Fisioterapia - ENADE 2007 - Prova Comentada

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ENADE comentado 2007 :
Questões retiradas da prova do ENADE 2007 da área de Fisioterapia
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
© EDIPUCRS, 2010.

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Fisioterapia - ENADE 2007 - Prova Comentada

  1. 1. ENADE COMENTADO 2007 Fisioterapia
  2. 2. ChancelerDom Dadeus GringsReitorJoaquim ClotetVice-ReitorEvilázio TeixeiraConselho EditorialAna Maria Lisboa de MelloElaine Turk FariaÉrico João HammesGilberto Keller de AndradeHelenita Rosa FrancoJane Rita Caetano da SilveiraJerônimo Carlos Santos BragaJorge Campos da CostaJorge Luis Nicolas Audy – PresidenteJosé Antônio Poli de FigueiredoJurandir MalerbaLauro Kopper FilhoLuciano KlöcknerMaria Lúcia Tiellet NunesMarília Costa MorosiniMarlise Araújo dos SantosRenato Tetelbom SteinRené Ernaini GertzRuth Maria Chittó GauerEDIPUCRSJerônimo Carlos Santos Braga – DiretorJorge Campos da Costa – Editor-chefe
  3. 3. Denizar Alberto da Silva Melo Mara Regina Knorst Fabrício Edler Macagnan Márcio Vinícius Fagundes Donadio (Organizadores)ENADE COMENTADO 2007 Fisioterapia Porto Alegre 2010
  4. 4. © EDIPUCRS, 2010CAPA Vinícius de Almeida XavierDIAGRAMAÇÃO Gabriela Viale PereiraREVISÃO Rafael SaraivaEDIPUCRS – Editora Universitária da PUCRSAv. Ipiranga, 6681 – Prédio 33Caixa Postal 1429 – CEP 90619-900Porto Alegre – RS – BrasilFone/fax: (51) 3320 3711e-mail: edipucrs@pucrs.br - www.pucrs.br/edipucrsQuestões retiradas da prova do ENADE 2007 da área de FisioterapiaDados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)E56 ENADE comentado 2007 : fisioterapia [recurso eletrônico] / organizadores, Denizar Alberto da Silva Melo ... [et al.]. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : EDIPUCRS, 2010. 83 p. Sistema requerido: Adobe Acrobat Reader Modo de Acesso: <http://www.pucrs.br/edipucrs/enade/fisioterapia2007.pdf> ISBN 978-85-7430-983-5 (on-line) 1. Ensino Superior – Brasil – Avaliação. 2. Exame Nacional de Desempenho de Estudantes. 3. Fisioterapia – Ensino Superior. I. Melo, Denizar Alberto da Silva. CDD 378.81Ficha Catalográfica elaborada pelo Setor de Tratamento da Informação da BC-PUCRS.
  5. 5. SUMÁRIOAPRESENTAÇÃO ..................................................................................................... 7 COMPONENTE ESPECÍFICOQUESTÃO 11 ........................................................................................................... 10 Emerson Boschi, Ivan Fernandes e Viviane FraçãoQUESTÃO 12 ........................................................................................................... 16 Denizar Melo e Verônica FrisonQUESTÃO 13 ........................................................................................................... 18 Denizar Melo e Adriana KesslerQUESTÃO 14 ........................................................................................................... 20 Adriana Kessler, Jorge Luiz de Andrade Trindade, Mara Regina Knorst e Thais de Lima ResendeQUESTÃO 15 - ANULADA ....................................................................................... 23QUESTÃO 16 ........................................................................................................... 24 Jorge Luiz de Andrade Trindade e Thais de Lima ResendeQUESTÃO 17 ........................................................................................................... 27 Jorge Luiz de Andrade Trindade e Thais de Lima ResendeQUESTÃO 18 ........................................................................................................... 29 Emerson Boschi e Luana CaloyQUESTÃO 19 - ANULADA ....................................................................................... 31QUESTÃO 20 ........................................................................................................... 32 Denizar Melo e Márcio DonadioQUESTÃO 21 ........................................................................................................... 34 Mara Regina Knorst e Thais de Lima ResendeQUESTÃO 22 ........................................................................................................... 36 Mara Regina Knorst e Thais de Lima ResendeQUESTÃO 23 ........................................................................................................... 38 Adriana Kessler e Thais de Lima ResendeQUESTÃO 24 ........................................................................................................... 40 Jorge Luiz de Andrade Trindade e Denizar Melo
  6. 6. QUESTÃO 25 ........................................................................................................... 42 Jorge Luiz de Andrade Trindade e Denizar MeloQUESTÃO 26 ........................................................................................................... 45 Carla S. de Almeida e Verônica FrisonQUESTÃO 27 ........................................................................................................... 47 Carla S. de Almeida e Flavia FranzQUESTÃO 28 ........................................................................................................... 50 Verônica Frison e Adriana MacagnanQUESTÃO 29 ........................................................................................................... 52 Mara Regina KnorstQUESTÃO 30 ........................................................................................................... 54 Carla S. de Almeida e Flavia FranzQUESTÃO 31 ........................................................................................................... 56 Carla S. de Almeida e Viviane FraçãoQUESTÃO 32 ........................................................................................................... 58 Fabrício Edler MacagnanQUESTÃO 33 ........................................................................................................... 61 Fabrício Edler MacagnanQUESTÃO 34 ........................................................................................................... 63 Emerson Boschi, Viviane Fração e Adriana MacagnanQUESTÃO 35 ........................................................................................................... 67 Jorge Luiz de Andrade Trindade e Fabrício Edler MacagnanQUESTÃO 36 ........................................................................................................... 70 Mara Regina Knorst e Thais de Lima ResendeQUESTÃO 37 - DISCURSIVA .................................................................................. 73QUESTÃO 38 - DISCURSIVA .................................................................................. 75QUESTÃO 39 - DISCURSIVA .................................................................................. 77QUESTÃO 40 - DISCURSIVA .................................................................................. 80LISTA DE CONTRIBUINTES ................................................................................... 82
  7. 7. APRESENTAÇÃO A formação dos(as) profissionais da Saúde, em nível de Graduação, estáamparada pela Lei nº 9.394/1996, Lei de Diretrizes e Bases, que fundamenta aEducação Superior no Brasil, e nas Políticas de Saúde vigentes. Considerando osdesafios de formar profissionais/cidadãos com competências e habilidades paradar conta da complexa realidade da saúde, nacional e mundial, a criação doSistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES, Lei nº10.861/2004 propõe parâmetros essenciais para a avaliação da EducaçãoSuperior. O SINAES preconiza uma formação que atenda a princípios dequalidade e relevância voltados para as necessidades de desenvolvimento dopaís. Assim, a avaliação permanente de todos os processos formativos precisaestar incorporada no cotidiano das instituições de ensino, aproximando-a darealidade social de cada área. O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes – ENADE – constitui-se em uma das etapas de avaliação do SINAES. Seu propósito é avaliar odesempenho dos estudantes, identificando se as condições de ensino, oconhecimento, as competências e as habilidades pretendidas e a metodologiautilizada estão em conformidade com os princípios e orientações das DiretrizesCurriculares do Curso em avaliação. As Diretrizes Curriculares da Área da Saúdeorientam para a formação de um novo profissional/cidadão, alinhando-a aosprincípios do Sistema Único de Saúde – SUS, para atender às demandas dasaúde, na sociedade contemporânea. Para isso, e também conforme as referidasdiretrizes, é necessária a formação generalista com o desenvolvimento decompetências comuns às profissões, bem como as específicas de cada umadelas para que a saúde seja atendida de maneira integral. Portanto, a premissada interdisciplinaridade como forma de ser, de fazer, de conhecer e de conviver,precisa estar incorporada na concepção dos profissionais, a qual também estásubjacente na avaliação da qualidade dos cursos nessa área. O ENADE Comentado, do Curso de Graduação em Fisioterapia, daFaculdade de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia – FAENFI – tem comopropósito discutir, com a comunidade acadêmica da Faculdade, as questões quecompuseram o ENADE 2007, promovendo e ampliando debates relativos às ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 7
  8. 8. práticas e ao cenário da Saúde no qual se insere a Fisioterapia. Ao mesmo tempocomo instrumento de avaliação, oportuniza reflexões acerca do processopedagógico desenvolvido ao longo do Curso. A prova do ENADE/2007 do Curso de Fisioterapia é composta por 40questões, assim constituídas: 10 questões de formação geral, 30 questões deconteúdo específico, sendo 26 com respostas objetivas e 4 questões discursivas.Também integra a Prova do ENADE um questionário no qual o estudante referesua percepção acerca do curso e estrutura do mesmo, no contexto daUniversidade. Nesta publicação são apresentadas as 30 questões específicas da área daFisioterapia e discutidas as 26 questões objetivas, do ENADE 2007. Asdiscussões estão fundamentadas em publicações e nas políticas de saúdevigentes, devidamente referenciadas para que o leitor possa ampliar a reflexãoacerca das temáticas abordadas pelas questões. As referências foram inseridasconforme as orientações de Vancouver, comumente utilizadas na documentaçãoem Saúde. Ressaltamos que a realização deste e-book só foi possível peloenvolvimento do corpo docente do Curso de Fisioterapia. Agradecemos demaneira muito especial a toda equipe da FAENFI que assumiu comresponsabilidade e competência a elaboração do presente e-book. Nosso agradecimento à Prof.ª Dr. Solange Medina Ketzer, Pró-Reitora deGraduação/PUCRS, extensivo à sua equipe pelo apoio e estímulos permanentes. Esta publicação eletrônica – ENADE Comentado 2007: Fisioterapia –FAENFI – insere-se na coleção da EDIPUCRS. Almejamos que o referido materialpossa ser um instrumento de consulta para estudantes, docentes e profissionaisde saúde, bem como de revisão e reformulação de metodologias de ensino e deaprendizagem. Beatriz Sebben Ojeda Diretora da Faculdade de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia – FAENFI8 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  9. 9. COMPONENTE ESPECÍFICO
