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Petrarca

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Petrarca - Unificação Linguistica da Italia

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Petrarca

  1. 1. Francisco Petrarca 1304 - 1374
  2. 2. Não tenho paz, e não me fazem guerra; Soneto de Petrarca, traduzido por Sérgio Alcides Ou me condenas e solta-me o baraço. Sem olhos vejo, e grito sem a língua; Choro de rir, sou rico e sofro à mingua; Espero e temo, sou um gelo e asso; Aos ares vôo, tendo os pés na terra; Braços vazios, todo o mundo abraço. Aberta está a cela que me encerra, E nem me prende e nem se afrouxa o laço; Amor me absolve e não me desaferra, Almejo a morte, e clamo por socorro; Eu, que amo tanto, sou por mim odiado. E tanto faz, por mim, se vivo ou morro; Por ti, Senhora, é que ando neste estado. Laura de Novaes
  3. 3. 1016 Auge do Império Bizantino 1099 Auge do sistema feudal na Europa 1138 Princípios da arquitetura gótica 1166 Astecas entram no México 1167 Fundação da Universidade de Oxford, na Inglaterra Fundação da Universidade de Paris 1088 Fundação da Universidade de Bolonha 1193 Budismo Zen no Japão 1200 Civilização inca se desenvolve, baseada na cidade de Cuzco 1209 Fundação da Universidade de Cambridge 1213 Genghis Khan dá início ao Império Mongol 1215 Religião muçulmana chega ao sudeste asiático e a África 1236 Reino de Castela conquista Córdoba 1261 Bizâncio reconquista Constantinopla 1271 Marco Polo dá início à viagem a China 1300 Surgimento de novo Império Maia em Yucatán (povos) 1304 Nasce Petrarca 1309 Dante começa a escrever A Divina Comédia 1337 Começa a Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra 1347 Peste Negra chega à Europa 1353 Turcos otomanos invadem a Europa 1368 Fundação da dinastia Ming na China 1374 Passamento de Petrarca 1400 Balé começa nas cortes renascentistas italianas 1401 1405 Mongol Tamerlane conclui a conquista da Pérsia, Síria e Egito 1410 Início da pintura a óleo 1413 Início das viagens marítimas portuguesas 1431 Joana d'Arc é queimada na França 1431 1440 Começa a ser escrito As Mil e Uma Noites, em árabe Turcos otomanos conquistam Constantinopla, marcando o fim da Idade Média 1453 Termina a Guerra dos Cem Anos França/Inglaterra começa, na Inglaterra, a Guerra das Rosas 1455 Impressão da Bíblia de Gutenberg 1469 Fernando de Aragão e Isabel de Castela se casam, começando o processo de unificação da Espanha 1478 Começa a Inquisição espanhola Árabes e judeus expulsos da Espanha 1492 Cristóvão Colombo chega à América 1494 Portugal e Espanha assinam o Tratado de Tordesilhas 1498 Vasco da Gama atravessa o Cabo da Boa Esperança, na atual África do Sul 1500 População mundial: 400 milhões
  4. 4. Francisco Petrarca nasceu em Arezzo (Toscana) em 1304, filho de um Tabelião de Notas e advogado chamado Pietro Petracco e Eletta Canigiani. Seu pai foi expulso de Florença pelos Guelfos Pretos ao assumirem o poder, no mesmo ano que Dante Alighieri, em 1302 e deslocou-se para Arezzo onde Petrarca nasceu e passou a infância. Quando Petrarca tinha oito anos de idade, seu pai transferiu-se juntamente com a família para França, onde passou a juventude em uma situação social que ele classificou como “acima da pobreza”. Nesta época a Cúria Romana estava em Avignon e a cidade oferecia maiores oportunidades para o trabalho de um advogado. A família fixou-se em Carpentras, no Condado de Venaissin, perto de Avignon, hoje, Vaucluse ( composto por Carpentras, Vaison, Cavallion e Avignon).
  5. 5. Em 1319 morre a mãe e Petrarca escreve uma “elegia”, que também são seus primeiros versos em latim, para exaltar as virtudes da mãe.
