional ou
subseqüente à salvação. O batismo no ou com o Espírito não é outra coisa senão a salvação. Isso é claro a
partir da Escritura (Atos 2:38, 39; Rm. 5:1-5; Rm. 8:9; 1Co. 12:13 comparado com João 7:37-39; Gl. 3:2;
Ef. 1:13, 14).”14
3. “Stott conclui que o batismo com o Espírito Santo não é uma segunda experiência, nem uma experiência
subseqüente desfrutada somente por alguns cristãos, mas a experiência inicial desfrutada por todos. Ou seja,
o batismo com o Espírito é o mesmo que conversão. No seu recente comentário em Atos, Stott procura
deixar claro que não nega que haja experiências mais profundas e mais ricas após a conversão. Porém, ele
rejeita a idéia de que tais coisas possam ser chamadas de "batismo com o Espírito", uma terminologia que
ele reserva apenas para a conversão, a obra inicial do Espírito no crente. É importante notar que, para ele, as
passagens nos Evangelhos e em Atos devem ser interpretadas à luz da passagem de Corintios, e portanto,
devem se referir à conversão, quando o crente recebe tudo o que lhe é dado receber do Espírito.”15
Atentemos para a explicação sobre o Batismo que é bastante interessante e esclarecedora:
Ele então defende esse ponto com o argumento de que em qualquer tipo de batismo existem quatro partes: (1)
o sujeito, que é o batizador, (2) o objeto, que é a pessoa sendo batizada, (3) o elemento em, ou no qual a
pessoa é batizada, e (4) o propósito com o qual o batismo é realizado. Como exemplo, ele cita o "batismo" dos
israelitas no Mar Vermelho (cf. 1 Co 10.1-2). Deus foi o batizador, os israelitas foram os batizandos, o
elemento em que foram batizados foi água, ou vapor que caia das nuvens, e o propósito é indicado pela
expressão "batizados em Moisés", isto é, para um relacionamento com Moisés como o líder apontado por
Deus. O batismo de João, igualmente, tem quatro partes: João (o sujeito) batizou as multidões que vinham de
Jerusalém e regiões circunvizinhas (os batizandos) nas águas do Rio Jordão (elemento) para arrependimento e,
portanto, remissão de pecados, cf. Mt 3.5,11. O batismo cristão é similar, continua Stott. O pastor (sujeito)
batiza o candidato (objeto) na, ou com, água (elemento), e o batismo é, "para" o nome da Trindade, ou mais
especificamente, para o nome de Cristo (Mt 28.19; At 8.16). O batismo do Espírito não é exceção a esta regra,
conclui Stott. Se colocarmos as sete referências juntas, verificaremos que Jesus Cristo é o batizador (sujeito),
todos os crentes (1 Co 12.13) são os batizandos (objeto), o Espírito Santo é o "elemento" com o qual somos
batizados, e o propósito é a incorporação do crente no corpo de Cristo... Ele ainda argumenta que, se o
Espírito é quem batiza em 1 Co 12.13, então, onde está o elemento com o qual ele batiza? Stott considera a
falta de resposta a esta pergunta como sendo conclusiva de que sua interpretação é a correta, já que a metáfora
13
HANKO, Ronald. Doctrine according to Godliness. Reformed Free Publishing Association, p 259-60.
14
Ibid., p 258-59.
15
LOPES, Augustus Nicodemus. O debate sobre o Batismo com o Espírito Santo. Fonte: http://www.ipb.org.br/estudos_biblicos/index.php3?id=23
Acessado em 18/07/2009.
do batismo requer um elemento. De outra forma, "batismo não é batismo". Ele conclui que 1 Co 12.13 refere-
se a Cristo batizando com o Espírito Santo, e nos fazendo beber do Espírito, e que "todos nós" temos
participado desta bênção (cf. Jo 7.37-39).16
Seguindo esta mesma linha de raciocínio, nos voltemos agora para o que dizem os nossos textos Confessionais -
Catecismo Maior e Catecismo Menor de Westminster. Neles não temos definições a respeito do batismo com o Espírito
Santo visto que este assunto não era motivo de debate na época da construção destes documentos. Contudo, apontamos para
a explanação que eles fizeram a respeito do sacramento do batismo. Ao explicar o significado deste sacramento os puritanos
são claros. Ora, o sacramento aponta para uma realidade espiritual, e, portanto, observando o que eles dizem a respeito do
significado do sacramento do batismo, teremos a idéia do que eles diziam a respeito da coisa significada, ou seja, do batismo
com o Espírito Santo. Vejamos abaixo a explicação deles (grifamos em itálico o significado espiritual que aponta para o
batismo com o Espírito):
1. Catecismo Maior de Westminster Pergunta 165 - O que é Batismo? “Batismo é um sacramento no Novo
Testamento no qual Cristo ordenou a lavagem com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, para ser um
sinal e selo de nos unir a si mesmo, da remissão de pecados pelo seu sangue e da regeneração pelo seu Espírito; da
adoção e ressurreição para a vida eterna; e por ele os batizandos são solenemente admitidos à Igreja visível e
entram em um comprometimento público, professando pertencer inteira e unicamente ao Senhor.” (Mt 28:19; Mc
1:4; Jo 3:5; I Co 15:29; Rm 6:3,4;Gl 3:27; Gl 3:26,27; At 2:41;22:16; Tt 3:5; Ap 1:5)
2. Catecismo Menor de Westminster Pergunta 94 - O que é Batismo? “Batismo é um sacramento no qual o lavar
com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo significa e sela a nossa união com Cristo, a participação
das bênçãos do pacto da graça, e a promessa de pertencermos ao Senhor.” (Veja-se Mt 28.19, citado na questão
acima; Gl 3.27; Rm 6.3; Rm 6.4)
Observemos estas outras explicações a respeito do significado do sacramento do batismo (grifamos em itálico o
significado espiritual que aponta para o batismo com o Espírito):
1. “Qual é o significado essencial do batismo? O batismo significa em essência a união com Cristo e por isso
representa de modo geral todos os benefícios que Cristo traz ao Seu povo. Há ainda certos benefícios de Cristo que
o batismo representa de modo mais particular e direto, especialmente a purificação dos nossos pecados e o novo
nascimento pelo poder do Espírito Santo.”17
2. “A partir dessa relação espiritual, ou união sacramental entre o sinal e a graça significada, a qual temos assim
explicado fazendo uso de linguagem natural e legítima, um é posto em lugar do outro, e tudo quanto procede da
graça significada é asseverado do sinal que o manifesta. E assim, comer o pão e beber o vinho, na Ceia do Senhor, é
comer a carne e beber o sangue de Cristo; ou seja, é participar da virtude sacrificial de sua morte. E tudo quanto
procede do Batismo com o Espírito Santo é atribuído ao Batismo com água. Ananias disse a Paulo: “Levanta-te e
sê batizado, e lava os teus pecados.” At 26:16. “Cristo se deu pela Igreja, para a santificar e a purificar com a
lavagem de água pela Palavra.” Ef 5:26. “Arrependei-vos, e que cada um de vós seja batizado no nome de Jesus
Cristo para a remissão de pecados.” At 2:38. Por isso os romanistas e ritualistas inferem que o sinal é inseparável
da graça significada, e que esses efeitos espirituais são devidos à ordenança externa. Daí a doutrina da regeneração
batismal. Deve observar-se porém, que as Escrituras não asseveram esses atributos espirituais da água do batismo
considerada em si mesma, mas da água do batismo como sinal ou emblema do batismo pelo Espírito Santo. Esses
atributos espirituais pertencem somente ao batismo pelo Espírito, e só acompanham o sinal quando ele é
acompanhado por aquilo que ele significa.”18
3. “A água aplicada no nome do Deus Triúno à pessoa do batizando. A graça interior, espiritual, significada pelo sinal
é - a. Primariamente, a purificação espiritual pelo poder imediato e pessoal do Espírito Santo na alma; e então, b.
Conseqüentemente, a habitação do Espírito Santo, resultando na união do batizando com Cristo, então a
regeneração, a justificação, a santificação, a perseverança até ao fim, a glorificação etc. – isto é, todos os
benefícios do novo pacto... A adequação natural do sinal para simbolizar a graça significada, quando lavar com água
simboliza a purificação espiritual efetuada pelo Espírito Santo.”19
16
LOPES, Augustus Nicodemus. O debate sobre o Batismo com o Espírito Santo. Fonte: http://www.ipb.org.br/estudos_biblicos/index.php3?id=23
Acessado em 18/07/2009.
17
VOS, Johannes Geerhardus. Catecismo Maior de Westminster Comentado - Johannes Geerhardus Vos. São Paulo, Os Puritanos, 2007, p 533.
18
HODGE, A. A. Confissão de Fé Westminster comentada por A. A. Hodge. São Paulo, Os Puritanos, 1999, p 447.
19
Ibid., p 445, 446.
Interpretação de Gl 3:26-28 e Ef 4:5
Atentemos agora para alguns comentários a respeito dos textos de (Gl 3:26-28; Ef 4:5) que falam de batismo, e que
nos esclarecem ainda mais o assunto:
1. Texto de (Gl 3:27): “Não deveria nem sequer ser motivo de controvérsia o fato de que “sendo batizados em (união
com) Cristo” significa mais do que ser batizado com água, visto que nem todos os que são objeto da administração
externa deste sacramento realmente se “revestiram de Cristo”.”20
2. Texto de (Gl 3:26-27) comentário: “Será que o tornar-se filho de Deus e o revestir-se de Cristo são resultados
produzidos simplesmente pelo batismo com água? Evidentemente que não! O batismo com água é o símbolo
externo do batismo com o Espírito Santo e deve acompanhá-lo. Percebe-se nesses versículos que a experiência do
batismo com o Espírito Santo está inseparavelmente ligada à regeneração e conversão ou o novo nascimento.”21
3. Texto de (Efésios 4:5): “Claramente, o “um batismo” que nos une a Cristo é ser batizado com o Espírito Santo, pelo
qual um pecador morto é feito vivo quando seu espírito é unido com a Vida do Senhor Ressurrecto, pela
regeneração e renovação do Espírito Santo (Tito 3:5). Este é o verdadeiro batismo com o Espírito que é
absolutamente essencial para a salvação”.22
Como podemos perceber, sem sombra de dúvida os textos não dão base para uma afirmar-se que o batismo com o
Espírito Santo refere-se a uma capacitação de poder posterior. Ou pior ainda, uma capacitação concedida a alguns e não a
outros!