  10. 10. QUESTÃO 11Os processos de reabilitação de lesões musculoesqueléticas devem basear-se,principalmente, nas respostas fisiológicas dos tecidos após a lesão. Assim, oFisioterapeuta precisa entender o processo de cicatrização para podersupervisionar e intervir eficientemente nesse processo. Com base na figura ao lado, analise as afirmativas a seguir. I Como resposta a um trauma, o dano imediato do tecido é chamado de lesão primária, a qual ocorre ao mesmo tempo do trauma, não havendo possibilidade de evitá-la. II A resposta secundária à lesão ocorre em tecidos que não foram diretamente atingidos pelo trauma e pode ser inibida ou minimizada pela ação do Fisioterapeuta. III A resposta inflamatória segue-se às lesões PRENTICE, Voight, 2003. primária e secundária nas quais se pode observar, em graus diferentes, os sinais inflamatórios de calor, rubor, tumor, dor e impotência funcional. IV O ciclo de dor e espasmo muscular atua como reação de proteção a danos maiores, e a atuação do Fisioterapeuta é de fundamental importância para a quebra desse ciclo.V As diversas fases do processo de reparo não interferem na redução do risco de recidiva das lesões musculoesqueléticas.Estão corretas, apenas, as afirmações(A) I, II e III.(B) I, III e IV.(C) II, III e V.(D) I, II, III e IV.(E) I, II, III e V.Gabarito: DAutores: Emerson Boschi, Ivan Fernandes e Viviane Fração10 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  11. 11. Comentário: A resposta do organismo aos danos traumáticos primários leva àdestruição tecidual adicional, conhecida como lesão secundária. A lesão primária é o dano tecidual causado diretamente pelo trauma. A lesão secundária é o dano tecidual que ocorre na periferia, em resposta alesão primária; é causada pelas alterações enzimáticas e hipóxia no tecido. As enzimas destinadas a digerir os detritos celulares são ativadas eliberadas dos lisossomos das células mortas. Se tais enzimas entrarem emcontato com as células vivas adjacentes, elas passam a degradar sua membranacelular, causando mais morte celular e a chamada lesão enzimática secundária. A lesão hipóxica secundária resulta de liberação inadequada de oxigêniopara os tecidos da periferia de uma lesão traumática primária. O fluxo sanguíneoé interrompido nos vasos lesados distais ao local da lesão e diminui nos outrosvasos da região, devido à estase e à aglutinação inflamatórias. A falta de oxigêniofinalmente ocasiona edema e rompimento celular, acidose e digestão lisossômica,de acordo com a descrição anterior. A degradação da membrana celular e aliberação intracelular de enzimas lisossômicas levam à morte celular. Os detritosque são formados adicionam-se ao hematoma e assim, aumenta a área de lesãotecidual. As estruturas adjacentes às regiões traumatizadas podem, independentedo trauma inicial, ser também agredidas de forma primária ou secundária e terseus próprios quadros de comprometimento. Essa lesão adicional resulta emperturbações microcirculatórias secundárias, como a vasorreação em resposta àdor, à hipovolemia, ao choque e às adaptações metabólicas ao trauma. Ao se realizar o exame físico em pacientes vítimas de traumatismosmusculoesqueléticos, em diferentes etapas da sua recuperação, podem seridentificadas diversas condições dependentes ou não na lesão principal, entreelas o edema, as aderências e a rigidez articular. Para que se possa prevenir ou minimizar a ocorrência dessas condições háque se entender a fisiopatologia das lesões dos tecidos moles. O processo decicatrização envolve uma sequência de eventos celulares, fisiológicos ebioquímicos que buscam restaurar a homeostasia local. ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 11
  12. 12. Em resposta à ruptura das fibras de colágeno e de vasos, ocorrem ahemorragia e a resposta humoral, com a ativação dos mecanismos de coagulaçãoe a liberação de fatores inflamatórios quimiotáxicos e vasoativos. O edema seinstala em resposta ao processo hemorrágico, à vasodilatação e ao aumento dapermeabilidade vascular local. Essa é a fase inflamatória aguda, com duraçãoaproximada de três dias e caracterizada por aumento do calor local, vermelhidão,podendo levar à incapacidade funcional, além do edema. Nas primeiras 24 horas após o trauma, tem início o processo de reparaçãotecidual, que se intensifica ao longo dos três dias subsequentes, caracterizando afase de reparação tecidual proliferativa. Há o aumento da migração defibroblastos nos tecidos lesionados, com a função de sintetizar fibras colágenas,que são depositadas no local de forma aleatória. Também há neoformaçãovascular, garantindo o restabelecimento da permeabilidade e a drenagem deexsudatos inflamatórios. A ação de macrófagos é intensificada para a remoção decélulas mortas e coágulos. O equilíbrio entre síntese e degradação de colágeno é essencial para areparação tecidual após uma lesão. O tecido cicatricial, apesar da sua eficiênciacomo reparador, não tem a mesma resistência e elasticidade que o tecido sadionão lesionado. Para a aquisição do resultado ideal e condições semelhantesàquelas pré-lesões, é necessário que haja maturação cicatricial. Nessa fase seguinte de remodelação, a área traumatizada já obteve acicatrização pelo depósito de fibras colágenas e os sinais e sintomas iniciais seresolvem. Entretanto, o tecido neoformado é estruturalmente desorganizado edesalinhado, com pouca resistência a forças tensivas, uma vez que esta édiretamente proporcional ao alinhamento das fibras colágenas. A fase deremodelação varia na duração, podendo alcançar até 18 meses, como no caso delesões ligamentares. Uma outra reação orgânica ao trauma também é observada nos músculosesqueléticos: a contração protetora em resposta a uma perturbação física. Omecanismo de trauma pode comprometer a integridade muscular por mecanismosde fora para dentro (compressão externa) ou de dentro para fora, pelo aumentodo volume interno (hemorragia, hematoma). No caso do aumento do volumeinterno, o tecido muscular extrapola a capacidade do seu continente, no caso o12 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  13. 13. invólucro representado pelo epimísio e fáscia, determinando, por exemplo, assíndromes compartimentais. Independentemente do processo ser por compressão externa ou poraumento do volume interno, a pressão tecidual encontra-se aumentada, o quereduz a perfusão capilar e a microcirculação muscular, determinando a formaçãodo edema pós-isquêmico. Dessa forma, estabelece-se um processo contínuo emque a pressão tecidual aumentada reduz a perfusão, o que causa o edemaintersticial, levando a hipóxia e a acidose, que, por sua vez, faz aumentar apermeabilidade e que novamente aumentam a pressão tecidual. Os recursos fisioterapêuticos para a prevenção e o tratamento do edema,das aderências e da rigidez são: a cinesioterapia, a termoterapia, a hidroterapia ea eletroterapia. Esses recursos têm, em primeira instância, a propriedade dereduzir a dor e o edema reacional. A médio e longo prazos objetivam amanutenção ou a recuperação da amplitude funcional de movimento, aflexibilidade, a resistência, a velocidade muscular, a agilidade e a propriocepção. O resfriamento local propiciado pela crioterapia e utilizado nas fases iniciaispós-trauma (primeiras 48 horas) promove a analgesia e o controle de edema. Aanalgesia ocorre devido à diminuição da velocidade de disparo e de conduçãodos estímulos nociceptivos pelos receptores periféricos. A respostavasoconstritora ao frio promove a redução do fluxo sanguíneo regional, auxiliandono controle do edema. Nas fases subsequentes de reparação proliferativa (do 3º dia à 3ª semana)e da remodelação do tecido cicatricial (até 18 meses), o uso do banho decontraste pode ser indicado para estimular a resposta vascular. A manutenção daaplicação de crioterapia para o controle da dor e a redução do espasmo muscularpode ser instituída como alternativa à aplicação da termoterapia superficial,levando-se em conta a preferência do indivíduo e as respostas funcionais obtidas. Não há consenso para a aplicação padronizada do frio ou do calor nessasfases, porém o aquecimento tecidual induzido por meios terapêuticos aumenta acirculação local e regional, reduz a viscosidade dos tecidos e melhora aelasticidade do colágeno. Também propicia a redução da velocidade de disparodos fusos musculares e nociceptores, o que leva à redução da dor e ao ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 13
  14. 14. relaxamento muscular, além de acelerar o processo de cura por aumentar o fluxolocal. A seleção adequada e individualizada dos recursos fisioterapêuticos,associada ao posicionamento do segmento lesionado de forma a favorecer adrenagem do exsudato inflamatório e com a indicação de bandagenscompressivas, se pertinentes, podem auxiliar no controle do edema reacional. Durante as fases iniciais de reparação tecidual, a cinesioterapia deve serrealizada dentro de limites coerentes. As regiões não envolvidas no traumadevem ter a sua capacidade funcional preservada, enquanto as diretamenteacometidas são protegidas para a obtenção da cicatrização ótima. Entretanto,deve-se ter em mente que a restrição prolongada, o repouso e o imobilismoacarretam a persistência do edema local e levam à formação de tecido cicatricialexuberante e desnecessário, com possível limitação da sua extensibilidade. O imobilismo também é responsável pelo encurtamento muscular e pelamá perfusão. Na fase proliferativa do processo de reparação tecidual, amobilização lenta e progressiva deve ser instituída de forma a equilibrar aatividade local e a proteção tecidual, viabilizando a manutenção da funçãomotora. Em contrapartida, o tecido cicatricial não estimulado pela mobilização epelo alongamento não desenvolverá o alinhamento necessário das fibras decolágeno para a aquisição de força tensiva adequada, podendo comprometer acapacidade funcional do indivíduo. Na medida que a dor, a inflamação e o edemasão controlados, os exercícios físicos podem ser intensificados, porém sempre selevando em conta o limite álgico. Nos estágios finais de reparação tecidual, o processo inflamatório já deveter sido debelado e a ação dos fibroblastos já foi reduzida. O edema e a dor, casoainda persistam, devem ser de pouca intensidade, indicando o sucesso dasmedidas adotadas para o seu controle. Portanto, a alternativa “E” está incorreta porque se as diversas fases doprocesso de reparo não forem respeitadas durante o tratamento das lesõesmusculoesqueléticas, temos o risco de recidiva da lesão.14 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  15. 15. Referências1. Manna AW. Clínica Cirúrgica Ortopédica -Traumatologia. v 3. Rio deJaneiro: Guanabara Koogan; 2008.2. Knight KL. Crioterapia no tratamento das lesões esportivas. São Paulo:Manole; 2000.3. Low, J. Eletroterapia explicada: princípios e prática. 3ª. ed. Barueri:Manole; 2001.4. Cohen M. Lesões nos esportes: diagnóstico, prevenção e tratamento. Riode Janeiro: Revinter; 2003. ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 15