  6. 6. Avignon, centro clerical durante o exercício de nove papas, uma pequena cidade sem expressão que desenvolveu-se muito com a chegada do primeiro papa (Clemente V) seguido por vários banqueiros italianos e comerciantes que rolavam a dívida da Igreja, financiavam as despesas dos inúmeros tribunais e as necessidades da administração e dos peregrinos, principalmente durante o primeiro trimestre ou “Trimestre da Troca”, quando as transações comerciais eram intensas. Avignon (Avinhão), o rio Ródano e o Monte Ventoux
  7. 7. Petrarca estudou em Montpellier (1319-1323) com seu irmão Geraldo, registrando-se como “Franciscus Petrarchi”, provavelmente devido ao nome do pai (Petracco) pois havia necessidade de um sobrenome, que não era usual na Itália. Pressionado pelo pai continuou seus estudos, cursando direito em Bolonha (1323-1325), adorou a cidade, mas odiou o Direito, assim como Bocaccio odiava o comércio, dizia que era contra o seu espírito. Bolonha era sede da mais conceituada universidade da idade média, modelo para diversas universidades de Direito. Estudava-se o direito canônico e o CODEX (direito codificado no Império Romano do Oriente), pois com a queda do Império Romano do Ocidente o direito romano foi substituído pela decisão dos senhores feudais, que eram lei, advogado e juiz. Essa universidade era cultivada pelos burgueses emergentes como forma de cercear o poder ilimitado dos senhores feudais, resgatando o antigo sistema judiciário do império. Enquanto isso, em 1324 sua futura musa inspiradora, ainda desconhecida para ele, é desposada por Hugo II de Sade, aos 18 anos. Palácio papal em Avignon
  8. 8. Mapa da Europa de 1300, em destaque a Toscana Montpellier Condado de Avignon Arezzo Avignon, cidade Estado, situada na antiga “Província do Reino da Sicília com capital em Nápoles”, daí o nome Provence para a região. + + + Nápoles + ++ ArezzoArezzo FlorençaFlorença ++
  9. 9. Dos tratados de Direito tudo o que lhe interessava era a imensa quantidade de referências que havia neles a respeito da antiguidade romana. Assim, além de estudar as leis, Petrarca punha-se a ler tudo o que podia encontrar sobre Virgílio, Cícero e Sêneca, os grandes poetas e oradores do mundo antigo. As poucas obras que ele pôde encontrar destes autores lhe abriram novas perspectivas quanto à arte literária. Petrarca começou a pensar como eles e esforçava-se para escrever também como eles. Palácio papal em Avignon
  10. 10. Em 1325, com 21 anos, compra seu primeiro livro, “De Civita Dei” (de Santo Agostinho), um ano depois abandona os estudos de Direito em Bolonha e retorna para Avignon, com a morte do pai, e começa a escrever versos de amor em linguagem do povo, o toscano de Florença. Presta exame para ordens menores (torna-se monge), que o permite receber “benefícios” da igreja exercendo a advocacia em seu escritório, à serviço da Santa Sé. Durante a primeira metade da década de 1330, em Bolonha, havia tido notícia da existência de numerosos clássicos da literatura antiga que haviam sido esquecidos ou perdidos. Uma de suas maiores paixões tornou-se a caçada a estas obras das quais se sabiam os nomes mas não se sabiam onde estavam . Bolonha
  11. 11. Petrarca dizia que não iria advogar, que não seguiria uma carreira que não deixava alternativa entre “ser desonesto ou parecer ignorante”. A citação que segue, sobre Santo Ivo, demonstra o sentimento geral daquela época com relação aos advogados. Costumava-se falar de Santo Ivo, patrono da classe, advogado dos humildes e miseráveis, a quem defendia sem cobrar: “Santo Ivo era Bretão, Advogado honesto, Não ladrão, Coisa de admiração”. Palácio papal em Avignon
  12. 12. Bocaccio satiriza a profissão com a ironia destas palavras: Bocaccio “Inda novel demandista Um letrado consultou, Que depois de cem perguntas, Tal resposta lhe tornou: “Em cujácios, sem menéquios, Em pegas e ordenação. Em reinícolas, e estranhos. Tens carradas de razão. Sim, sim, por toda esta estante Tem razão, razão demais! Ah! Senhor (replica o homem) Te-la-ei nos tribunais?” Bocaccio
