SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 6
Baixar para ler offline
EditorialArtigosInstruções
paraosautores
ConScientiae Saúde, 2009;8(2):295-299. 295
Atuação da fisioterapia
na Síndrome do Túnel do Carpo –
Estudo de caso
Acting of physiotherapy in carpal tunnel syndrome – A case study
Débora Rodrigues David1
; Deise A. A. Pires Oliveira2
; Rodrigo Franco de Oliveira3
1	
Universidade do Vale do Paraíba – Univap- IP&D
2	
Universidade Camilo Castelo Branco – Unicastelo S.P.
3	
Universidade Camilo Castelo Branco – Unicastelo S.P.
Endereço para correspondência
Rodrigo Franco de Oliveira
Rua Esperança 265 apto 52 Vila Adyanna
12243-700 – São José dos Campos – SP
rfrancoli@yahoo.com.br
Recebido em 18 mar. 2009. Aprovado em 16 jun. 2009
Resumo
Os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORTs) são conside-
rados, entre as doenças ocupacionais, um problema grave no campo da saúde
do trabalhador. Esses distúrbios têm origem multifatorial, destacando os fatores
psicossociais, individuais e ocupacionais. A Síndrome do Túnel do Carpo (STC)
é considerada uma neuropatia periférica compressiva pertencente ao grupo
dos DORTs, podendo estar relacionada a atividades ocupacionais, resultantes
de compressão do nervo mediano na região do punho. Este estudo de caso visa
identificar as diversas formas de aplicação da fisioterapia no tratamento da STC,
arrolando os principais métodos e técnicas fisioterápicas utilizados no tratamen-
to. Observou-se que existe uma diversidade de intervenções e tratamentos para
evitar a progressão da doença, em que o fisioterapeuta pode estabelecer uma con-
duta adequada, de acordo com sua fase.
Descritores: Fisioterapia; Reabilitação; Síndrome do Túnel do Carpo.
Abstract
The musculoskeletal disorders related to work are considered, among the occu-
pational diseases, a serious problem in the field of occupational health. These
disorders have multifactorial origin, including psychosocial, individual, and oc-
cupational factors. The Carpal Tunnel Syndrome (CTS) is considered a peripheral
compressive neuropathy associated to the group work related musculoskeletal
disorders, and it can be related to occupational activities, resulting from com-
pression of the median nerve in the wrist. This case study aims to identify the
various forms of application of physiotherapy in the treatment of CTS, presenting
the main methods and techniques used in the physiotherapeutic treatment. It
was observed that there is a diversity of interventions and treatments to pre-
vent the progression of the disease, in which the physiotherapist can establish a
proper behavior according to its stage.
Key word: Carpal Tunnel Syndrome; Physiotherapy; Rehabilitation.
ConScientiae Saúde, 2009;8(2):295-299.296
Atuação da fisioterapia na Síndrome do Túnel do Carpo – Estudo de caso
Introdução
Os Distúrbios Ocupacionais Relacionados
ao Trabalho (DORT) podem ocorrer por so-
brecarga da musculatura resultantes de mo-
vimentos repetitivos, posturas inadequadas,
compressão mecânica, excesso de força usada
durante a realização das atividades e por for-
mas inadequadas de organização do trabalho1
.
A Síndrome do Túnel do Carpo (STC) é a neu-
ropatia compressiva mais comum em humanos
e pode estar relacionada a atividades ocupacio-
nais, decorrentes de compressão do nervo me-
diano, quando passa pelo túnel carpal, na re-
gião do punho2,3
. A incidência é maior no sexo
feminino entre 40 e 60 anos2,4
.
A etiologia da STC é desconhecida e ocor-
re, geralmente, em trabalhadores que desempe-
nham tarefas que envolvem movimentos repe-
titivos das mãos, tais como digitação, operação
em máquinas e linha de montagem. O estresse
ergonômico e fatores psicossociais também fa-
vorecem o desenvolvimento dessa síndrome.
Tenossinovites, gravidez, hipotireoidismo, pós-
trauma como fratura de Colles e doenças sistê-
micas, como artrite reumatóide, lúpus e diabe-
tes mellitus, também estão relacionados com as
causas desse mal4,5,6
.
O comprometimento de estruturas nobres
na região do punho, entre as quais o nervo me-
diano, é considerado uma das causas mais fre-
quentes de quadros dolorosos e das alterações
sensitivas na região das mãos, especialmente
nas extremidades7
. A evolução dos sinais e sin-
tomas dessa síndrome não apresenta um curso
previsto, haja vista que alguns indivíduos apre-
sentam uma progressão na alteração da função
do punho e da mão, enquanto outros desenvol-
vem períodos assintomáticos, com picos de al-
teração da função e variação dos sintomas.
A STC caracteriza-se pela presença de dor,
parestesia nos quatros primeiros dedos e nos
punhos, dor no braço, fraqueza para realizar
movimentos finos, hipoestesia no território do
nervo mediano, preservando ou não a sensação
palmar e dormência na distribuição sensorial
mediana, principalmente à noite. A evolução
dessa doença pode levar à atrofia tênar2,3
. Para
diagnosticá-la, são aplicados o teste de Phalen e
o de Tinel positivo3
. O diagnóstico geralmente é
confirmado pelo estudo da condução nervosa2
.
Barbosa et al.8
, em seu estudo, relataram
que os pacientes com STC apresentavam pre-
valência de dor nas seguintes regiões do cor-
po: pescoço, membros superiores (MMSS) e
mão, inclusive com prevalência de parestesia
nas mãos.
Existem várias formas de tratamento,
como cirurgia aberta ou endoscopia e o trata-
mento conservador3
. As modalidades de tra-
tamento conservador são talas para as mãos,
drogas anti-inflamatórias não-esteroidais, fi-
sioterapia, eletroterapia, injeções esteroidais,
ultrassom, iontoforese e terapia com laser de
baixa potência5
.
Diante da prevenção e tratamento da STC,
a fisioterapia apresenta variação de recursos e
técnicas, de acordo com os meios físicos utiliza-
dos, dispondo também da aplicação da ergono-
mia e ginástica laboral como métodos preventi-
vos9
. No entanto, medidas isoladas não surtem
efeito, somente a harmonia entre elas é que ga-
rante o sucesso no tratamento e na prevenção
da síndrome10
.
Materiais e métodos
Participou do estudo uma paciente, sexo
feminino, 43 anos, com diagnóstico clínico de
STC, que realizava tratamento fisioterapêutico
convencional. Os critérios de inclusão utiliza-
dos foram os seguintes: pessoa que apresentas-
se diagnóstico clínico, sobretudo com presença
de parestesia noturna, que melhorava com mo-
vimento vigoroso da mão e alterações típicas
desse diagnóstico, nos estudos de condução
nervosa que comprovassem a síndrome e au-
sência de patologias associadas. Como critérios
de exclusão, o abandono ou ausência durante o
programa de tratamento que pudesse compro-
meter os resultados do estudo e o desconforto
EditorialArtigosInstruções
paraosautores
ConScientiae Saúde, 2009;8(2):295-299. 297
David DR, Oliveira DAAP, Oliveira RFd
do paciente na realização das terapias a serem
executadas.
A paciente com STC apresentava sintoma-
tologia leve intermitente, dor, dormência e for-
migamento na área de representação do nervo
mediano, predominantemente noturno, acor-
dando várias vezes, além de sintomas diurnos
posicionais, tais como segurar e pegar objetos,
dirigir autos e realizar trabalhos manuais. O
retorno à normalidade é alcançado com altera-
ções rápidas na postura ou movimentação das
mãos, apresentando resultados positivos nos
testes de Tinel e Phalen.
Inicialmente, recomendamos tratamento
conservador com splints, orientação para mo-
dificação das atividades diárias e, para trata-
mento local, a realização de 20 sessões conse-
cutivas com duração de 50 minutos cada. A
proposta de tratamento consiste na aplicação
