Morfemas cap.3

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Morfemas cap.3

  1. 1. Ensino Médio • Uno Modular • Gramática • Módulo 3 487 MÓDULO DE LÍNGUA PORTUGUESA GRAMÁTICA Autoras: MariaLuiza M. Abaurre e Marcela Nogueira MÓDULO 3 Pontara Morfologia: A construção das palavras Quando nos envolvemos com o aprendizado das línguas naturais, normalmente voltamos nossa atenção para o seu vasto conjunto de palavras, apostando, ingenuamente, TÓPICO 1 que, quanto maior for o número de palavras que conhe- cermos, maior será nosso domínio dessa língua. Logo des- Elementos mórficos, 2 cobrimos não ser bem essa a realidade, uma vez que a aquisição de uma língua envolve, além da familiaridade TÓPICO 2 com o significado das suas muitas palavras, a compreen- são das suas estruturas. E as estruturas lingüísticas come- Formação de çam a atuar na própria formação das palavras. O estudo palavras (I): radicais da morfologia nos ensinará como são formadas as pala- gregos e latinos, 10 vras dentro dos quadros de uma dada língua natural. MUSEU NACIONAL DE ARTE MODERNA, CENTRO POMPIDOU, PARIS ▲ Obra “Juízo Final”, 1912, de Wassily Kandinsky, pintura à água e tinta-da-china em vidro, 33,6 x 45,3 cm. Museu Nacional de Arte Moderna, Centro George Pompidou, Paris (Livro Kandinsky, quadro 52). Sistema de Ensino
  2. 2. Ensino Médio • Uno Modular • Gramática • Módulo 3 Ensino Médio • Uno Modular • Gramática • Módulo 3 488 489 Morfologia T Ó P I C O 1. A construção 1 — Eles me deram isso — continuou Humpty Dumpty I Gordo, gordinho, gordura, gorducho, gordão, engordar. das palavras e seus sentidos, 2 pensativamente, enquanto cruzava um joelho sobre o Falo, falamos, falam, falei, falaram, falaria, 2. O que é uma outro e colocava em torno deles as mãos entrelaçadas — falasse, falásseis, falar. Gramática? 2 como presente de desaniversário. 3. A estrutura interna das palavras, 3 Elementos mórficos — O quê, me desculpe? — indagou Alice, perplexa. — Não estou ofendido — disse Humpty Dumpty. — Quer dizer, o que é um presente de desaniversário? II Desenrolar, desmontar, desrespeitar, desfa- zer, desmentir. 4. Os mofermas, 3 — Um presente dado quando não é nosso aniversário, Atualmente, felizmente, docemente, barba- é claro. ramente, estupidamente. Alice refletiu um pouco. — Acho que gosto mais de presentes de aniversário — concluiu finalmente. No conjunto I há partes idênticas, comuns às pa- CARROLL, L. Através do espelho e o que Alice encontrou lá. 1. A CONSTRUÇÃO DAS PALAVRAS elucidar, interpretar e comentar criticamente os lavras de cada grupo: gord– e fal–. Estes são os radi- In: Aventuras de Alice. 3. ed. Trad. Sebastião Uchoa Leite. textos clássicos. São Paulo: Summus, 1980. cais dessas palavras. A estes radicais acrescenta-se, E SEUS SENTIDOS Em um certo sentido, pode-se dizer que a cha- em cada caso, um morfema diferente, responsável mada gramática normativa, conforme ainda é con- pelas diferenças de significação entre as palavras. cebida e ensinada nos dias de hoje, continua a man- 3. A ESTRUTURA INTERNA PLURALIDADE CULTURAL Já no conjunto II, os mesmos morfemas, o prefixo ter os mesmos objetivos que a acompanham des- DAS PALAVRAS des– e o sufixo –mente, foram acrescentados a radicais Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. A disciplina gramatical é uma criação da era helenística de o seu surgimento entre os pensadores gregos diferentes, determinando, em cada caso, um sentido Vamos conhecer, agora, como são formadas as (…). A época helenística (…) cuida não da criação, mas da cultura helenística. Volta-se essencialmente diferente para as palavras. Os exemplos mostram que da preservação. A cultura é, acima de tudo, a memória palavras na Língua Portuguesa. Começaremos pela para o estudo das chamadas classes de palavras e muitas vezes as palavras são divisíveis em elementos do passado, e se baseia, assim, em ensino e aprendi- definição de “palavra”: suas regras de combinação na modalidade escrita mórficos menores, os morfemas, que são unidades zagem. E o estudo de poetas e oradores de expressão bela e correta é atividade do filólogo [o que ama a pa- culta da língua. Como na época em que surgiu, a mínimas de significação lexical