SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 20
Baixar para ler offline
5Cs DA CRIAÇÃO DE
BEZERRAS
A criação de bezerras, muitas vezes, é vista como uma
fase custosa dentro da produção leiteira. Isso porque
não traz rentabilidade imediata ao sistema. Porém, negli-
genciar os cuidados e a importância dessa fase significa
comprometer todo o resultado futuro da produção!
Uma bezerra saudável, bem-nutrida e em ótimas condi-
ções de bem-estar  nos seus primeiros meses de vida,
certamente será uma vaca mais dócil, longeva e com
resultados produtivos superiores. Por isso, os cuidados
dispendidos nesta fase de criação não devem ser vistos
como custos, mas sim como um investimento na produ-
ção futura!
Indicadores de sucesso
na Criação de Bezerras
O conceito dos 5Cs foi introduzido para a cadeia do leite pela
doutora Sheila McGuirk da Escola de Medicina Veterinária
da University of Wisconsin e engloba: Colostro, conforto, con-
centrado, cuidado com a limpeza e consistência na execução.
Os 5Cs de sucesso na
Criação de Bezerras
O objetivo é aumentar a saúde do animal para garantir a
produtividade no futuro. O investimento em criação de
bezerra se paga após a primeira ou segunda lactação
desta fêmea, e por isso vale a pena investir na qualidade
de criação.
Esses temas refletem de forma simplificada os 5 pontos
mais importantes para promover uma boa saúde e pro-
dutividade das bezerras, em qualquer tamanho de pro-
priedade e para qualquer sistema produtivo.
Confira a seguir a definição e
aplicação desses conceitos!
1 2
3
4
5
O colostro é o primeiro leite produzido pela vaca leitei-
ra após o parto. É rico em nutrientes e tem elementos
de imunidade que ajudarão os bezerros a crescerem de
forma mais saudável. Através do colostro, garante-se a
transferência de imunidade passiva já nas primeiras ho-
ras de vida, o que é essencial para a sobrevivência de
animais recém-nascidos.
Sem o colostro, as bezerras correm maior risco de pegar
alguma doença e podem ter um desempenho abaixo do
padrão, mesmo após se tornarem vacas adultas.
Durante a gestação, o tipo de placenta da vaca não per-
mite a transferência de anticorpos para o feto. Por isso
a ingestão de colostro nas primeiras horas de vida é fun-
damental para absorção de imunoglobulinas e a transfe-
rência de imunidade passiva que ajudam os bezerros a
sobreviver e crescerem de forma mais saudável.
Três fatores são importantes para o sucesso da colostra-
gem. O fator tempo ou momento da colostragem, a qua-
lidade do colostro e a quantidade de colostro fornecida.
1. Colostragem Tempo
As imunoglobulinas são moléculas proteicas relativa-
mente grandes que devem ser absorvidas intactas pelo
intestino para cumprirem suas funções de transferência
de imunidade. Esta absorção intestinal deve ocorrer o
mais rápido possível, nas primeiras horas de vida do ani-
mal, quando a parede intestinal permite a absorção das
moléculas sem causar alterações nelas. Após 6h de vida
a capacidade de absorção intestinal de imunoglobulinas
reduz significativamente, chegando a praticamente zero
nas primeiras 24h de vida, como mostra o gráfico.
0
20
60
100
80
40
Percentagem
Horas após nascimento
0 6 12 18 24
“Sem o colostro, as bezerras ficam suscetíveis às
doenças e à mortalidade neonatal. Uma colostragem
ineficiente pode comprometer o desempenho produtivo
durante toda a vida da vaca adulta”
Qualidade do colostro
O colostro tem, comparado ao leite, menor teor de lacto-
se e maior teor de gordura, sólidos totais, minerais vita-
minas e proteína. Por esse motivo, sua qualidade é medi-
da com base no teor de imunoglobulinas (lg) presentes.
A medição deve ser feita antes do colostro ser utilizado
ou congelado, podendo ser realizada com a ajuda do co-
lostrômetro. O colostrômetro é calibrado em intervalos
de 5 mg/mL, e classifica o colostro como de baixa quali-
dade (vermelho) quando Ig < 20 mg/mL; moderado (ama-
relo) para o intervalo de 20 – 50 mg/ mL; e excelente (ver-
de) para valores de Ig maiores que 50 mg/mL.
Uma vez que a densidade do colostro tem uma cor-
relação forte e direta com a concentração de anticor-
pos, quanto mais denso for o colostro, melhor sua
qualidade. O ideal é que o colostro tenha mais de  50
miligramas por mililitro de anticorpos para garantir a
transferência de imunidade passiva para as bezerras.
Outra maneira de medir a qualidade do colostro é por
meio do refratômetro de brix. Coloca-se uma gota de co-
lostro na lente do refratômetro e a leitura é feita contra a
luz. A porcentagem de brix pode ser correlacionada com
a concentração de Ig do colostro, e o valor limite que in-
dica que o colostro é de alta qualidade (> 50 mg de Ig/
mL) é 21% de brix.
Img 1. Colostrômetro
Img 3. Refratômetro
Img 2. Colostrômetro
Img 2. Refratômetro digital
Volume de colostro
A quantidade de colostro fornecida também é de grande
importância para o sucesso da colostragem. Estudos su-
gerem que a quantidade mínima de colostro fornecido
seja de 5% do peso vivo, mas o ideal é que 10% do peso
vivo ao nascimento da bezerra seja fornecido na forma
de colostro.
Assim, para um bezerro de 40kg de peso vivo ao nasci-
mento, devem ser fornecidos cerca de 4l de colostro de
qualidade nas primeiras 6h de vida do animal.
O consumo voluntário por parte do bezerro é importante
para facilitar o manejo. Porém, quando o bezerro não faz
isso instintivamente, é possível utilizar uma sonda para
realizar a colostragem. Neste caso, o volume fornecido
deve ser maior, pois parte deste colostro pode ser direcio-
nado para o rúmen e não ser absorvido adequadamente.
Cuidados importantes
- Colete o colostro da vaca de forma higiênica. Prepare o
úbere como faria para a ordenha e colete o colostro em
um recipiente que tenha sido lavado com água quente e
sabão.
- Alimente os bezerros com cerca de três a quatro litros
de colostro, logo após o nascimento. Os bezerros devem
receber dois litros adicionais de colostro dentro de oito
horas após o parto.
- Continue alimentando o bezerro com este leite pelos
próximos três dias, pois é muito rico em nutrientes e ener-
gia que beneficiarão o crescimento saudável do animal.
- Limpe e desinfete os equipamentos, bicos, frascos ou