Interpretação de 1Co 12:13
Um texto que precisa de maior atenção de nossa parte é (1Co 12:13). Nesta passagem há duas peculiaridades que
requerem maior atenção: 1- Ele é o único das cartas doutrinárias que falam a respeito de batismo, referindo-se claramente à
ação do Espírito Santo. Nos demais textos das cartas doutrinárias que falam de batismo, não se referindo ao sacramento do
batismo, nós sabemos que se referem à ação do Espírito no indivíduo por meio de conclusão implícita, indireta e dedutiva.
É uma conclusão baseada na analogia das Escrituras e na exegese. O texto de (1Co 12:13) ao contrário, fala explicitamente
da ação do batismo em relação ao Espírito, e não referente ao sacramento; 2- Este texto é o único na Bíblia que é traduzido
tanto por “batismo em Espírito Santo” como por “batismo por Espírito Santo”, trazendo especulações e diferentes
conclusões entre os teólogos quanto à exegese do texto. Por isto ele deve ser tratado com cuidado e esmero. Vamos
caminhar em nossa explicação seguindo dois tópicos: O contexto desta passagem, e a tradução da frase: “em um só
Espírito”.
Quanto ao contexto e propósito do texto
Ao nos depararmos com uma passagem precisamos atentar para o que o autor do texto (no caso deste texto, o
apóstolo Paulo) quis dizer ao escrevê-lo. Ou seja, qual a intenção de Paulo ao dizer o que disse? Por isto é indispensável a
análise do contexto da passagem para entender o significado da frase dentro de toda argumentação que Paulo está fazendo
ao longo do texto.
Para entendermos bem o que Paulo está querendo dizer nesse versículo, precisamos considerar todo o capítulo
12 de 1Coríntios, pois nesse capítulo, Paulo concentra o seu ensino a respeito dos dons espirituais. Seu ponto
alto é que, embora os dons sejam variados, manifestando-se de várias maneiras, há apenas um originador
deles, que é o Espírito Santo, Paulo diz: “Ora os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo” (v.4). Entre os
versículos 8-10 ele exemplifica alguns dons que podem ser dados à igreja visando à edificação, entretanto
enfatiza: “Um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as como lhe apraz, a cada um,
individualmente” (v.11). Ou seja, ele está querendo demonstrar a unidade da igreja em meio à diversidade de
dons, exatamente porque todos esses dons são concedidos pelo mesmo Espírito. É isso que ele enfatiza no
versículo 13 ao dizer algo como: “Somos diferentes tanto em serviços, como em dons e até mesmo em raça,
mas numa coisa todos nós, crentes, somos iguais: todos fomos batizados pelo mesmo Espírito, portanto,
somos um mesmo corpo”. Certamente a referência do apóstolo ao batismo nessa passagem nada tem a ver
com o batismo com água, e nem mesmo com o que aconteceu no dia de Pentecostes, pois nem Paulo nem os
coríntios estavam presentes naquele dia.23
20
HENDRIKSEN, William, Comentário do Novo Testamento - Gálatas. São Paulo, Cultura Cristã, 1999, p 218.
21
SATHLER, Anderson, Dionei Faria, Eneziel Peixoto de Andrade e outros, “O batismo com o Espírito Santo” in Revista Espírito Santo – Sua
Pessoa e Missão. Manhumirim, Didaquê, jul/1993, p 15.
22
STOUT, Stephen O. Um cristão precisa do batismo do Espírito Santo para obter uma vida mais cheia da plenitude do Espírito Santo? Fonte:
http://www.monergismo.com/textos/pneumatologia/batismo_espirito_stout.htm Acessado em 02/08/2008.
23
LIMA, Leandro Antonio de. Razão da Esperança. São Paulo, Cultura Cristã, s/d, p 426-429.
Tendo este entendimento preliminar, devemos entender igualmente que, quando Paulo fala em batismo neste texto,
ele não está se referindo ao sacramento do batismo, mas ao batismo com o Espírito Santo:
Certamente a referência do apóstolo ao batismo nesse texto nada tem a ver com o batismo com água, e nem
mesmo com o que aconteceu no dia de Pentecostes, pois nem Paulo nem os coríntios lá estiveram naquele dia.
Mas, então, quando Paulo e todos os crentes da cidade de Corinto foram batizados? Nenhuma outra resposta
pode ser coerente a não ser: no dia da conversão deles. Não havia duas classes dentro da Igreja de Corinto.
Todos os que pertenciam ao corpo de Cristo foram batizados com o Espírito Santo.24
Na passagem em questão Paulo não fala do sacramento do batismo, cujo elemento é a água, diferente disto, Paulo
está falando de outra coisa. Aqui em “1Co 12:13: o Espírito Santo era o elemento em que eles foram batizados, e o corpo de
Cristo, a igreja, era o lugar em que eles se achavam depois do batismo.”25
Por fim, no contexto em questão Paulo está falando de uma realidade espiritual pela qual todos crente tem
experiência, e não deixa espaço para uma “segunda bênção‟, como os pentecostais afirmam veementemente:
Essas palavras alcançam um círculo que é muito mais amplo do que a comunidade de Corinto e inclui todos
os crentes. Isso significa que todos os verdadeiros crentes em Jesus Cristo foram batizados no Espírito Santo.
O texto ensina que cristãos regenerados são inseridos em um corpo pelo Espírito Santo, mas não diz nada
sobre um batismo subseqüente do Espírito... O fluxo desse versículo insinua que ser batizado significa tornar-
se um membro vivo da Igreja pela conversão. Quando acontece a regeneração espiritual nas pessoas, elas
entram no corpo de Cristo, isto é, a Igreja. Não é a observância exterior do batismo com água, mas a
transformação interior operada pelo Espírito Santo que leva as pessoas a um relacionamento vivo com
Cristo.26
Quanto à tradução da expressão “em um só Espírito”
A segunda questão a ser tratada é sobre a tradução da Expressão “em um só Espírito”. Parece-nos inexpressiva esta
questão à primeira vista, mas ela deve ser levada a serio devido às argumentações que os pentecostais fazem sobre esta frase
tentando justificar sua doutrina. Abaixo colocamos duas explicações que nos mostram o fato de que segundo análise do
texto grego (língua na qual o apóstolo Paulo escreveu as suas cartas) a melhor tradução não é “por Espírito Santo”, mas “em
Espírito Santo”.
1. “Em muitas traduções inglesas parece diferente, pois muitas delas equivalem à RSV, que diz: “Pois por um só
Espírito todos nós fomos batizados em um corpo”. Aqueles que sustentam o ponto de vista pentecostal do batismo
no Espírito Santo depois da conversão concluem rapidamente que esse versículo se refere a alguma outra coisa que
não o batismo no Espírito Santo, e com freqüência enfatizam a diferença que surge das traduções inglesas. Em todos
os outros seis versículos, é Jesus quem batiza as pessoas, e o Espírito Santo é o “elemento” (paralelo à água no
batismo físico) em que ou com que Jesus batiza. Mas aqui em 1Co 12:13 (prossegue a explicação pentecostal)
temos algo bem diferente – aqui a pessoa que batiza não é Jesus, mas o Espírito Santo... É possível sustentar a
posição pentecostal segundo a qual os outros seis versículos referem-se a batismo feito por Jesus em que ele nos
batiza no (ou com o) Espírito Santo, mas 1Co 12:13 se refere a algo diferente, a um batismo pelo Espírito Santo?
Embora a distinção pareça fazer sentido para algumas traduções inglesas, ela não pode ser realmente sustentada por
um exame do texto grego, pois ali a expressão é quase idêntica às expressões que temos visto nos outros seis
versículos. Paulo diz en heni pneumati [...] ebaptisthemen (“em um Espírito [...] fomos batizados”). A não ser por
uma pequena diferença (ele se refere a “um Espírito” em vez de dizer “o Espírito Santo”), todos os demais
elementos são iguais: o verbo é baptizo, e a frase preposicional contém as mesmas palavras (en mais o substantivo
no dativo pneumati). Se traduzimos essa mesma expressão grega por “batizar no Espírito Santo” (ou “batizar com o
Espírito Santo”) nas outras seis passagens do Novo Testamento em que a encontramos, então a única coisa
apropriada é que traduzamos da mesma maneira na sétima passagem.”27
2. “Além do fato de que essa frase grega encontrada em 1Co 12:13 é traduzida de modo que se refere ao batismo no
Espírito Santo em todas as outras seis passagens, existe um argumento gramatical que apóia a tradução “em um só
Espírito todos nós fomos batizados em um corpo”: se Paulo desejasse dizer que fomos batizados pelo Espírito
Santo, poderia ter usado uma expressão diferente. No Novo Testamento, ser batizado “por” alguém é sempre
24
LIMA, Leandro Antonio de. “O Batismo com o Espírito Santo” in Revista – A essência da Fé – Parte 5/ O que a Bíblia ensina sobre o Espírito
Santo. São Paulo, Cultura Cristã, s/d, p 23.
25
GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo, Vida Nova, 1999, p 639.
26
KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento – 1Coríntios. São Paulo, Cultura Cristã, 2004, p 596.
27
GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo, Vida Nova, 1999, p 638.
expresso pela preposição hypo seguido de um substantivo no genitivo. Esse é o modo pelo qual os escritores do
Novo Testamento dizem que o povo era batizado no rio Jordão “por” João Batista (Mt 3:6; Mc 1:5; Lc 3:7) ou que
Jesus foi batizado “por” João (Mt 3:13; Mc 1:9), ou que os fariseus não tinham sido batizados “por” João (Lc 7:30),
ou que João Batista disse a Jesus: “Eu é que preciso ser batizado por ti” (Mt 3:14). Portanto, se Paulo quisesse dizer
que os coríntios tinham sido todos batizados pelo Espírito Santo, ele teria usado hypo mais o genitivo, e não en mais
o dativo. (É comum no Novo Testamento o emprego de hypo mais o genitivo para designar o agente que pratica a
ação expressa por meio de um verbo na voz passiva.).”28
Explicação sobre o evento do batismo com o Espírito Santo
Agora é chegado o momento de entendermos o que aconteceu no livro de Atos dos Apóstolos. Este livro é
praticamente a base das argumentações dos pentecostais e neo-pentecostais com respeito ao chamado “batismo do Espírito
Santo”. Ora, primeiramente devemos declarar que a expressão “batismo do Espírito Santo” é uma expressão utilizada
somente pelos pentecostais, e não pelos escritores da Bíblia. No Novo Testamento existem sete textos que utilizam a
expressão “batismo em (ou com) o Espírito Santo”. São eles: (Mateus 3:11; Marcos 1:8; Lucas 3:16; João 1:33; Atos 1:5;
Atos 11:16; 1Co 12:13). Entretanto, nenhum texto falando de “batismo do Espírito Santo”:
A expressão atual, “batizado com o Espírito Santo”, ocorre somente 7 vezes no Novo Testamento, embora
haja outros versos que estão relacionados ao conceito. Para ser acurado (como alguém sempre dever ser ao
interpretar a Bíblia), a expressão comum “Batismo DO Espírito Santo” nunca é usada na Bíblia. Ela fala do
“batismo DE João” (Mateus 21:25, Marcos 11:30; Lucas 7:29; 20:4, Atos 1:22; 18:25) e descreve-o como “o
batismo de arrependimento” (Marcos 1:4, Lucas 3:3; Atos 13:24; 19:4). Pelo contrário, a cláusula em
discussão sempre usa o verbo “batizar” seguido pela frase preposicional “com o Espírito Santo”.29
Esclarecida esta questão da terminologia equivocada a respeito do batismo em Espírito Santo, prossigamos para a
questão dos eventos relatados em Atos. Neste livro nós encontramos a promessa do batismo com o Espírito Santo sendo
cumprida na vida dos cristãos que estavam no cenáculo (At 2:1-4). Este acontecimento já era esperado, conforme as
profecias de João Batista (Mt 3:11; Mc 1:8) e a promessa feita anteriormente pelo Senhor (At 1:4, 5). Além disto, os
discípulos entenderam que era o cumprimento da profecia de Joel (At 2:16-18) a respeito da vinda do Espírito de forma
ampla sobre o povo de Deus. Porém, não foi só isto que aconteceu durante os primeiros anos da igreja primitiva na era da
nova aliança. “Em outras ocasiões, o batismo com o Espírito ocorreu de forma inesperada, como na casa de Cornélio, e
ainda em outras através da imposição de mãos dos apóstolos.”30
Observe os textos (At 10.44-46; At 8.14-16; 19.6). Apesar
de entender que a profecia de Joel havia se cumprido, eles não haviam compreendido ainda a amplitude da ação do Espírito.
