PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEM                            Introdução ao Estudo de PsicologiaFonte: BOCK, ...
PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEMuma oposição entre os Idealistas - a ideia forma o mundo - e os Materialist...
PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEMmanifestação divina no homem. A alma era imortal por ser o elemento que lig...
PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEMA origem da Psicologia Científica        No século XIX destaca-se o papel d...
PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEMnoção de verdade passa, necessariamente, a contar com o aval da Ciência. A ...
PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEM        Outra contribuição muito importante nesses primórdios do estudo da ...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Introducao ao estudo_da_psicologia

3.728 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação
0 comentários
5 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
3.728
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
96
Comentários
0
Gostaram
5
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Introducao ao estudo_da_psicologia

  1. 1. PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEM Introdução ao Estudo de PsicologiaFonte: BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair & TEIXEIRA, Maria de Loudes Trassi.Psicologias: uma introdução ao estudo de Psicologia. Editora Saraiva. A evolução da ciência psicológicaPsicologia e História Por trás de cada produção existe a história. No caso da psicologia a história tem por volta dedois milênios. Esse tempo refere-se a psicologia no ocidente que começa entre os gregos no períodoanterior a era cristã. A história da psicologia está ligada às exigências de conhecimento da humanidade, as demaisáreas do conhecimento humano e os desafios colocados pela realidade econômica e social e pelainsaciável vontade do homem de compreender a si mesmo.A Psicologia entre os gregos: os primórdios A história do pensamento humano tem um período áureo, na antiguidade entre os gregos,particularmente, no período 700 a.C. até a dominação Romana, às vésperas da Era Cristã. Os Gregosforam o povo mais evoluído nessa época. Uma produção minimamente planejada e bem sucedidapermitiu a construção das primeiras cidades-estado. A manutenção das cidades implicava a aquisição de mais riquezas, assim, iniciaram aconquista de novos territórios: Mediterrâneo e Ásia Menor, que chegava quase até a china, quegeraram riquezas na forma de escravos e de tributos pagos pelos territórios conquistados. As riquezasgeraram crescimento que exigiam soluções práticas para a arquitetura, para a agricultura e para aorganização social. Isso explica os avanços na Física, na Geometria, na Teoria Política, inclusivecom o conceito de democracia. Tais avanços permitiram que os cidadãos se ocupassem das coisas do espírito como aFilosofia e a Arte. Alguns homens como Platão e Aristóteles dedicaram-se a compreender esseespírito empreendedor Grego, ou seja, a Filosofia começou a especular sobre o homem e suainterioridade. É entre os filósofos gregos que surge uma primeira tentativa de se sistematizar umaPsicologia, o próprio termo Psicologia vem do termo “psique” que significa alma e de “logos” quesignifica razão. Portanto, etimologicamente Psicologia significa "estudo da alma". A alma ou espíritoera concebida como a parte imaterial do ser humano e abarcaria o pensamento, o sentimentos deamor e ódio, a irracionalidade, o desejo, a sensação e a percepção. Os filósofos pré-socráticos, assim chamados por antecederem a Sócrates (469-399 a.C.)filósofo grego, preocupavam-se em definir a relação do homem com mundo através da percepção,discutiam se o mundo existe porque o homem o vê ou se o homem vê o mundo que já existe. Havia 1
  2. 2. PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEMuma oposição entre os Idealistas - a ideia forma o mundo - e os Materialistas - a matéria que forma omundo já é dada para a percepção. Mas é com Sócrates que a Psicologia na antiguidade ganha consistência. Sua principalpreocupação era com o limite que separa os homens dos animais. Postulava que a principalcaracterística humana era a razão. A razão permitia ao homem sobrepor-se aos instintos que seriam abase da irracionalidade. Ao definir a razão como peculiaridade humana, Sócrates abre um caminhoque seria muito explorado pela Psicologia. As teorias da Consciência são, de certa forma, frutosdessa primeira sistematização na Filosofia. O passo seguinte é dado por Platão (427-347 