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A                                   Prosa                                    Gótica

Contrapondo-se aos valores racionalistas e materialistas da sociedade burguesa,
 certos escritores do Romantismo criam uma literatura fantasiosa, identificada
 com um universo de satanismo, mistério, morte, sonho, loucura, e degradação.
 Trata-se da literatura de tradição gótica, conhecida também como maldita,
que até hoje encontra adeptos na literatura, na música e no cinema.

Você já ouviu estes versos, de Rita Lee e Roberto de Carvalho?

Venha         me           beijar,        meu         doce          vampiro
Ô,           uou,            na           luz          do             luar
Ah,      ah,        ah,       ah,       venha       sugar        o       calor
De        dentro          do          meu        sangue,          vermelho,
tão           vivo,             tão           eterno,            veneno
que             mata                a            sua               sede
que                 me                  bebe                  quente
como                         um                         licor
brindando                         à                    morte
e                       fazendo                        amor
O vampirismo, o amor, a morte e o ambiente noturno, presentes no texto,
são elementos da tradição gótica, introduzida na literatura brasileira
 pelo paulista Álvares de Azevedo e por outros poetas da segunda geração
 do Romantismo, marcada pelo byronismo e e pelo mal-do-século.


                                                    ALVARES DE
LORD BYRON
                                                    AZEVEDO



                         BAUDELAIRE
Tradição gótica: ao diabo o status
quo

A     tradição    literária    gótica  é
representada pela prosa de Álvares de
Azevedo, por parte de sua poesia (a
face     Caliban)     e    por   algumas
contribuições de Bernardo Guimarães e
Junqueira Freire.


Essa produção representa uma ruptura
não apenas com os padrões literários
vigentes, estabelecidos pela primeira
geração romântica, mas também com
os próprios valores da sociedade.
Trata-se, em suma de uma literatura
que afronta o racionalismo e o
materialismo burgueses e opta por
zonas escuras e antilógicas do
subconsciente, onde fundem instintos
de vida e de morte, libido e terror.
A literatura gótica sempre teve um caráter
marginal, de acordo com o sentimento de
marginalidade experimentado pelos
escritores ultrarromânticos que deram
origem a ela em nosso país.
 Na Europa, tiveram ligações com essa
tendência Charles Baudelaire, pós
-romântico, e Mallarmé, um dos pais do
Simbolismo francês; nos Estados Unidos, o
poeta e prosador romântico Edgar Allan
Poe; no Brasil, os simbolistas Cruz e Sousa
e Alphonsus de Guimaraes e o pré-
modernista Augusto dos Anjos.


Da Década de 1960 em diante, o macabro
tem encontrado adeptos no cinema, na
literatura e principalmente entre grupos de
rock, jovens, adolescentes e sociedades
alternativas, que vêem nessa tradição uma
forma de protesto contra a ordem social.
Álvares de Azevedo: amor e morte

A produção gótica-romântica em prosa é representada pelas obras
 Noite na Taverna, de contos, e Macário, peça teatral, ambas realizações
 de Álvares de Azevedo.
O ambiente noturno e degradado desses textos não tem nenhum vínculo
direto com as vivências do escritor, morto precocemente aos 21 anos.
São fruto da imaginação fantasiosa do quase adolescente Álvares de
Azevedo e da influência exercida sobre ele pelo escritor Lord Byron.
A narrativa de Noite na Taverna inicia-se em forma de drama.
      Macário e Satan (personagens do drama Macário, de Álvares de Azevedo)
dialogam na primeira cena, em que Satan conduz Macário a uma orgia, a fim de
que leia uma página da vida, cheia de sangue e de vinho.
     Macário observa, da janela de uma taverna, uma sala fumacenta. À roda da
mesa estão sentados cinco homens ébrios, Os mais revolvem-se no chão.
       Dormem ali mulheres desgrenhadas, umas lívidas, outras vermelhas e
desgrenhadas.
     Observem que essa cena de abertura tem claros alguns motivos da narrativa
frenética, de que já falamos anteriormente, ou se preferirem, romance negro,
Ambos os gêneros dão à obra uma veste de caráter perverso.
       noturno satânico ou demoníaco, relatada por cinco personagens
     narradores: Solfieri, Bertram, Johann, Gennaro e Cláudius Herman
          que se caracterizam como personagens do "mal do século",
 ou seja, homens ébrios e devassos, cultivadores dos vícios e das perdições
                       humanas, enfim, LIBERTINOS.
    Macário é a testemunha da cena ( uma noite de orgia) cujas histórias
                       nos são narradas em 1ª pessoa.


