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Pé diabetico uma avaliação sistematizada

  1. 1. 37Arq. Ciênc. Saúde Unipar, Umuarama, v. 13, n. 1, p. 37-43, jan./abr. 2009IntroduçãoO Diabetes Mellitus (DM) é uma síndrome deetiologia múltipla decorrente da falta e/ou incapacidadede a insulina exercer adequadamente seus efeitos, ca-racterizado por hiperglicemia crônica, com distúrbiosdo metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas. Asua crescente prevalência é alarmante. Calcula-se queem 2.010 possam existir cerca de 11 milhões de diabé-ticos no país (BRASIL, 2006)..Até 2002 esta doença atingiu aproximadamen-te 7,6% da população brasileira entre 30 e 69 anos deidade, sendo que aproximadamente 50% dos portadoresdesconheciam o seu diagnóstico e 24% dos conhecedo-res da sua patologia não realizavam qualquer tipo detratamento (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABE-TES, 2008).Este agravo é universal e atinge populações emtodas as camadas sócio-econômicas, tomando equiva-lência como problema de saúde pública devido à suaalta incidência, elevada taxa de morbimortalidade. Ascomplicações deste agravo comprometem a produtivi-dade do seu portador, a sua qualidade de vida e influen-cia na sobrevida dos indivíduos (BRASIL, 1993).Ela representa em uma das principais causasclínicas de hospitalização no Brasil, o que implica al-tos custos financeiros. Suas manifestações crônicas sãocausas frequentes de invalidez precoce (GROSS et al.,2000).Como apresentado anteriormente, este agravopode atingir todas as pessoas, tendo neste contexto oagravante de que o número de diabéticos não diagnos-ticados e os mal controlados agem como coadjuvantesno aumento da morbimortalidade, em decorrência doaparecimento precoce de suas complicações (GAMBA,1998).Entre as complicações do diabetes encontramse as lesões crônicas nos vasos sanguíneos (vasculo-patia) e nervos (neuropatia), afetando principalmenterins, retina, artérias, cérebro e nervos periféricos. Estascomplicações crônicas são diretamente condicionadas àduração do diabetes, à presença de hipertensão arterial,ao mau controle glicêmico, ao tabagismo, entre outrosfatores (ZAVALA; BRAVER, 2000).Neuropatias diabéticas são algumas das com-plicações de longo prazo e de maior incidência, afetan-do 60% a 70% dos pacientes com diabetes tipo1 e tipo2 (PEDROSA, 1998).A neuropatia periférica sensorial e motoraé a de maior impacto, pois, juntamente com a doen-ça vascular periférica, propicia o aparecimento do “pédiabético”, que é uma complicação mutilante, recorren-te, onerosa para o indivíduo e para o sistema de saú-de e também de manuseio clínico cirúrgico complexo(BRASIL, 2001).O pé diabético tem características fisiopato-lógicas multifacetadas, decorrente da combinação daneuropatia sensitivo-motora e autonômica periféricacrônica, associada à doença vascular periférica e comas alterações biomecânicas que conduzem à pressãoPÉ DIABÉTICO, UMAAVALIAÇÃO SISTEMATIZADAMaira Sayuri Sakay Bortoletto1Maria do Carmo Lourenço Haddad2Marcia Eiko Karino3BORTOLETTO, M. S. S.; HADDAD, M. C. L.; KARINO, M. E. Pé diabético, uma avaliação sistematizada. Arq. Ciênc. Saúde Unipar,Umuarama, v. 13, n. 1, p. 37-43 jan./abr. 2009.RESUMO: O objetivo deste trabalho é descrever o processo de avaliação dos pés de portadores de diabetes mellitus, classificando-osquanto ao grau de risco para o desenvolvimento de úlceras. O estudo foi realizado em um Ambulatório de Hospital Universitário e em duasUnidades Básicas de Saúde de pequenos municípios situados na região norte do estado do Paraná. Trata-se de um estudo descritivo explo-ratório cuja amostra se constituiu de 228 indivíduos. Os dados foram coletados por meio de um instrumento que registrou