SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 16
Baixar para ler offline
ASPECTOS ÉTICOS DA SÍNDROME
PÓS-PARADA
CARDIORRESPIRATÓRIA
Prof. Me. Aroldo Gavioli
Aspectos éticos
Gravidade da lesão cerebral hipóxico-isquêmica.
pacientes após RCP bem-sucedida podem apresentar sequelas graves.

Comprometimento da consciência.
Estado vegetativo persistente.
Sobrevida limitada.
Necessidade de cuidados médicos prolongados e com alto custo financeiro ao sistema de saúde.
Aspectos éticos
As
intervenções
terapêuticas
melhoram o
prognóstico.

↑ sobrevida de pacientes com lesões
neurológicas ou comprometimento
cognitivo grave.

Importantes implicações sociais.

Debater sob a luz da legislação vigente, da
sensibilidade da sociedade, da comunidade
médica e da família envolvida
Distanásia

Avaliação do
prognostico
funcional

Identificar
lesão cerebral
irreversível

Determinar a
retirada ou não
de aplicação de
terapias de
suporte a vida.

Minimizando o
risco de
Distanásia.
Preditores de evolução
São controversos

• Fatores fisiológicos, patológicos e intervenções (como sepse,
choque, sedativos) podem influenciar a avaliação e levar a erros.
• Hipotermia, que altera a progressão do dano neurológico.
• Ferramentas diagnósticas: não tem a mesma acurácia nos
tratados com hipotermia, se aplicadas nas primeiras horas ou
durante sua manutenção.
Momento ideal de retirar o suporte
Diversos estudos
• Avaliado a correlação do exame neurológico ou de
exames complementares específicos no prognostico.
• Nenhum tem analisado a aplicação atual da avaliação
neurológica na prática clinica em relação a decisão de
retirar a terapia de suporte a vida.
Documentar testes prognósticos

Biomarcadores e
neuroimagem
Exame clinico
neurológico.
• Estudos
eletrofisiológicos.

• Após 72 horas da PCR.

Utilizar julgamento
clínico, baseado
nesses testes, para
decidir pela retirada
ou não do suporte a
vida, quando
apropriado
Obstáculos
Incerteza.
• Ausência de diagnostico definitivo
• No Brasil, a falta de normatização bem definida são os principais
motivos pelos quais a prática de Distanásia acaba se tornando
frequente no dia a dia das UTIs.
• A realidade da medicina é que, até mesmo nas melhores
circunstâncias, o diagnóstico e o prognóstico medico não são
absolutamente definidos, sendo, muitas vezes, impossível de se
prever o desfecho clinico.
Princípio da autonomia
Pacientes adultos com capacidade de tomar decisão tem o direito de recusar
qualquer terapia médica, incluindo terapias que mantêm a vida.
O respeito a autonomia do paciente é primordial quando se deve decidir pela
suspensão ou não da oferta de terapias de suporte a vida, desde que este tenha
capacidade de decidir e esteja apropriadamente informado sobre a situação.
Estando o paciente impossibilitado de decidir, e fundamental que a família seja
abordada e participe ativamente, com o objetivo de se tomar uma decisão em
conjunto.
Lei Estadual n. 10.241, aprovada pela Câmara Legislativa do
Estado de São Paulo em 1999.
Acesso a informação e a um
tratamento justo e humanizado.
Princípio da autonomia.
Direitos do paciente:

“VII – consentir ou recusar, de
forma livre, voluntaria e esclarecida,
com adequada informação,
procedimentos diagnósticos ou
terapêuticos a serem nele realizados”;

“XXIII - recusar tratamentos
dolorosos ou extraordinários para
tentar prolongar a vida”;

“XXIV – optar pelo local de morte”.
O exercício da autonomia
• O paciente deve estar ciente de sua condição e informado sobre seu
diagnóstico, prognóstico, riscos e benefícios, e consequências das opções
terapêuticas disponíveis, incluindo a possibilidade de não realizar tratamento.

• Sobreviventes de PCR não tem essa oportunidade, em decorrência de um
evento inesperado, como evolução rápida e imprevisibilidade ou perda da
capacidade de decidir antes da PCR.