ou gramatical. lavra]. (…) gramática continua, hoje, preocupada com o esta- Existem também palavras constituídas de um úni- Palavra é uma unidade lingüística de som e significado Era para facilitar a leitura dos primeiros poetas gregos belecimento das regras do “bem escrever”, embo- co morfema. Essas palavras não podem, portanto, ser que entra na composição dos enunciados da língua. que os gramáticos publicavam comentários e tratados ra, justiça lhe seja feita, tenha também passado, divididas em elementos mórficos menores. Alguns de gramática [do grego téchne grammatiké, “a arte de exemplos são: “feliz”, “mar”, “que”, “sempre”, “papel”. ler e escrever”, a partir de grámma, “letra”], que cum- com o tempo, a interessar-se pelo estabelecimen- priam duas tarefas: estabelecer e explicar a língua des- to de regras do “bem falar”. As palavras podem ser, na maioria das vezes, Na seção seguinte, vamos estudar os diferentes ses autores (pesquisa) e proteger da corrupção essa lín- decompostas em elementos menores, os morfe- tipos de morfemas que entram na formação das gua “pura” e “correta” (docência), já que a língua quo- mas. Observe, por exemplo, os dois conjuntos, I palavras da Língua Portuguesa. tidianamente falada nos centros do helenismo era consi- e II, abaixo: derada corrompida. E, servindo à interpretação e à criti- 2. O QUE É UMA GRAMÁTICA? ca, realiza-se o estudo metódico dos elementos da lín- 4. OS MORFEMAS gua e compõe-se o que tradicionalmente seria qualifica- Entende-se por Gramática de uma língua o es- do propriamente como gramática. tudo das palavras, de suas classes e de suas fle- Figura 1 Embora muitas palavras sejam indivisíveis (flor, NEVES, M. H. M. xões (Morfologia); de suas funções e relações nas giz, dois, mal, em), outras podem ser analisadas em A Vertente Grega da Gramática Tradicional. sentenças da língua (Sintaxe); de seu significado elementos menores, portadores de sentido próprio São Paulo: Hucitec/Ed. UnB/Fapesp, 1987. literal, de sua organização em um léxico e das re- (menin + o, menin + a + s, est + a + s, fal + a + mos, in lações de sentido que entre elas aí se estabale- + cert + a, fam + os + a, constitucion + al). Essas unida- O texto localiza na Grécia Antiga o surgimento, cem, bem como o significado das sentenças (Se- des elementares de significação que entram na cons- na cultura ocidental, da preocupação explícita mântica). Os estudos gramaticais incluem tam- tituição das palavras da língua são os morfemas. com os estudos da língua escrita. Na verdade, é o bém a identificação dos fonemas da língua, suas Existem, na língua, palavras constituídas apenas de contexto cultural da época helenística, também possibilidades de combinação em sílabas e a re- um morfema (flor) e palavras constituídas de mais mencionado no texto, que explica por que a gra- lação que eles mantêm com os grafemas na escri- de um morfema (des + esperad + a + mente). mática, além de restringir-se à escrita, limitava tra alfabética (Fonologia). suas preocupações apenas à língua grega literá- A Fonologia, a Morfologia, a Síntaxe e a Semân- 2005 PAWS, INC. ALL RIGHTS RESERVED / DIST. BY ATLANTIC SYNDICATION Morfema (do grego morphe, “forma”) é a menor ria de autores antigos. Não interessavam aos filó- tica constituem os chamados níveis de descrição unidade lingüística que possui significado próprio. sofos que discutiam a gramática nem as modali- lingüística. dades orais da língua grega, nem suas variedades Quando a uma gramática interessa apenas a des- coloquiais. Também não havia o menor interesse crição das formas da língua nos níveis fonológico, Há diferentes tipos de morfemas. Observemos, por por outras línguas que não o grego (lembre-se de morfológico, sintático e semântico, temos uma gra- exemplo, os morfemas que constituem a palavra feliz que os povos “bárbaros”, para os gregos, eram mática descritiva. Quando a descrição se faz com + e + s. O primeiro deles, o radical feliz, é considerado justamente aqueles que não falavam a língua gre- o objetivo de determinar as formas “corretas” e ex- uma forma livre, pois também pode ocorrer isola- ga…), uma vez que o objetivo maior dos estudos cluir as consideradas “erradas”, temos uma gramá- damente, sem os demais morfemas. Esse radical ser- gramaticais era o de fornecer elementos para que tica normativa, isto é, aquela que prescreve as nor- ve de base para a formação de outras palavras da lín- os filólogos (os “amantes da palavra”) pudessem mas do bem falar e escrever. DAVIS, Jim. Garfield. Correio Popular, 27/11/1997. gua, como felic + idade, felic + ita + r, feliz + mente. Sistema de Ensino Sistema de Ensino