Assim, pessoas que eles não imaginavam que receberiam este dom, receberam. E do modo como eles tiveram que
compreender estes acontecimentos, nós devemos igualmente compreendê-los:
[...] nos derramamentos posteriores, os convertidos samaritanos (At 8), o crentes na casa de Cornélio (At 10) e
os discípulos gentios de João Batistas que viviam em Éfeso (At 19), todos receberam o batismo do Espírito.
Os primeiros crentes não acreditavam que os samaritanos, os prosélitos e os discípulos de João Batista
pudessem ser cristãos. Desta maneira, o batismo do Espírito Santo serviu como confirmação de sua
membresia na Igreja. Visto que cada um desses grupos experimentou o batismo do Espírito Santo da mesma
maneira que os judeus experimentaram no Pentecostes, a inclusão deles na Igreja era inquestionável.31
Como podemos observar, os batismos com o Espírito Santo ocorridos posteriormente no livro de Atos (At 8, 10, 19)
confirmaram a entrada no corpo de Cristo de qualquer pessoa, independente de raça ou procedência:
[...] parece-nos que as experiências narradas em Atos são melhor entendidas à luz do contexto histórico em
que ocorreram, à luz daquele período especial de transição, em que o Evangelho estava se universalizando,
passando dos judeus para os gentios, um processo onde era necessário que manifestações extraordinárias
acompanhassem os diferentes estágios desta transição, como uma forma de autenticação das mesmas.32
28
GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo, Vida Nova, 1999, p 654.
29
STOUT, Stephen O. Um cristão precisa do batismo do Espírito Santo para obter uma vida mais cheia da plenitude do Espírito Santo? Fonte:
http://www.monergismo.com/textos/pneumatologia/batismo_espirito_stout.htm. Acessado em 02/08/2008.
30
Igreja Presbiteriana do Brasil (Comissão Permanente de Doutrina), O Espírito Santo Hoje – Dons de Línguas e Profecia. Carta Pastoral endereçada
aos Concílios e Ministros da Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo, setembro de 1995, p 4, 5.
31
SPROUL, R. C. O Batismo do Espírito Santo. Fonte:
http://www.teuministerio.com.br/BRSPORNDESAGSA/vsItemDisplay.dsp&objectID=B71EA71B-B092-4B0A-
A463377FE3DD5088&method=display Acessado em 11/07/2008.
32
LOPES, Augustus Nicodemus. O debate sobre o Batismo com o Espírito Santo. Fonte: http://www.ipb.org.br/estudos_biblicos/index.php3?id=23
Acessado em 18/07/2009.
Ainda devemos considerar que estes eventos ocorridos em Atos não são normativos para a igreja em todo período
da nova aliança. Estes foram eventos únicos e que estavam atrelados à história da redenção que Deus está levando a efeito.
Nem tudo que Deus fez na história da redenção será realizado novamente; alguns acontecimentos não serão jamais
repetidos:
O nascimento de Jesus foi o primeiro evento histórico da redenção realizado na pessoa de Cristo. O próximo
evento foi sua morte, depois sua ressurreição, por fim sua Ascensão e a descida do Espírito Santo... Assim
como a morte de Jesus e sua ressurreição não podem ser repetidas, também a descida do Espírito Santo não se
repete. Mas como os efeitos da morte e da ressurreição de Jesus, também os efeitos da descida do Espírito
Santo estão presentes em todas as épocas.33
Em resumo, afirmar que o modo como o batismo com o Espírito Santo aconteceu com os discípulos, conforme
registrado no livro de Atos, é repetido de forma idêntica na vida de todos os crentes até os dias de hoje, demonstra uma não
compreensão da história bíblica e das razões específicas que levou Deus a agir como agiu naqueles dias. Para entendermos
por que o batismo com o Espírito Santo aconteceu daquela forma no livro de Atos prestemos atenção nas explicações
abaixo:
1. “Eles receberam essa nova e extraordinária capacitação do Espírito Santo porque viviam na época de transição
entre a obra do Espírito Santo na antiga aliança e a obra do Espírito Santo na nova aliança. Embora aquela fosse
uma “segunda experiência” com o Espírito Santo, que veio bem depois da conversão deles, não deve ser tomada
como padrão para nós, pois não estamos vivendo numa época de transição na obra do Espírito Santo. Hoje não
precisamos nos tornar primeiro crentes com uma obra mais fraca do Espírito Santo, própria da antiga aliança, em
nosso coração e esperar até algum tempo mais tarde receber uma obra do Espírito Santo, pertencente à nova
aliança... os discípulos com certeza experimentaram “um batismo no Espírito Santo” depois da conversão no dia de
Pentecostes, mas isso ocorreu porque estavam vivendo num momento único na história, e, portanto, esse evento na
vida deles não é um padrão que devemos procurar imitar.”34
2. “O dia de Pentecostes foi o ponto de transição entre a obra e ministério do Espírito Santo na antiga aliança e a obra
e ministério do Espírito Santo na nova aliança. Obviamente, o Espírito Santo esteve agindo através de todo o Antigo
Testamento, pairando por sobre as águas no primeiro dia da criação (Gn 1:2), capacitando pessoas para o serviço a
Deus, para liderança e profecia (Ex 31:3; 35:31; Dt 34:9; Jz 14:6; 1Sm 16:13; Sl 51:11, et al.). Mas durante esse
tempo a obra do Espírito Santo na vida de indivíduos era, em geral, realizada com menos poder. Há vários indícios
de uma obra menos poderosa e menos extensa do Espírito Santo na antiga aliança: o Espírito Santo veio só sobre
poucas pessoas com poder expressivo para o ministério (Nm 11:16-17, por exemplo), mas Moisés ansiava pelo
dia em que o Espírito Santo seria derramado sobre todo o povo de Deus: “Tomara todo o povo do SENHOR fosse
profeta, que o SENHOR lhes desse o seu Espírito!” (Nm 11:29). A capacitação do Espírito Santo para ministérios
especiais poderia ser perdida, como aconteceu na vida de Saul (1Sm 16:14), e como Davi receou que poderia
acontecer em sua própria vida (Sl 51:11)... A obra do Espírito Santo na antiga aliança era quase completamente
limitada à nação de Israel, mas na nova aliança é criada uma nova “habitação de Deus” (Ef 2:22), a igreja, que une
gentios e judeus em um só corpo de Cristo. Além disso, o povo de Deus do Antigo Testamento ansiava por uma era
de “nova aliança” em que a obra do Espírito Santo seria muito mais poderosa e muito mais difundida (Nm 11:29; Jr
31:31-33; Ez 36:26-27; Jl 2:28-29).”35
Outra questão que precisa ser lembrada é que os fatos ocorridos em Atos não são normativos para nós. Temos
provado isto pelo fato de que estes eventos foram pontuais na história da redenção (como foi explicado anteriormente
acima), e podemos provar também por meio dos textos doutrinários e normativos. Ou seja, de todos os mandamentos
entregues pelos apóstolos no Novo Testamento, não há nenhum nos ordenando „ser batizados no Espírito Santo‟:
[...] nenhum escritor do Novo Testamento, em lugar algum, manda que o batismo do Espírito Santo seja
buscado. Não há uma única passagem que exorte qualquer cristão a buscar a experiência do batismo com o
Espírito Santo depois da conversão. Isso não acontece porque é entendimento comum dos escritores bíblicos
que todos os crentes já foram batizados. Devemos considerar seriamente que seria um grande lapso esquecer
de mandar os crentes buscarem esse batismo, se de fato ele devesse ser buscado. Porém, não há qualquer
método, ordem, ou mesmo sugestão para buscar ou receber o batismo com o Espírito Santo. O motivo é
simples: ninguém pede ou busca algo que já possui.36
33
LIMA, Leandro Antonio de. “O Batismo com o Espírito Santo” in Revista – A essência da Fé – Parte 5/ O que a Bíblia ensina sobre o Espírito
Santo. São Paulo, Cultura Cristã, s/d, p 20.
34
GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo, Vida Nova, 1999, p 642.
35
Ibid., p 640.
36
LIMA, Leandro Antonio de. Razão da Esperança. São Paulo, Cultura Cristã, s/d, p 426-429.
E ainda:
A Escritura dirige-se a todos os que já são crentes como tendo já sido batizados com o Espírito. Em nenhum
lugar ela encoraja os que já são crentes a buscar esse batismo, quer por preceito, quer por exemplo. Na
expressão "batizar com o Espírito Santo," o verbo ocorre no tempo futuro ("batizará") apenas antes de
Pentecoste, e aponta para aquele evento como o futuro cumprimento da promessa do Antigo Testamento.