de um protocolo utilizando Laser Arseneto de
Gálio (AsGa) λ = 904nm, 3 J/cm2
, por 36 segun-
dos por pontos, de forma pontual (8 pontos,
na região do túnel do carpo); na sequência,
aplicação de Ultrassom, 1 MHz, Pulsado (5:5),
0,8 W/cm2
, 8 minutos, seguida de mobilização
passiva e ativo-assistida (flexão/extensão de
punho e metacarpofalangiano). A partir da
quinta sessão, iniciaram-se os exercícios cine-
sioterápicos compostos por alongamento ativo
global e exercícios isotônicos para membros
superiores, em especial na região de punho e
mão (halteres de 1 e 2 kg, 3 séries de 10 repe-
tições).
Resultados
Os resultados deste estudo mostram que,
associada ao ultrassom, a aplicação do laser
apresentou significantes melhoras clínicas nos
sintomas relacionados ao padrão de dor e ao
processo inflamatório, identificado na primeira
semana de tratamento. A partir da quinta ses-
são de fisioterapia, a cinesioterapia objetivou
aprimorar a atividade mecânica gerada pelos
músculos comprometidos, auxiliando na anal-
gesia, na recuperação da expansibilidade, for-
ça, resistência à fadiga e no restabelecimento
da cinestesia pela inibição dos fatores irritantes
e fisiolimitantes.
Discussão
Pereira et al.11
relatam que a STC, causada
pela compressão do nervo mediano, apresenta
uma variação em seu tratamento clínico, cirúr-
gico e/ou conservador, definidos a partir da
sintomatologia, sendo indicado o tratamento
conservador em uma fase inicial, com compro-
metimento muscular e alterações de sensibili-
dade; não havendo melhora do quadro, há indi-
cação cirúrgica.
Cook et al.12
referem que as associações de
recursos eletrotermofototerápicos com a cine-
sioterapia são indispensáveis, principalmente
nas fases iniciais, podendo apresentar resulta-
dos satisfatórios no tratamento conservador e
boa resposta quanto aos sinais e sintomas na
fase pós-operatória.
Pacientes jovens, com sintomas unilate-
rais e teste de Phalen negativo, apresentam me-
lhor prognóstico2
.
Kisner e Colby13
relatam que o tratamento
cirúrgico pode gerar complicações como for-
mação de cicatriz hipertrófica e dolorosa, ade-
rências do nervo mediano no retináculo flexor
e limitações funcionais; por isso, a cinesiotera-
pia deve ser iniciada dias após a cirurgia para
prevenir restrições de movimentos e fraqueza
muscular.
Ekim et al.5
concluíram que a Terapia
Laser de Baixa Potência pode ser um tratamento
alternativo para pacientes com STC, pois alivia
a dor e melhora a função da mão.
O uso da terapia com ultrassom demons-
trou efeitos satisfatórios a curto e médio pra-
zos, em pacientes com STC em estágio leve e
moderado. Essas informações foram descritas
no estudo de Ebenbichler et al.14
que analisa-
ram os resultados de 20 sessões de aplicação de
ultrassom em 45 pacientes, com frequência de
ConScientiae Saúde, 2009;8(2):295-299.298
Atuação da fisioterapia na Síndrome do Túnel do Carpo – Estudo de caso
1 MHz, intensidade de 1,0 W/cm2
, pulsado (2:8),
fazendo aplicações diárias de dez minutos.
Efeitos positivos também foram encontrados no
estudo realizado por Paik, Cho e Han15
, que en-
contraram uma facilitação no restabelecimento
da pressão aguda, induzida na compressão do
nervo mediano de ratos.
A inserção de uma variedade de medidas
buscando a prevenção dos DORTs, como altera-
ções do posto de trabalho, pausas ativas e pas-
sivas durante a jornada de trabalho e exercícios
físicos associados a correções ergonômicas, é
de fundamental importância16
.
De acordo com Barbosa et al.17
, a implan-
tação de ginástica laboral tem sido indispen-
sável à prevenção de danos causados pela
inatividade ou repetitividade de atividades
laborais.
Conclusão
A avaliação fisioterapêutica e os exames
complementares são importantíssimos para
confirmar a doença e sua complexidade. Seus
resultados possibilitam que tenhamos uma
conduta específica, de acordo com a sua fase.
A atuação da fisioterapia na STC deve ser
direcionada tanto para a prevenção quanto para
o tratamento da doença. Inicialmente, podemos
instituir um estudo biomecânico para possíveis
correções e/ou alterações posturais dos mem-
bros superiores e, principalmente, para a região
do punho, evitando, assim, a incidência da pa-
tologia.
Observamos que, quanto mais precoce o
diagnóstico da doença e a atuação fisioterápica,
mais rapidamente melhora o quadro álgico e
diminui o processo inflamatório, evitando, as-
sim, a utilização de fármacos, sem, no entanto,
dispensar uma orientação ergonômica.
Entretanto, em relação ao tratamento ci-
rúrgico, a indicação somente ocorrerá após um
período mínimo de seis meses de tratamento
fisioterápico, sem apresentação de melhora do
quadro clínico.
Referências
1. 	 Slater RR. Carpal tunnel syndrome: current
concepts. J. South Orthop Assoc.1999;8(3):203-213.
2.	 Hardoim DGV, Oliveira GB, Kouyoumdjian
J. A. Carpal tunnel syndrome Long-term
nerve conduction studies in 261 hands. Arq
Neuropsiquiatr.2009;67(1):69-73.
3.	 Sparapani FVC, Aguiar PHP, Zicarelli CAM,
Hirata MTA, Tedesco-marchese AJ, Teixeira MJ.
Comparison between the clinical and surgical
treatment in carpal tunnel syndrome by means
of electrophysiological analysis. Jorn. Bras.
Neur.2006;17(2):52-55.
4.	 Mattioli S, Baldasseroni A, Curti S, Cooke RMT,
Mandes A, Zanardi F et al. Incidence rates of
surgically treated idiopathic carpal tunnel syndrome
in blue- and white-collar workers and housewives in
Tuscany, Italy. Occup Environ Med.2009;66:299-304.
5.	 Ekim A, Armagan O, Tascioglu F, Oner C, Colak
M. Effect of low level laser therapy in rheumatoid
arthritis patients with carpal tunnel syndrome.
Swiss Med Wkly 2007;37:347-352.
6.	 Neculhueque XZ, Moyano AV, Paolinelli CG.
Neuropatias por Atrapamiento. Reumatologia.
2007;23(1):7-11.
7.	 Walker WC, Metzler M, Cifu DX, Swartz Z. Neutral
wrist splinting in carpal tunnel syndrome: a
comparison of night-only versus full-time wear
instructions. Arch Phys Med Rehabili.2000;81:424-29.
8.	 Barbosa VRN, Dantas FG, Cardoso MAA, Medeiros
JL. A. Dor e parestesias nos membros superiores e
diagnóstico da síndrome do túnel do carpo. Arq.
Neuropsiquiatr.2006;64(4):997-1000.
9.	 Volpi S. Considerações sobre a ginástica laboral. Rev.
Cipa.2001 jan;22(254).
10.	 Volpi S. Algumas considerações sobre a estaticidade
postural nos trabalhos em pé e sentado. Rev.
Cipa.2000 jul;21(248).
11.	 Pereira ES et al. Síndrome do túnel do carpo:
análise comparativa entre tratamento conservador e
cirúrgico. Rev. Bras. Ortop.1993;28(8):570-577.
12.	 Cook AC et al. Early mobilization following carpal
tunnel release: a prospective randomized study.
Journal of Hand Sugery.1995;29b(2):228-230.
13.	 Kisner C, Colby LA. Punho e mão. Exercícios
Terapêuticos – fundamentos e técnicas. São Paulo,
Rio de Janeiro, Belo Horizonte:Atheneu,1997:344-374.
EditorialArtigosInstruções
paraosautores
ConScientiae Saúde, 2009;8(2):295-299. 299
David DR, Oliveira DAAP, Oliveira RFd
14.	 Ebenbichler GR. et al. Ultrasound treatment for
treating the carpal túnel síndrome: randomized
“shan” controlled trial. BMJ. 1998;316:731-35.
15.	 Paik NJ, Cho SH, Han TR. Ultrasound therapy
facilitates the recovery of acute pressure-induced
conduction block of median nerve in rabbits. Muscle
Nerve, 2002;26:356-61.
16.	 Coury HJC. Em que os DORT se diferenciam das
lesões por esforços repetitivos (LER). Fisioterapia em
Movimento, São Paulo. 1999 out;10(2).
17.	 Barbosa LH, et al. Abordagem de fisioterapia na
avaliação de melhorias ergonômicas de um setor
industrial. Rev. Brasil. Fisiot. São Paulo.2002
jan;4(2):83-92.
Atuação da fisioterapia na sindrome do carpo