  16. 16. QUESTÃO 12A resposta motora humana é elaborada através da integração sensório-motoraentre as estruturas do sistema nervoso periférico e o sistema nervoso central, oqual interpreta os impulsos sensoriais aferentes e elabora um sinal motoradequado para a atividade motora desejada. A quantidade de força e a precisãode uma contração muscular estão baseadas numa ordem de recrutamento dasfibras musculares, que obedece a critérios de ativação.Com o auxílio dessas informações, é possível afirmar que cada unidade motora(A) é inervada por apenas um neurônio, e o recrutamento das unidades motoras é determinado pelo tamanho dos motoneurônios, sendo que unidades motoras com motoneurônios menores são recrutadas em primeiro lugar.(B) é inervada por apenas um neurônio, e o princípio de recrutamento obedece ao tipo de tarefa a ser realizada, sendo que unidades motoras maiores são recrutadas em primeiro lugar.(C) é inervada por apenas um neurônio, e a ordem de recrutamento obedece a padrões específicos de acordo com o tamanho das fibras musculares, sendo que fibras musculares maiores são ativadas em primeiro lugar.(D) possui vários motoneurônios, e a ordem de recrutamento depende do tamanho da velocidade de condução, sendo que unidades motoras maiores são recrutadas em primeiro lugar.(E) tem um número próprio de motoneurônios de acordo com as tarefas desempenhadas pelo músculo, sendo que unidades motoras com maior número de motoneurônios são ativadas em primeiro lugar.Gabarito: AAutores: Denizar Melo e Verônica FrisonComentário: O motoneurônio, que emerge do corno ventral da medula espinhal, inervanumerosas fibras musculares: esse número depende do tipo de músculo. Todasas fibras musculares inervadas por uma só fibra nervosa motora formam achamada unidade motora. Quando o sistema nervoso central envia um sinal fraco para contrairdeterminado músculo, as unidades motoras com fibras pequenas e em menornúmero são estimuladas preferencialmente em relação às maiores unidadesmotoras. Em seguida, à medida que aumenta a intensidade do sinal neural, sãoestimuladas unidades motoras progressivamente maiores, sendo que as unidades16 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  17. 17. motoras muito grandes chegam a desenvolver, muitas vezes, mais de cinquentavezes a força contrátil das unidades motoras menores. Isso é chamado dePrincípio do Tamanho. Ele é importante por permitir a graduação da forçamuscular, durante uma contração fraca em pequenas etapas; essas etapas ficamprogressivamente maiores quando são necessárias grandes intensidades deforça. A causa do princípio do tamanho é que as unidades motoras pequenas sãoativadas por fibras nervosas motoras bastante delgadas e os pequenosmotoneurônios da medula espinhal são, de longe, muito mais excitáveis que osgrandes, de modo que, naturalmente eles são excitados em primeiro lugar. Assim, as alternativas D e E devem ser de início descartadas, pois iniciamdescrevendo que cada unidade motora possui vários motoneurônios ou umnúmero próprio de motoneurônios. A alternativa B deve ser descartada por descrever que o princípio dorecrutamento obedece ao tipo de tarefas e sabe-se que depende do tamanho domotoneurônio. A alternativa C deve ser descartada por descrever que as fibrasmusculares maiores são as ativadas em primeiro lugar, enquanto sabe-se que ospequenos motoneurônios, responsáveis pela inervação de fibras delgadas, sãomais rapidamente excitáveis, sendo as fibras musculares menores as ativadas emprimeiro lugar.Referências1. Guyton AC. Tratado de fisiologia médica. 11ª. ed. Rio de Janeiro: Elsevier;2006.2. Aires MM. Fisiologia. 3ª. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2008. ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 17
  18. 18. QUESTÃO 13Os gráficos demonstram duas pressões do sistema respiratório.Analisando os gráficos, conclui-se que o Gráfico I representa as alterações depressões durante a respiração(A) mecânica com pressão positiva, e o II, a respiração espontânea, sendo que o traçado A representa a pressão pleural, e o traçado B, a pressão alveolar.(B) mecânica com pressão positiva, e o II, a respiração espontânea, sendo que o traçado A representa a pressão alveolar, e o traçado B, a pressão pleural.(C) espontânea, e o II, a respiração mecânica com pressão positiva, sendo que o traçado A representa a pressão alveolar, e o traçado B, a pressão pleural.(D) espontânea, e o II, a respiração mecânica com pressão positiva, sendo que o traçado A representa a pressão pleural, e o traçado B, a pressão alveolar.(E) espontânea, e o II, a respiração mecânica com pressão negativa, sendo que o traçado A representa a pressão pleural, e o traçado B, a pressão alveolar.Gabarito: CAutores: Denizar Melo e Adriana KesslerComentário: O gráfico I representa respiração espontânea, na qual a pressão pleural(B), antes que a inspiração comece, é de -5 cmH2O em virtude do recuo elásticodo pulmão que contrapõe a tendência de expansão da caixa torácica. A pressãopleural cai durante a inspiração, pois à medida que o pulmão expande, o recuoelástico aumenta promovendo queda de pressão ao longo da via aérea que seassocia com uma redução adicional na pressão pleural. Na expiração, a pressão18 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  19. 19. pleural torna-se progressivamente menos negativa, pois ocorre redução do recuoelástico do pulmão. No entanto, em uma expiração forçada, a pressão pleuralpode tornar-se positiva. A pressão alveolar (B), na ausência de fluxo ventilatório (inspiração ouexpiração), é zero, porque sem nenhum fluxo aéreo não há queda da pressão aolongo das vias aéreas. Para que o fluxo inspiratório ocorra, a pressão alveolar cai,estabelecendo a pressão de impulsionamento. Em indivíduos normais, a alteraçãona pressão alveolar é de aproximadamente 1 cmH2O, mas em pacientesobstrutivos ela pode ser muitas vezes maior. Na fase expiratória devido àcompressão do gás intra-alveolar pela retração elástica pulmonar, a pressãoalveolar torna-se progressivamente positiva, até aproximadamente metade dofluxo expiratório, declinando ao longo da expiração até tornar-se igual aatmosférica. Na ventilação assistida e em modos espontâneos, como a Pressão deSuporte, a contração da musculatura vai depender da demanda metabólica dopaciente (controle neural – drive), que vai proporcionar a queda de pressão nocircuito do ventilador mecânico e, de acordo com a sensibilidade ajustada,promover a abertura da válvula (disparo), gerando um pico de fluxo inspiratório,aumentando progressivamente a pressão no sistema respiratório do paciente. Naexpiração, ao contrário, como a pressão no sistema está elevada, a abertura daválvula expiratória promoverá a saída passiva do volume corrente. No gráfico II trata-se de ventilação mecânica, pois a pressão alveolar (A) semantém positiva durante todo o ciclo e há inversão na dinâmica da pressãopleural (B), uma vez que na fase inspiratória esta tende a igualar-se a atmosféricae na expiratória decresce progressivamente. À medida que o fluxo de ar adentra osistema respiratório, a pressão inspiratória vai se elevando, pois é necessáriapara vencer dois componentes: um resistivo (devido à resistência ao fluxo de arpassando pelas vias aéreas) e outro elástico (decorrente da distensão dospulmões e da parede torácica)2.Referências1. West JB. Fisiologia respiratória. 6ª. ed. Barueri: Manole. 2002.2. Carvalho CRR, Junior CT, Franca SA. III Consenso Brasileiro de VentilaçãoMecânica: ventilação mecânica: princípios, análise gráfica e modalidadesventilatórias. Jornal Brasileiro de Pneumologia. 2007; 33(supl. 2): S 54-S 70. ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 19
  20. 20. QUESTÃO 14A História Natural da Doença é o conjunto de processos interativos que afetamdesde o aparecimento da doença até o resultado final. Com base nessainformação, analise as afirmações a seguir.Uma fratura de quadril em um idoso tem etiologia multifatorial, e suasconseqüências no estado de saúde dependerão das condições clínicas pré-existentes no momento da fratura e dos níveis secundário e terciário de atenção àsaúde existentes na comunidade onde vive o idoso. PORQUEO homem participa em todas as etapas do processo da História Natural daDoença, sendo gerador das condições favoráveis ao aparecimento de estímulospatológicos e vítima do contexto de agressão à saúde por ele favorecido.Analisando as afirmações acima, conclui-se que(A) as duas afirmações são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira.(B) as duas afirmações são verdadeiras, e a segunda não justifica a primeira.(C) a primeira afirmação é verdadeira, e a segunda é falsa.(D) a primeira afirmação é falsa, e a segunda é verdadeira.(E) as duas afirmações são falsas.Gabarito: BAutores: Adriana Kessler, Jorge Luiz de Andrade Trindade, Mara Regina Knorst eThais de Lima ResendeComentário: A questão se refere à História Natural da Doença, tema abordado emepidemiologia. Pereira1 relata que alguns autores definem a História Natural daDoença como o curso de algum agravo à saúde sem a intervenção do homem,que pode modificá-lo através de medidas preventivas ou curativas. Assim sendo, a primeira parte da questão aponta para três aspectos:20 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  21. 21. 1º o fato de que uma fratura de quadril no idoso tem múltiplas causas(etiologia multifatorial). 2º o fato de que o que acontece depois da fratura depende do estado desaúde desse idoso no momento em que ele sofre a fratura, isto é, quanto maisdoenças/ agravos prévios tiver a pessoa que fratura o quadril, mais difícil será asua recuperação. Isso é particularmente importante em vista do fato de que a taxade mortalidade ligada a esse agravo pode chegar a 25% e que há relato de queentre 25 e 75% dos que sofrem uma fratura de quadril não retornarão ao seu nívelde funcionamento anterior à doença2. 3º o fato de que as consequências da fratura na saúde do idoso tambémdependerão do acesso e da qualidade do cuidado em saúde que esse idosoreceberá a partir do momento em que sofre o agravo. Esse cuidado englobadesde a cirurgia no hospital (atenção terciária) ao atendimento fisioterapêutico adomicílio e/ou clínica (atenção secundária). A segunda parte da questão apresenta uma afirmativa relativa ao fato deque o homem, a partir da sua atuação em seu meio ambiente e do seu modo devida é responsável por criar condições que favorecem o aparecimento dedoenças/agravos que o acometem. Observando o curso clínico da doença podemos verificar uma evoluçãoesperada (prognóstico), considerando desde a instalação desta, até o desfechofinal e a capacidade de causar danos ao organismo humano. Perracini e Ramos3descrevem a influência de fatores socioeconômicos e psicossociais, como fatoresque poderiam estar associados a quedas em idosos (uma das maiores causas defraturas em idosos2), indicando as relações multifatoriais ao agravo de saúde. Osautores também indicam algumas características, tais como patologias prévias,como fatores de vulnerabilidade ligados ao indivíduo. Por outro lado, a questão refere as “consequências no estado de saúde”ligado condicionalmente as “condições clínicas pré-existentes”, ou seja, ascaracterísticas de funcionamento do organismo quando de uma fratura que podeser potencializado ao associar-se a situações como estado nutricional, porexemplo. Idosos em estados nutricionais precários terão um impacto maior emseu estado de saúde quando sofrem uma fratura de quadril se comparadoaqueles que mantêm um bom estado nutricional. ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 21