Após o Pentecoste, nas cartas escritas pelos apóstolos às comunidades, os crentes são reconhecidos como já
tendo sido batizados com o Espírito.37
Outro fato intrigante e esclarecedor é que apesar de os pentecostais afirmarem que falar em línguas é um sinal do
Batismo com o Espírito Santo, “em nenhum lugar do Novo Testamento as línguas são mencionadas como a evidência
normal do batismo com o Espírito Santo, ou da Sua plenitude, para os crentes, após o Pentecoste.”38
E apesar de falarem
tanto do “fogo do Espírito”, não existe na linguagem bíblica um “batismo de fogo” vindo do Espírito Santo para os crentes:
Portanto, ao invés do “batismo com fogo” ser uma promessa para os crentes, ele é uma frase expressiva dos
terríveis julgamentos que Ele (Jesus) infligiria sobre a nação Judia e sobre todos quantos morressem
impenitentes; quando Ele os condenará pelo pecado de rejeitá-Lo; e quando Ele aparecer como o “fogo do
ourives” e como o “sabão dos lavandeiros” (Malaquias 3.2); quando “o dia do Senhor” vier “ardendo como
forno” (Malaquias 4); quando Ele “limpar o sangue de Jerusalém”, Seu próprio sangue e o sangue dos
Apóstolos e Profetas derramados nela, “do meio dela, com o espírito de justiça e com o espírito de ardor”; o
batismo com fogo é o mesmo que a “ira vindoura”, com a qual os ouvintes de João Batista são ameaçados no
contexto, na ocasião da qual as árvores infrutíferas “serão cortadas e lançadas no fogo” e a “palha” será
queimada com fogo que nunca se apaga. Aqueles que insistem em afirmar que o “batismo com o Espírito
Santo e com fogo” se refere a um só batismo, experimentado pelos crentes, costumam apelas para Atos 2.3
como prova de sua teoria. Contudo, lemos assim nesse verso: “Apareceram línguas como de fogo, pousando
sobre cada um deles”. Note que as línguas eram COMO de fogo e não DE fogo, ou seja, elas tinham apenas
aparência de fogo. Além do mais, não vemos este ato repetido em numa parte da Bíblia. Até mesmo no
batismo de Cornélio e de sua casa, o qual Pedro afirma ser o mesmo fenômeno experimentado por ele e os
outros apóstolos, as “línguas como de fogo” estão ausentes. Poderíamos ainda dizer que se “línguas como de
fogo” fosse cumprimento de “batismo com fogo”, esta promessa não é para nós, visto que ninguém, senão os
120 reunidos no cenáculo no dia de Pentecoste , experimentou isso em toda a história cristã.39
Ao invés de procurar “fogo” ou “línguas” na vida dos crentes como evidência do batismo, o cristão deve entender
quais os sinais apontados pelas Escrituras que demonstram que o indivíduo é salvo, ou seja, que já foi batizado pelo Espírito
Santo:
Qual foi o resultado na vida dos discípulos? Esses crentes, que haviam tido na vida uma experiência da antiga
aliança, menos poderosa, do Espírito Santo, receberam no dia de Pentecostes uma experiência mais poderosa
com o Espírito Santo que passou a atuar na vida deles dentro da nova aliança. Receberam “poder” muito
maior (At 1:8), poder para viver a vida cristã e desempenhar o ministério cristão... Esse poder da nova aliança
deu aos discípulos maior eficiência em seu ministério (At 1:8; Ef 4:8, 11-13), poder muito maior para a vitória
sobre a influência do pecado na vida de todos os crentes (note em Rm 6:11-14; 8:13-14; Gl 2:20; Fp 3:10 a
ênfase no poder da ressurreição de Cristo que opera em nós) e poder para a vitória sobre Satanás e forças
demoníacas que atacariam os crentes (2Co 10:3-4; Ef 1:19-21; 6:10-18; 1Jo 4:4). Esse poder do Espírito Santo
que pertence à nova aliança também resultou numa ampla e até então desconhecida distribuição de dons para
o ministério a todos os crentes (At 2:16-18; 1Co 12:7, 11; 1Pe 4:10; cf. Nm 11:17, 24-29). Esses dons têm
também implicações coletivas porque se pretendia que fossem usados não de maneira individualista, mas sim
para a edificação coletiva do corpo de Cristo (1Co 12:7; 14:12)... O dia de Pentecostes foi sem dúvida um
momento extraordinário de transição em toda a história da redenção registrada nas Escrituras. Foi um dia
singular na história do mundo, porque naquele dia o Espírito Santo começou a atuar entre o povo de Deus com
o poder da nova aliança.40
37
Igreja Presbiteriana do Brasil (Comissão Permanente de Doutrina), O Espírito Santo Hoje – Dons de Línguas e Profecia. Carta Pastoral endereçada
aos Concílios e Ministros da Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo, setembro de 1995, p 5.
38
Ibid., p 9.
39
NETO, Felipe Sabino de Araújo, Batismo com o Espírito Santo e com fogo. Fonte: http://www.monergismo.com/?=1101 Acessado em
13/07/2009.
40
GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo, Vida Nova, 1999, p 641.

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  • 1. BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO Introdução Dentre os assuntos polêmicos presentes na cristandade de hoje está o batismo com o Espírito Santo. A Igreja havia caminhado uniformemente em relação a esta doutrina, até que no início do século XX, dá-se o surgimento dos cristãos denominados pentecostais, que trouxeram consigo uma nova interpretação da ação do Espírito Santo em relação ao batismo. Devido à sua proliferação de idéias também dentro das chamadas igrejas tradicionais, e até mesmo dentro das igrejas reformadas, faz-se necessário entender melhor o assunto. Interpretação pentecostal e neo-pentecostal Em muitas igrejas presbiterianas da nossa denominação é comum as pessoas rejeitarem o pentecostalismo sem ao menos saber exatamente o que significa e em que implica a doutrina defendida por eles. Na verdade muitos presbiterianos os consideram errados na doutrina, mas não sabem explicar por quê! Afinal de contas, o que pensam os pentecostais? Aliás, porque são chamados de “pentecostais”? Vejamos a explicação abaixo: Esse termo “pentecostal” é tirado do episódio que ocorreu no dia de Pentecostes em Jerusalém quando os discípulos do Senhor Jesus foram batizados com o Espírito Santo. Os pentecostais dizem que tiveram uma experiência igual àquela. Eles raciocinam: os discípulos eram crentes, mas receberam o batismo depois, e falaram em línguas, então, há uma conversão operada pelo Espírito Santo, mas o batismo é uma segunda bênção, ou uma segunda experiência, uma experiência pós-conversão. Dessa forma, para o pentecostalismo, há duas classes de crentes dentro da Igreja, os que já chegaram lá e os que ainda não conseguiram. Quem já foi batizado faz parte da elite dos crentes, enquanto que quem não foi batizado faz parte de uma categoria inferior. Estes últimos, freqüentemente, recebem alguma discriminação por parte dos mais “adiantados”, e se vêem ameaçados pela pergunta tradicional destes irmãos: “você ainda não foi batizado no Espírito Santo?”.1 Como podemos perceber, “os pentecostais apontam para o padrão no livro de Atos, onde os crentes (os quais experimentaram a obra regeneradora do Espírito Santo antes do dia de Pentecostes) foram cheios do Espírito Santo e falaram em línguas. Este padrão bíblico, que inclui um lapso de tempo entre a conversão e o batismo do Espírito, é usado então como norma para todas as épocas.”2 Entretanto, devemos perceber ainda que há uma mudança na terminologia utilizada pelos pentecostais em relação a esta ação específica do Espírito Santo. O termo, que outrora era denominado de “batismo em (ou com) o Espírito Santo” começou a ser denominado de “batismo do Espírito Santo”; e o que significava este batismo também foi reinterpretado: Nos debates atuais, no entanto, uma frase um pouco diferente, “o batismo do Espírito”, substituiu as frases bíblicas, especialmente nos círculos pentecostais e carismáticos. No seu uso mais comum, esta nova expressão tende a colocar menos ênfase na habitação do Espírito em nós, com a iluminação da nossa mente (Jo 14: 26; 16:8-15), no aperfeiçoamento do nosso caráter (o fruto do Espírito, Gl 5:22,23; o amor, 1Co 12:27-13:13) e nos dons de paz, poder e alegria que o Espírito outorga. Ao invés disto, embora não negue estas coisas, a frase veio a associar-se especificamente com a dotação inicial e contínua de indivíduos, mediante o Espírito, de poderes miraculosos, dons, capacidades, recursos emocionais, manifestados na cura divina, no falar em outras línguas, na profecia, na liderança, na emoção exuberante, e em outras formas de capacitação para o serviço cristão.3 Apesar de muitos pentecostais brasileiros afirmarem que falar em línguas é o sinal inequívoco do “batismo do Espírito Santo”, todavia, nem todos os que crêem na doutrina do “batismo do Espírito Santo” estão unânimes a este respeito. “Os carismáticos estão divididos entre eles mesmos quanto à questão, se falar em línguas é um sinal necessário ou uma manifestação do "batismo".”4 1 LIMA, Leandro Antônio de. “O Batismo com o Espírito Santo” in Revista – A essência da Fé – Parte 5/ O que a Bíblia ensina sobre o Espírito Santo. São Paulo, Cultura Cristã, s/d, p 20. 2 SPROUL, R. C. O Batismo do Espírito Santo. Fonte: http://www.teuministerio.com.br/BRSPORNDESAGSA/vsItemDisplay.dsp&objectID=B71EA71B-B092-4B0A- A463377FE3DD5088&method=display Acessado em 11/07/2008. 3 WHITE, R. E. O. “Batismo no Espírito” in Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Walter A. Elwell, editor. São Paulo, Vida Nova, 2009, p 154, 155. 4 SPROUL, R. C. O Batismo do Espírito Santo. Fonte: http://www.teuministerio.com.br/BRSPORNDESAGSA/vsItemDisplay.dsp&objectID=B71EA71B-B092-4B0A- A463377FE3DD5088&method=display Acessado em 11/07/2008.