tubos após cada utilização.
- O colostro pode ser armazenado em freezer por até 1
ano e em geladeira por 4 a 5 dias.
- Não utilizar colostro de baixa qualidade, que seja escor-
regadio, fino, ou que contenha sangue;
- Após as primeiras 24h de vida da bezerra, apesar da
redução da possibilidade de absorção das imunoglobi-
nas, a presença de Ig na luz intestinal pode auxiliar na
redução de casos de diarreias e melhorar a imunidade
local. Com isso os colostros de pior qualidade podem
ser fornecidos a bezerros mais velhos.
- Não utilize o colostro que venha de vacas com mastite
ou que tenham sido tratadas com antibióticos.
- Para garantir que a qualidade do colostro seja manti-
da, o descongelamento tem que ser feito de maneira len-
ta em banho-maria a uma temperatura máxima de 50 a
55ºC.
O conforto também interfere na saúde das bezerras. Um
animal saudável precisa estar confortável e com baixos
níveis de estresse e agitação. O local deve ser aconche-
gante, com temperatura adequada e em uma área bem
ventilada. Esses fatores resultam em um melhor bem-es-
tar e, também, diminuem a ocorrência de doenças.
Manejos desafiadores como vacinação, vermifugação,
descorna e transições de grupos, dietas ou ambiente
devem ser realizados de forma cuidadosa e se possível
com intervalos de cerca de duas semanas para evitar o
acúmulo de estresse nestes animais.
Vale ressaltar que embora a ocorrência de diarreias e
problemas respiratórios, principais causas de mortalida-
de de bezerras, tenham forte relação com falhas no pro-
grama de colostragem, estas enfermidades estão tam-
bém relacionadas com as instalações e o manejo dos
animais. Por isso, um bom ambiente para criação de be-
zerras deve prover o mínimo de conforto térmico e físico,
além de priorizar boas condições de higiene e sanidade.
Existem duas principais formas de alojamento de bezer-
ras, o alojamento individual e o alojamento coletivo.
Alojamento individual
O alojamento individual possui a vantagem de reduzir
a disseminação de doenças entre os bezerros. Principal-
mente diarreias e doenças respiratórias, sendo esta pri-
meira disseminada de forma oro fecal e a segunda pelo ar.
Também com o alojamento individual é possível ter um
controle mais eficiente do consumo de alimentos, princi-
2. Conforto
palmente o concentrado, fundamental para o desenvol-
vimento ruminal e da tomada de decisão em relação ao
desaleitamento.
O sistema individual pode ser composto por baias indi-
viduais isoladas, gaiolas suspensas, galpões fechados,
sistemas modulares, sistemas de casinhas ou abrigos
tropicais, etc. São diversas as formas e materiais utili-
zados para este tipo de alojamento. Porém, lembre-se
da necessidade de proporcionar conforto aos bezerros,
além de fornecer água e concentrado a todo momento.
Além disso, busque fazer com que o tratador tenha fácil
acesso aos animais, para que consiga interagir facilmen-
te com eles em caso de enfermidade ou apenas para o
manejo diário eficiente.
Alojamentos coletivos
Os alojamentos coletivos têm a vantagem de permitir o
comportamento natural dos bezerros, reduzindo o es-
tresse e proporcionando uma interação positiva entre os
animais.
No entanto, o cuidado com a sanidade neste sistema
deve ser ainda maior, pois há maior chance de transmis-
são de doenças entre os bezerros. Neste caso, a colos-
tragem deve ser bastante eficiente para aumentar a imu-
nidade e reduzir a mortalidade e morbidade no grupo.
Os alojamentos coletivos podem ser feitos em piquetes,
em gaiolas suspensas e ripadas, loosing house, compost
barn, etc. Os grupos de bezerros deve ser de 8 a 10 ani-
mais de preferência contemporâneos e mantidos juntos
ao longo da criação, para reduzir competição e hierarquia
dentro dos lotes.
Neste sistema, boa ventilação, humidade controlada e
disponibilidade de sombras são fundamentais.
No alojamento coletivo o aleitamento pode ser realizado
de forma individual ou coletiva. Para o aleitamento cole-
tivo é importante que o lote seja homogêneo para evitar
que animais maiores impeçam os menores de se alimen-
Cuidados importantes
- Os alojamentos de animais devem atender às
premissas básicas:
- Local limpo, arejado e seco,
- Acessos adequados a alimento, água e
sombra.
- É importante ter um cocho com espaço para
todos os animais, para evitar a competição.
- Para baias com camas, é possível fazer um
teste para saber quando trocar o material:
ajoelhe-se na cama por 20 segundos. Se os
seus joelhos ficarem molhados, prossiga com a
troca.
- Assegure-se de que as necessidades de
reposição de leite dos animais estejam
sendo sanadas e garanta que um programa
de desmame gradual possa reduzir a sucção
cruzada.
tar. Também deve-se ter um número de bicos disponíveis
igual ou maior do que o número de bezerros. O controle
do aleitamento deve ser mais rigoroso para garantir que
todos estão se alimentando adequadamente.
Outra questão que deve ser observada é a mamada não
nutritiva, ou mamada cruzada, na qual as bezerras, em
um comportamento instintivo, mamam umas nas outras,
principalmente no umbigo, úbere e orelhas. Este compor-
tamento é prejudicial, e pode causar problemas sérios e
até mesmo a perda de tetos no animal.
A transição de dieta líquida para a dieta sólida é um pon-
to importante para o desenvolvimento do animal. Natu-
ralmente, o desaleitamento ou desmama ocorre entre 6
e 8 meses, porém em sistemas de produção de leite este
processo ocorre entre 2 e 3 meses de idade. Por isso,
é importante que a bezerra tenha um manejo adequado
com inserção de alimentos concentrados para auxiliar no
desenvolvimento do rúmen desde os primeiros dias de
vida.
Durante o aleitamento, é muito importante estimular o
consumo de concentrado, para que a bezerra consiga de-
senvolver seu sistema digestivo. Essa fase de transição
pode configurar um período de grande estresse na vida
do animal, sendo importante que ele esteja preparado fi-
siologicamente para obter nutrientes como um ruminan-
te adulto.
As necessidades energéticas de uma bezerra baseiam-se
no ambiente e no seu potencial genético para o cresci-
mento. A fase de crescimento pré-ruminante, que ocorre