  22. 22. Outro elemento descrito na questão são os níveis de atenção a saúde.Franco e Passos4 comentam que uma das aplicações mais conhecidas eutilizadas para o modelo de multicausalidade de Leavell e Clark é sua proposta deníveis de prevenção vinculadas às etapas da história natural da doença. Assim,os níveis de prevenção compõem uma ordem em que a prevenção primáriacompreende o período pré-patogênico e as ações de promoção à saúde eproteção específica se fazem presentes. Nessa fase a complexidade deintervenção é definida como atenção primária. No período patogênico encontra-sea prevenção secundária e terciária, cujas ações visam a “progressão da evolução”do processo patológico no organismo1. A prevenção secundária envolve odiagnóstico, tratamento precoce e limitação da invalidez5. Já na prevençãoterciária, as ações se dirigem à fase final do processo e visam o desenvolvimentoda capacidade residual do indivíduo, cujo potencial funcional foi reduzido peladoença1. Comentando as respostas, poderíamos dizer que a primeira afirmaçãoindica à questão multifatorial da etiologia da fratura de quadril no idoso, dascondições clínicas e de atenção a saúde que o indivíduo mantém em seu meio.Na segunda afirmação, podemos observar a indicação do homem tanto como“gerador das condições favoráveis ao aparecimento de estímulos patológicos”como “vítima do contexto de agressão a saúde”. Estas duas afirmações secomplementam, no entanto não se justificam entre si.Referências1. Pereira MG. Epidemiologia: teoria e prática. Rio de Janeiro: GuanabaraKoogan; 2006.2. Guccione AA. Fisioterapia Geriátrica. 2ª. ed. Rio de Janeiro: GuanabaraKoogan; 2002.3. Perracini MR, Ramos LR. Fatores associados a quedas em uma coorte deidosos residentes na comunidade. Revista Saúde Pública. 2002; 36(6): 709-716.4. Franco JF, Passos ADC (org.). Fundamentos de epidemiologia. Barueri:Manole; 2005.5. Almeida Filho N, Rouquayrol MZ. Introdução à epidemiologia. 4ª. ed. Riode Janeiro: Guanabara Koogan; 2006.22 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  23. 23. QUESTÃO 15A Promoção da Saúde pode ser definida como o processo de capacitação dosindivíduos e grupos para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde epara aumentar o próprio controle sobre elas. A Carta de Ottawa (OMS/1996)preconiza cinco campos de atuação para a Promoção da Saúde, sendo um deleso desenvolvimento de saúde ambiental, ou seja, de ambientes favoráveis àsaúde. De que forma a Fisioterapia pode atuar diretamente, através de suasações, no desenvolvimento da saúde ambiental?(A) Elaborando políticas públicas saudáveis.(B) Criando estratégias de cinesioterapia voltadas para o combate à inatividade física.(C) Criando estratégias de modificações e adaptações nos locais e equipamentos de trabalho.(D) Criando estratégias de educação voltadas para a saúde postural do indivíduo.(E) Transmitindo informações úteis às comunidades, como as referentes à coleta seletiva de lixo. ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 23
  24. 24. QUESTÃO 16De acordo com a Declaração de Alma-Ata, promulgada em 1978, noencerramento da Conferência de Alma-Ata (OMS), as ações primárias de saúdepressupõem a participação da população em seu planejamento, organização,execução e controle.Uma das Diretrizes do Sistema Único de Saúde em concordância com esteprincípio da Declaração de Alma-Ata é a participação da comunidade, ou seja, oexercício do controle social sobre as atividades e os serviços públicos de saúde.Com base no texto acima, nas Diretrizes do SUS e no funcionamento do Sistemade Saúde brasileiro, pode-se afirmar que(A) embora seja uma diretriz constitucional, a participação da comunidade no Sistema de Saúde ainda não foi implantada no Brasil devido à dificuldade de acesso à saúde.(B) embora seja uma diretriz constitucional, a participação da comunidade no Sistema de Saúde ainda não foi implantada no Brasil, devido às dificuldades de financiamento.(C) a participação da comunidade no Sistema de Saúde ocorre de fato, e é feita através das estratégias do Programa Saúde da Família.(D) a participação da comunidade no Sistema de Saúde ocorre de fato, e suas atividades de organização, execução e controle são direcionadas apenas para as ações de promoção da saúde.(E) a participação da comunidade ocorre de fato, e é feita por meio das Conferências e Conselhos de Saúde, nos níveis nacional, estaduais, municipais e distritais.Gabarito: EAutores: Jorge Luiz de Andrade Trindade e Thais de Lima ResendeComentário: A Conferência Internacional sobre os Cuidados Primários de Saúde,realizado em Alma-Ata, foi um marco nas políticas internacionais de saúde. Estarepresentou o ponto de partida para outras iniciativas, culminado em conferênciassubsequentes sobre a saúde dos povos. Entre outros, a Declaração de Alma-Ataexpressou a necessidade de ação de governos, trabalhadores da área da saúde eda comunidade mundial para promover a saúde de todos os povos do mundo. Oquarto item da declaração foi relativo à participação popular: “É direito e dever dos24 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  25. 25. povos participar individual e coletivamente no planejamento e na execução deseus cuidados de saúde.” 1 No Brasil, desde a Declaração de Alma-Ata, pode se perceber muitasmudanças no modelo de atenção à saúde, entre elas a participação da 2comunidade, que aparece no artigo 198 da Constituição Federal de 1988 comouma das diretrizes para a organização do Sistema Único de Saúde (SUS). Com aimplementação do SUS, seus princípios e diretrizes 3, podemos identificar não sóos elementos de uma política voltada para a construção iminente de uma açãouniversal na atenção à saúde da população, como também a participação damesma como um dos seus princípios. Nesse sentido, o exercício de controlesocial sobre as atividades e serviços públicos de saúde, caminha para umaprática cada vez mais efetiva. Vasconcelos e Pasche4, ao fazerem referência sobre o “Exercício daparticipação social no SUS” indicam que a diretriz constitucional da participaçãocomunitária se traduziu na criação das conferências e dos conselhos de saúdenas três esferas de governo (municipal, estadual e nacional) como mecanismosde viabilização da participação da população na condução da política de saúde. Alei nº. 8.142/90 3, que regulamenta a matéria, assegura a composição paritáriadessas instâncias, na qual os usuários tem assegurado 50% da representação eos 50% restantes devem contemplar os trabalhadores de saúde, os prestadoresde serviços e os gestores. As conferências se reúnem por convocação do gestor ou do conselho desaúde e debatem os temas gerais e específicos da política de saúde, em cadaâmbito, com periodicidade definida em lei. As conferências municipais precedemas estaduais e estas a nacional. Em cada uma delas (municipais e estaduais) sãoescolhidos delegados que representarão o território na discussão nacional.5 Os conselhos de saúde têm caráter permanente e atribuição de deliberarsobre as políticas em cada âmbito de governo (municipal, estadual e nacional).Devem aprovar o plano de saúde, o orçamento setorial, acompanhar a execuçãodas políticas de saúde, avaliar os serviços de saúde e fiscalizar a aplicação dosrecursos financeiros.5 ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 25
  26. 26. O desempenho dos conselhos de saúde está condicionado pelaorganização da sociedade civil em cada contexto o que pode, de certa formacomprometer as suas prerrogativas atribuídas em lei4. Diante do exposto, na questão acima, a alternativa correta é a “E”, pois nãodependem, como indicado na alternativa “A”, ao acesso aos serviços de saúdepela população ou a financiamento, como indicado na alternativa “B”. Naalternativa “C” está indicado a participação popular apenas através de estratégiasdo Programa de Saúde da Família, que prioriza a atenção básica a populaçãolocal. Já a alternativa “D” indica a participação popular exclusivamente para asações de promoção da saúde. Na realidade, como exposto acima, as açõesenvolvem ações em geral que deliberam sobre a saúde geral da população.Referências1. OPAS. Declaração de Alma-Ata. Disponível em:<http://www.opas.org.br/promocao/uploadArq/Alma-Ata.pdf>. Acesso em16/9/2009.2. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa doBrasil. Brasília; DF: Senado Federal; 1988.3. Brasil. Ministério da Saúde. Lei n.8.080/90, de 19 de setembro de 1990.Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm>. Acesso em22/9/2009.4. Gastão W, De Sousa Campos MCS, Minayo MA, et al. (orgs). Tratado deSaúde Coletiva. 2ª. ed. São Paulo – Rio de Janeiro: Hucitecf – Fiocruz; 2008.5. Brasil. Ministério da Saúde. Lei n.8.142/90, de 28 de dezembro de 1990.Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8142.htm>. Acesso em22/9/2009.26 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  27. 27. QUESTÃO 17O Capítulo da Saúde na Constituição Federal de 1988 afirma que a assistência àsaúde deve abranger atividades curativas e, prioritariamente, atividadespreventivas. Qual das diretrizes do SUS configura esta afirmação?(A) Regionalização da assistência.(B) Igualdade da assistência.(C) Integralidade da assistência.(D) Universalidade de acesso aos serviços de saúde.(E) Hierarquização das ações de saúdeGabarito: CAutores: Jorge Luiz de Andrade Trindade e Thais de Lima ResendeComentário: O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado pela Constituição Federal em19881 com o propósito de reduzir a discrepância de atendimento à populaçãobrasileira. Anteriormente, a assistência pública a saúde ficava restrita ao InstitutoNacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), o qual opúblico-alvo era formado pelos empregados que contribuíam com a previdênciasocial; os demais eram atendidos apenas em serviços filantrópicos. No campo da saúde isso significou a possibilidade de superação da ofertaestratificada de serviços, que diferenciava os indivíduos em indigentes esegurados da Previdência Social, e trouxe a oportunidade para reduzir a diferençade atendimento aos moradores do campo e da cidade de diferentes partes dopaís. O SUS se sujeita a regulamentação das Leis n° 8.080/902 e n° 8.142/903. ALei de n° 8.080 de 19 de setembro de 1990 (Lei Orgânica da Saúde) indica comoprincípios do SUS a universalidade, a equidade e a integralidade, e tambémnormatiza os princípios organizacionais da regionalização, hierarquização,descentralização, racionalização, resolução, complementaridade do setor privadoe participação da comunidade.2 As diretrizes e os princípios do SUS estabelecem como as ações e osserviços de saúde públicos e privados devem ser desenvolvidos.2 ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 27