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Mais procurados (19)

Cefaléia Cervicogênica
Cefaléia CervicogênicaCefaléia Cervicogênica
Cefaléia Cervicogênica
 
Dor Crônica Orofacial e Tratamento com Técnica de Fisher
Dor Crônica Orofacial e Tratamento com Técnica de FisherDor Crônica Orofacial e Tratamento com Técnica de Fisher
Dor Crônica Orofacial e Tratamento com Técnica de Fisher
 
Dor NeuropáTica
Dor NeuropáTicaDor NeuropáTica
Dor NeuropáTica
 
Tratamento cirúrgico da síndrome do túnel
Tratamento cirúrgico da síndrome do túnelTratamento cirúrgico da síndrome do túnel
Tratamento cirúrgico da síndrome do túnel
 
Avanços no tratamento da dor crônica
Avanços no tratamento da dor crônicaAvanços no tratamento da dor crônica
Avanços no tratamento da dor crônica
 
Dor Neuropatica ( Eem )
Dor Neuropatica ( Eem )Dor Neuropatica ( Eem )
Dor Neuropatica ( Eem )
 
Dor Neuropática
Dor NeuropáticaDor Neuropática
Dor Neuropática
 
Dor - Prevalência, Avaliação, Tratamento
Dor - Prevalência, Avaliação, TratamentoDor - Prevalência, Avaliação, Tratamento
Dor - Prevalência, Avaliação, Tratamento
 
Dor neuropatica
Dor neuropaticaDor neuropatica
Dor neuropatica
 
122091768 revistapodologia-com-028pt
122091768 revistapodologia-com-028pt122091768 revistapodologia-com-028pt
122091768 revistapodologia-com-028pt
 
Epicondilite lateral
Epicondilite lateralEpicondilite lateral
Epicondilite lateral
 
Ynsa barbar m camilotti
Ynsa barbar m camilottiYnsa barbar m camilotti
Ynsa barbar m camilotti
 
Dor pós operatória
Dor pós operatóriaDor pós operatória
Dor pós operatória
 
Introdução a dor
Introdução a dorIntrodução a dor
Introdução a dor
 
Neuropathic Pain Summary Portuguese
Neuropathic Pain Summary PortugueseNeuropathic Pain Summary Portuguese
Neuropathic Pain Summary Portuguese
 
Cefaléia cervicogênica
Cefaléia cervicogênica Cefaléia cervicogênica
Cefaléia cervicogênica
 
Torcicolo (cervicalgia)
Torcicolo (cervicalgia)Torcicolo (cervicalgia)
Torcicolo (cervicalgia)
 