a identificaçãodos participantes, informações sobre a doença e suas complicações e os resultados do exame dos pés, destacando aspectos ortopédicos,dermatológicos e neurovasculares. Dentre a população estudada, 79,5% dos indivíduos apresentaram grau de risco 0, 12% grau de risco 1e 8,5% grau de risco 2 para o desenvolvimento de úlceras nos pés, segundo classificação do Ministério da Saúde, 2001.PALAVRAS CHAVE: Diabetes mellitus; Avaliação em saúde; Pé diabético.DIABETIC FOOT – A SYSTEMATIC EXAMINATIONABSTRACT: The objective of this study is to describe the process of evaluating the foot of diabetic patients, classifying them accordingto the degree of risk for the development of ulcers. The study was conducted in a university hospital and two Basic Health Units of smallmunicipalities in northern Paraná State. This is a descriptive study in which the sample consisted of 228 individuals. Data were collectedusing an instrument that included the identity of the participants, information about the disease and its complications and results of exami-nation of the feet, emphasizing orthopedic, dermatologic and neuro-vascular factors. Results showed that 79.5% of patients had 0, 12% risklevel 1 and 8.5% had risk level 2 for developing foot ulcers, according to the classification of the Ministry of Health, 2001.KEYWORDS: Diabetes Mellitus; Health evaluation; Diabetic feet.1Enfermeira da Prefeitura do Município de Londrina, Londrina, PR. Mestranda de Saúde Coletiva na Universidade Estadual de Londrina.2Docente do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina, PR. Doutora em Enfermagem.3Docente dos Cursos de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina e Universidade Norte do Paraná, Mestre em Enfermagem. Doutoranda emEnfermagem na Universidade de São Paulo, SP.
  2. 2. BORTOLETTO; HADDAD; KARINO.38 Arq. Ciênc. Saúde Unipar, Umuarama, v. 13, n. 1, p. 37-43, jan./abr. 2009plantar anormal (KOZAK, 1996).Dados epidemiológicos indicam que o pé dia-bético é responsável por 50% a 70% das amputaçõesnão traumáticas em membros inferiores e 15 vezes maisfrequentes entre os diabéticos, concorrendo com 50%das internações hospitalares (BRASIL, 2006).Dessa maneira, as amputações de extremida-des inferiores se constituem num problema de saúdepública, devido à sua alta frequência e principalmente,pela incapacidade que provoca, tempo de hospitaliza-ção com tratamento oneroso, gerando repercussões deordem social e psicológica para os pacientes, podendotrazer muitas alterações em relação à qualidade de vidadestas pessoas e seus familiares (SANTOS-VIEIRA,2008).Em consequência desta complicação crônica,constata-se, no ambiente hospitalar, internações prolon-gadas e recorrentes, como também o aumento do núme-ro de consultas ambulatoriais e maior necessidade decuidados domiciliares (BOULTON, 2004). No Brasil,a duração média de internação em decorrência de umaamputação atinge até 90 dias. Referente aos custos em-preendidos no tratamento desta complicação, pode-seter um elevado gasto financeiro decorrente da hospita-lização, com a necessidade de reabilitação, amputaçõese a terapêutica medicamentosa de alto custo, devido aouso de antibióticos potentes (PEDROSA, 1998).O Ministério da Saúde constatou que 50% dasamputações poderiam ser prevenidas através de açõeseducativas para profissionais, para portadores de dia-betes mellitus e seus familiares, concomitante ao ras-treamento de fatores de risco (BRASIL, 2006). Anual-mente, de 2% a 3% dos diabéticos podem desenvolverúlceras nos membros inferiores e este percentual se ele-va para 15% no transcurso de toda a sua vida(AMERI-CAN DIABETES ASSOCIATION, 2003).Estima-se que os custos relacionados ao dia-betes chegam a US$99 bilhões por