A obra possui:
*dimensão fantástica (sonho e
embriaguez)
*narrativas difusas
*ótica de Macário x ótica de Satan
*mal personificado
*teor sexual mórbido
Observe o perfil dos viajantes :

               Nome do personagem / Perfil da personalidade
 SOLFIERI libertino e necrófilo _ possuiu uma mulher em estado de catalepsia
                  ( doença em que a pessoa parece morta )
    BERTRAM Torna-se um perdido na Espanha, envolve-se com mulher
             que mata o marido e o filho para provar-lhe o amor
GENNARO Estudante de pintura, casado _ apaixona-se pela filha de seu mestre.
   CLAUDIUS HERMANN Para conquistar uma mulher casada vale-se do
                     ardil de dopá-la. Jogador inveterado
    JOHANN jovem cuja figura lembra uma donzela pelas formas suaves
              da expressão facial_ cometerá incesto e fratricídio
VEJAMOS ALGUNS TRECHOS:
MACÁRIO
Onde me levas?

SATAN
A uma orgia. Vais ler uma página da
vida, cheia de sangue e de
vinho—que importa?

MACÁRIO
Eu vejo-os. É uma sala fumacenta. A
roda da mesa estão sentados
cinco homens ébrios. Os mais
revolvem-se no chão. Dormem ali
mulheres
desgrenhadas, umas lívidas, outras
vermelhas .Que noite!
Bebamos! nem um canto de saudade!
Morrem na embriaguez da vida
as cores! Que importam sonhos, ilusões
desfeitas? Fenecem como as flores!


                           —Oh! vazio meu copo esta vazio! Olá taverneira,
                           não vês que as
                           garrafas estão esgotadas? Não sabes,
                           desgraçada, que os lábios da garrafa são
                           como os da mulher: só valem beijos enquanto o
                           fogo do vinho ou o fogo do
                           amor os borrifa de lava?




                    —Solfieri! es um insensato! o materialismo é árido como
                    o deserto, e
                    escuro como um túmulo!
—Deus! crer em Deus!
Quando me falarem em
verdades religiosas, em
visões santas, nos desvarios
daquele povo estúpido—eu vos
direi—miséria!
miséria! três vezes miséria!
Tudo aquilo é falso— mentiram
como as miragens
do deserto!
—Estas ébrio, Johann! O
ateísmo é a insânia como...
“Invejo as flores que murchando morrem,
E as aves que desmaiam-se cantando
E expiram sem sofrer... “



                           Álvares de Azevedo




“Feliz daquele que no livro d’alma
Não tem folhas escritas,
E nem saudade amarga, arrependida,
Nem lágrimas malditas."
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SUGESTÕES DE OBRAS COM TRAÇOS
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LEIA : O retrato de Dorian Gray ( Oscar Wilde ); Histórias Fantásticas (Para
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ASSISTA: Cold mountain ; Frankstein, o terror das trevas; O corvo ; O sexto
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Slide: Prosa gótica, Literatura.

