Cresce a procura por planta que seria predadora do mosquito

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O jornal Correio Popular publicou, em 8 de janeiro, matéria sobre a Crotalária. O IAC foi citado.

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Cresce a procura por planta que seria predadora do mosquito

  1. 1. Cresce procura por planta que seria predadora do mosquito PREVENÇÃO ||| MÉTODOS CASEIROS Camila Ferreira DA AGÊNCIA ANHANGUERA camila.ferreira@rac.com.br O aumento dos casos de den- gue no País, e agora com a ameaça do zika vírus, faz com que os brasileiros bus- quem por soluções caseiras para afastar o mosquito trans- missor e complementar o combate aos criadouros. Uma dessas ações é o plantio da crotalária, planta com flo- res amarelas, algumas com detalhes vermelhos, que atrai a libélula, predadora natural do Aedes aegypti, assim como de suas larvas. Cidades de di- versos estados do País distri- buíram sementes no ano pas- sado, porém ainda não há comprovação científica que mostre a eficácia da ação. Pelo sim ou pelo no não, os campineiros estão corren- do para as lojas especializa- das para adquirir sementes. Em uma delas, a venda desse produto aumentou 50% nos últimos dois meses. De acordo com os funcio- nários da empresa, eles passa- ram a separar as legumino- sas em saquinhos menores, de 1kg, que são vendidos a R$ 10,00 cada. “Nessa quanti- dade, é possível plantar em uma extensão de 500 metros de terra e produzir cerca de 100 mudas”, conta Aracelli Cristina Gomes, de 18 anos, auxiliar de escritório da distri- buidora Sementes Fortaleza. Lucas Tessarini, de 30 anos, administrador da firma, con- tou que um dos clientes gos- tou do resultado em uma área na zona rural de Monte Mor. “Ele me disse que a planta espantou os pernilon- gos depois que cultivou na chácara dele. Mas não dá pa- ra saber se foi por conta das flores, só sei que ficou satis- feito”, descreveu. A comunidade de especia- listas, no entanto, afirma que não há fundamento científi- co para esta medida caseira. Para Edmilson Ambrosano, pesquisador da Agência Pau- lista de Tecnologia dos Agro- negócios (APTA) da Secreta- ria de Agricultura e Abasteci- mento do Estado de São Pau- lo, é preciso cuidado para tra- tar essas ações, pois o comba- te ao Aedes é um problema de saúde pública. “Não pode- mos promover uma medida que não tem embasamento científico no controle de po- pulação de Aedes. Isso pode atrapalhar as que realmente funcionam, que são o comba- te aos criadouros e evitar água parada”, explica. O especialista é autor, com outros quatro pesquisa- dores da área, do documento do Instituto Gastronômico de Campinas (IAC) “Aedes Aegypti: Controle pelas crota- lárias não tem comprovação científica”, lançado no ano passado. O objetivo do bole- tim é alertar a população de que não há validação científi- ca do cultivo de espécies de crotalária, particularmente da juncea e spectabilis, co- mo possível alternativa no controle da população de Ae- des e que o único procedi- mento eficaz ainda é a locali- zação e a eliminação dos fo- cos do vetor. Em relação ao combate do Aedes, Ambrosano esclarece que seriam necessárias mi- lhões de libélulas para com- bater apenas algumas larvas do mosquito. Além disso, ela é uma predadora inespecífi- ca, ou seja, não preda prefe- rencialmente as larvas do Ae- des e é raro que as libélulas sejam constatadas em locais onde também é comum o mosquito da dengue. “Além disso, a libélula faz a postura de seus ovos em grandes de- pósitos de água, enquanto o mosquito precisa apenas de uma gota de água.” O documento levanta, ain- da, a questão da utilização dos carros de fumacê ou qual- quer outro aparato para a pul- verização de inseticida em áreas urbanas — que têm pouco ou nenhum efeito so- bre o mosquito. Os pesquisa- dores também registram na cartilha que não é aconselhá- vel o uso contínuo de produ- tos químicos, como repelen- tes, em sucessivas aplica- ções, pois podem ocorrer pro- blemas na pele ou graves in- toxicações, principalmente em crianças. Os autores também refor- çam no documento que a di- vulgação dessa informação é alarmante e irresponsável porque, além da