Curso de extensão:
Até que a morte nos separe
Adriana Soczek Sampaio
soczeksampaio@yahoo.com.br
Aula 3
FALANDO SOBRE A
MORTE E O
PACIENTE
TERMINAL
Falando sobre a morte e o
paciente terminal
 1. princípios da bioética;
 2. como dar más notícias e como falar de morte ...
Discussão
CASO A
Paciente do sexo masculino, 13 anos, com diagnóstico de
osteossarcoma em fêmur. Fez sessões de QT de acor...
CASO B
Y, do sexo feminino tem dois meses de vida. Nasceu com
anencefalia. Sua mãe tem 23 anos e tem retardo mental. A avó...
CASO C
MV era uma médica de 49 anos e devido a dores abdominais descobriu um
tumor de ovário com metástase. Foi operada na...
CASO D
H viveu plenamente durante 85 anos. ´viúvo e todo seus amigos já
morreram. Agora, seu coração e seu cérebro se debi...
“Nós temos uma grande
necessidade de uma ética da
terra, uma ética para a vida
selvagem, uma ética de
populações, uma étic...
Medicina = ofício de CUIDAR do doente
Hipócrates = 4 princípios fundamentais
1. jamais prejudicar o enfermo
2. não busca...
Bioética
Bios (vida) + ethos (conduta)
Ética da vida
Conceito de Bioética
“Bioética é o estudo sistemático das dimensões morais
– incluindo visão moral, decisões, condutas e políticas –
das ciênci...
A Bioética surgiu como um fenômeno
cultural: “Emergiu da exigência, cada vez
mais presente no seio da sociedade
contemporâ...
Bioética
 termo - criado e usado a partir de 1971, no livro de Van
Rensselaer Potter - Bioethics: Bridge to the Future –
...
 1974 - National Commission for the Protection of Human
Subjects of Biomedical and Behavioral Research -
Elaborou os prin...
A Bioética revela
 O fato de que nem tudo que seja CIENTIFICAMENTE
possível é HUMANAMENTE desejável
 Não existem VALORES...
Princípios de Ética Biomédica
Tom L. Beauchamp
James F. Childress
Obrigação Prima Facie
A expressão obrigação prima facie ...
BIOÉTICA - PRINCIPIALISMO
 princípio da beneficência
 princípio da não maleficência
 princípio do respeito da autonomia...
Princípios Bioéticos - BENEFICÊNCIA
Usarei o tratamento para o bem dos enfermos,
segundo minha capacidade e juízo, mas nun...
 A beneficência tem sido associada à excelência
profissional desde os tempos da medicina grega, e está
expressa no Jurame...
Princípios Bioéticos – NÃO-MALEFICÊNCIA
 “Primum non nocere” – não prejudicar nem causar
danos
 De acordo com este princ...
 VÍDEO: La decisión más difícil
Princípios Bioéticos - AUTONOMIA
 Princípio da liberdade ou de respeito às pessoas
 Requer respeito a todos e, em especi...
 Para exercer - necessárias duas condições fundamentais:
a) capacidade para agir intencionalmente, o que
pressupõe compre...
O respeito pela autonomia do
outro é indispensável, desde que
não resulte em dano aos demais e
na medida em que a pessoa a...
 Vídeo: Amar la vida – 58’20” – 1h05”
Princípios Bioéticos - JUSTIÇA
“Quando há duvida se deva prevalecer a beneficência ou o
respeito pela autonomia, apela-se ...
Princípios - justiça
1. Para cada um, uma igual porção
2. Para cada um, de acordo com sua necessidade
3. Para cada um, de ...
Bioética - âmbitos
 Aborto
 Morte assistida
 Eutanásia, ortotanásia, distanásia
 Pesquisa com seres humanos
 Transpla...
Bioética e final da vida
 Morte encefálica = fim da vida de relação e da vida de
relação
 Estado vegetativo persistente ...
EUTANÁSIA
 Eu = bem, bom, belo / Thanatos = morte
Eu + thanatos = eutanasia.
Boa morte, ou morte digna, morte honrosa, se...