Sensibilidade
Sensibilidade Sensibilidade
Sensibilidade
 
Capsulite adesiva
Capsulite adesivaCapsulite adesiva
Capsulite adesiva
 

Destaque

001 atendimento ao_paciente_vitima_de_traumatismo_cranioencefalico_leve_tce_l...
001 atendimento ao_paciente_vitima_de_traumatismo_cranioencefalico_leve_tce_l...001 atendimento ao_paciente_vitima_de_traumatismo_cranioencefalico_leve_tce_l...
001 atendimento ao_paciente_vitima_de_traumatismo_cranioencefalico_leve_tce_l...Claudio Viegas
 
Síndrome do túnel do carpo
Síndrome do túnel do carpoSíndrome do túnel do carpo
Síndrome do túnel do carpoadrianomedico
 
Dort -patologias
Dort  -patologiasDort  -patologias
Dort -patologiaspamcolbano
 
Fundamentos de Fisioterapia
Fundamentos de FisioterapiaFundamentos de Fisioterapia
Fundamentos de FisioterapiaEduardo Egisto
 
sindrome de Tunel del carpo
sindrome de Tunel del carposindrome de Tunel del carpo
sindrome de Tunel del carpoKetzel Madrid
 
Apresentação - Estudo de Caso Clínico
Apresentação - Estudo de Caso ClínicoApresentação - Estudo de Caso Clínico
Apresentação - Estudo de Caso ClínicoLetícia Gonzaga
 
Estudo de Caso - Diagnóstico de Enfermagem
Estudo de Caso - Diagnóstico de EnfermagemEstudo de Caso - Diagnóstico de Enfermagem
Estudo de Caso - Diagnóstico de EnfermagemYasmin Casini
 

Destaque (10)

001 atendimento ao_paciente_vitima_de_traumatismo_cranioencefalico_leve_tce_l...
001 atendimento ao_paciente_vitima_de_traumatismo_cranioencefalico_leve_tce_l...001 atendimento ao_paciente_vitima_de_traumatismo_cranioencefalico_leve_tce_l...
001 atendimento ao_paciente_vitima_de_traumatismo_cranioencefalico_leve_tce_l...
 
Síndrome do túnel do carpo
Síndrome do túnel do carpoSíndrome do túnel do carpo
Síndrome do túnel do carpo
 
Dort -patologias
Dort  -patologiasDort  -patologias
Dort -patologias
 
Palestra tce 2
Palestra tce 2Palestra tce 2
Palestra tce 2
 
Fundamentos de Fisioterapia
Fundamentos de FisioterapiaFundamentos de Fisioterapia
Fundamentos de Fisioterapia
 
sindrome de Tunel del carpo
sindrome de Tunel del carposindrome de Tunel del carpo
sindrome de Tunel del carpo
 
Estudo de caso clinico
Estudo de caso clinicoEstudo de caso clinico
Estudo de caso clinico
 
O Estudo De Caso
O Estudo De CasoO Estudo De Caso
O Estudo De Caso
 
Apresentação - Estudo de Caso Clínico
Apresentação - Estudo de Caso ClínicoApresentação - Estudo de Caso Clínico
Apresentação - Estudo de Caso Clínico
 
Estudo de Caso - Diagnóstico de Enfermagem
Estudo de Caso - Diagnóstico de EnfermagemEstudo de Caso - Diagnóstico de Enfermagem
Estudo de Caso - Diagnóstico de Enfermagem
 

Semelhante a Atuação da fisioterapia na sindrome do carpo

Efeito da técnica isostretching no equilíbrio postural
Efeito da técnica isostretching no equilíbrio posturalEfeito da técnica isostretching no equilíbrio postural
Efeito da técnica isostretching no equilíbrio posturalMelissa Louyse Duarte
 
Pilates na Lombalgia crônica - relato de casos
Pilates na Lombalgia crônica - relato de casosPilates na Lombalgia crônica - relato de casos
Pilates na Lombalgia crônica - relato de casosDra. Welker Fisioterapeuta
 
lombalgia.pdf
lombalgia.pdflombalgia.pdf
lombalgia.pdfzLazaro
 
Ponto de vista cirurgião dentista e a quiropraxia
Ponto de vista   cirurgião dentista e a quiropraxiaPonto de vista   cirurgião dentista e a quiropraxia
Ponto de vista cirurgião dentista e a quiropraxiaFabio Motta
 
Avalia+º+úo col vertebral
Avalia+º+úo col vertebralAvalia+º+úo col vertebral
Avalia+º+úo col vertebraljuuliacarolina
 
1 s2.Artigo efetividade do kinesio taping na dor e uncapacidade na sindrome d...
1 s2.Artigo efetividade do kinesio taping na dor e uncapacidade na sindrome d...1 s2.Artigo efetividade do kinesio taping na dor e uncapacidade na sindrome d...
1 s2.Artigo efetividade do kinesio taping na dor e uncapacidade na sindrome d...Franklyn Alves
 
Acupuntura no tratamento da Sindrome Miofascial- Palestra Congresso Brasileir...
Acupuntura no tratamento da Sindrome Miofascial- Palestra Congresso Brasileir...Acupuntura no tratamento da Sindrome Miofascial- Palestra Congresso Brasileir...
Acupuntura no tratamento da Sindrome Miofascial- Palestra Congresso Brasileir...DanilloAguiar6
 
Apresentação pioatrite e piomiosite
Apresentação pioatrite e piomiositeApresentação pioatrite e piomiosite
Apresentação pioatrite e piomiositeEvelyn Monte
 
Plasticidade e fisioterapia
Plasticidade e fisioterapiaPlasticidade e fisioterapia
Plasticidade e fisioterapiajuuliacarolina
 
Lombalgia_no_desporto
Lombalgia_no_desportoLombalgia_no_desporto
Lombalgia_no_desportodanilorlsa
 
Osteporose revisão
Osteporose revisãoOsteporose revisão
Osteporose revisãoNatan Pires
 
Sindrome do túnel do carpo 01
Sindrome do túnel do carpo 01Sindrome do túnel do carpo 01
Sindrome do túnel do carpo 01adrianomedico
 
Lombalgia em trabalho hospitalar enfermeiros
Lombalgia em trabalho hospitalar   enfermeirosLombalgia em trabalho hospitalar   enfermeiros
Lombalgia em trabalho hospitalar enfermeirosCosmo Palasio
 