  3. 3. Ensino Médio • Uno Modular • Gramática • Módulo 3 Ensino Médio • Uno Modular • Gramática • Módulo 3 490 491 Já os demais elementos mórficos, a vogal de liga- Essas flexões podem ser de gênero e de número Vogais temáticas verbais: são as vogais [–a], [–e] ção [e] e o morfema de plural [s], aparecem na cons- nos nomes (substantivos, adjetivos e pronomes), e [–i] que, acrescidas aos radicais verbais, formam Mudança ou especificação do sentido básico: tituição de várias outras palavras da língua (audaz onde vêm indicadas pelas desinências nominais, e as classes verbais a que denominamos conjugações: papel, papelada; folha, folhagem; pedra, pe- + e + s, capaz + e + s) e nunca ocorrem isoladamente, de modo-tempo e número-pessoa nos verbos, onde draria; rocha, rochedo; laranja, laranjal; ferro, razão pela qual são considerados formas presas. vêm indicadas pelas desinências verbais. Exemplos vogal temática –a (primeira conjugação): ferrugem. Os morfemas, com relação ao tipo de significa- (sublinhados): am-a-r, am-a-va, am-a-rão, am-á-ssemos; ção que traduzem, são classificados em lexicais e vogal temática –e (segunda conjugação): gramaticais. Diz-se que os morfemas lexicais (tam- Desinências nominais: menina, meninas, can- beb-e-r, beb-e-rá, beb-e-ssem, beb-ê-ramos; Mudança de classe gramatical: lembrar (ver- bém denominados semantemas ou lexemas) têm sada, cansadas, esta, estas. vogal temática –i (terceira conjugação): fug-i-r, bo), lembrança (substantivo); trair (verbo), uma significação “externa”, porque possuem refe- Desinências verbais: namorar, namoramos, fug-i-rmos, fug-i-rem, fug-i-remos. traição (substantivo); úmido (adjetivo), umi- rentes extralingüísticos, ou seja, fazem referência a namorávamos, namorassem, namoraríamos dade (substantivo); livre (adjetivo), livremente entidades ou conceitos da realidade objetiva ou sub- O estudo das desinências nominais e verbais faz (advérbio). jetiva (Ricardo, dor, luz). parte da chamada morfologia flexional. Vogal temática Os morfemas gramaticais, por outro lado, têm uma significação “interna” ao sistema lingüístico. Afixos Vogais e consoantes de ligação Dentre estes últimos incluem-se, por exemplo, os É um moferma vocálico que se acrescenta a deter- morfemas que marcam as categorias gramaticais de minados radicais antes das desinências. São elementos mórficos que fazem a mediação gênero [a] e de número [s], na Língua Portuguesa, São morfemas que, acrescentados a um radical, entre determinados radicais e determinados sufi- e outros morfemas, como os artigos, as preposições, alteram sua significação básica. São utilizados pela xos. São desprovidos de significação gramatical pró- Ao radical acrescido de uma vogal temática dá- língua nos processos de derivação lexical, motivo pelo Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. as conjunções, e demais elementos funcionais, mar- pria, e sua função é simplesmente a de efetuar a se o nome de tema. Os temas podem ser nominais qual seu estudo faz parte da chamada morfologia ligação entre outros morfemas. cadores de relações específicas que se estabelecem derivacional. Subdividem-se em prefixos e sufixos, ou verbais. entre os constituintes das orações. segundo a posição que ocupam com relação ao Há nomes que não apresentam a vogal temática radical da palavra. Vogal de ligação: bárbaro, barbaridade (a vo- (oxítonas terminadas em vogais e consoantes: sofá, Morfemas que entram na constituição gal de ligação, i, que ocorre entre o radical e o café, cipó, saci, caju, amor, papel, feliz). das palavras sufixo –dade, otimiza a seqüência silábica na Vogais temáticas nominais: são as vogais átonas Prefixos juntura do radical e do sufixo, pela criação da Radical finais –a, –o e –e que ocorrem em palavras