SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 6
Baixar para ler offline
Gêneros Textuais e Intertextualidade


                             Estrutura profunda do texto

         Imagine um texto em que se falasse dos problemas acarretados pela
urbanização intensa ocorrida em nosso século, que insistisse na deterioração da
qualidade de vida nas grandes cidades: poluição, trânsito caótico, precariedade dos
transportes coletivos, violência crescente, ausência de relações interpessoais mais
profundas... Imagine ainda que esse texto propusesse o abandono das cidades,
advogando que a salvação da humanidade estaria na volta ao contato com a natureza,
às delícias do ar puro, da vida em pequenas comunidades, onde não existem os
problemas que nos afligem, etc.
         Todo texto se estrutura em níveis de abstração crescente. Para chegar à
estrutura profunda, o nível mais abstrato, você deve agrupar os significados
aparentados, os significados que têm algo em comum.
         No texto que imaginamos, percebemos que podem ser reunidos num bloco os
problemas da vida urbana: poluição, trânsito caótico, precariedade dos transportes
coletivos, violência crescente, ausência de relações interpessoais mais profundas.
Noutro bloco, aglomeram-se elementos que indicam a negação dessa forma de vida:
abandono das cidades. Um terceiro bloco agrupa os termos que se referem à vida em
contato com a natureza – delícias do ar puro, da vida em pequenas comunidades.
         O último bloco remete à natureza; o primeiro, por oposição à civilização. O
segundo nega a civilização e implica a natureza. Isso significa que há uma oposição,
natureza versus cultura, que regula e ordena os significados do texto.
         O nível profundo de um texto constitui-se de uma oposição do tipo: liberdade
versus submissão, unicidade versus multiplicidade, etc. A análise de um texto não
consiste em encontrar a oposição reguladora dos seus significados, pois, se somente
isso for feito, reduziremos sua riqueza significativa a quase nada. No entanto, a
importância de detectar a estrutura fundamental de um texto reside no fato de que ela
permite dar uma unidade profunda aos elementos superficiais, que à primeira vista,
parecem dispersos e caóticos.
Cada um dos pólos opostos da estrutura profunda vem investido de uma apreciação
valorativa. No texto imaginado acima, a natureza recebe uma valorização positiva; a
civilização negativa. Depreende-se essa valorização de vocábulos como ―problemas‖ e
delícias. A valorização é dada pelo texto, e não cabe ao leitor alterá-la.
         Um outro texto que fizesse elogios à vida nas atuais metrópoles estaria
considerando o termo civilização como o valor positivo e o termo natureza como
negativo.
         No texto imaginado no princípio desta lição, trabalha-se com a oposição
civilização versus natureza. É preciso agora ver como se encadeiam esses termos ao
longo do texto. Temos nele o seguinte esquema: apresentam-se os elementos
relativos à civilização urbana, ou seja, afirma-se o termo civilização; propõe-se o
abandono das cidades, isto é, nega-se a civilização; mostram-se os elementos
concernentes à natureza, ou seja, afirma-se a natureza. Nos textos, a oposição
fundamental encadeia-se da seguinte maneira: afirma-se um dos termos da oposição;
em seguida, nega-se o termo que fora afirmado; depois, afirma-se o outro. Assim,
como a oposição de base regula os diferentes sentidos superficiais, esse esquema
básico em que se nega um termo da oposição e se afirma o outro explica o movimento
do texto, ou seja, como se encadeiam seus significados.

Monte castelo
Legião Urbana
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor, eu nada seria…

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja
Ou se envaidece…

O amor é o fogo
Que arde sem se ver
É ferida que dói
E não se sente
É um contentamento
Descontente
É dor que desatina sem doer…

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria…

É um não querer
Mais que bem querer
É solitário andar
Por entre a gente
É um não contentar-se
De contente
É cuidar que se ganha
Em se perder…

É um estar-se preso
Por vontade
É servir a quem vence
O vencedor
É um ter com quem nos mata
A lealdade
Tão contrário a si
É o mesmo amor…

Estou acordado
E todos dormem, todos dormem
Todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade…

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor, eu nada seria…
Essa música fala da perfeição do amor… Deus é amor, na Bíblia Paulo
resume o que vê em partes e diz que verá face a face…
É a esperança deste amor divido grandioso Deus!