• Por isso, essa comunicação deve ocorrer o mais precocemente possível, antes
que uma situação de risco iminente esteja presente.
Decisão do paciente ou familiares
• A equipe tem a responsabilidade de oferecer alivio a dor ou ao sofrimento
que podem surgir como consequência dessa decisão

• a decisão de limitar ou retirar terapias de suporte a vida é justificável se o
paciente expressou previamente a opção por essa conduta.

• A equipe médica, o paciente ou seu substituto concordam que os objetivos
do tratamento não podem ser alcançados ou se o ônus da continuação do
tratamento para o paciente exceder qualquer beneficio.
DOAÇÃO DE ÓRGÃOS APÓS
PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA
• morte encefálica após PCR varia entre 8% e 16%.
• Esses pacientes podem ser candidatos a doação de órgãos.
• Estudos demonstram não haver diferença no prognóstico após o transplante
quando esses órgãos são obtidos apropriadamente de pacientes apos período
de PCR ou de doadores sem historia de PCR.

• O exato período de isquemia que causaria morte celular, é incerto, mas é
provável que essa duração seja maior que a previamente suspeitada.
Estudo retrospectivo avaliou o transplante cardíaco em pacientes que
receberam órgãos de doadores sobreviventes de PCR.
Entre 1991 e 2004.

38 pacientes

O tempo médio de
PCR foi de 15 ± 8
minutos.

A mortalidade em
30 dias foi de 2,6%
(1/38).

Não houve evidencia de que a sobrevida apos transplante cardíaco
tenha sido pior quando o doador do órgão sofreu um período de
PCR, se comparada a do grupo controle.228
Obrigado

Não importa quanto
vá durar – é infinito
agora.
Caio Fernando Abreu
Referências Bibliográficas
• AHA. Destaques das Diretrizes da American Heart Association 2010 para
RCP e ACE American Heart Association, 2010.

• CERQUEIRA FILHO, D. et al. Síndrome pós-parada cardiorrespiratória:
fisiopatologia e manejo terapêutico São Paulo: Instituto Dante Pazanezze, 2010.

• GONZALEZ, M. M. et al. I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados
Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arquivos
Brasileiros de Cardiologia, v. 101, p. 1-221, 2013. ISSN 0066-782X.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Avaliação Fisioterapêutica na Unidade de Terapia Intensiva Uma Revisão Biblio...
Avaliação Fisioterapêutica na Unidade de Terapia Intensiva Uma Revisão Biblio...Avaliação Fisioterapêutica na Unidade de Terapia Intensiva Uma Revisão Biblio...
Avaliação Fisioterapêutica na Unidade de Terapia Intensiva Uma Revisão Biblio...Luana Cabral
 
3. artigo critérios para admissão de pacientes na unidade de terapia (leitu...
3. artigo   critérios para admissão de pacientes na unidade de terapia (leitu...3. artigo   critérios para admissão de pacientes na unidade de terapia (leitu...
3. artigo critérios para admissão de pacientes na unidade de terapia (leitu...Murilo Bastos
 
A relação médico paciente em rio brancoac sob a ótica dos pacientes
A relação médico paciente em rio brancoac sob a ótica dos pacientesA relação médico paciente em rio brancoac sob a ótica dos pacientes
A relação médico paciente em rio brancoac sob a ótica dos pacientesNikarovitch
 
01 princípios de epidemiologia clínica aplicada à cardiologia 1998
01   princípios de epidemiologia clínica aplicada à cardiologia 199801   princípios de epidemiologia clínica aplicada à cardiologia 1998
01 princípios de epidemiologia clínica aplicada à cardiologia 1998gisa_legal
 
terapia de infusão no paciente idoso
terapia de infusão no paciente idosoterapia de infusão no paciente idoso
terapia de infusão no paciente idosoERALDO DOS SANTOS
 
Negligência médica
Negligência médicaNegligência médica
Negligência médicaAlbino Gomes
 
Dissertação thais teles de souza
Dissertação thais teles de souzaDissertação thais teles de souza
Dissertação thais teles de souzaLASCES UFPR
 