semeadura em praças e farta distribui- ção de vasinhos com mudas de crotalária, como ações de alguns políticos e de prefeitu- ras do interior dos estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, por exemplo, foram propostos muitos pro- jetos de lei de âmbito munici- pal — alguns vetados e ou- tros, preocupantemente já aprovados — para incentivo ao cultivo de crotalárias (ge- ralmente de C. Juncea), bem como de citronela, muitos de- les baseados em justificativas no mínimo, não adequadas, particularmente no quesito comprovação científica. A planta Ainda de acordo com Ambro- sano, a crotalária é uma legu- minosa muito eficiente para o enriquecimento do solo, pois tem a capacidade de pro- duzir nitrogênio, adubo ver- de essencial para a produção agrícola. A espécie está sen- do bastante procurada como alternativa para realizar a ro- tatividade nas plantações de cana-de-açúcar. “Com o au- mento do álcool nesses últi- mos meses, os produtores querem utilizar a planta para enriquecer o solo e intensifi- car as próximas colheitas e a produção do etanol no Bra- sil”, destaca. A disseminação dessa planta se dá por semen- tes e não por mudas. Elas tem ciclo anual e pode che- gar a 4 metros de altura, pois são espécies eretas. Quatro dos cinco pesquisadores do Senegal que participaram ati- vamente do combate à epide- mia de ebola na África desem- barcaram anteontem, em São Paulo para ajudar cientistas bra- sileiros a lidar com o zika vírus. O chefe da equipe, um renoma- do especialista em controle de epidemias, deve chegar hoje. Eles vão se juntar à rede de pes- quisadores paulistas que foi for- mada em caráter emergencial pararesponder ao surto e é coor- denada pelo pesquisador Paolo Zanotto, da Universidade de São Paulo (USP). A previsão é de que a equipe do Senegal passe pelo menos uma semana no Ins- tituto de Ciências Biomédicas (ICB-USP), trocando informa- ções e treinando pesquisadores brasileiros em técnicas de isola- mento e cultivo do vírus. “Os dias que o vírus zika era invisível estão contados”, disse Zanotto ao jornal O Estado de S Paulo. A grande dificuldade em respon- der à epidemia é que muito pou- co se sabe sobre o zika, que pra- ticamente não existia no País até o ano passado. Para montar uma estratégia eficiente de com- bate, os cientistas precisam en- tender melhor como ele funcio- na, seu ciclo na natureza, como interage com o mosquito Aedes aegypti e como ele se comporta dentro do organismo humano. (Agência Estado) Muro não impede que lixo seja jogado em terreno baldio no Jardim Planalto, segundo vizinhos Aracelli, auxiliar de distribuidora de sementes; as de crotalária (planta no destaque) tiveram aumento de 50% nas vendas nos últimos dois meses Área com mato alto e lixo é possível criadouro O matoalto em um terrenobaldio, localizadona esquina daRua Monsenhor Maximilianoda Silva Leitee João GumercindoGuimarães, é apontado porvizinhos como umpossível criadouro da dengueno Jardim Planalto, em Campinas.A propriedade está cercadapormuro e algumas pessoasaproveitam a falta de visibilidadepara jogar lixo. Umamoradora quenão quis se identificar contouque já houveuma morte porcontade denguena rua e queela é alérgicaa picada demosquito. “Minhacasa está cheiade pernilongoe eunão posso usar inseticida,pois tenho alergia. Járeclamamos na Prefeitura, mas nãotomaramnenhuma providência”,contou. De acordocom outravizinha,que também quismantera identidadepreservada, essa propriedadeestá com processo paradona Justiçae não pode servendida. “A dona não pode vender,tentamos falar com ela, mas nãotempapo e demora muitotempopara fazer a limpezado local”,relatou.O endereço foienviadopara a Prefeitura eserá incluído na listadevistoria do poder público.(CF/AAN) Equipe de pesquisadores chega a SP para ajudar cientistas brasileiros Medo da dengue faz empresa faturar com sementes de crotalárias, mas efeito não é comprovado Carlos Sousa Ramos/AAN César Rodrigues/AAN Especialista diz que único combate eficaz é eliminação de focos Senegaleses que combatem ebola reforçam ação antizika CORREIO POPULAR A11CIDADES Campinas, sexta-feira, 8 de janeiro de 2016 A11

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