  13. 13. Em 1350 visitou a cidade de Roma por ocasião do ano santo. Durante a viagem conheceu em Florença o seu futuro amigo Bocaccio (1313-1375), dez anos mais velho e autor de Decameron, uma crítica severa aos membros da Igreja. Bocaccio foi o segundo grande propulsor do renascimento na literatura. Inicialmente, Bocaccio fazia poesia erótica com a temática do triunfo da sedução sobre a inocência, como um sinal de sabedoria de vida diante de concepções que ele considerava já antiquadas. Decameron foi traduzido para o latim por Petrarca e serviu de modelo para Geoffrey Chaucer (1340 - 1400) escrever o “Conto do Balcão”. Petrarca
  14. 14. Profundo conhecedor dos “Trovadores” da idade média, em Avignon compôs vários “sonets” (do provençal, sonet, pequeno som ou ar) tornando o soneto a forma mais popular dos poemas curtos em todos os idiomas europeus. De uma forma rudimentar o soneto era conhecido pelos hindus cerca de 15 séculos antes de Cristo evoluindo para a forma que conhecemos no início do século XIII graças, ao que tudo indica, um siciliano chamado Giacomo Notaro, poeta imperial da corte de Frederico II. O soneto foi padronizado por um homem de Santa Firmina, Fra Guittone D’Arezzo, criando o soneto guitoniano e cristalizando o formato adotado com pequenas variações por Dante Alighieri e Francisco Petrarca, que o tornou conhecido em suas viagens. Em 1330 Petrarca incorpora-se ao serviço do Cardeal Colonese em Bolonha. Frederico II, da Sicília
  15. 15. Petrarca possuía suficientes recursos para permitir-se uma vida de lazer e de viagens. Inicia um tour, em 1330, pela França, Alemanha, Países Baixos, Espanha e Itália, onde procurava conhecer os costumes das regiões, visitando Toulouse, Aix-la-Capele, Liége, Colônia e o Vale do Reno. Durante suas viagens Petrarca descobriu em 1333, em uma biblioteca de uma igreja em Liège, dois discursos perdidos de Cícero. Em 1345 descobriu em um mosteiro de Verona um manuscrito contendo várias cartas de Cícero a Ático, Quinto e Brutus.
  16. 16. Estas descobertas chamaram a atenção de Petrarca para o fato de que nas bibliotecas de muitos mosteiros da Europa havia cópias destas obras antigas. Na verdade elas eram desconhecidas apenas pelo fato de que não só os monges, mas toda a civilização medieval nunca lhes havia dado valor ou se interessado por elas mais do que por um exercício de gramática. Eram obras que primavam pela beleza do estilo latino com que estavam escritas. Nos mosteiros em que havia cópias manuscritas estes textos às vezes eram utilizados como um exercício de gramática latina ou simplesmente estavam encostados em algum canto menos freqüentado da biblioteca.
  17. 17. Mas quando Petrarca descobriu que escondidas pelos mosteiros da Europa jaziam esquecidas muitas daquelas obras que há séculos não se dava mais valor, e das quais geralmente não se conheciam senão os nomes, passou a considerar, aqueles textos "como mercadoria mais valiosa do que qualquer coisa que lhe pudesse vir das Arábias ou da China". Inspirou seus amigos a procurarem e a copiarem pela Europa manuscritos perdidos da literatura grega e latina, exigiu a abertura de bibliotecas públicas e, durante suas viagens, transcreveu ele próprio numerosos manuscritos.
  18. 18. Bocaccio tinha um “eu” de tornar-se monge e mudar seu estilo erótico de poesia, Petrarca concordou, ao ser consultado, que devia mudar o estilo e não ingressar na ordem monástica, mas estudar a literatura clássica grega e latina. Petrarca estudou grego com um monge da Calábria, que ao tornar-se Bispo, interrompeu as aulas. Leôncio Pilatos, ex-aluno deste monge, em Milão foi contatado por Bocaccio para ser o seu professor com indicação de Petrarca. Bocaccio persuadiu a Universidade de Florença a criar a cátedra de grego e Petrarca ofereceu os recursos para pagamento do professor, além de cópias gregas da Ilíada e da Odisséia, de Homero, que ele não conseguia ler, para serem traduzidas ao Latim.