entre 0 e 3 semanas de idade, é o estágio mais eficiente
de crescimento e, por isso, demanda muita atenção.
O desenvolvimento do rúmen ocorre com o aumento da
capacidade física, estabelecimento de colônias bacteria-
nas (amilolíticas, celulolíticas, metanogênicas entre ou-
tras) e desenvolvimento das papilas para permitir a ab-
sorção dos AGVs produzidos pela fermentação.
Todas essas mudanças no sistema digestivo da bezer-
ra serão determinadas pelo correto manejo nutricional e
fornecimento de alimentos de qualidade.
3. Concentrado
Cuidados importantes
- Deve-se fornecer um concentrado
de qualidade, com ingredientes de
alta digestibilidade, estimulando o
desenvolvimento ruminal e permitindo
o desaleitamento com mínimo estresse
animal;
- Eventos anormais (como doenças,
vacinação, entre outros) podem ser
potencialmente estressantes as
bezerras. Por isso, é importante que
se aumente o volume de concentrado
nesse período, já que os animais
queimarão mais energia quando
estiverem agitados.
- Cuidado, o excesso de concentrado
pode predispor o animal a sérios
metabólicos nutricionais.
4. Cuidados na Limpeza
Umbigo
A prática de cura e limpeza do umbigo são fundamentais
para a sanidade da bezerra recém nascida. A cura do um-
bigo deve ser feita assim que o bezerro nasce, e repetida a
cada 12h para evitar que seja utilizada como porta de en-
trada para bicheiras e infecções. O ideal é que o cordão
umbilical remanescente não seja muito comprido, deven-
do ter cerca de 5 cm de distância do abdômen.
A limpeza deve ser feita com solução de iodo (de 7 a
10%), através de imersão do cordão umbilical para que
ocorra a cicatrização, mumificação e queda do coto um-
bilical. Quando a cura é bem feita, ele se desprende com
cerca de 3 a 5 dias.
Um umbigo mal curado pode causar problemas como bi-
cheiras, infecções, hérnias e abcessos. Isso prejudica o
desenvolvimento dos animais, podendo afetar o ganho
de peso ou até mesmo levar o animal a óbito.
Problemas de umbigo são a segunda maior causa de
morte no bezerreiro, por isso a cura deve ser realizada
corretamente.
Ambiente
Desde o seu nascimento, a bezerra precisa permanecer
em um ambiente limpo, seco, bem alojado e livre de cor-
rentes de ar. No parto, é de extrema importância que a
área esteja limpa, com uma cama grossa e separação
imediata para reduzir o contato com o estrume, e con-
sequentemente por infecções com as bactérias: Salmo-
nella, E.Coli e Leptospirose.
Estes cuidados são muito importantes para o bem-estar
do animal, pois proporcionará um melhor desenvolvimen-
to e menor incidência de doenças.
Quando o sistema é coletivo com grupos entrando e sain-
do do bezerreiro ao mesmo tempo, é possível realizar o
vazio sanitário, e com isso uma limpeza mais rigorosa.
O ideal é realizar a retirada de toda a matéria orgânica,
lavar as baias ou casinhas, desinfetar e passar vassoura
de fogo. Para evitar que haja a transmissão de microor-
ganismos de um animal para outro.
Os equipamentos devem ser limpos e desinfetados dia-
riamente, e as camas devem ser trocadas pelo menos
uma vez por semana.
Cuidados importantes
- A secagem adequada dos equipamentos
de mistura e alimentação é essencial. Baldes
de empilhamento dentro de um outro podem
ocupar menos espaço na sala de mistura, mas
possibilita que a umidade fique presa dentro.
- Empilhar os baldes em um efeito de pirâmide
permitirá uma drenagem mais adequada.
- Quando utilizar garrafas e mamilo, é
importante colocar esses itens em prateleiras.
- Além do estrume, sangue e proteínas do leite
são meios de crescimento para patógenos. O
equipamento de mistura e alimentação de leite
deve ser completamente lavado e desinfetado
entre refeições.
- Lave seus utensílios de alimentação de
bezerras de uma maneira similar ao seu ciclo
de lavagem, utilizando ácido, água quente e um
enxágue com água fria.
5. Consistência
Não há como evitar: as bezerras gostam muito de man-
ter uma rotina estável, dia após dia. Assim, alterações no
manejo, na alimentação ou na temperatura, podem ser
muito estressantes ao animal, trazendo prejuízos em seu
desenvolvimento e, até mesmo, resultando em diarreia
alimentar.
A consistência também é muito importante para minimi-
zar o estresse dos animais, evitando gastos com sanida-
de e perda de desempenho no futuro.
O ideal é criar um protocolo com toda s metodologia e
procedimentos que devem ser realizados e seguir este
protocolo diariamente de forma eficiente e padronizada.
Cuidados importantes
- A secagem adequada dos equipamentos
de mistura e alimentação é essencial. Baldes
de empilhamento dentro de um outro podem
ocupar menos espaço na sala de mistura, mas
possibilita que a umidade fique presa dentro.
- Empilhar os baldes em um efeito de pirâmide
permitirá uma drenagem mais adequada.
- Quando utilizar garrafas e mamilo, é
importante colocar esses itens em prateleiras.
- Além do estrume, sangue e proteínas do leite
são meios de crescimento para patógenos. O
equipamento de mistura e alimentação de leite
deve ser completamente lavado e desinfetado
entre refeições.
- Lave seus utensílios de alimentação de
bezerras de uma maneira similar ao seu ciclo
de lavagem, utilizando ácido, água quente e um
enxágue com água fria.
Vamos colocar
em prática?
Ler sobre o assunto é fundamental! Mas, se você
deseja se aprofundar na criação de bezerras, seja
para iniciar na produção ou para aperfeiçoamento e
atualização, recomendamos a realização de cursos
onde você possa ver o manejo na prática e entender
melhor sobre o dia a dia de propriedades que já atuam
com a criação!
No EducaPoint, você pode realizar vários cursos com
este tema, fizemos uma lista dos cursos que você
pode ter interesse, confira e aproveite!
Aspectos Práticos da criação
de bezerras leiteiras
Instrutora: Carla Maris Bittar
Bem-estar de bezerras leiteiras:
boas práticas com resultados
no presente e futuro
Instrutora: Lívia Magalhães
Práticas essenciais no
manejo sanitário de bezerras
leiteiras no período neonatal
Instrutora: Viviani Gomes
Atualidades no manejo
de bezerras
Instrutor: João Costa
Aleitamentos de bezerras
com sucedâneos lácteos
Instrutora: Carla Maris Bittar
CLIQUE NOS CURSOS AO LADO!