Acompanhamento Por Sete Anos Das ManifestaçõEs NeurolóGicas De Paciente Com D...
Acompanhamento Por Sete Anos Das ManifestaçõEs NeurolóGicas De Paciente Com D...Acompanhamento Por Sete Anos Das ManifestaçõEs NeurolóGicas De Paciente Com D...
Acompanhamento Por Sete Anos Das ManifestaçõEs NeurolóGicas De Paciente Com D...guesteb0432e6
 
Efeitos do alongamento muscular e condicionamento físico no 2
Efeitos do alongamento muscular e condicionamento físico no 2Efeitos do alongamento muscular e condicionamento físico no 2
Efeitos do alongamento muscular e condicionamento físico no 2Aline Gurgel
 

Semelhante a Atuação da fisioterapia na sindrome do carpo (20)

Reabilitaçao para dor crônica
Reabilitaçao para dor crônicaReabilitaçao para dor crônica
Reabilitaçao para dor crônica
 
Efeito da técnica isostretching no equilíbrio postural
Efeito da técnica isostretching no equilíbrio posturalEfeito da técnica isostretching no equilíbrio postural
Efeito da técnica isostretching no equilíbrio postural
 
Pilates na Lombalgia crônica - relato de casos
Pilates na Lombalgia crônica - relato de casosPilates na Lombalgia crônica - relato de casos
Pilates na Lombalgia crônica - relato de casos
 
Artigo 2.pdf
Artigo 2.pdfArtigo 2.pdf
Artigo 2.pdf
 
lombalgia.pdf
lombalgia.pdflombalgia.pdf
lombalgia.pdf
 
Ponto de vista cirurgião dentista e a quiropraxia
Ponto de vista   cirurgião dentista e a quiropraxiaPonto de vista   cirurgião dentista e a quiropraxia
Ponto de vista cirurgião dentista e a quiropraxia
 
Avalia+º+úo col vertebral
Avalia+º+úo col vertebralAvalia+º+úo col vertebral
Avalia+º+úo col vertebral
 
Poster dor e acupuntura
Poster dor e acupunturaPoster dor e acupuntura
Poster dor e acupuntura
 
1 s2.Artigo efetividade do kinesio taping na dor e uncapacidade na sindrome d...
1 s2.Artigo efetividade do kinesio taping na dor e uncapacidade na sindrome d...1 s2.Artigo efetividade do kinesio taping na dor e uncapacidade na sindrome d...
1 s2.Artigo efetividade do kinesio taping na dor e uncapacidade na sindrome d...
 
Acupuntura no tratamento da Sindrome Miofascial- Palestra Congresso Brasileir...
Acupuntura no tratamento da Sindrome Miofascial- Palestra Congresso Brasileir...Acupuntura no tratamento da Sindrome Miofascial- Palestra Congresso Brasileir...
Acupuntura no tratamento da Sindrome Miofascial- Palestra Congresso Brasileir...
 
Apresentação pioatrite e piomiosite
Apresentação pioatrite e piomiositeApresentação pioatrite e piomiosite
Apresentação pioatrite e piomiosite
 
Efeitos
EfeitosEfeitos
Efeitos
 
Plasticidade e fisioterapia
Plasticidade e fisioterapiaPlasticidade e fisioterapia
Plasticidade e fisioterapia
 
Lombalgia_no_desporto
Lombalgia_no_desportoLombalgia_no_desporto
Lombalgia_no_desporto
 
Osteporose revisão
Osteporose revisãoOsteporose revisão
Osteporose revisão
 
Sindrome do túnel do carpo 01
Sindrome do túnel do carpo 01Sindrome do túnel do carpo 01
Sindrome do túnel do carpo 01
 
Lombalgia em trabalho hospitalar enfermeiros
Lombalgia em trabalho hospitalar   enfermeirosLombalgia em trabalho hospitalar   enfermeiros
Lombalgia em trabalho hospitalar enfermeiros
 
Acompanhamento Por Sete Anos Das ManifestaçõEs NeurolóGicas De Paciente Com D...
Acompanhamento Por Sete Anos Das ManifestaçõEs NeurolóGicas De Paciente Com D...Acompanhamento Por Sete Anos Das ManifestaçõEs NeurolóGicas De Paciente Com D...
Acompanhamento Por Sete Anos Das ManifestaçõEs NeurolóGicas De Paciente Com D...
 
Sedação
SedaçãoSedação
Sedação
 
Efeitos do alongamento muscular e condicionamento físico no 2
Efeitos do alongamento muscular e condicionamento físico no 2Efeitos do alongamento muscular e condicionamento físico no 2
Efeitos do alongamento muscular e condicionamento físico no 2
 

Mais de adrianomedico

Um processo de terapia para a gagueira
Um processo de terapia para a gagueiraUm processo de terapia para a gagueira
Um processo de terapia para a gagueiraadrianomedico
 
Um ensaio sobre a gagueira
Um ensaio sobre a gagueiraUm ensaio sobre a gagueira
Um ensaio sobre a gagueiraadrianomedico
 
Tratamento farmacológico da gagueira
Tratamento farmacológico da gagueiraTratamento farmacológico da gagueira
Tratamento farmacológico da gagueiraadrianomedico
 
Saiba mais sobre a gagueira infantil
Saiba mais sobre a gagueira infantilSaiba mais sobre a gagueira infantil
Saiba mais sobre a gagueira infantiladrianomedico
 
Problemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeus
Problemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeusProblemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeus
Problemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeusadrianomedico
 
Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...
Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...
Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...adrianomedico
 
Para quem a escola gagueja
Para quem a escola gaguejaPara quem a escola gagueja
Para quem a escola gaguejaadrianomedico
 
Gagueira tem tratamento
Gagueira tem tratamentoGagueira tem tratamento
Gagueira tem tratamentoadrianomedico
 
Gagueira não tem graça, tem tratamento
Gagueira não tem graça, tem tratamentoGagueira não tem graça, tem tratamento
Gagueira não tem graça, tem tratamentoadrianomedico
 
Gagueira não é emocional
Gagueira não é emocionalGagueira não é emocional
Gagueira não é emocionaladrianomedico
 
Gagueira e núcleos da base
Gagueira e núcleos da baseGagueira e núcleos da base
Gagueira e núcleos da baseadrianomedico
 
Gagueira e disfluência geral
Gagueira e disfluência   geralGagueira e disfluência   geral
Gagueira e disfluência geraladrianomedico
 
Gagueira e dificuldade de aprendizagem
Gagueira e dificuldade de aprendizagemGagueira e dificuldade de aprendizagem
Gagueira e dificuldade de aprendizagemadrianomedico
 