Depoimentos de brasileiros que
se inscreveram na clínica
especializada em morte
Revista Época - SOCIEDADE - 23/06/2012 00h...
 Vídeo 1: Reportagem Morte Assistida
 Vídeo 2: Suicídio assistido na TV Suiça
DISTANÁSIA
 “Ação, intervenção ou um procedimento médico que não
atinge o objetivo de beneficiar a pessoa em fase
termina...
Futilidade médica
 Não tem objetivo imediato, é inútil ou ineficaz, não
oferece QV mínima e não permite possibilidade de
...
Obstinação terapêutica
 Em espanhol, encarnizamiento terapéutico: toda
atividade médica excessiva em relação com o
estado...
 Vídeo: Amar la vida – 1h25’50” – 1h29’20”
ORTOTANÁSIA
 Morte na hora certa
 Morte correta, no tempo adequado, no seu curso
natural, sem prolongamento artificial
...
Comunicação
“As palavras, o olhar, os
gestos e o silêncio podem ser
mais cortantes que o mais
afiado bisturi, ou mais
anal...
 Vídeo: Amar la Vida – início – 6’33”
Comunicar más notícias
DILEMA EM MEDICINA: Dizer ou não dizer???
1. Não mentir = São Tomás de Aquino e Sto. Agostinho – A ...
Antes de
administrar, observar:
1.Dose
2.Via
3.Horário
COMO FALAR DA MORTE A QUEM ESTÁ MORRENDO
 Tempos anteriores na medicina: paternalismo
 Protecionismo: medo de suicídio –...
Conspiração do Silêncio
Conspiração do silêncio
“Aquele que mente uma vez,
Geralmente deve habituar-se à mentira,
Porque necessita SETE mentiras
P...
Consequências
 Angústia, medo, ansiedade não podem ser
compartilhados
 Despedidas não são realizadas em plenitude
 Pedi...
Às vezes, não somos nós
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quem falam
MEDO
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Aspectos legais no Brasil
Código Civil Brasileiro (2002)
 O tratamentos médicos estão sujeitos ao consentimentos
livre e ...
 Lei Mario Covas – Estado de São Paulo (Lei n. 10.241/99)
- Lei dos Direitos dos Usuários dos Serviços de Saúde de
São Pa...
 Existem situações em que o paciente se torna
inconsciente e/ou incapaz de decisões em certos
momentos de sua vida. Este ...
Paciente terminal
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 É estabelecida pela perda definitiva e
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causa conhecida, co...
Do lado direito podemos perceber o fluxo sanguíneo cerebral e do
lado esquerdo a ausência desse fluxo sanguíneo cerebral
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Sedação paliativa
 SEDAR:
apaziguar, diminuir, sossegar, entorpecer, acomodar, aqui
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Sedação paliativa
Vantagens
 Controle de sintoma
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Desvantagens
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Até que a morte nos separe 3

  1. 1. Curso de extensão: Até que a morte nos separe Adriana Soczek Sampaio soczeksampaio@yahoo.com.br
  2. 2. Aula 3 FALANDO SOBRE A MORTE E O PACIENTE TERMINAL
  3. 3. Falando sobre a morte e o paciente terminal  1. princípios da bioética;  2. como dar más notícias e como falar de morte com o paciente;  3. conspiração do silêncio;  4. paciente terminal
  4. 4. Discussão CASO A Paciente do sexo masculino, 13 anos, com diagnóstico de osteossarcoma em fêmur. Fez sessões de QT de acordo com protocolo médico e cirurgia no fêmur, com retirada de massa tumoral e enxerto ósseo. Precisou colocar um a tala de gesso, com a qual precisava usar cadeira de rodas e um apoio feito por um voluntário para manter a perna esticada. Ficou quase 2 anos com este gesso. Nos passeios que as crianças faziam, não podia ir porque sua cadeira não cabia no transporte da instituição e uma vontade sua, passear no shopping próximo do hospital não pode ser realizada porque não tinha como conduzi-lo pelas calçadas com esta cadeira. Quando tirou o gesso, precisou e fisioterapia porque havia perdido massa muscular e os movimentos da perna. Após um ano e meio antes de retirar o gesso, disse em atendimento, que gostaria de fazer a amputação da perna, posto que assim, com prótese ou muleta, poderia VIVER. Após este período, apresentou metástase pulmonar. Ao iniciar novo protocolo de quimioterapia, demonstrou fraqueza e comprometimento renal. Uma de suas colocações poucos dias antes de sua morte: “eu não vou aguentar um novo tratamento”. Referiu medo de morrer e quando faleceu estava sozinho, na UTI.