a.C.) discípulo de Sócrates. Esse filósofoprocurou um lugar para a razão no nosso próprio corpo, definiu esse lugar como sendo a cabeça,onde se encontra a alma do homem. A medula seria, portanto o elemento de ligação da alma com ocorpo. Esse elemento de ligação era necessário porque Platão concebia a alma separada do corpo.Quando alguém morria a matéria, o corpo, desaparecia, mas a alma ficava livre para ocupar outrocorpo. Aristóteles (384-322 a.C.), discípulo de Platão, foi um dos mais importantes pensadores dahistória da Filosofia. Sua contribuição foi inovadora ao postular que a alma e o corpo não podem serdissociados. Para Aristóteles a psique seria o princípio ativo da vida. Tudo aquilo que cresce, sealimenta, se reproduz... possui a sua psique ou alma. Dessa forma, os vegetais, os animais e o homemteriam alma. Os vegetais teriam alma vegetativa que se definem pela função de alimentação ereprodução, os animais teriam essa alma e a alma sensitiva que teria a função de percepção emovimento e o homem teria os dois níveis anteriores e a alma racional que teria a função pensante.Esse filósofo chegou a estudar as diferenças entre a razão, a percepção e as sensações, este estudoestá sistematizado no “De Anima” que pode ser considerado o primeiro tratado em Psicologia. Portanto, 2300 anos antes do advento da Psicologia Científica, os Gregos já haviamformulado duas teorias: a Platônica que postulava a imortalidade da alma e a concebia separada docorpo e a Aristotélica que afirmava a mortalidade da alma e a sua relação de pertencimento ao corpo.A Psicologia no Império Romano e na Idade Média Às vésperas da Era Antiga surge um novo império que iria dominar a Grécia, parte da Europae do Oriente Médio: o Império Romano. Uma das principais características desse período é oaparecimento e desenvolvimento do Cristianismo, uma força religiosa que passa a força políticadominante. Mesmo com as invasões bárbaras, por volta de 400 d.C, que levam a desorganizaçãoeconômica e ao esfacelamento dos territórios, o Cristianismo sobrevive e até se fortalece, tornando-se a principal religião da Idade Média, período que se inicia. E falar de Psicologia nesse período é relacioná-la ao conhecimento religioso, já que ao ladodo poder econômico e político a Igreja Católica também monopolizava o saber e, consequentemente,o estudo do psiquismo. Nesse sentido, dois grandes filósofos representam esse período: SantoAgostinho e São Tomás de Aquino. Santo Agostinho (354-430), inspirado em Platão, também fazia uma cisão entre alma e corpo.Entretanto, para ele, a alma não era somente a sede da razão, mas também ea prova de uma 2
  3. 3. PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEMmanifestação divina no homem. A alma era imortal por ser o elemento que liga o homem a Deus e,sendo a alma a sede do pensamento, a Igreja passa a se preocupar também com sua compreensão. São Tomás de Aquino (1225-1274) viveu em um período que prenunciava a ruptura da IgrejaCatólica, o aparecimento do Protestantismo, uma época que preparava a transição para oCapitalismo, com a Revolução Francesa e a industrial na Inglaterra. Essa crise econômica e socialleva ao questionamento da igreja e dos conhecimentos produzidos por ela. Dessa forma foi precisoencontrar novas justificativas para a relação entre Deus e o homem. São Tomás de Aquino foi buscarem Aristóteles a distinção entre essência e existência. Como o filósofo grego, considera que ohomem na sua essência busca a perfeição através da sua existência, porém introduzindo o ponto devista religioso. Ao contrário de Aristóteles, afirma que somente Deus seria capaz de reunir a essênciae a existência em termos de igualdade, portanto, a busca de perfeição pelo homem seria a busca deDeus. São Tomás de Aquino encontra argumentos racionais para justificar os dogmas da Igreja econtinua garantindo para ela o monopólio do estudo do psiquismo.A Psicologia no Renascimento Pouco mais de 200 anos após a morte de São Tomás de Aquino tem início a época detransformações radicais no mundo europeu: é o Renascimento ou Renascença. O Mercantilismo levaa descoberta de novas terras: a América, o Caminho para as Índias, a Rota do Pacífico... E issopropicia a acumulação de riquezas pelas nações em formação como França, Itália, Espanha eInglaterra. Na transição para o Capitalismo começa a emergir uma nova forma de organizaçãoeconômica e social, nasce também um processo de valorização do homem. As transformaçõesocorrem em todos os setores da produção humana. Por volta de 1930, Dante Alighieri escreve "LaDivina Comédia". Entre 1475 e 1478 Leonardo