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Criacao e maneio de codornas
Criacao e maneio de codornasCriacao e maneio de codornas
Criacao e maneio de codornas
NDINHO
 
Dry cow and heifer management
Dry cow and heifer managementDry cow and heifer management
Dry cow and heifer management
KayRaymond
 

Mais procurados (20)

Apostila sunicultura basica
Apostila sunicultura basicaApostila sunicultura basica
Apostila sunicultura basica
 
Coturnicultura
Coturnicultura Coturnicultura
Coturnicultura
 
Manejo de leitões 2
Manejo de leitões 2Manejo de leitões 2
Manejo de leitões 2
 
Nutrição e instalação para aves de postura
Nutrição e instalação para aves de posturaNutrição e instalação para aves de postura
Nutrição e instalação para aves de postura
 
Sistemaproducao Galinha Caipira
Sistemaproducao Galinha CaipiraSistemaproducao Galinha Caipira
Sistemaproducao Galinha Caipira
 
Confira manual de boas práticas de manejo de bezerros
Confira manual de boas práticas de manejo de bezerrosConfira manual de boas práticas de manejo de bezerros
Confira manual de boas práticas de manejo de bezerros
 
Poedeiras
PoedeirasPoedeiras
Poedeiras
 
Avicultura
AviculturaAvicultura
Avicultura
 
Bovinos de corte
Bovinos de corteBovinos de corte
Bovinos de corte
 
Criacao e maneio de codornas
Criacao e maneio de codornasCriacao e maneio de codornas
Criacao e maneio de codornas
 
Aula 1 - Introdução - Ruminantes.ppt
Aula 1 - Introdução - Ruminantes.pptAula 1 - Introdução - Ruminantes.ppt
Aula 1 - Introdução - Ruminantes.ppt
 
Caprinos e Ovinos
Caprinos e OvinosCaprinos e Ovinos
Caprinos e Ovinos
 
Iniciando no Leite - Nutrição
Iniciando no Leite - NutriçãoIniciando no Leite - Nutrição
Iniciando no Leite - Nutrição
 
Produção de ovinos e caprinos de corte
Produção de ovinos e caprinos de corteProdução de ovinos e caprinos de corte
Produção de ovinos e caprinos de corte
 
Avicultura de postura
Avicultura de posturaAvicultura de postura
Avicultura de postura
 
Manejo de recria leiteira
Manejo de recria leiteiraManejo de recria leiteira
Manejo de recria leiteira
 
Instalações para eqüinos
Instalações para eqüinosInstalações para eqüinos
Instalações para eqüinos
 
Dry cow and heifer management
Dry cow and heifer managementDry cow and heifer management
Dry cow and heifer management
 
5C's da Criação de Bezerras
5C's da Criação de Bezerras5C's da Criação de Bezerras
5C's da Criação de Bezerras
 
Bovinos - Do bem-estar ao Processamento da carne
Bovinos - Do bem-estar ao Processamento da carneBovinos - Do bem-estar ao Processamento da carne
Bovinos - Do bem-estar ao Processamento da carne
 

Semelhante a 5CS da criação de bezerras

MANEJO NUTRICIONAL PARA A MÁXIMA EFICIÊNCIA NA RECRIA DE NOVILHAS LEITEIRAS
MANEJO NUTRICIONAL PARA A MÁXIMA EFICIÊNCIA NA RECRIA DE NOVILHAS LEITEIRASMANEJO NUTRICIONAL PARA A MÁXIMA EFICIÊNCIA NA RECRIA DE NOVILHAS LEITEIRAS
MANEJO NUTRICIONAL PARA A MÁXIMA EFICIÊNCIA NA RECRIA DE NOVILHAS LEITEIRAS
AgriPoint
 
Como reduzir a taxa de mortalidade de suínos
Como reduzir a taxa de mortalidade de suínosComo reduzir a taxa de mortalidade de suínos
Como reduzir a taxa de mortalidade de suínos
Rafael Portinho
 
Uso de silagem de colostro para bezerras: vantagem ou desvantagem?
Uso de silagem de colostro para bezerras: vantagem ou desvantagem?Uso de silagem de colostro para bezerras: vantagem ou desvantagem?
Uso de silagem de colostro para bezerras: vantagem ou desvantagem?
Rural Pecuária
 
Artigo laparoscopia rev prod rural 2012
Artigo laparoscopia rev prod rural 2012Artigo laparoscopia rev prod rural 2012
Artigo laparoscopia rev prod rural 2012
gepaunipampa
 
E book gratuito - Vacas em transição
E book gratuito - Vacas em transiçãoE book gratuito - Vacas em transição
E book gratuito - Vacas em transição
AgriPoint
 
Desempenho e aspectos sanitários de bezerras leiteiras que receberam dieta co...
Desempenho e aspectos sanitários de bezerras leiteiras que receberam dieta co...Desempenho e aspectos sanitários de bezerras leiteiras que receberam dieta co...
Desempenho e aspectos sanitários de bezerras leiteiras que receberam dieta co...
Rural Pecuária
 

Semelhante a 5CS da criação de bezerras (20)

Cuidados com bezerros
Cuidados com bezerrosCuidados com bezerros
Cuidados com bezerros
 
Colostragem material tecnico
Colostragem  material  tecnicoColostragem  material  tecnico
Colostragem material tecnico
 
MANEJO NUTRICIONAL PARA A MÁXIMA EFICIÊNCIA NA RECRIA DE NOVILHAS LEITEIRAS
MANEJO NUTRICIONAL PARA A MÁXIMA EFICIÊNCIA NA RECRIA DE NOVILHAS LEITEIRASMANEJO NUTRICIONAL PARA A MÁXIMA EFICIÊNCIA NA RECRIA DE NOVILHAS LEITEIRAS
MANEJO NUTRICIONAL PARA A MÁXIMA EFICIÊNCIA NA RECRIA DE NOVILHAS LEITEIRAS
 
E-book-Bem-Estar-Animal.pdf
E-book-Bem-Estar-Animal.pdfE-book-Bem-Estar-Animal.pdf
E-book-Bem-Estar-Animal.pdf
 
Como reduzir a taxa de mortalidade de suínos
Como reduzir a taxa de mortalidade de suínosComo reduzir a taxa de mortalidade de suínos
Como reduzir a taxa de mortalidade de suínos
 
Encarte 6º ponto_af
Encarte 6º ponto_afEncarte 6º ponto_af
Encarte 6º ponto_af
 
Ebook mastite
Ebook mastiteEbook mastite
Ebook mastite
 
Uso de silagem de colostro para bezerras: vantagem ou desvantagem?
Uso de silagem de colostro para bezerras: vantagem ou desvantagem?Uso de silagem de colostro para bezerras: vantagem ou desvantagem?
Uso de silagem de colostro para bezerras: vantagem ou desvantagem?
 
