A importância da arborização nos centros urbanos

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Artigo de Gestão Ambiental com Ênfase em Ecologia escrito para obtenção de nota parcial na disciplina, no ano de 2013.
Curitiba/Paraná
Trata da importância da arborização nos centros urbanos como regulador térmico e elemento paisagístico. Aponta os pontos positivos e alguns aspectos negativos do mal planejamento da área arborizada como, por exemplo, a destruição das calçadas.

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A importância da arborização nos centros urbanos

  1. 1. A IMPORTÂNCIA DA ARBORIZAÇÃO NOS CENTROS URBANOS HOZANI THAIS BUZELATTO GUIMARÃES* PROFESSOR ORIENTADOR: JORGE AUGUSTO CALLADO AFONSO Resumo: Os locais arborizados contribuem para o equilíbrio físico-ambiental das cidades. GROSTEIN (2001) decorre que os problemas ambientais urbanos estão relacionados a falta de planejamento das cidade e às diferentes opções políticas e econômicas que optam por irracionalidades no uso e ocupação do solo como a transformação dos fundos de vale em avenidas, áreas protegidas em loteamentos e a pavimentação exagerada do solo que causam diversos problemas como as enchentes e as ilhas de calor. Segundo KAPLAN (1995) e MCPHERSON et al. (1997) as árvores em ambiente urbano exercem função ecológica, como a redução da poluição do ar, interceptação da água de chuva, sombreamento e estabilização da temperatura, redução do ruído e promoção de melhorias no bem-estar psicológico e físico. PALAVRAS-CHAVES: Arborização urbana; áreas verdes; aquecimento global; centros urbanos; qualidade de vida. Abstract: The wooded sites contribute to the physical and environmental cities. Grostein (2001) follows that urban environmental problems are related to lack of planning of the city and the different policy options and economic irrationalities opt for the use and occupation of land as the transformation of the avenues in valley bottoms, protected areas and allotments paving exaggerated soil that cause various problems such as floods and heat islands. According to Kaplan (1995) and MCPHERSON et al. (1997) the trees in the urban environment exert ecological function, such as reduced air pollution, stormwater interception, shading and temperature stabilization, noise reduction and promoting improvements in psychological well-being and physical. KEYWORDS: Street arborization; green areas; global warming; urban centers; quality of life. Nos últimos anos a concentração de pessoas nos centros urbanos tem aumentado significativamente. Esse crescimento é feito de forma acelerada e desordenada, impactando de maneira negativa o ambiente pela substituição do ecossistema natural por edificações e pavimentações propiciando a formação de problemas que afetam a qualidade de vida da população. O aumento da cobertura florestal modifica os fluxos de energia e de água, e causa mudanças na temperatura do ar, no regime de ventos e na concentração de poluentes do ar. Quando se mantém a temperatura mais baixa, há maior possibilidade da umidade relativa do ar permanecer em níveis adequados para a saúde. De acordo com HEISLER (1974), nas superfícies pavimentadas descobertas, não há proteção da luz solar incidente. O calor absorvido pelo pavimento é armazenado no chão e aquece o ar emitindo grande quantidade de radiação de onda longa. À noite, a radiação armazenada nos prédios e no pavimento continua a ser emitida na forma de radiação de ondas longas e contribui para tornar as cidades mais aquecidas do que áreas rurais no entorno (SERPA et al., 2009). A menor troca de ar causada pela restrição dos ventos contribui para manter o calor. Aluna Graduanda do Curso de Licenciatura Plena em Biologia da FACULDADES INTEGRADAS “ESPÍRITA” – UNIBEM Rua Tobias de Macedo Júnior 333, Bairro Santo Inácio. Curitiba - PR - CEP 82010-340
