Todos os presidentes do Catete
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A tarefa de reformar, remodelar e embelezar a cidade foi
delegada ao engenheiro Francisco Pereira Passos,
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Quinze de Novembro. Algumas dessas construções permanecem até hoje, como o
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Afeiçoado às questões culturais, foi iniciativa de Washington Luís a criação dos museus
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Todos os presidentes do catete

  1. 1. Todos os presidentes do Catete O primeiro presidente da república a ocupar o palácio do Catete foi o paulista Prudente José de Morais e Barros, que governou o país de 1894 a 1898. Nessa época, o Catete era um bairro tranqüilo, cujo povoamento começou a se adensar na segunda metade do século XIX, com a abertura de novos caminhos conduzindo o centro da cidade à zona sul e com a construção de chácaras e sobrados residenciais, comerciais e de lazer. Neste clima de tranqüilidade, o presidente da república podia conciliar plenamente suas funções de chefe de estado com o hábito cotidiano de tomar chá com os amigos ao cair da tarde. Entretanto, apesar dessa calma aparente, Prudente de Morais teve seu governo atribulado por graves acontecimentos nacionais, como a revolta de Canudos, em 1897, que motivou um atentado ao presidente, vitimando seu ministro da Guerra, marechal Bittencourt. O sucessor de Prudente de Morais, também paulista, Manuel Ferraz de Campos Sales, governou de 1898 a 1902 e consolidou a república oligárquica com a articulação da "política dos governadores", que funcionou até 1930 como fator de estabilização do regime. Essa política representou um pacto entre as principais províncias da federação, através do qual as oligarquias dominantes no plano federal trocavam apoio com aquelas que mantinham a hegemonia local e regional. Campos Sales e sua esposa, D. Ana Carolina, também costumavam receber os amigos informalmente e abrir os jardins do palácio ao povo, além de passearem de bicicleta algumas vezes pela praia do Flamengo. Esses hábitos simples e pouco protocolares, porém, não foram suficientes para angariar popularidade ao presidente, prejudicado por uma política econômica extremamente dura. Ao final de seu mandato, Campos Sales deixou o palácio do Catete debaixo das vaias da multidão. Francisco de Paula Rodrigues Alves, outro paulista e amigo de Campos Sales, dedicou os quatro anos de seu mandato, de 1902 a 1906, a sanear, remodelar e embelezar o Rio de Janeiro, procurando transformar a capital do país em uma Paris nos trópicos, um verdadeiro cartão-postal do Brasil. Para livrar a capital das doenças e epidemias provocadas pelas péssimas condições de higiene e saneamento, foi convocado o eminente médico e sanitarista Osvaldo Cruz. Além da luta contra a febre amarela, epidemia que desde o século anterior provocava grande mortalidade entre a população, o governo federal decidiu instituir, por lei promulgada em 31 de outubro de 1904, a vacinação obrigatória contra a varíola, outra epidemia que grassava na cidade. Esta decisão provocou forte reação popular, manifestada em movimento conhecido como revolta da Vacina. Prudente de Morais, primeiro presidente da república a ocupar o palácio do Catete.