ano, incluindo osgastos diretos com atenção médica e os custos indiretosatribuídos à incapacidade e à morte prematura, sendoque o custo por uma amputação/ano é em torno de U$20.285 (PEDROSA, 1997). O impacto econômico dasprolongadas internações hospitalares e amputações têmalertado para uma mudança radical na problemática dopé diabético, notadamente com a demonstração de quemedidas preventivas, baseadas na redução dos fatoresde risco e educação, podem reduzir amputações (HA-DDAD; BORTOLETTO, 2001).Neste sentido, a equipe de saúde tem papelfundamental no processo de educação e prevenção dospacientes diabéticos, especificamente na prevenção decomplicações nos pés, dos portadores de DM. Deve-serealizar um exame criterioso dos pés baseando-se nascaracterísticas individuais identificadas e, juntamentecom o paciente, planejar ações que sejam eficazes ecabíveis a cada um. Para isso, esse exame deve ser fi-dedigno, focando as alterações apresentadas nos pés dodiabético, para que o resultado final seja a melhoria daqualidade de vida do paciente, por meio da prevençãoefetiva de complicações nos membros inferiores.É objetivo deste trabalho descrever o processode avaliação dos pés de portadores de DM, realizadoem três serviços ambulatoriais, apresentando os crité-rios de avaliação e classificação do grau de risco para odesenvolvimento de úlceras.Materiais e MétodosTrata-se de um estudo descritivo exploratório,com abordagem quantitativa.Apesquisa foi realizada em três serviços ambu-latoriais no Hospital Universitário de Londrina (HUL),com 120 pacientes diabéticos; em Marilândia do Sul,com 52; e em Santo Inácio, com 56, situados na regiãonorte do estado do Paraná. Todos os indivíduos faziamparte do programa de prevenção e acompanhamento aoportador de diabetes mellitus, implementado em seusrespectivos municípios.A amostra constituiu-se de 228 diabéticos deambos os gêneros, cadastrados nos serviços acima men-cionados, com pelo menos cinco anos de diagnósticode DM, independentemente das funções que exerciam,nível sócio-econômico e escolaridade que apresentas-sem e que concordassem por escrito em participar doestudo.Os dados foram coletados no segundo semes-tre de 2005, por uma docente e dez alunos do curso degraduação em enfermagem da UEL, seguindo um ins-trumento (Apêndice A) que englobava dados de identi-ficação, presença de complicações do diabetes, além deum roteiro que possibilitava anotar as alterações iden-tificadas no exame clínico dos pés, referentes aos as-pectos ortopédicos, dermatológicos e neurovasculares,desenvolvido por Haddad (AMERICAN DIABETESASSOCIATION, 2003; HADDAD, 2001).Esse instrumento foi testado primeiramente noHUL, órgão suplementar da Universidade Estadual deLondrina, no ambulatório de atendimento interdiscipli-nar ao portador de DM. Este ambulatório foi implanta-do em 1984, com o objetivo de acompanhar a evoluçãoda DM e orientar os pacientes para um adequado con-trole da doença. Neste serviço, o paciente é atendidotrimestralmente por um grupo de profissionais, forma-do por assistente social, enfermeiro, médico, psicólogoe nutricionista.Anteriormente à avaliação da população emestudo, realizaram-se oficinas de sensibilização, comduração de 6 horas, para os alunos que iriam participarda coleta dos dados. As oficinas se desenvolveram daseguinte maneira: leituras de referencial bibliográficosobre o DM e suas complicações; prática da avaliaçãoclínica dos pés na busca da calibração entre os mesmose elaboração do planejamento da capacitação a ser rea-lizada com a equipe de enfermagem dos três municípiosonde o estudo foi realizado. Alguns temas foram ressal-tados durante as capacitações: sensibilização frente à