Vejamos o testo retirado da bíblia:


Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor,
serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine.


Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo
o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, mas não
tiver amor, nada serei.


Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo
para ser queimado, mas não tiver amor, nada disso me valerá.


O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria não
se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não
guarda rancor.
O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.


Tudo sofre tudo crê, tudo espera, tudo suporta.


O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas
cessarão, o conhecimento passará.


Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos;
quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá.


Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e
raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as
coisas de menino.


Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas,
então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei
plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.
1 Coríntios 13:1-12
O texto retoma o conceito:


      Entender a humanidade é impossível conhecer, a variedade de línguas é
imensa, e se conhecesse o que adiantaria se não há amor entre todos os
vontade dele seria colocar amor nos corações, por meio da música ele envia
mensagem a todos afirmando que só com amor tudo vale a pena, que o amor
sabe que não precisa haver guerra, que quem o tem são pessoas de paz que
não faz mal a ninguém, que não tem inveja, e nem ambição, com a vaidade de
querer tudo pra si. Para que usar bomba se o amor é fogo, e sua ferida é bem
melhor porque arde, queima e provoca feridas que dói e não se sente. É uma
loucura que não faz mau,é um cuidado especial,luta sozinho,e consegue tudo
com tranquilidade sem machucar ninguém,melhor que uma bomba e mais
potente que ela, pois atinge a humanidade em cheio, usando de justiça,
lealdade e diálogo até mesmo a quem quer nos matar, mesmo que nos odeiem
é necessário provar que o amor é mais forte e que sem ele nada vale
apena.Que nós humanos devemos despertar do sono que nos prende a
injustiça a ambição e o egoísmo precisamos dedicarmos mais ao próximo e
deixarmos de pensar só em nós.Que ele já acordou pra vida e percebe se que
as lutas sem amor não leva a um bom fim que na vitória não há gosto porque
com destruição tudo se torna em vão, que somente o amor enxergar essa
verdade.


O poema de Luiz de Camões e a carta do Apóstolo Paulo aos coríntios, ambas
falam do AMOR, mas em ideias diferentes.


O amor e a mulher

       Dos temas mais presentes na lírica camoniana o do amor é central e
ocorre de modo conspícuo também n' Os Lusíadas. Na sua conceção
incorporou elementos da doutrina clássica, do amor cortês e da religião cristã,
concorrendo todos para incentivar o amor espiritual e não o carnal. Para os
clássicos, especialmente na escola platónica, o amor espiritual é o mais
elevado, o único digno dos sábios, e esta espécie de afeto incorpóreo acabou
por ser conhecida como amor platónico. Na religião cristã da sua época o corpo
era visto como fonte de um dos pecados capitais, a luxúria, e por isso sempre
foi encarado com desconfiança quando não desprezo; conquanto fosse
aprovado o amor nas suas versões espirituais, o amor sexual era permitido
primariamente para a procriação, ficando o prazer em plano secundário. Da
poesia trovadoresca herdou a tradição do amor cortês, que é ele mesmo uma
derivação platónica que coloca a dama num patamar ideal, jamais atingível, e
exige do cavaleiro uma ética imaculada e uma total subserviência em relação à
amada. Nesse contexto, o amor camoniano, como expresso nas suas obras, é,
por regra, um amor idealizado que não chega a vias de facto e se expressa no
plano da abstração e da arte. Contudo, é um amor preso no dualismo, é um
amor que, se por um lado ilumina a mente, gera a poesia e enobrece o espírito,
se o aproxima do divino, do belo, do eterno, do puro e do maravilhoso, é
também um amor que tortura e escraviza pela impossibilidade de ignorar o
desejo de posse da amada e as urgências da carne. Queixou-se o poeta
inúmeras vezes, amargamente, da tirania desses amores impossíveis, chorou
as distâncias, as despedidas, a saudade, a falta de reciprocidade, e a
impalpabilidade dos nobres frutos que produz. Tome-se como exemplo um
soneto muito conhecido:

                 Amor é fogo que arde sem se ver;
                 É ferida que dói e não se sente;
                 É um contentamento descontente
                 É dor que desatina sem doer;

                 É um não querer mais que bem querer;
                 É solitário andar por entre a gente;
                 É nunca contentar-se de contente;
                 É cuidar que se ganha em se perder;

                 É querer estar preso por vontade;
                 É servir a quem vence o vencedor;
                 É ter com quem nos mata lealdade.

                 Mas como causar pode seu favor
                 Nos corações humanos amizade,
                 Se tão contrário a si é o mesmo amor?      — Rimas

Todos os paradoxos criados pela idealização amorosa são enfatizados pela
própria estrutura poética, cheia de antíteses, metáforas, silogismos, oposições
e inversões, que na análise de Cavalcante

      "... configuram um jogo elegante e sonoro de linguagem enquanto o
      poema desenvolve os paradoxos para expressar o sentido tanto
      universal quanto contraditório do amor. Diante do sentimento, o homem
      torna-se frágil, a linguagem é insuficiente, a palavra, ilógica e sem razão.
      Ao expressar o "eu" universal, Camões joga com escrita/escritura,
      fazendo desta última o mais puro "estranhamento" e novidade, ainda
      que pudesse estar inspirado nos modelos clássicos".[
Biografia

KÖCHE, Vanilda Salton; BOFF, Odete Maria Benetti e PAVANI, Cinara
Ferreira. Resenha de obra ou artigo. In:_____. Prática Textual: atividades de
leitura e escrita. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.
Luís Vaz de Camões
Escritor português do século XVI, suas poesias e peças de teatro, classicismo,
Os Lusíadas e outros livros, literatura portuguesa.
Renato Russo morreu em 11 de outubro de 1996 em consequência do vírus do
HIV.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

O tema do amor na literatura
O tema do amor na literaturaO tema do amor na literatura
O tema do amor na literaturaFábio Guimarães
 
Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia bruna - professora...
Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia   bruna - professora...Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia   bruna - professora...
Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia bruna - professora...Isabella Silva
 
O médico e o monstro artigo
O médico e o monstro artigoO médico e o monstro artigo
O médico e o monstro artigoAngeli Nascimento
 
Amor e sexo parte ii
Amor e sexo parte iiAmor e sexo parte ii
Amor e sexo parte iiExpressoipu
 
Consolo Na Praia, Carlos Drummond De Andrade
Consolo Na Praia, Carlos Drummond De AndradeConsolo Na Praia, Carlos Drummond De Andrade
Consolo Na Praia, Carlos Drummond De Andradecatiasgs
 
20 questões de literatura segundo trimestre
20 questões de literatura segundo trimestre20 questões de literatura segundo trimestre
20 questões de literatura segundo trimestrePaulo Klein
 
19483184 o-narrador-estrangeiro-e-seu-jogo-de-seducao-homoafetividade-e-estra...
19483184 o-narrador-estrangeiro-e-seu-jogo-de-seducao-homoafetividade-e-estra...19483184 o-narrador-estrangeiro-e-seu-jogo-de-seducao-homoafetividade-e-estra...
19483184 o-narrador-estrangeiro-e-seu-jogo-de-seducao-homoafetividade-e-estra...Haziel Hurt
 

Mais procurados (17)

Camões sonetos
Camões sonetosCamões sonetos
Camões sonetos
 
Amor é
Amor éAmor é
Amor é
 
O tema do amor na literatura
O tema do amor na literaturaO tema do amor na literatura
O tema do amor na literatura
 