Cuidados com o bezerros após o desmame.pptx
Cuidados com o bezerros após o desmame.pptxCuidados com o bezerros após o desmame.pptx
Cuidados com o bezerros após o desmame.pptx
 
Curso de boas praticas na ordenha
Curso de boas praticas na ordenhaCurso de boas praticas na ordenha
Curso de boas praticas na ordenha
 
Período de Transição – Conceitos essenciais para entender esta fase crítica
Período de Transição – Conceitos essenciais para entender esta fase críticaPeríodo de Transição – Conceitos essenciais para entender esta fase crítica
Período de Transição – Conceitos essenciais para entender esta fase crítica
 
O que a impede de ter uma lactação bem sucedida?
O que a impede de ter uma lactação bem sucedida?O que a impede de ter uma lactação bem sucedida?
O que a impede de ter uma lactação bem sucedida?
 
Creche
CrecheCreche
Creche
 
Artigo laparoscopia rev prod rural 2012
Artigo laparoscopia rev prod rural 2012Artigo laparoscopia rev prod rural 2012
Artigo laparoscopia rev prod rural 2012
 
3 alimentação primeiro ano de vida
3  alimentação primeiro ano de vida3  alimentação primeiro ano de vida
3 alimentação primeiro ano de vida
 
Criação de codornas emater
Criação de codornas ematerCriação de codornas emater
Criação de codornas emater
 
Interação e eficiência reprodutiva de fêmeas bovinas
Interação e eficiência reprodutiva de fêmeas bovinasInteração e eficiência reprodutiva de fêmeas bovinas
Interação e eficiência reprodutiva de fêmeas bovinas
 
E book gratuito - Vacas em transição
E book gratuito - Vacas em transiçãoE book gratuito - Vacas em transição
E book gratuito - Vacas em transição
 
Ebook bezerras-baixa
Ebook bezerras-baixaEbook bezerras-baixa
Ebook bezerras-baixa
 
Desempenho e aspectos sanitários de bezerras leiteiras que receberam dieta co...
Desempenho e aspectos sanitários de bezerras leiteiras que receberam dieta co...Desempenho e aspectos sanitários de bezerras leiteiras que receberam dieta co...
Desempenho e aspectos sanitários de bezerras leiteiras que receberam dieta co...
 

Mais de AgriPoint

REGULAMENTO E CONDIÇÕES GERAIS DE VENDA E COMPRA POR LEILÕES PROMOVIDOS POR E...
REGULAMENTO E CONDIÇÕES GERAIS DE VENDA E COMPRA POR LEILÕES PROMOVIDOS POR E...REGULAMENTO E CONDIÇÕES GERAIS DE VENDA E COMPRA POR LEILÕES PROMOVIDOS POR E...
REGULAMENTO E CONDIÇÕES GERAIS DE VENDA E COMPRA POR LEILÕES PROMOVIDOS POR E...
AgriPoint
 

Mais de AgriPoint (20)

Abordagem inovadora no tratamento das mastites
Abordagem inovadora no tratamento das mastitesAbordagem inovadora no tratamento das mastites
Abordagem inovadora no tratamento das mastites
 
RESUMO DE MERCADO: PREÇOS NOMINAIS - CADEIA PRODUTIVA
RESUMO DE MERCADO: PREÇOS NOMINAIS - CADEIA PRODUTIVARESUMO DE MERCADO: PREÇOS NOMINAIS - CADEIA PRODUTIVA
RESUMO DE MERCADO: PREÇOS NOMINAIS - CADEIA PRODUTIVA
 
Relatório de Chance de Mastite Clínica
Relatório de Chance de Mastite ClínicaRelatório de Chance de Mastite Clínica
Relatório de Chance de Mastite Clínica
 
REGULAMENTO E CONDIÇÕES GERAIS DE VENDA E COMPRA POR LEILÕES PROMOVIDOS POR E...
REGULAMENTO E CONDIÇÕES GERAIS DE VENDA E COMPRA POR LEILÕES PROMOVIDOS POR E...REGULAMENTO E CONDIÇÕES GERAIS DE VENDA E COMPRA POR LEILÕES PROMOVIDOS POR E...
REGULAMENTO E CONDIÇÕES GERAIS DE VENDA E COMPRA POR LEILÕES PROMOVIDOS POR E...
 
Boletim Técnico Vol. 1 - Verminoses x Desenv. Gl. Mamária
Boletim Técnico Vol. 1 - Verminoses x Desenv. Gl. MamáriaBoletim Técnico Vol. 1 - Verminoses x Desenv. Gl. Mamária
Boletim Técnico Vol. 1 - Verminoses x Desenv. Gl. Mamária
 
INTERNATIONAL WORKSHOP ON ADVANCES OF PROBIOTICS AND PREBIOTICS (IWAPP)
INTERNATIONAL WORKSHOP ON ADVANCES OF PROBIOTICS AND PREBIOTICS (IWAPP) INTERNATIONAL WORKSHOP ON ADVANCES OF PROBIOTICS AND PREBIOTICS (IWAPP)
INTERNATIONAL WORKSHOP ON ADVANCES OF PROBIOTICS AND PREBIOTICS (IWAPP)
 
Ebook - Top100 2020
Ebook - Top100 2020Ebook - Top100 2020
Ebook - Top100 2020
 
Manual técnico - Boostin
Manual técnico - BoostinManual técnico - Boostin
Manual técnico - Boostin
 
CASAMENTO DE INTERESSES: A utilização de Essential traz benefícios financeiro...
CASAMENTO DE INTERESSES: A utilização de Essential traz benefícios financeiro...CASAMENTO DE INTERESSES: A utilização de Essential traz benefícios financeiro...
CASAMENTO DE INTERESSES: A utilização de Essential traz benefícios financeiro...
 
Manual Técnico Boostin
Manual Técnico BoostinManual Técnico Boostin
Manual Técnico Boostin
 
Manual de Resíduos de Antibióticos no leite
Manual de Resíduos de Antibióticos no leiteManual de Resíduos de Antibióticos no leite
Manual de Resíduos de Antibióticos no leite
 
A internet como disseminadora da informação
A internet como disseminadora da informaçãoA internet como disseminadora da informação
A internet como disseminadora da informação
 
10 DICAS PARA FALAR EM PÚBLICO
10 DICAS PARA FALAR EM PÚBLICO10 DICAS PARA FALAR EM PÚBLICO
10 DICAS PARA FALAR EM PÚBLICO
 
Unopar - Guia para o consumidor de leite e derivados
Unopar - Guia para o consumidor de leite e derivados Unopar - Guia para o consumidor de leite e derivados
Unopar - Guia para o consumidor de leite e derivados
 
Top100 2018
Top100 2018Top100 2018
Top100 2018
 
Ebook Minerphos - Como minimizar prejuízos referentes a acidose e micotoxinas...
Ebook Minerphos - Como minimizar prejuízos referentes a acidose e micotoxinas...Ebook Minerphos - Como minimizar prejuízos referentes a acidose e micotoxinas...
Ebook Minerphos - Como minimizar prejuízos referentes a acidose e micotoxinas...
 