Nauseas e vomito
Nauseas e vomitoNauseas e vomito
Nauseas e vomitoOncoguia
 
Epidemiologia -Prevenção quaternária
Epidemiologia -Prevenção quaternáriaEpidemiologia -Prevenção quaternária
Epidemiologia -Prevenção quaternáriaVinicius Moreira
 
7º Fórum Oncoguia - 28/06/2017 - Maria Del Pilar Estevez Diz
7º Fórum Oncoguia - 28/06/2017 - Maria Del Pilar Estevez Diz7º Fórum Oncoguia - 28/06/2017 - Maria Del Pilar Estevez Diz
7º Fórum Oncoguia - 28/06/2017 - Maria Del Pilar Estevez DizOncoguia
 

Mais procurados (12)

Avaliação Fisioterapêutica na Unidade de Terapia Intensiva Uma Revisão Biblio...
Avaliação Fisioterapêutica na Unidade de Terapia Intensiva Uma Revisão Biblio...Avaliação Fisioterapêutica na Unidade de Terapia Intensiva Uma Revisão Biblio...
Avaliação Fisioterapêutica na Unidade de Terapia Intensiva Uma Revisão Biblio...
 
3. artigo critérios para admissão de pacientes na unidade de terapia (leitu...
3. artigo   critérios para admissão de pacientes na unidade de terapia (leitu...3. artigo   critérios para admissão de pacientes na unidade de terapia (leitu...
3. artigo critérios para admissão de pacientes na unidade de terapia (leitu...
 
A relação médico paciente em rio brancoac sob a ótica dos pacientes
A relação médico paciente em rio brancoac sob a ótica dos pacientesA relação médico paciente em rio brancoac sob a ótica dos pacientes
A relação médico paciente em rio brancoac sob a ótica dos pacientes
 
01 princípios de epidemiologia clínica aplicada à cardiologia 1998
01   princípios de epidemiologia clínica aplicada à cardiologia 199801   princípios de epidemiologia clínica aplicada à cardiologia 1998
01 princípios de epidemiologia clínica aplicada à cardiologia 1998
 
terapia de infusão no paciente idoso
terapia de infusão no paciente idosoterapia de infusão no paciente idoso
terapia de infusão no paciente idoso
 
Negligência médica
Negligência médicaNegligência médica
Negligência médica
 
Dissertação thais teles de souza
Dissertação thais teles de souzaDissertação thais teles de souza
Dissertação thais teles de souza
 
Seminário Nacional Prevenção Quaternária
Seminário Nacional Prevenção QuaternáriaSeminário Nacional Prevenção Quaternária
Seminário Nacional Prevenção Quaternária
 
Nauseas e vomito
Nauseas e vomitoNauseas e vomito
Nauseas e vomito
 
Epidemiologia -Prevenção quaternária
Epidemiologia -Prevenção quaternáriaEpidemiologia -Prevenção quaternária
Epidemiologia -Prevenção quaternária
 
7º Fórum Oncoguia - 28/06/2017 - Maria Del Pilar Estevez Diz
7º Fórum Oncoguia - 28/06/2017 - Maria Del Pilar Estevez Diz7º Fórum Oncoguia - 28/06/2017 - Maria Del Pilar Estevez Diz
7º Fórum Oncoguia - 28/06/2017 - Maria Del Pilar Estevez Diz
 
Diagnostico
DiagnosticoDiagnostico
Diagnostico
 

Destaque

Lista de novas coberturas obrigatorias de Planos de Saude
Lista de novas coberturas obrigatorias de Planos de SaudeLista de novas coberturas obrigatorias de Planos de Saude
Lista de novas coberturas obrigatorias de Planos de SaudeHelpSaúde
 
Hipóxia, anóxia, radicais livres - Patologia
Hipóxia, anóxia, radicais livres - PatologiaHipóxia, anóxia, radicais livres - Patologia
Hipóxia, anóxia, radicais livres - PatologiaUniversidade de Brasília
 
Cuidados Pós Parada Cardiorespiratória
Cuidados Pós Parada CardiorespiratóriaCuidados Pós Parada Cardiorespiratória
Cuidados Pós Parada CardiorespiratóriaDaniel Valente
 
Malformações congênitas cianogênicas
Malformações congênitas cianogênicasMalformações congênitas cianogênicas
Malformações congênitas cianogênicasresenfe2013
 