Dalton novelas nada exemplares
Dalton   novelas nada exemplaresDalton   novelas nada exemplares
Dalton novelas nada exemplares
 
Perspectiva Humanista
Perspectiva Humanista Perspectiva Humanista
Perspectiva Humanista
 
Simulado lit-prise 3 ok
Simulado lit-prise 3 okSimulado lit-prise 3 ok
Simulado lit-prise 3 ok
 
Dalton trevisan
Dalton trevisanDalton trevisan
Dalton trevisan
 
A M O R
A M O RA M O R
A M O R
 
Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia bruna - professora...
Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia   bruna - professora...Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia   bruna - professora...
Do legado de nossa miséria ao espólio de depurada ironia bruna - professora...
 
O médico e o monstro artigo
O médico e o monstro artigoO médico e o monstro artigo
O médico e o monstro artigo
 
Amor e sexo parte ii
Amor e sexo parte iiAmor e sexo parte ii
Amor e sexo parte ii
 
Consolo Na Praia, Carlos Drummond De Andrade
Consolo Na Praia, Carlos Drummond De AndradeConsolo Na Praia, Carlos Drummond De Andrade
Consolo Na Praia, Carlos Drummond De Andrade
 
1º literatura
1º literatura1º literatura
1º literatura
 
O amor em prosa
O amor em prosaO amor em prosa
O amor em prosa
 
20 questões de literatura segundo trimestre
20 questões de literatura segundo trimestre20 questões de literatura segundo trimestre
20 questões de literatura segundo trimestre
 
Literatura Tipo B
Literatura Tipo BLiteratura Tipo B
Literatura Tipo B
 
19483184 o-narrador-estrangeiro-e-seu-jogo-de-seducao-homoafetividade-e-estra...
19483184 o-narrador-estrangeiro-e-seu-jogo-de-seducao-homoafetividade-e-estra...19483184 o-narrador-estrangeiro-e-seu-jogo-de-seducao-homoafetividade-e-estra...
19483184 o-narrador-estrangeiro-e-seu-jogo-de-seducao-homoafetividade-e-estra...
 

Semelhante a Gêneros Textuais e Intertextualidade

Semelhante a Gêneros Textuais e Intertextualidade (20)

Amorfogoquearde
Amorfogoquearde Amorfogoquearde
Amorfogoquearde
 
Sentido do Amor na filosofia
Sentido do Amor na filosofiaSentido do Amor na filosofia
Sentido do Amor na filosofia
 
Amor e filosofia
Amor e filosofiaAmor e filosofia
Amor e filosofia
 
Camoes Lirica
Camoes LiricaCamoes Lirica
Camoes Lirica
 
Caio fabio amor o melhor caminho
Caio fabio   amor o melhor caminhoCaio fabio   amor o melhor caminho
Caio fabio amor o melhor caminho
 
Tudo Sobre o Amor - Bell Hooks.pdf
Tudo Sobre o Amor - Bell Hooks.pdfTudo Sobre o Amor - Bell Hooks.pdf
Tudo Sobre o Amor - Bell Hooks.pdf
 
Intertextualidade
IntertextualidadeIntertextualidade
Intertextualidade
 
100 aforismos sobre o amor e a friedrich nietzsche
100 aforismos sobre o amor e a    friedrich nietzsche100 aforismos sobre o amor e a    friedrich nietzsche
100 aforismos sobre o amor e a friedrich nietzsche
 
O Realismo e o Naturalismo em Portugal
O Realismo e o Naturalismo em PortugalO Realismo e o Naturalismo em Portugal
O Realismo e o Naturalismo em Portugal
 
Mil beijos em frases
Mil beijos em frasesMil beijos em frases
Mil beijos em frases
 
Mendigando o Amor.pdf
Mendigando o Amor.pdfMendigando o Amor.pdf
Mendigando o Amor.pdf
 