Ebook - Como minimizar prejuízos referentes a acidose e micotoxinas do seu re...
Ebook - Como minimizar prejuízos referentes a acidose e micotoxinas do seu re...Ebook - Como minimizar prejuízos referentes a acidose e micotoxinas do seu re...
Ebook - Como minimizar prejuízos referentes a acidose e micotoxinas do seu re...
 
Material Lallemand
Material Lallemand Material Lallemand
Material Lallemand
 
Material
MaterialMaterial
Material
 
Levantamento Top 100 - 2018
Levantamento Top 100 - 2018Levantamento Top 100 - 2018
Levantamento Top 100 - 2018
 

5CS da criação de bezerras

  • 1. 5Cs DA CRIAÇÃO DE BEZERRAS
  • 2. A criação de bezerras, muitas vezes, é vista como uma fase custosa dentro da produção leiteira. Isso porque não traz rentabilidade imediata ao sistema. Porém, negli- genciar os cuidados e a importância dessa fase significa comprometer todo o resultado futuro da produção! Uma bezerra saudável, bem-nutrida e em ótimas condi- ções de bem-estar  nos seus primeiros meses de vida, certamente será uma vaca mais dócil, longeva e com resultados produtivos superiores. Por isso, os cuidados dispendidos nesta fase de criação não devem ser vistos como custos, mas sim como um investimento na produ- ção futura! Indicadores de sucesso na Criação de Bezerras O conceito dos 5Cs foi introduzido para a cadeia do leite pela doutora Sheila McGuirk da Escola de Medicina Veterinária da University of Wisconsin e engloba: Colostro, conforto, con- centrado, cuidado com a limpeza e consistência na execução. Os 5Cs de sucesso na Criação de Bezerras O objetivo é aumentar a saúde do animal para garantir a produtividade no futuro. O investimento em criação de bezerra se paga após a primeira ou segunda lactação desta fêmea, e por isso vale a pena investir na qualidade de criação. Esses temas refletem de forma simplificada os 5 pontos mais importantes para promover uma boa saúde e pro- dutividade das bezerras, em qualquer tamanho de pro- priedade e para qualquer sistema produtivo. Confira a seguir a definição e aplicação desses conceitos! 1 2 3 4 5
  • 3.
  • 4. O colostro é o primeiro leite produzido pela vaca leitei- ra após o parto. É rico em nutrientes e tem elementos de imunidade que ajudarão os bezerros a crescerem de forma mais saudável. Através do colostro, garante-se a transferência de imunidade passiva já nas primeiras ho- ras de vida, o que é essencial para a sobrevivência de animais recém-nascidos. Sem o colostro, as bezerras correm maior risco de pegar alguma doença e podem ter um desempenho abaixo do padrão, mesmo após se tornarem vacas adultas. Durante a gestação, o tipo de placenta da vaca não per- mite a transferência de anticorpos para o feto. Por isso a ingestão de colostro nas primeiras horas de vida é fun- damental para absorção de imunoglobulinas e a transfe- rência de imunidade passiva que ajudam os bezerros a sobreviver e crescerem de forma mais saudável. Três fatores são importantes para o sucesso da colostra- gem. O fator tempo ou momento da colostragem, a qua- lidade do colostro e a quantidade de colostro fornecida. 1. Colostragem Tempo As imunoglobulinas são moléculas proteicas relativa- mente grandes que devem ser absorvidas intactas pelo intestino para cumprirem suas funções de transferência de imunidade. Esta absorção intestinal deve ocorrer o mais rápido possível, nas primeiras horas de vida do ani- mal, quando a parede intestinal permite a absorção das moléculas sem causar alterações nelas. Após 6h de vida a capacidade de absorção intestinal de imunoglobulinas reduz significativamente, chegando a praticamente zero nas primeiras 24h de vida, como mostra o gráfico. 0 20 60 100 80 40 Percentagem Horas após nascimento 0 6 12 18 24
  • 5. “Sem o colostro, as bezerras ficam suscetíveis às doenças e à mortalidade neonatal. Uma colostragem ineficiente pode comprometer o desempenho produtivo durante toda a vida da vaca adulta” Qualidade do colostro O colostro tem, comparado ao leite, menor teor de lacto- se e maior teor de gordura, sólidos totais, minerais vita- minas e proteína. Por esse motivo, sua qualidade é medi- da com base no teor de imunoglobulinas (lg) presentes. A medição deve ser feita antes do colostro ser utilizado ou congelado, podendo ser realizada com a ajuda do co- lostrômetro. O colostrômetro é calibrado em intervalos de 5 mg/mL, e classifica o colostro como de baixa quali- dade (vermelho) quando Ig < 20 mg/mL; moderado (ama- relo) para o intervalo de 20 – 50 mg/ mL; e excelente (ver- de) para valores de Ig maiores que 50 mg/mL. Uma vez que a densidade do colostro tem uma cor- relação forte e direta com a concentração de anticor- pos, quanto mais denso for o colostro, melhor sua qualidade. O ideal é que o colostro tenha mais de  50 miligramas por mililitro de anticorpos para garantir a transferência de imunidade passiva para as bezerras. Outra maneira de medir a qualidade do colostro é por meio do refratômetro de brix. Coloca-se uma gota de co- lostro na lente do refratômetro e a leitura é feita contra a luz. A porcentagem de brix pode ser correlacionada com a concentração de Ig do colostro, e o valor limite que in- dica que o colostro é de alta qualidade (> 50 mg de Ig/ mL) é 21% de brix. Img 1. Colostrômetro Img 3. Refratômetro Img 2. Colostrômetro Img 2. Refratômetro digital
  • 6. Volume de colostro A quantidade de colostro fornecida também é de grande importância para o sucesso da colostragem. Estudos su- gerem que a quantidade mínima de colostro fornecido seja de 5% do peso vivo, mas o ideal é que 10% do peso vivo ao nascimento da bezerra seja fornecido na forma de colostro. Assim, para um bezerro de 40kg de peso vivo ao nasci- mento, devem ser fornecidos cerca de 4l de colostro de qualidade nas primeiras 6h de vida do animal. O consumo voluntário por parte do bezerro é importante para facilitar o manejo. Porém, quando o bezerro não faz isso instintivamente, é possível utilizar uma sonda para realizar a colostragem. Neste caso, o volume fornecido deve ser maior, pois parte deste colostro pode ser direcio- nado para o rúmen e não ser absorvido adequadamente. Cuidados importantes - Colete o colostro da vaca de forma higiênica. Prepare o úbere como faria para a ordenha e colete o colostro em um recipiente que tenha sido lavado com água quente e sabão. - Alimente os bezerros com cerca de três a quatro litros de colostro, logo após o nascimento. Os bezerros devem receber dois litros adicionais de colostro dentro de oito horas após o parto. - Continue alimentando o bezerro com este leite pelos próximos três dias, pois é muito rico em nutrientes e ener- gia que beneficiarão o crescimento saudável do animal. - Limpe e desinfete os equipamentos, bicos, frascos ou tubos após cada utilização. - O colostro pode ser armazenado em freezer por até 1 ano e em geladeira por 4 a 5 dias. - Não utilizar colostro de baixa qualidade, que seja escor- regadio, fino, ou que contenha sangue;