  3. 3. Pé diabético, uma avaliação sistematizada.39Arq. Ciênc. Saúde Unipar, Umuarama, v. 13, n. 1, p. 37-43, jan./abr. 2009gravidade do problema das amputações dos membrosinferiores; a importância da capacitação da equipe deenfermagem na realização da avaliação sistematizadados pés dos portadores de DM. Também foram discu-tidas as ações preventivas que poderiam ser realizadasdurante a realização das entrevistas e avaliações notranscorrer deste estudo.No momento da entrevista, previamente à ava-liação dos pés, foram obtidas informações para traçaro perfil, bem como identificar a presença de fatores derisco, que, segundo ZAVALA; BRAVER (2000); ROS-SI; PACE (2003), incluem a idade e duração do DM;mau controle glicêmico; presença de complicaçõescrônicas do DM; hábito do etilismo e do tabagismo;diminuição da acuidade visual; presença de fatores derisco à arteriosclerose, tais como a hipertensão arterial,a dislipidemia, o índice de massa corpóreo alterado, osedentarismo, entre outros.A classificação do risco foi realizada durante osexames dos pés dos diabéticos. O escore de classifica-ção do pé diabético segui as diretrizes estabelecidas noprograma de prevenção e avaliação do pé de risco pro-posto pelo Ministério da Saúde, apresentada no Quadro1 (BRASIL, 2006).Os dados quantitativos foram coletados pormeio do instrumento já referido e formatado um bancode dados no programa Access, da Microsoft.O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Co-mitê de ética em pesquisa do Hospital Universitário deLondrina, parecer registrado sob nº. 186/03.ResultadosPara a análise dos dados foi utilizada, comocitado anteriormente, a classificação do Ministério daSaúde, apresentada no Quadro 1.Quadro 1: Sistematização da abordagem realizada ao portador de DM, de acordo com a classificação do grau derisco para o desenvolvimento de úlceras nos pés, recomendado pelo Ministério da Saúde, 2001.Manifestações clínicas Grau de risco AbordagemNeuropatia ausente Risco 0•Educação terapêutica.•Avaliação anual.Neuropatia presente.Sem deformidades.Risco 1•Educação terapêutica.•Uso de calçados adequados.•Avaliação semestral.Neuropatia presente.Deformidades e/ou doençavascular periféricaRisco 2•Educação terapêutica.•Uso de calçados adequados e especiais, palmilhas eórteses.•Avaliação trimestral.Úlcera/amputação prévia Risco 3•Idem ao risco 2.•Avaliação bimestral.Fonte: BRASIL, 2001Dentre a população estudada, 66,6% era do gê-nero feminino e 33,4% do gênero masculino. Achadosemelhante foi identificado em outro estudo, demons-trando a predominância da doença nas mulheres (ROS-SI; PACE, 2003).Quanto ao tempo de portador da DM, 62,2%se encontravam entre 5 e 10 anos e 37,8% acima de 11anos. A terapêutica utilizada por 81,8% era o hipoglice-miante oral, 12,6% tomavam insulina e hipoglicemian-tes orais e 5,6% faziam uso exclusivo de insulina.Um estudo realizado no Hospital das Clínicasda Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Univer-sidade de São Paulo, de 2000 a 2001, com 84 pacientesdiabéticos, demonstrou o agravamento progressivo doDM tipo 2, sendo que 71,4% utilizavam insulina para otratamento do agravo (PACE, 2002). Corroborando esteachado, outro estudo apresentou, dentre seus pesquisa-dos, uma porcentagem de 70% de usuários de insulinae destes 30% já apresentavam complicações cardiovas-culares (GAGLIARDI, 2003), demonstrando a relaçãoentre o aparecimento de complicações com o uso dainsulina, muitas vezes escolhida pela falência dos ou-tros tratamentos (hipoglicemiante oral, dieta e práticasde exercícios físicos).A Hipertensão Arterial (HA) esteve presenteem 10,2% dos pacientes. A hipertensão arterial sistê-mica, segundo o autor, é duas vezes mais frequente nosindivíduos diabéticos, comparados à população geral,sendo que esta frequência aumenta