  19. 19. Durante o antigo império, Roma era uma cidade bilíngüe, inclusive, a Epístola de São Paulo aos Romanos e o Evangelho de São Marcos foram escritas em grego, mas com o declínio do império romano do ocidente a situação mudou. Nos dias de Petrarca encontrar um professor de grego na Itália era como entrar uma agulha no palheiro, somente poucos eruditos dominavam o grego e até mesmo Petrarca e São Tomás de Aquino não sabiam ler grego. Bolonha
  20. 20. A descoberta dos manuscritos contendo epistolas de Cícero contribuíram para uma fase de reedição de textos antigos, proporcionando o último ciclo científico filosófico na Idade Média, ao coincidir com a invenção dos tipos por Gutenberg e o surto de produção editorial na Itália, vindo a gerar personalidades como Erasmo de Rotterdam (Elogio à Loucura), Tomas Morus (Utopia – crítica ao Estado Inglês diante da expulsão dos camponeses de suas terras), Cervantes (Dom Quixote – romance em prosa satírica), Luiz de Camões (Lusíadas – epopéia que exalta o povo português) e Rabelais (História dos gigantes Gargantua e Pantagruel, crítica irônica dos costumes religiosos, intelectuais e literários). ShakespaeareShakespaeare CervantesCervantes MontaigneMontaigne CamõesCamões
  21. 21. Burgueses, Príncipes e Papas, isto é, os grandes mecenas, buscavam aumentar seu prestigio por meio da grandiosidade das obras de arte com o desejo de se eternizarem numa pintura ou escultura, provocando uma verdadeira corrida para contratar artistas como Leonardo da Vincci, Michelangelo, Ticiano e Rafael Sanzio, enumerando apenas os artistas italianos. Esse momento histórico foi importante para as descobertas científicas no campo da Astronomia, Física, Medicina, Matemática, Geografia e Navegação. Petrarca
  22. 22. Sua exortação ao retorno da filosofia antiga (Santo Agostinho, Platão e Plutarco), contribuiu para o surgimento do Renascimento na Itália, onde atingiu seu maior brilho devido à atividade comercial que gerou ricos mercadores, banqueiros e poderosos Senhores, além da contribuição dos bizantinos, que mantinham a cultura clássica preservada pelo Império Romano do Oriente e que levaram para Itália em sua fuga, quando da queda de Constantinopla em 1453. Grandes mecenas, como a família Medicci, favoreceram o surgimento de Giotto (pintura), Dante Alighieri, Bocaccio e Petrarca (na literatura) do século XIV (Trecento) e com apogeu no século XVI (cinquecento). Petrarca
  23. 23. Em 1336, em Avignon, o então monge Petrarca, aos 32 anos escala o Monte Ventoux, um pequeno e típico monte pré alpino com 1912 metros, com seu irmão Geraldo. Considerado o Patrono do Alpinismo, por ter sido o primeiro a ter deixado por escrito as suas impressões, apesar de altitudes de 4.000 metros (pastagens de Pamires, no Afeganistão) já serem conhecidas por nômades há quatro mil anos, mas sem relatos das impressões, como fez Francisco Petrarca ao escrever os seus “eus” daquela visão. Monte Ventoux (Vaucluse)
  24. 24. “Hoje escalei a montanha mais alta da redondeza, conhecida como Ventoux. Senti por dentro o privilégio de ser o primeiro a estar em um pedaço de terra nas alturas. Há muitos anos que vinha sonhando esse momento. Primeiro, fiquei parado sentindo o sopro do vento em minha face e no minuto seguinte, dei uma volta completa sobre meus calcanhares contemplando a paisagem que se me estendia e fiquei pasmo com a beleza que vi. Olhei para trás e para baixo, nuvens se juntavam aos meus pés e céu infinito alcançavam meus olhos ao longe. Logo me veio à memória a imagem de Atos e Olímpia que aqui se tornaram personagens mais reais pois o que tinha lido e ouvido sobre eles estava eu vivendo neste momento. Dirigi então um olhar para o lado da Itália, para onde meu espírito se sempre atraído e vi ... os Alpes... rígidos e recobertos de neve... estão de repente tão próximos que quase os tocava com minhas mãos... mas na verdade estavam bem distante; separavam-nos um imenso intervalo.” Avignon, ao fundo Monte Ventoux