Ainda como uma simples flor de liz(poesia)
Ainda como uma simples flor de liz(poesia)Ainda como uma simples flor de liz(poesia)
Ainda como uma simples flor de liz(poesia)
 
Amor
AmorAmor
Amor
 
Amor e luz
Amor e luzAmor e luz
Amor e luz
 
Atividades- Crônica Empatia.docx
Atividades- Crônica Empatia.docxAtividades- Crônica Empatia.docx
Atividades- Crônica Empatia.docx
 
intertextualidade_.ppt
intertextualidade_.pptintertextualidade_.ppt
intertextualidade_.ppt
 
arcadismo - questoes discursivas.pdf
arcadismo - questoes discursivas.pdfarcadismo - questoes discursivas.pdf
arcadismo - questoes discursivas.pdf
 
Lição 10 adeus a culpa
Lição 10   adeus a culpaLição 10   adeus a culpa
Lição 10 adeus a culpa
 
Lição 10 adeus a culpa
Lição 10   adeus a culpaLição 10   adeus a culpa
Lição 10 adeus a culpa
 
Lição 10 adeus a culpa
Lição 10   adeus a culpaLição 10   adeus a culpa
Lição 10 adeus a culpa
 

Mais de Agassis Rodrigues

O que significa ter um direito
O que significa ter um direitoO que significa ter um direito
O que significa ter um direitoAgassis Rodrigues
 
Estatuto criança adolescente_comentado
Estatuto criança adolescente_comentadoEstatuto criança adolescente_comentado
Estatuto criança adolescente_comentadoAgassis Rodrigues
 
Defesa da defensoria do para
Defesa da defensoria do paraDefesa da defensoria do para
Defesa da defensoria do paraAgassis Rodrigues
 
Constituição federal anotada - stf
Constituição federal   anotada - stfConstituição federal   anotada - stf
Constituição federal anotada - stfAgassis Rodrigues
 
Como fazer uma redação dissertativa argumentativa
Como fazer uma redação dissertativa argumentativaComo fazer uma redação dissertativa argumentativa
Como fazer uma redação dissertativa argumentativaAgassis Rodrigues
 
44361736 lei-11-340-lei-maria-da-penha-comentada
44361736 lei-11-340-lei-maria-da-penha-comentada44361736 lei-11-340-lei-maria-da-penha-comentada
44361736 lei-11-340-lei-maria-da-penha-comentadaAgassis Rodrigues
 
Vale transporte como funciona
Vale transporte como funcionaVale transporte como funciona
Vale transporte como funcionaAgassis Rodrigues
 
Ada pelegrini-grinover-antonio-carlos-de-araujo-cintra-candido-rangel-dinamar...
Ada pelegrini-grinover-antonio-carlos-de-araujo-cintra-candido-rangel-dinamar...Ada pelegrini-grinover-antonio-carlos-de-araujo-cintra-candido-rangel-dinamar...
Ada pelegrini-grinover-antonio-carlos-de-araujo-cintra-candido-rangel-dinamar...Agassis Rodrigues
 
Aula iv fluxos reais e monetários
Aula iv fluxos reais e monetáriosAula iv fluxos reais e monetários
Aula iv fluxos reais e monetáriosAgassis Rodrigues
 
Aula iii estrutura de mercado
Aula iii estrutura de mercadoAula iii estrutura de mercado
Aula iii estrutura de mercadoAgassis Rodrigues
 

Mais de Agassis Rodrigues (20)

Termo ciência fabiola
Termo ciência fabiolaTermo ciência fabiola
Termo ciência fabiola
 
Reunião 13 08
Reunião 13 08Reunião 13 08
Reunião 13 08
 
Resumo acesso a justiça
Resumo acesso a justiçaResumo acesso a justiça
Resumo acesso a justiça
 
O que significa ter um direito
O que significa ter um direitoO que significa ter um direito
O que significa ter um direito
 
Manual tecnicas redacao
Manual tecnicas redacaoManual tecnicas redacao
Manual tecnicas redacao
 