  2. 2. A tarefa de reformar, remodelar e embelezar a cidade foi delegada ao engenheiro Francisco Pereira Passos, designado pelo presidente da república prefeito da capital federal. Pereira Passos acompanhara, como estudante de engenharia, a reforma urbana de Paris, empreendida pelo prefeito daquela capital, barão Haussmann, na segunda metade do século XIX. Derrubando casas e sobrados, desmontando morros, destruindo quiosques, abrindo novas ruas, avenidas e vias de acesso, determinando a construção de novos prédios, o novo prefeito foi logo apelidado de Bota-Abaixo, pela população, transformado ainda em personagem de caricaturas, anedotas, modinhas e até romances da época. Quando assumiu a presidência, Rodrigues Alves já era viúvo e pai de nove filhos. Delegou os afazeres de primeira-dama a sua filha primogênita, D. Ana. Em 1904, a sala da capela do palácio do Catete abrigou a primeira cerimônia de um casamento presidencial. Ali, D. Catita, como era conhecida a filha mais velha do presidente, casou- se com o chefe-de-gabinete de seu pai. Apesar de toda a polêmica gerada por sua administração, Rodrigues Alves deixou o Catete acompanhado em cortejo por uma grande multidão em reconhecimento ao seu governo. Em 1906, foi a vez de um mineiro, Afonso Augusto Moreira Pena, ocupar o palácio do Catete. Ministro de várias pastas à época do Império, presidente de Minas Gerais entre 1892 e 1896, quando determinou a construção de Belo Horizonte, que seria a nova e moderna capital mineira, e ainda vice-presidente da república do governo anterior, Afonso Pena chegou ao poder com grande bagagem administrativa. Iniciou seu mandato assumindo os compromissos estabelecidos pelo Convênio de Taubaté, articulado pelas principais províncias produtoras de café - São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais - para valorizar o produto que sustentava a economia nacional. Pelos termos do Convênio, o governo federal assumia a responsabilidade pela valorização do café através da garantia de compra de estoques reguladores, inaugurando uma política que seria seguida por todos os presidentes da república velha. Duas figuras políticas destacaram-se no governo de Afonso Pena: o baiano Rui Barbosa, representante do Brasil na Conferência de Paz de Haia, e o gaúcho Pinheiro Machado, reconhecido como um dos mais hábeis e espertos articuladores políticos do período. Em 1908, para comemorar o centenário da abertura dos portos brasileiros, Afonso Pena determinou a realização de uma grande exposição, montada na área da praia Vermelha, para mostrar ao povo brasileiro e aos visitantes estrangeiros o progresso trazido pela república ao país. Nesse mesmo ano, foram colocadas na cornija do palácio do Catete as águias esculpidas por Rodolfo Bernardelli, dando ao prédio outro apelido, o de palácio das Águias. A um ano e meio do término de seu mandato, Afonso Jardins do palácio do Catete, atual Museu da República. Salão de despachos do palácio do Catete.
  3. 3. Pena faleceu em seus aposentos do palácio do Catete, no dia 14 de junho de 1909, tendo seu corpo sido velado na sala da capela. Seu vice-presidente, o fluminense Nilo Peçanha, complementou o mandato dedicando- se a afirmar sua posição na política nacional. Além do exótico lema que instituiu para seu governo, "Paz e amor", foi Nilo Peçanha quem lançou as bases da política indigenista brasileira com a criação, em 1910, do Serviço de Proteção ao Índio, à frente do qual destacou-se o marechal Cândido Mariano Rondon. O clima acirrado em torno da sucessão de Nilo Peçanha anunciava os primeiros sinais de crise na estrutura da República Velha. O confronto entre um candidato civil, Rui Barbosa, e outro militar, o marechal Hermes Rodrigues da Fonseca - a disputa entre a farda e a toga - levou à tona questões que já se tornavam prementes na sociedade, como a incorporação da população urbana, principalmente os operários, a classe média - entre a qual a jovem oficialidade - a mulher, o analfabeto, o negro e o índio. Auxiliado pela habilidade política de Pinheiro Machado, o marechal Hermes venceu as eleições e foi o primeiro presidente a residir no palácio Guanabara, que havia sido reformado em 1908. A par de uma desastrada política de intervenção nos estados com o objetivo de desmontar os tradicionais arranjos oligárquicos, o marechal Hermes introduziu nos palácios Guanabara e do Catete um clima arejado e descontraído. Com sua primeira esposa, D. Orsina da Fonseca, falecida em 1912, promovia festas populares, como a exibição, nos jardins do Catete, do rancho carnavalesco Ameno Resedá. Estimulado pela juventude, beleza e inteligência de sua segunda esposa, a caricaturista Nair de Teffé, com quem se casou em 1913, o marechal Hermes introduziu nos saraus do Catete novos ritmos, como o excitante "corta-jaca", lançado pela maestrina Chiquinha Gonzaga, escandalizando a conservadora sociedade da época. Do marechal, dizia-se ser um azarado. Mas para o povo carioca, proporcionou pela primeira vez a oportunidade de brincar dois carnavais no mesmo ano. Com a morte, em fevereiro de 1912, do barão do Rio Branco, figura extremamente querida e popular na capital, o presidente da república decretou a transferência do carnaval para abril, permitindo à população comemorar duplamente, naquele ano, os festejos de Momo. Em 1914, ano em que eclodiu a primeira guerra mundial, outro mineiro, Venceslau Brás Pereira Gomes, chegou à presidência para restabelecer a política oligárquica abalada pelas "salvações" do governo do marechal Hermes da Fonseca. O novo presidente também escolheu o palácio Guanabara como residência oficial, cultivando ali uma rotina simples e econômica. Seu extremo zelo em relação aos gastos públicos levou Venceslau Brás a solicitar do Congresso, em atitude até então inédita na política brasileira, uma redução de 50% em seus vencimentos. Durante seu governo, além da convivência com o conflito mundial, que trouxe algum benefício ao país através de um surto de substituição de importações, Venceslau Brás Rodrigues Alves e seus filhos no palácio do Catete.