  25. 25. Somente após 52 anos deste feito houve outra façanha semelhante com a escalada do monte Rocciamelone, com 3.357 metros de altitude, também nos Alpes, em parte devido a ignorância da idade média que demorava a dissipar estórias e teorias sobre dragões que habitavam as montanhas e sobre as baixas temperaturas nos cumes. Em 1337 nasce o primeiro filho de Petrarca o qual é fonte de desapontamento quando percebe que é “inteligente, talvez mesmo excepcionalmente inteligente, mas odeia livros”. Scheuchzer / Dragão / Salamandra Gigante
  26. 26. Considerado um dos homens mais cultos de sua época, era poeta, filósofo, teólogo,gramático, numismata (estudioso das moedas), copista, editor e precursor do “Tour de France”, escreveu a maioria de sua obra na língua culta da época, o latim, apesar de ter escrito inicialmente na língua vulgar. A língua italiana, ainda em formação, deve a sua fixação aos livros de Petrarca que serviam de gramática, vocabulário e modelo à um grupo cada vez maior de leitores que tinham condições de acessar a produção crescente de livros. Escreveu muitas cartas segundo o modelo de Cìcero e Horácio, sendo considerado uma mistura de Cícero, Virgílio e Horácio, com seu chamado “Dolce Stil Nuovo”. Petrarca
  27. 27. Escreveu: “Epistolae de Rebus Familiaribus” (cartas de assuntos familiares - 350 cartas em 24 volumes), “Epistolae Senilis” (cartas de um Velho) e “De Vita Solitária”, “Rerum Memorandum Libri (Tratado incompleto das virtudes cardeais), “Itinerarium” (um livro guia para ir a Terra Santa), “De Sui Ipsius et Multorum Ignorantia” (escrito contra os Dialéticos, seguidores de Aristóteles) e o livro ilustrado “De Viris”, com 24 biografias de personagens da antiguidade de Rômulo (fundador lendário de Roma) à Tróia . Foi um dos fundadores do humanismo e força principal do renascimento italiano, acreditava na possibilidade de continuidade da cultura clássica com o cristianismo procurando ser seu conciliador. Petrarca
  28. 28. Entre 1342 e 1347 inicia a reorganização de seu “Il Canzoniere, produzido em 1336 e 1338. Em 1343 escreve “Psalmi” contendo as sete pragas e confissões. Em 1347 em Bolonha, protegido do Cardeal Colonese e família, uniu-se ao movimento de Cola de Rienzo que aproveitou a lacuna política deixada pelo papa na Itália Central (Estados Pontifícios), barreira natural do conservadorismo que impedia as idéias novas que circulavam ao norte seguirem rumo ao sul e ao reino de Nápoles. Canzonieri
  29. 29. Neste movimento de 1347 Cola de Rienzo funda em Roma uma república anti- aristocrática que procurava restabelecer a dignidade Romana e união do antigo império coincidindo com a postura de Petrarca que inicia suas crítica à Igreja sete anos antes, em 1340. Petrarca considerava sua época como o final de um “tempo obscuro”, de uma “Idade das Trevas”, iniciado com a decadência do Império Romano. Em comparação com a época dos antigos gregos e romanos, plena de realizações culturais, a Idade Média lhe parecia bastante pobre... Canzonieri
  30. 30. Suas críticas tornaram-se mais intensas como aliado de Cola de Rienzo, escrevendo uma série de cartas aos papa Clemente VI (1342) e Urbano V (1366) exortando o retorno da Santa Sé para Roma, que segundo o poeta deveria sediar o poder temporal e espiritual de um novo tempo, longe da influência francesa. Ocorreu uma intensa comunicação, por carta, entre Petrarca e Cola, onde Petrarca descreve Avignon como usurpadora dos direitos de Roma e fonte de corrupção e da frivolidade do clero. Canzonieri
  31. 31. Ficou célebre sua comparação de Avignon com “Babilônia” (confusão) e o “labirinto” (de Creta) representando a desonestidade da burocracia administrativa da Igreja e como o fio de Ariadne, que conduzia à saída do labirinto, também em Avignon havia meios de encurtar os caminhos: o ouro Em uma das ocasiões exorta o Pontífice a retornar à Roma e lembra ao Papa que “a vida é breve e que um dia ele também estará perante o tribunal de Cristo para ser julgado como servo e não como chefe”. Manuscrito