  5. 5. CASO B Y, do sexo feminino tem dois meses de vida. Nasceu com anencefalia. Sua mãe tem 23 anos e tem retardo mental. A avó está no hospital auxiliando, pois a filha, apesar de maior de idade, não é responsável pelo bebê. Há cerca de um mês, a paciente passou por uma neurocirurgia para a colocação de derivação visando diminuir a hidrocefalia. Segundo os médicos, Y. não enxerga, não poderá falar, não chora, apenas demonstra seu desconforto por meio de fácies de dor. Não possui movimento dos membros. Recebe soro para manter-se nutrida. Apresenta movimentos reflexos. A neurocirurgia discute nova cirurgia para correção da derivação do líquido cerebral. A equipe de paliativos sugere que esta cirurgia não seja realizada e a criança seja encaminhada para casa. A decisão é comunicada para a família que aceita a decisão médica. Se não é possível acrescentar qualidade aos dias, de que servem os dias?
  6. 6. CASO C MV era uma médica de 49 anos e devido a dores abdominais descobriu um tumor de ovário com metástase. Foi operada na semana do diagnóstico e seus colegas informaram que a quimioterapia apresentava apenas 5 a 10% de possibilidade de êxito. MV logo manifestou sua decisão de não fazer absolutamente nada, pois analisando as opções à luz de um saudável balanço, o custo emocional, de sofrimento e econômico excedia em muito os possíveis benefícios de recuperação. Considerou inúteis todas as possibilidades terapêuticas. Iniciou seu percurso apoiada por um médico paliativista, que estabeleceu com ela uma relação afetuosa e comprometida até seu final, respeitando suas decisões. Foram controlados sintomas como ascite, dor e dificuldade para respirar. Continuou atendendo seus pacientes e dirigindo a associação de sua especialidade. Sua parte espiritual se enriquece e Deus era uma companhia permanente. Semanalmente ia a uma psicóloga para compartilhar suas tristezas e preocupações e para preparar- se para sua morte. Em uma emotiva reunião com colegas, amigos e familiares, despede-se com uma frase carinhosa de gratidão para com cada um e com uma serenidade inacreditável. Controla a dor com medicamentos que incluem Buscopam e morfina. Quatro meses após a cirurgia inicial, preside com muito esforço a abertura do congresso de sua especialidade. Chega em casa em agonia de dor e chama seu médico. Após deitar-se, diz que não quer mais levantar-se, que não mais podia continuar e pede que a sede. Assim é feito pelo médico e MV morre no dia seguinte.
  7. 7. CASO D H viveu plenamente durante 85 anos. ´viúvo e todo seus amigos já morreram. Agora, seu coração e seu cérebro se debilitaram seriamente e perdeu a memória. Não pode se manter em pé mais de um minuto, requer uso de fraldas devido a incontinência urinária, e um tremor generalizado o impede de se alimentar. Tom mitos remédios: pressão arterial, diabetes, depressão, tremor, para dormir, colesterol, coração, rins, memória, anemia e...Foi hospitalizado durante o último ano em seis oportunidades: elevação da pressão e do açúcar no sangue, tentativa de suicídio, dificuldade respiratória, edema, anemia. Cada vez que agrava, seus familiares preferem levá-lo ao hospital, pois consideram que em casa não tem o pessoal nem o equipamento necessário para atendê-lo. H. tem um dos melhores e mais caros planos particulares de saúde. Há 8 dias H atingiu um estado crítico. Sua família ficou angustiada e se encontra dividida quanto ao que fazer. O médico que o acompanha disse que seu caro era recuperável, ou seja, que na UTI poderia voltar a seu estado de base anterior. Sai da UTI vai para o quarto. Enquanto ninguém pensa até quando H será tratado, ele tem uma parada cardíaca. Sob o código de alarme, a equipe de reanimação ressuscita H. agora, ele está com problemas de linguagem e paralisado. O que virá a seguir?