Cardiopatias congênitas cianogênicas
Cardiopatias congênitas cianogênicas Cardiopatias congênitas cianogênicas
Cardiopatias congênitas cianogênicas resenfe2013
 
Patologia 02 lesão e morte celular - med resumos - arlindo netto
Patologia 02   lesão e morte celular - med resumos - arlindo nettoPatologia 02   lesão e morte celular - med resumos - arlindo netto
Patologia 02 lesão e morte celular - med resumos - arlindo nettoJucie Vasconcelos
 
Lesão celular reversivel e inreversivel
Lesão celular reversivel e inreversivelLesão celular reversivel e inreversivel
Lesão celular reversivel e inreversivelFernanda Lima Pinto
 

Destaque (8)

Lista de novas coberturas obrigatorias de Planos de Saude
Lista de novas coberturas obrigatorias de Planos de SaudeLista de novas coberturas obrigatorias de Planos de Saude
Lista de novas coberturas obrigatorias de Planos de Saude
 
Hipóxia, anóxia, radicais livres - Patologia
Hipóxia, anóxia, radicais livres - PatologiaHipóxia, anóxia, radicais livres - Patologia
Hipóxia, anóxia, radicais livres - Patologia
 
Cuidados Pós Parada Cardiorespiratória
Cuidados Pós Parada CardiorespiratóriaCuidados Pós Parada Cardiorespiratória
Cuidados Pós Parada Cardiorespiratória
 
Malformações congênitas cianogênicas
Malformações congênitas cianogênicasMalformações congênitas cianogênicas
Malformações congênitas cianogênicas
 
Cardiopatias congênitas cianogênicas
Cardiopatias congênitas cianogênicas Cardiopatias congênitas cianogênicas
Cardiopatias congênitas cianogênicas
 
caso clínico
caso clínicocaso clínico
caso clínico
 
Patologia 02 lesão e morte celular - med resumos - arlindo netto
Patologia 02   lesão e morte celular - med resumos - arlindo nettoPatologia 02   lesão e morte celular - med resumos - arlindo netto
Patologia 02 lesão e morte celular - med resumos - arlindo netto
 
Lesão celular reversivel e inreversivel
Lesão celular reversivel e inreversivelLesão celular reversivel e inreversivel
Lesão celular reversivel e inreversivel
 

Semelhante a Aspectos éticos da síndrome pós pcr

2023-2 aula 3 - Paciente crítico - Copia.pptx
2023-2 aula 3 - Paciente crítico - Copia.pptx2023-2 aula 3 - Paciente crítico - Copia.pptx
2023-2 aula 3 - Paciente crítico - Copia.pptxproftecenfmelissa
 
Transplante de órgãos e tecidos e transfusões sanguíneas
Transplante de órgãos e tecidos e transfusões sanguíneas Transplante de órgãos e tecidos e transfusões sanguíneas
Transplante de órgãos e tecidos e transfusões sanguíneas Raquelrenno
 
Paciente Terminal - Rodrigo Mont'Alverne
Paciente Terminal - Rodrigo Mont'AlvernePaciente Terminal - Rodrigo Mont'Alverne
Paciente Terminal - Rodrigo Mont'AlverneRodrigo Mont'Alverne
 
Ética e bioética cap 6 aula 9 ética no direito à saúde e a informação
Ética e bioética cap 6 aula 9 ética no direito à saúde e a informaçãoÉtica e bioética cap 6 aula 9 ética no direito à saúde e a informação
Ética e bioética cap 6 aula 9 ética no direito à saúde e a informaçãoCleanto Santos Vieira
 
2007 aspectos jurídicos sobre os critérios de escolha do receptor nos transpl...
2007 aspectos jurídicos sobre os critérios de escolha do receptor nos transpl...2007 aspectos jurídicos sobre os critérios de escolha do receptor nos transpl...
2007 aspectos jurídicos sobre os critérios de escolha do receptor nos transpl...Nádia Elizabeth Barbosa Villas Bôas
 
Doação de Órgãos Fígado Ética e Deontologia para Fisioterapia
Doação de Órgãos Fígado   Ética e Deontologia para Fisioterapia Doação de Órgãos Fígado   Ética e Deontologia para Fisioterapia
Doação de Órgãos Fígado Ética e Deontologia para Fisioterapia Universidade Norte do Paraná
 