  • 2. Conceito de Batismo com o Espírito Santo Ora, para que possamos entender o assunto de forma clara e inequívoca, precisamos primeiramente tirar nossas dúvidas sobre o que é o batismo com o Espírito Santo, e então, a partir daí, continuar a explicar o que ensina as Escrituras sobre o tema. Colocamos abaixo várias explicações a respeito do batismo com o Espírito Santo, e nelas grifamos (em negrito e itálico) o que quer dizer este batismo: 1. “Visto que para o judaísmo, para João Batista e para a igreja apostólica, o batismo na água era um rito de iniciação para alguém se afiliar ao povo de Deus, a experiência inicial de habitação e revestimento do Espírito na pessoa veio a ser chamada de um “batismo no” ou “com” o Espírito Santo.”5 2. “O batismo com o Espírito Santo não é uma segunda bênção, é, sim a primeira bênção, a regeneração, o novo nascimento (Jo 3:5, 6). Sem o derramar do Espírito não há mudança de vida.”6 3. “A Escritura ensina que a experiência normal do batismo com o Espírito Santo coincide com a regeneração- conversão, e que são selados por este mesmo Espírito todos os que crêem genuinamente em Cristo Jesus. Portanto, o batismo com o Espírito Santo, indispensável para a genuína regeneração-conversão, não se confunde com a chamada "segunda bênção," referente ao derramamento do Espírito no livro dos Atos dos Apóstolos. Antes, é a graça vitalizadora e capacitadora disponível a todos os crentes, e não apenas a alguns. Acresce que a indizível bênção da regeneração-conversão de modo algum é inferior à chamada “segunda bênção.” Portanto, a recepção inicial de Cristo, pela fé, está associada ao batismo com o Espírito Santo.”7 4. “Que devemos dizer sobre a frase “batismo no Espírito Santo”? É uma frase que os autores do Novo Testamento usam para falar sobre a vinda do poder do Espírito Santo da nova aliança. Isso ocorreu no Pentecostes com os discípulos, mas ocorreu no momento da conversão com os coríntios e também conosco. Não é uma frase que os autores do Novo Testamento teriam usado para falar de alguma experiência pós-conversão de capacitação pelo Espírito Santo”.8 5. “... no que concerne ao apóstolo Paulo, o batismo no Espírito Santo ocorria no momento da conversão. Ele diz que todos os coríntios foram batizados no Espírito Santo e, como resultado, tornaram-se membros do corpo de Cristo: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo” (1Co 12:13). “Batismo no Espírito Santo”, portanto, deve-se referir à atividade do Espírito Santo no início da vida cristã quando ele nos dá nova vida espiritual (na regeneração), além de nos purificar e conceder um claro rompimento com o poder do pecado e o amor por ele (o estágio inicial da santificação). Nesse sentido, “batismo no Espírito Santo” refere-se a tudo aquilo que o Espírito Santo faz no início de nossa vida cristã. Mas isso significa que não pode designar uma experiência depois da conversão, como a interpretação pentecostal o considera.”9 6. “Os cristãos tornam-se membros deste corpo pelo batismo: eles são batizados em um corpo. O rito exterior é de instituição divina, significativo do novo nascimento, chamado por essa razão de “lavagem da regeneração” (Tt 3:5). Mas é pelo Espírito, pela renovação do Espírito Santo, que nós somos feitos membros do corpo de Cristo. É a operação do Espírito, representada pela ministração exterior, que nos faz membros.”10 Em resumo, podemos dizer que: “O batismo do Espírito ocorre na conversão, quando o Espírito entra no pecador que crê e lhe dá nova vida, fazendo de seu corpo o templo de Deus. Todos os cristãos experimentaram esse batismo definitivo (1Co 12:13)... Ser batizados pelo Espírito significa que pertencemos ao corpo de Cristo.”11 E ainda: “Esse batismo torna-se pessoal quando o pecador aceita a Cristo e o Espírito passa a habitar dentro dele, inserindo-o no corpo de Cristo. O batismo do Espírito significa que passamos a pertencer ao corpo de Cristo.”12 Ainda podemos entender melhor o que é o batismo com o Espírito Santo observando o significado do batismo em água, ou seja, o que o sacramento quer nos mostrar como verdade interior e espiritual: 1. “Algumas vezes quando o Novo Testamento usa a palavra batismo, ele está se referindo ao sacramento ou ritual: o que poderíamos chamar de batismo com água (Mt. 3:7; Mt. 28:19; Atos 2:38, 41; 1Co. 10:2). O 5 WHITE, R. E. O. “Batismo no Espírito” in Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Walter A. Elwell, editor. São Paulo, Vida Nova, 2009, p 154. 6 SATHLER, Anderson; Dionei Faria, Eneziel Peixoto de Andrade e outros, “O batismo com o Espírito Santo” in Revista Espírito Santo –Sua Pessoa e Missão. Manhumirim, Didaquê, jul/1993, p 15. 7 Igreja Presbiteriana do Brasil (Comissão Permanente de Doutrina), O Espírito Santo Hoje – Dons de Línguas e Profecia. Carta Pastoral endereçada aos Concílios e Ministros da Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo, setembro de 1995, p 4. 8 GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo, Vida Nova, 1999, p 642. 9 Ibid., p 639. 10 Matthew Henry, Comentário Bíblico – Novo Testamento (Atos-Apocalipse). Rio de Janeiro, CPAD, 2008, p 481. 11 WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo - Novo Testamento. Volume 1. Santo André, Geográfica Editora, 2006, p 797. 12 WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo - Novo Testamento. Volume 2. Santo André, Geográfica Editora, 2006, p 62.
  • 3. batismo com água na verdade não é batismo, propriamente falando, mas o sinal do batismo, um símbolo apontando para uma realidade invisível e espiritual. Em distinção do símbolo ou sinal, a realidade do batismo é o lavar dos pecados pelo sangue e Espírito de Jesus Cristo. Essa é a realidade da qual o batismo com água é apenas uma figura... A diferença entre sinal e realidade é evidente no fato que nem todos os que são batizados com água recebem a realidade do batismo. Nem todos os que permanecem sem serem batizamos com água perdem por causa disso a realidade espiritual do batismo, pela qual somos salvos. Todavia, os dois estão relacionados. O primeiro é o sinal ou figura do outro, e isso não pode ser esquecido. ”13 2. “Todos concordariam, estamos certos, que a água do batismo simboliza o sangue de Cristo, e que a aplicação da água (por ora, deixamos de lado a questão de como ela é aplicada) representa o lavar dos pecados pelo sangue precioso de Cristo. Em outras palavras, o batismo representa a aplicação da salvação na justificação (a remoção da culpa dos nossos pecados) e santificação (a remoção da sujeira e poluição dos nossos pecados). Portanto, ele representa o perdão dos nossos pecados quando recebemos tal perdão em nossa justificação e através da fé, como também a obra de Deus pela qual somos feitos santos na regeneração e santificação. Enquanto o batismo representa a aplicação da salvação – o lavar dos nossos pecados na justificação e santificação – a água representa não somente o sangue de Cristo, mas também o Espírito de Cristo. Ele é aquele em quem e por quem somos lavados (batizados), tanto para remissão como para a purificação dos nossos pecados. Esta é a razão pela qual a Escritura descreve o dom do Espírito como um batismo (Mt. 3:11; Atos 1:5; Atos 11:16; 1Co. 12:13). Ele é um batismo, por nenhuma outra razão senão a de que o Espírito tem uma função importante na purificação do pecado. Ele é aquele que aplica em nós o sangue de Cristo, tanto para nossa justificação como para a nossa santificação, e visto que ele faz isto dando-nos ele mesmo, podemos ser ditos como tendo sido batizados não somente no sangue, mas também em ou com o Espírito quando somos salvos. Isto tem muitas conseqüências importantes. Primeiramente, ela é uma resposta ao erro do Pentecostalismo, que ensina que o batismo no Espírito é algo adicional ou subseqüente à salvação. O batismo no ou com o Espírito não é outra coisa senão a salvação. Isso é claro a partir da Escritura (Atos 2:38, 39; Rm. 5:1-5; Rm. 8:9; 1Co. 12:13 comparado com João 7:37-39; Gl. 3:2; Ef. 1:13, 14).”14 3. “Stott conclui que o batismo com o Espírito Santo não é uma segunda experiência, nem uma experiência subseqüente desfrutada somente por alguns cristãos, mas a experiência inicial desfrutada por todos. Ou seja, o batismo com o Espírito é o mesmo que conversão. No seu recente comentário em Atos, Stott procura deixar claro que não nega que haja experiências mais profundas e mais ricas após a conversão. Porém, ele rejeita a idéia de que tais coisas possam ser chamadas de "batismo com o Espírito", uma terminologia que ele reserva apenas para a conversão, a obra inicial do Espírito no crente. É importante notar que, para ele, as passagens nos Evangelhos e em Atos devem ser interpretadas à luz da passagem de Corintios, e portanto, devem se referir à conversão, quando o crente recebe tudo o que lhe é dado receber do Espírito.”15 Atentemos para a explicação sobre o Batismo que é bastante interessante e esclarecedora: Ele então defende esse ponto com o argumento de que em qualquer tipo de batismo existem quatro partes: (1) o sujeito, que é o batizador, (2) o objeto, que é a pessoa sendo batizada, (3) o elemento em, ou no qual a pessoa é batizada, e (4) o propósito com o qual o batismo é realizado. Como exemplo, ele cita o "batismo" dos israelitas no Mar Vermelho (cf. 1 Co 10.1-2). Deus foi o batizador, os israelitas foram os batizandos, o elemento em que foram batizados foi água, ou vapor que caia das nuvens, e o propósito é indicado pela expressão "batizados em Moisés", isto é, para um relacionamento com Moisés como o líder apontado por Deus. O batismo de João, igualmente, tem quatro partes: João (o sujeito) batizou as multidões que vinham de Jerusalém e regiões circunvizinhas (os batizandos) nas águas do Rio Jordão (elemento) para arrependimento e, portanto, remissão de pecados, cf. Mt 3.5,11. O batismo cristão é similar, continua Stott. O pastor (sujeito) batiza o candidato (objeto) na, ou com, água (elemento), e o batismo é, "para" o nome da Trindade, ou mais especificamente, para o nome de Cristo (Mt 28.19; At 8.16). O batismo do Espírito não é exceção a esta regra, conclui Stott. Se colocarmos as sete referências juntas, verificaremos que Jesus Cristo é o batizador (sujeito), todos os crentes (1 Co 12.13) são os batizandos (objeto), o Espírito Santo é o "elemento" com o qual somos batizados, e o propósito é a incorporação do crente no corpo de Cristo... Ele ainda argumenta que, se o Espírito é quem batiza em 1 Co 12.13, então, onde está o elemento com o qual ele batiza? Stott considera a falta de resposta a esta pergunta como sendo conclusiva de que sua interpretação é a correta, já que a metáfora 13 HANKO, Ronald. Doctrine according to Godliness. Reformed Free Publishing Association, p 259-60. 14 Ibid., p 258-59. 15 LOPES, Augustus Nicodemus. O debate sobre o Batismo com o Espírito Santo. Fonte: http://www.ipb.org.br/estudos_biblicos/index.php3?id=23 Acessado em 18/07/2009.