com a idade (HA-DDAD, 2002). Neste sentido, o Ministério da Saúde(2002) apresenta que esta associação da DM com a HAé da ordem de 50%, o que gera, para o diabético, umfator complicante, uma vez que essa doença é coadju-vante no aparecimento das complicações macro e mi-crovasculares (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIA-BETES, 2008).Em outro estudo (ROSSI; PACE, 2003), veri-ficou-se que 38,5% dos pacientes apresentavam a co-morbidade de hipertensão arterial, sendo que, para dia-béticos o valor de referência deve se manter em 120/80mmHg.Existe a recomendação, caso estes níveis de
  4. 4. BORTOLETTO; HADDAD; KARINO.40 Arq. Ciênc. Saúde Unipar, Umuarama, v. 13, n. 1, p. 37-43, jan./abr. 2009pressão não sejam atingidos, à prescrição de medica-mentos potentes, uma vez que o tratamento agressivoreduz doenças cardíacas, complicações microvascula-res e perda visual entre pessoas com diabetes tipo 2 emortes relacionadas com diabetes (AMERICAN DIA-BETES ASSOCIATION, 2003).Dentre as complicações do DM foi encontradaa retinopatia, em 3,5% da população estudada. Já o há-bito do tabagismo foi encontrado em 42,5%, fator agra-vante da doença aterosclerótica vascular periférica, quese manifesta anteriormente, em pessoas com diabetes(BOULTON, 2004).Na primeira etapa do processo de avaliação dospés, foram levantadas as informações pessoais e clíni-cas que possibilitaram o registro de dados sobre o tipode diabetes mellitus, tempo de diagnóstico, especifici-dades do tratamento, índice de massa corpórea, presen-ça ou não de complicações, hábitos prejudiciais à saúde(tabagismo e etilismo), alteração no sinal da prece (queidentifica alterações osteoarticulares nas mãos), fatoresde risco como obesidade e presença de doenças asso-ciadas.Na segunda etapa foi realizada a avaliação clí-nica dos pés, que se subdivide nos aspectos dermatoló-gicos, ortopédica, neurológicas e vasculares. Observa-se na Tabela 1 que em todos os serviços os pacientesapresentaram alterações, sendo predominante as altera-ções dermatológicas.Tabela 1: Alterações dermatológicas, ortopédicos, neu-rológicas e circulatórias identificadas nos pés dos dia-béticos avaliados. Londrina, Marilândia do Sul e SantoInácio. PR, 2005.Descrição dos achados (n=228)%Alterações dermatológicas 78,5Alterações ortopédicas 28,5Alterações neurológicas 22,2Alterações circulatórias 16,3Na avaliação dermatológica se detecta presen-ça de calos, alteração na umidade dos pés, presença dequeratoses e rachaduras que podem se apresentar emdecorrência da neuropatia autonômica, provocando umressecamento da pele, pela falta de secreção sudoríparae sebácea (ZAVALA; BRAVER, 2000). Essas informa-ções são importantes para a avaliação do pé do diabéti-co, pois auxiliam na detecção da neuropatia, pois, sãomarcadores de fatores de risco para o desenvolvimentode ulcerações. Também foram observadas outras al-terações dermatológicas, como micoses interdigitais,anormalidades das unhas, como as onicomicoses eonicocriptoses, verrugas, lesões, bolhas, úlceras, entreoutras.De acordo com o Consenso Internacional sobrepé diabético (2001), nenhuma lesão no portador de DMdeve ser considerada como trivial, pois, aparentemente,lesões mínimas podem levar à úlcera e atuar como por-ta de entrada para uma infecção, com rápida dissemina-ção. Portanto, calos, patologias das unhas e pele devemreceber tratamento adequado (GAGLIARDI, 2003).No item de avaliação de autocuidado com ospés, foi verificado, concomitante à avaliação dermato-lógica, o corte correto das unhas, bem como as condi-ções de higiene dos pés.Quando o paciente não estiver apto ou apresen-tar dificuldades para realizar o corte correto das unhas,este deve ser realizado por familiares treinados ou