  8. 8. “Nós temos uma grande necessidade de uma ética da terra, uma ética para a vida selvagem, uma ética de populações, uma ética do consumo, uma ética urbana, uma ética internacional, uma ética geriátrica e assim por diante (...) Todas elas envolvem a bioética, (...)”. Potter VR. Bioethics, the science of survival. Perspectives in biology and medicine. 1970;14:127-53.
  9. 9. Medicina = ofício de CUIDAR do doente Hipócrates = 4 princípios fundamentais 1. jamais prejudicar o enfermo 2. não buscar aquilo que não é possível oferecer 3. lutar contra o que está provocando a enfermidade 4. acreditar no poder de cura da natureza
  10. 10. Bioética Bios (vida) + ethos (conduta) Ética da vida Conceito de Bioética
  11. 11. “Bioética é o estudo sistemático das dimensões morais – incluindo visão moral, decisões, condutas e políticas – das ciências da vida e atenção à saúde, utilizando uma variedade de metodologias éticas em um cenário interdisciplinar”. Reich WT. Encyclopedia of Bioethics. New York: MacMillian, 1995:XXI. A bioética representa um estudo acerca da conduta humana no campo da vida e da saúde humana e do perigo da interferência nesse campo pelo avanços das pesquisas biomédicas e tecnocientíficas. Bioética
  12. 12. A Bioética surgiu como um fenômeno cultural: “Emergiu da exigência, cada vez mais presente no seio da sociedade contemporânea, de melhorar a posição das suas estruturas ou reformular determinados aspectos delas, na esteira das genuínas indicações éticas”. Leone et al (Dicionário de Bioética, 2001)
  13. 13. Bioética  termo - criado e usado a partir de 1971, no livro de Van Rensselaer Potter - Bioethics: Bridge to the Future – contribuição: formação de uma nova disciplina, a Bioética  “Se existem duas culturas que parecem incapazes de falar uma com a outra, essas são: ciências e humanidades – e, se isto faz parte das razões para que o futuro se mostre tão incerto, então possivelmente nós teríamos de estender uma ponte para o futuro, construindo a disciplina de Bioética como ponte entre as duas culturas”.  Bioética = parte da Ética, ramo da filosofia, que enfoca as questões referentes à vida humana - saúde, tendo a vida como objeto de estudo, trata também da morte. (Marcos Segre)
  14. 14.  1974 - National Commission for the Protection of Human Subjects of Biomedical and Behavioral Research - Elaborou os princípios gerais para pesquisa biomédica com seres humanos  1979 - The Belmont Report publicou os princípios éticos para pesquisa biomédica com seres humanos – 3 princípios  1979 - Beauchamp & Childress - Principles of Biomedical Ethics – 4 princípios
  15. 15. A Bioética revela  O fato de que nem tudo que seja CIENTIFICAMENTE possível é HUMANAMENTE desejável  Não existem VALORES UNIVERSAIS – dilemas diferentes  Conhecimento  Liberdade  Responsabilidade
  16. 16. Princípios de Ética Biomédica Tom L. Beauchamp James F. Childress Obrigação Prima Facie A expressão obrigação prima facie indica uma obrigação que deve ser cumprida a menos que entre em conflito, numa ocasião particular, com uma obrigação de importância equivalente ou maior.