  • 4. do batismo requer um elemento. De outra forma, "batismo não é batismo". Ele conclui que 1 Co 12.13 refere- se a Cristo batizando com o Espírito Santo, e nos fazendo beber do Espírito, e que "todos nós" temos participado desta bênção (cf. Jo 7.37-39).16 Seguindo esta mesma linha de raciocínio, nos voltemos agora para o que dizem os nossos textos Confessionais - Catecismo Maior e Catecismo Menor de Westminster. Neles não temos definições a respeito do batismo com o Espírito Santo visto que este assunto não era motivo de debate na época da construção destes documentos. Contudo, apontamos para a explanação que eles fizeram a respeito do sacramento do batismo. Ao explicar o significado deste sacramento os puritanos são claros. Ora, o sacramento aponta para uma realidade espiritual, e, portanto, observando o que eles dizem a respeito do significado do sacramento do batismo, teremos a idéia do que eles diziam a respeito da coisa significada, ou seja, do batismo com o Espírito Santo. Vejamos abaixo a explicação deles (grifamos em itálico o significado espiritual que aponta para o batismo com o Espírito): 1. Catecismo Maior de Westminster Pergunta 165 - O que é Batismo? “Batismo é um sacramento no Novo Testamento no qual Cristo ordenou a lavagem com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, para ser um sinal e selo de nos unir a si mesmo, da remissão de pecados pelo seu sangue e da regeneração pelo seu Espírito; da adoção e ressurreição para a vida eterna; e por ele os batizandos são solenemente admitidos à Igreja visível e entram em um comprometimento público, professando pertencer inteira e unicamente ao Senhor.” (Mt 28:19; Mc 1:4; Jo 3:5; I Co 15:29; Rm 6:3,4;Gl 3:27; Gl 3:26,27; At 2:41;22:16; Tt 3:5; Ap 1:5) 2. Catecismo Menor de Westminster Pergunta 94 - O que é Batismo? “Batismo é um sacramento no qual o lavar com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo significa e sela a nossa união com Cristo, a participação das bênçãos do pacto da graça, e a promessa de pertencermos ao Senhor.” (Veja-se Mt 28.19, citado na questão acima; Gl 3.27; Rm 6.3; Rm 6.4) Observemos estas outras explicações a respeito do significado do sacramento do batismo (grifamos em itálico o significado espiritual que aponta para o batismo com o Espírito): 1. “Qual é o significado essencial do batismo? O batismo significa em essência a união com Cristo e por isso representa de modo geral todos os benefícios que Cristo traz ao Seu povo. Há ainda certos benefícios de Cristo que o batismo representa de modo mais particular e direto, especialmente a purificação dos nossos pecados e o novo nascimento pelo poder do Espírito Santo.”17 2. “A partir dessa relação espiritual, ou união sacramental entre o sinal e a graça significada, a qual temos assim explicado fazendo uso de linguagem natural e legítima, um é posto em lugar do outro, e tudo quanto procede da graça significada é asseverado do sinal que o manifesta. E assim, comer o pão e beber o vinho, na Ceia do Senhor, é comer a carne e beber o sangue de Cristo; ou seja, é participar da virtude sacrificial de sua morte. E tudo quanto procede do Batismo com o Espírito Santo é atribuído ao Batismo com água. Ananias disse a Paulo: “Levanta-te e sê batizado, e lava os teus pecados.” At 26:16. “Cristo se deu pela Igreja, para a santificar e a purificar com a lavagem de água pela Palavra.” Ef 5:26. “Arrependei-vos, e que cada um de vós seja batizado no nome de Jesus Cristo para a remissão de pecados.” At 2:38. Por isso os romanistas e ritualistas inferem que o sinal é inseparável da graça significada, e que esses efeitos espirituais são devidos à ordenança externa. Daí a doutrina da regeneração batismal. Deve observar-se porém, que as Escrituras não asseveram esses atributos espirituais da água do batismo considerada em si mesma, mas da água do batismo como sinal ou emblema do batismo pelo Espírito Santo. Esses atributos espirituais pertencem somente ao batismo pelo Espírito, e só acompanham o sinal quando ele é acompanhado por aquilo que ele significa.”18 3. “A água aplicada no nome do Deus Triúno à pessoa do batizando. A graça interior, espiritual, significada pelo sinal é - a. Primariamente, a purificação espiritual pelo poder imediato e pessoal do Espírito Santo na alma; e então, b. Conseqüentemente, a habitação do Espírito Santo, resultando na união do batizando com Cristo, então a regeneração, a justificação, a santificação, a perseverança até ao fim, a glorificação etc. – isto é, todos os benefícios do novo pacto... A adequação natural do sinal para simbolizar a graça significada, quando lavar com água simboliza a purificação espiritual efetuada pelo Espírito Santo.”19 16 LOPES, Augustus Nicodemus. O debate sobre o Batismo com o Espírito Santo. Fonte: http://www.ipb.org.br/estudos_biblicos/index.php3?id=23 Acessado em 18/07/2009. 17 VOS, Johannes Geerhardus. Catecismo Maior de Westminster Comentado - Johannes Geerhardus Vos. São Paulo, Os Puritanos, 2007, p 533. 18 HODGE, A. A. Confissão de Fé Westminster comentada por A. A. Hodge. São Paulo, Os Puritanos, 1999, p 447. 19 Ibid., p 445, 446.
  • 5. Interpretação de Gl 3:26-28 e Ef 4:5 Atentemos agora para alguns comentários a respeito dos textos de (Gl 3:26-28; Ef 4:5) que falam de batismo, e que nos esclarecem ainda mais o assunto: 1. Texto de (Gl 3:27): “Não deveria nem sequer ser motivo de controvérsia o fato de que “sendo batizados em (união com) Cristo” significa mais do que ser batizado com água, visto que nem todos os que são objeto da administração externa deste sacramento realmente se “revestiram de Cristo”.”20 2. Texto de (Gl 3:26-27) comentário: “Será que o tornar-se filho de Deus e o revestir-se de Cristo são resultados produzidos simplesmente pelo batismo com água? Evidentemente que não! O batismo com água é o símbolo externo do batismo com o Espírito Santo e deve acompanhá-lo. Percebe-se nesses versículos que a experiência do batismo com o Espírito Santo está inseparavelmente ligada à regeneração e conversão ou o novo nascimento.”21 3. Texto de (Efésios 4:5): “Claramente, o “um batismo” que nos une a Cristo é ser batizado com o Espírito Santo, pelo qual um pecador morto é feito vivo quando seu espírito é unido com a Vida do Senhor Ressurrecto, pela regeneração e renovação do Espírito Santo (Tito 3:5). Este é o verdadeiro batismo com o Espírito que é absolutamente essencial para a salvação”.22 Como podemos perceber, sem sombra de dúvida os textos não dão base para uma afirmar-se que o batismo com o Espírito Santo refere-se a uma capacitação de poder posterior. Ou pior ainda, uma capacitação concedida a alguns e não a outros! Interpretação de 1Co 12:13 Um texto que precisa de maior atenção de nossa parte é (1Co 12:13). Nesta passagem há duas peculiaridades que requerem maior atenção: 1- Ele é o único das cartas doutrinárias que falam a respeito de batismo, referindo-se claramente à ação do Espírito Santo. Nos demais textos das cartas doutrinárias que falam de batismo, não se referindo ao sacramento do batismo, nós sabemos que se referem à ação do Espírito no indivíduo por meio de conclusão implícita, indireta e dedutiva. É uma conclusão baseada na analogia das Escrituras e na exegese. O texto de (1Co 12:13) ao contrário, fala explicitamente da ação do batismo em relação ao Espírito, e não referente ao sacramento; 2- Este texto é o único na Bíblia que é traduzido tanto por “batismo em Espírito Santo” como por “batismo por Espírito Santo”, trazendo especulações e diferentes conclusões entre os teólogos quanto à exegese do texto. Por isto ele deve ser tratado com cuidado e esmero. Vamos caminhar em nossa explicação seguindo dois tópicos: O contexto desta passagem, e a tradução da frase: “em um só Espírito”. Quanto ao contexto e propósito do texto Ao nos depararmos com uma passagem precisamos atentar para o que o autor do texto (no caso deste texto, o apóstolo Paulo) quis dizer ao escrevê-lo. Ou seja, qual a intenção de Paulo ao dizer o que disse? Por isto é indispensável a análise do contexto da passagem para entender o significado da frase dentro de toda argumentação que Paulo está fazendo ao longo do texto. Para entendermos bem o que Paulo está querendo dizer nesse versículo, precisamos considerar todo o capítulo 12 de 1Coríntios, pois nesse capítulo, Paulo concentra o seu ensino a respeito dos dons espirituais. Seu ponto alto é que, embora os dons sejam variados, manifestando-se de várias maneiras, há apenas um originador deles, que é o Espírito Santo, Paulo diz: “Ora os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo” (v.4). Entre os versículos 8-10 ele exemplifica alguns dons que podem ser dados à igreja visando à edificação, entretanto enfatiza: “Um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as como lhe apraz, a cada um, individualmente” (v.11). Ou seja, ele está querendo demonstrar a unidade da igreja em meio à diversidade de dons, exatamente porque todos esses dons são concedidos pelo mesmo Espírito. É isso que ele enfatiza no versículo 13 ao dizer algo como: “Somos diferentes tanto em serviços, como em dons e até mesmo em raça, mas numa coisa todos nós, crentes, somos iguais: todos fomos batizados pelo mesmo Espírito, portanto, somos um mesmo corpo”. Certamente a referência do apóstolo ao batismo nessa passagem nada tem a ver com o batismo com água, e nem mesmo com o que aconteceu no dia de Pentecostes, pois nem Paulo nem os coríntios estavam presentes naquele dia.23 20 HENDRIKSEN, William, Comentário do Novo Testamento - Gálatas. São Paulo, Cultura Cristã, 1999, p 218. 21 SATHLER, Anderson, Dionei Faria, Eneziel Peixoto de Andrade e outros, “O batismo com o Espírito Santo” in Revista Espírito Santo – Sua Pessoa e Missão. Manhumirim, Didaquê, jul/1993, p 15. 22 STOUT, Stephen O. Um cristão precisa do batismo do Espírito Santo para obter uma vida mais cheia da plenitude do Espírito Santo? Fonte: http://www.monergismo.com/textos/pneumatologia/batismo_espirito_stout.htm Acessado em 02/08/2008. 23 LIMA, Leandro Antonio de. Razão da Esperança. São Paulo, Cultura Cristã, s/d, p 426-429.