  32. 32. Há uma pequena fábula moral que serve de exemplo do poder da liberdade sobre a censura. Na edição Aldina (ou seja impressa por Aldus Manutius), de 1533, dos “Sonetos e Canções”, de Petrarca, dois sonetos contra a Corte de Roma, tiveram o texto cobertos com tinta nanquim. Com o passar do tempo, a tinta desbotou e agora os sonetos são perfeitamente legíveis. Mais tarde Petrarca ficou sob a “proteção” do Bispo de Milão, Giovanni Visconti, falecido pouco tempo depois. PetrrcaPetrrcaPetrarca
  33. 33. Petrarca não foi considerado rebelde pela Igreja, mas respeitado pois lutava, não com uma fé cega, mas com uma posição crítica diante da decadência visível do poder espiritual do papado, sendo ele um profissional à serviço da Santa Sé, atuando em vários escritórios eclesiásticos, sob a proteção do Cardeal Colonese, ainda em Bolonha e prosseguindo ao retornar à Avignon, em 1326, com a morte do pai, sob a proteção do Cardeal Felipe de Cabassoles, Bispo de Cavaillion e Senhor de Vaucluse. Avignon (Avinhão)
  34. 34. Devido aos problemas econômicos, torna-se monge recebendo o “beneficium” vitalício, e que seguia regras pré-estabelecidas para sua concessão. Uma das regras para receber e manter uma “Benece” é que o titulo seja fornecido por um “protetor”, a exemplo do sistema Vassalo/Soberano, a quem o beneficiado devia submissão, neste caso, ao representante da Igreja no local onde o beneficiário residia e a contra-partida apresentando serviços ou ofícios vinculados à Igreja e a fonte não estivesse sob seu controle. Em 6 de abril de 1327 conheceu Laura de Novaes, sua musa, na Igreja de Sainte-Claire e segundo outras fontes, na casa de um influente cardeal de Avignon. Petrarca
  35. 35. Em 1337 deixou Avignon com destino à sua chácara em Vaucluse, um lugar de retiro onde produziu muito de suas maiores obras e onde copistas que viviam com ele faziam novas cópias daqueles manuscritos que ele havia juntado. Em 1340 foi convidado pela universidade de Paris e pelo Senado de Roma para ser laureado como poeta, optando pelo convite do Capitólio de Romano, em 1341.Em 1343 quando Geraldo torna-se monge de Chartreux de Montreux e num furor ascético escreve “Secretum”, um momento de celebração da vida monástica, reacende as paixões políticas com sonetos contra Avignon e une o misticismo ao amor pela pátria. Escreve sobre uma conversa entre ele, Santo Agostinho e a Senhora Verdade, destinado à meditação pessoal, como a maioria dos livros editados na época. Vaucluse
  36. 36. À Petrarca é creditado a primeira “forma” conhecida de soneto com 14 linhas divididas em duas estrofes que influenciou toda a Europa . O formato adaptado na Inglaterra influenciou Willian Shakespeare que produziu cento e cinqüenta sonetos no gênero conhecido como Shakesperiano, além de tragédias no formato clássico e Edmund Spencer no estilo conhecido como Spenseriano. Nos tempos modernos influenciou Rainier Maria Rilke (1875-1926) em “Die Sonette na Orpheus” (Sonetos à Orfeu), ciclo de 55 poemas escritos em 1923. Petrarca
  37. 37. Os poemas de 14 versos foram assimilados pelo Humanismo e Barroco, desprezados pelos Iluministas e retornou com os Românticos, Parnasianos, Simbolistas e sobrevivendo ao Modernismo chegou aos nossos dias. Há mais de dez anos, o poeta mexicano, Octávio Paz, num ensaio sobre o amor e o erotismo, fazia chegar aos seus dias a tradição com origem na poesia provençal onde destaca Dante e Petrarca. Acerca de Petrarca diz: “quase toda a poesia européia de amor pode ser vista como uma série de glosas, variações e transgressões do “Canzoniere”. Petrarca Canzonieri (séc XV)
  38. 38. Petrarca na sua tentativa de ressuscitar o clássico escreveu uma epopéia ao estilo de Virgilio em “África”, chamado “Cipião, o Africano”, poema inacabado dedicado a Pumblius Cornelius Cipião, general romano herói das guerras Pùnicas (Contra Cartago). Escreveu 300 sonetos, 29 canções, 9 sixtinas, 7 baladas e 4 madrigais, reunidos em um livro de canções (Il Canzonieri) originalmente chamado “Rerun Vulgariun Fragmenta” onde expõem uma concepção do amor, sinceridade, profundidade psicológica, beleza da forma e virtuosismo que influenciou toda a literatura ocidental, tornando- se o padrão e matriz para todos os poetas líricos europeus na criação de seu mundo íntimo. Petrarca ..