  28. 28. O princípio da Universalidade assegura o direito à saúde a todos oscidadãos e o acesso sem discriminação ao conjunto das ações e serviços desaúde ofertados pelo sistema. Nesse sentido, a busca pelos serviços de saúdeem unidades de saúde básicas, garante a população em geral o encaminhamentode ações voltadas à realidade local, sem discriminação ou estratificação docidadão garantida por força de lei.4 Já a equidade, tem como base o respeito pelas diferenças de grupossociais, ou seja, a necessidade do sistema considerar de forma igualitária asdiferenças existentes entre grupos populacionais. Assim, o indivíduo que mantémuma vulnerabilidade maior em relação à sua saúde, por fatores diversos, temprioridade e ações diferenciadas na busca de solução e redução das diferençassociais.4 O terceiro princípio, a integralidade, supõe as dimensões do processosaúde-doença que afetam os indivíduos e as coletividades e pressupõe aprestação continuada do conjunto de ações e serviços, visando garantir apromoção, a proteção, a cura e a reabilitação. Nesse sentido, observamos hojeuma prática de saúde voltada prioritariamente a prevenção e a proteção a saúdeatravés de programas de informação, orientação e ações de prevenção e bemestar da população. E de outra forma, a ampliação à atenção individual em níveismais complexos de saúde, obedecendo a realidade local e as diversas formas debusca de solução a demanda de populações locais por processos de consórciosentre municípios, por exemplo. Onde estes tentam suprir a carência deassistência, através de trocas de serviços entre si.4Referências1. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa doBrasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.2. BRASIL. Ministério da Saúde. Lei n.8.080/90, de 19 de setembro de 1990.Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm>. Acesso em22/9/2009.3. BRASIL. Ministério da Saúde. Lei n.8.142/90, de 28 de dezembro de 1990.Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8142.htm>. Acesso em22/9/2009.4. Gastão WSC, Minayo MA, Akerman M, Júnio MD, Carvalho YM. (orgs).Tratado de Saúde Coletiva. 2ª ed. São Paulo – Rio de Janeiro: Hucitecf –Fiocruz; 2008.28 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  29. 29. QUESTÃO 18A “Teoria das Comportas” vem sendo utilizada ao longo dos anos para explicar aação do TENS no controle da dor. A esse respeito, analise as afirmações aseguir.A “Teoria das Comportas”, sozinha, não consegue esclarecer os mecanismos deanalgesia da Estimulação Elétrica Transcutânea Nervosa (TENS). PORQUETem sido observado que freqüências altas na programação do TENS causamanalgesia por mecanismo diferente, como, por exemplo, a produção de opiáceosendógenos.Analisando as afirmações acima, conclui-se que(A) as duas afirmações são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira.(B) as duas afirmações são verdadeiras, e a segunda não justifica a primeira.(C) a primeira afirmação é verdadeira, e a segunda é falsa.(D) a primeira afirmação é falsa, e a segunda é verdadeira.(E) as duas afirmações são falsasGabarito: CAutores: Emerson Boschi e Luana CaloyComentário: A teoria da comporta da dor fundamenta uma base fisiológica para osefeitos eletroanalgésicos, na qual a meta é ativar seletivamente as fibrasaferentes Aβ (TENS Convencional) de diâmetro largo sem ativarconcorrentemente as fibras aferentes de pequeno diâmetro Aδ (TENSAcupuntural). Há evidências crescentes de que a TENS Acupuntural, mas não a TENSConvencional, seja mediada por endorfinas. A TENS Acupuntural aumentou osníveis de endorfina no líquido cerebroespinhal em pacientes com dor crônica e aanalgesia era revertida por um antagonista de receptores opioide (naloxona). ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 29
  30. 30. Contudo, a naloxona não pode reverter a analgesia produzida pela TENSConvencional em pacientes com dor, sugerindo que o mecanismo de analgesiaatravés da Teoria das Comportas não é proporcionado pelas endorfinas. As características elétricas da TENS são escolhidas tendo em vista aativação seletiva de diferentes populações de fibras nervosas, já que se acreditaque isso produza resultados analgésicos diferentes. Fibras nervosas de diâmetro largo, como as Aβ e Aα, tem baixo limiar deativação por estímulos elétricos quando comparadas com fibras equivalentes dediâmetro pequeno (Aδ e C). A amplitude (intensidade) de corrente necessáriapara excitar uma fibra nervosa declina com o aumento da duração do pulso e como aumento da frequência de pulso. Assim, para ativar fibras de diâmetro largo(Aβ) sem ativar fibras de diâmetro menor (Aδ) deve-se selecionar correntes debaixa intensidade e de alta frequência (10 – 200 Hz) com duração de pulso entre100 e 200µs. Por outro lado, para ativar fibras de pequeno diâmetro (Aδ) necessita-se debaixa frequência de pulsos (< 10Hz) e não alta frequência como sugerido nasegunda afirmação. Conclui-se que a Teoria das Comportas sozinha não consegue justificartodas as formas de regulagens e mecanismos neurofisiológicos de analgesia dador e que a produção/liberação de opiáceos endógenos (endorfinas) através daTENS ocorre por estímulos de baixa frequência (<10 Hz) quando ativada as fibrasaferentes de pequeno diâmetro (Aδ).Referências1. Low J. Eletroterapia explicada: princípios e prática. 3ª ed. Barueri: Manole;2001.2. Nelson MR, Hayes WK; Currier PD. Eletroterapia clínica. 3ª ed. Barueri:Manole; 2003.3. Sheila K. Eletroterapia: prática baseada em evidências. 11ª ed. Barueri:Manole; 2003.30 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  31. 31. QUESTÃO 19José, com 52 anos de idade, diabético há mais de dez anos, procura uma clínicapara tratamento de uma ulceração plantar. Após avaliação detalhada, oFisioterapeuta fecha o diagnóstico de pé diabético. A fim de tomar a melhordecisão terapêutica, consulta diversos periódicos da área, analisa os resultadosclínicos e experimentais e opta pela aplicação de laser de baixa potência. Aodeterminar a dosimetria para o tratamento do Sr. João, o Fisioterapeuta deveconsiderar(A) pigmentação da pele, área da ulceração, área do feixe do laser, potência do equipamento e tempo de aplicação.(B) tempo de aplicação, forma de aplicação (varredura ou pontual), e comprimento de onda do laser.(C) tempo de instalação do diabetes, existência de áreas de tecido necrótico, condições nutricionais, hidratação e pigmentação.(D) efeitos primários e secundários tais como: bioquímicos, bioelétricos, bioenergéticos, analgésicos, antiinflamatórios e cicatrizantes.(E) potência do equipamento, tipo de laser, forma de aplicação (varredura ou pontual) e efeitos primários e secundários. ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 31
  32. 32. QUESTÃO 20A obtenção da pressão parcial de oxigênio no sangue arterial (PaO2) para avaliaro grau de hipoxemia utiliza um método invasivo chamado gasometria arterial. Aavaliação da saturação percentual de oxigênio da hemoglobina arterial (SpO2),que é um método não invasivo, pode ser feita pela medida de oximetria de pulso.Analisando o gráfico acima e considerando como hipoxemia o valor de 60 mmHgde PaO2, o valor da SpO2 obtido deverá ser de, aproximadamente,(A) 95%(B) 90%(C) 75%(D) 65%(E) 60%Gabarito: BAutores: Denizar Melo e Márcio DonadioComentário: A saturação de oxigênio da hemoglobina arterial depende da pressãoparcial de oxigênio no sangue, ou seja, da fração de gás que está dissolvida nosangue, de maneira que quanto maior a pressão parcial de oxigênio maior será a32 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  33. 33. saturação da hemoglobina (comportamento este demonstrado no gráficoapresentado na questão). No entanto, a resposta desta questão, não prescinde deconhecimentos de fisiologia, apenas leva em consideração a interpretação dográfico, visando determinar o valor no eixo das ordenadas (y) representado pelasaturação de oxigênio, para um determinado valor dado no eixo das abscissas (x)representado pela pressão arterial de oxigênio, gerado pelo ponto na curva dedissociação da hemoglobina.Referências1. Aires MM. Fisiologia. 3ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2008.2. Guyton AC. Tratado de fisiologia médica. 11ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier;2006. ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 33
  34. 34. QUESTÃO 21Um homem com 58 anos comparece ao consultório do Fisioterapeuta com dorlombar. Em relação a esse paciente, o Fisioterapeuta decide, então, tomar asseguintes providências:I – elaborar diagnóstico funcional;II – prescrever antiinflamatórios para iontoforese;III – solicitar radiogramas.Segundo o Código de Ética Profissional da Fisioterapia, aprovado em 1978,é(são) proibida(s) ao Fisioterapeuta a(s) providência(s)(A) II, somente.(B) III, somente.(C) I e II, somente.(D) II e III, somente.(E) I, II e III.Gabarito: AAutoras: Mara Regina Knorst e Thais de Lima ResendeComentário: Em relação às duas providências que não são proibidas ao fisioterapeuta,ou seja, aquelas contidas nas afirmativas I e III encontramos, respectivamente,suporte nos artigos 9º e 13º da Resolução COFFITO 10, o Código de ÉticaProfissional. No artigo 9º encontra-se a seguinte afirmativa: “O fisioterapeuta e oterapeuta ocupacional fazem o diagnóstico fisioterápico e/ou terapêuticoocupacional e elaboram o programa de tratamento.” A seguir, no artigo 13ºencontramos que “O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional, à vista de parecerdiagnóstico recebido e após buscar as informações complementares que julgarconvenientes, avaliam e decidem quanto à necessidade de submeter o cliente àfisioterapia e/ou terapia ocupacional, mesmo quando o tratamento é solicitado poroutro profissional.” Com isso entende-se que as afirmativas I e III estão corretas,pois é esperado que o profissional faça um diagnóstico relativo ao seu fazer34 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  35. 35. (diagnóstico fisioterápico), assim como ele, se julgar que precisa de maisinformações, pode buscá-las através de exames complementares (informaçõescomplementares). Quanto à providência contida na afirmativa II “(...) prescreverantiinflamatórios para iontoforese”, ela é claramente proibida ao fisioterapeuta eessa proibição encontra-se explicitada no inciso IV do artigo 8º da ResoluçãoCOFFITO 10: “É proibido ao fisioterapeuta e ao terapeuta ocupacional, nasrespectivas áreas de atuação: (...) IV - prescrever medicamento ou praticar atocirúrgico”.Referências1. Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. ResoluçãoCOFFITO - 10. D.O.U nº. 182 de 22/9/1978, Seção I, Parte II, p. 5.265-5.268.Disponível em: http://www.crefito5.com.br/downloads.php?area=4. Acesso em22/9/2009. ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 35