da Vinci pinta o quadro "Anunciação". Em 1484,Otite Ele pinta o "Nascimento de Vênus". Em 1501, Michelangelo esculpe o "Davi". E, em 1513,Maquiavel escreve "O Príncipe", obra clássica da política. As Ciências também conhece um grande avanço. Em 1543, Copérnico causa uma revoluçãono conhecimento humano mostrando que nosso planeta não é o centro do universo. Em 1610, GalileuGalilei estuda a queda dos corpos realizando as primeiras experiências da Física Moderna. Essesavanços na produção do conhecimento propicia o início da sistematização do conhecimentocientífico. Começam a se estabelecer métodos e regras básicas para a construção do conhecimentocientífico. Nesse período, René Descartes, um dos filósofos que mais contribuiu para o avanço daCiência, postula a separação entre mente, alma, espírito e corpo, afirmando que o homem possui umasubstância material e uma substância pensante e que o corpo, desprovido, é apenas uma máquina.Esse dualismo mente/corpo torna possível o estudo do corpo humano morto, o que era impensávelnos séculos anteriores, pois o corpo era considerado sagrado pela Igreja por ser a sede da alma e,dessa forma, possibilita o avanço da anatomia e da fisiologia, que iriam contribuir em muito para oprogresso da própria Psicologia. 3
  4. 4. PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEMA origem da Psicologia Científica No século XIX destaca-se o papel da Ciência e seu avanço torna-se necessário. O crescimentoda nova ordem econômica, o Capitalismo, traz consigo o processo de industrialização para o qual aCiência deveria dar respostas e soluções práticas no campo da técnica. Há, então, um impulso muitogrande para o desenvolvimento da Ciência enquanto um sustentáculo da nova ordem econômica esocial e dos problemas colocados por ela. Para uma melhor compreensão, retornemos às características da sociedade feudal e capitalistaemergente, sendo essa responsável por mudanças que marcariam a história da humanidade. Nasociedade feudal com o modo de produção voltado para a subsistência, a terra era a principal fonte deprodução, a relação do senhor e do servo era típica de uma economia fechada, na qual umahierarquia rígida estava estabelecida, não havendo mobilidade social. Era uma sociedade estável emque predominava uma visão do universo estático, um mundo natural organizado e hierárquico, emque a verdade era sempre decorrente de revelações. Nesse mundo, vivia um homem que tinha seulugar social definido a partir do nascimento. A razão estava submetida à fé como garantia decentralização do poder. A autoridade era o critério de verdade. Esse mundo fechado e esse universofinito refletiam e justificavam a hierarquia social inquestionável no feudo. O Capitalismo pôs esse mundo em movimento. Com a necessidade de abastecer mercados eproduzir cada vez mais, buscou novas mercadorias na natureza; criou necessidades; contratou otrabalho de muitos, que por sua vez, tornavam-se consumidores das mercadorias consumidas; equestionou as hierarquias para derrubar a nobreza e o clero de seus lugares, tantos séculosestabilizados. O universo também foi posto em movimento, o sol tornou-se o centro do universo quepassou a ser visto sem hierarquizações. O homem, por sua vez, deixou de ser o centro do universo,antropocentrismo, passando a ser concebido como um ser livre, capaz de construir seu futuro. Oservo, liberto de seu vínculo com a terra, pôde escolher seu trabalho e seu lugar social. Com isso, o Capitalismo tornou todos os homens consumidores em potencial das mercadoriasproduzidas; o conhecimento tornou-se independente da fé; os dogmas da Igreja foram questionados;tudo se moveu. A racionalidade do homem apareceu, então, como a grande possibilidade deconstrução do conhecimento. A burguesia, que disputava o poder e surgiu como nova classe social eeconômica, defendia a emancipação do homem para emancipar-se também. Era preciso quebrar aideia de universo estável para transformá-lo. Era preciso questionar a natureza como algo dado paraviabilizar a sua exploração em busca de matérias-primas. Estavam dadas as condições materiais para o desenvolvimento da Ciência Moderna. As ideiasdominantes fermentaram essa construção. O conhecimento como fruto da razão, a possibilidade dedesvendar a natureza e suas leis pela observação rigorosa e objetiva. A busca de um método rigoroso,que possibilitasse a observação para a descoberta dessas leis apontava a necessidade dos homensproduzirem novas formas de produzir conhecimento que não eram mais estabelecidos pelos dogmasreligiosos ou pela autoridade eclesial, sentiu-se necessidade da Ciência. Nesse período surgem homens como Hengel que demonstrara a importância da história para acompreensão do homem e Darwin que enterra o antropocentrismo com sua tese evolucionista. ACiência avança tanto que se torna um referencial para a visão de mundo. A partir dessa época a 4