porprofissionais especializados (GAGLIARDI, 2003).Ainda na avaliação dermatológica, foram ob-servados o aspecto da pele dos membros inferiores, apresença de pilificação e o tipo de unha. Estes itens es-tão relacionados à avaliação dermatológica, porém au-xiliam também na verificação das condições circulató-rias. Uma vez instalada a doença vascular periférica, opaciente apresenta as seguintes características, segundopesquisa analisada (ZAVALA; BRAVER, 2000): peleatrófica, reluzente ou com ausência de pêlos, unhasgrossas, com alteração na coloração e crescimento re-tardado. Outra característica apresentada pelas unhasde pacientes com circulação alterada é a cornificaçãodas mesmas (ROSSI; PACE, 2003).Os aspectos ortopédicos dos itens avaliadosforam presença ou não de deformidades dos pés, taiscomo o formato do pé, características dos dedos, pre-sença de hálux valgus e hiperextensão dos tendões.Estes itens são marcadores não somente de alteraçõesortopédicas, mas, também, da presença de neuropatia,pois, segundo Gagliardi (2003), as deformidades dospés podem ser constitucionais ou consequentes da neu-ropatia (joanetes, dedos em formato de martelo e emgarra), que segundo Gross (1999) podem ser causado-ras de calos e ulcerações.Na avaliação neurológica investiga-se a presen-ça dos reflexos patelar e aquileu, os quais são realizadoscom a utilização de um martelo neurológico básico, e oresultado pode ser presente ou ausente, fornecendo da-dos mais precisos sobre o pé com sinais de neuropatia(ZAVALA; BRAVER, 2000).Ainda na avaliação neurológica são detectadasalterações de sensibilidades tátil, térmica, protetora,vibratória e dolorosa, as quais são realizadas respecti-vamente com a passagem de um chumaço de algodãona região lateral do pé; com a aplicação de tubos deensaio, sendo um contendo água fervente e outro comágua gelada, que são encostados alternadamente na re-gião plantar dos pés; com o uso de monofilamento (Sor-ri-bauru de 10 gramas) que é aplicado em três dedos eem seus respectivos metatarsos; com um diapasão de128 Hz, que deve ser aplicado em 3 extremidades ósse-as do pé, e de um instrumento pontiagudo (palito fixo)aplicado no mesmo local e maneira do monofilamento.O portador de DM indica verbalmente quais as sensibi-lidades estão presente ou não. Quando estes exames seapresentam alterados é um indicativo de pé neuropático(BRASIL, 2008; ZAVALA; BRAVER, 2000; GROSS,
  5. 5. Pé diabético, uma avaliação sistematizada.41Arq. Ciênc. Saúde Unipar, Umuarama, v. 13, n. 1, p. 37-43, jan./abr. 20091999; GAGLIARDI, 2003).O Consenso Internacional do Pé Diabético(2001) afirma que a perda da sensibilidade (neuropatia)é o principal fator predisponente para o desenvolvimen-to de úlceras nos pés. Portanto, a realização do exameneurológico dos pés de todos os pacientes é obrigatória(GAGLIARDI, 2003).Na avaliação circulatória são investigadasas queixas de dores apresentadas pelos pacientes nosmembros inferiores e suas características, as condiçõesda perfusão periférica e a presença de pulsos tibiais epediosos. As dores apresentadas por pacientes com do-ença vascular periférica podem ser desde claudicaçãointermitente ou mesmo dor, quando o membro inferiorestiver em repouso, porém muitos apresentam doençavascular periférica assintomática, corroborando a ne-cessidade de se realizar um exame minucioso do porta-dor de DM (ZAVALA; BRAVER, 2000).A perfusão periférica em pacientes com com-prometimento circulatório em seus membros inferioresapresenta a característica de uma perfusão pálida, quan-do os membros são elevados e eritrocianose na posiçãovertical (ZAVALA; BRAVER, 2000; KOZAK, 1996)..Já na avaliação dos pulsos, na presença da doença vas-cular periférica, a pulsação se apresenta