Gagueira estudo molecular dos genes g
Gagueira   estudo molecular dos genes gGagueira   estudo molecular dos genes g
Gagueira estudo molecular dos genes gadrianomedico
 
Gagueira disfluência
Gagueira   disfluênciaGagueira   disfluência
Gagueira disfluênciaadrianomedico
 
Gagueira até onde é normal
Gagueira   até onde é normalGagueira   até onde é normal
Gagueira até onde é normaladrianomedico
 
Gagueira a teoria na prática
Gagueira   a teoria na práticaGagueira   a teoria na prática
Gagueira a teoria na práticaadrianomedico
 

Mais de adrianomedico (20)

Um processo de terapia para a gagueira
Um processo de terapia para a gagueiraUm processo de terapia para a gagueira
Um processo de terapia para a gagueira
 
Um ensaio sobre a gagueira
Um ensaio sobre a gagueiraUm ensaio sobre a gagueira
Um ensaio sobre a gagueira
 
Tratamento farmacológico da gagueira
Tratamento farmacológico da gagueiraTratamento farmacológico da gagueira
Tratamento farmacológico da gagueira
 
Seu filho gagueja.
Seu filho gagueja.Seu filho gagueja.
Seu filho gagueja.
 
Saiba mais sobre a gagueira infantil
Saiba mais sobre a gagueira infantilSaiba mais sobre a gagueira infantil
Saiba mais sobre a gagueira infantil
 
Problemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeus
Problemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeusProblemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeus
Problemas na fala atrapalham carreira de reis e plebeus
 
Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...
Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...
Perfil de sujeitos gagos que participam de comunidades virtuais como apoio so...
 
Para quem a escola gagueja
Para quem a escola gaguejaPara quem a escola gagueja
Para quem a escola gagueja
 
Genes da gagueira
Genes da gagueiraGenes da gagueira
Genes da gagueira
 
Gagueira tem tratamento
Gagueira tem tratamentoGagueira tem tratamento
Gagueira tem tratamento
 
Gagueira não tem graça, tem tratamento
Gagueira não tem graça, tem tratamentoGagueira não tem graça, tem tratamento
Gagueira não tem graça, tem tratamento
 
Gagueira não é emocional
Gagueira não é emocionalGagueira não é emocional
Gagueira não é emocional
 
Gagueira infantil
Gagueira infantilGagueira infantil
Gagueira infantil
 
Gagueira e núcleos da base
Gagueira e núcleos da baseGagueira e núcleos da base
Gagueira e núcleos da base
 
Gagueira e disfluência geral
Gagueira e disfluência   geralGagueira e disfluência   geral
Gagueira e disfluência geral
 
Gagueira e dificuldade de aprendizagem
Gagueira e dificuldade de aprendizagemGagueira e dificuldade de aprendizagem
Gagueira e dificuldade de aprendizagem
 
Gagueira estudo molecular dos genes g
Gagueira   estudo molecular dos genes gGagueira   estudo molecular dos genes g
Gagueira estudo molecular dos genes g
 
Gagueira disfluência
Gagueira   disfluênciaGagueira   disfluência
Gagueira disfluência
 
Gagueira até onde é normal
Gagueira   até onde é normalGagueira   até onde é normal
Gagueira até onde é normal
 
Gagueira a teoria na prática
Gagueira   a teoria na práticaGagueira   a teoria na prática
Gagueira a teoria na prática
 