  5. 5. PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEMnoção de verdade passa, necessariamente, a contar com o aval da Ciência. A própria filosofia adapta-se aos novos tempos com o surgimento do Positivismo de Augusto Comte que postulava anecessidade de maior rigor científico na construção dos conhecimentos das Ciências Humanas, dessaforma propunha o método da Ciência Natural, a física, como modelo de construção de conhecimento. É em meados dos séculos XIX, que os problemas e temas da Psicologia, até então estudadosexclusivamente pelos filósofos, passam a ser estudados pela Fisiologia e Neurofisiologia emparticular. Os avanços que surgiram, também nessa área, levaram a formulação de teorias sobre osistema nervoso central, demonstrando que o pensamento, as percepções e os sentimentos humanoseram produtos desse sistema. É preciso lembrar que este mundo capitalista trouxe consigo a máquina que passou adeterminar a forma de ver o mundo: o mundo como uma máquina, o mundo como um relógio, todo ouniverso passou a ser pensado como uma máquina, isto é, podemos conhecer o seu funcionamento, asua regularidade, o que nos possibilita o conhecimento de suas leis. Essa forma de pensar atingiu também as Ciências do Homem. Para se conhecer o psiquismohumano passa a ser necessário compreender os mecanismos e o funcionamento da máquina de pensardo homem: seu cérebro. Assim a Psicologia começa a trilhar os caminhos da Fisiologia Humana,Neuroanatomia e Neurofisiologia. Algumas descobertas são extremamente relevantes para a Psicologia, por exemplo, por voltade 1846, a Neurologia descobre que a doença mental é fruto da ação direta ou indireta de diversosfatores sobre as células cerebrais. A Neuroanatomia descobre que a atividade motora nem sempreestá ligada a consciência, por não está, necessariamente, na dependência dos centros cerebraissuperiores. Por exemplo, quando alguém queima a mão em uma chapa quente primeiro tira a mão dachapa para depois perceber o que aconteceu. Esse fenômeno é chamado de reflexo e o estímulo quechega a medula espinhal, antes de chegar aos centros cerebrais superiores, recebe uma ordem para aresposta que é tirar a mão. O caminho natural que os fisiologistas na época seguiam quando passavam a se interessarpelo fenômeno psicológico enquanto estudo científico era a Psicofísica. Estudava, por exemplo, afisiologia do olho e a percepção das cores. As cores eram estudadas como fenômeno da Física e apercepção como fenômeno da Psicologia. Por volta de 1860, temos a formulação de uma importante lei no campo da Psicofísica, é a Leide Fechner-Weber que estabelece a relação entre estímulo e sensação, permitindo a sua mensuração.Segundo Fechner e Weber a diferença que sentimos ao aumentarmos a intensidade da iluminação deuma lâmpada de 100 para uma de 110 Watts será a mesma sentida quando aumentamos a intensidadede 1000 para 1100 Watts. Isto é, a percepção aumenta em progressão aritmética, enquanto o estilovaria em progressão geométrica. Essa lei teve muito importância na história da Psicologia porque instaurou a possibilidade demedida do fenômeno psicológico, o que até então era considerado impossível. Dessa forma, osfenômenos psicológicos vão adquirindo o status de científicos, porque para a concepção de ciênciada época, o que não era mensurável não era passível de estudo científico. 5
  6. 6. PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEM Outra contribuição muito importante nesses primórdios do estudo da Psicologia Científica éde Wilhelm Wundt (1832-1926) ele cria, na Alemanha, o primeiro laboratório para realizarexperimentos na área de Psicofisiologia. Por este fato e por sua extensa produção teórica na área, eleé considerado o pai da Psicologia Moderna ou científica. Wundt desenvolve a concepção doparalelismo psicofísico, segundo a qual aos fenômenos mentais correspondem fenômenos orgânicos.Por exemplo, uma estimulação física, como uma picada de agulha na pele de um indivíduo, teria umacorrespondência na mente deste indivíduo. Para explorar a mente ou consciência do indivíduo, Wundt cria um método que denominaIntropeccionismo. Nesse método o experimentador pergunta ao sujeito, especialmente treinado paraa observação, os caminhos percorridos no seu interior por uma estimulação sensorial, a picada daagulha, por exemplo. 6

×