Guia trabalho acadêmico
Guia trabalho acadêmicoGuia trabalho acadêmico
Guia trabalho acadêmico
 
Estatuto criança adolescente_comentado
Estatuto criança adolescente_comentadoEstatuto criança adolescente_comentado
Estatuto criança adolescente_comentado
 
Defesa da defensoria do para
Defesa da defensoria do paraDefesa da defensoria do para
Defesa da defensoria do para
 
Constituição federal anotada - stf
Constituição federal   anotada - stfConstituição federal   anotada - stf
Constituição federal anotada - stf
 
Como fazer uma redação dissertativa argumentativa
Como fazer uma redação dissertativa argumentativaComo fazer uma redação dissertativa argumentativa
Como fazer uma redação dissertativa argumentativa
 
C digo penal comentado
C digo penal comentadoC digo penal comentado
C digo penal comentado
 
44361736 lei-11-340-lei-maria-da-penha-comentada
44361736 lei-11-340-lei-maria-da-penha-comentada44361736 lei-11-340-lei-maria-da-penha-comentada
44361736 lei-11-340-lei-maria-da-penha-comentada
 
0027 primeiro aditamento
0027 primeiro aditamento0027 primeiro aditamento
0027 primeiro aditamento
 
Vale transporte como funciona
Vale transporte como funcionaVale transporte como funciona
Vale transporte como funciona
 
Ada pelegrini-grinover-antonio-carlos-de-araujo-cintra-candido-rangel-dinamar...
Ada pelegrini-grinover-antonio-carlos-de-araujo-cintra-candido-rangel-dinamar...Ada pelegrini-grinover-antonio-carlos-de-araujo-cintra-candido-rangel-dinamar...
Ada pelegrini-grinover-antonio-carlos-de-araujo-cintra-candido-rangel-dinamar...
 
Trabalho tgp
Trabalho tgpTrabalho tgp
Trabalho tgp
 
Mercado e concorrência
Mercado e concorrênciaMercado e concorrência
Mercado e concorrência
 
Aula iv fluxos reais e monetários
Aula iv fluxos reais e monetáriosAula iv fluxos reais e monetários
Aula iv fluxos reais e monetários
 
Aula iii estrutura de mercado
Aula iii estrutura de mercadoAula iii estrutura de mercado
Aula iii estrutura de mercado
 
Aula ii economia tópicos
Aula ii economia tópicosAula ii economia tópicos
Aula ii economia tópicos
 