Cuidados paliativos
Cuidados paliativosCuidados paliativos
Cuidados paliativosleiafrocha
 
1ª Aula_S. Respiratório.pdf
1ª Aula_S. Respiratório.pdf1ª Aula_S. Respiratório.pdf
1ª Aula_S. Respiratório.pdfssuser37a213
 
02 19 emergências médicas - Marion
02 19 emergências médicas - Marion02 19 emergências médicas - Marion
02 19 emergências médicas - Marionlaiscarlini
 
paciente terminal
paciente terminal paciente terminal
paciente terminal nagelasouza1
 
Cancer Colorretal - Prioridades e Desafios
Cancer Colorretal - Prioridades e DesafiosCancer Colorretal - Prioridades e Desafios
Cancer Colorretal - Prioridades e DesafiosOncoguia
 
2011 sentimentos e expectativas de pacientes candidatos ao transplante de fíg...
2011 sentimentos e expectativas de pacientes candidatos ao transplante de fíg...2011 sentimentos e expectativas de pacientes candidatos ao transplante de fíg...
2011 sentimentos e expectativas de pacientes candidatos ao transplante de fíg...Nádia Elizabeth Barbosa Villas Bôas
 
Ética em Pesquisa em psicologia, 10 aula
Ética em Pesquisa em psicologia, 10 aulaÉtica em Pesquisa em psicologia, 10 aula
Ética em Pesquisa em psicologia, 10 aulaValmirDornVasconcelo1
 
Uerj res enferm discursiva gabarito
Uerj res enferm discursiva gabaritoUerj res enferm discursiva gabarito
Uerj res enferm discursiva gabaritotatysants
 

Semelhante a Aspectos éticos da síndrome pós pcr (20)

Cuidados paliativos
Cuidados paliativosCuidados paliativos
Cuidados paliativos
 
2023-2 aula 3 - Paciente crítico - Copia.pptx
2023-2 aula 3 - Paciente crítico - Copia.pptx2023-2 aula 3 - Paciente crítico - Copia.pptx
2023-2 aula 3 - Paciente crítico - Copia.pptx
 
Transplante de órgãos e tecidos e transfusões sanguíneas
Transplante de órgãos e tecidos e transfusões sanguíneas Transplante de órgãos e tecidos e transfusões sanguíneas
Transplante de órgãos e tecidos e transfusões sanguíneas
 
Paciente Terminal - Rodrigo Mont'Alverne
Paciente Terminal - Rodrigo Mont'AlvernePaciente Terminal - Rodrigo Mont'Alverne
Paciente Terminal - Rodrigo Mont'Alverne
 
Ética e bioética cap 6 aula 9 ética no direito à saúde e a informação
Ética e bioética cap 6 aula 9 ética no direito à saúde e a informaçãoÉtica e bioética cap 6 aula 9 ética no direito à saúde e a informação
Ética e bioética cap 6 aula 9 ética no direito à saúde e a informação
 
Humanização
HumanizaçãoHumanização
Humanização
 
2007 aspectos jurídicos sobre os critérios de escolha do receptor nos transpl...
2007 aspectos jurídicos sobre os critérios de escolha do receptor nos transpl...2007 aspectos jurídicos sobre os critérios de escolha do receptor nos transpl...
2007 aspectos jurídicos sobre os critérios de escolha do receptor nos transpl...
 
Doação de Órgãos Fígado Ética e Deontologia para Fisioterapia
Doação de Órgãos Fígado   Ética e Deontologia para Fisioterapia Doação de Órgãos Fígado   Ética e Deontologia para Fisioterapia
Doação de Órgãos Fígado Ética e Deontologia para Fisioterapia
 
Carta dos direitos
Carta dos direitosCarta dos direitos
Carta dos direitos
 
DRC E CÂNCER
DRC E CÂNCERDRC E CÂNCER
DRC E CÂNCER
 
Cuidados paliativos
Cuidados paliativosCuidados paliativos
Cuidados paliativos
 
Aula etica neo 2
Aula etica neo 2Aula etica neo 2
Aula etica neo 2
 
1ª Aula_S. Respiratório.pdf
1ª Aula_S. Respiratório.pdf1ª Aula_S. Respiratório.pdf
1ª Aula_S. Respiratório.pdf
 