  4. 4. teve que enfrentar uma rebelião de caráter messiânico na divisa entre Santa Catarina e Paraná, conhecida como guerra do Contestado. Na repressão ao movimento, as forças governistas utilizaram, pela primeira vez, aviões de combate contra os revoltosos. Em outubro de 1917, Venceslau Brás assinou, no palácio do Catete, a declaração de guerra contra a Alemanha, após o bombardeamento de dois navios brasileiros que navegavam em águas européias. A participação do Brasil, já na fase final do conflito, consistiu no envio de ajuda médica, basicamente. A sucessão de Venceslau Brás, além de trazer de volta ao poder o ex-presidente Rodrigues Alves, marcou um período de profundas transformações que iriam resultar no colapso da república velha e, conseqüentemente, no domínio das tradicionais oligarquias rurais. Eleito em março de 1918, Rodrigues Alves não chegou a tomar posse, falecendo em 17 de janeiro de 1919, vitimado pela gripe espanhola, epidemia importada da Europa que dizimou milhares de brasileiros. O vice-presidente eleito, Delfim Moreira da Costa Ribeiro, assumiu o governo interinamente até a realização de novas eleições, como previsto na constituição de 1891. Em abril de 1919, Rui Barbosa foi novamente derrotado em suas aspirações presidenciais pelo paraibano Epitácio da Silva Pessoa. Eleito para o quadriênio 1919- 1922, Epitácio Pessoa iniciou sua gestão sentindo as transformações trazidas pela nova realidade política, econômica e social do pós-guerra. Ao nomear civis para os ministérios militares, o novo presidente acirrou ainda mais os já exaltados ânimos entre os meios militares contra o predomínio das oligarquias e contra seu alijamento do arranjo político. Enfrentando a oposição, principalmente dos setores mais jovens das forças armadas, Epitácio Pessoa viu gestar-se em seu governo o movimento tenentista, que iria ganhar ímpeto na gestão de Artur Bernardes, culminando na derrota da república velha, em 1930. A década de 1920 foi também marcada por movimentos importantes na área cultural, como a realização, em fevereiro de 1922, em São Paulo, da Semana de Arte Moderna, cujo objetivo era revolucionar o panorama das artes e da cultura do país, dominado então pelo academicismo e pela submissão aos padrões estéticos estrangeiros, principalmente europeus. No palácio do Catete, o presidente Epitácio e sua bela esposa, a pintora Mary Pessoa Saião, estimulavam uma intensa vida social. Logo no primeiros meses de seu governo, foram realizadas várias recepções noturnas, raras no palácio até então. Em 1920, a visita ao Brasil dos reis da Bélgica, Alberto e Isabel, motivou a realização, no Catete, de uma grande recepção, com pompas dignas das maiores realezas. Cortejos de carros transportavam as figuras mais ilustres e elegantes da sociedade brasileira para o palácio do Catete, onde eram recebidas por criados de libré e conduzidas até o salão nobre para as devidas reverências ao soberano casal. Nos jardins do palácio, foi realizado um garden party à luz de lanternas chinesas penduradas nas árvores. Epitácio Pessoa fechou seu governo com a realização da grande Exposição Internacional de 1922, em comemoração ao centenário da independência do Brasil. Vários países montaram pavilhões na área, abrangendo o centro da cidade até a Praça