  36. 36. QUESTÃO 22Um Fisioterapeuta, que realizava atendimento na enfermaria, é chamado comurgência ao ambulatório do hospital para atender a um adolescente com DistrofiaMuscular de Duchenne, que se apresenta com intensa dispnéia, devido ahipersecreção. Após realizar a avaliação completa do paciente, o profissionalprescreve um tratamento baseado em drenagem postural, tapotagem e aspiração,com o objetivo de desobstruir as vias aéreas desse paciente. Por estar de plantãona enfermaria e não poder abandonar o posto, o Fisioterapeuta solicita que oatendente de enfermagem do ambulatório realize o atendimento. Com base noCódigo de Ética Profissional, pode-se concluir que a atitude do Fisioterapeutaestá(A) correta, pois ele está sobrecarregado e, dessa forma, nenhum paciente ficará sem atendimento.(B) correta, ao escolher o atendente para fazer o atendimento em seu lugar, pois o mesmo está familiarizado com as técnicas.(C) correta, pois escolheu as melhores técnicas para desobstrução das vias aéreas.(D) errada, pois deveria delegar suas funções, somente, para um enfermeiro que possua titulação de nível superior.(E) errada, pois o Fisioterapeuta não deve delegar suas funções a outros profissionais.Gabarito: EAutoras: Mara Regina Knorst e Thais de Lima ResendeComentário: A sustentação para a afirmativa correta, alternativa “E”, é encontrada emtrês legislações relativas à profissão, explicitadas a seguir em ordem cronológica:Lei 6.316/751, Resolução COFFITO 102 e Resolução COFFITO 803. No Capítulo IV da Lei 6.316/75 (Das Infrações e Penalidades) encontramosno inciso II do artigo 16 que, em relação ao exercício da profissão, constituiinfração disciplinar “(...) facilitar, por qualquer meio, o seu exercício aos nãoregistrados ou aos leigos”.1 No inciso III do artigo 8º da Resolução COFFITO 10 encontramos que “Éproibido ao fisioterapeuta e ao terapeuta ocupacional, nas respectivas áreas de36 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  37. 37. atuação: (...) concorrer, de qualquer modo para que outrem exerça ilegalmenteatividade privativa do fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional”.2 No artigo 4º da Resolução COFFITO 80 encontramos que “(...) aoprofissional FISIOTERAPEUTA é vedado, em atividade profissional nos Serviçosde Fisioterapia, atribuir ou delegar funções de sua exclusividade e competênciapara profissionais não habilitados ao exercício profissional da Fisioterapia.” Portanto, independente do profissional se encontrar sobrecarregado(alternativa A), demonstrar cuidado ao “escolher o atendente” (alternativa B),escolher a terapêutica mais indicada do ponto de vista técnico (alternativa C) oumesmo escolher um outro profissional de nível superior (alternativa D),permanece o fato de que, de acordo com a sua legislação profissional, ofisioterapeuta não deve delegar suas funções a outros profissionais.Referências1. Brasil. Lei no. 6.316 de 17 de setembro de 1975. DOU nº. 242 de18/12/1975, Seção. I, p. 16.805–16.807. Disponível em:http://www.crefito5.com.br/downloads.php?area=4. Acesso em 22/9/2009.2. Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. ResoluçãoCOFFITO-10. D.O.U nº. 182 de 22/9/1978, Seção I, Parte II.3. 5.265/5.268. Disponível em:http://www.crefito5.com.br/downloads.php?area=4. Acesso em 22/9/2009.4. Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. ResoluçãoCOFFITO-80. D.O.U nº. 093 de 21/5/87, Seção I, p. 7.609. Disponível em:http://www.crefito5.com.br/downloads.php?area=4. Acesso em 22/9/2009. ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 37
  38. 38. QUESTÃO 23Helena é uma criança de três anos com diagnóstico de paralisia cerebral. Seu paié pedreiro e sua mãe deixou o emprego de faxineira para se dedicar aotratamento da filha, que vem sendo atendida em uma instituição beneficente dereabilitação há dois anos. A criança é asmática, apresenta suspeita de retardomental e atraso do desenvolvimento motor caracterizado por uma diplegia e umahipertonia moderada dos membros inferiores. Esta semana, durante a sessão defisioterapia, onde são realizados exercícios de alongamento e técnicas deaprendizagem motora, a criança apresentou um forte episódio de crise de asma.Do ponto de vista de conduta profissional e do Código de Ética da profissão deFisioterapia e Terapia Ocupacional, como deve agir o Fisioterapeuta?(A) Considerando que a criança vem somente duas vezes por semana à sessão de fisioterapia, deve continuar a sessão de tratamento, acrescentando exercícios respiratórios e reforço da orientação quanto à limpeza da poeira doméstica.(B) Deve continuar os exercícios, e solicitar à mãe que compre um broncodilatador para que faça uma nebulização na farmácia antes da próxima sessão de fisioterapia, além de uma boa limpeza no quarto de Helena.(C) Deve suspender a sessão de exercícios imediatamente e providenciar um medicamento broncodilatador na farmácia da instituição para realizar a nebulização na criança e, após isso, orientar a mãe quanto aos agentes causadores da crise de asma.(D) Deve suspender a sessão de exercícios e solicitar à mãe o medicamento broncodilatador prescrito pelo pediatra da criança, para realizar nebulização imediatamente e reforçar as orientações quanto aos agentes causadores da crise asmática.(E) Deve continuar o tratamento acrescentando exercícios respiratórios à sua conduta e, após a sessão, providenciar o encaminhamento da criança a um pronto-socorro médico e advertir a mãe quanto à necessidade de limpeza doméstica adequada.Gabarito: DAutoras: Adriana Kessler e Thais de Lima ResendeComentário: Durante o episódio agudo de crise asmática não é aconselhável acontinuidade das atividades motoras, pois elas podem piorar os sinais e os38 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  39. 39. sintomas.1 Em face dessa informação e considerando que o inciso V do Artigo 8ºda Resolução COFFITO 10, o Código de Ética da profissão, estabelece que éproibido ao fisioterapeuta recomendar, prescrever e executar tratamento ou nelecolaborar, quando atentório à saúde do cliente,2 conclui-se que a alternativa A éincorreta. A alternativa B apresenta tanto erros do ponto de vista de condutaprofissional, quanto duas infrações do Código de Ética da profissão. Comoexposto anteriormente, as atividades motoras devem ser interrompidas duranteuma crise de asma, pois podem exacerbar sinais e sintomas,1 constituindo,portanto, conduta terapêutica atentória à saúde do cliente, o que infringe o incisoV do Artigo 8º da Resolução COFFITO 10.2 E, ao solicitar à mãe que compre umbroncodilatador, infringe o inciso IV do mesmo artigo, que estabelece que éproibido ao fisioterapeuta prescrever medicamento.2 Na alternativa C vê-se dois cursos de ação corretos: suspender a sessãode exercícios imediatamente durante uma crise de asma, pois podem exacerbarsinais e sintomas,1 e orientar a mãe quanto aos agentes causadores da crise deasma.1 Entretanto, ao providenciar um broncodilatador sem prescrição médicainfringe o inciso IV do Artigo 8º da Resolução COFFITO 10, que proíbe aofisioterapeuta a prescrição de medicamentos.2 O profissional, portanto, só poderiarealizar a nebulização na vigência de prescrição médica. Em razão dessa infraçãoética, a alternativa C é incorreta. Na alternativa E entende-se que o tratamento não deve ser continuado,uma vez que pode piorar os sinais e sintomas.1 O curso correto de ação seria oencaminhamento imediato dessa criança a um pronto-socorro médico. Essaafirmativa é errada, uma vez que a conduta terapêutica seria atentória à saúde docliente, o que infringe o inciso V do Artigo 8º da Resolução COFFITO 10.2Referências1. Sociedade Brasileira de Pneumologia. IV Diretrizes Brasileiras para oManejo da Asma. Jornal Brasileiro de Pneumologia. 2006; 32(7): S447-S474.2. Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. ResoluçãoCOFFITO-10. D.O.U nº. 182 de 22/9/1978, Seção I, Parte II, p. 5.265/5.268.Disponível em: http://www.crefito5.com.br/downloads.php?area=4. Acesso em22/9/2009. ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 39
  40. 40. QUESTÃO 24Um grupo de Fisioterapeutas foi convidado a realizar, com os funcionários de umadas agências de um grande Banco, um trabalho de orientação de saúde voltadapara a prevenção de algias e afecções da coluna vertebral. No planejamento dasestratégias de orientação de saúde, os Fisioterapeutas deverão incluirI – noções básicas de anatomia e biomecânica da coluna vertebral;II – informações quanto à importância da prática de atividade física regular;III – indicação de tratamentos específicos para as afecções e algias detectadas;IV – informações sobre posturas adequadas a serem adotadas no ambiente de trabalho e no dia-a-dia.Estão corretas as ações(A) I, II e III, apenas.(B) I, II e IV, apenas.(C) I, III e IV, apenas.(D) II, III e IV, apenas.(E) I, II, III e IV.Gabarito: BAutores: Jorge Luiz de Andrade Trindade e Denizar MeloComentário: A demanda de trabalho do fisioterapeuta vem sofrendo algumas alteraçõesnos últimos tempos. Muitas dessas alterações ocorrem pela mudança deparadigmas profissional e da saúde no país.1 Assim, o fisioterapeuta muitas vezesatua em cenários diferentes, como as empresas, por exemplo, desenvolvendotemas de interesse da população (no caso, trabalhadores) e situações de risco àsaúde destes. A educação transforma o trabalhador num sujeito ativo e participante,conhecedor de sua própria saúde. Promover a saúde vem dar nova estruturaçãoà visão de assistência ao trabalhador. É um processo pelo qual, através de ações,40 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  41. 41. capacita-se a população para que busque meios que evite deixá-la vulnerável aoadoecimento, afetando a sua qualidade de vida.2 As ações de promoção e educação em saúde do trabalhadorcompreendem: a consulta e o atendimento, a solicitação de exames eprocedimentos complementares, o ensino e orientação dos trabalhadores emrelação à alimentação, hidratação, repouso, exercícios, postura, funcionamentode órgãos, aparelhos e sistemas, vida afetiva familiar e sexual, recreação, asseiocorporal e ambiental.3 Podem ser implementadas por meio de consultas,palestras, debates, grupos de ensino, distribuição de material educativo. Assim, a construção do conhecimento na prática de saúde do trabalhador,implica na ordenação de elementos relativos a temas diversos, muitas vezes com ointuito de prevenir agravos à saúde relativos ao grupo em seu contexto de trabalho. O tema “prevenção de algias e afecções da coluna vertebral” pressupõeorientações sobre as estruturas corporais, atividade física regular e posturas aserem adotadas nas atividades diárias e laborais. A alternativa III fala sobre “indicação de tratamentos específicos para asafecções e algias detectadas”. O que contrapõe o propósito de trabalhopretendido, ou seja, as ações de prevenção primária ou educação em saúde.Essa alternativa implica em avaliação individual e prescrição de tratamentosespecíficos a transtornos musculoesqueléticos.Referências1. Rebelatto JR, Botomé SP. Fisioterapia no Brasil: fundamentos para umaação preventiva e perspectivas profissionais. São Paulo: Manole; 1999.2. Westphal MF, Almeida ES. Gestão de Serviços de Saúde. São Paulo:Edusp; 2001.3. Carvalho, GM. Enfermagem do Trabalho. São Paulo: EPU; 2001. ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 41