02 19 emergências médicas - Marion
02 19 emergências médicas - Marion02 19 emergências médicas - Marion
02 19 emergências médicas - Marion
 
paciente terminal
paciente terminal paciente terminal
paciente terminal
 
Cancer Colorretal - Prioridades e Desafios
Cancer Colorretal - Prioridades e DesafiosCancer Colorretal - Prioridades e Desafios
Cancer Colorretal - Prioridades e Desafios
 
2011 sentimentos e expectativas de pacientes candidatos ao transplante de fíg...
2011 sentimentos e expectativas de pacientes candidatos ao transplante de fíg...2011 sentimentos e expectativas de pacientes candidatos ao transplante de fíg...
2011 sentimentos e expectativas de pacientes candidatos ao transplante de fíg...
 
TRABALHO ALINE.pdf
TRABALHO ALINE.pdfTRABALHO ALINE.pdf
TRABALHO ALINE.pdf
 
Ética em Pesquisa em psicologia, 10 aula
Ética em Pesquisa em psicologia, 10 aulaÉtica em Pesquisa em psicologia, 10 aula
Ética em Pesquisa em psicologia, 10 aula
 
Uerj res enferm discursiva gabarito
Uerj res enferm discursiva gabaritoUerj res enferm discursiva gabarito
Uerj res enferm discursiva gabarito
 

Mais de Aroldo Gavioli

Transtornos mentais orgânicos
Transtornos mentais orgânicosTranstornos mentais orgânicos
Transtornos mentais orgânicosAroldo Gavioli
 
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicosSíndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicosAroldo Gavioli
 
A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...
A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...
A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...Aroldo Gavioli
 
Grupos terapêuticos e intervenção em família
Grupos terapêuticos e intervenção em famíliaGrupos terapêuticos e intervenção em família
Grupos terapêuticos e intervenção em famíliaAroldo Gavioli
 
O diagnóstico de enfermagem em saúde mental
O diagnóstico de enfermagem em saúde mentalO diagnóstico de enfermagem em saúde mental
O diagnóstico de enfermagem em saúde mentalAroldo Gavioli
 
Exame Físico em Saúde Mental
Exame Físico em Saúde MentalExame Físico em Saúde Mental
Exame Físico em Saúde MentalAroldo Gavioli
 
Rede de atenção em saude mental
Rede de atenção em saude mentalRede de atenção em saude mental
Rede de atenção em saude mentalAroldo Gavioli
 
Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa
Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativaTranstornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa
Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativaAroldo Gavioli
 
Critérios de admissão em Unidade de Terapia Intensiva
Critérios de admissão em Unidade de Terapia IntensivaCritérios de admissão em Unidade de Terapia Intensiva
Critérios de admissão em Unidade de Terapia IntensivaAroldo Gavioli
 
Intervenção em crises
Intervenção em crisesIntervenção em crises
Intervenção em crisesAroldo Gavioli
 
Segurança do paciente em unidades de urgência
Segurança do paciente em unidades de urgênciaSegurança do paciente em unidades de urgência
Segurança do paciente em unidades de urgênciaAroldo Gavioli
 
Métodos dialíticos intermitentes
Métodos dialíticos intermitentesMétodos dialíticos intermitentes
Métodos dialíticos intermitentesAroldo Gavioli
 
Métodos dialíticos contínuos
Métodos dialíticos contínuosMétodos dialíticos contínuos
Métodos dialíticos contínuosAroldo Gavioli
 
O Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mental
O Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mentalO Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mental
O Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mentalAroldo Gavioli
 

Mais de Aroldo Gavioli (20)

Transtornos mentais orgânicos
Transtornos mentais orgânicosTranstornos mentais orgânicos
Transtornos mentais orgânicos
 
Transtornos ansiosos
Transtornos ansiososTranstornos ansiosos
Transtornos ansiosos
 
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicosSíndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
Síndrome de dependência de substâncias – aspectos neurobiológicos
 
A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...
A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...
A Política Nacional de Saúde Mental e a Organização da Rede de Atenção Psicos...
 