  17. 17. BIOÉTICA - PRINCIPIALISMO  princípio da beneficência  princípio da não maleficência  princípio do respeito da autonomia  princípio da justiça
  18. 18. Princípios Bioéticos - BENEFICÊNCIA Usarei o tratamento para o bem dos enfermos, segundo minha capacidade e juízo, mas nunca para fazer o mal e a injustiça. Tradição Hipocrática  Ação de fazer o bem – maximizar benefícios  Procurar o bem-estar do doente, através da ciência médica e dos seus agentes  Atender os interesses legítimos do paciente e, na medida do possível, evitar danos
  19. 19.  A beneficência tem sido associada à excelência profissional desde os tempos da medicina grega, e está expressa no Juramento de Hipócrates: “Usarei o tratamento para ajudar os doentes, de acordo com minha habilidade e julgamento e nunca o utilizarei para prejudicá-los”  Obrigação moral de agir para o benefício do outro.
  20. 20. Princípios Bioéticos – NÃO-MALEFICÊNCIA  “Primum non nocere” – não prejudicar nem causar danos  De acordo com este princípio, o profissional de saúde tem o dever de, intencionalmente, não causar mal e/ou danos a seu paciente. Considerado por muitos como o princípio fundamental da tradição hipocrática  Princípio universal que objetiva evitar ou reduzir os eventos adversos nos procedimentos de diagnóstico e terapêuticos  Minimizar os prejuízos
  21. 21.  VÍDEO: La decisión más difícil
  22. 22. Princípios Bioéticos - AUTONOMIA  Princípio da liberdade ou de respeito às pessoas  Requer respeito a todos e, em especial, do profissional da saúde pelo seu doente  É a capacidade de pensar, decidir e agir de modo livre e independente  Informações disponíveis para fundamentar a escolha  Limitações: recorre-se aos princípios de beneficência e de não-maleficência  Todo indivíduo tem por consagrado o direito de ser o autor do seu próprio destino e optar pelo caminho que quer dar a sua vida. (Genival Veloso de França)
  23. 23.  Para exercer - necessárias duas condições fundamentais: a) capacidade para agir intencionalmente, o que pressupõe compreensão, razão e deliberação para decidir coerentemente entre as alternativas que lhe são apresentadas; b) liberdade, no sentido de estar livre de qualquer influência controladora para esta tomada de posição
  24. 24. O respeito pela autonomia do outro é indispensável, desde que não resulte em dano aos demais e na medida em que a pessoa a ser respeitada possua um razoável nível básico de maturidade. Jonh Stuart Mill
  25. 25.  Vídeo: Amar la vida – 58’20” – 1h05”
  26. 26. Princípios Bioéticos - JUSTIÇA “Quando há duvida se deva prevalecer a beneficência ou o respeito pela autonomia, apela-se para o princípio da justiça.” Marcos de Almeida  Exige equidade na distribuição de bens e benefícios no que se refere ao exercício da medicina ou área de saúde. Joaquim Clotet  Equidade = disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um a partir de suas diferenças.  enunciado kantiano: ser humano há de ter sempre dignidade e não preço
  27. 27. Princípios - justiça 1. Para cada um, uma igual porção 2. Para cada um, de acordo com sua necessidade 3. Para cada um, de acordo com seu esforço 4. Para cada um, de acordo com sua contribuição 5. Para cada um, de acordo com seu mérito 6. Para cada um, de acordo com as regras de livre mercado  O conceito de justiça deve fundamentar-se na premissa que as pessoas têm direito a um mínimo decente de cuidados com sua saúde.
  28. 28. Bioética - âmbitos  Aborto  Morte assistida  Eutanásia, ortotanásia, distanásia  Pesquisa com seres humanos  Transplante de células tronco  Reprodução assistida  Clonagem  Pesquisas com animais  Doação de órgãos
  29. 29. Bioética e final da vida  Morte encefálica = fim da vida de relação e da vida de relação  Estado vegetativo persistente (EVP) = abre olhos mas não olha, não reage a voz ou sons, não muda de postura nem tem movimentos voluntários, não consegue deglutir, não se pode afirmar que a pessoa morreu por um período de tempo prudente – possibilidade de recuperação da consciência = 2 ou 3 semanas; aceitável = até 3 meses, duvidosa = até 1 ano  Morte encefálica (ME) = dano cerebral irreversível com perda de manifestação das funções superiores acompanhada de incapacidade de respirar espontaneamente. Após comprovação não há obrigatoriedade de manter aparelhos ligados.