  2. 2. NOWAK, (1994) afirma que a poluição do ar afeta a saúde dos moradores dos centros urbanos e aflige mais gravemente crianças, idosos e enfermos, podendo causar tosse, dor de cabeça, irritação nos olhos, na garganta e nos pulmões, e em alguns casos, câncer. Áreas sem arborização são superaquecidas durante o dia e geram térmicas intensas, que lançam as impurezas para o alto. Segundo DANIELS et al. (1995) e PRIMAVESI et al. (2007) essas impurezas caem sobre as áreas verdes com térmicas mais fracas e por isso atuam como vácuo. De acordo com HEISLER (1974) e MCPHERSON et al. (1997) as árvores aumentam a área de sombreamento, o que, aliado à evapotranspiração, reduz a quantidade de calor na atmosfera portanto, a alocação estratégica de árvores pode contribuir também para reduzir os gastos de energia com resfriamento ou com aquecimento e com umidificação do ar(SERPA et al., 2009). COOK e HAVERBEKE (1977) afirmam que o problema dos ruídos urbanos pode ser minimizado com a utilização de árvores e arbustos. Associações de plantas podem ser usadas para permitir a formação de uma barreira desde o solo. As árvores e os arbustos devem ser plantados densamente, em faixas largas (SERPA et al., 2009). Chuvas intensas representam um desafio para a drenagem urbana. Na tentativa de conter os alagamentos e enchentes, são constantemente investidos recursos em obras paliativas. A impermeabilização do solo causa grandes impactos sobre a capacidade de recarga do lençol freático e sobre as enchentes e enxurradas que atingem as cidades. As áreas verdes aumentam a capacidade de absorção de água pelo solo (CUFR, 2002). Segundo PINTO (2007) os parques lineares são uma tentativa de recuperar fundos de vale e cursos d’água, permitindo a drenagem natural e melhorando a permeabilidade do solo, minimizando as enchentes, além de proteger os cursos d’água ainda não canalizados. O principal problema da má qualidade da arborização urbana (Figs. 01 e 02) é devido tanto à escolha inadequada das espécies vegetais como do espaço físico para as mesmas, ocasionando vários problemas. Fig. 01: Galhos de árvores ameaçando a fiação. Fonte: Redação Ambiente Brasil Fig. 02: Calçada danificada pelo crescimento das raízes. Fonte: Redação Ambiente Brasil Não se pode julgar a arborização de uma cidade apenas pelo número de árvores que ela possui, pois a qualidade de uma arborização é o fator fundamental para avaliar a eficiência do manejo aplicado à arborização. A escolha da espécie e do local também se fazem necessários. Muitas vezes a pratica da poda se faz indispensável na manutenção de árvores urbanas pelo mau planejamento na hora do plantio. A poda dos ramos que interferem nas linhas dos serviços de utilidade pública deve ser realizada por equipes treinadas da companhia responsável. Algumas árvores plantadas erroneamente necessitam de poda para evitar danos. Faz-se necessário, também, a remoção de árvores que estejam interferindo (física ou visualmente) na passagem de
  3. 3. pessoas ou de veículos. Portanto deve-se observar e planejar o plantio de acordo com a disponibilidade das áreas, além de levar em conta as vias para os pedestres e os padrões variados de pavimentação (BONAMETTI, 2008). Conclusão: Segundo KAPLAN (1995), ruas arborizadas favorecem o maior bem-estar da população, minimizam o estresse, provocam sentimentos positivos duradouros e estimulam a manutenção de hábitos que promovem essa interação. A presença da vegetação dentro dos centros urbanos quebra a artificialidade do meio, além de ser fundamental à qualidade do ambiente, reduzindo a poluição e melhorando a qualidade do ar, reduzindo a poluição sonora, estabilizando as áreas de calor excessivo além protegendo o solo e garantir a permeabilidade (Quadro 01). Devido à grande devastação que vem ocorrendo nos ecossistemas brasileiros, o plantio de espécies nativas do Brasil pode se tornar uma medida de conservação e valorização. Uma cidade que investe em áreas verdes além de contribuir para a qualidade de vida de seus habitantes, também contribui para o equilíbrio do planeta e aumenta seu potencial turístico. Organograma dos Principais Benefícios das Áreas Verdes Urbanas Fatores Urbanos Principais Formas de Degradação Principais Benefícios das Áreas Verdes Urbanas Físico Clima/ar. Alterações micro climáticas: Deterioração da qualidade do ar; Poluição Sonora. Conforto micro climático; Controle da poluição atmosférica; Controle da poluição sonora. Água. Alterações da quantidade de água. Deterioração da qualidade hídrica. Regularização hídrica Controle da poluição edáfica Solo/subsolo. Alterações físicas do solo. Alterações químicas e biológicas do solo. Estabilidade do solo; Controle da poluição edáfica. Biológicos Flora. Redução da