Atuação da fisioterapia na sindrome do carpo

  • 1. EditorialArtigosInstruções paraosautores ConScientiae Saúde, 2009;8(2):295-299. 295 Atuação da fisioterapia na Síndrome do Túnel do Carpo – Estudo de caso Acting of physiotherapy in carpal tunnel syndrome – A case study Débora Rodrigues David1 ; Deise A. A. Pires Oliveira2 ; Rodrigo Franco de Oliveira3 1 Universidade do Vale do Paraíba – Univap- IP&D 2 Universidade Camilo Castelo Branco – Unicastelo S.P. 3 Universidade Camilo Castelo Branco – Unicastelo S.P. Endereço para correspondência Rodrigo Franco de Oliveira Rua Esperança 265 apto 52 Vila Adyanna 12243-700 – São José dos Campos – SP rfrancoli@yahoo.com.br Recebido em 18 mar. 2009. Aprovado em 16 jun. 2009 Resumo Os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORTs) são conside- rados, entre as doenças ocupacionais, um problema grave no campo da saúde do trabalhador. Esses distúrbios têm origem multifatorial, destacando os fatores psicossociais, individuais e ocupacionais. A Síndrome do Túnel do Carpo (STC) é considerada uma neuropatia periférica compressiva pertencente ao grupo dos DORTs, podendo estar relacionada a atividades ocupacionais, resultantes de compressão do nervo mediano na região do punho. Este estudo de caso visa identificar as diversas formas de aplicação da fisioterapia no tratamento da STC, arrolando os principais métodos e técnicas fisioterápicas utilizados no tratamen- to. Observou-se que existe uma diversidade de intervenções e tratamentos para evitar a progressão da doença, em que o fisioterapeuta pode estabelecer uma con- duta adequada, de acordo com sua fase. Descritores: Fisioterapia; Reabilitação; Síndrome do Túnel do Carpo. Abstract The musculoskeletal disorders related to work are considered, among the occu- pational diseases, a serious problem in the field of occupational health. These disorders have multifactorial origin, including psychosocial, individual, and oc- cupational factors. The Carpal Tunnel Syndrome (CTS) is considered a peripheral compressive neuropathy associated to the group work related musculoskeletal disorders, and it can be related to occupational activities, resulting from com- pression of the median nerve in the wrist. This case study aims to identify the various forms of application of physiotherapy in the treatment of CTS, presenting the main methods and techniques used in the physiotherapeutic treatment. It was observed that there is a diversity of interventions and treatments to pre- vent the progression of the disease, in which the physiotherapist can establish a proper behavior according to its stage. Key word: Carpal Tunnel Syndrome; Physiotherapy; Rehabilitation.
  • 2. ConScientiae Saúde, 2009;8(2):295-299.296 Atuação da fisioterapia na Síndrome do Túnel do Carpo – Estudo de caso Introdução Os Distúrbios Ocupacionais Relacionados ao Trabalho (DORT) podem ocorrer por so- brecarga da musculatura resultantes de mo- vimentos repetitivos, posturas inadequadas, compressão mecânica, excesso de força usada durante a realização das atividades e por for- mas inadequadas de organização do trabalho1 . A Síndrome do Túnel do Carpo (STC) é a neu- ropatia compressiva mais comum em humanos e pode estar relacionada a atividades ocupacio- nais, decorrentes de compressão do nervo me- diano, quando passa pelo túnel carpal, na re- gião do punho2,3 . A incidência é maior no sexo feminino entre 40 e 60 anos2,4 . A etiologia da STC é desconhecida e ocor- re, geralmente, em trabalhadores que desempe- nham tarefas que envolvem movimentos repe- titivos das mãos, tais como digitação, operação em máquinas e linha de montagem. O estresse ergonômico e fatores psicossociais também fa- vorecem o desenvolvimento dessa síndrome. Tenossinovites, gravidez, hipotireoidismo, pós- trauma como fratura de Colles e doenças sistê- micas, como artrite reumatóide, lúpus e diabe- tes mellitus, também estão relacionados com as causas desse mal4,5,6 . O comprometimento de estruturas nobres na região do punho, entre as quais o nervo me- diano, é considerado uma das causas mais fre- quentes de quadros dolorosos e das alterações sensitivas na região das mãos, especialmente nas extremidades7 . A evolução dos sinais e sin- tomas dessa síndrome não apresenta um curso previsto, haja vista que alguns indivíduos apre- sentam uma progressão na alteração da função do punho e da mão, enquanto outros desenvol- vem períodos assintomáticos, com picos de al- teração da função e variação dos sintomas. A STC caracteriza-se pela presença de dor, parestesia nos quatros primeiros dedos e nos punhos, dor no braço, fraqueza para realizar movimentos finos, hipoestesia no território do nervo mediano, preservando ou não a sensação palmar e dormência na distribuição sensorial mediana, principalmente à noite. A evolução dessa doença pode levar à atrofia tênar2,3 . Para diagnosticá-la, são aplicados o teste de Phalen e o de Tinel positivo3 . O diagnóstico geralmente é confirmado pelo estudo da condução nervosa2 . Barbosa et al.8 , em seu estudo, relataram que os pacientes com STC apresentavam pre- valência de dor nas seguintes regiões do cor- po: pescoço, membros superiores (MMSS) e mão, inclusive com prevalência de parestesia nas mãos. Existem várias formas de tratamento, como cirurgia aberta ou endoscopia e o trata- mento conservador3 . As modalidades de tra- tamento conservador são talas para as mãos, drogas anti-inflamatórias não-esteroidais, fi- sioterapia, eletroterapia, injeções esteroidais, ultrassom, iontoforese e terapia com laser de baixa potência5 . Diante da prevenção e tratamento da STC, a fisioterapia apresenta variação de recursos e técnicas, de acordo com os meios físicos utiliza- dos, dispondo também da aplicação da ergono- mia e ginástica laboral como métodos preventi- vos9 . No entanto, medidas isoladas não surtem efeito, somente a harmonia entre elas é que ga- rante o sucesso no tratamento e na prevenção da síndrome10 . Materiais e métodos Participou do estudo uma paciente, sexo feminino, 43 anos, com diagnóstico clínico de STC, que realizava tratamento fisioterapêutico convencional. Os critérios de inclusão utiliza- dos foram os seguintes: pessoa que apresentas- se diagnóstico clínico, sobretudo com presença de parestesia noturna, que melhorava com mo- vimento vigoroso da mão e alterações típicas desse diagnóstico, nos estudos de condução nervosa que comprovassem a síndrome e au- sência de patologias associadas. Como critérios de exclusão, o abandono ou ausência durante o programa de tratamento que pudesse compro- meter os resultados do estudo e o desconforto