  30. 30. EUTANÁSIA  Eu = bem, bom, belo / Thanatos = morte Eu + thanatos = eutanasia. Boa morte, ou morte digna, morte honrosa, sem dor, sem sofrimento (Dicionário inFormal)  Após nazismo = termo tornou-se pejorativo  Exemplos: Ramon Sampedro, Chantal Sèbire  Suicídio assistido = pessoa solicita auxílio a outra para concretizar seu desejo de morrer  Na eutanásia, o médico é responsável por garantir a morte do paciente, o que pode ser feito por drogas letais, com morte instantânea, ou até mesmo pela supressão de alimentos  Legal na Holanda (2002), Bélgica e Luxemburgo (2012). Suiça = atitude tolerante – suicídio assistido = turismo da morte. Portugal = suicídio assistido é crime qualificado
  31. 31. Depoimentos de brasileiros que se inscreveram na clínica especializada em morte Revista Época - SOCIEDADE - 23/06/2012 00h20 ÉPOCA ouviu quatro dos dez brasileiros que contribuem com a Dignitas, organização suíça que cobra cerca de R$ 15 mil para fazer suicídio assistido. Eles aceitaram contar por que decidiram encomendar a própria morte FELIPE PONTES
  32. 32.  Vídeo 1: Reportagem Morte Assistida  Vídeo 2: Suicídio assistido na TV Suiça
  33. 33. DISTANÁSIA  “Ação, intervenção ou um procedimento médico que não atinge o objetivo de beneficiar a pessoa em fase terminal e que prolonga inútil e sofridamente o processo do morrer, procurando distanciar a morte.” (Leo Pessini, p.319)  Morte lenta, com sofrimento  Atrasar o máximo possível o momento da morte com procedimentos não curativos, que infringe mais danos ao paciente gravemente enfermo
  34. 34. Futilidade médica  Não tem objetivo imediato, é inútil ou ineficaz, não oferece QV mínima e não permite possibilidade de sobrevivência  Ações fúteis:  Traz dano?  Qual o benefício?  Eficiência – muda a história da doença?
  35. 35. Obstinação terapêutica  Em espanhol, encarnizamiento terapéutico: toda atividade médica excessiva em relação com o estado, patologia ou estado lesional de um paciente. Presume uma intenção maleficente.
  36. 36.  Vídeo: Amar la vida – 1h25’50” – 1h29’20”
  37. 37. ORTOTANÁSIA  Morte na hora certa  Morte correta, no tempo adequado, no seu curso natural, sem prolongamento artificial  Morte digna e humana “O dever do médico consiste mais em esforçar-se por eliminar a dor que em prolongar, o máximo possível, e com todos os meios disponíveis, uma vida que não é mais completamente humana” (Papa João Paulo II)
  38. 38. Comunicação “As palavras, o olhar, os gestos e o silêncio podem ser mais cortantes que o mais afiado bisturi, ou mais analgésico que o mais potente entorpecente” André M. Perdicaris
  39. 39.  Vídeo: Amar la Vida – início – 6’33”
  40. 40. Comunicar más notícias DILEMA EM MEDICINA: Dizer ou não dizer??? 1. Não mentir = São Tomás de Aquino e Sto. Agostinho – A boa intenção diminui a culpabilidade, mas não suprime o erro 2. Mentira piedosa = São João Crisóstomo – A mentira na boca de um médico pode ser um remédio Omitir – proteger quem???