  • 6. Tendo este entendimento preliminar, devemos entender igualmente que, quando Paulo fala em batismo neste texto, ele não está se referindo ao sacramento do batismo, mas ao batismo com o Espírito Santo: Certamente a referência do apóstolo ao batismo nesse texto nada tem a ver com o batismo com água, e nem mesmo com o que aconteceu no dia de Pentecostes, pois nem Paulo nem os coríntios lá estiveram naquele dia. Mas, então, quando Paulo e todos os crentes da cidade de Corinto foram batizados? Nenhuma outra resposta pode ser coerente a não ser: no dia da conversão deles. Não havia duas classes dentro da Igreja de Corinto. Todos os que pertenciam ao corpo de Cristo foram batizados com o Espírito Santo.24 Na passagem em questão Paulo não fala do sacramento do batismo, cujo elemento é a água, diferente disto, Paulo está falando de outra coisa. Aqui em “1Co 12:13: o Espírito Santo era o elemento em que eles foram batizados, e o corpo de Cristo, a igreja, era o lugar em que eles se achavam depois do batismo.”25 Por fim, no contexto em questão Paulo está falando de uma realidade espiritual pela qual todos crente tem experiência, e não deixa espaço para uma “segunda bênção‟, como os pentecostais afirmam veementemente: Essas palavras alcançam um círculo que é muito mais amplo do que a comunidade de Corinto e inclui todos os crentes. Isso significa que todos os verdadeiros crentes em Jesus Cristo foram batizados no Espírito Santo. O texto ensina que cristãos regenerados são inseridos em um corpo pelo Espírito Santo, mas não diz nada sobre um batismo subseqüente do Espírito... O fluxo desse versículo insinua que ser batizado significa tornar- se um membro vivo da Igreja pela conversão. Quando acontece a regeneração espiritual nas pessoas, elas entram no corpo de Cristo, isto é, a Igreja. Não é a observância exterior do batismo com água, mas a transformação interior operada pelo Espírito Santo que leva as pessoas a um relacionamento vivo com Cristo.26 Quanto à tradução da expressão “em um só Espírito” A segunda questão a ser tratada é sobre a tradução da Expressão “em um só Espírito”. Parece-nos inexpressiva esta questão à primeira vista, mas ela deve ser levada a serio devido às argumentações que os pentecostais fazem sobre esta frase tentando justificar sua doutrina. Abaixo colocamos duas explicações que nos mostram o fato de que segundo análise do texto grego (língua na qual o apóstolo Paulo escreveu as suas cartas) a melhor tradução não é “por Espírito Santo”, mas “em Espírito Santo”. 1. “Em muitas traduções inglesas parece diferente, pois muitas delas equivalem à RSV, que diz: “Pois por um só Espírito todos nós fomos batizados em um corpo”. Aqueles que sustentam o ponto de vista pentecostal do batismo no Espírito Santo depois da conversão concluem rapidamente que esse versículo se refere a alguma outra coisa que não o batismo no Espírito Santo, e com freqüência enfatizam a diferença que surge das traduções inglesas. Em todos os outros seis versículos, é Jesus quem batiza as pessoas, e o Espírito Santo é o “elemento” (paralelo à água no batismo físico) em que ou com que Jesus batiza. Mas aqui em 1Co 12:13 (prossegue a explicação pentecostal) temos algo bem diferente – aqui a pessoa que batiza não é Jesus, mas o Espírito Santo... É possível sustentar a posição pentecostal segundo a qual os outros seis versículos referem-se a batismo feito por Jesus em que ele nos batiza no (ou com o) Espírito Santo, mas 1Co 12:13 se refere a algo diferente, a um batismo pelo Espírito Santo? Embora a distinção pareça fazer sentido para algumas traduções inglesas, ela não pode ser realmente sustentada por um exame do texto grego, pois ali a expressão é quase idêntica às expressões que temos visto nos outros seis versículos. Paulo diz en heni pneumati [...] ebaptisthemen (“em um Espírito [...] fomos batizados”). A não ser por uma pequena diferença (ele se refere a “um Espírito” em vez de dizer “o Espírito Santo”), todos os demais elementos são iguais: o verbo é baptizo, e a frase preposicional contém as mesmas palavras (en mais o substantivo no dativo pneumati). Se traduzimos essa mesma expressão grega por “batizar no Espírito Santo” (ou “batizar com o Espírito Santo”) nas outras seis passagens do Novo Testamento em que a encontramos, então a única coisa apropriada é que traduzamos da mesma maneira na sétima passagem.”27 2. “Além do fato de que essa frase grega encontrada em 1Co 12:13 é traduzida de modo que se refere ao batismo no Espírito Santo em todas as outras seis passagens, existe um argumento gramatical que apóia a tradução “em um só Espírito todos nós fomos batizados em um corpo”: se Paulo desejasse dizer que fomos batizados pelo Espírito Santo, poderia ter usado uma expressão diferente. No Novo Testamento, ser batizado “por” alguém é sempre 24 LIMA, Leandro Antonio de. “O Batismo com o Espírito Santo” in Revista – A essência da Fé – Parte 5/ O que a Bíblia ensina sobre o Espírito Santo. São Paulo, Cultura Cristã, s/d, p 23. 25 GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo, Vida Nova, 1999, p 639. 26 KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento – 1Coríntios. São Paulo, Cultura Cristã, 2004, p 596. 27 GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo, Vida Nova, 1999, p 638.
  • 7. expresso pela preposição hypo seguido de um substantivo no genitivo. Esse é o modo pelo qual os escritores do Novo Testamento dizem que o povo era batizado no rio Jordão “por” João Batista (Mt 3:6; Mc 1:5; Lc 3:7) ou que Jesus foi batizado “por” João (Mt 3:13; Mc 1:9), ou que os fariseus não tinham sido batizados “por” João (Lc 7:30), ou que João Batista disse a Jesus: “Eu é que preciso ser batizado por ti” (Mt 3:14). Portanto, se Paulo quisesse dizer que os coríntios tinham sido todos batizados pelo Espírito Santo, ele teria usado hypo mais o genitivo, e não en mais o dativo. (É comum no Novo Testamento o emprego de hypo mais o genitivo para designar o agente que pratica a ação expressa por meio de um verbo na voz passiva.).”28 Explicação sobre o evento do batismo com o Espírito Santo Agora é chegado o momento de entendermos o que aconteceu no livro de Atos dos Apóstolos. Este livro é praticamente a base das argumentações dos pentecostais e neo-pentecostais com respeito ao chamado “batismo do Espírito Santo”. Ora, primeiramente devemos declarar que a expressão “batismo do Espírito Santo” é uma expressão utilizada somente pelos pentecostais, e não pelos escritores da Bíblia. No Novo Testamento existem sete textos que utilizam a expressão “batismo em (ou com) o Espírito Santo”. São eles: (Mateus 3:11; Marcos 1:8; Lucas 3:16; João 1:33; Atos 1:5; Atos 11:16; 1Co 12:13). Entretanto, nenhum texto falando de “batismo do Espírito Santo”: A expressão atual, “batizado com o Espírito Santo”, ocorre somente 7 vezes no Novo Testamento, embora haja outros versos que estão relacionados ao conceito. Para ser acurado (como alguém sempre dever ser ao interpretar a Bíblia), a expressão comum “Batismo DO Espírito Santo” nunca é usada na Bíblia. Ela fala do “batismo DE João” (Mateus 21:25, Marcos 11:30; Lucas 7:29; 20:4, Atos 1:22; 18:25) e descreve-o como “o batismo de arrependimento” (Marcos 1:4, Lucas 3:3; Atos 13:24; 19:4). Pelo contrário, a cláusula em discussão sempre usa o verbo “batizar” seguido pela frase preposicional “com o Espírito Santo”.29 Esclarecida esta questão da terminologia equivocada a respeito do batismo em Espírito Santo, prossigamos para a questão dos eventos relatados em Atos. Neste livro nós encontramos a promessa do batismo com o Espírito Santo sendo cumprida na vida dos cristãos que estavam no cenáculo (At 2:1-4). Este acontecimento já era esperado, conforme as profecias de João Batista (Mt 3:11; Mc 1:8) e a promessa feita anteriormente pelo Senhor (At 1:4, 5). Além disto, os discípulos entenderam que era o cumprimento da profecia de Joel (At 2:16-18) a respeito da vinda do Espírito de forma ampla sobre o povo de Deus. Porém, não foi só isto que aconteceu durante os primeiros anos da igreja primitiva na era da nova aliança. “Em outras ocasiões, o batismo com o Espírito ocorreu de forma inesperada, como na casa de Cornélio, e ainda em outras através da imposição de mãos dos apóstolos.”30 Observe os textos (At 10.44-46; At 8.14-16; 19.6). Apesar de entender que a profecia de Joel havia se cumprido, eles não haviam compreendido ainda a amplitude da ação do Espírito. Assim, pessoas que eles não imaginavam que receberiam este dom, receberam. E do modo como eles tiveram que compreender estes acontecimentos, nós devemos igualmente compreendê-los: [...] nos derramamentos posteriores, os convertidos samaritanos (At 8), o crentes na casa de Cornélio (At 10) e os discípulos gentios de João Batistas que viviam em Éfeso (At 19), todos receberam o batismo do Espírito. Os primeiros crentes não acreditavam que os samaritanos, os prosélitos e os discípulos de João Batista pudessem ser cristãos. Desta maneira, o batismo do Espírito Santo serviu como confirmação de sua membresia na Igreja. Visto que cada um desses grupos experimentou o batismo do Espírito Santo da mesma maneira que os judeus experimentaram no Pentecostes, a inclusão deles na Igreja era inquestionável.31 Como podemos observar, os batismos com o Espírito Santo ocorridos posteriormente no livro de Atos (At 8, 10, 19) confirmaram a entrada no corpo de Cristo de qualquer pessoa, independente de raça ou procedência: [...] parece-nos que as experiências narradas em Atos são melhor entendidas à luz do contexto histórico em que ocorreram, à luz daquele período especial de transição, em que o Evangelho estava se universalizando, passando dos judeus para os gentios, um processo onde era necessário que manifestações extraordinárias acompanhassem os diferentes estágios desta transição, como uma forma de autenticação das mesmas.32 28 GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo, Vida Nova, 1999, p 654. 29 STOUT, Stephen O. Um cristão precisa do batismo do Espírito Santo para obter uma vida mais cheia da plenitude do Espírito Santo? Fonte: http://www.monergismo.com/textos/pneumatologia/batismo_espirito_stout.htm. Acessado em 02/08/2008. 30 Igreja Presbiteriana do Brasil (Comissão Permanente de Doutrina), O Espírito Santo Hoje – Dons de Línguas e Profecia. Carta Pastoral endereçada aos Concílios e Ministros da Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo, setembro de 1995, p 4, 5. 31 SPROUL, R. C. O Batismo do Espírito Santo. Fonte: http://www.teuministerio.com.br/BRSPORNDESAGSA/vsItemDisplay.dsp&objectID=B71EA71B-B092-4B0A- A463377FE3DD5088&method=display Acessado em 11/07/2008. 32 LOPES, Augustus Nicodemus. O debate sobre o Batismo com o Espírito Santo. Fonte: http://www.ipb.org.br/estudos_biblicos/index.php3?id=23 Acessado em 18/07/2009.