  42. 42. QUESTÃO 25Um Fisioterapeuta da equipe do PSF de uma cidade de porte médio do interioridentificou, numa visita domiciliar, uma paciente de 78 anos com história de quedana semana anterior, acamada, com sinais e sintomas de fratura do quadril direito,queixa de dor local à palpação e à movimentação passiva. Apesar de um quadrode fragilidade física, caracterizado por perda de peso não intencional, fadiga auto-relatada e diminuição da força de preensão da mão dominante, a pacienteapresentava condições cognitivas preservadas. Dadas as condiçõesapresentadas pela paciente, quais as condutas do Fisioterapeuta mais plausíveise recomendadas?(A) Orientar os familiares da paciente sobre posicionamento no leito, colocação de compressas úmidas quentes no local da dor e exercícios passivos nos membros inferiores.(B) Incentivar a compra de uma cadeira de rodas enquanto espera o resultado da aplicação do programa de exercícios terapêuticos.(C) Encaminhar o caso para o serviço de assistência social do município, uma vez que se trata de um caso de negligência por parte da família.(D) Estabelecer um protocolo de exercícios terapêuticos baseado em movimentos passivos e ativo-assistidos para ser realizado diariamente durante 30 dias.(E) Solicitar uma avaliação do paciente por parte dos outros profissionais da equipe para tomada de decisão sobre os procedimentos do caso clínico da paciente.Gabarito: EAutores: Jorge Luiz de Andrade Trindade e Denizar MeloComentário: O Programa de Saúde da Família (PSF) é uma estratégia de reorientaçãodo modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipesmultiprofissionais em unidades básicas de saúde. Essas equipes sãoresponsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias,localizadas em uma área geográfica delimitada. As equipes atuam com ações depromoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravosmais frequentes, e na manutenção da saúde dessa comunidade. Criado em 1994pelo Ministério da Saúde, o Programa Saúde da Família (PSF), tem como42 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  43. 43. principal propósito: reorganizar a prática da atenção à saúde em novas bases esubstituir o modelo tradicional, levando a saúde para mais perto da família e, comisso, melhorar a qualidade de vida dos brasileiros. A estratégia do PSF prioriza asações de prevenção, promoção e recuperação da saúde das pessoas, de formaintegral e contínua.1 O atendimento é prestado na unidade básica de saúde ou nodomicílio, pelos profissionais. O Programa de Saúde da Família define que parauma atenção familiar básica é necessária uma equipe mínima de profissionais,denominada equipe de saúde da família (ESF), composta de: um médicogeneralista, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e cinco a seis agentescomunitários de saúde, podendo ainda contar com outros profissionais. Apresença destes outros profissionais (dentistas, nutricionistas, fisioterapeutas,etc.) poderá ocorrer de acordo com a realidade do município através de atuaçãodireta (atuando junto com a equipe básica) ou prestando atendimento quandosolicitado sua presença através de redes de apoio, como no caso do Núcleo deApoio de Saúde da Família (NASF), por exemplo. Assim, esses profissionais e apopulação acompanhada criam vínculos de corresponsabilidade, o que facilita aidentificação e o atendimento aos problemas de saúde da comunidade.1 O PSF visa realizar as ações de promoção à saúde, bem como aprevenção e difere de modelos tradicionais que tem por objetivo a cura dedoenças e o tratamento clássico, realizado no âmbito hospitalar2. A equipe de saúde da família é constituída por diversos profissionais quese responsabilizam por uma determinada população, de uma determinadalocalidade, onde realizam ações de promoção da saúde, prevenção, tratamento ereabilitação de agravos. Essa equipe é sediada na localidade, em uma Unidadede Saúde da Família – uma unidade que vem para substituir as antigas Unidadesde Saúde3. Essa unidade trabalha mediante os seguintes princípios4: • Caráter substitutivo; • Integralidade e hierarquização; • Territorialização e adscrição de clientela; • Equipe multiprofissional. Uma das especificidades que chama a atenção segundo, Ronzani etal.(2008), na proposta inicial do PSF, diz respeito à atuação dos profissionais, que ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 43
  44. 44. devem ter, além da capacidade técnica, um envolvimento e uma identificação comessa proposta de trabalho, que muitas vezes demanda criatividade, iniciativa evocação para trabalhos comunitários e em grupo. As experiências relatadas na inclusão do fisioterapeuta nas ações daequipe de Saúde da Família indicam resultados significativos para a população.5,6 A questão acima aponta a atuação do fisioterapeuta na Estratégia deSaúde da Família, na qual o profissional, através de uma de suas ações (Visitasdomiciliares), identifica situações adversas da saúde da população. Considerandoo exposto acima e atuação em equipe, podemos pressupor a discussão de cadacaso com a equipe para uma tomada de decisão em relação à saúde dacomunidade na qual atua. Portanto, a resposta mais plausível em relação àconduta do profissional é a “E”, uma vez que: Resposta “A”: os sinais e sintomas de fratura são impeditivos paramobilização da região, principalmente realizada por leigos; Resposta “B”: antes de iniciar o programa de exercícios é necessáriaavaliação interdisciplinar, buscando a real origem dos sintomas e dos sinais; Resposta “C”: o enunciado da questão não oferece subsídiosidentificadores de maus-tratos; Resposta “D”: a avaliação criteriosa e precisa da equipe interdisciplinar éfundamental para verificação das reais condições do paciente e estabelecercondutas adequadasReferências1. Gastão W, de Sousa Campos MCS, Minayo MA, et al. (orgs). Tratado deSaúde Coletiva. 2ª. ed. São Paulo – Rio de Janeiro: Hucitecf – Fiocruz; 2008.2. Ronzani TM, et al. O Programa de Saúde da Família segundoprofissionais de saúde, gestores e usuários. Ciência & Saúde Coletiva. 2008;13(1):23-34.3. Trad LAB, et al. O Impacto Sócio-Cultural do Programa de Saúde da Família(PSF): uma proposta de avaliação. Caderno de Saúde Pública. 1998; 14(2):429-435.4. Brasil, Ministério da Saúde. Programa Saúde da Família/Ministério daSaúde, Secretaria Executiva. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2001.5. Baraúna M, et al. A importância da inclusão do fisioterapeuta no Programade Saúde da Família. Fisioterapia Brasil. 2008; 9(2):64-69.6. Trelha CS, et al. O fisioterapeuta no Programa de Saúde da Família emLondrina (PR). Revista Espaço Para a Saúde. 2007; 8(2):20-25.44 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  45. 45. QUESTÃO 26Um paciente de 35 anos é encaminhado por um perito do INSS para o setor defisioterapia apresentando história de dor na região lombossacra e parestesia demembro inferior direito. A carta de encaminhamento do perito solicita um relatóriofisioterapêutico sobre as condições cinético-funcionais do paciente. Durante aavaliação, o paciente reclama que não consegue trabalhar há mais de um ano eque a única alternativa para sua situação é ser aposentado por invalidez. Aoexame físico, o Fisioterapeuta não constata alterações clínicas que possam estardesencadeando as dores relatadas. Ao realizar o teste da elevação da pernaretificada, o paciente informa que não consegue realizar a elevação. OFisioterapeuta decide aplicar o Teste de Hoover, ilustrado na figura abaixo. HOPPENFELD, Stanley. Propedêutica ortopédica: coluna e extremidades. Rio de Janeiro: Atheneu, 2001.Com o auxílio das informações contidas no caso clínico e na figura acima, pode-se concluir que o teste representado(A) é utilizado para tensionar as estruturas da medula espinal.(B) destina-se a elevar a pressão intratecal.(C) tem por finalidade determinar se o paciente está simulando ao afirmar que não pode elevar a perna.(D) tem como objetivo testar o encurtamento dos músculos isquiotibiais.(E) visa a comprimir o disco intervertebral pelas vértebras.Gabarito: CAutoras: Carla S. de Almeida e Verônica Frison ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 45
  46. 46. Comentário: O Teste de Hoover é utilizado para avaliar se o paciente está simulandoalguma dor. A manobra consiste na realização ativa da elevação de um membroinferior, enquanto as mãos do examinador apoiam os calcanhares. A respostanormal produz no membro que não está sendo elevado uma força contrária, quepode ser sentida pela mão do examinador. A ausência dessa força para baixosugere simulação; portanto, a alternativa correta é a letra C. A questão A não está correta, pois a angulação do Teste de Hoover não ésuficiente para provocar tensão nas estruturas neurais. O teste que coloca tensãonos tecidos neurais pode ser o laségue ou mesmo o slump test. A questão B não está correta, pois o teste que visa aumentar a pressãointratecal é manobra de valsava, na qual se cria um aumento da pressão intra-abdominal com a glote fechada. A questão D não está correta, pois novamente a angulação na qual o testede Hoover é executado, não é suficiente para avaliar a retração dos músculosisquiotibiais. A questão E não está correta, pois para promover uma compressão discalsão necessários movimentos que aproximem os corpos vertebrais, o que podegerar dor irradiada para o membro inferior decorrente de hérnia de disco.Referências1. Magee DJ. Avaliação musculoesquelética. Barueri: Manole; 2005.2. Butler DS. Mobilização do sistema nervoso. Barueri: Manole; 2003.3. Hoppenfeld S. Propedêutica ortopédica: coluna e extremidades. SãoPaulo: Atheneu; 2001.46 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  47. 47. QUESTÃO 27Paralisia Cerebral (PC) é um grupo de desordens do desenvolvimento domovimento e da postura, devido à lesão não progressiva no encéfalo imaturo,com etiologia e quadro clínicos diversos. Na PC, as desordens motoras estãofreqüentemente associadas às alterações sensoriais, cognitiva, comunicativa,perceptiva e/ou comportamental. Com o auxílio desta definição, julgue asafirmações que se seguem.I – A lesão que causa a PC poderá ocorrer no período pré-, peri- ou pós-natal até os 2 – 3 anos de vida.II – Devido à diversidade da etiologia, as manifestações clínicas da PC não são facilmente observadas.III – O diagnóstico da PC é baseado em alterações predominantemente motoras.IV – Devido ao caráter predominantemente motor, raramente são encontrados distúrbios sensoriais associados ao quadro de PC.V – Tanto a lesão no encéfalo quanto os sinais e sintomas característicos da PC não são progressivos.Estão corretas, apenas, as afirmações(A) I e II.(B) I e III.(C) I e V.(D) II e IV.(E) III e V.Gabarito: BAutoras: Carla S. de Almeida e Flavia FranzComentário: Como citado no enunciado da questão, a Paralisia Cerebral (PC) é umgrupo de desordens do desenvolvimento do movimento e da postura nosprimeiros anos de idade (até três anos), devido à lesão não progressiva noencéfalo imaturo, em uma fase de interferência no desenvolvimento do SistemaNervoso Central (SNC), que está em transformação. Tem etiologia e quadro ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 47