Gêneros Textuais e Intertextualidade

  • 1. Gêneros Textuais e Intertextualidade Estrutura profunda do texto Imagine um texto em que se falasse dos problemas acarretados pela urbanização intensa ocorrida em nosso século, que insistisse na deterioração da qualidade de vida nas grandes cidades: poluição, trânsito caótico, precariedade dos transportes coletivos, violência crescente, ausência de relações interpessoais mais profundas... Imagine ainda que esse texto propusesse o abandono das cidades, advogando que a salvação da humanidade estaria na volta ao contato com a natureza, às delícias do ar puro, da vida em pequenas comunidades, onde não existem os problemas que nos afligem, etc. Todo texto se estrutura em níveis de abstração crescente. Para chegar à estrutura profunda, o nível mais abstrato, você deve agrupar os significados aparentados, os significados que têm algo em comum. No texto que imaginamos, percebemos que podem ser reunidos num bloco os problemas da vida urbana: poluição, trânsito caótico, precariedade dos transportes coletivos, violência crescente, ausência de relações interpessoais mais profundas. Noutro bloco, aglomeram-se elementos que indicam a negação dessa forma de vida: abandono das cidades. Um terceiro bloco agrupa os termos que se referem à vida em contato com a natureza – delícias do ar puro, da vida em pequenas comunidades. O último bloco remete à natureza; o primeiro, por oposição à civilização. O segundo nega a civilização e implica a natureza. Isso significa que há uma oposição, natureza versus cultura, que regula e ordena os significados do texto. O nível profundo de um texto constitui-se de uma oposição do tipo: liberdade versus submissão, unicidade versus multiplicidade, etc. A análise de um texto não consiste em encontrar a oposição reguladora dos seus significados, pois, se somente isso for feito, reduziremos sua riqueza significativa a quase nada. No entanto, a importância de detectar a estrutura fundamental de um texto reside no fato de que ela permite dar uma unidade profunda aos elementos superficiais, que à primeira vista, parecem dispersos e caóticos. Cada um dos pólos opostos da estrutura profunda vem investido de uma apreciação valorativa. No texto imaginado acima, a natureza recebe uma valorização positiva; a civilização negativa. Depreende-se essa valorização de vocábulos como ―problemas‖ e delícias. A valorização é dada pelo texto, e não cabe ao leitor alterá-la. Um outro texto que fizesse elogios à vida nas atuais metrópoles estaria considerando o termo civilização como o valor positivo e o termo natureza como negativo. No texto imaginado no princípio desta lição, trabalha-se com a oposição civilização versus natureza. É preciso agora ver como se encadeiam esses termos ao longo do texto. Temos nele o seguinte esquema: apresentam-se os elementos relativos à civilização urbana, ou seja, afirma-se o termo civilização; propõe-se o abandono das cidades, isto é, nega-se a civilização; mostram-se os elementos concernentes à natureza, ou seja, afirma-se a natureza. Nos textos, a oposição fundamental encadeia-se da seguinte maneira: afirma-se um dos termos da oposição; em seguida, nega-se o termo que fora afirmado; depois, afirma-se o outro. Assim, como a oposição de base regula os diferentes sentidos superficiais, esse esquema básico em que se nega um termo da oposição e se afirma o outro explica o movimento do texto, ou seja, como se encadeiam seus significados. Monte castelo Legião Urbana
  • 2. Ainda que eu falasse A língua dos homens E falasse a língua do anjos Sem amor, eu nada seria… É só o amor, é só o amor Que conhece o que é verdade O amor é bom, não quer o mal Não sente inveja Ou se envaidece… O amor é o fogo Que arde sem se ver É ferida que dói E não se sente É um contentamento Descontente É dor que desatina sem doer… Ainda que eu falasse A língua dos homens E falasse a língua dos anjos Sem amor, eu nada seria… É um não querer Mais que bem querer É solitário andar Por entre a gente É um não contentar-se De contente É cuidar que se ganha Em se perder… É um estar-se preso Por vontade É servir a quem vence O vencedor É um ter com quem nos mata A lealdade Tão contrário a si É o mesmo amor… Estou acordado E todos dormem, todos dormem Todos dormem Agora vejo em parte Mas então veremos face a face É só o amor, é só o amor Que conhece o que é verdade… Ainda que eu falasse A língua dos homens E falasse a língua do anjos Sem amor, eu nada seria…
  • 3. Essa música fala da perfeição do amor… Deus é amor, na Bíblia Paulo resume o que vê em partes e diz que verá face a face… É a esperança deste amor divido grandioso Deus! Vejamos o testo retirado da bíblia: Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, mas não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, mas não tiver amor, nada disso me valerá. O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará. Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos; quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino. Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido. 1 Coríntios 13:1-12