  • 3. EditorialArtigosInstruções paraosautores ConScientiae Saúde, 2009;8(2):295-299. 297 David DR, Oliveira DAAP, Oliveira RFd do paciente na realização das terapias a serem executadas. A paciente com STC apresentava sintoma- tologia leve intermitente, dor, dormência e for- migamento na área de representação do nervo mediano, predominantemente noturno, acor- dando várias vezes, além de sintomas diurnos posicionais, tais como segurar e pegar objetos, dirigir autos e realizar trabalhos manuais. O retorno à normalidade é alcançado com altera- ções rápidas na postura ou movimentação das mãos, apresentando resultados positivos nos testes de Tinel e Phalen. Inicialmente, recomendamos tratamento conservador com splints, orientação para mo- dificação das atividades diárias e, para trata- mento local, a realização de 20 sessões conse- cutivas com duração de 50 minutos cada. A proposta de tratamento consiste na aplicação de um protocolo utilizando Laser Arseneto de Gálio (AsGa) λ = 904nm, 3 J/cm2 , por 36 segun- dos por pontos, de forma pontual (8 pontos, na região do túnel do carpo); na sequência, aplicação de Ultrassom, 1 MHz, Pulsado (5:5), 0,8 W/cm2 , 8 minutos, seguida de mobilização passiva e ativo-assistida (flexão/extensão de punho e metacarpofalangiano). A partir da quinta sessão, iniciaram-se os exercícios cine- sioterápicos compostos por alongamento ativo global e exercícios isotônicos para membros superiores, em especial na região de punho e mão (halteres de 1 e 2 kg, 3 séries de 10 repe- tições). Resultados Os resultados deste estudo mostram que, associada ao ultrassom, a aplicação do laser apresentou significantes melhoras clínicas nos sintomas relacionados ao padrão de dor e ao processo inflamatório, identificado na primeira semana de tratamento. A partir da quinta ses- são de fisioterapia, a cinesioterapia objetivou aprimorar a atividade mecânica gerada pelos músculos comprometidos, auxiliando na anal- gesia, na recuperação da expansibilidade, for- ça, resistência à fadiga e no restabelecimento da cinestesia pela inibição dos fatores irritantes e fisiolimitantes. Discussão Pereira et al.11 relatam que a STC, causada pela compressão do nervo mediano, apresenta uma variação em seu tratamento clínico, cirúr- gico e/ou conservador, definidos a partir da sintomatologia, sendo indicado o tratamento conservador em uma fase inicial, com compro- metimento muscular e alterações de sensibili- dade; não havendo melhora do quadro, há indi- cação cirúrgica. Cook et al.12 referem que as associações de recursos eletrotermofototerápicos com a cine- sioterapia são indispensáveis, principalmente nas fases iniciais, podendo apresentar resulta- dos satisfatórios no tratamento conservador e boa resposta quanto aos sinais e sintomas na fase pós-operatória. Pacientes jovens, com sintomas unilate- rais e teste de Phalen negativo, apresentam me- lhor prognóstico2 . Kisner e Colby13 relatam que o tratamento cirúrgico pode gerar complicações como for- mação de cicatriz hipertrófica e dolorosa, ade- rências do nervo mediano no retináculo flexor e limitações funcionais; por isso, a cinesiotera- pia deve ser iniciada dias após a cirurgia para prevenir restrições de movimentos e fraqueza muscular. Ekim et al.5 concluíram que a Terapia Laser de Baixa Potência pode ser um tratamento alternativo para pacientes com STC, pois alivia a dor e melhora a função da mão. O uso da terapia com ultrassom demons- trou efeitos satisfatórios a curto e médio pra- zos, em pacientes com STC em estágio leve e moderado. Essas informações foram descritas no estudo de Ebenbichler et al.14 que analisa- ram os resultados de 20 sessões de aplicação de ultrassom em 45 pacientes, com frequência de
  • 4. ConScientiae Saúde, 2009;8(2):295-299.298 Atuação da fisioterapia na Síndrome do Túnel do Carpo – Estudo de caso 1 MHz, intensidade de 1,0 W/cm2 , pulsado (2:8), fazendo aplicações diárias de dez minutos. Efeitos positivos também foram encontrados no estudo realizado por Paik, Cho e Han15 , que en- contraram uma facilitação no restabelecimento da pressão aguda, induzida na compressão do nervo mediano de ratos. A inserção de uma variedade de medidas buscando a prevenção dos DORTs, como altera- ções do posto de trabalho, pausas ativas e pas- sivas durante a jornada de trabalho e exercícios físicos associados a correções ergonômicas, é de fundamental importância16 . De acordo com Barbosa et al.17 , a implan- tação de ginástica laboral tem sido indispen- sável à prevenção de danos causados pela inatividade ou repetitividade de atividades laborais. Conclusão A avaliação fisioterapêutica e os exames complementares são importantíssimos para confirmar a doença e sua complexidade. Seus resultados possibilitam que tenhamos uma conduta específica, de acordo com a sua fase. A atuação da fisioterapia na STC deve ser direcionada tanto para a prevenção quanto para o tratamento da doença. Inicialmente, podemos instituir um estudo biomecânico para possíveis correções e/ou alterações posturais dos mem- bros superiores e, principalmente, para a região do punho, evitando, assim, a incidência da pa- tologia. Observamos que, quanto mais precoce o diagnóstico da doença e a atuação fisioterápica, mais rapidamente melhora o quadro álgico e diminui o processo inflamatório, evitando, as- sim, a utilização de fármacos, sem, no entanto, dispensar uma orientação ergonômica. Entretanto, em relação ao tratamento ci- rúrgico, a indicação somente ocorrerá após um período mínimo de seis meses de tratamento fisioterápico, sem apresentação de melhora do quadro clínico. Referências 1. Slater RR. Carpal tunnel syndrome: current concepts. J. South Orthop Assoc.1999;8(3):203-213. 2. Hardoim DGV, Oliveira GB, Kouyoumdjian J. A. Carpal tunnel syndrome Long-term nerve conduction studies in 261 hands. Arq Neuropsiquiatr.2009;67(1):69-73. 3. Sparapani FVC, Aguiar PHP, Zicarelli CAM, Hirata MTA, Tedesco-marchese AJ, Teixeira MJ. Comparison between the clinical and surgical treatment in carpal tunnel syndrome by means of electrophysiological analysis. Jorn. Bras. Neur.2006;17(2):52-55. 4. Mattioli S, Baldasseroni A, Curti S, Cooke RMT, Mandes A, Zanardi F et al. Incidence rates of surgically treated idiopathic carpal tunnel syndrome in blue- and white-collar workers and housewives in Tuscany, Italy. Occup Environ Med.2009;66:299-304. 5. Ekim A, Armagan O, Tascioglu F, Oner C, Colak M. Effect of low level laser therapy in rheumatoid arthritis patients with carpal tunnel syndrome. Swiss Med Wkly 2007;37:347-352. 6. Neculhueque XZ, Moyano AV, Paolinelli CG. Neuropatias por Atrapamiento. Reumatologia. 2007;23(1):7-11. 7. Walker WC, Metzler M, Cifu DX, Swartz Z. Neutral wrist splinting in carpal tunnel syndrome: a comparison of night-only versus full-time wear instructions. Arch Phys Med Rehabili.2000;81:424-29. 8. Barbosa VRN, Dantas FG, Cardoso MAA, Medeiros JL. A. Dor e parestesias nos membros superiores e diagnóstico da síndrome do túnel do carpo. Arq. Neuropsiquiatr.2006;64(4):997-1000. 9. Volpi S. Considerações sobre a ginástica laboral. Rev. Cipa.2001 jan;22(254). 10. Volpi S. Algumas considerações sobre a estaticidade postural nos trabalhos em pé e sentado. Rev. Cipa.2000 jul;21(248). 11. Pereira ES et al. Síndrome do túnel do carpo: análise comparativa entre tratamento conservador e cirúrgico. Rev. Bras. Ortop.1993;28(8):570-577. 12. Cook AC et al. Early mobilization following carpal tunnel release: a prospective randomized study. Journal of Hand Sugery.1995;29b(2):228-230. 13. Kisner C, Colby LA. Punho e mão. Exercícios Terapêuticos – fundamentos e técnicas. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte:Atheneu,1997:344-374.
  • 5. EditorialArtigosInstruções paraosautores ConScientiae Saúde, 2009;8(2):295-299. 299 David DR, Oliveira DAAP, Oliveira RFd 14. Ebenbichler GR. et al. Ultrasound treatment for treating the carpal túnel síndrome: randomized “shan” controlled trial. BMJ. 1998;316:731-35. 15. Paik NJ, Cho SH, Han TR. Ultrasound therapy facilitates the recovery of acute pressure-induced conduction block of median nerve in rabbits. Muscle Nerve, 2002;26:356-61. 16. Coury HJC. Em que os DORT se diferenciam das lesões por esforços repetitivos (LER). Fisioterapia em Movimento, São Paulo. 1999 out;10(2). 17. Barbosa LH, et al. Abordagem de fisioterapia na avaliação de melhorias ergonômicas de um setor industrial. Rev. Brasil. Fisiot. São Paulo.2002 jan;4(2):83-92.