  39. 39. No “Il Canzonieri” há duas partes distintas, escritas antes e depois da morte de sua musa inspiradora em 1348, Laura de Novaes, por quem tinha um amor platônico desde os 23 anos, e aquém dedica 317 sonetos. A temática da mulher, objeto da adoração por parte do poeta, que falava de suas qualidades físicas e espirituais e se desespera em sua visão da castidade angelical que se fazia inalcançável personificava em Laura o objeto de seus desejos. Laura
  40. 40. No “Il Canzonieri” a questão religiosa é um elemento fundamental, assim como na vida de Petrarca. O hino que conclui o “Canzonieri” é dedicado à Nossa Senhora. O dia se apressa e já não pode estar longe, assim o tempo corre e voa, virgem única e só, e uma hora de consciência, uma hora a morte o coração punge: entrego-me ao teu Filho, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, que acolha o meu espírito em paz. Laura
  41. 41. Petrarca construiu o retrato feminino a partir de um número de refinados elementos, o chamado cânone breve. A formação e a evolução deste cânone é conseqüência da redução do elenco de atributos físicos prescrito pelas poéticas medievais, o cânone longo. O autor dos “Rerum Vulgarium Fragmenta” fixa a apresentação, por regra, em alguns dos elementos do semblante, cabelos, olhos, faces e boca, aos quais se acrescenta uma parte do corpo, pescoço, peito ou mão. Além disso, as metáforas e as imagens utilizadas são bem definidas, e suas motivações reduzidas à luminosidade e à cor, entre amarelo, vermelho e branco. Laura
  42. 42. A estruturação obedece a um esquema de correspondências internas muito elegantes, como a exemplo dos tercetos do soneto 157 dos “Rerum Vulgarium Fragmenta”, “Quel sempre acerbo et honorato giorno”. La testa ór fino, et calda neve il volto Hebeno i cigli, et gli occhi eran die stelle. Onde Amor l’arco non tendeva in fallo; Perle e rose vermiglie, ove l’accolto Dolor formava ardenti voci et belle; Fiamma i sospir’, le lagrime cristallo. Laura
  43. 43. Os cabelos são ouro, a tez neve, as pestanas ébano e os olhos estrelas, ao passo que os dentes e os lábios são referidos através de duas metáforas cujo sentido encontra-se bem definido, pérolas e rosas. Mas, além disso, Petrarca institui uma modalidade conhecida pelas poéticas medievais, que prescreve a ordem da enumeração dos vários componentes do retrato em forma descendente, e a chama “effictio”.O seu simbolismo assenta-se na convicção de que os atributos que se situam num nível mais elevado são mais perfeitos, por se encontrarem mais próximos do plano divino, como na oitava descendente no universo. Os seguidores de Petrarca irão consagrar o uso do cânone breve. Laura
  44. 44. Em 1373 termina “Il Canzonieri”, um vasto e variado manancial da mais pura e perfeita poesia lírica jamais escrita, um “best seller” que encontrou paralelo somente no sucesso de “Orlando Furioso” de Ludovico Ariosto, como atestam Trieste, Appolonio e Caprin em 1874 quando fizeram o levantamento de 167 edições de “Rerum Vulgarium Fragmenta” e de 176 de “Orlando Furioso”. Laura
  45. 45. Petrarca recebe de presente, em 1369, de Francisco de Carrara, um terreno em Arquá, próximo de Pádua, onde constrói uma casa para viver seus últimos anos após viver de cidade em cidade reconhecido como celebridade internacional. A quatro de agosto de 1370 escreve seu testamento, ficando como executor seu genro, Brossano de Francescuolo, casado com Francesca em 1361, data que Giovanni falece com Peste Negra em Avignon. Entre outros, seus herdeiros são: Geraldo, seu irmão, Boccaccio, Francisco de Carrara e Bartolomeu Pancaldo de Siena, um empregado. Petrarca não casou e identidade da mães de Francesca e Giovanni não é conhecida.
  46. 46. Durante os séculos, não faltaram nunca peregrinações a cidade de Vaucluse, local de seus amores impossíveis, e a cidade de Arquá, onde se admite que seu corpo está enterrado em uma igreja local em 18 de julho de 1374. Sua biblioteca, seus livros, suas copias, manuscritos e exemplares acumulados durante anos de amor aos livros ficaram para seus herdeiros, em Pádua, onde foram novamente difundidos para a Europa, reavivando o estímulo renascentista de suas páginas.