cobertura vegetal. Redução da biodiversidade. Controle da redução da biodiversidade. Fauna. Proliferação de vetores. Destruição de habitats naturais. Controle de vetores. Territorial Uso/ocupação do solo. Desconforto ambiental das edificações; Poluição visual. Alterações micro climáticas. Conforto ambienta nas edificações; Controle da poluição visual. Infra-estrutura/serviços. Dificuldade no deslocamento; Aumento da necessidade de saneamento; Redução da sociabilidade. Desperdício de energia. Racionalização do transporte; Saneamento ambiental; Conservação de energia. Sociais Demografia; Equipamentos e serviço social. Concentração populacional. Crescimento das necessidades sociais. Conscientização ambiental; Atendimento das necessidades sociais. Econômicos Setores produtivos; Renda/Ocupação. Valor e desvalorização da atividade/propriedade; Concentração de pobreza e desemprego. Valorização das atividades e propriedades; Amenizações dos bolsões da pobreza. Instituição Setor Público; Instrumentos Normativos. Redução da capacidade de gestão urbana; Instrumental insuficiente. Apoio à capacidade de gestão urbana; Instrumento de regulamentação específica. Quadro 01: Organograma dos Principais Benefícios das Áreas Verdes Urbanas. Fonte: Redação Ambiente Brasil Referências: AMBIENTE BRASIL. Disponível em: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/urba no/arborizacao_urbana/a_paisagem_urbana .html acessado em: 14/04/2013 BONAMETTI, JH. ARBORIZAÇÃO URBANA. TERRA E CULTURA, ANO XIX, Nº 36, 2008 COOK, DI.; HAVERBEKE, DF. van. SUBURBAN NOISE CONTROL WITH PLANT MATERIALS AND SOLID BARRIERS. In: CONFERENCE ON
  4. 4. METROPOLITAN PHYSICAL ENVIRONMENT, 1975, Syracuse, New York. Use of vegetation, space and structures to improve amenities for people: proceedings... Upper Darby, PA: USDA, 1977. p. 234- 241. (USDA Forest Service. General Technical Report, 25). CUFR – CENTER FOR URBAN FOREST RESEARCH. FACT SHEET 4: CONTROL STORMWATER RUNOFF WITH TREES. [2002]. Disponível em: <http://www.fs.fed.us/psw/programs/cufr/pro ducts> Acesso em: 10/04/2013. DANIELS, P.; FALLOW, A.; KINNEY, K. (Ed.). TEMPO E CLIMA. Rio de Janeiro: Abril Livros, Time Life, 1995. 150 p. (Coleção Ciência e Natureza). GROSTEIN, MD. METRÓPOLE E EXPANSÃO URBANA: A PERSISTÊNCIA DE PROCESSOS “INSUSTENTÁVEIS”. SÃO PAULO EM PERSPECTIVA, 15(1) 2001 HEISLER, GM. TREES AND HUMAN COMFORT IN URBAN AREAS. Journal of Forestry, v. 72, n. 8, p. 466- 469, 1974. KAPLAN, S. THE RESTORATIVE BENEFITS OF NATURE: TOWARD AN INTEGRATIVE FRAMEWORK. Journal of Environmental Psychology, v. 15, p. 169- 182, 1995. MARQUES, LEMM. O PAPEL DA MADEIRA NA SUSTENTABILIDADE DA CONSTRUÇÃO. Tese de mestrado integrado. Engenharia Civil (especialização em Construções Civis). Faculdade de Engenharia. Universidade do Porto. 2008 disponível em: http://hdl.handle.net/10216/58999 acesso em: 16/04/2013. MCPHERSON, G et al. Quantifying urban forest structure, function, and value: the Chicago Urban Forest Climate Project. Urban Ecosystems, v. 1, p. 49-61, 1997. NOWAK, DJ. AIR POLLUTION REMOVAL BY CHICAGO’S URBAN FOREST. In: MCPHERSON, EG.; NOWAK, DJ.; ROWNTREE, RA. (Ed.). CHICAGO’S URBAN FOREST ECOSYSTEM: RESULTS OF THE CHICAGO URBAN FOREST CLIMATE PROJECT. Radnor, PA: U.S. Department of Agriculture, Forest Service, Northeastern Forest Experiment Station, 1994. p. 63-81. (General Technical Report.NE-186). PINTO, M. PARQUES LINEARES EM SP PRETENDEM COMBATER ILHAS DE CALOR CAUSADAS PELA ‘SELVA DE PEDRA’. Ag Solve, 15 out. 2007. Disponível em: <http://www.agsolve.com.br/ noticia.php?cod=296>. Acesso em: 15/04/2013. PRIMAVESI, O.; ARZABE, C.; PEDREIRA, M. S. AQUECIMENTO GLOBAL E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: UMA VISÃO INTEGRADA TROPICAL. São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste, 2007. 213 p. SERPA, DS.; MORAIS, NA.; MOURA, TM. ARBORIZAÇÃO URBANA EM TRÊS MUNICÍPIOS DO SUL DO ESTADO DE GOIÁS: MORRINHOS, GOIATUBA E CALDAS NOVAS. REVSBAU, Piracicaba – SP, v.4, n.3, p.98-112, 2009 TARNOWSKI, LC. PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE E A ARBORIZAÇÃO URBANA. In: NEMA, 3º ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE O MEIO AMBIENTE. Anais. Londrina: Universidade Estadual de Londrina – UEL, 1991.

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