comprometida,chegando a estarem diminuídos e até mesmo ausentesà palpação(ZAVALA; BRAVER, 2000; GROSS, 1999;ROSSI; PACE, 2003).A avaliação do grau de risco para o desenvol-vimento de ulceras nos portadores de DM, utilizandoa classificação do Ministério da Saúde, realizada naslocalidades estudadas, demonstrou que 79,5% dos pa-cientes possuem grau de risco 0, 12% grau 1 e 8,5%grau 2 (BRASIL, 2008).A classificação do grau de risco para o desen-volvimento de úlceras em membros inferiores de dia-béticos determinou a implementação de ações de enfer-magem que foram implantadas nos referidos serviços,focando estratégias para o desenvolvimento do autocui-dado.Os enfermeiros e alunos que participaram des-se estudo afirmaram que o instrumento de avaliação dospés facilita a identificação do grau de risco para o de-senvolvimento de úlceras nos membros inferiores.ConclusãoSeguindo o instrumento é possível realizar ava-liação detalhada dos pés, pois estão contemplados as-pectos fundamentais a serem avaliados possibilitandoclassificar o grau de risco para ulceração dos pés doportador de DM, tornando um agente facilitador, pormeio de sua estrutura organizacional e concomitante aisto, a prevenção de futuras complicações, uma vez queesta classificação fundamenta as condutas preventivas aserem orientadas ao paciente.O instrumento de avaliação é prático e permi-te sua utilização em campanhas de detecção de pés derisco para o desenvolvimento de úlceras, realizadas ematividades de extensão universitária promovidas pordocentes e alunos de enfermagem.Uma vez que se almeja detectar precocemente orisco de ulceração nos serviços ambulatoriais de saúde,é necessário manter o foco das ações nos fatores de ris-co e na evolução ou não da classificação de risco, pois,o que determinará o aparecimento de ulcera nos pés deportadores de DM é a sua adesão às orientações sobreos cuidados com os pés e para isso a equipe de saúdenecessita de um instrumento norteador que possibiliterealizar este score de risco e tomar as devidas medidasde intervenção, e prevenção quando necessárias.ReferênciasAMERICAN DIABETES ASSOCIATION. ClinicalPractice Recommendations 2003. Diabetes Care, v.200, n. 26, p. 151-156, 2003.BOULTON, A. J. The diabetic foot: from art toscience. The 18thCamilo Golgi lecture. Diabetologia,v. 47, n. 8, p. 1343-1353, 2004.BRASIL. Ministério da Saúde. Caderno de AtençãoBásica. Hipertensão arterial sistêmica e diabetesmellitus: protocolo. Brasília: Ministério da Saúde,2001. n. 7.______. Ministério da Saúde. Coordenação dedoenças cardiovasculares no Brasil. SUS: dadosepidemiológicos e assistência médica. Brasília:Ministério da Saúde, 1993. 21 p.______. Ministério da Saúde. Cadernos de AtençãoBásica. Diabetes Mellitus. Brasília: Ministério daSaúde, 2006. n 16.GAGLIARDI, A. R. T. Neuropatia diabética periférica.J. Vasc. Brás. v. 2, n. 1, p. 67-74, 2003.GAMBA, M. A. Amputações dos diabéticos umaprática previnível? Acta Paul. Enf. v. 11, n. 3, p. 92-100, 1998.GROSS, J. L. Detecção e tratamento das complicaçõescrônicas do Diabetes Melittus: consenso brasileiro.Arq. Bras. Endocrinol. Metab. v. 43, n. 1, p. 7-13,1999.GROSS, J. L. et al. Diagnóstico e classificação dodiabete melito e tratamento do diabete melito tipo 2:recomendações da Sociedade Brasileira de Diabetes.Arq. Bras. Endocrinol. Metab. v. 44, n. 4, p. 28-35,2000.GRUPO DE TRABALHO INTERNACIONALSOBRE O PÉ DIABÉTICO. Consenso Internacional