  • 7. - Após as primeiras 24h de vida da bezerra, apesar da redução da possibilidade de absorção das imunoglobi- nas, a presença de Ig na luz intestinal pode auxiliar na redução de casos de diarreias e melhorar a imunidade local. Com isso os colostros de pior qualidade podem ser fornecidos a bezerros mais velhos. - Não utilize o colostro que venha de vacas com mastite ou que tenham sido tratadas com antibióticos. - Para garantir que a qualidade do colostro seja manti- da, o descongelamento tem que ser feito de maneira len- ta em banho-maria a uma temperatura máxima de 50 a 55ºC.
  • 8.
  • 9. O conforto também interfere na saúde das bezerras. Um animal saudável precisa estar confortável e com baixos níveis de estresse e agitação. O local deve ser aconche- gante, com temperatura adequada e em uma área bem ventilada. Esses fatores resultam em um melhor bem-es- tar e, também, diminuem a ocorrência de doenças. Manejos desafiadores como vacinação, vermifugação, descorna e transições de grupos, dietas ou ambiente devem ser realizados de forma cuidadosa e se possível com intervalos de cerca de duas semanas para evitar o acúmulo de estresse nestes animais. Vale ressaltar que embora a ocorrência de diarreias e problemas respiratórios, principais causas de mortalida- de de bezerras, tenham forte relação com falhas no pro- grama de colostragem, estas enfermidades estão tam- bém relacionadas com as instalações e o manejo dos animais. Por isso, um bom ambiente para criação de be- zerras deve prover o mínimo de conforto térmico e físico, além de priorizar boas condições de higiene e sanidade. Existem duas principais formas de alojamento de bezer- ras, o alojamento individual e o alojamento coletivo. Alojamento individual O alojamento individual possui a vantagem de reduzir a disseminação de doenças entre os bezerros. Principal- mente diarreias e doenças respiratórias, sendo esta pri- meira disseminada de forma oro fecal e a segunda pelo ar. Também com o alojamento individual é possível ter um controle mais eficiente do consumo de alimentos, princi- 2. Conforto palmente o concentrado, fundamental para o desenvol- vimento ruminal e da tomada de decisão em relação ao desaleitamento. O sistema individual pode ser composto por baias indi- viduais isoladas, gaiolas suspensas, galpões fechados,
  • 10. sistemas modulares, sistemas de casinhas ou abrigos tropicais, etc. São diversas as formas e materiais utili- zados para este tipo de alojamento. Porém, lembre-se da necessidade de proporcionar conforto aos bezerros, além de fornecer água e concentrado a todo momento. Além disso, busque fazer com que o tratador tenha fácil acesso aos animais, para que consiga interagir facilmen- te com eles em caso de enfermidade ou apenas para o manejo diário eficiente. Alojamentos coletivos Os alojamentos coletivos têm a vantagem de permitir o comportamento natural dos bezerros, reduzindo o es- tresse e proporcionando uma interação positiva entre os animais. No entanto, o cuidado com a sanidade neste sistema deve ser ainda maior, pois há maior chance de transmis- são de doenças entre os bezerros. Neste caso, a colos- tragem deve ser bastante eficiente para aumentar a imu- nidade e reduzir a mortalidade e morbidade no grupo. Os alojamentos coletivos podem ser feitos em piquetes, em gaiolas suspensas e ripadas, loosing house, compost barn, etc. Os grupos de bezerros deve ser de 8 a 10 ani- mais de preferência contemporâneos e mantidos juntos ao longo da criação, para reduzir competição e hierarquia dentro dos lotes. Neste sistema, boa ventilação, humidade controlada e disponibilidade de sombras são fundamentais. No alojamento coletivo o aleitamento pode ser realizado de forma individual ou coletiva. Para o aleitamento cole- tivo é importante que o lote seja homogêneo para evitar que animais maiores impeçam os menores de se alimen-
  • 11. Cuidados importantes - Os alojamentos de animais devem atender às premissas básicas: - Local limpo, arejado e seco, - Acessos adequados a alimento, água e sombra. - É importante ter um cocho com espaço para todos os animais, para evitar a competição. - Para baias com camas, é possível fazer um teste para saber quando trocar o material: ajoelhe-se na cama por 20 segundos. Se os seus joelhos ficarem molhados, prossiga com a troca. - Assegure-se de que as necessidades de reposição de leite dos animais estejam sendo sanadas e garanta que um programa de desmame gradual possa reduzir a sucção cruzada. tar. Também deve-se ter um número de bicos disponíveis igual ou maior do que o número de bezerros. O controle do aleitamento deve ser mais rigoroso para garantir que todos estão se alimentando adequadamente. Outra questão que deve ser observada é a mamada não nutritiva, ou mamada cruzada, na qual as bezerras, em um comportamento instintivo, mamam umas nas outras, principalmente no umbigo, úbere e orelhas. Este compor- tamento é prejudicial, e pode causar problemas sérios e até mesmo a perda de tetos no animal.
  • 12.
  • 13. A transição de dieta líquida para a dieta sólida é um pon- to importante para o desenvolvimento do animal. Natu- ralmente, o desaleitamento ou desmama ocorre entre 6 e 8 meses, porém em sistemas de produção de leite este processo ocorre entre 2 e 3 meses de idade. Por isso, é importante que a bezerra tenha um manejo adequado com inserção de alimentos concentrados para auxiliar no desenvolvimento do rúmen desde os primeiros dias de vida. Durante o aleitamento, é muito importante estimular o consumo de concentrado, para que a bezerra consiga de- senvolver seu sistema digestivo. Essa fase de transição pode configurar um período de grande estresse na vida do animal, sendo importante que ele esteja preparado fi- siologicamente para obter nutrientes como um ruminan- te adulto. As necessidades energéticas de uma bezerra baseiam-se no ambiente e no seu potencial genético para o cresci- mento. A fase de crescimento pré-ruminante, que ocorre entre 0 e 3 semanas de idade, é o estágio mais eficiente de crescimento e, por isso, demanda muita atenção. O desenvolvimento do rúmen ocorre com o aumento da capacidade física, estabelecimento de colônias bacteria- nas (amilolíticas, celulolíticas, metanogênicas entre ou- tras) e desenvolvimento das papilas para permitir a ab- sorção dos AGVs produzidos pela fermentação. Todas essas mudanças no sistema digestivo da bezer- ra serão determinadas pelo correto manejo nutricional e fornecimento de alimentos de qualidade. 3. Concentrado