  47. 47. As vésperas de se comemorarem os 700 anos do nascimento do poeta e pensador italiano, em 2004, esta é realizada a primeira tradução integral para língua portuguesa do Rerum Vulgarium Fragmenta, no título original, obra também conhecida por Canzoniere, e a que Vasco Graça Moura intitulou As Rimas de Petrarca. Há uma nota introdutória à obra, na qual Vasco Graça Moura analisa alguns aspectos relevantes da vida e da obra do poeta italiano. Petrarca
  48. 48. “Faz-se o homem ao voltar para si, em si a eternidade retorna, nasce a poesia”. Francisco Petrarca (1304 –1374). Fim www.apollo.org - Centro de Porto Alegre / 2005
  49. 49. Anexo: QUATRO SONETOS "EM MORTE DE DONA LAURA" e um passagem do “Cancioneiro”
  50. 50. "AMOR, CHE MECO AL BUON TEMPO STAVI" Amor, comigo noutro tempo estavas Entre estas margens do pensar amigas E p´ra saldar nossas razões antigas Comigo e o rio arrazoando andavas: Flor's, frondes, sombras, ondas, antros, cavas, Profundos vales, altos montes, sigas, Que repouso me foram das fadigas E hoje o não são de tantas mágoas bravas. Ó vós que os ermos habitais do bosco, Ó ninfas, e quem mais do fresco fundo Do líquido cristal se alberga e pasce: Tão claro foi meu dia, ora é tão fosco Como a Morte que o faz. Assim no mundo Ventura vem do dia em que se nasce.
  51. 51. "ANIMA BELU DA QUEL NODO SCIOLTA" Alma tão bela desse nó já solta Que mais belo não sabe urdir natura, Tua mente volve à minha vida obscura Do céu à minha dor em choro envolta. Da falsa suspeição liberta e absolta Que outrora te fazia acerba e dura A vista em mim pousada, ora segura Podes fitar-me, e ouvir-me a ânsia revolta. Olha do Sorge a montanhosa fonte E verás lá aquele que entre o prado e o rio De recordar-te e de desgosto é insonte. Onde está teu albergue, onde existiu O amor que abandonaste. E o horizonte De um mundo que desprezas, torpe e frio.
  52. 52. "ITE, RIME DOLENTI, AL DURO SASSO" Oh, vai, verso dolente, à pedra dura Que o meu caro tesouro em terra esconde, E chama quem do céu roda responde, Se bem que o corpo esteja em tumba escura. Diz-lhe que vivo exausto de amargura, De navegar sem já saber por onde, Salvando apenas sua esparsa fronde De perder-se na morte que se apura, Sempre arrazoando dela, viva e morta, Como se viva e já feita imortal, Para que o mundo a reconheça e ame. E que lhe praza ser quem me conforta No instante que se apressa. Venha e, qual Está no céu, a si me leve e chame.
  53. 53. "DONNA, CHE LIETA CO'L PRINCIPIO NOSTRO" Senhora minha, que tão leda estais Co'o princípio de tudo, e o mereceste Por essa vida santa que viveste, E em sédia gloriosa vos sentais, Ó rara e portentosa entre as demais, Ora, no Olhar que tudo vê celeste, Vê o meu amor e a pura fé que veste De lágrimas choradas versos tais. E sente um coração tão fiel na terra Qual o é no céu agora, e que não tende A mais de ti que ao Sol dos olhos teus. E pois, para vencer a dura guerra Que neste mundo só a ti me prende, Roga que eu vá depressa a estar nos céus.
  54. 54. "DONNA, CHE LIETA CO'L PRINCIPIO NOSTRO" Senhora minha, que tão leda estais Co'o princípio de tudo, e o mereceste Por essa vida santa que viveste, E em sédia gloriosa vos sentais, Ó rara e portentosa entre as demais, Ora, no Olhar que tudo vê celeste, Vê o meu amor e a pura fé que veste De lágrimas choradas versos tais. E sente um coração tão fiel na terra Qual o é no céu agora, e que não tende A mais de ti que ao Sol dos olhos teus. E pois, para vencer a dura guerra Que neste mundo só a ti me prende, Roga que eu vá depressa a estar nos céus.
  55. 55. "Aquele que infinita providência e arte mostrou em seu ensino miraculoso; que criou este, e aquele outro hemisfério, e manso mais Júpiter do que Marte, vindo na terra a iluminar as escrituras que haviam há muitos anos já oculto a verdade, tirou João da rede e Pedro, e no reino do céu os fez parte. De si, nascendo, a Roma não fez graça, a Judéia sim, tanto sobre qualquer outra condição a humildade exaltar sempre agrada; e agora de um pequeno burgo um sol nos a dado, tal, que a natureza, e o lugar todo agradece, onde tão bela senhora ao mundo nasce." O Cancioneiro - Petrarca - Tradução: Jamir Almansur Haddad
  56. 56. Bibliografia: http://petrarch.petersadlon.com/
  57. 57. Francisco Petrarca 1304 - 1374

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