  5. 5. Quinze de Novembro. Algumas dessas construções permanecem até hoje, como o prédio da Academia Brasileira de Letras, conhecido por Petit Trianon por haver sediado o pavilhão francês na exposição; o Museu Histórico Nacional, onde havia se instalado o palácio das Indústrias e o Museu da Imagem e do Som, que sediou o pavilhão de administração. A candidatura de Artur da Silva Bernardes à sucessão de Epitácio Pessoa já se colocou em clima de crise política aberta, desde 1921, com o episódio das cartas atribuídas a Bernardes, difamando o ex-presidente Hermes da Fonseca e membros das forças armadas. Concorrendo com Nilo Peçanha, Artur Bernardes garantiu, com o tradicional arranjo oligárquico estabelecido pela "política dos governadores", o mandato que exerceu de 1922 a 1926, durante o qual manteve o país quase que permanentemente em estado de sítio. Foi o período dos levantes tenentistas, como o do Forte de Copacabana, episódio conhecido como "Os 18 do Forte", e o da Escola Militar no Rio de Janeiro, em 1922; a sublevação da guarnição militar de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, liderada pelo tenente Luís Carlos Prestes; a organização da Coluna Prestes e o levante de 5 de julho em São Paulo, todos em 1924. O palácio do Catete era alvo do bombardeio de críticas vindas de todos os lados: da imprensa, da população, das forças armadas. Ainda em 1924, o encouraçado São Paulo apontou suas canhoneiras na direção do Catete, ameaçando explodir o palácio de governo. Neste mesmo ano, o jovem tenente Eduardo Gomes, que em 1942 concorreria à presidência, ameaçou chocar-se contra o Catete dentro de um avião repleto de bombas e panfletos. Apesar de toda a tensão, Bernardes ainda conseguia refugiar-se dos dias quentes de verão na ilha do Rijo, residência oficial de veraneio da presidência, localizada na baía de Guanabara. Ao final de seu mandato, Artur Bernardes deixou o Catete como um dos presidentes mais impopulares da república velha. Em 1926, chegou ao governo Washington Luís Pereira de Sousa, ao qual, juntamente com o lema "governar é abrir estradas", foi também atribuída a famosa frase: "a questão social é um caso de polícia". Filho da oligarquia fluminense, mas perfeitamente afinado com os interesses paulistas, a ponto de ser chamado "paulista de Macaé", Washington Luís também não residiu no Catete, preferindo o palácio Guanabara, onde realizava suas festinhas e tertúlias privadas. Num trecho do morro denominado do Mundo Novo, fronteiriço ao palácio Guanabara, Washington Luís mandou construir um mirante, dotado de guarita para sentinela e de uma saleta de estar, onde costumava descansar, apreciando a bela vista oferecida pela baía de Guanabara. No Catete, chegava pontualmente às 12 horas, iniciando seus despachos com ministros, políticos, autoridades, correligionários e amigos. Antitabagista, o presidente só fazia concessão aos charutos fumados por seu ministro da Fazenda, Getúlio Dorneles Vargas.
  6. 6. Afeiçoado às questões culturais, foi iniciativa de Washington Luís a criação dos museus do Ipiranga e Republicano, em São Paulo e Itu. A casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, foi por ele transformada em museu, tendo sido sua inauguração, em 28 de agosto de 1930, a última solenidade oficial da qual Washington Luís participou, como presidente da república. Pouco depois, pressionado pelo movimento da Aliança Liberal que lançara Getúlio Vargas contra o candidato oficial, o paulista Júlio Prestes, Washington Luís foi obrigado a renunciar e entregar o cargo a uma junta governativa integrada pelos generais Tasso Fragoso e Mena Barreto e pelo almirante Isaías de Noronha. Em 31 de outubro de 1930, o salão nobre do palácio do Catete recebia civis e militares em uniforme de campanha, iniciando um novo ciclo na história republicana - a república nova ou a "era Vargas" - que seria dominado, durante mais de duas décadas, pela figura de Getúlio Vargas, um dos principais líderes do movimento que ficou historicamente conhecido como Revolução de 1930. Museu da República: guia do visitante. Rio de Janeiro, Museu da República, 1994, pp.11-20.

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