  • 14. Cuidados importantes - Deve-se fornecer um concentrado de qualidade, com ingredientes de alta digestibilidade, estimulando o desenvolvimento ruminal e permitindo o desaleitamento com mínimo estresse animal; - Eventos anormais (como doenças, vacinação, entre outros) podem ser potencialmente estressantes as bezerras. Por isso, é importante que se aumente o volume de concentrado nesse período, já que os animais queimarão mais energia quando estiverem agitados. - Cuidado, o excesso de concentrado pode predispor o animal a sérios metabólicos nutricionais.
  • 15.
  • 16. 4. Cuidados na Limpeza Umbigo A prática de cura e limpeza do umbigo são fundamentais para a sanidade da bezerra recém nascida. A cura do um- bigo deve ser feita assim que o bezerro nasce, e repetida a cada 12h para evitar que seja utilizada como porta de en- trada para bicheiras e infecções. O ideal é que o cordão umbilical remanescente não seja muito comprido, deven- do ter cerca de 5 cm de distância do abdômen. A limpeza deve ser feita com solução de iodo (de 7 a 10%), através de imersão do cordão umbilical para que ocorra a cicatrização, mumificação e queda do coto um- bilical. Quando a cura é bem feita, ele se desprende com cerca de 3 a 5 dias. Um umbigo mal curado pode causar problemas como bi- cheiras, infecções, hérnias e abcessos. Isso prejudica o desenvolvimento dos animais, podendo afetar o ganho de peso ou até mesmo levar o animal a óbito. Problemas de umbigo são a segunda maior causa de morte no bezerreiro, por isso a cura deve ser realizada corretamente.
  • 17. Ambiente Desde o seu nascimento, a bezerra precisa permanecer em um ambiente limpo, seco, bem alojado e livre de cor- rentes de ar. No parto, é de extrema importância que a área esteja limpa, com uma cama grossa e separação imediata para reduzir o contato com o estrume, e con- sequentemente por infecções com as bactérias: Salmo- nella, E.Coli e Leptospirose. Estes cuidados são muito importantes para o bem-estar do animal, pois proporcionará um melhor desenvolvimen- to e menor incidência de doenças. Quando o sistema é coletivo com grupos entrando e sain- do do bezerreiro ao mesmo tempo, é possível realizar o vazio sanitário, e com isso uma limpeza mais rigorosa. O ideal é realizar a retirada de toda a matéria orgânica, lavar as baias ou casinhas, desinfetar e passar vassoura de fogo. Para evitar que haja a transmissão de microor- ganismos de um animal para outro. Os equipamentos devem ser limpos e desinfetados dia- riamente, e as camas devem ser trocadas pelo menos uma vez por semana. Cuidados importantes - A secagem adequada dos equipamentos de mistura e alimentação é essencial. Baldes de empilhamento dentro de um outro podem ocupar menos espaço na sala de mistura, mas possibilita que a umidade fique presa dentro. - Empilhar os baldes em um efeito de pirâmide permitirá uma drenagem mais adequada. - Quando utilizar garrafas e mamilo, é importante colocar esses itens em prateleiras. - Além do estrume, sangue e proteínas do leite são meios de crescimento para patógenos. O equipamento de mistura e alimentação de leite deve ser completamente lavado e desinfetado entre refeições. - Lave seus utensílios de alimentação de bezerras de uma maneira similar ao seu ciclo de lavagem, utilizando ácido, água quente e um enxágue com água fria.
  • 18.
  • 19. 5. Consistência Não há como evitar: as bezerras gostam muito de man- ter uma rotina estável, dia após dia. Assim, alterações no manejo, na alimentação ou na temperatura, podem ser muito estressantes ao animal, trazendo prejuízos em seu desenvolvimento e, até mesmo, resultando em diarreia alimentar. A consistência também é muito importante para minimi- zar o estresse dos animais, evitando gastos com sanida- de e perda de desempenho no futuro. O ideal é criar um protocolo com toda s metodologia e procedimentos que devem ser realizados e seguir este protocolo diariamente de forma eficiente e padronizada. Cuidados importantes - A secagem adequada dos equipamentos de mistura e alimentação é essencial. Baldes de empilhamento dentro de um outro podem ocupar menos espaço na sala de mistura, mas possibilita que a umidade fique presa dentro. - Empilhar os baldes em um efeito de pirâmide permitirá uma drenagem mais adequada. - Quando utilizar garrafas e mamilo, é importante colocar esses itens em prateleiras. - Além do estrume, sangue e proteínas do leite são meios de crescimento para patógenos. O equipamento de mistura e alimentação de leite deve ser completamente lavado e desinfetado entre refeições. - Lave seus utensílios de alimentação de bezerras de uma maneira similar ao seu ciclo de lavagem, utilizando ácido, água quente e um enxágue com água fria.
  • 20. Vamos colocar em prática? Ler sobre o assunto é fundamental! Mas, se você deseja se aprofundar na criação de bezerras, seja para iniciar na produção ou para aperfeiçoamento e atualização, recomendamos a realização de cursos onde você possa ver o manejo na prática e entender melhor sobre o dia a dia de propriedades que já atuam com a criação! No EducaPoint, você pode realizar vários cursos com este tema, fizemos uma lista dos cursos que você pode ter interesse, confira e aproveite! Aspectos Práticos da criação de bezerras leiteiras Instrutora: Carla Maris Bittar Bem-estar de bezerras leiteiras: boas práticas com resultados no presente e futuro Instrutora: Lívia Magalhães Práticas essenciais no manejo sanitário de bezerras leiteiras no período neonatal Instrutora: Viviani Gomes Atualidades no manejo de bezerras Instrutor: João Costa Aleitamentos de bezerras com sucedâneos lácteos Instrutora: Carla Maris Bittar CLIQUE NOS CURSOS AO LADO!