  41. 41. Antes de administrar, observar: 1.Dose 2.Via 3.Horário
  42. 42. COMO FALAR DA MORTE A QUEM ESTÁ MORRENDO  Tempos anteriores na medicina: paternalismo  Protecionismo: medo de suicídio – risco baixíssimo  Famílias latinoamericanas: esconder o diagnóstico e prognóstico ruim do paciente  Fernández Díaz: N = 720 entrevistados 39,1% não dizer ao familiar o diagnóstico 73% quando com familiares de pacientes com CA  Austrália: N = 462 entrevistados 3,8% não diriam ao familiar
  43. 43. Conspiração do Silêncio
  44. 44. Conspiração do silêncio “Aquele que mente uma vez, Geralmente deve habituar-se à mentira, Porque necessita SETE mentiras Para ocultar UMA só!” F. Rückert  Paciente e familiares sabem e fingem não saber: protecionismo mútuo??? E cada um sabe que o outro sabe  Culpa  Profissional de saúde: honestidade, autonomia, princípios bioéticos
  45. 45. Consequências  Angústia, medo, ansiedade não podem ser compartilhados  Despedidas não são realizadas em plenitude  Pedidos de ordem prática não são feitos  O paciente sente-se só
  46. 46. Às vezes, não somos nós quem falamos sobre...são eles quem falam MEDO . Sofrimento físico: fala do medo. Após intervenção da psicologia: mãe e filha prontas a falar e ouvir sobre a morte/dor/perda . Posicionamento da equipe: fala da médica . Posicionamento materno: sem prolongar desnecessariamente
  47. 47. Aspectos legais no Brasil Código Civil Brasileiro (2002)  O tratamentos médicos estão sujeitos ao consentimentos livre e esclarecido. Art. 15 – “ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica.”  Código de Ética Médica – 2010 É vedado ao médico: Art. 31 – “desrespeitar o direito do paciente ou de seu representante legal de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente risco de morte.”
  48. 48.  Lei Mario Covas – Estado de São Paulo (Lei n. 10.241/99) - Lei dos Direitos dos Usuários dos Serviços de Saúde de São Paulo. São direitos dos usuários dos serviços de saúde no Estado de São Paulo “XXIII – recusar tratamentos dolorosos ou extraordinários para tentar prolongar a vida.”
  49. 49.  Existem situações em que o paciente se torna inconsciente e/ou incapaz de decisões em certos momentos de sua vida. Este contexto justiça a utilização dos chamados testamentos vitais e das diretivas antecipadas.  O Consentimento livre e esclarecido é, fundamentalmente, uma expressão da autonomia da pessoa.  Os testamentos vitais e as diretivas antecipadas são a expressão de uma autonomia ampliada, denominada autonomia prospectiva.
  50. 50. Paciente terminal  MORTE ENCEFÁLICA é a parada definitiva e irreversível do encéfalo (cérebro e tronco cerebral), provocando em pouco tempo a falência de todo organismo. É a morte propriamente dita. Não podemos confundir a MORTE ENCEFÁLICA com COMA, sendo este um processo reversível e a morte encefálica não. Do ponto de vista médico e legal o paciente em coma está vivo. No diagnóstico da morte encefálica primeiro são feitos testes neurológicos clínicos, os quais são repetidos 6 (seis) horas após. Depois dessas avaliações, é realizado um exame complementar (um eletroencefalograma ou uma angiografia).
  51. 51. Morte encefálica  É estabelecida pela perda definitiva e irreversível das funções do encéfalo por uma causa conhecida, comprovada e capaz de provocar o quadro clínico.  A determinação da ME deverá ser realizada de forma padronizada, com uma especificidade de 100% (nenhum falso diagnóstico de ME). Qualquer dúvida na determinação de ME, impossibilita o seu diagnóstico.
  52. 52. Do lado direito podemos perceber o fluxo sanguíneo cerebral e do lado esquerdo a ausência desse fluxo sanguíneo cerebral (constatação da morte encefálica).
  53. 53. Sedação paliativa  SEDAR: apaziguar, diminuir, sossegar, entorpecer, acomodar, aqui etar  SEDANTE: diminui sensação de dor  Sedação em CP: reversível. Não encurta o tempo de vida
  54. 54. Sedação paliativa Vantagens  Controle de sintoma  Reversibilidade do processo Desvantagens  Dificuldade em definir sintomas refratários  Necessidade de consentimento informado
  55. 55. “Cada vida é diferente de qualquer outra que tenha se passado antes dela. Também qualquer morte é diferente. A unicidade de cada um de nós se estende até mesmo ao modo como morremos...”

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