psicofarmacologia 2
psicofarmacologia 2psicofarmacologia 2
psicofarmacologia 2
 
Grupos terapêuticos e intervenção em família
Grupos terapêuticos e intervenção em famíliaGrupos terapêuticos e intervenção em família
Grupos terapêuticos e intervenção em família
 
O diagnóstico de enfermagem em saúde mental
O diagnóstico de enfermagem em saúde mentalO diagnóstico de enfermagem em saúde mental
O diagnóstico de enfermagem em saúde mental
 
Exame Físico em Saúde Mental
Exame Físico em Saúde MentalExame Físico em Saúde Mental
Exame Físico em Saúde Mental
 
Rede de atenção em saude mental
Rede de atenção em saude mentalRede de atenção em saude mental
Rede de atenção em saude mental
 
Drogas psicotrópica
Drogas psicotrópicaDrogas psicotrópica
Drogas psicotrópica
 
Doença de Alzheimer
Doença de AlzheimerDoença de Alzheimer
Doença de Alzheimer
 
Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa
Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativaTranstornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa
Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa
 
Psicofarmacologia
PsicofarmacologiaPsicofarmacologia
Psicofarmacologia
 
Critérios de admissão em Unidade de Terapia Intensiva
Critérios de admissão em Unidade de Terapia IntensivaCritérios de admissão em Unidade de Terapia Intensiva
Critérios de admissão em Unidade de Terapia Intensiva
 
Intervenção em crises
Intervenção em crisesIntervenção em crises
Intervenção em crises
 
Segurança do paciente em unidades de urgência
Segurança do paciente em unidades de urgênciaSegurança do paciente em unidades de urgência
Segurança do paciente em unidades de urgência
 
Métodos dialíticos intermitentes
Métodos dialíticos intermitentesMétodos dialíticos intermitentes
Métodos dialíticos intermitentes
 
Métodos dialíticos contínuos
Métodos dialíticos contínuosMétodos dialíticos contínuos
Métodos dialíticos contínuos
 
Transtornos do humor
Transtornos do humorTranstornos do humor
Transtornos do humor
 
O Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mental
O Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mentalO Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mental
O Processo de enfermagem na enfermagem em saúde mental
 