  • 4. O texto retoma o conceito: Entender a humanidade é impossível conhecer, a variedade de línguas é imensa, e se conhecesse o que adiantaria se não há amor entre todos os vontade dele seria colocar amor nos corações, por meio da música ele envia mensagem a todos afirmando que só com amor tudo vale a pena, que o amor sabe que não precisa haver guerra, que quem o tem são pessoas de paz que não faz mal a ninguém, que não tem inveja, e nem ambição, com a vaidade de querer tudo pra si. Para que usar bomba se o amor é fogo, e sua ferida é bem melhor porque arde, queima e provoca feridas que dói e não se sente. É uma loucura que não faz mau,é um cuidado especial,luta sozinho,e consegue tudo com tranquilidade sem machucar ninguém,melhor que uma bomba e mais potente que ela, pois atinge a humanidade em cheio, usando de justiça, lealdade e diálogo até mesmo a quem quer nos matar, mesmo que nos odeiem é necessário provar que o amor é mais forte e que sem ele nada vale apena.Que nós humanos devemos despertar do sono que nos prende a injustiça a ambição e o egoísmo precisamos dedicarmos mais ao próximo e deixarmos de pensar só em nós.Que ele já acordou pra vida e percebe se que as lutas sem amor não leva a um bom fim que na vitória não há gosto porque com destruição tudo se torna em vão, que somente o amor enxergar essa verdade. O poema de Luiz de Camões e a carta do Apóstolo Paulo aos coríntios, ambas falam do AMOR, mas em ideias diferentes. O amor e a mulher Dos temas mais presentes na lírica camoniana o do amor é central e ocorre de modo conspícuo também n' Os Lusíadas. Na sua conceção incorporou elementos da doutrina clássica, do amor cortês e da religião cristã, concorrendo todos para incentivar o amor espiritual e não o carnal. Para os clássicos, especialmente na escola platónica, o amor espiritual é o mais elevado, o único digno dos sábios, e esta espécie de afeto incorpóreo acabou por ser conhecida como amor platónico. Na religião cristã da sua época o corpo era visto como fonte de um dos pecados capitais, a luxúria, e por isso sempre foi encarado com desconfiança quando não desprezo; conquanto fosse aprovado o amor nas suas versões espirituais, o amor sexual era permitido primariamente para a procriação, ficando o prazer em plano secundário. Da poesia trovadoresca herdou a tradição do amor cortês, que é ele mesmo uma derivação platónica que coloca a dama num patamar ideal, jamais atingível, e
  • 5. exige do cavaleiro uma ética imaculada e uma total subserviência em relação à amada. Nesse contexto, o amor camoniano, como expresso nas suas obras, é, por regra, um amor idealizado que não chega a vias de facto e se expressa no plano da abstração e da arte. Contudo, é um amor preso no dualismo, é um amor que, se por um lado ilumina a mente, gera a poesia e enobrece o espírito, se o aproxima do divino, do belo, do eterno, do puro e do maravilhoso, é também um amor que tortura e escraviza pela impossibilidade de ignorar o desejo de posse da amada e as urgências da carne. Queixou-se o poeta inúmeras vezes, amargamente, da tirania desses amores impossíveis, chorou as distâncias, as despedidas, a saudade, a falta de reciprocidade, e a impalpabilidade dos nobres frutos que produz. Tome-se como exemplo um soneto muito conhecido: Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente É dor que desatina sem doer; É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder; É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo amor? — Rimas Todos os paradoxos criados pela idealização amorosa são enfatizados pela própria estrutura poética, cheia de antíteses, metáforas, silogismos, oposições e inversões, que na análise de Cavalcante "... configuram um jogo elegante e sonoro de linguagem enquanto o poema desenvolve os paradoxos para expressar o sentido tanto universal quanto contraditório do amor. Diante do sentimento, o homem torna-se frágil, a linguagem é insuficiente, a palavra, ilógica e sem razão. Ao expressar o "eu" universal, Camões joga com escrita/escritura, fazendo desta última o mais puro "estranhamento" e novidade, ainda que pudesse estar inspirado nos modelos clássicos".[
  • 6. Biografia KÖCHE, Vanilda Salton; BOFF, Odete Maria Benetti e PAVANI, Cinara Ferreira. Resenha de obra ou artigo. In:_____. Prática Textual: atividades de leitura e escrita. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. Luís Vaz de Camões Escritor português do século XVI, suas poesias e peças de teatro, classicismo, Os Lusíadas e outros livros, literatura portuguesa. Renato Russo morreu em 11 de outubro de 1996 em consequência do vírus do HIV.