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  • 2. A Prosa Gótica Contrapondo-se aos valores racionalistas e materialistas da sociedade burguesa, certos escritores do Romantismo criam uma literatura fantasiosa, identificada com um universo de satanismo, mistério, morte, sonho, loucura, e degradação. Trata-se da literatura de tradição gótica, conhecida também como maldita, que até hoje encontra adeptos na literatura, na música e no cinema. Você já ouviu estes versos, de Rita Lee e Roberto de Carvalho? Venha me beijar, meu doce vampiro Ô, uou, na luz do luar Ah, ah, ah, ah, venha sugar o calor De dentro do meu sangue, vermelho, tão vivo, tão eterno, veneno que mata a sua sede que me bebe quente como um licor brindando à morte e fazendo amor
  • 3. O vampirismo, o amor, a morte e o ambiente noturno, presentes no texto, são elementos da tradição gótica, introduzida na literatura brasileira pelo paulista Álvares de Azevedo e por outros poetas da segunda geração do Romantismo, marcada pelo byronismo e e pelo mal-do-século. ALVARES DE LORD BYRON AZEVEDO BAUDELAIRE
  • 4. Tradição gótica: ao diabo o status quo A tradição literária gótica é representada pela prosa de Álvares de Azevedo, por parte de sua poesia (a face Caliban) e por algumas contribuições de Bernardo Guimarães e Junqueira Freire. Essa produção representa uma ruptura não apenas com os padrões literários vigentes, estabelecidos pela primeira geração romântica, mas também com os próprios valores da sociedade. Trata-se, em suma de uma literatura que afronta o racionalismo e o materialismo burgueses e opta por zonas escuras e antilógicas do subconsciente, onde fundem instintos de vida e de morte, libido e terror.
  • 5. A literatura gótica sempre teve um caráter marginal, de acordo com o sentimento de marginalidade experimentado pelos escritores ultrarromânticos que deram origem a ela em nosso país. Na Europa, tiveram ligações com essa tendência Charles Baudelaire, pós -romântico, e Mallarmé, um dos pais do Simbolismo francês; nos Estados Unidos, o poeta e prosador romântico Edgar Allan Poe; no Brasil, os simbolistas Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraes e o pré- modernista Augusto dos Anjos. Da Década de 1960 em diante, o macabro tem encontrado adeptos no cinema, na literatura e principalmente entre grupos de rock, jovens, adolescentes e sociedades alternativas, que vêem nessa tradição uma forma de protesto contra a ordem social.
  • 6. Álvares de Azevedo: amor e morte A produção gótica-romântica em prosa é representada pelas obras Noite na Taverna, de contos, e Macário, peça teatral, ambas realizações de Álvares de Azevedo. O ambiente noturno e degradado desses textos não tem nenhum vínculo direto com as vivências do escritor, morto precocemente aos 21 anos. São fruto da imaginação fantasiosa do quase adolescente Álvares de Azevedo e da influência exercida sobre ele pelo escritor Lord Byron.
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  • 8. A narrativa de Noite na Taverna inicia-se em forma de drama. Macário e Satan (personagens do drama Macário, de Álvares de Azevedo) dialogam na primeira cena, em que Satan conduz Macário a uma orgia, a fim de que leia uma página da vida, cheia de sangue e de vinho. Macário observa, da janela de uma taverna, uma sala fumacenta. À roda da mesa estão sentados cinco homens ébrios, Os mais revolvem-se no chão. Dormem ali mulheres desgrenhadas, umas lívidas, outras vermelhas e desgrenhadas. Observem que essa cena de abertura tem claros alguns motivos da narrativa frenética, de que já falamos anteriormente, ou se preferirem, romance negro,
  • 9. Ambos os gêneros dão à obra uma veste de caráter perverso. noturno satânico ou demoníaco, relatada por cinco personagens narradores: Solfieri, Bertram, Johann, Gennaro e Cláudius Herman que se caracterizam como personagens do "mal do século", ou seja, homens ébrios e devassos, cultivadores dos vícios e das perdições humanas, enfim, LIBERTINOS. Macário é a testemunha da cena ( uma noite de orgia) cujas histórias nos são narradas em 1ª pessoa. A obra possui: *dimensão fantástica (sonho e embriaguez) *narrativas difusas *ótica de Macário x ótica de Satan *mal personificado *teor sexual mórbido
  • 10. Observe o perfil dos viajantes : Nome do personagem / Perfil da personalidade SOLFIERI libertino e necrófilo _ possuiu uma mulher em estado de catalepsia ( doença em que a pessoa parece morta ) BERTRAM Torna-se um perdido na Espanha, envolve-se com mulher que mata o marido e o filho para provar-lhe o amor GENNARO Estudante de pintura, casado _ apaixona-se pela filha de seu mestre. CLAUDIUS HERMANN Para conquistar uma mulher casada vale-se do ardil de dopá-la. Jogador inveterado JOHANN jovem cuja figura lembra uma donzela pelas formas suaves da expressão facial_ cometerá incesto e fratricídio
  • 11. VEJAMOS ALGUNS TRECHOS: MACÁRIO Onde me levas? SATAN A uma orgia. Vais ler uma página da vida, cheia de sangue e de vinho—que importa? MACÁRIO Eu vejo-os. É uma sala fumacenta. A roda da mesa estão sentados cinco homens ébrios. Os mais revolvem-se no chão. Dormem ali mulheres desgrenhadas, umas lívidas, outras vermelhas .Que noite!
  • 12. Bebamos! nem um canto de saudade! Morrem na embriaguez da vida as cores! Que importam sonhos, ilusões desfeitas? Fenecem como as flores! —Oh! vazio meu copo esta vazio! Olá taverneira, não vês que as garrafas estão esgotadas? Não sabes, desgraçada, que os lábios da garrafa são como os da mulher: só valem beijos enquanto o fogo do vinho ou o fogo do amor os borrifa de lava? —Solfieri! es um insensato! o materialismo é árido como o deserto, e escuro como um túmulo!
  • 13. —Deus! crer em Deus! Quando me falarem em verdades religiosas, em visões santas, nos desvarios daquele povo estúpido—eu vos direi—miséria! miséria! três vezes miséria! Tudo aquilo é falso— mentiram como as miragens do deserto! —Estas ébrio, Johann! O ateísmo é a insânia como...
  • 14. “Invejo as flores que murchando morrem, E as aves que desmaiam-se cantando E expiram sem sofrer... “ Álvares de Azevedo “Feliz daquele que no livro d’alma Não tem folhas escritas, E nem saudade amarga, arrependida, Nem lágrimas malditas." LEIA MAIS E INFORME-SE...
  • 15. SUGESTÕES DE OBRAS COM TRAÇOS GÓTICOS: LEIA : O retrato de Dorian Gray ( Oscar Wilde ); Histórias Fantásticas (Para Gostar de Ler) ; O médico e o monstro ( Robert Stevenson ) ; Noite na taverna... ASSISTA: Cold mountain ; Frankstein, o terror das trevas; O corvo ; O sexto sentido ; Drácula; Entrevista com vampiro... VEJA: Obras de Goya, Delacroix, Rodin, Henry Fuseli...