Aspectos éticos da síndrome pós pcr

  • 1. ASPECTOS ÉTICOS DA SÍNDROME PÓS-PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA Prof. Me. Aroldo Gavioli
  • 2. Aspectos éticos Gravidade da lesão cerebral hipóxico-isquêmica. pacientes após RCP bem-sucedida podem apresentar sequelas graves. Comprometimento da consciência. Estado vegetativo persistente. Sobrevida limitada. Necessidade de cuidados médicos prolongados e com alto custo financeiro ao sistema de saúde.
  • 3. Aspectos éticos As intervenções terapêuticas melhoram o prognóstico. ↑ sobrevida de pacientes com lesões neurológicas ou comprometimento cognitivo grave. Importantes implicações sociais. Debater sob a luz da legislação vigente, da sensibilidade da sociedade, da comunidade médica e da família envolvida
  • 4. Distanásia Avaliação do prognostico funcional Identificar lesão cerebral irreversível Determinar a retirada ou não de aplicação de terapias de suporte a vida. Minimizando o risco de Distanásia.
  • 5. Preditores de evolução São controversos • Fatores fisiológicos, patológicos e intervenções (como sepse, choque, sedativos) podem influenciar a avaliação e levar a erros. • Hipotermia, que altera a progressão do dano neurológico. • Ferramentas diagnósticas: não tem a mesma acurácia nos tratados com hipotermia, se aplicadas nas primeiras horas ou durante sua manutenção.
  • 6. Momento ideal de retirar o suporte Diversos estudos • Avaliado a correlação do exame neurológico ou de exames complementares específicos no prognostico. • Nenhum tem analisado a aplicação atual da avaliação neurológica na prática clinica em relação a decisão de retirar a terapia de suporte a vida.
  • 7. Documentar testes prognósticos Biomarcadores e neuroimagem Exame clinico neurológico. • Estudos eletrofisiológicos. • Após 72 horas da PCR. Utilizar julgamento clínico, baseado nesses testes, para decidir pela retirada ou não do suporte a vida, quando apropriado
  • 8. Obstáculos Incerteza. • Ausência de diagnostico definitivo • No Brasil, a falta de normatização bem definida são os principais motivos pelos quais a prática de Distanásia acaba se tornando frequente no dia a dia das UTIs. • A realidade da medicina é que, até mesmo nas melhores circunstâncias, o diagnóstico e o prognóstico medico não são absolutamente definidos, sendo, muitas vezes, impossível de se prever o desfecho clinico.
  • 9. Princípio da autonomia Pacientes adultos com capacidade de tomar decisão tem o direito de recusar qualquer terapia médica, incluindo terapias que mantêm a vida. O respeito a autonomia do paciente é primordial quando se deve decidir pela suspensão ou não da oferta de terapias de suporte a vida, desde que este tenha capacidade de decidir e esteja apropriadamente informado sobre a situação. Estando o paciente impossibilitado de decidir, e fundamental que a família seja abordada e participe ativamente, com o objetivo de se tomar uma decisão em conjunto.
  • 10. Lei Estadual n. 10.241, aprovada pela Câmara Legislativa do Estado de São Paulo em 1999. Acesso a informação e a um tratamento justo e humanizado. Princípio da autonomia. Direitos do paciente: “VII – consentir ou recusar, de forma livre, voluntaria e esclarecida, com adequada informação, procedimentos diagnósticos ou terapêuticos a serem nele realizados”; “XXIII - recusar tratamentos dolorosos ou extraordinários para tentar prolongar a vida”; “XXIV – optar pelo local de morte”.
  • 11. O exercício da autonomia • O paciente deve estar ciente de sua condição e informado sobre seu diagnóstico, prognóstico, riscos e benefícios, e consequências das opções terapêuticas disponíveis, incluindo a possibilidade de não realizar tratamento. • Sobreviventes de PCR não tem essa oportunidade, em decorrência de um evento inesperado, como evolução rápida e imprevisibilidade ou perda da capacidade de decidir antes da PCR. • Por isso, essa comunicação deve ocorrer o mais precocemente possível, antes que uma situação de risco iminente esteja presente.
  • 12. Decisão do paciente ou familiares • A equipe tem a responsabilidade de oferecer alivio a dor ou ao sofrimento que podem surgir como consequência dessa decisão • a decisão de limitar ou retirar terapias de suporte a vida é justificável se o paciente expressou previamente a opção por essa conduta. • A equipe médica, o paciente ou seu substituto concordam que os objetivos do tratamento não podem ser alcançados ou se o ônus da continuação do tratamento para o paciente exceder qualquer beneficio.
  • 13. DOAÇÃO DE ÓRGÃOS APÓS PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA • morte encefálica após PCR varia entre 8% e 16%. • Esses pacientes podem ser candidatos a doação de órgãos. • Estudos demonstram não haver diferença no prognóstico após o transplante quando esses órgãos são obtidos apropriadamente de pacientes apos período de PCR ou de doadores sem historia de PCR. • O exato período de isquemia que causaria morte celular, é incerto, mas é provável que essa duração seja maior que a previamente suspeitada.
  • 14. Estudo retrospectivo avaliou o transplante cardíaco em pacientes que receberam órgãos de doadores sobreviventes de PCR. Entre 1991 e 2004. 38 pacientes O tempo médio de PCR foi de 15 ± 8 minutos. A mortalidade em 30 dias foi de 2,6% (1/38). Não houve evidencia de que a sobrevida apos transplante cardíaco tenha sido pior quando o doador do órgão sofreu um período de PCR, se comparada a do grupo controle.228
  • 15. Obrigado Não importa quanto vá durar – é infinito agora. Caio Fernando Abreu
  • 16. Referências Bibliográficas • AHA. Destaques das Diretrizes da American Heart Association 2010 para RCP e ACE American Heart Association, 2010. • CERQUEIRA FILHO, D. et al. Síndrome pós-parada cardiorrespiratória: fisiopatologia e manejo terapêutico São Paulo: Instituto Dante Pazanezze, 2010. • GONZALEZ, M. M. et al. I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 101, p. 1-221, 2013. ISSN 0066-782X.