paro- Os prefixos são morfemas que se acrescentam sílaba ri. xítonas ou proparoxítonas. Essas vogais temáticas formam as classes nominais das palavras de tema antes do radical, modificando seu sentido básico. em –a (bal-a), –o (camp-o) e –e (serpent-e). Veja: É o morfema que corresponde ao sentido básico da Outros exemplos: gasômetro; auriverde. palavra. vogal temática –a: poet+a; artist+a; mes+a; Impossível, desarticular, contradizer, expor, escol+a; bol+a; patet+a; opor, semicírculo. Consoante de ligação: café, cafeteira; tricô, Em alguns casos, pode ser depreendido por com- vogal temática –e: cort+e; sort+e; dot+e; pot+e; tricotar (consoante de ligação: t); chaleira (con- paração entre várias palavras de uma mesma famí- estudant+e; inteligent+e; soante de ligação: l); cajazeira (consoante de Sufixos lia (grupo de palavras que se organizam a partir de vogal temática –o: menin+o; caval+o; amig+o; ligação: z). um mesmo radical e que mantêm, por esse motivo, alun+o; bonit+o; magr+o. Os sufixos são morfemas que se acrescentam um vínculo semântico). depois do radical, modificando ou especificando o Veja que nos exemplos abaixo os radicais apare- seu sentido básico. Os sufixos podem também alte- As consoantes de ligação costumam ocorrer en- cem sublinhados: rar a classe gramatical a que os radicais pertencem tre um radical oxítono terminado em vogal e um As vogais temáticas nominais não indicam o gênero originalmente. sufixo iniciado por vogal. Pedra, pedrinha, pedreira, pedregulho, pedrada, gramatical, uma vez que podem ocorrer tanto em palavras de gênero masculino como de feminino: “o pedregoso. artista”, “o poema”, “a virago”, “a corte”. Estudar, estudamos, estudarei, estudante, estu- Figura 2 dio, estudioso. 2005 KING FEATURES SYNDICATE / INTERCONTINENTAL PRESS A desinência nominal indicadora de gênero femi- As palavras da língua que são formadas, como nos exem- nino, –a, é a que se acrescenta aos temas nominais plos acima, a partir de um mesmo radical, constituindo constituídos de radical mais vogal temática [–o]: “o as famílias de palavras, são chamadas de cognatas. menino” (radical: menin–; vogal temática: –o) – “a menina” (radical: menin–; desinência nominal de gênero feminino: –a). Nesses casos, para a forma- Desinências ção do feminino, desaparece a vogal temática –o do tema nominal, e a desinência de gênero acrescenta- São os morfemas que correspondem às flexões das se diretamente ao radical. palavras variáveis. Todos os verbos, no entanto, têm uma vogal temá- tica, que os classifica em conjugações. WALKER, Mort. Recruta Zero. O Estado de S. Paulo, 14/6/1999. Sistema de Ensino Sistema de Ensino
  4. 4. Ensino Médio • Uno Modular • Gramática • Módulo 3 Ensino Médio • Uno Modular • Gramática • Módulo 3 492 493 O poeta brasileiro Manoel de Barros já foi chamado de Com base na tirinha a seguir, responda às questões 8, 9 e 10. “alquimista do verbo” devido a seu trabalho minucioso e LAERTE Atividades sensível com as palavras. Leia, abaixo, um de seus poemas, e responda às questões de 4 a 7. 1 Em um texto intitulado “Uma nação de desmemoria- c) Qual é o sentido de cada uma das palavras formadas dos”, o jornalista Augusto Nunes escreveu o seguinte a partir desse radical? VII parágrafo: velho: tudo que não é novo, que tem muito tempo de vida ou de existência. No descomeço era o verbo. No Brasil, o que é histórico costuma desmanchar- velharia: tudo o que é visto como antiquado, superado, ultra- Só depois é que veio o delírio do verbo. passado, obsoleto. se nas chamas da indiferença, do desamor ao passado, O delírio do verbo estava no começo, lá onde a Observação importante: apesar da semelhança fonética, “velha- LAERTE. Classificados, livro 2. São Paulo: Devir, 2002. p. 13. do menosprezo pelo antigo. O casarão de Ouro Preto co” não é cognato de “velho”. O termo, segundo Houaiss, deriva criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos. consumido pelo fogo deveria ficar como está: os do espanhol bellaco, “homem de má vida”. A criança não sabe que o verbo escutar não funciona destroços ergueram um monumento à nação dos para cor, mas para som. 8 Explique, do ponto de vista morfológico, a construção desmemoriados. Num país velhaco, o velho e a da palavra “engavetamento”. Então se a criança muda a função de um verbo, ele velharia vivem a curtíssima distância: retoque-se a delira. A palavra “engavetamento” é formada por en- [prefixo de origem la- última vogal e se acrescente um trio de letras. Vale tina que, nesse caso, significa “colocar em”] + gaveta (radical) + mento E pois. [sufixo também de origem latina]. para gente, prédios, cidades. Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer NUNES, A. Jornal do Brasil, 20 abr. 2003. nascimentos – O verbo tem que pegar delírio. a) Considerando o que você aprendeu sobre as palavras cognatas, identifique, no texto, uma passagem em que BARROS, M. de. Uma didática da invenção. In: O livro das ignorãças. 9. ed. Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. o autor faz uso de termos formados a partir de um Rio de Janeiro: Record, 2000, p. 15. mesmo radical. O trecho em que aparecem os termos cognatos é: “Num país ve- lhaco, o velho e a velharia vivem a curtíssima distância”. 4 O primeiro verso do poema faz alusão a uma célebre 9 Procure identificar pelo menos duas definições para essa citação. Identifique-a. palavra, de preferência, as mais possivelmente relacio- Trata-se da citação bíblica “No princípio era o verbo”. nadas à situação descrita na tirinha. Engavetamento é o ato ou efeito de engavetar, pôr dentro da gaveta de um cômodo. Engavetamento também pode ser a colisão entre b) Qual é o radical a partir do qual foram formadas as meios de transporte, com produção de acidente que interrompe o d) Forme outras palavras a partir do mesmo radical. movimento dos veículos. palavras cognatas? Velhusco, velhinho, envelhecer, envelhecido, etc. O radical é velh–. 5 Qual é a palavra criada pelo poeta? Descomeço. Observe atentamente a tira abaixo para responder às questões 2 e 3. FOLHA IMAGEM 6 Explique por meio de quais mecanismos gramaticais essa 10 O tema dessa tirinha é, tecnicamente falando, o efeito construção se tornou possível. do sentido literal produzido pela palavra “engaveta- A palavra “descomeço”, empregada com valor de substantivo, é for- mento”. A partir dos elementos verbais e visuais apre- mada por des- (prefixo de origem latina) + começ (radical) + o (vogal sentados, procure explicitar o efeito de humor produzido temática). pela palavra “engavetamento”. O emprego de engavetamento tem um duplo sentido: trata-se do co- mentário, bastante óbvio, que explica por que os carros encontram- se parados, enfileirados. Há algo e/ou alguém que produziu um im- pedimento do fluxo dos veículos. Trata-se, também, da explicação literal do acidente, no qual um caminhão de mudança deixa escapar a gaveta de um móvel que transportava, a qual atinge um motoquei- 7 Indique pelo menos três outros substantivos da língua ro que passava ao lado. Pode-se dizer que o humor é produzido, GALHARDO, Caco. Os pescoçudos. Folha de S.Paulo, 16/5/2001. portuguesa que são construídos com o emprego do principalmente, pelo emprego do sufixo –mento na formação do subs- tantivo engavetamento que descreve, nesse caso, o ato de acertar prefixo des-. uma gaveta na cabeça de um motorista no trânsito. 2 Na tira acima, observa-se a utilização do sufixo –inho 3 Ao apresentar como “contra” o fato de tudo ser abso- O prefixo des-, de origem latina, pode ter valor de oposição, de nega- ção ou de falta, como em desconfiança, deslealdade, desabrigo, desa- para caracterizar o restaurante citado e tudo o mais que lutamente “super inho” no restaurante citado, o car- mor, desafeto, desabafo, desacato, desproporção, desabono, desco- se refere a ele. É comum atribuir ao diminutivo um valor tunista se vale do afixo de diminutivo, além do prefixo brimento etc. afetivo. É esse o sentido que podemos identificar na tira? super, para expor sua opinião. Qual é ela? Justifique sua resposta. O cartunista ironiza, por meio da linguagem, as pessoas que demons- Não. Na verdade, a utilização do diminutivo, associada ao prefixo tram, pelo seu comportamento e por sua maneira de falar, uma afe- super, indica afetação e não afetividade. tação exagerada. Sistema de Ensino Sistema de Ensino

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