  48. 48. clínicos diversos e a lesão pode acontecer no período pré-, peri e pós-natal. Noperíodo pré-natal, os principais fatores etiológicos são infecções e parasitoses(lues, rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus, HIV); intoxicações (drogas, álcool,tabaco); radiações (diagnósticas ou terapêuticas); traumatismos (direto noabdome ou queda sentada da gestante); fatores maternos (doenças crônicas,anemia grave, desnutrição, mãe idosa). No período perinatal, pode-se conhecer ograu de asfixia aguda pelas condições vitais do recém-nascido (RN), que semedem pelo índice de Apgar, sendo significativa a asfixia aguda quando mantidaem observações sucessivas (1, 5, 10, 15, 20). Também a asfixia crônica, queocorre durante a gestação, podendo resultar em um recém-nascido com boascondições vitais, mas com importante comprometimento cerebral. A asfixiacrônica pode estar relacionada à insuficiência placentária, da qual resultam fetospequenos ou dismaturos. A hipoxemia (diminuição da concentração de O2 nosangue) associada à isquemia (diminuição da perfusão de sangue no cérebro) eas alterações metabólicas levam à alterações bioquímicas, biofísicas efisiológicas, que se traduzem por manifestações clínicas secundárias aocomprometimento fisiológico ou estrutural. Entre os fatores pós-natais, devem ser considerados os distúrbiosmetabólicos (hipoglicemia, hipocalcemia, hipomagnesemia); as infecções(meningites por bactérias gram-negativos, estreptococos e estafilococos); asencefalites pós-infecciosas e pós-vacinais, a hiperbilirrubinemia; os traumatismoscraniencefálicos; as intoxicações (por produtos químicos ou drogas); os processosvasculares (tromboflebites, embolias e hemorragias); e a desnutrição, queinterfere de forma decisiva no desenvolvimento do cérebro da criança. Nesse sentido, a afirmativa I está correta. A afirmativa III está corretatambém, pois as causas manifestam-se, principalmente, por uma desordem domovimento e da postura. Esse prejuízo motor é o que predomina dentre ossintomas e sinais apresentados pelos pacientes; porém, quase nunca é o único,pode existir retardo mental, alterações visuais, auditivas, cognitivas e alteraçõessensoriais, o que explica a incoerência da afirmativa IV. Assim como esta, aafirmativa II não está correta, pois o diagnóstico pode ser facilmente realizado.Caso a mãe tenha feito um pré-natal correto, o diagnóstico será precoce, ou, apóso nascimento, os problemas tônicos e musculares são evidentes conforme a48 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  49. 49. criança vai se desenvolvendo, tais como: o fraco desenvolvimento motor emrelação as suas aquisições motoras que deveriam estar aparecendoprogressivamente e estabilizando para aquela idade (como a sucção, o controlecefálico, controle de tronco, etc.), a fraqueza muscular, a alteração tônica ou afalta de coordenação se tornam evidentes, são sinais precoces que chamam aatenção para a necessidade de avaliações mais detalhadas e acompanhamentoneurológico. A afirmativa V está errada, pois a lesão encefálica, embora sejaconsiderada não progressiva, seus sinais e sintomas variam e interferem em umsistema em desenvolvimento, com modificações de tônus, postura e movimento;portanto, Alternativa B.Referências1. Rotta NT. Paralisia cerebral, novas perspectivas terapêuticas. Jornal dePediatria. 2002; 78(1):S48-S54.2. Diament A. Encefalopatia crônica na infância (paralisia cerebral). In: DiamentA, Cypel A (Ed.). Neurologia Infantil. 3ª. ed. São Paulo: Atheneu, 1996. p. 781-798.3. Umpred DA. Fisioterapia neurológica. 2ª. ed. São Paulo: Manole; 1994. ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 49
  50. 50. QUESTÃO 28Os nervos cranianos contêm fibras sensitivas e/ou motoras que emergem atravésde forames ou fissuras situadas no crânio. São em número de 12 pares,identificados de I a XII. O Nervo Facial (NC VII) possui importante função motorae sensitiva da face, assim como participa na inervação parassimpática. Entreoutros sinais, uma lesão periférica próxima à origem desse nervo fará com que opaciente apresente quadro clínico de(A) paralisia motora dos músculos faciais das partes superiores e inferiores no lado ipsilateral da lesão e perda do paladar nos dois terços anteriores da língua.(B) paralisia motora dos músculos faciais da parte inferior do lado ipsilateral da lesão e incapacidade de olhar para baixo quando o olho é aduzido.(C) paralisia motora dos músculos faciais da parte superior do lado contralateral da lesão e perda da audição unilateral progressiva.(D) paralisia motora dos músculos faciais das partes superiores e inferiores no lado contralateral da lesão, acompanhada de ptose e pupila dilatada.(E) paralisia dos músculos faciais da parte superior do lado homolateral da lesão, acompanhada de perda da constrição pupilar e defeitos no campo visual.Gabarito: AAutoras: Verônica Frison e Adriana MacagnanComentário: A resposta correta é a letra A. O nervo facial é responsável pela inervaçãodos músculos da mímica facial, pelo paladar nos 2/3 anteriores da língua, pelasalivação (com exceção da glândula parótida) e lacrimejamento. Age naestimulação das glândulas lacrimal, submandibular e sublingual, bem como namembrana mucosa do nariz, palato duro e mole. É responsável pela gustação dos2/3 anteriores da língua, do palato duro e mole. Por último, é responsável pelasensibilidade geral da pele atrás da orelha externa, pequena área de pele atrás daorelha, parede do meato acústico e da membrana timpânica externa comsuplementação do nervo mandibular. A alternativa B está errada por dois motivos: primeiro pelo fato dedescrever apenas a paralisia motora dos músculos faciais da parte inferior, o quenão é característica do nervo facial, pois ele inerva os músculos do quadrante50 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  51. 51. inferior e superior da hemiface ipsilateral e a incapacidade de olhar para baixoquando o olho é aduzido é função do músculo oblíquo superior inervado peloquarto par craniano, nervo troclear. A alternativa C está errada pelo fato de descrever a paralisia motora dosmúsculos faciais da parte superior do lado contralateral, é sabido que a inervaçãopelo nervo facial é de toda hemiface ipsilateral. Além disso, a perda da audiçãounilateral progressiva pode se dever a outros fatores, que não exclusivamente alesão de nervos cranianos. A alternativa D está errada por descrever a inervação da hemifacecontralateral, no momento que a inervação é da hemiface ipsilateral e, ptose epupila dilatada são sinais clínicos de lesão do terceiro par craniano, nervooculomotor e fibras simpáticas do gânglio cervical superior. Por último, a alternativa E está errada por descrever como função do nervofacial a constrição pupilar relacionas ao nervo oculomotor e fibras simpáticas dogânglio cervical superior e, defeitos no campo visual são funções do segundo parcraniano, nervo óptico.Referências1. Guyton AC. Tratado de fisiologia médica. 11ª. ed. Rio de Janeiro: Elsevier;2006.2. Nunes Ml, Marrone ACH. Semiologia neurológica. Porto Alegre:EDIPUCRS; 2002. ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 51
  52. 52. QUESTÃO 29Uma mulher, após dar à luz seu primeiro filho de parto natural, vem apresentandohá seis meses queixa de perda de urina, aos médios esforços como tossir eespirrar. Sobre esse caso, analise as afirmações a seguir.A situação apresentada por essa mulher pode levá-la a um quadro desintomatologia depressiva e isolamento social. PORQUEA incontinência urinária pode ser resultante de lesão da fáscia e do estiramentoda musculatura perineal em decorrência de dificuldades durante o parto natural eda elevada prevalência da depressão pós-parto em mulheres puérperas.Com base na leitura acima, conclui-se que(A) as duas afirmações são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira.(B) as duas afirmações são verdadeiras, e a segunda não justifica a primeira.(C) a primeira afirmação é verdadeira, e a segunda é falsa.(D) a primeira afirmação é falsa, e a segunda é verdadeira.(E) as duas afirmações são falsas.Gabarito: CAutora: Mara Regina KnorstComentário: De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a incontinênciaurinária (IU) afeta mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo, sendoconsiderado um problema de saúde pública. Os fatores envolvidos na fisiopatologia da IU incluem: a pressão extra-abdominal sobre o colo da bexiga, a presença de uma uretra curta, diminuição deestrogênio e lesão do mecanismo do esfíncter, nervo pudendo, fáscia e músculosdo assoalho pélvico, normalmente relacionado ao dano neuromuscular doassoalho pélvico durante o parto vaginal.152 Denizar Alberto da Silva Melo et al. (Orgs.)
  53. 53. A IU é um problema de saúde e pode causar problemas de higiene,podendo restringir o emprego e oportunidades educacionais, conduzir aembaraço, exclusão e isolamento social.2 Pacientes que apresentam perda urinária desenvolvem modificaçõescomportamentais para se adaptar a inconveniência e reduzir o impacto dossintomas. Entre essas modificações podemos citar: aumento da frequênciaurinária, descoberta da localização de banheiros, diminuição da ingesta delíquidos, limitação da atividade física e, muitas vezes, limitação de atividadessociais, podendo resultar em isolamento e depressão.2 Portanto, ao analisarmos a questão podemos dizer que a primeiraafirmativa é verdadeira, pois a incontinência urinária temporária ou permanente émuitas vezes aflitiva e humilhante. O odor e o constrangimento levam muitasvezes ao afastamento, isolamento, depressão, e perda da autoestima.2,3 Já a segunda afirmação é falsa, pois a lesão da fáscia e do estiramento damusculatura perineal em decorrência de dificuldades durante o parto naturalpodem ocorrer1 e no período do puerpério principalmente na primeira semanamuitas mulheres apresentam depressão4, porém esta não leva a incontinênciaurinária e sim a incontinência urinária pode levar a depressão.Referências:1. Moreno AL. Fisioterapia em Uroginecologia. São Paulo: Manole; 2004.2. Freitas F, et al. Rotinas em ginecologia. 5ª. ed. Porto Alegre: Artmed;2006.3. Baracho E. Fisioterapia aplicada à obstetrícia, uroginecologia easpectos de mastologia. 4ª. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2007.4. Freitas F, et al. Rotinas em obstetrícia. 5ª. ed. Porto Alegre: Artmed; 2006. ENADE Comentado 2007: Fisioterapia 53

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