  • 8. Ainda devemos considerar que estes eventos ocorridos em Atos não são normativos para a igreja em todo período da nova aliança. Estes foram eventos únicos e que estavam atrelados à história da redenção que Deus está levando a efeito. Nem tudo que Deus fez na história da redenção será realizado novamente; alguns acontecimentos não serão jamais repetidos: O nascimento de Jesus foi o primeiro evento histórico da redenção realizado na pessoa de Cristo. O próximo evento foi sua morte, depois sua ressurreição, por fim sua Ascensão e a descida do Espírito Santo... Assim como a morte de Jesus e sua ressurreição não podem ser repetidas, também a descida do Espírito Santo não se repete. Mas como os efeitos da morte e da ressurreição de Jesus, também os efeitos da descida do Espírito Santo estão presentes em todas as épocas.33 Em resumo, afirmar que o modo como o batismo com o Espírito Santo aconteceu com os discípulos, conforme registrado no livro de Atos, é repetido de forma idêntica na vida de todos os crentes até os dias de hoje, demonstra uma não compreensão da história bíblica e das razões específicas que levou Deus a agir como agiu naqueles dias. Para entendermos por que o batismo com o Espírito Santo aconteceu daquela forma no livro de Atos prestemos atenção nas explicações abaixo: 1. “Eles receberam essa nova e extraordinária capacitação do Espírito Santo porque viviam na época de transição entre a obra do Espírito Santo na antiga aliança e a obra do Espírito Santo na nova aliança. Embora aquela fosse uma “segunda experiência” com o Espírito Santo, que veio bem depois da conversão deles, não deve ser tomada como padrão para nós, pois não estamos vivendo numa época de transição na obra do Espírito Santo. Hoje não precisamos nos tornar primeiro crentes com uma obra mais fraca do Espírito Santo, própria da antiga aliança, em nosso coração e esperar até algum tempo mais tarde receber uma obra do Espírito Santo, pertencente à nova aliança... os discípulos com certeza experimentaram “um batismo no Espírito Santo” depois da conversão no dia de Pentecostes, mas isso ocorreu porque estavam vivendo num momento único na história, e, portanto, esse evento na vida deles não é um padrão que devemos procurar imitar.”34 2. “O dia de Pentecostes foi o ponto de transição entre a obra e ministério do Espírito Santo na antiga aliança e a obra e ministério do Espírito Santo na nova aliança. Obviamente, o Espírito Santo esteve agindo através de todo o Antigo Testamento, pairando por sobre as águas no primeiro dia da criação (Gn 1:2), capacitando pessoas para o serviço a Deus, para liderança e profecia (Ex 31:3; 35:31; Dt 34:9; Jz 14:6; 1Sm 16:13; Sl 51:11, et al.). Mas durante esse tempo a obra do Espírito Santo na vida de indivíduos era, em geral, realizada com menos poder. Há vários indícios de uma obra menos poderosa e menos extensa do Espírito Santo na antiga aliança: o Espírito Santo veio só sobre poucas pessoas com poder expressivo para o ministério (Nm 11:16-17, por exemplo), mas Moisés ansiava pelo dia em que o Espírito Santo seria derramado sobre todo o povo de Deus: “Tomara todo o povo do SENHOR fosse profeta, que o SENHOR lhes desse o seu Espírito!” (Nm 11:29). A capacitação do Espírito Santo para ministérios especiais poderia ser perdida, como aconteceu na vida de Saul (1Sm 16:14), e como Davi receou que poderia acontecer em sua própria vida (Sl 51:11)... A obra do Espírito Santo na antiga aliança era quase completamente limitada à nação de Israel, mas na nova aliança é criada uma nova “habitação de Deus” (Ef 2:22), a igreja, que une gentios e judeus em um só corpo de Cristo. Além disso, o povo de Deus do Antigo Testamento ansiava por uma era de “nova aliança” em que a obra do Espírito Santo seria muito mais poderosa e muito mais difundida (Nm 11:29; Jr 31:31-33; Ez 36:26-27; Jl 2:28-29).”35 Outra questão que precisa ser lembrada é que os fatos ocorridos em Atos não são normativos para nós. Temos provado isto pelo fato de que estes eventos foram pontuais na história da redenção (como foi explicado anteriormente acima), e podemos provar também por meio dos textos doutrinários e normativos. Ou seja, de todos os mandamentos entregues pelos apóstolos no Novo Testamento, não há nenhum nos ordenando „ser batizados no Espírito Santo‟: [...] nenhum escritor do Novo Testamento, em lugar algum, manda que o batismo do Espírito Santo seja buscado. Não há uma única passagem que exorte qualquer cristão a buscar a experiência do batismo com o Espírito Santo depois da conversão. Isso não acontece porque é entendimento comum dos escritores bíblicos que todos os crentes já foram batizados. Devemos considerar seriamente que seria um grande lapso esquecer de mandar os crentes buscarem esse batismo, se de fato ele devesse ser buscado. Porém, não há qualquer método, ordem, ou mesmo sugestão para buscar ou receber o batismo com o Espírito Santo. O motivo é simples: ninguém pede ou busca algo que já possui.36 33 LIMA, Leandro Antonio de. “O Batismo com o Espírito Santo” in Revista – A essência da Fé – Parte 5/ O que a Bíblia ensina sobre o Espírito Santo. São Paulo, Cultura Cristã, s/d, p 20. 34 GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo, Vida Nova, 1999, p 642. 35 Ibid., p 640. 36 LIMA, Leandro Antonio de. Razão da Esperança. São Paulo, Cultura Cristã, s/d, p 426-429.
  • 9. E ainda: A Escritura dirige-se a todos os que já são crentes como tendo já sido batizados com o Espírito. Em nenhum lugar ela encoraja os que já são crentes a buscar esse batismo, quer por preceito, quer por exemplo. Na expressão "batizar com o Espírito Santo," o verbo ocorre no tempo futuro ("batizará") apenas antes de Pentecoste, e aponta para aquele evento como o futuro cumprimento da promessa do Antigo Testamento. Após o Pentecoste, nas cartas escritas pelos apóstolos às comunidades, os crentes são reconhecidos como já tendo sido batizados com o Espírito.37 Outro fato intrigante e esclarecedor é que apesar de os pentecostais afirmarem que falar em línguas é um sinal do Batismo com o Espírito Santo, “em nenhum lugar do Novo Testamento as línguas são mencionadas como a evidência normal do batismo com o Espírito Santo, ou da Sua plenitude, para os crentes, após o Pentecoste.”38 E apesar de falarem tanto do “fogo do Espírito”, não existe na linguagem bíblica um “batismo de fogo” vindo do Espírito Santo para os crentes: Portanto, ao invés do “batismo com fogo” ser uma promessa para os crentes, ele é uma frase expressiva dos terríveis julgamentos que Ele (Jesus) infligiria sobre a nação Judia e sobre todos quantos morressem impenitentes; quando Ele os condenará pelo pecado de rejeitá-Lo; e quando Ele aparecer como o “fogo do ourives” e como o “sabão dos lavandeiros” (Malaquias 3.2); quando “o dia do Senhor” vier “ardendo como forno” (Malaquias 4); quando Ele “limpar o sangue de Jerusalém”, Seu próprio sangue e o sangue dos Apóstolos e Profetas derramados nela, “do meio dela, com o espírito de justiça e com o espírito de ardor”; o batismo com fogo é o mesmo que a “ira vindoura”, com a qual os ouvintes de João Batista são ameaçados no contexto, na ocasião da qual as árvores infrutíferas “serão cortadas e lançadas no fogo” e a “palha” será queimada com fogo que nunca se apaga. Aqueles que insistem em afirmar que o “batismo com o Espírito Santo e com fogo” se refere a um só batismo, experimentado pelos crentes, costumam apelas para Atos 2.3 como prova de sua teoria. Contudo, lemos assim nesse verso: “Apareceram línguas como de fogo, pousando sobre cada um deles”. Note que as línguas eram COMO de fogo e não DE fogo, ou seja, elas tinham apenas aparência de fogo. Além do mais, não vemos este ato repetido em numa parte da Bíblia. Até mesmo no batismo de Cornélio e de sua casa, o qual Pedro afirma ser o mesmo fenômeno experimentado por ele e os outros apóstolos, as “línguas como de fogo” estão ausentes. Poderíamos ainda dizer que se “línguas como de fogo” fosse cumprimento de “batismo com fogo”, esta promessa não é para nós, visto que ninguém, senão os 120 reunidos no cenáculo no dia de Pentecoste , experimentou isso em toda a história cristã.39 Ao invés de procurar “fogo” ou “línguas” na vida dos crentes como evidência do batismo, o cristão deve entender quais os sinais apontados pelas Escrituras que demonstram que o indivíduo é salvo, ou seja, que já foi batizado pelo Espírito Santo: Qual foi o resultado na vida dos discípulos? Esses crentes, que haviam tido na vida uma experiência da antiga aliança, menos poderosa, do Espírito Santo, receberam no dia de Pentecostes uma experiência mais poderosa com o Espírito Santo que passou a atuar na vida deles dentro da nova aliança. Receberam “poder” muito maior (At 1:8), poder para viver a vida cristã e desempenhar o ministério cristão... Esse poder da nova aliança deu aos discípulos maior eficiência em seu ministério (At 1:8; Ef 4:8, 11-13), poder muito maior para a vitória sobre a influência do pecado na vida de todos os crentes (note em Rm 6:11-14; 8:13-14; Gl 2:20; Fp 3:10 a ênfase no poder da ressurreição de Cristo que opera em nós) e poder para a vitória sobre Satanás e forças demoníacas que atacariam os crentes (2Co 10:3-4; Ef 1:19-21; 6:10-18; 1Jo 4:4). Esse poder do Espírito Santo que pertence à nova aliança também resultou numa ampla e até então desconhecida distribuição de dons para o ministério a todos os crentes (At 2:16-18; 1Co 12:7, 11; 1Pe 4:10; cf. Nm 11:17, 24-29). Esses dons têm também implicações coletivas porque se pretendia que fossem usados não de maneira individualista, mas sim para a edificação coletiva do corpo de Cristo (1Co 12:7; 14:12)... O dia de Pentecostes foi sem dúvida um momento extraordinário de transição em toda a história da redenção registrada nas Escrituras. Foi um dia singular na história do mundo, porque naquele dia o Espírito Santo começou a atuar entre o povo de Deus com o poder da nova aliança.40 37 Igreja Presbiteriana do Brasil (Comissão Permanente de Doutrina), O Espírito Santo Hoje – Dons de Línguas e Profecia. Carta Pastoral endereçada aos Concílios e Ministros da Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo, setembro de 1995, p 5. 38 Ibid., p 9. 39 NETO, Felipe Sabino de Araújo, Batismo com o Espírito Santo e com fogo. Fonte: http://www.monergismo.com/?=1101 Acessado em 13/07/2009. 40 GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo, Vida Nova, 1999, p 641.