  6. 6. BORTOLETTO; HADDAD; KARINO.42 Arq. Ciênc. Saúde Unipar, Umuarama, v. 13, n. 1, p. 37-43, jan./abr. 2009sobre o pé diabético. Brasília: Secretaria de Estado doDistrito Federal, 2001.HADDAD, M. C. L. Avaliação clínica dos pés. In:CONGRESSO BRASILEIRO DE DIABETES,13., 2001, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro:Sociedade Brasileira de Diabetes, p.110-115. CD-ROM.HADDAD, M. C. L., BORTOLETTO, M. S.S. Conhecendo e prevenindo os agravos do pédiabético. In: SANTANA, M. G. et al. (Org.) Redede saberes em diabetes e saúde: um exercício deinterdisciplinaridade. Pelotas: Independente, 2002.JORGE, B. H., et. al. Análise clínica e evolução de70 casos de lesões podais infectadas em pacientesdiabéticos. Arq. Bras. Endocrinol. Metab. v. 43, n.5, p. 366-372, 1999.PACE, A. E. Fatores de risco para complicações emextremidades inferiores de pessoas com diabetesmellitus. Rev. de Enfermagem, v. 55, n. 5, p. 514-521, 2002.PEDROSA, H.C. Pé diabético: aspectosfisiopatológicos, tratamento e prevenção. Rev.Bras. Neurol. Psiquiatr. v. 1, n. 3, p. 131-135,1997.KOZAK, G. P. Tratamento do pé diabético. 2. ed.Rio de Janeiro: Interlivros, 1996.ROSSI, V. E. C., PACE, A. E. Perfil das pessoas comdiabetes mellitus tipo 2 cadastradas no programa deassistência ao diabético de Passos- MG. EnfermagemBrasil, v. 2, n. 2, p. 104-109, 2003.SANTOS-VIEIRA, I. C. et. al. Prevalência de pédiabético e fatores associados nas unidades de saúdeda família da cidade de Recife, Pernambuco, Brasil,em 2005. Cad. Saúde Pública, v. 24, n. 12, p. 2861-70, 2008.SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES.Consenso brasileiro sobre diabetes: diagnósticoe classificação do diabetes melito e tratamento dodiabetes melito tipo 2. Rio de Janeiro: Diagraphic,2003.SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES.Detecção e tratamento das complicações crônicasdo Diabetes Mellitus. Disponível em: <http://www.diabetes.org.br/educacao/compcrondoc.php>. Acessoem: 12 jul. 2008.ZAVALA, A.V.; BRAVER D. Semiologia do pé:prevenção primária e secundária do pé diabético.Diabetes Clinica, v. 4, n. 2, p. 137-144, 2000._________________________Recebido em: 14/07/2008Aceito em: 15/09/2009Received on: 14/07/2008Accepted on: 15/09/2009
  7. 7. Pé diabético, uma avaliação sistematizada.43Arq. Ciênc. Saúde Unipar, Umuarama, v. 13, n. 1, p. 37-43, jan./abr. 2009ApêndiceAPROTOCOLODEAVALIAÇÃODOPÉDIABÉTICONome:Nº.Prontuário:AnoNascimento:Médico:Escolaridade:Profissão:TipodeDiabetes:12AnodoDiagnósticoDM:Tratamento:InsulinaHipoglic.OralAmbosOutro:SinaldaPrece:NegativoGrauIGrauIIGrauIIITabagismo(especificarquantidadeoutempoquedeixou):Etilismo(especificarquantidadeoutempoquedeixou):Complicações:Hip.ArterialCardiovascularGastrointestinalRenalOftalmológicaSexualOutras::CMI:arutlA:oseP:lairetrA.P:aimecilGDoremMMII:Local:Característica:Higiene/Pés:BoaRegularRuimCalçados:AdequadosInadequadosodreuqsEéPotieriDéPocisíFemaxEPulsoPediosoNormalDiminuídoAusenteNormalDiminuídoAusentePulsoTibialposteriorNormalDiminuídoAusenteNormalDiminuídoAusentePerfusãoNormalPálidoCianóticoEnchCapilar>10”NormalPálidoCianóticoEnch.Capilar>10”AspectodaPeleNormalFinaebrilhanteNormalFinaebrilhanteReflexoPatelarAquileuraletaPAquileuPilificaçãoNormalDiminuídaAusenteNormalDiminuídaAusenteTipodoPéNormalCavoPlanoNormalCavoPlanoTiposdeDedosNormalGarraMarteloNormalGarraMarteloUmidadedopéNormalBromidrose(odor)Hiperidrose(pémolhado)Anidrose(péseco)NormalBromidrose(odor)Hiperidrose(pémolhado)Anidrose(péseco)TiposdeunhasedecorteNormalInvolutaTelhaAfuniladaCorteCorretoCorteIncorretoNormalInvolutaTelhaAfuniladaCorteCorretoCorteIncorreto:lacoL:lacoL)ahnued.cim(esocimocinO:lacoL:lacoLlatigidretnIesociM:lacoL:lacoL(unhaencrav.)esotpircocinOHiperextensãodetendõesSimNãomiSNão:lacoL:lacoLsarudahcaRÚlceraSuperficialProfundalaicifrepuS:lacoLProfundaLocal:SensibilidadesVibratóriaProtetoraTérmicaDolorosaTátilVibratóriaProtetoraTérmicaDolorosaTátilÁlcoolnaunhasVinagreentreosdedosCremeregiãodorsaleplantarCorteeunhasOrientaçõesOutras:

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